Qualidade da água e dinâmica de nutrientes harry Alberto Bollmann Charles Carneiro Eduardo Pegorini



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Figura 7.4 – Variação Mensal da Temperatura do Ar e da Água nos Pontos Amostrais do Reservatório do Iraí.

Em se tratando de um lago com uma grande superfície líquida e uma pequena profundidade, as diferenças de temperatura entre superfície e fundo no Reservatório do Irai não são muito pronunciadas. Nos pontos menos profundos (pontos amostrais RE1 e RE2) a coluna d’água apresentou um perfil isotérmico, e na sua porção mais profunda (ponto amostral RE3) o reservatório apresentou tendência a estratificação térmica de verão (de outubro a fevereiro), e em menor grau, no mês de julho. Nos demais meses do ano, o lago apresentou perfil isotérmico. Além da morfometria, a ação do vento foi observada como elemento importante para a circulação hidrodinâmica de suas águas, diminuindo os efeitos da estratificação térmica.


7.2. OXIGÊNIO DISSOLVIDO
Nos meses mais quentes (outubro a fevereiro), os pontos amostrais RE1, RE2 e RE3 apresentaram clara diminuição na concentração do Oxigênio Dissolvido com a profundidade, chegando a apresentar no mês de fevereiro concentrações próximas ou inferiores a 1,0 mg/l , (menores que 2 % do teor de saturação), enquanto que na superfície, esta concentração se apresentou ligeiramente inferior à saturação durante todo o período (Figura 7.5).
Isto sugere que, na superfície, a taxa de decomposição da matéria orgânica, incluindo a taxa de respiração bacteriana é maior que a taxa de produção do oxigênio fotossintético (Mitamura e Hino, 1997). Exceções foram observadas nos meses de outubro e fevereiro onde a concentração de Oxigênio Dissolvido se apresentou ligeiramente maior que seu teor de saturação na água, indicando um excesso de oxigênio fotossintético nos pontos amostrais de superfície.





Figura 7.5 – Variação Mensal da Porcentagem de Saturação de Oxigênio Dissolvido nos Pontos Amostrais do Reservatório do Iraí.

Este comportamento mostra claramente a importância do efeito da circulação da água ao longo da coluna. Nos meses de primavera e verão, onde esta circulação foi menos importante e a tendência à estratificação térmica foi mais pronunciada, o fundo do reservatório deixou de receber águas mais ricas em oxigênio dissolvido, e sua concentração atingiu níveis de quase anóxicos.


7.3. POTENCIAL HIDROGENIÔNICO
A Figura 7.6 mostra a variação do pH observada para os pontos amostrais monitorados. Nota-se claramente a tendência de alcalinização das águas com a presença de esgotos urbanos introduzidos no reservatório a partir dos tributários principais, principalmente nos meses mais quentes (Primavera e verão). Embora a presença de sais de bases fortes possa contribuir, o aumento do pH em águas naturais em geral ocorre pela presença de sais de ácidos fracos (Sawyer e McCarty, 1978). Na faixa de pH observado, os Bicarbonatos representam a maior parte da alcalinidade existente, uma vez que são formados em quantidades consideráveis a partir da ação do Dióxido de Carbono (CO2) sobre materiais básicos do solo (Eq. 7.1)
CO2 + CaCO3 + H2O Ca(HCO3)2 (Eq.7.1)
A presença de CO2 está principalmente ligada à respiração bacteriana, que é tanto mais intensa quanto maior a quantidade de matéria orgânica de esgotos presente. Alguns sais de ácidos fracos (Boratos, Silicatos e Fosfatos), além dos Ácidos Acético e Propiônico, que são comumente encontrados nos esgotos domésticos, também contribuem para formar a alcalinidade final presente, e como conseqüência, elevar o pH.
Outro efeito visível no gráfico da Figura 7.6 é o do aumento do pH causado pelas florações de cianofíceas. Este efeito causou pelo menos 3 picos principais durante os meses quentes de primavera e verão onde o reservatório tendeu à estratificação térmica: em Outubro, Fevereiro e Abril. Os maiores aumentos foram verificados nos pontos de superfície (RE1, RE2 e RE3). O plano amostral, entretanto, não foi capaz de averiguar se a alteração do pH foi um elemento determinante para as florações, ou foi conseqüência de seu aparecimento. Saron et al. (2000) observam que o pH da água pode elevar-se a valores de até 10,0 em mananciais onde ocorre a floração.



Figura 7.6 – Variação Mensal do Potencial Hidrogeniônico (pH) nos Pontos Amostrais do Reservatório do Iraí.



7.4. SÓLIDOS DISSOLVIDOS E CONDUTIVIDADE ELÉTRICA
A Condutividade Elétrica tem sido regularmente usada como um indicador de contaminação de rios por esgotos domésticos em razão do seu conteúdo de sais minerais. Porém, para reservatórios, sua interpretação não é ta simples. Para Von Sperling (2000), a correlação entre a Condutividade de uma água e sua concentração de Sólidos Dissolvidos não é absolutamente direta, já que as águas não constituem soluções simples. Apenas nas regiões onde exista a predominância de um determinado íon na água, esta relação pode ser claramente estabelecida.
Apesar de a Condutividade Elétrica refletir a totalidade dos íons presentes, no reservatório do Irai não houve correlação significativa entre esta e a concentração de Sólidos Dissolvidos, realçando a heterogeneidade espaço-temporal de elementos e processos. Do ponto de vista da análise temporal, as Figuras 7.7 e 7.8 apresentam, respectivamente, a variação do comportamento da concentração de Sólidos Dissolvidos Totais e da Condutividade Elétrica nos pontos amostrais.
Observa-se que os pontos situados próximos ao fundo do reservatório tem uma tendência de apresentar maiores valores de Sólidos Dissolvidos Totais nos meses onde se acentua a tendência à estratificação térmica da coluna d´água (Outubro a abril). Pode-se explicar este fato pela maior liberação, neste período, de compostos químicos a partir do sedimento, e também o maior acúmulo dos elementos oriundos da decomposição no próprio hipolímnio (Thomaz et al.,1997). Como conseqüência, os valores da Condutividade Elétrica acompanham esta tendência.


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