Psicanálise, gerontologia e geriatria: investigaçÃo e assistência multi e interdisciplinar à saúDE MENTAL DO IDOSO CADASTRADO NAS EQUIPES DE saúde da família, no município de dourados-ms



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PSICANÁLISE, GERONTOLOGIA E GERIATRIA: INVESTIGAÇÃO E ASSISTÊNCIA MULTI E INTERDISCIPLINAR À SAÚDE MENTAL DO IDOSO CADASTRADO NAS EQUIPES DE SAÚDE DA FAMÍLIA, NO MUNICÍPIO DE DOURADOS-MS *.

* Projeto aprovado e subsidiado pelo Programa de Apoio à Extensão Universitária. PROEXT 2007. Ministério da Educação – MEC – Secretaria de Educação Superior – SESu e Departamento de Modernização e Programas da Educação Superior – DEPEM.
Ednéia Albino Nunes Cerchiari1; Márcia Regina Martins Alvarenga2; Ângela Maria Lobo Sollberger3; Márcia Luci Ortiz da Camara4
Introdução

O envelhecimento da população mundial é um fato de proporções amplas que os países mais desenvolvidos ainda estão tentando compreender e enfrentar. No passado, tal fenômeno era constatado em poucos países, atualmente, um número crescente de nações passou a vivenciá-lo (CAMARANO, 2002).

Devido à explosão demográfica, a Organização das Nações Unidas (ONU) preocupou-se em conhecer dados sobre a situação, a fim de subsidiar as decisões da Assembléia Mundial sobre o Envelhecimento, ocorrida em Viena, em 1982. Essa Assembléia estabeleceu que as pessoas residentes nos países desenvolvidos, com idade igual ou superior a 65 anos, seriam consideradas “idosas” e o marco cronológico para os indivíduos que morassem nos países em desenvolvimento seria a partir dos 60 anos de idade, em função das condições mais precárias de vida e evidências de desgaste em idades mais jovens (SILVESTRE et al., 1996; VERAS, 1998).

O envelhecimento populacional é um dos maiores desafios da saúde pública contemporânea. No Brasil, o número de idosos (≥ 60 anos de idade) passou de 3 milhões em 1960, para 7 milhões em 1975, 14 milhões em 2002 (um aumento de 500% em quarenta anos) e estima-se que alcançará 32 milhões em 2020. Nos países europeus, como a Bélgica, por exemplo, foram necessários cem anos para que a população idosa dobrasse de tamanho.

No Mato Grosso do Sul, os idosos serão em número cada vez maior, podendo chegar a 11,9% da população, em 2020. A estrutura etária da população do Estado terá um novo padrão em duas décadas, com redução do número de jovens de 0 a 14 anos e aumento do número de pessoas da terceira idade, com 60 anos ou mais. Caso se confirme a estimativa de população para 2020, de 2.733.467 pessoas, os idosos serão 324.122 em Mato Grosso do Sul (MS). A cidade de Dourados segue esse ritmo, apresentando, em 2000, uma população de idosos próxima de 7% (IBGE, 2000).

Desta forma, trata-se de um desafio que chama a atenção e de uma necessidade inadiável de conhecimento e familiarização com o tema “era do envelhecimento”, uma vez que essa realidade representa grandes implicações, tanto para a área da saúde, como para a previdência social, em relação aos equipamentos urbanos e ao mercado de trabalho (LIMA & VERAS, 2003).

Assim, propomos a Capacitação das Equipes do Programa Saúde da Família, em Dourados, porque existem, atualmente, 26 equipes do Programa Saúde da Família que estão distribuídas na zona urbana e outras cinco que estão na zona rural.  A cobertura populacional das equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) corresponde a 44,99%, ou seja, 83.866 habitantes e destes, 6.274 são pessoas com 60 anos e mais.
Objetivos

1-Participar efetivamente na Atenção à Saúde da Pessoa Idosa cadastrada na Equipe de Saúde da Família, no Município de Dourados-MS, ampliando as ações das universidades e da psicanálise junto à comunidade, principalmente em relação às atividades de promoção e manutenção da saúde mental;

2- Instituir a investigação e a assistência multi e interdisciplinar na área da saúde mental do idoso de forma sistematizada na Atenção Básica do município de Dourados;

3- Capacitar os profissionais de saúde (enfermeiras, médicos, terapeuta ocupacional, psicólogos, agentes de saúde) docentes (enfermeiras, psicólogos, fisioterapeuta, turismólogo) e acadêmicos dos cursos de Enfermagem, Psicologia e Turismo das universidades envolvidas (UEMS, UNIDERP, UFMS).


