Qual a contribuições da Terapia Familiar na Síndrome da Alienação Parental? 26/05/2010 Virgínia Buarque c cabral



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Qual a contribuições da Terapia Familiar na Síndrome da Alienação Parental?
26/05/2010
Virgínia Buarque C Cabral
terapiafamiliarufpe@gmail.com

Introdução.
A Alienação Parental é um processo que consiste em programar uma criança para que odeie um de seus genitores sem justificativa. Quando a Síndrome está presente, a criança dá sua própria contribuição na campanha para desmoralizar o genitor alienado (GARDNER2 y GARDNER3, §1).

A Síndrome da Alienação Parental - SAP - deve ser abordada em uma perspectiva interdisciplinar e representa um desafio para profissionais da área do direito, da psicologia, do serviço social e terapeutas de família. As contribuições e os questionamentos que apresentaremos para vocês foram fruto da nossa inquietação ao lidar com este tema na perspectiva da Terapia Familiar.

É fundamental prevenir e identificar a Alienação Parental (AP). Acompanhando casais que estão vivenciando conflitos, separados ou não, onde os filhos passam a ser confidentes de um dos cônjuges compartilhando suas decepções e mágoas. Esses filhos passam a ficar agressivos sem motivo aparente e a diminuir o rendimento escolar e se nada for feito caminha para um comprometimento emocional mais severo, AP ou SAP.

Sobre a concepção de casamento para homens e mulheres as pesquisas revelam que as mulheres concebem o casamento como relação amorosa e os homens, sobretudo como constituição de família. Esta diferença na concepção de conjugalidade entre homens e mulheres pode explicar os sentimentos diferentes do homem e da mulher diante da separação. Quando o processo de constituir família é interrompido com a separação, os homens se sentem fracassados e frustrados e quando a relação de amor termina, as mulheres sentem-se, sobretudo magoadas e sozinhas.

Distinguir a função conjugal da função parental no processo de separação dos pais é o fator mais importante para garantir a promoção do desenvolvimento emocional saudável dos filhos de pais separados. Ressalta-se a importância da função parental do pai e da mãe frente às crianças (cuidar, proteger e prover as necessidades materiais e afetivas dos filhos).
Erros que se deve evitar


1 - Considerar unicamente a opinião dos filhos.


As crianças observadas parecem adaptadas à escola, a integração social aparenta normalidade e, à primeira vista, não apresentam sintomas de psicopatologia.

Todavia, todos, em diversos graus, reclamam da cessação dos contatos com o outro genitor. Então se argumenta que, por interesse dos filhos, é preciso suspender as visitas por serem “traumatizantes....e não se deve obrigar o filho...” .

E tudo seria como que dizer repentinamente que o filho não tem seus direitos, não necessita mais do que um genitor (LAMONTAGNE, pág. 179, §2).

A maior violência psicológica sobre a criança se dá quando ela não consegue mais distinguir o seu desejo do desejo do alienador, em consequência de forças impositivas. E assim sendo nesta situação a “criança mente”.


Um dos cuidados do profissional da área é tomar a palavra da criança como verdade.



2 - Determinar que ambos genitores decidam juntos o bem estar dos filhos

Isso é ignorar a amplitude do problema.

De um lado é necessário deixar de acreditar na boa vontade do alienador e do outro lado deve-se parar sua ação nefasta utilizando o único poder que tem a sociedade, ou seja, recorrer a uma “terceira função” (recorrer a uma força externa aos genitores, o tribunal, por exemplo). (LAMONTAGNE, pág. 197, §1)




3 - Determinar uma Terapia Familiar tradicional

Determinar uma terapia tradicional não faz efeito.

Os genitores que induzem uma Síndrome de Alienação Parental não são candidatos a uma terapia.

Um candidato a uma terapia deve ter consciência que tem um problema psicológico e deve querer curar-se.

O genitor alienador é, às vezes, sociopata e sem consciência moral. É incapaz de ver a situação de outro ângulo que não o seu, e especialmente sob ângulo dos filhos. Não distingue a diferença entre dizer a verdade e mentir (MAJOR, §41).

Quanto aos filhos, mesmo com uma sessão de terapia diária, o resto do tempo seria utilizado para continuar a doutriná-los. Pode-se comparar um genitor alienador com um guru de uma seita. Para que uma desprogramação tenha êxito, a criança deve ser afastada de todo contato com o autor da doutrina.

