Psiconeuroimunologia aliene Silva Gonçalves dos Santos Vou discorrer sinteticamente sobre um apêndice da Ciência, que por mais explícita que seja a sua importância, ainda não é reconhecida como tal. Psiconeuroimunologia



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PSICONEUROIMUNOLOGIA
Aliene Silva Gonçalves dos Santos
Vou discorrer sinteticamente sobre um apêndice da Ciência, que por mais explícita que seja a sua importância, ainda não é reconhecida como tal.
Psiconeuroimunologia  Psiquismo + Neurologia + Imunologia. Essa integração do psiquismo no SN exerce grande influência sobre a imunidade e a saúde de uma forma geral.
As relações mais íntimas entre o cérebro e sistema imunológico começaram a ser melhor esclarecidas na década de 70, quando o psicólogo Robert Ader e o imunologista Nicholas Conhem, realizaram um importante experimento, envolvendo a administração a ratos de uma droga imunossupressora, junto com água adoçada com sacarina. O sistema imunológico dos ratos ficou condicionado ao sabor da sacarina; por fim, a administração da água adoçada, isoladamente, levou à supressão do sistema imunológico, à doenças e à morte. Dessa forma, houve provas irrefutáveis de que o cérebro poderia influenciar diretamente na imunidade.
Naquela época Ader juntou os dados psicológicos, neurológicos e imunológicos que obteve de seus pacientes e os descreveu paralelamente, fornecendo assim, uma visão geral dos problemas ocorridos nos diversos sistemas. Essa forma de apresentação dos dados sugeriu o estudo da correlação entre essas variáveis e despertou o interesse de vários outros colegas da Rochester University, os quais adotaram, então, o mesmo modelo para analisar outros sintomas e casos. Nascia, assim a Psiconeuroimunologia.
A partir daí, numerosos pesquisadores descobriram diversas conexões fisiológicas entre o cérebro e o sistema imunológico. Eles mostraram que as células do sistema imunológico podem reagir às substâncias químicas e que as células nervosas reagem a mensageiros químicos secretados pelo sistema imunológico, estabelecendo uma comunicação plausível entre os dois sistemas.
Essas descobertas fisiológicas, juntamente com vários estudos clínicos de doenças que vão do resfriado comum à AIDS, deram origem à área da psiconeuroimunologia.
A Psiconeuroimunologia propõe-se, portanto a religação da mente com o corpo, na medida em que estuda a relação existente entre eles, sobre a perspectiva do Paradigma da Integração.
A Psiconeuroimunologia brasileira não busca a criação de um modelo, de uma técnica, mas o desenvolvimento de um novo paradigma. Ela é, nesse sentido, uma espécie de movimento inverso, que, no esforço por concepções mais abrangentes, estende-se da análise e da síntese do princípio e do método científico para espaços, que poderíamos chamar de “zonas de sombras das teorias”. Ela tenta construir assim, “... um movimento pendular entre o geral e o particular...” (Esdras,2000), porém com a preocupação permanente de não deixar de perceber que a vastidão do macrocosmo é formada pelo mesmo átomo que encontramos nas profundezas do microcosmo.
O quadro a seguir demonstra uma síntese das áreas de estudo que é importante integrar:

ÁREAS DA PSICONEUROIMUNOLOGIA


CIÊNCIAS NATURAIS

  • Física

  • Química

  • Matemática







CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

  • Biologia

  • Imunologia

  • Neurofisiologia

  • Neuroimunologia

  • Virologia

  • Cronobiologia







CIÊNCIAS MÉDICAS

  • Oncologia

  • Sorologia

  • Infectologia

  • Alergias

  • Síndromes Auto-Imunes

  • Medicina Oriental







CIÊNCIAS PSICOLÓGICAS

  • Os Grandes Sistemas Psicológicos

  • Stress

  • Coping

  • Epistemologia Clínica







CIÊNCIAS FILOSÓFICAS

  • História da Filosofia

  • História da Ciência

  • Epistemologia Genética

  • Filosofia Oriental







CIÊNCIAS ESPIRITUAIS

  • Histórias das Religiões

  • Religião e Ciência

  • Espiritualidade e Saúde







CIÊNCIAS PÓS-MODERNAS

  • Cibernética

  • Inteligência Artificial

  • Ciclos Neurais

  • Medicina Ultra e Ortomolecular

  • Psiconeuroimunologia Aplicada

Ainda, segundo o Prof. Dr. Esdras, esse modelo encontra-se em constante revisão e a admissão de novas áreas do conhecimento tem sido processada freqüentemente. O conceito que se procura desenvolver provoca, necessariamente, um sentido de interdisciplinaridade, na medida em que procura não estabelecer a direção para a compreensão do fenômeno. Nele os fenômenos não são, portanto puramente psicossomáticos ou somatopsíquicos, nem também psiconeuroimunológicos, mas podem ser vistos como neuropsicoimunes ou imunoneuropsíquicos. Não importa a ordem dos fatores. A visão interdisciplinar confere a cada dimensão a mesma relevância e o mesmo valor de importância na determinação do processo. Esse princípio constitui-se como a essência de um Paradigma Interciências.


