Psicopedagogia: psicopedagogos e abpp-rs fabiani Ortiz Portella Neusa Kern Hickel



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PSICOPEDAGOGIA: PSICOPEDAGOGOS E ABPp-RS
Fabiani Ortiz Portella

Neusa Kern Hickel
A Psicopedagogia é o campo que estuda a aprendizagem em suas diferentes relações e circunstancias, ocupa-se do processo de aprender e de suas vicissitudes, da construção de estratégias para o não-aprender e, tem como o objeto a autoria de pensamento. A atuação da Psicopedagogia ocorre predominantemente, entre as áreas de Educação e Saúde, suas ações são preventivas e ou curativas.
O profissional com formação em Psicopedagogia reúne conhecimentos de várias áreas, podendo transitar tanto entre os aspectos pedagógicos e psíquicos, como em processos de desenvolvimento e de aprendizagem de sujeitos. Sua intervenção possibilita que indivíduos, grupos e instituições desenvolvam seus processos de aprendizagem de forma saudável, que resgatem o prazer de aprender e descubram-se autores de seus próprios processos.
A instituição que congrega os psicopedagogos é a Associação Brasileira de Psicopedagogia que foi criada em 1980 e tem sua sede em São Paulo e é composta por Seções e Núcleos localizados na maioria dos estados brasileiros. Desde a sua fundação realiza eventos nacionais e internacionais, assim como edita trimestralmente, a revista Psicopedagogia.
A Seção Rio Grande do Sul foi criada em 1986, tem sua sede em Porto Alegre. Reúne os psicopedagogos do estado, oferecendo atividades científicas e culturais para associados, profissionais da educação e da saúde e interessados da comunidade em geral. Mantém parcerias com instituições – Universidades, Escolas, Centros de Estudos, Associações – e procura dialogar com todos os profissionais, cujas atividades fazem interseção com a Psicopedagogia. A partir deste semestre, com a realização do recadastramento oportuniza aos associados um número de registro aos psicopedagogos com carteira de identificação.
A ABPp-RS trabalha em prol da visibilidade da Psicopedagogia e da continua busca de articulações políticas necessárias para dar continuidade ao processo de regulamentação da profissão e também, para criar o cargo de Psicopedagogo em instituições públicas e privadas, sempre com o intuito de que um maior número de cidadãos tenha acesso a este serviço e suas possibilidades. É importante destacar que os Psicopedagogos possuem o reconhecimento social pela sua contribuição em escolas, hospitais, empresas, e também na assessoria de Secretarias Municipais e Estaduais, em especial, Educação, Saúde e Administração.
Em relação ao reconhecimento da profissão, já tramitou o Projeto de Lei n° 3124/97, de autoria do Deputado Barbosa Neto (GO), já aprovado nas Comissões de Trabalho e Educação, no momento, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, atualmente com nova redação o projeto nº 3512/08 de autoria da Deputada Federal Professora Raquel Teixeira dispõe sobre a regulamentação do exercício da profissão.

A PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA
A intervenção que investiga e analisa os fatores apresentados - dentre os múltiplos que constituem e contribuem no acontecimento da aprendizagem - para a compreensão de significações das relações, do nexo causal e da modalidade de aprendizagem do sujeito em questão, seja criança, jovem ou adulto, seja no plano individual ou institucional caracteriza a postura Clínica da Psicopedagogia.
A Psicopedagogia Clínica exerce suas ações nas dimensões terapêutica e institucional, sempre buscando a compreensão das complexas relações de aprendizagem, dos lugares e papéis de sujeitos em suas redes históricas e, pela formulação de espaços e dispositivos adequados ao resgate e à promoção da aprendizagem.
Por considerar a multiplicidade que intervém na aprendizagem, a perspectiva da Psicopedagogia Clínica é produzida a partir da irredutibilidade em relação aos seus diversos fatores, ou seja, compreende que todas as dimensões do sujeito são co-participantes de seus processos. Assim a organicidade, a corporeidade e os processos de objetivação e subjetivação congregados no aprendente e entrelaçadas no tecido social e cultural são parte dessa complexidade que é a aprendizagem e daquilo que denominamos problemas de aprendizagem. Nesse sentido a Psicopedagogia se diferencia das áreas profissionais que priorizam uma perspectiva para compreensão da aprendizagem seja ela a orgânica, a psicológica, a corporal. Logo, suas ações também se diferenciam, principalmente de intervenções didático-pedagógicas, área específica da pedagogia e de diversas Licenciaturas, bem como de intervenções comportamentais – área própria da psicologia.
A ATUAÇÃO DA PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA: dimensão terapêutica e institucional
A Psicopedagogia Clínica procura compreender de forma abrangente os processos cognitivos, afetivo-emocionais, sociais, culturais e pedagógicos que interferem na aprendizagem e como, em um sujeito individual ou coletivo, essas várias redes se entrelaçam e manifestam em sua singularidade.
Na perspectiva terapêutica as ações profissionais dos Psicopedagogos estão voltadas para o resgate da aprendizagem, através da formulação de espaço e vínculo de confiança e da proposição de recursos adequados e específicos, que visam à descoberta, pelo próprio sujeito – individuo ou grupo, de sua autoria na aprendizagem. De acordo com a circunstância concorrem nesse processo os cuidadores, familiares ou responsáveis, e a escola através de alguns de seus representantes. Também participam secundariamente, outros profissionais implicados com a situação atual do sujeito.
Na perspectiva institucional a ação psicopedagógica considera as amplas e intrincadas relações de aprendizagem da organização em questão, seja ela a escola, o hospital, a cooperativa ou o escritório de contabilidade. Os Psicopedagogos estabelecem um estudo analítico dessas relações em seus vários aspectos e fluxos e as injunções históricas que constituem as características institucionais, procurando descobrir as melhores condições de articular a qualificação dos processos de aprender e a resolução dos problemas decorrentes desse processo.
O principal procedimento psicopedagógico consiste em ações de implicação de alguns ou diversos agentes desse estabelecimento, para que as demandas possam ser assumidas pelo grupo em prol da abertura de espaços de reflexão sobre o papel que lhe compete nesse campo demarcado tanto por uma função social como por uma missão funcional. O objetivo da intervenção institucional é sempre no sentido de que seus agentes possam descobrir-se e se sustentar como protagonistas de seus próprios processos, mesmo quando convocam a participação de profissionais da Psicopedagogia.
A ATUAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA NA PESQUISA CIENTÍFICA
Quanto à atuação na pesquisa científica vem havendo a constituição de um corpo de conhecimentos psicopedagógicos, que abrem um vasto campo de investigação sobre os fenômenos envolvidos no processo da aprendizagem humana.
Atualmente, além das dissertações de mestrado e teses de doutorado, a Psicopedagogia conta com um grande acervo de trabalhos científicos publicados em revistas, livros, e boletins, que já constituem um corpo de conhecimentos consistente, no qual se embasam a ação psicopedagógica e a construção de novas produções científicas.
A FORMAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA
A formação em Psicopedagogia tem ocorrido sistematicamente, desde os anos de 1970, mediante curso de Especialização em nível de Pós-Graduação e muito recentemente, através de cursos de Graduação. Ambas as formações visam o desempenho profissional, em papel especifico, nas ações educativas e de saúde mediante a construção de conhecimentos fundamentados cientificamente. Concorrem para esta formação as diversas áreas que vem estudando e pesquisando a aprendizagem enquanto acontecimento humano em seus diversos aspectos e relações. Estes conhecimentos oferecem diversas perspectivas sobre a aprendizagem e são parcialidades que a Psicopedagogia vem articulando para constituir sua própria e necessária compreensão sobre o aprender e as suas vicissitudes, em modos inter e transdisciplinares de organização. A instrumentação profissional de qualidade é a que garante as práticas assistidas nas abordagens terapêuticas e institucionais.
Além da formação científica inicial e continuada, visando o competente exercício profissional, o Psicopedagogo deve investir em procedimentos terapêuticos consigo próprio, seja de modo analítico, seja de modo psicopedagógico didático. Este duplo movimento se suplementa através da sistemática busca pela co-visão profissional, ou seja, o espaço de escuta sobre ações e procedimentos utilizados, junto a outro profissional da área, geralmente com maior ou similar experiência profissional. Portanto, é a fundamentação teórica e a instrumental que asseguram a adequada formação do profissional em Psicopedagogia.

A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOPEDAGOGIA – ABPp
Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp, que muito tem contribuído para a definição do perfil profissional do Psicopedagogo, iniciou suas atividades em 1980, promovendo encontros para reflexão e trocas de experiências vividas no exercício da profissão.
Com o intuito de ampliar essas discussões, a ABPp iniciou em 1984, uma seqüência de encontros de maiores proporções, sendo o primeiro denominado Experiências e perspectivas do Trabalho Psicopedagógico na Realidade Brasileira, cujo temário versava sobre as abordagens preventivas e terapêuticas do trabalho psicopedagógico, voltadas não só para os descompassos na aprendizagem, mas também para a melhoria da qualidade do ensino nas escolas.
Com o crescente avanço do campo de atuação, os Psicopedagogos sentiram necessidade de aprimorar sua formação sob o aspecto multidisciplinar. Para tanto, impunha-se cada vez mais uma atuação psicopedagógica mais eficaz, de modo que a ABPp passou a promover cursos, palestras, conferências, seminários, com a participação de profissionais de diferentes áreas de conhecimento e atuação: Pedagogia, Psicologia, Psicopedagogia, Neurologia, Neuropsicologia, Arteterapia, e Psiquiatria.
Sua contínua expansão e, em conseqüência disso, a abertura de inúmeros cursos de Pós-Graduação para formação na área levou a Associação a elaborar um documento sobre a Identidade Profissional do Psicopedagogo e os objetivos da Psicopedagogia a partir da delimitação de seu campo de estudos e de atuação. Esse documento passou por várias etapas de discussão, contando com a participação de associados de todo o país, de representantes de inúmeros cursos de formação de São Paulo e do Rio de Janeiro. Sua culminância ocorreu com a realização de uma Jornada, sob a assessoria de Sara Pain, eminente psicopedagoga argentina, radicada na França e responsável por importantes publicações na área. A partir daí, o documento produzido foi reformulado e publicado nas revistas n°s 18 e 19 da ABPp.
Porto Alegre, 02 de dezembro de 2008.
Fabiani Ortiz Portella

Presidente ABPp/RS


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