Finalmente, determinar uma terapia tradicional dá ao genitor alienador uma vantagem, pois o tempo joga em seu favor (GARDNER_ADDENDUM2, §7 y 8)

E para o genitor alienado a terapia pode funcionar como uma punição. ”Ele é uma vítima da SAP e é encaminhado a terapia”.



Critérios de Identificação


Sintoma
(GARDNER3, §3 a 11)

Explicação
(MAJOR, §16 a 26)

  1. Campanha de descrédito

Esta campanha se manifesta verbalmente e nas atitudes.

  1. Justificativas fúteis

O filho dá pretextos fúteis, com pouca credibilidade ou absurdos, para justificar a atitude.

  1. Ausência de ambivalência

O filho está absolutamente seguro de si, e seu sentimento exprimido pelo genitor alienado é maquinal e sem equívoco: é o ódio.

  1. Fenômeno de independência

O filho afirma que ninguém o influenciou e que chegou sozinho a esta conclusão.

  1. Sustentação deliberada.

O filho adota, de uma forma racional, a defesa do genitor alienador no conflito.

  1. Ausência de culpa

O filho não sente nenhuma culpa por denegrir ou explorar o genitor alienado.

  1. Situações fingidas

O filho conta casos que manifestadamente não viveu, ou que ouviu contar.

  1. Generalização à outros membros da família do alienado.

O filho estende sua animosidade para a família e amigos do genitor alienado.


Como tratar a Síndrome de Alienação Parental
A intervenção psicoterapeuta deve ser sempre amparada em um procedimento legal e deve contar com o apoio judicial.

No consultório, os casos que chegam, são brandos porque quem procura ajuda profissional quer se tratar. Os casos que chegam ao Judiciário são muito mais graves.



O tratamento pelas vias normais é insuficiente, pois não existe uma preocupação com a criança, mas com retaliação e vingança. É preciso estabelecer uma ferramenta interdisciplinar. A única pessoa que tem o poder real de desinstalar o SAP é o juiz.

Os alienadores criam os seus próprios sistemas de regras e leis – a lei máxima são eles próprios. É preciso estabelecer multas, inversão da guarda, etc.


1- Medidas legais e terapêuticas


Estágio

Medidas Legais

Medidas Terapêuticas

I- Leve

  • Nenhum

  • Nenhum

II- Médio

  • Deixar a guarda principal com o genitor alienador.

  • Nomear um terapeuta para servir de intermediário nas visitas e para comunicar as falhas ao tribunal.

  • Estabelecer penalidades para a supressão de visitas: uma penalidade financeira); o pagamento de uma multa proporcional ao tempo das visitas suprimidas; uma breve reclusão ao cárcere.

  • Em caso de desobediência constante e reincidência, além da prisão, passar a guarda para o outro genitor.

  • O terapeuta responsável pelo controle das visitas, deve conhecer a Síndrome de Alienação Parental.

  • Deve aplicar um programa terapêutico preciso.

  • Deve relatar as falhas diretamente aos juízes.

  • O tribunal executar as sanções previstas

III- Grave

  • Transferir a guarda principal para o genitor alienado.

  • Nomear um psicoterapeuta para intermediar um programa de transição da guarda do filho.

  • Eventualmente ordenar um local de transição.




  • Mesmo enfoque que o estágio médio.

2-Tratar a enfermidade no Estágio Leve

Em geral a simples confirmação da patologia pelo tribunal que concedeu a guarda faz cessar a campanha de descrédito do genitor alienador (GARDNER3, §22).

3- Tratar a enfermidade em Estágio Médio.


Geralmente o filho cria um vínculo mais forte com o genitor que ganhou guarda. Então é conveniente não lhe tirar a guarda do filho.

Todavia, a ameaça de ter que pagar uma multa, ou de ir para a cadeia, pode bastar para o genitor alienador voltar ao caminho correto, e ao mesmo tempo proporcionar uma desculpa aos filhos, lhes permitindo a justificativa de não trair o genitor alienador (GARDNER3, §29 a 31).


4- Tratar a enfermidade em Estado Grave.
A única salvação para o filho é a troca da guarda. O caráter definitivo desta medida depende do comportamento do genitor alienador. Esta medida deve ser acompanhada de um tratamento psicológico de complexidade equivalente ao nível da falta de cooperação do filho. (GARDNER3, §40).
Esta falta de cooperação parece tornar impossível a substituição da guarda, e a crença muito lembrada de que é melhor não se tirar um filho da mãe – no caso dela ser o genitor alienador – não importa o grau de loucura, justificam as precauções dos tribunais em tomar tal medida (GARDNER3, §41).