O que vemos no atual cenário científico é uma hierarquia hegemônica muito bem definida e estruturada, na medida em que a física, a química e a matemática ocupam o ápice da pirâmide, seguida pelas ciências tecnológicas. No patamar intermediário encontram-se as biológicas e médicas. No mais inferior, as ciências filosóficas, psicológicas, espirituais e sociais. As ciências exatas dominam, portanto todo o cenário científico. As ciências humanas exercem uma influência muito menor no pensamento científico contemporâneo.
Apesar de certas resistências, constatamos freqüentemente que a Física Quântica, a Teoria da Relatividade e a Teoria do Caos nos fornecem importantes contribuições para a compreensão dos fenômenos biológicos. É verdade que existe entre esses campos – Física e Química de um lado e Biologia do outro; ou também entre e a Biologia e a Psicologia; entre a Física e a Psicologia – uma incômoda afinidade paradigmática. Tão incômoda que de ambos os lados, tanto os cientistas como os profissionais, preferem optar por não estabelecerem tais correlações e chamam de especulativas qualquer tentativa que se faça nessa direção.
Os temas estudados pela Psiconeuroimunologia têm atraído muitos dos que buscam superar essa ambigüidade. Cabe aqui, portanto o pensamento de Karl Popper quando afirma que....”idéias arriscadas, antecipações injustificadas, pensamentos especulativos são os únicos meios de que podemos lançar mão para interpretar a natureza: nosso único organon, nosso único instrumento para aprendê-la. E devemos arriscar-nos, com esses meios, para alcançar o prêmio. Aqueles que não se disponham a expor suas idéias à eventualidade da refutação não participarão do jogo científico”. (K. Popper, 1974)
Há alguns séculos, a ciência clássica baniu do conceito e da metodologia científica, a investigação sobre a influência dos aspectos espirituais na saúde e no comportamento humano.
Há pouco mais de uma década, os cientistas têm sentido a necessidade de reintegrar estas dimensões. Já é comum vermos cientistas tecendo reflexões filosóficas ou religiosas e procurando entender como o pensamento metafísico, a ocupação metafísica da mente humana interfere nos processos fisiológicos de uma forma em geral.
A ciência parece ter compreendido que a extinção da dimensão espiritual empobreceu, mutilou o olhar e conseqüentemente, a nossa compreensão do fenômeno. A inserção da reflexão sobre as influências físicas e químicas nos fenômenos biológicos são mais freqüentes, porém muito raras ainda na pesquisa psicológica. Aliás, existe no âmbito da Psicologia uma certa aversão à Física, Química, Biologia e Matemática. Essa posição talvez se explique melhor pelos psicólogos serem constantemente rejeitados pelas ciências naturais e biológicas. Isso ocorre sempre que tentam postular hipóteses sobre a implicação ou a casualidade de fatores mentais e emocionais na etiologia dos fenômenos biológicos. Essa rejeição por parte da Medicina tem provocado a contra-reação no âmbito psicológico, levando o psicólogo a eliminar, na sua compreensão e pesquisa esses aspectos típicos das pesquisas das ciências exatas e/ou médicas.
Do livro do Dr. Esdras (Esdras, 2000), transcrevo uma história sobre algo assim. “Certa feita, os físicos Niels Bohr, Werner Heissenberg e Jörg Chievitz viajavam no barco Chita de Bohr, de Copenhague para Svendborg. Uma forte tempestade impediu-os de chegar ao destino enquanto era dia. Era uma noite muito escura e, sem nenhuma claridade externa eles só podiam orientar-se pela bússola. Sem luzes, exaustos, eles prosseguiam aventurosamente. Heissenberg colocou-se na proa à procura de luzes de embarcações que estivessem eventualmente passando por aquela mesma rota. Havia, portanto perigo de colisão súbita. A uma certa altura Chievitz voltou-se para Heissenberg e disse-lhe: “tudo bem que fique a procura de luzes, mas se deparássemos com uma baleia perdida? Ela não terá luzes vermelhas a bombordo nem luzes verdes a estibordo e o que aconteceria se colidíssemos com ela?” Ao que Heissenberg respondeu: “Barco e baleia ganhariam um buraco!” A partir dessa resposta os três físicos iniciaram então uma conversa interessantíssima sobre a força formadora e restauradora que existe no organismo vivo – a baleia sararia naturalmente pelo simples fato de existir na sua estrutura essa força. Porém o barco – que na concepção de Bohr também a dispõe – dependeria da ação do homem para que ela acontecesse. A força formadora existente na matéria “inanimada” advém portanto do ser humano, concluiu Bohr. Heissenberg interrogou-o então a respeito com a pergunta: “Então tanto os organismos vivos como os inanimados têm uma força formadora. Você está se referindo a alguma coisa inteiramente fora do campo da física e da química tradicionais, fora da física atual, ou será que essa força pode expressar-se de algum modo na posição dos átomos, em suas interações mútuas, em efeitos de ressonância ou coisas similares?” Bohr começou então a esclarecer-lhe sobre o princípio de complementaridade e ao final dessa longa e fascinante conversa, no meio da escuridão da noite, pilotando juntos um barco com relativa incerteza, dirigindo-se para o porto desejado pelos três, e atentos aos eventuais riscos do percurso. Heissenberg disse: Sonhemos com um dia em que a biologia venha a fundir-se tão completamente com a física e a química quanto se fundiram estas últimas entre si”.
