Psicologia do trabalho



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COLÉGIO ESTADUAL POLIVALENTE

Curso Técnico em Segurança do Trabalho





PSICOLOGIA DO TRABALHO

Prof.ª Ana Paula Jurkevicz



PSICOLOGIA DO TRABALHO

Introdução a Psicologia

Usamos o termo psicologia no nosso cotidiano com vários sentidos. Por exemplo, quando falamos do poder de persuasão do vendedor, dizemos que ele usa de “psicologia” para vender seu produto; e quando procuramos aquele amigo que está sempre disposto a ouvir nossos problemas, dizemos que ele tem “psicologia” para entender as pessoas.

Será essa a psicologia dos psicólogos? Certamente não. Essa psicologia, usada no cotidiano pelas pessoas em geral é denominada psicologia do senso comum.


  • O Senso Comum

O senso comum é visto como a compreensão de todas as coisas por meio do saber social, ou seja, é o saber que se adquire através de experiências vividas ou ouvidas do cotidiano. Engloba costumes, hábitos, tradições, normas, éticas e tudo aquilo que se necessita para viver bem.

Quando alguém em casa reclama de dores no fígado, ela faz um chá de boldo, que é uma planta medicinal já usada por nossos bisavós, sem, no entanto, conhecer o princípio ativo de suas folhas nas doenças hepáticas e sem nenhum estudo farmacológico. E o tempo todo, quando precisamos atravessar uma avenida movimentada, sabemos perfeitamente medir a distância e a velocidade do automóvel que vem em nossa direção. Até hoje não vimos ninguém que usasse uma máquina de calcular e uma fita métrica para essa tarefa.

No âmbito da psicologia podemos citar mais alguns exemplos:


  • a professora sabe que se recompensar a boa disciplina do aluno do curso primário com uma estrelinha no caderno, pode aumentar o comportamento desse aluno ser obediente na sala de aula.

  • a mesma recompensa da letra “b” pode servir de exemplo para os outros alunos.

  • a namorada sabe que se marcou um encontro com o namorado para as 20h e ele chegou às 21h, pode ficar de cara fechada com intenção de puní-lo por tê-la feito esperar.

Nesses exemplos, as pessoas agiram com intenção de modificar o comportamento de alguém, mas sem saber de leis ou teorias da psicologia.

O conhecimento do senso comum é intuitivo, espontâneo, de tentativas e erros. É um conhecimento importante porque sem ele a nossa vida no dia-a-dia seria muito complicada. O senso comum percorre um caminho que vai do hábito à tradição, que passa de geração para geração. Integra de um modo o conhecimento humano.

A utilização de termos como

“rapaz complexado”, “mulher louca”, “menino hiperativo”, “ficar neurótico” expressa a comunicação do senso comum acerca do comportamento humano, que muitas vezes não ocorre de maneira científica. Os termos podem até ser da psicologia científica, mas são usados sem a preocupação de definir as palavras.

Esses são exemplos da apropriação que o senso comum faz da ciência.


  • A Psicologia Científica

O termo Psicologia é de origem grega, formado pelas palavras psique que significa alma, e logos, que significa estudo. Portanto etimologicamente, Psicologia significa estudo da alma.

Em linhas gerais a Psicologia é uma ciência que visa compreender as emoções, a forma de pensar e o comportamento do ser humano. Embora existam diversas áreas e linhas de atuação, a Psicologia busca o conhecimento e o desenvolvimento humano individualmente ou em grupo.

Toda ciência, para assim ser caracterizada, deve possuir um objeto de estudo. O objeto de estudo da Astronomia são os astros, da Biologia são os seres vivos.

A Psicologia, assim como a Antropologia, Sociologia e várias outras ciências, estuda o homem. Os enfoques serão diferenciados de acordo com as linhas de trabalho de cada psicólogo. Assim, para um comportamentalista, o objeto de estudo da psicologia é o comportamento humano, e para um psicanalista é o inconsciente humano.

