Psicologia e neurologia: uma história



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Psicologia e neurologia: uma história.
Sonia Alberti1,

Ana Paula Lettieri Fulco e Adriana Bisi.

O trabalho que ora propomos retomará a questão do corpo na história da psicologia no que tange a mente, baseando-se no fato de que há mais de um século se observa uma tensão entre explicações neurológicas e explicações psicológicas para as mais variadas fenomenologias. Uma das propostas que vimos desenvolvendo nos últimos anos de pesquisa, visa a historizar a discussão alma versus cérebro e suas repercussões nos saberes e práticas psicológicos. Isso será avaliado não somente a partir do estudo bibliográfico, mas também clínico, retomando um caso encaminhado para uma instituição de saúde.

Sigmund Freud tem importante lugar nessa discussão, já que malgrado sua formação original como neurologista, foi como psicólogo que fundou a psicanálise. Isso não sem associação com outros neurologistas da época, em particular Luria que chegou a fundar, no início do século XX, a Sociedade Russa de Psicanálise. Com a Revolução de 1917 houve, evidentemente, uma grande mudança no trabalho de Luria, impedido de continuar a se corresponder com seu colega vienense. Procuramos também verificar as contribuições da psicanálise para essa história específica, ou seja, das interseções entre a alma e o cérebro.

O século XVI conheceu toda uma nova Weltanschauung – a revolução se intensificou contra o saber absoluto da Igreja Católica; apareceram as teorias renascentistas do universo e do homem, e se deu o início da investigação científica numa proposta de disassociar as influências teológica e escolástica da investigação da realidade.

Diante da incerteza quanto à realidade do mundo objetivo – em função do corte com o dogmatismo religioso –, Descartes afirma a certeza do cogito – Penso, logo existo. O homem existe porque é possível inscrevê-lo no simbólico, no pensamento que lhe dá uma morada no cogito. Descartes distinguiu um mundo em que as coisas existem através de sua representação conceitual, deixando de fora outro mundo onde as coisas não são conceituadas. Era então a criação de um novo discurso: o da ciência.

Assim, a realidade era composta de duas áreas distintas e separadas, o domínio físico, da matéria, e o reino imaterial da mente (cf. Henneman, 1966). Para Abbgnano (1971), a concepção do dualismo alma e corpo de Descartes estabeleceu certa independência com relação àquela postulada anteriormente pela escolástica, que entendia o corpo como mero instrumento da alma. Apesar da nova proposta, as considerações de Descartes sobre o dualismo não esclareceram a natureza da relação entre o corpo e a alma. As perguntas de como e por que tais substâncias se combinam para formar o homem, se mantêm desde então e norteiam os debates entre muitas teorias. Nem sempre foi assim, haja vista o exemplo melhor da prática da medicina medieval, com Avicena. É no contexto cartesiano que também se deu o nascimento da clínica, estudado por Foucault (1980).

A partir do século XIX – depois do Iluminismo, portanto, e do boom taxionômico iniciado nas ciências naturais –, a própria medicina, primeiro através da anatomia patológica, depois com a fisiologia, procurou reduzir o homem a um objeto cientificamente investigável (Foucault, 1980). Para isso surgiu a preocupação com novas causalidades, fazendo da medicina uma prática causal: “todo fenômeno tem uma causa”, o que condiz com o princípio da causalidade (Lalande, 1926: 147). Para aí evitar o erro, seria necessário se ater incessantemente ao contato com a experiência e renunciar a todo e qualquer a priori. Crendo poder fazê-lo, a medicina incluiu nela o positivismo. Este, avesso à psicologia, por definição, considerava-a fora da ciência, e qualquer explicação sobre o psiquismo que não recorresse ao orgânico e ao experimentável passou a ser considerada como não científica. O sujeito, ele mesmo, ficou órfão da cientificidade considerada pelo positivismo.