Assim percebemos que o sonho da integração é antigo nos homens, e após o longo e milenar percurso feito, estamos nos aproximando desse momento fascinante em que a vida será sentida e reconhecida como um todo, com a integridade com que ela se nos apresenta.
Como se dá essa integração: Psiquismo – Neurologia e Imunologia?
Para que compreendamos essa integração, não precisamos de grandes elaborações mentais! Só é necessário nos lembrar da última vez que adoecemos: só precisamos nos conscientizar dos fatos que antecederam a doença, que sempre tem antecedentes de situações de muito desgaste emocional, preocupações, choques, tristeza, etc. Ou seja, pode aparecer uma gripe, pneumonia, ataque de asma, úlcera e assim por diante... Todos esses sintomas aparecem porque ocorre, no período de tensão, estresse, um desgaste no organismo que fragiliza a imunidade, fazendo com que suas defesas imunológicas falhem.
Quilici (2000), relata casos de doenças de pele em pacientes, onde a deficiência com a auto-estima, era a regra. Um paciente em especial, tinha sérios e variados problemas de pele e muitos, eram auto-imunes. Quilici percebeu que, esse paciente tinha um nível de auto-estima tão baixo que, mesmo seu discurso, era sempre uma cópia que reproduzia, a de coisas que ele tinha ouvido. Em algumas situações ele parecia ter dupla personalidade porque surgia com formas completamente diferentes de ser. Com um nível tão alto de rejeição a si mesmo, tal paciente desenvolvia alergias extremamente agressivas. Outros pacientes com alergias de pele, principalmente, aqueles com dermatites de contato, ao resgatarem sua auto-estima, começam a apresentar remissão definitiva dos sintomas.
Mas com relação a personalidade e estresse x doença qual é a causa e qual é o efeito?
Segundo Quilici (2000), num dos melhores trabalhos sobre Psicossomática, feitos na atualidade, cientistas compararam dois grupos de pacientes e seu status de saúde. Um dos grupos era de pessoas com artrite reumatóide (grupo 1) e o outro, fora escolhido entre um grupo de pessoas normais (grupo 2). Do grupo 1, todos tinham “disponibilidade genética”. Cerca de 20% eram portadores da doença e os outros 80% apresentaram ausência de anticorpos característicos de Artrite Reumatóide, um anti IgG ou anticorpos contra os anticorpos envolvidos no surgimento da doença.
Observou-se que, no grupo 1, as pessoas com auto-anticorpos, estavam em condições emocionais perfeitas, sem ansiedade, depressão ou alienação, relatando estarem satisfeitos com o trabalho e com as relações pessoais. Isso nos mostra que, o bem estar psicológico, funciona como uma proteção diante da determinação genética, que predispunha os pacientes a uma doença imune. Sabe-se que pessoas com artrite reumatóide, e que são assintomáticas, têm grande propensão de desenvolver a artrite na medida em que, um padrão fixo de doenças auto-imunes, relativamente freqüentes, se segue a um evento de vida extremamente estressante, tal como a perda de alguém amado.
Outro estudo feito com crianças que eram filhos de pais psicóticos demonstrou que aquelas crianças adotadas por casais equilibrados e que lhes propiciaram um ambiente saudável, não evoluíram para a doença até a idade adulta e nos casos em que as crianças foram adotadas por famílias desestruturadas, todos acabaram por apresentar, um quadro psicótico. Vê-se que os ambientes saudáveis e amorosos podem funcionar como uma proteção contra a determinação genética.
Podemos concluir que as pessoas mais propensas a desenvolver doenças em reação ao estresse provavelmente são aquelas cujos sistemas imunológicos já estão parcialmente comprometidos, seja por uma doença como a AIDS ou por processo natural como o envelhecimento. Esses processos começam com defesas imunológicas depauperados, o que permite que pequenas mudanças associadas com o estresse gere conseqüências importantes. Até mesmo pessoas jovens, geralmente saudáveis, podem ficar doentes com mais freqüência quando sujeitos a períodos de estresse intenso, longo e contínuo.
Doenças cuja etiologia psicológica está provado:


  • Asma Brônquica

  • Urticária

  • Doenças Infecciosas

  • Neoplasias (câncer)

  • Colite Ulcerativa

  • Artrite Reumatóide

  • Lúpus Eritematoso Sistêmico

  • Esclerodermia

  • Dermatomiosite

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Referências Bibliográficas


Esdras Guerreiro Vasconcellos – Psiconeuroimunologia – Editorial Ipê/IPSPP – São Paulo, 2000.

Dr. M. C. de Mello Motta (www.ioh.medstudents.com.br/imuno5.htm)



Mário Quilici(março de 2001) – www.psipoint.com.br


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