Considerando essa problemática para definir o objeto de estudo da psicologia, podemos pensar que toda construção parte de uma matéria prima e, nesse caso, a matéria prima da psicologia é a vida dos seres humanos. Tudo o que a psicologia criar, pensar ou disser, será sobre a vida dos seres humanos.

Hoje a psicologia pode contribuir em várias áreas de conhecimento, possibilitando cada área uma gama infinita de descobertas sobre o homem, seu comportamento e suas relações. Entre elas:



  • Psicologia experimental

  • Psicologia da Personalidade

  • Psicologia Clínica

  • Psicologia do Desenvolvimento

  • Psicologia Organizacional

  • Psicologia da Educação

  • Psicologia Esportiva

  • Psicologia Forense

  • Neuroposicologia



  • Qual a diferença entre Psiquiatra, Psicólogo e Psicanalista?

Psiquiatra: Quando surgiram, ainda no século 18, e trabalhavam apenas em hospícios. Só quando a psiquiatria tomou emprestados alguns conceitos de psicologia é que casos mais moderados foram para os consultórios. Casos: trata sintomas mais graves de definição mais clara, como esquizofrenia, Alzheimer e depressões profundas. Como atua: Como nesses casos, só a terapia é muito pouco, o tratamento é feito com remédios, sendo monitorada a reação que o paciente tem a eles. Formação: 6 anos do curso de medicina e mais 3 de residência.

Psicólogo: O termo surgiu na Grécia antiga, mas seu significado moderno só veio no século 20. Casos: Há desde os psicólogos sociais, que estudam as massas, até os de RH que selecionam candidatos. O que atende no consultório é o psicoterapeuta que diagnostica casos de fobia e ciúme excessivo por exemplo.

Psicanalista: teve origem no século 19, com o médico austríaco, Sigmund Freud. Atuação: medos, raivas, inibições – anormalidades normais. Como atua: mais do que uma cura, o que se busca é a transformação da pessoa, a partir da compreensão dos seus problemas. O paciente fala tudo o que vem a cabeça; cabe ao psicanalista interpretar de forma incisiva o que ele quis dizer inconscientemente, ajudando- no autoconhecimento. Formação: os especialistas dizem que só quem foi analisado pode analisar seus pacientes e chega-se há passar 8 anos em cursos de sociedades psicanalísticas.

  • Psicologia Social

A Psicologia Social é a ciência que procura compreender os “comos” e os “porquês” do comportamento social. A interação social, a interdependência entre os indivíduos e o encontro social. Seu campo de Ação é portanto o comportamento analisado em todos os contextos do processo de influência social. Uma pesquisa nos manuais e ensino e ementas das diversas universidades nos remetem à interação pessoa/pessoa, e pessoa/grupo. Estuda ainda as relações interpessoais, suas influências, conflitos, comportamentos, autoridades, relação de poder, sistemas motivacionais, valores éticos e vários outros aspectos da relação humana.

Os psicólogos sociais se interessam pelo pensamento, emoções, desejos e juízos dos indivíduos, assim como pelo seu comportamento externo. As investigações comprovaram que o ser humano sofre influência dos estímulos sociais que o rodeiam e o condicionam, em maior ou menor grau de acordo com o contato social que mantém.

As principais áreas de investigação na psicologia social são a sociabilização (adaptação a um meio social específico), as atitudes e sua modificação, afiliação social (com quem e de que modo se relacionam os indivíduos), estrutura e dinâmica de grupos, personalidade e sociedade.

A Psicologia em Segurança do Trabalho

O profissional que atua com saúde e segurança do trabalho, além de atender as exigências legais, depara-se com o desafio de promover e assegurar um ambiente saudável e produtivo, que contemple as necessidades tanto do empregado quanto da organização. Sua formação profissional deve propiciar conteúdos que lhe permitam maior conhecimento da natureza humana, dos aspectos comportamentais e das técnicas de liderança e gestão de pessoas.