Durante o século XIX houve um tempo em que tanto a teologia, quanto a filosofia e ainda a medicina se ocuparam do corpo e da alma. Mas a história das psicologias nos mostra que a tentativa de entender e explicar os fenômenos psíquicos tendeu, neste contexto, à opção de se traçar uma correlação direta, biunívoca, entre os fenômenos psíquicos e suas causas - geralmente químicas, fisiológicas ou anatômicas.

Mas essa não foi a única subversão surgida três séculos depois de Descartes. Na realidade, o mundo foi palco de duas subversões: de um lado, com o avanço da biologia, a partir dos anos 1950, identificou-se o pensamento à res extensa – busca-se cada vez mais sua determinação biológica. Por outro lado, com Freud, o corpo foi percebido como algo intrínseco ao pensamento, há uma representação do corpo na res cogitans que, por sua vez, produzirá efeitos no corpo, de maneira que mesmo um sintoma no corpo decorre da causalidade psíquica.

A psicanálise promove, segundo as palavras de Lacan, o retorno do exílio do corpo em relação ao pensamento, e vice-versa. A desco­berta do inconsciente complementa o cogito cartesiano ao indicar a dimensão do desejo inconsciente que anima e une pensamento e corpo. Embora Freud não nos tenha legado uma teoria psicanalítica do pensamento, deixou trilhamentos que permitem construir algo de novo na articulação entre este e o corpo como aconte­cimento.

Foi na condição de sujeito que Descartes, instigado pelo desejo de separar o verdadeiro do falso, realizou o corte entre ciência e religião, e é nessa trilha que a psicanálise de Freud com Lacan estuda a relação entre ciência e verdade. O discurso do psica­nalista, ao situar o saber no lugar da verdade, subverte, em um giro discursivo, a posição do sujeito, independentemente de suas crenças. O discurso da ciência, quando submetido aos imperativos do discurso capitalista, nega a existência do sujeito do inconsciente e, portanto, da castração que o constitui. É então que esse discurso faz o corpo padecer cada vez mais de males diversos e inespecíficos, na medida mesmo em que os conhecimentos científicos avançam sobre o corpo, de modo até então impensável. Assim aprisio­nado, o corpo faz sintoma, produz fenômenos, adoece, é assaltado pela angústia. Na contramão, o cogito freudiano – penso onde não sou, sou onde não penso – desvela que, para além da ciência moderna, existe o efeito sujeito, em constante retorno para denunciar que não é possível saber tudo – versão da castração no campo do saber.


Século XIX: nascimento das práticas científicas.

Numa pesquisa realizada na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro2, pudemos encontrar, no último ano do século xix uma tese que associa definitivamente a psicologia ao estudo do comportamento: “Duração dos atos psíquicos elementares nos alienados” (Roxo 1900), deixando aos anos seguintes a constituição de uma psicologia que medirá, discriminará, estudará os atos que serão objeto (comportamentos exteriores) de uma ciência empírica. Aliás, já desde as últimas décadas do século xix há esboços da estruturação dessa idéia: propostas para “estatísticas morais” (Reis & Souto 1880), “centros corticais psicológicos” (Castro 1881), “psicologia da percepção e das representações” (Tapajós 1890) e “hereditariedade psicológica” (Assis 1892), entre outros.

Os discursos sobre psicologia na virada do século xix para o xx aliam-se a um discurso sobre um corpo que é examinado, estudado, separado e conhecido por partes, e que faz dele não uma entidade particular, mas sim um conjunto de funções, leis e órgãos que se organizam. A idéia de organização, a bem dizer, vem desde a década de 1830, quando a medicina, em pleno desenvolvimento positivista, apresenta um homem destituído de unidade e examina seus órgãos e regiões. O cérebro da frenologia3 já não é mais substância única e individual, porém parte da organização que constitui o homem.

Pode-se perceber um movimento dirigido cada vez mais para essa relação entre as partes, direção muito importante, pois seria ela que permitiria, em 1900, o estudo experimental sobre os atos psíquicos: não mais reflexivos, porém reflexos; não mais autônomos porque totalmente dependentes de estímulos externos; não mais integrados, pois separadamente estudados.

