Que provocam o profissional da Psicologia



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Encontro07.08.2016
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EDITORIAL

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Buscando dar continuidade à tarefa de analisar criticamente as pesquisas e práticas psicossociais em seu potencial para construir conhecimentos e métodos para compreender, analisar e intervir na realidade, a revista PPP reúne, neste número, múltiplos temas que, em seu conjunto, nos revelam o quanto a Psicologia vem se expandindo em suas questões e em seus âmbitos de pesquisa e atuação. Teoria e prática, pesquisa e experiência, abordagens qualitativas e quantitativas, as mais variadas expressões do saber/fazer se encontram acolhidas e contempladas, tendo como autores profissionais e pesquisadores de contextos e olhares diversos.

O leitor encontrará, aqui, alguns artigos mais marcadamente teóricos, privilegiando uma reflexão crítica sobre a construção do saber psicológico, como também terá a oportu-


nidade de conhecer dispositivos de compreensão/intervenção sobre realidades
que provocam o profissional da Psicologia.

Os artigos deste número estão agrupados em blocos, considerando-se abordagens relativas a princípios éticos e perspectivas teóricas, práticas psicossociais na comunidade, bem como práticas, falas e sentimentos que dizem respeito aos jovens. Por último, um olhar a partir da Teoria Crítica sobre publicidade e subjetividade.

Luisa Ripa, da Universidad Nacional
de Quilmes, Argentina, em Ética do reconhecimento e direitos humanos: um espaço para pensar novos discursos, retoma teses de Paul Ricoeur sobre ética, reconhecimento, direitos humanos e sofrimento. Vê nessa última tese a reunião de propostas ético-antropológicas anteriores, voltadas a novos sentidos de mundo e humanidade.

Fernando Luis González Rey, da UniCEUB, Distrito Federal, em O que oculta o silêncio epistemológico da Psicologia?, analisa, na história da Psicologia, os usos da teoria, da epistemologia e do método. Alerta contra distorções ateóricas, dogmáticas e instrumentalistas que desembocam no mau uso tanto da teoria quanto da empiria e


propõe a realização de pesquisas qualitativas cultural-históricas, com ênfase na subjetividade.

Em Construção do Conhecimento em Psicologia: Análises Críticas sobre a Avaliação Psicológica, Pollianna Galvão Soares e Valdirene Daufemback (UNB - Universidade Nacional de Brasília) discutem os pressupostos epistemológicos que subsidiaram a construção de algumas abordagens do conhecimento psicológico no seu curso histórico, destacando contrapontos críticos e reflexivos acerca da ciência psicológica predominante.

Em Psicologia Comunitária e Política: entre a autonomia e o Estado, Domenico Uhng Hur, da UFG, Goiás, problematiza a atuação de psicólogos em serviços de políticas públicas, vendo-os na intermediação entre população e Estado, entre o fomento à autonomia e a prática heterônima. Distingue o psicólogo comunitário, aquele voltado à autoanálise e à autogestão, do psicólogo na comunidade, segundo ele, um técnico apolítico.

Em O abuso e dependência de drogas no território: desafios e limites dos Agentes Comunitários de Saúde de uma Unidade de Saúde da Família, os autores Pedro Henrique Leonetti Habimorad e Sueli Terezinha Ferreira Martins (UNESP - Universidade Estadual Paulista), problematizam as políticas públicas brasileiras de atenção à saúde do usuário de drogas, buscando compreender como os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) de uma Unidade de Saúde da Família de município no interior paulista concebem suas práticas de atenção ao usuário abusivo ou dependente de drogas.

O relato Promoção de saúde bucal de crianças e adolescentes: experiência interdisciplinar no programa saúde na escola apresenta experiência interdisciplinar em que uma intervenção grupal desenvolvida em Aracaju por Andréia Poschi Barbosa Torales, Igor Soares Vieira e Cristiane Costa da Cunha Oliveira (UNIT - Universidade Tiradentes) foi determinante para a obtenção de menor resistência e maior aceitação por parte dos alunos da avaliação de sua saúde bucal.

No artigo Escala de Empatia Focada em Grupos: Evidência Psicométrica em Jovens Civis e Militares, Nilton S. Formiga; Lilian K. de S. Galvão; Miriane da S. Santos Barboza; Cleonice P. dos S. Camino (UFPB - Universidade Federal da Paraíba) consideraram amostras distintas de jovens estudantes do ensino médio da cidade de João Pessoa-PB para estudar o fenômeno da empatia com relação a grupos em sofrimento através da Escala de Empatia focada em Grupos (EEG).



Oficinas de videogame como dispositivo de compartilhamento em um serviço de saúde mental é o título do artigo de Carlos Baum
e Cleci Maraschin, da UFRGS, Rio Grande
do Sul, que analisaram os efeitos de compartilhamento envolvendo jogos, jogadores, participantes das oficinas e cultura de videogame em mudanças no dispositivo psiquiátrico, produzindo novos discursos e novos espaços de afinidade no hospital.

O artigo de Maria Clara Jost de Moraes Vilela, da PUC-Minas, Prisioneiros do sem-sentido: o sofrimento psicossocial e existencial de adolescentes autores de ato infracional, busca compreender, a partir de uma abordagem teórica multidisciplinar com ênfase fenomenológica e de entrevistas com rapazes-adolescentes autores de ato infracional, o sofrimento psicossocial e existencial deles. Suas queixas de esvaziamento do horizonte de sentido levam a autora a propor caminhos de intervenção psicossocial visando ao enfrentamento dessa problemática.

Tomando a Teoria Crítica como eixo teórico-metodológico, Valdemir Pereira de Queiroz Neto, Maria de Fátima Vieira Severiano (UFC - Universidade Federal do Ceará), autores de Consumo e Subjetividade: uma Análise do Encantamento Narcísico na Publicidade de Coloração Capilar, analisam o discurso da publicidade de cosméticos e suas implicações psicossociais como instância legitimadora da subjetividade humana, sob a égide da “Cultura do Narcisismo”.

A Revista, como de hábito, encerra-se com a seção Publicações Recentes, listando livros novos dedicados a pesquisas e práticas psicossociais.

Nesse número, despedimo-nos de Cláudio Domingos de Souza que, por cerca de três anos secretariou a revista e, com dedicação, a enriqueceu, buscando indexadores e outros aprimoramentos. Desejamos a ele sucesso em suas novas funções em Formosa, Goiás.
A revista passou a ser secretariada por Thales Alberto Fonseca Vicente, ainda “aprendiz de feiticeiro”. Conta também, agora, com parcerias com o Núcleo de Ensino a Distância (Nead), da Universidade Federal de São João del-Rei, que promete apoio tanto nas revisões de língua portuguesa quanto técnicas.
Desejamos que vocês se sintam provocados à leitura e à discussão.
Maria de Fatima Aranha de Queiroz e Melo

Marcos Vieira-Silva

Marília Novais da Mata Machado

Endereço para correspondência:

Laboratório de Pesquisa e Intervenção

Psicossocial (Lapip/UFSJ)

Praça Dom Helvécio, 74



São João del-Rei - MG - CEP: 36.301-160



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Pesquisas e Práticas Psicossociais, 8(1), São João del-Rei, janeiro/junho 2013



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