Frequentemente, o profissional da área de segurança, pergunta-se por que os acidentes de trabalho continuam acontecendo apesar de tantas ações destinadas à sua prevenção. A resposta, muitas vezes, está na atitude do trabalhador em relação a sua tarefa, ao seu departamento, aos colegas de trabalho e à organização de maneira geral. Os motivos podem residir até mesmo nos fatores externos à emprsa, como família, dificuldades pessoais e cenários de mercado ameaçadores.

Entretanto, observa-se grande preocupação do profissional de segurança com os aspectos técnicos e pouca ou quase nenhuma preocupação com os fatores comportamentais.

Para melhor detectar as causas comportamentais doas acidentes, o profissional de segurança deve desenvolver a visão sistêmica sobre o seu trabalho, ou seja, necessita conhecer profundamente as suas atividades, a organização, o mercado e o aspecto humano envolvido no desenvolvimento de todo o processo.

COMPORTAMENTO

Em psicologia, o comportamento é o conjunto de procedimentos ou reações do indivíduo ao ambiente que o cerca em determinadas circunstâncias, o meio. Pode designar um grupo de atividades ou limitar-se a uma só, o comportamento singular.

Existem algumas correntes da psicologia que estudam especificamente o comportamento humano. Entre elas o Behaviorismo ou Comportamentalismo, e a Gesltat ou Cognitiva.


  • BEHAVIORISMO

O termo vem da palavra BEHAVIOUR que, em inglês, significa Comportamento. A palavra foi criada por John B. Watson, escritor do primeiro artigo do estudo do comportamento por essa corrente de pensamento em 1913. Em seguida, o segundo nome mais importante dessa corrente é o de B. F. Skinner, defensor do estudo empírico e fisiológico para análise do comportamento.

Com princípios voltados para a análise laboratorial, com informações mais concretas para serem analisadas, o Behaviorismo descarta as avaliações cognitivas, subjetivas que envolvam sentimentos e percepções. Essa corrente buscava uma psicologia sem alma, sem conceitos subjetivos e mentalistas que fornecesse ferramentas para prever e controlar o comportamento. Para Watson, a única coisa digna da psicologia é o comportamento observável.

Os Behavioristas partem do pressuposto de que o comportamento humano é aprendido e utilizam a aprendizagem como foco de suas pesquisas. Como ocorre a aprendizagem?

Por observação: Normalmente parte da inspiração em exemplos explicativos ou não, pela observação nos resultados obtidos. Ex.: um administrador arrogante com seus funcionários pode ser assim por ter presenciado durante toda sua vida seus familiares tratando os funcionários da mesma forma e obterem resultado.

Por experiência: Vive-se a experiência e aprende-se a partir da análise dos resultados obtidos. Ex. uma criança não colocará mais o dedo na tomada após ter experimentado o choque elétrico./ aprendemos a andar de bicicleta experimentando erros e acertos a partir dos tombos e a diminuição dos mesmos.

Os behavioristas apontam a aprendizagem como foco central da estruturação da personalidade. Por não trabalharem com o inconsciente, não aceitam o que chamam de explicação mental. A explicação mental cessa a curiosidade. Ao responder uma pergunta como – “Por que você foi ao teatro?”, e obtermos a resposta – “Porque quis”, imediatamente aceitamos como sumário da resposta e não pediremos mais detalhes. Seria o caso de mudar a pergunta e questionar a pessoa sobre o que chamou a atenção dela para que fosse assistir à determinada peça, ou quando, ou tornar a pergunta mais específica para que tenhamos uma resposta mais explicativa.

Agindo assim, o behaviorismo trabalha com a descrição clara e minuciosa dos comportamentos. Muitos programas de treinamento falham quando os treinadores não definem claramente os comportamentos a serem emitidos. Por exemplo, muitos manuais dizem para que o cliente seja tratado como a pessoa mais importante para a empresa, mas não explicam como o funcionário deve agir para fazer com que o cliente se sinta bem.