Na segunda metade do século xix, o indivíduo começa a não ter mais consciência, torna-se alienado, um ser que não tem como se impor ante o discurso científico. É diferente dos demais indivíduos – como, desde sempre, cada um é cada um – mas essa diferença agora se mede, e se mede cada vez mais em graus. A discriminação entre as pessoas é feita em graus de alienação ou não, e todos se tornam passíveis de perder a consciência ou autonomia, que, de acordo com os preceitos da psicologia mais filosófica de antes, lhes teria permitido o autoconhecimento. A partir desses “novos discursos”, portanto, a idéia de autoconhecimento deixa de existir. Quem conhece é o outro, que sabe melhor, sabe mais do que o próprio sujeito pesquisado. Esse saber, por sua vez, legitima-se ao se crer científico, e percebe as coisas diretamente do mundo empírico, tomado em números.

Com o positivismo, as ciências do homem foram colocadas no topo do edifício das ciências experimentais e, se por um lado com isso foram reconhecidas, por outro, em realidade, subordinadas. “Essa noção provém de uma visão errônea da história das ciências, baseada no prestígio de um desenvolvimento especializado dos experimentos” (Lacan, 1953:285). As razões que determinam tal engano certamente têm suas origens no próprio movimento ideológico e mesmo econômico da revolução burguesa, dos quais surgiram então dois grandes movimentos:

Em primeiro lugar, o da cientifização das disciplinas – que, até então, se ocupavam da alma, com a finalidade de incluí-las no rol das ciências –, e a redução metodológica de suas práticas, que cada vez mais exilam os discursos a insistirem na subjetividade. Assim, por exemplo, o que se verifica hoje nesse movimento é que a própria psicanálise – certamente um saber com consistência teórica – é reduzido a uma folk psychology, ou seja, a uma psicologia popular, acientífica. Qualquer construção teórica que não siga as bases experimentais é descartada como acientífica.

E em segundo lugar, o da insistência na importância da subjetividade. Com Lacan, esse segundo movimento se verifica nos avanços particulares de algumas disciplinas, no século XIX, especialmente: a lingüística, a etnografia estrutural e a teoria geral dos símbolos. Lacan observa que tal movimento se baseia na especificidade da referência simbólica para a pesquisa da subjetividade. Em função disso, o que associa esse movimento com a ciência não é a experimentalidade, mas as conseqüências dos avanços da matemática e da história, ambos determinando uma nova forma de ver o mundo.

Com efeito, somente a partir do Iluminismo – mas sobretudo no século XIX –, foram encontradas as respostas para inúmeros problemas matemáticos até então impossíveis de resolver e que permitiram, para dar somente um pequeno exemplo, estudar as relações entre conjuntos – coisa até então impensável... Isso implicará as leis da intersubjetividade nas ciências conjecturais, ou seja, no campo da lógica e da matemática modernas. Quanto à história, é também somente no século XIX que o homem pode fazer greve geral! – isso não é pouca coisa num mundo até então submetido à ordem do Um (só para retornar à referência matemática).

Ao mesmo tempo em que os discursos tentavam se inscrever a partir de uma relação com a ciência, como visto, impunha-se cada vez mais o organicismo, conforme o primeiro modelo, o da cientificização das disciplinas. É no segundo movimento, ao lado da lingüística, da etnologia, da antropologia, da história e da lógica-matemática que a psicanálise se inscreve; dentre as psicologias, não somente a psicanálise, mas sem dúvida ela, do modo como queria Freud a acolher em seu campo a psicopatologia. Nela, o homem é efeito lógico do entrecruzamento dos campos da linguagem e do gozo, e a clínica permite estabelecer este homem, “portador de um excesso, de uma dor, de um sofrimento psíquico a respeito do qual fala sem parar, ainda que não o diga constantemente” (Berlinck, 1999:27), como capaz de elaborar, na transferência, o que desse entrecruzamento o adoece.

