Queimadas descontroladas em Gorongosa: Caça furtiva termina numa tragédia



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Tragédia causada pela caça furtiva

Queimadas descontroladas em Gorongosa: Caça furtiva termina numa tragédia


A TRADICIONAL prática da caça furtiva protagonizada pelas comunidades rurais resultou em pesadelo no distrito de Gorongosa, em Sofala. Com efeito, em menos de uma semana, intenso fogo provocado por queimadas descontroladas, cujos autores andam a monte, fez um incalculável prejuízo humano e material.

Maputo, Terça-Feira, 26 de Setembro de 2006:: Notícias



 

O mais grave ainda é que o facto aconteceu numa altura em que maior parte dos camponeses se encontra envolvida na colheita da sua produção agrícola, principalmente na debulha da mapira em campo. Mas para aqueles que já o fizeram, com os celeiros a abarrotar de cereais não escaparam desta desgraça, ficando a produção reduzida a cinzas.


Na verdade, foram devoradas extensas áreas de machambas e florestas, facto que também deixou em risco todo o ecossistema do Parque Nacional da Gorongosa, embora a autoridade daquela estância turística tenha minimizado tal cenário sombrio. Como se sabe, Gorongosa lidera a produção agrícola a nível da província de Sofala, sendo assim fornecedor ao mercado nacional.
Só para ilustrar a fertilidade daqueles solos aráveis, Gorongosa é por excelência distrito que produz grandes quantidades da cannabis sativa, vulgo soruma, batatas, feijões e diversas hortícolas.
Dados preliminares recolhidos pelo Instituto Nacional de Gestão das Calamidades (INGC) apontam que o fenómeno devastou uma área calculada em mais de 20 quilómetros quadrados, num distrito com a superfície total de 7659 quilómetros quadrados.
Da área atingida pela queimada, mais de seis quilómetros quadrados pertencem ao Parque Nacional de Gorongosa, local donde começou o fogo posto. O problema de fundo é que vivem naquele local de conservação de aproximadamente 7760 quilómetros quadrados cerca de 15 mil pessoas, cuja actividade da sua sobrevivência é a caça furtiva.
Roberto Zolho, administrador daquela estância turística, explicou que o intenso fogo que ainda se faz sentir no terreno foi ateado a 15 de Setembro corrente, atacando o santuário daquela reserva. Numa tentativa de debelar as chamas, foram então mobilizados dois camiões-tanques, cujos resultados se mostraram infrutíferos, acção dificultada pela ventania que sopra na região. Felizmente, o Parque Nacional da Gorongosa ainda não registou prejuízos de maior relevo, mas alguns "habitats" dos animais foram afectados, embora sem danos.
Numa observação aérea pode-se ver nuvens de fumo por todo aquele distrito, sobretudo nas zonas norte e sul. Para já, a serra de Gorongosa está completamente a arder, mas o administrador daquele distrito, João Oliveira, afirma que o perigo já passou, pois, segundo ele, neste momento as chamas fustigam zonas consideradas desabitadas.
José Dambiro, director regional centro do INGC, chegou mesmo a considerar aquela acção de um crime punível pela legislação em vigor no país, incitando a necessidade de se identificar os respectivos prevaricadores para uma punição exemplar. Por outro lado, convidou a todas as instituições do Estado a unirem esforços na educação comunitária sobre o perigo das queimadas descontroladas que, efectivamente, põem em risco toda a biodiversidade.
Ele acredita que o pior podia ser evitado mormente na perda de vidas humanas. Lamentou ainda o facto de as comunidades rurais ainda não se aperceberem que qualquer queimada descontrolada acarreta consigo imensos prejuízos humanos e materiais como foi neste caso vertente.

Estado de penúria


Maputo, Terça-Feira, 26 de Setembro de 2006:: Notícias

 

Na verdade, mais de 500 pessoas viram seus bens a serem consumidos pelo fogo, ficando completamente num estado de penúria. Como se não bastasse, também foram devoradas vidas humanas, casas, celeiros, mapira em campo, entre outros prejuízos directos e indirectos.


Vários camponeses abordados pelo "Notícias" no terreno confessaram que alguns deles escaparam da morte de forma incrível. A título de exemplo, as chamas chegaram mesmo a atravessar de uma para outra berma da chamada estrada centro-nordeste, que é o prolongamento da EN-1.
Numa observação nocturna, o distrito de Gorongosa fica completamente iluminado, como de dia se tratasse. Viajando pela Estrada Nacional Número Um, no troço compreendido entre Mueira e ponte sobre o rio Púnguè, pode-se ver naquele distrito manchas de fogo intenso.
Bastou à nossa equipa da nossa Reportagem escalar à povoação de Mazimachena para avaliar o drama que o fogo deixou em Gorongosa. De facto, o cenário é deveras doloroso no seio dos infortunados.
Ninguém sabe explicar como começou a estória, mas Roberto Zolho apontou que tudo partiu na parte sul do santuário do Parque Nacional da Gorongosa, tendo inclusivamente atacado a zona do acampamento turístico de Chitengo e uma parte da planície e lado do lago Urema, que é o mirador dos hipopótamos. O Governo, através do INGC canalizou a primeira ajuda de emergência para alguns afectados já identificados.
Por outro lado, aquela instituição descreve o cenário como sendo a pior queimada registada na história da província de Sofala.
HORACIO JOÃO


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