Outra idéia fundamental do behaviorismo é que a repetição de um comportamento é fundamental para torná-lo automático, ou seja, condicionado.



Condicionamento Clássico

O condicionamento clássico ou condicionamento respondente está ligado aos reflexos que, condicionados formam novas conexões sinápticas inicialmente temporárias e a seguir duradouras, pois são reflexos "aprendidos" e podem ser excitadores ou inibidores. Sua função é preditiva, ou seja, serve para antecipar a resposta de prazer ou mesmo advertir sobre um possível perigo.



O experimento de Pavlov: O experimento que elucidou a existência do condicionamento clássico envolveu a salivação condicionada dos cães (Canis lupus familiaris) do fisiólogo russo Ivan Pavlov. Estudando a ação de enzimas no estômago dos animais (que lhe dera um Prêmio Nobel), interessou-se pela salivação que surgia nos cães sem a presença da comida. Pavlov queria elucidar como os reflexos condicionados eram adquiridos. Cachorros naturalmente salivam por comida; assim, Pavlov chamou a correlação entre o estímulo não-condicionado (comida) e a resposta não-condicionada (salivação) de reflexo não-condicionado.

Todavia, ele previu que se um estímulo particular sonoro estivesse presente para os cães quando estes fossem apresentados à comida, então esse estímulo pode se tornar associado com a comida, causando a salivação; anteriormente o estímulo sonoro era um estímulo neutro, visto que não estava associado com a apresentação da comida. A partir do momento em que há o pareamento de estimulações (entre som e comida), o estímulo deixa de ser neutro e passa a ser condicionado. Pavlov se referiu a essa relação de aprendizagem como reflexo condicionado.



Exemplo: “Minha primeira namorada adorava cebolas. Por isso, passei a associar o bafo de cebola a beijo. Não demorou muito para que o simples cheiro de cebola fizesse uma corrente subir e descer por minha espinha. Ah, que sensação!”.

1º. Beijo ardente (estímulo incondicionado) - à excitação sexual (resposta incondicionada)

2º. Hálito de cebola (estímulo condicionado) + beijo ardente (estímulo incondicionado) -> excitação sexual (resposta incondicionada).

3º. Hálito de cebola (estímulo condicionado) -> Excitação sexual (Resposta condicionada)

Extinção e Recuperação

Depois de romper o namoro, com a moça que tinha hálito de cebola, Tirrell também fez experimento com a extinção e recuperação espontânea. Recorda que o “hálito de cebola (Estímulo Condicionado), não mais associado ao beijo (Estímulo incondicionado), perdeu a capacidade de provocar a sensação. De vez em quando, porém, depois de passar bastante tempo sem sentir o cheiro, o aroma de cebola desperta uma pequena versão da reação emocional que outrora experimentava. Sem o estímulo a resposta vai enfraquecendo, a reação decresce.



Condicionamento Operante (Teoria de Skinner)

Estabelece que todo comportamento é influenciado por seus resultados, havendo um estímulo reforçador, podendo ser positivo ou negativo. Trata-se de associação de comportamentos com suas conseqüências. Assim torna-se mais provável que repitam comportamentos recompensados (reforçados), e menos provável que repitam comportamentos punidos.



A caixa de Skinner: B. F. Skinner descobriu o que chamou de condicionamento operante. Ele criou a "caixa de Skinner", onde era colocado um rato privado de alimentoNaturalmente, o rato emitia vários comportamentos aleatoriamente e quando ele se aproximava de uma barrinha perto da parede, Skinner introduzia uma gota d'água na caixa através de um mecanismo e o rato a bebia. As próximas gotas eram apresentadas quando o rato se aproximava um pouco mais da barra. As outras quando o rato encostava o nariz na barra. Depois as patas. E assim em diante até que o rato estava pressionando a barra dezenas de vezes até saciar completamente sua sede.