Metodologia

A capacitação ocorrerá em módulos:

MÓDULO I - Envelhecimento: Aspectos Biológicos, Afetivos, Cognitivos e Sociais; MÓDULO II - O papel do lúdico na terceira idade;

MÓDULO III - Turismo na terceira idade;

MÓDULO IV - Metodologia Ramain Thiers.

A participação da Sociedade Psicanalítica de Mato Grosso do Sul (SPMS) será nos Módulos I e II.


Considerações finais

Estudos psicanalíticos indicam que indivíduos que sempre tiveram um saldo positivo em cada fase do desenvolvimento da personalidade, conseguem, em idade avançada, a integridade do ego necessária para adaptar-se às mudanças pessoais e sociais. Sentirão saciados seus desejos, conseguirão ver o mundo com simplicidade e possuirão maior tolerância para as ocorrências da vida, atingindo, como resultado de toda experiência vivida, o dom da sabedoria. Por outro lado, se o desenvolvimento da personalidade não se realizou de forma satisfatória, as situações internas e externas, que levam o idoso a uma posição de maior dependência, reativam os mesmo conflitos que ocorreram nas primeiras fases do ciclo vital e que permaneceram mais ou menos reprimidos. O ego mal integrado, para suportar estas revivências com os agravantes da freqüente falta de apoio do meio, torna o indivíduo menos apto a lidar com as vicissitudes próprias deste momento de suas vidas: velhice acompanhada de desesperança.

Desta forma, acreditamos que o conhecimento psicanalítico adquirido na capacitação, possibilitará aos profissionais da área da saúde entender que a velhice não corresponde apenas às alterações psicofísicas, mas envolve um complexo processo de decadência funcional que na realidade se inicia muito antes da pessoa ter qualquer noção de que está envelhecendo. Identificar as limitações que os idosos apresentam e trabalhar com as reais necessidades dos mesmos, desenvolvendo ações de promoção específica, diagnóstico precoce, recuperação da saúde e reabilitação.

As informações pertinentes ao conhecimento do campo psicanalítico certamente servirão de subsídios aos profissionais de saúde que promovem e recuperam a saúde dos idosos atendidos no PSF.



Referências

CAMARANO, A. A. Envelhecimento da População Brasileira: Uma Contribuição Demográfica. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, janeiro 2002 ,Rio de Janeiro p.01-26.


IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível na world wide web:www.ibge.com.br/home/estatisticas/população/censo2000/default.shtm
LIMA COSTA, M.F; VERAS, R. Saúde Pública e envelhecimento. Caderno de Saúde Pública, v.19 n.3 Rio de Janeiro jun. 2003.
SILVESTRE, J.A.; KALACHE, A.; RAMOS, L. R.; VERAS, R. P. O envelhecimento populacional brasileiro e o setor saúde. Arquivos de Geriatria e Gerontologia, n.1, p.81-9, set. 1996.
SILVESTRE, J. A. Hospitalizações SUS/1997. Dez principais causas por enfermidades – Idosos CID-9. [ online]. Brasília: Ministério da Saúde, 1998. [citado em 10/10/2005]. Disponível em http:www.saúde.gov.com.br
VERAS, R. P; Aspectos demográficos. In: CALDAS C. P. A saúde do idoso: a arte de cuidar. Rio de Janeiro: UERJ, 1998. p. 49-50.
Currículo resumido das Autoras
1Edneia Albino Nunes Cerchiari

Psicóloga. Psicanalista, Membro Efetivo e Didata da Sociedade Psicanalítica de Mato Grosso do Sul – SPMS, Membro da ABP, FEPAL e IPA. Professora na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – UEMS, Curso de Enfermagem, Disciplina: Psicologia da Saúde, Doutora em Ciências Médicas pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP.

Coordenadora do Projeto de Extensão “Oficina: (Re) Descobrindo as funções cognitivas na terceira idade”.

2Márcia Regina Martins Alvarenga

Enfermeira, Docente do Curso de Enfermagem da UEMS, Disciplina: Enfermagem na Saúde do Adulto e Idoso, Doutoranda em Enfermagem na Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo – USP.



3Ângela Maria Lobo Sollberger

Psicóloga. Psicanalista, Membro Efetivo e Didata (Sociedade Psicanalítica de Mato Grosso do Sul), Membro da IPA, ABP e FEPAL. Especializanda em Psicanálise pela Universidade Católica Dom Bosco, Sociedade Psicanalítica de Mato Grosso do Sul e IPA/DPPT.



4Márcia Luci Ortiz da Câmara

Psicóloga, Psicanalista, Membro Efetivo e Didata (Sociedade Psicanalítica de Mato Grosso do Sul), da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro (SPRJ), Membro da IPA, ABP e FEPAL. Especializanda em Psicanálise pela Universidade Católica Dom Bosco, Sociedade Psicanalítica de Mato Grosso do Sul e IPA/DPPT.
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