Se a transferência direta dos filhos para o genitor alienado se revela impossível, pode-se optar pela passagem por um lugar de transição. O programa de transição deve ser acompanhado por um terapeuta nomeado pela justiça, o qual deve ter acesso direto à qualquer ajuda judicial, e para a emissão de mandados necessários para o êxito do plano (GARDNER3, §43).


5- Terapia familiar do estágio médio
(Resumo do artigo “Terapia Familiar do Tipo Moderado de Síndrome de Alienação Parental” – Family Therapy of the Moderate Type of Parental Alienation Syndrome - de Richard A. GARDNER, 1999).
Bases da terapia
A terapia deve ficar a cargo de um só terapeuta. Este deve entrevistar e tratar todos os membros da família para estabelecer as ligações entre o que cada um diz (GARDNER2, §3).
O tratamento deve ser ordenado pelo tribunal com o qual o terapeuta deve estar em comunicação direta (através de um advogado especializado, por exemplo). O genitor alienador deve ser informado de que todas as obstruções ao tratamento, e o desrespeito ao direito das visitas, serão imediatamente informadas ao Juiz pelo terapeuta. O tribunal deve aplicar todas as sanções previstas sem restrições (GARDNER2, §4).
O terapeuta deve familiarizar-se com todos os métodos impositivos e constrangedores. Além disso, neste tipo de tratamento, o sigilo tradicional deve ser modificado. Em situações especiais e com a devida discrição, pode revelar a terceiros toda informação obtida durante o tratamento, tais como o Juiz e os advogados das partes (GARDNER2, §5).
As penalidades.
Todas as penalidades devem estar previstas nas sentenças. É importante que o terapeuta nomeado pelo tribunal conheça exatamente as ameaças que poderá utilizar no tratamento. Estas sanções devem ser aplicadas sem dificuldades para preservar a credibilidade do terapeuta (GARDNER2, §7).
Segundo a importância, estas são as sanções possíveis (GARDNER2, §8 y 9):

  • Uma comunicação desfavorável do terapeuta dirigida ao tribunal

  • Uma obrigação

  • Uma ameaça de transferir a guarda para o outro genitor

  • Uma ordem de prisão temporária


Sugestões para o tratamento do genitor alienador.
Este genitor muitas vezes já está seguindo uma terapia. Em geral esta terapia tem por objetivo apoiar-se num terapeuta para lhe sustentar totalmente em sua causa, e com o qual freqüentemente desenvolve uma relação patológica do tipo “loucura a dois”. O tribunal não deve proibir este tratamento, mas determinar que siga paralelamente o tratamento obrigatório da sentença (GARDNER2, §11).

Tipicamente o genitor alienado se recusará aceitar uma terapia imposta pelo tribunal, ou ao contrário, mostrará um grande interesse, no entanto não será cooperativo e fará todo possível para sabotá-lo (GARDNER2, §12).


O terapeuta deve fazer o possível para encontrar um aliado interno: um membro próximo da família do genitor alienador que identifica o exagero deste. A mãe do genitor alienador é uma excelente aliada se o terapeuta conseguir convencê-la. Ela pode convencer o genitor alienador a recuar mostrando que suas manobras são prejudiciais aos filhos. Tal aliada é difícil de encontrar, pois todos têm medo de se transformar no alvo do genitor alienador (GARDNER2, §13).



Motivos do Genitor Alienador

Respostas

  • Certos genitores alienadores ficam cegos por sua raiva.

Ao nível mais superficial se tenta fazê-los entender a importância do papel do outro genitor na educação dos filhos e no fato de que a campanha de desmoralização ao outro genitor, também contribui para desenvolver doenças e dificuldades nos filhos (GARDNER2, §14).

  • Certos genitores alienadores são ciumentos ao constatar que o outro está numa nova relação amorosa e ele não. Privá-lo de seus filhos equivale a tirar-lhe o que tem de mais precioso no mundo.

Certos genitores alienadores utilizam a campanha de desmoralização para continuar mantendo a relação com o outro genitor. Esta campanha necessita de tempo e interfere continuamente na vida do outro genitor.