Mas por absurdo que isso possa parecer, ao longo do século XX a própria psicanálise conheceu destinos que, como temia Freud (1927:343), quiseram esvaziar seu fundamento e a tentativa de inscrever a psicanálise no discurso médico sem dúvida foi um dos responsáveis. Diante do embaraço que a clínica psicanalítica presentifica no quotidiano de sua prática, não poucas vezes acaba-se lançando mão de explicações que já não apostam na capacidade de o próprio sujeito elaborar seu sofrimento. Haja vista a importante gama de psicanalistas que hoje buscam as neurociências para darem conta de fenômenos. Ainda nos encontramos numa grande Babel. Se crê já estejar no futuro apontado por Freud na frase “O futuro poderá nos ensinar a influenciar diretamente com substâncias químicas as quantidades de energia e suas distribuições no aparelho psíquico” (Freud, 1940:420-1), e se crê que hoje já saibamos exatamente quais as afecções psíquicas que efetivamente se beneficiariam das influências ‘eletroquímicas’.

Tal questão, muito além de meramente teórica é, na realidade, impactante para cada psicanalista que trabalhe tanto no consultório quanto em algum serviço de saúde mental no Brasil hoje. Não raro, verificamos a dicotomia entre psíquico e somático, e há verdadeiras divisões nos próprios serviços e encaminhamentos em função dessa dicotomia. Assim, é possível encontrar setores nos serviços de saúde que trabalham exclusivamente com a idéia de que todo fenômeno mental tem origem somática e outros que não levam em conta de forma alguma a determinação somática dos processos psíquicos. Se com Descartes houve uma divisão entre corpo e pensamento no âmbito da teoria, o que se pode encontrar hoje é tal divisão na prática clínica: ou res cogitans, ou res extensa.


Um exemplo clínico das vicissitudes de uma questão histórica.

Denise chega ao Setor de Saúde Mental do NESA/UERJ4 a partir de um encaminhamento médico assim expresso no pedido de parecer: “retardo do desenvolvimento psicomotor, mais período de agressividade que se intensificou há um ano”. Ela tinha dezesseis anos de idade, não lia nem escrevia – apesar de frequentar uma escola – e se escondia atrás da mãe na primeira entrevista. Vera, sua mãe, relata a via crucis nos diferentes serviços de saúde que culminou, poucos meses antes, num encaminhamento a um psiquiatra.

Quando decidiu ter Denise, Vera já havia cuidado do filho de sua irmã que nasceu com toxoplasmose, o que deixara inúmeras seqüelas, inclusive neurológicas, em seu desenvolvimento. O medo de Vera era tão grande de também vir a ter um filho doente – pois pensava que toxoplasmose poderia ser uma doença hereditária –, que seguiu à risca todas as diretrizes para um pré-natal perfeito. Fez exames de sangue todos os meses durante a gestação, mas no terceiro surgiu a suspeita da doença... Fez todos os tratamentos que lhe foram propostos pelos médicos e nos meses finais da gestação já não havia sinal da doença em nenhum de seus exames. Quando Denise nasceu, no entanto, segundo Vera, o médico que fez o parto disse que Denise tinha ficado vinte dias além da conta no ventre, o que teria provocado sofrimento fetal – observação que beira a iatrogenia, pelas conseqüências que provoca normalmente, para a relação do bebê com seus pais.

Na entrevista conosco, Vera dizia estar muito preocupada com sua filha nos últimos meses em função de seu recente comportamento agressivo. Sem motivo aparente, a moça batia agora nos colegas em sala de aula, em pessoas que não conhecia, principalmente crianças, jovens de sua idade e idosos, em espaços onde as pessoas ficavam aglomeradas, como fila de ônibus, igreja e supermercados. Nessas situações puxava cabelo, empurrava ou pisava no pé da pessoa.

