Quem conta um conto aumenta, diminui, modifica. O processo de escrita do conto lobatiano



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Com Paulo Prado participando da direção da Revista, a partir de janeiro de 1923, novos rumos lhe são dados, sendo o mais explícito a inclusão de mais uma seção “fixa”: “Crônica de Arte”, assinada por Mário de Andrade36.

Outro aspecto que neste número (no 85) nos chama a atenção é a predominância — como nunca antes houvera — de textos literários ou referentes a literatura. Este número é composto, além do editorial e das seções fixas, por 12 textos, sendo 5 literários (“Um homem honesto”, conto de Lobato; “Oração à Bandeira”, poema de Pethion Villar; “O Colar de Moran”, crônica de Martim Francisco; “O Leproso”, conto de Oliveira e Sousa; e “A Entrevista”, conto de Braz da Silveira) e 3 de estudos literários (“Notas Científicas”, de Arthur Neiva; “Crônica de Arte”, de Mário de Andrade; e “Literatura Escolar”, de Americo Bruschini), ocupando, numericamente, quase 70% do corpo livre da revista, ou seja, das páginas não destinadas às seções fixas, ou 49 páginas das 96 do número todo.

O que estes números indicam é a predominância do artístico-literário sobre qualquer outro domínio que até então a revista veiculava — predominância que aí se inicia e que se mantém em números subseqüentes.

Percebe-se ainda, no ano de 1924, a abrangência que as seções fixas vão tendo na revista, ocupando maior número de páginas que nos tempos iniciais, e, conseqüentemente, reduzindo o espaço destinado aos artigos do corpo da revista. Seria já um sintoma de crise da revista e da editora? Talvez não desta, porque uma dessas seções que teve aumentado seu número de páginas e sua importância foi justamente “Bibliografia”, em que se lêem resenhas de obras lançadas naquele momento, sendo muitas delas da editora Monteiro Lobato & Cia, principal editora realmente nacional do período37. Em janeiro de 1924, por exemplo, as 13 páginas ocupadas pela seção trazem, além de uma lista de livros recebidos, resenhas de 14 obras, sendo 8 delas da citada editora. Em fevereiro do ano seguinte, a seção ocupa 12 páginas com resenhas menores, sendo 16 da mesma editora, já então chamada Companhia Gráfico-Editora Monteiro Lobato, todas editadas entre 1924 e 1925. A crise, ao que nos parece, incide preferencialmente sobre a Revista. O n.° 113, datado de maio de 1925, seria o último exemplar desta 1ª fase.

O aspecto cultural da Revista do Brasil dá a ela uma importância fundamental naquele início de século: a de difusora de idéias e formadora da intelectualidade nascente. A diversidade de domínios e assuntos presentes nas páginas da Revista permite-nos ter contato com uma parcela significativa das preocupações que agitavam aquele momento histórico, possibilitando uma reconstrução das linhas gerais do ambiente cultural de então e dos temas que possivelmente influenciaram não só a criação literária dos seus colaboradores mas também os seus leitores.

A hipótese de que a Revista do Brasil fosse um órgão difusor/formador da intelectualidade parece-nos sustentável por dois motivos:

a) pela importância dos nomes que ali figuravam periódica ou eventualmente;

b) pela duração da Revista com a permanência do mesmo aspecto, em linhas gerais, o que nos faz supor uma aceitação minimamente duradoura por parte do público-leitor desse período.

Outros estudos sobre periódicos também atribuíram grande importância à Revista do Brasil. Dentre eles, destaca-se o de Cecília de Lara, que, ao tratar dos nacionalismos de periódicos modernistas, refere-se à Revista do Brasil como “fator obrigatório na formação dos intelectuais que atuaram na época modernista”38. Também Orlov, em seu detalhado trabalho, caracteriza:


“Periódico mensal de cultura, a Revista do Brasil constituiu-se não só em veículo de difusão de certa parcela da literatura brasileira da época, mas principalmente da cultura nacional e da informação em nível nacional e internacional dos assuntos da época.”39
Além desses motivos, teríamos ainda algo mais a acrescentar para angariar adeptos à nossa hipótese: trata-se da permanência do tema central da Revista do Brasil — o nacionalismo (e, particularmente, o paulistanismo) — na produção literária do período e, ainda, como bandeira de outras revistas dessa primeira metade do século (dentre as quais as modernistas Klaxon, Novíssima, Estética e Terra Roxa e outras terras). Tal semelhança ou coincidência estende-se do tema aos colaboradores, que circulavam entre os diferentes periódicos.