O melhor que se pode fazer é auxiliar o genitor alienador a retomar sua própria vida, a encontrar outros interesses, e a investir em uma nova relação (GARDNER2, §15).



  • A cólera pode ser provocada por fatores econômicos

Se o terapeuta observa que tem boas razões para pensar que as decisões a respeito da parte financeira não são justas e contribuem para a cólera do genitor alienador, deve comunicar ao Juiz.

De nenhuma maneira ele deve concluir sobre esta matéria e deve deixar esta solução a cargo de especialistas (GARDNER2, §16).



  • O aspecto maternal (paternal) superprotetor do genitor alienador é um fator que freqüentemente explica a alienação dos filhos. O mundo é visto como perigoso, e o outro genitor particularmente representa um fator potencial de perigo.

Este sintoma só pode ser tratado pela terapia. Todas as fontes de cólera, em relação ou não ao outro genitor, devem ser investigadas (GARDNER2, §17).

  • Às vezes o genitor alienador decide repentinamente mudar-se, trocar de cidade ou de país. Pode usar como pretexto um encontro amoroso ou uma oportunidade de trabalho.

O terapeuta deve tentar descobrir se não se trata simplesmente de mais outra manobra para excluir os filhos da vida do outro genitor e, se for o caso, comunicar o Juiz. De todas as formas terá que reconhecer que é do interesse dos filhos que eles fiquem em seu local atual, na guarda do outro genitor (GARDNER2, §18).


Sugestões para o tratamento dos filhos



Motivação dos filhos

Respostas

  • Os filhos afirmam freqüentemente que serão maltratados se forem com o genitor alienado

Levar a sério estas alegações é prestar um mau e antiterapêutico serviço.

O que os filhos dizem querer, nem sempre é o melhor para eles. O terapeuta deve considerar esta animosidade como superficial e fabricada para obter boas graças do genitor alienador.

Um bom enfoque é dizer-lhes: “Vamos, estas coisas não ocorreram, falemos sobretudo da realidade, como por exemplo da sua próxima visita ao seu pai (mãe)”.

Deve-se lembrar aos filhos que antes da separação tinham uma boa e profunda relação com o genitor alienado

(GARDNER2, §20 y 21).


  • Os filhos não querem ir com o genitor alienado, ou vão justificando sua decisão por diversas razões destinadas a contentar o genitor alienador: “Vou unicamente pelo seu dinheiro”, ou “Se eu não for ele não nos dará mais dinheiro e morreremos de fome”.

Os filhos necessitam uma desculpa para ir com o genitor alienado sem perder a afeição do genitor alienador.

Necessitam da possibilidade de dizer que odeiam o outro genitor, e que vão unicamente para evitar as sanções do tribunal.

Eles argumentam que são forçados com ameaças progressivas de penalidades. O terapeuta deve adotar este papel, que implica em constrangê-los e manipulá-los cruelmente. O ideal é que estejam convencidos de que o tribunal está decidido a aplicar realmente as ameaças de sanções financeiras ou penais declaradas pelo terapeuta.

O filho tem somente uma vaga idéia do “porquê” não quer ir com o genitor alienado. Se não tem uma razão precisa para ir, prefere assumir esta restrição “draconiana” (GARDNER2, §22 à 33).



  • Ocorre freqüentemente que os filhos maiores tomam o encargo da programação dos filhos mais jovens durante as visitas com o genitor alienado, “no campo inimigo”. Os maiores são os primeiros a manifestar os sintomas da SAP. É normal que o maior esteja no estágio grave, o segundo no estágio médio, e o terceiro no estágio leve.

A separação reduz as oportunidades do genitor alienador atingir o outro genitor.

Programar os filhos para que sejam desrespeitosos, desobedientes ou turbulentos durante as visitas, é um meio eficaz de descarregar seu ódio.

Se o genitor alienado foi descrito como incompetente, o maior acredita que deve assumir seu papel.

Se foi descrito como perigoso, o maior acredita que deve proteger os irmãos mais novos.

O primogênito pode relevar o discurso difamante do genitor alienador, ou incentivar os outros a roubar ou a destruir os objetos do genitor alienado.

O melhor enfoque consiste em organizar as visitas de maneira que os filhos as façam separadamente, até o momento em que cada um tenha a experiência de que as terríveis conseqüências previstas ao irem sozinhos com o genitor alienado, não se realizaram (GARDNER2, §34 a 36).