Em razão de seus problemas no desenvolvimento, pois, à imagem do primo – filho da irmã de Vera –, Denise não falou, andou, nem sustentou seu corpo no tempo esperado – a criança começou a ser estudada desde os quatro anos de idade. Foi logo encaminhada para fisioterapia e fonoaudiologia. Aos sete, foi matriculada numa escola especial. Fez dez anos de terapia ocupacional, sem efeitos. Na realidade, nem a mãe, nem os profissionais que atenderam Denise ao longo de seus dezesseis anos, jamais supuseram a ela alguma normalidade. Chegada a puberdade, Denise foi encaminhada para a psiquiatria e para a neurologia. O neurologista passou a medicá-la com remédios psiquiátricos, pois temia que sua atual agressividade tivesse relação com a sexualidade, era preciso inibi-la.. Mas Vera interrompeu esse tratamento depois de um mês, entendendo que não fazia efeito. As questões da mãe também giravam em torno do sexo da filha: ela acreditava saber se era ou não hora de “descobrir aquilo lá em baixo”, se referindo ao sexo de Denise. Na realidade, a preocupação da mãe era de que Denise se tornasse objeto sexual para qualquer um – quando, na realidade, pudemos verificar o quanto Denise era objeto sexual de Vera. Nas entrevistas, ficou claro, o quanto era a própria mãe que se ocupava do sexo da filha, inclusive na higiene pessoal, porque a mãe achava que Denise não sabia fazê-la direito. Vera decretara a filha, literalmente, como incapaz, submetendo-a integralmente à sua lei.

Não foram necesssárias muitas entrevistas para podermos verificar que grande parte das dificuldades de Denise hoje são efeitos do lugar que ocupa para a mãe. Diagnosticamos uma psicose, a partir de sua relação particular com a linguagem – falava palavras soltas, com uma sintaxe singular em frases, muitas vezes, incompreensíveis. Vera sempre tentava expressar o que atribuía a Denise, o que também permitia verificar a filha como ocupando o lugar de objeto da mãe, sem dialetização ou outra referência terceira. Mas além de alienada ao Outro materno, Denise tinha vivido até aquele momento, alienada a um discurso médico que – em função de várias circunstâncias que não temos espaço para discutir aqui – não pode supor à adolescente o lugar de sujeito. Entre seus vários diagnósticos médicos, um nos chamou a atenção particularmente: ela teria “um cérebro pequeno”. A semelhança de tal observação médica com aquelas da frenologia no início do século XIX, confirma que urge aprofundar a história dos saberes e das práticas médicas e psicológicas pois, o esquecimento dela, como todo esquecimento da história produz, necessariamente, o retorno do recalcado, de modo que ainda repetimos sem elaborar nada, o mesmo tratamento com roupagens mais recentes.



Denise começa a poder falar com o atendimento na saúde mental e, apesar de sua estrutura psicótica, apostamos na possibilidade de Denise fazer algumas escolhas que lhe sejam absolutamente singulares, como todo sujeito. Quem sabe então também se sentirá mais à vontade entre as outras pessoas, talvez até menos agressiva, pois poderá suportar sua particularidade da mesma maneira como cada um de nós, no mundo em que vivemos, independente da estrutura clínica e dos tipos de sofrimento subjetivo. Certamente há importantes contribuições que a pesquisa neurocientífica poderá trazer para a clínica, mas a clínica é antes de mais nada a clínica do sujeito e, enquanto isso não puder ser levado em conta, não importa o quão profundo que se vá naquelas pesquisas, o sujeito ele mesmo sempre estará delas alienado. Eis uma das importantes responsabilidades do psicanalista: atualizar esse debate e sustentar o sujeito em sua fala, independente do lugar que adquire na fantasia do Outro, seja ele materno, científico, ou ainda de outros usos.
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1 Professora Adjunta do IP/UERJ e Psicanalista.

2 Publicada vinte anos depois (Alberti, 2003).

3 Ciência fundada pelo alemão Gall (1758-1828), que, na passagem do século xviii para o século xix, distingue funções para as diferentes regiões do cérebro e depreende delas as diversas faculdades psíquicas e mentais. A frenologia esquadrinha o cérebro em regiões às quais atribui lugares de inteligência, de sensibilidade, de amor etc., na tentativa de localizar, no formato cerebral, deficiências afetivas ou intelectuais.

4 Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente, no Hospital Universitário Pedro Ernesto, da UERJ,


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