O aspecto cultural e diferenciado da Revista do Brasil, ao lado de seu papel de formação e difusão de idéias, parece-nos, são responsáveis por sua grande importância no panorama cultural (e, portanto, literário) das primeiras décadas do século XX no Brasil. Na condição de colaborador, dono ou diretor da Revista do Brasil, Monteiro Lobato deve ter lhe conferido algumas de suas características, como também pode ter sido influenciado pelos rumos do periódico. Sua atuação, sobretudo quanto à produção literária, é estudada a seguir.


1.3. Monteiro Lobato na Revista do Brasil:

de colaborador a dono-diretor
Antes de ter-se tornado dono e diretor da Revista do Brasil, Lobato já havia participado de outros periódicos como literato, crítico de arte, articulista e desenhista. Desde os primeiros anos do século, escrevia em O Minarete40, jornal em que ensaiava sua primeiras produções, nada convencionais, segundo indicam as referências do escritor a “um romance absurdo, de capítulos curtinhos e esquizofrênicos”, chamado Lambeferas, ou ainda a O Queijo de Minas ou a História de um Nó Cego, romance escrito “a quatro mãos”, com Godofredo Rangel.41

Apesar de ser apenas um iniciante, Lobato já revelava, nestes escritos, preocupações que seriam sua marca por muito tempo. Dentre elas, a preocupação com o leitor:


“Proponho-te escrevermos com mais assiduidade no Minarete. Coisas leves com diálogos — o diálogo areja. Coisas que interessem aos leitores, coitados, sempre tontos com isto de escrevermos sempre para nós mesmos, sem a mínima consideração para com eles, os sustentadores do jornal.”42
De fato, Lobato envolveu-se com a produção d’O Minarete, mas o periódico que mais receberia as atenções do escritor surgiria apenas na década seguinte. Seu interesse por periódicos e, mais especificamente, pela direção deles, já era antigo. Em 1909, faz referência ao assunto:
“o negócio mais importante em que ando às portas é a compra, por um grupo, dum jornal de São Paulo e eu iria para o comando literário. Se isso se realizar, meu Rangel, tu estás feito.”43
A realização do sonho demoraria a chegar. Nesse meio-tempo, Lobato faria seu nome tornar-se público, disseminando-o pelos mais diversos periódicos, grandes e pequenos, em São Paulo e no Rio. Quando a Revista do Brasil começa a se tornar um projeto realizável, ainda sob o nome de Cultura, Lobato idealiza novamente um grupo, talvez nos moldes do antigo Cenáculo, de que fizera parte juntamente com Rangel:
“Que belo jornal ou revista panfletária faríamos nós, do nosso grupinho, acrescido do Plínio Barreto, do Heitor de Morais e mais uns tantos rebeldes sem medo de chegar fogo aos estopins!...”44

ou ainda:

“Está me ganhando um azedume que só terá esgotos em jornal próprio. Acabo montando um, ou uma revista na qual só eu mande e desmande.”45
O interesse era fugir às amarras censoras da direção do jornal, da opinião pública, dos amigos — que jamais desapareceriam por completo, mas que viriam a ser minimizadas. Antes que isso se realizasse, porém, Lobato começou sua colaboração na Revista do Brasil, elogiada por ele desde seu início (apesar de suas críticas a O Estado). A leitura do primeiro número, fundamental para a definição das propostas da Revista, agrada-o sem restrições:
“Já viste a Revista do Brasil? É caso de tomares uma assinatura. Nasceu de boa estirpe, está bem aleitada pelo Estado, é a única nesse gênero em todo o país — e é nossa. Já no segundo número devo ocupar-lhe dez páginas com um conjunto de monjolos e monjoleiros, coisa muito buquirana, daqui — Chóó-pan. Vou acampar na revista e ficar lá à tua espera, para glória do Cenáculo. (...) e toca para frente. A frente agora é a Revista do Brasil.”46
Pelo tom das cartas, Lobato parece estar muito à vontade na nascente revista, mesmo sendo apenas mais um colaborador. Tem liberdade para fazer sugestões a Pinheiro Jr., e é tão freqüente sua produção para a Revista que chega a reclamar de sua insaciedade:
“Se tens aí algum esqueleto de conto encostado e que não queiras aproveitar, manda-mo, que o revestirei de carnes e jogarei com ele para cima da Revista. Aquilo está se tornando um Moloch insaciável. Querem dar um conto meu em cada número, como se eu fosse uma máquina.”47
De fato, Lobato publicou nove contos na Revista do Brasil desde sua fundação até abril de 1918. Seguiu-se a isso, então, um período de 4 meses sem que o escritor voltasse a publicar seus contos no periódico. No entanto, esse período seria dos mais frutíferos para sua carreira, para a Revista e para o movimento editorial brasileiro. Convidado para dirigir a Revista, Lobato acabou comprando-a (plano acalentado em segredo pelo menos desde novembro de 191748) em maio de 1918. Em julho, lançaria a primeira edição de Urupês, em que estariam presentes os nove contos citados, além de três outros não publicados na Revista e do famoso artigo que deu nome à obra.