  • O momento de passar de um genitor ao outro é particularmente doloroso para o filho vítima da SAP. O conflito de lealdade ainda é exacerbado se os pais estão presentes.

Um bom lugar para efetuar esta transição é o consultório do terapeuta.

O genitor alienador traz os filhos e fica por algum tempo com o terapeuta. Depois os filhos ficam um pouco de tempo sozinhos com o terapeuta. O outro genitor chega finalmente, fica um pouco de tempo com os filhos e o terapeuta, antes de sair com eles (GARDNER2, §37).



  • Ocorre que os filhos mentem, exageram, disfarçam a verdade ou tentam manipular o interlocutor.

O terapeuta deve dissuadir os filhos de querer agradar cada um de seus genitores, lhes dizendo exatamente o que eles pensam e o que eles querem escutar no momento.

O terapeuta deve fazer tudo para dissipar a mentira.

Deve mostrar-se bastante incrédulo diante das alegações dos filhos sobre o genitor alienado.

Uma vez refutado o argumento do filho, deve passar rapidamente para outro assunto.

Na próxima vez, deve insistir que a previsão argumentada anteriormente não se concretizou na última visita (GARDNER2, §44)

Em certos casos é necessário modificar o tempo das visitas. O terapeuta deveria ter a inteira liberdade de tomar as decisões sobre a extensão e a freqüência das visitas. Com efeito, é impraticável recorrer ao tribunal cada vez que a duração das visitas deve ser revista (GARDNER2, §39).


O terapeuta deve focalizar o tratamento como uma desinformação e desprogramação. Deve ajudar o filho a se conscientizar de que foi vítima de uma lavagem cerebral (o que é mais fácil de ser entendido pelos filhos maiores). A técnica consiste em falar neste sentido: “Não te peço para utilizar minhas palavras. Quero que faças suas próprias observações. Quero que reflitas no que se passou durante a última visita com teu pai (mãe) e que tu te perguntes se as coisas que tua mãe (pai) te disse que aconteceriam, realmente aconteceram ou não. Durante tua próxima visita, quero que observes e preste atenção, e que chegues à tua própria conclusão sobre a existência de tal perigo ou de tal fato. Dizes que és bastante grande e bastante inteligente para formar tua própria opinião. Estou de acordo contigo. As pessoas inteligentes formam sua opinião baseando-se em suas próprias observações, e não sobre as observações de outras pessoas, quaisquer que sejam. Exatamente como te pedi para me provar no que acreditas baseado naquilo que observou no passado, te peço que me prove, na próxima vez, depois da sua próxima visita, baseado naquilo que verás e sentirás por ti mesmo” (GARDNER2, §40 y 41).

Estas reflexões têm a finalidade de colocar dúvidas nas “certezas” que foram repassadas aos filhos pelo genitor alienador, possibilitando a eles mesmos elaborar sua própria opinião sobre os fatos, e fruto da convivência com o outro genitor (alienado).
Ocorre que uma família se divide em duas depois de uma separação acompanhada, de uma campanha de desmoralização que teve êxito somente com uma parte dos filhos (ou acompanhada de campanhas de desmoralização simultaneamente cruzadas). As visitas desviam-se para um jogo de chantagens. Os filhos que vivem com um genitor vão visitar o outro na condição de que os filhos que vivem com este outro genitor visitem o primeiro genitor. Tais visitas (“swap”) valem mais que nenhuma visita (GARDNER2, §42).
Enquanto a guarda não está decidida, a relação com o genitor mais próximo psicologicamente está ameaçada. Uma vez proclamada a sentença, o filho pode parar sua campanha de desmoralização e aproveitar com serenidade os momentos que passa com o genitor alienado (GARDNER2, §45).
Sugestões para o tratamento do genitor alienado
O genitor, vítima da Síndrome de Alienação Parental, freqüentemente se perde diante do que se passa com ele e com sua família. O terapeuta deve explicar a ele os mecanismos pelos quais se desenvolve, e do procedimento da SAP. Quanto melhor conhecer este procedimento, mais preparado estará para combatê-lo (GARDNER2, §47).


  • O filho manifesta ódio a seu respeito

O genitor alienado deve aprender que o inverso do amor não é o ódio, mas a indiferença.

A campanha de desmoralização dos filhos esconde sua afeição reprimida, por mais estranho que isto possa parecer ao genitor alienado (GARDNER2, §48).