Reforço

Qualquer evento ou estímulo que aumenta a freqüência de um comportamento. Skinner divide os estímulos em dois tipos:



Primários: aqueles que atendem as necessidades fisiológicas, como água, alimento e afeto.

Secundários: aqueles que atendem as necessidades de ordem psicológica, como: elogios, admiração, reconhecimento, desafios, e outros.

Punição

Pode extinguir comportamentos inadequados, mas não estimula os adequados e ainda, pode gerar outros comportamentos inadequados. Ex. o indivíduo punido pode depredar equipamentos, prejudicar programas, sumir com documentos. A punição deve ser muito bem pensada.



Punição tipo I: aplicação de um estímulo aversivo com a finalidade de eliminar um comportamento indesejável. Multas, demissões ou qualquer outra penalidade são estímulos aversivos.

Punição tipo II: é a retida de um estímulo reforçador, visando à eliminação de um comportamento indesejado. Ex. a pessoa que chega atrasada será descontada no salário, ou deixará de receber uma determinada bonificação.

* Algumas diferenças entre o condicionamento clássico e o operante

- enquanto o condicionamento clássico inclui uma resposta já estabelecida através de outro estímulo anterior, o operante não necessita de nenhuma resposta dada anteriormente;

- No condicionamento clássico o resultado não depende das ações dos sujeitos, no operante, certamente irá depender;

- enquanto o condicionamento clássico influi na mudança de opiniões, definindo gostos e objetivos, o condicionamento operante influi na mudança de comportamento perante o objetivo.




  • GESTALT

Escola de origem alemã. O termo não possui tradução exata, sendo mais próximo de forma, configuração e no contexto “todo”. Seus fundadores são Max Wertheimer, Wolfgang Koher e Kurt Kofka, que iniciaram seus estudos por meio da percepção e sensação do movimento, tendo como base a ilusão de ótica, onde um estímulo físico é percebido pelo sujeito de uma forma diferente da que ela tem na realidade, conforme ilustração.


Fig.1 – Quantas barras existem na figura?

Se podemos ser confundidos em coisas tão exatas como formas geométricas, há uma possibilidade ainda maior de perceber erroneamente coisas mais subjetivas como intenções, pensamentos e sentimentos das outras pessoas.

Distorções semelhantes à ilusão de ótica encontramos nas relações humanas. Reagimos ao que percebemos e nem sempre o que percebemos é a realidade objetiva. Quando a realidade percebida se distancia da realidade objetiva, ocorre a incompreensão, a frustração e os conflitos. As decisões que tomamos também são influenciadas por essa relação.

A Gestalt tem como ponto de partida a percepção, que por sua vez é dependente da sensação.



Sensação e Percepção

Tomamos conhecimento do mundo esterno por meio de órgãos do sentido. As mensagens recebidas por estes são transmitidas ao cérebro por meio do sistema nervoso, formando na nossa mente, imagens, objetos e situações.

Ex. Quando falamos num limão, temos uma imagem que se formou a partir das mensagens recebidas por sensações: azedo (paladar) + cheiro característico do limão (olfato) + cor verde (visão) + forma arredondada (tato/visão) + casca áspera (tato).

A imagem do limão, que se formou no nosso cérebro, pela soma das sensações, chamamos de percepção. * Podemos dizer que perceber é dar sentido, dar significado as nossas sensações.



O Todo em Relação às Partes

A teoria da Gestalt baseia-se no princípio de que as coisas são percebidas formando um todo que não pode ser compreendido pela soma das partes. Podemos notar as partes no todo; o todo é independente das partes.

Por exemplo, em uma visita a uma montadora de carros, em que as peças de um determinado carro são vistas todas separadas, o casco, chassi, pára-choques, etc. Essas partes não nos fornecem a visão do todo. Com o carro montado é que podemos observar o conforto, a segurança, a estética, entre outros elementos que não dá para perceber na observação das peças isoladas.

Esse fato é nítido quando observamos os grupos. Eles têm características próprias que estão distantes da soma de seus integrantes. As individualidades que compõem o grupo não representam o que o grupo é de fato.



Processamento de Informações / Seleção.

Entre os inúmeros estímulos aos quais o indivíduo está exposto, ele se direciona a um ou alguns estímulos particulares, escolhendo-os entre todos os outros. Os escolhidos irão para o processamento das informações e os outros serão desprezados. Esta escolha está baseada em:



  1. Situação e estado emocional no momento percebido: um funcionário que sabe que está na lista de corte de pessoal, certamente receberá a notícia da demissão com mais tranqüilidade do que aquele que espera uma promoção.

  2. Valores e opiniões sobre o outro, situações e determinados assuntos: um gerente que tem preconceitos em relação a homossexuais provavelmente não dará atenção ou o devido valor as idéias de um funcionário que julga ser homossexual.

  3. Nossas necessidades que levam a uma seleção do que vamos perceber no outro: quando precisamos de um chaveiro porque a chave do carro quebrou; percebemos a existência de chaveiros muito mais facilmente do que se não tivéssemos essa necessidade. Muitas vezes em nosso trajeto diário, sequer percebemos a existência deles.

  4. A tendência que temos em ignorar informações incompatíveis com as nossas expectativas;

  5. Nossas expectativas: quando nos apaixonamos, só vemos na pessoa os aspectos positivos que observo. Um estrangeiro em uma viagem certamente terá sua opinião sobre determinado país modificada caso permaneça no local por muito tempo; sua opinião inicial terá sido afetada por suas expectativas.

Podemos, pois, afirmar que o primeiro contato enfraquece o senso crítico.

Quando percebemos um objeto qualquer ou estamos diante de um acontecimento, a seleção se inicia e alguns aspectos desse objeto ou situação destacarão e outros serão desprezados. A esse aspecto, que mais atrai nossa atenção e que se selecionamos se torna o nosso foco e chamamos de figura. Outros elementos estarão presentes e são necessários para a compreensão da figura, abrangem o contexto, mas serão inicialmente desprezados pela nossa percepção. A esses aspectos damos o nome de fundo.

A percepção que temos de um objeto ou situação depende do relacionamento figura-fundo. Conforme concentramos nossa atenção num ou noutro aspecto de um objeto, a percepção que temos muda completamente. Por exemplo:

Fig. 1 Fig.2

Conforme a atenção se demore mais na parte branca ou na parte preta dessa figura, percebemos um vaso, ou dois rostos na figura 1.

Na figura 2, algumas pessoas vêem a velha, e outras vêem a moça. As duas existem na imagem, porém quem vê a velha não vê a moça, e vice-versa, e assim entram em conflito pelo desentendimento.

É importante observar que a maior parte dos conflitos gerados acontece pelo fato de que o que é figura para uma pessoa, não o é para outra. Uma situação que é considerada banal por uma pessoa, pode causar sofrimento psíquico para outra.

A psicologia de Gestalt sugere a busca da boa forma, ou seja, trabalhar a relação figura-fundo para alcançar a totalidade. Na medida em que somos capazes de situar um acontecimento ou situação dentro de um contexto mais amplo, o que significa obtermos o maior número de dados possíveis daquele objeto ou situação, obtemos percepção mais adequada à realidade.

Gerentes em diferentes níveis de hierarquia e departamentos tendem a obter diferentes informações e ver coisas de maneira diferente. O departamento comercial de uma empresa pode aceitar o maior número possível de pedidos porque ela vê nisso um aumento nas comissões, enquanto os gerentes de produção podem ficar aborrecidos porque eles vêem a impossibilidade de liberar os pedidos a tempo.

A percepção parcial de cada setor gera imensos conflitos dentro das organizações e exige um bom treinamento em alternar figura e fundo.


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