  • O filho não é cooperativo

O genitor alienado deve aprender a não dar muita importância às alegações dos filhos a seu respeito, e a tolerar a animosidade deles no momento da transição.

Às vezes esta animosidade dura todo o tempo da visita.

O genitor não deve perder a coragem e deve ver esta animosidade como nada mais que o resultado da programação do genitor alienador.

Deve considerar o fato de que, não obstante os protestos, as visitas acontecerão, o que significa que existe vontade. Se realmente não quisessem – o que é o caso com filhos em estágio grave – não iriam às visitas (GARDNER2, §49).



  • Ocorre freqüentemente que o filho, que é bom e amigável durante a visita, tenha em certo momento uma crise de cólera ou raiva.

Este episódio deve ser visto como uma representação beneficiando o programador e que ele será devidamente informado disto.

Este episódio será considerado como extensão da visita inteira, e nenhuma menção se fará aos 95 % dos bons momentos restantes. Às vezes esta crise provém da cólera gerada pela confusão do filho no meio do conflito entre os pais (GARDNER2, §50).



  • O filho o acusa de falsas alegações.

O genitor alienador necessita ajuda para não se utilizar do filho para suas provocações hostis até que se alcancem relações mais sadias, e não insistir em saber se uma alegação é verídica ou falsa. Uma resposta simples e breve basta.

Pode-se corrigir uma alegação do genitor alienador perguntando se o filho realmente a viveu. O melhor antídoto contra as ilusões criadas pelo genitor alienador é uma sadia experiência vivida (GARDNER2, §51).



Falar dos bons tempos vividos, multiplicar as atividades e os intercâmbios, entreter-se com brincadeiras “secretas” entendidas somente para quem as decifra (códigos de palavras, canções preferidas...) (GARDNER2, §52).

Resgatar do passado ou viver no presente bons momentos juntos (V. BUARQUE).

  • Dificuldades no momento de buscar o filho.

Fazer-se acompanhar pela polícia pode ajudar a legitimar o momento da tomada do filho, lhe fornecendo uma desculpa para justificar para o genitor alienador (GARDNER2, §53).


O genitor alienado não deve esquecer que uma relação baseada no amor verdadeiro é mais sólida que uma relação baseada no medo e na mentira. Deve-se proporcionar ao filho um ambiente no qual ele sinta que pode manifestar todas as suas impressões e sensações, positivas e negativas, com relação a seus dois genitores. Um ambiente oposto ao do genitor alienador... (GARDNER2, §54).
6- O programa de transição do terceiro estágio (grave).
O lugar da transição
Segundo as possibilidades se considera um dos três lugares de transição a seguir:


  • A casa de um amigo ou conhecido, ou um centro de acolhimento.


Acreditamos que esta opção é a mais recomendada.

A casa de um parente se deve evitar.

Esse amigo ou conhecido acolhedor deve ter ótima relação com a criança.

Deve estar consciente da gravidade da patologia do genitor alienador. Deve ter condição para proibir todo contato telefônico deste genitor com o filho, e deve relatar ao tribunal toda falta de obediência às sentenças (GARDNER3, §47).


  • Uma residência coletiva de crianças.

É onde se alojam os pequenos delinqüentes, as crianças abandonadas ou abusadas.

A vigilância é mais organizada e o controle do comportamento do filho será mais fácil (GARDNER3, §50).



Longe de ser o ser ideal, este lugar, às vezes, tem a vantagem de motivar um filho a ser mais cooperativo (GARDNER3, §63).

  • Um hospital psiquiátrico

O agente de saúde deve estar familiarizado com estes casos e em contato com o tribunal (GARDNER3, §52).


As fases de transição
O objetivo é dar ao filho a possibilidade de viver a experiência real que o genitor alienado não é pessoa perigosa ou ignóbil que lhe tenham descrito (GARDNER3, §54).


Fase 1

Coloca-se o filho numa casa de transição e se corta todo contato com o genitor alienador. Gradualmente coloca-se o filho em contato com o genitor alienado por meio de visitas mais e mais longas e freqüentes, conforme vai se acostumando.

Fase 2

Sempre sem nenhum contato com o genitor alienador, o filho passa a fazer visitas mais e mais longas na casa do genitor alienado, até que se possa considerar de viver ali permanentemente.

Fase 3

O filho passa a viver com o genitor alienado. Todo contato com o genitor alienador deverá ser proibido, e à menor tentativa deste em comunicar-se será punido severamente (obrigações, prisão, hospitalização...).

Fase 4

O genitor alienador volta gradualmente a ter contato telefônico vigiado com o filho, na condição de que controle sua obsessão em manipulá-lo.

Fase 5

O genitor alienador passa a visitar o filho, sob vigilância, na casa do genitor alienado, na condição de controlar sua animosidade para com este.

Fase 6

Se todas as manifestações da reprogramação desaparecerem, podem ser tentadas visitas breves e controladas do filho na casa do genitor alienador.


Os pais que tiveram êxito


  • Tinham condições acima da média para serem pais;

  • Eram equilibrados e controlavam suas emoções;

  • Não os abandonaram nunca, apesar da vontade de fazê-lo e do desânimo que os acometia;

  • Queriam (e eram capazes) de suportar os gastos necessários;

  • Tinham um advogado que conhecia a Síndrome de Alienação Parental e tinham conhecimento das Leis e do funcionamento dos tribunais;

  • Solicitaram estudo de perícia médico-legal, que diagnosticou a SAP e recomendaram a troca de guarda;

  • Tinham um plano de ação para a educação dos filhos e mostraram que eram racionais e razoáveis;

  • Buscaram a paz e as soluções, mais que complicar a situação, apiedando-se do mal que fizeram;

  • Elaboraram relatos das sucessões dos acontecimentos, úteis para convencer os tribunais;

  • Respeitaram sempre os direitos de visitas mesmo se os filhos não estavam em casa, e conseguiram provar que eram assíduos, contrariamente ao que o outro genitor dizia;

  • Durante as visitas dos filhos, não pensaram mais do que em divertir-se, e não lhes mostraram nunca as sentenças ou outros documentos “sensíveis”;

  • Respeitaram sempre a Lei ao pé da letra (sempre pagaram a pensão alimentícia, por exemplo);

  • Eram pessoas decentes, tinham princípios e amavam os filhos. (MAJOR, §77).

O procedimento chamado “Vicarius Deprogramming” (descrito no "Therapeutic Intervention for Children with PAS") explica como o genitor alienado pode influenciar o filho sem que o terapeuta tenha acesso ao genitor alienador, nem os filhos (GARDNER_ADDENDUM2 §9).



Reflexão Final.
Repetição de padrão aprendido. A criança fica privada de um dos pais como modelo identificatório. Repete o que aprendeu, ou seja, pode desenvolver a SAP nos seus relacionamentos futuros. Isto é muito grave.
Efeito bumerangue quando a criança vítima da alienação fica mais velha (início da adolescência) começa a perceber que foi injusta com o genitor alienado e já com sérios comprometimentos neste relacionamento, ela se revolta contra o genitor que a alienou.

Quando isto acontece imagina-se quanta dor e desilusão que estes filhos sentem.

O genitor que ele aprendeu a amar e respeitar e que tinha a sua guarda, mentia, enganava, manipulava e programou a sua mente e o seu coração para rejeitar o outro genitor.

O sentimento incontrolável de culpa se deve ao fato de que a criança, quando adulta, constata que foi cúmplice inconsciente de uma grande injustiça ao genitor alienado.

Vai ser necessário trabalhar com esses filhos vítimas de SAP o processo do auto-perdão.

E no momento em que o filho desenvolver esta consciência será muito importante, confortante e restaurador ter a certeza que o genitor alienado não desistiu dele.

Pai, não desista de mim. Ainda que eu cruze os braços, não desista de mim!”



PAIS alienados
Não desistam de seus filhos nunca!
Não os abandonem nunca!
Esta certeza para seus filhos é fundamental para Reconstruir o vínculo parental prejudicado


Referências Bibliográficas


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Hubert Van Gijseghem,
"Us et Abus – de la mise en mots en matière d’abus sexuel", Meridien 1998
Capítulo 9: "Syndrome d’aliénation parentale: contexte et pièges de l’intervention" par Paule Lamontagne

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Richard A. GARDNER,
"Family therapy of the moderate type of parental alienation syndrome", 1999, http://rgardner.com/refs/ar2.html

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Richard A. GARDNER,
"Recommendations for dealing with parents who induce a parental alienation syndrome in their

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Richard A. GARDNER,
"March 2000 addendum", http://rgardner.com/refs/addendum2.html

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L. F. LOWENSTEIN,
"Parental alienation syndrome (PAS)", 1999, http://www.fact.on.ca/Info/pas/lowen99.htm

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