Foram possivelmente os negócios para a compra da Revista e a edição de Urupês (e sua revisão, para a 2ª edição, já no final do mesmo mês de julho) que interromperam a publicação dos seus contos.

Não foi só literária a contribuição lobatiana na Revista do Brasil. Publicava aí, ainda, artigos de atualidade, crítica de arte e resenhas, com produtividade intensa e interessante mesmo nos anos de 1916 a 1918, anteriormente, portanto, à aquisição do periódico, o que novamente nos permite notar que não era pelo fato de ser dono da Revista que iria ter grande espaço nela. Esse espaço já havia sido conquistado.

Ainda que a entrada de Lobato na Revista do Brasil tenha-lhe imprimido algumas mudanças importantes, a essência do primeiro editorial permanece depois de 1918. Quando isso não acontecia, a preocupação do diretor dava indícios de seu envolvimento com o ideário do periódico.

Em 1917, por exemplo, ele reclamaria:
“A Revista está se afastando do seu programa. Neste número só falamos de coisas nossas o Medeiros e eu. Tudo mais é coisa forasteira. Anda a nossa gente tão viciada em só dar atenção às coisas exóticas, que mesmo uma “revista do Brasil” vira logo revista de Paris ou da China. Nascida para espelho de coisas desta terra, insensivelmente vai refletindo só coisas de fora.”49
O nacionalismo já estaria no centro de suas preocupações anos antes de a Revista aparecer. Preocupação não só sua: como vimos, o tema era abordado por outras revistas, enfaticamente; permeou os acontecimentos de fevereiro de 1922 e os que lhe deram origem; fundamentou a criação do futuro símbolo, o Jeca Tatu. Embora pudéssemos verificar a existência de diferentes tipos de nacionalismos neste início de século, no Brasil, o nacionalismo de Lobato parece-nos semelhante, em alguns aspectos, ao da Revista do Brasil, proclamado pelo editorial50, sobretudo no que se refere à crítica à dependência ao estrangeiro, à crítica ao desconhecimento ou à romantização das tradições nacionais e ao reconhecimento do “estado mórbido” em que se encontrava o país.

Não é difícil encontrar nos contos e artigos do escritor referências a fatos ou personalidades da época, presentes também nas páginas da revista. Conscientemente ou não, talvez a produção literária para ser publicada em periódicos tenha recebido influências deste veículo e, de alguma forma, tenha-se adaptado a ele. Por enquanto, consideremos esta afirmação como uma hipótese.


1.4. Corpus: produção e reprodução
As décadas de 10 e 20 foram fundamentais para a produção literária de Monteiro Lobato, que viu, dia a dia (ou talvez fosse melhor dizer texto a texto) um crescimento considerável do público-leitor tanto dos periódicos quanto dos livros. Essa formação gradual de um público, ao lado da maciça campanha editorial empreendida desde 1918, foi o que possibilitou o estouro de Urupês, um fenômeno editorial para a época.

Paralela à formação dos leitores, dava-se, também, a formação de uma imagem do escritor nos textos e nas impressões de leitura por eles causadas. Tal imagem, que interfere muitas vezes no tipo de leitura que se faz da obra, ia sendo formada a partir de seus textos publicados. Da mesma maneira que é gradual a construção e consolidação da imagem do escritor, também o texto é gradualmente construído. Durante as três décadas que separaram a primeira edição em livro e a definitiva, muitas mudanças foram acrescentadas ao texto literário.

Dentre os diversos literatos que contribuíram com publicações para a Revista do Brasil, Lobato foi o mais assíduo. Publicou, nos quase dez anos de existência da Revista, vinte e nove dos seus contos que posteriormente apareceriam em Urupês, Cidades Mortas, Negrinha, O Macaco que se Fez Homem e Na Antevéspera, além de excertos do que seria parte de sua literatura para o público infantil. Os contos só teriam edição definitiva, com texto fixado pelo próprio autor, na década de 40, conforme historiza Marisa Lajolo:
“Cidades Mortas e Negrinha têm origem muito improvisadas: resultam da copilação de textos mais antigos e originalmente publicados nas mais diferentes situações. Nos arredores dos anos 20, Lobato, imerso na vertigem editorial, não acha tempo para rever nada e, faltando-lhe material propriamente ficcional, começa a publicar todos os seus fundos de gaveta. E não é só isso. As sucessivas reedições de sua obra impõem novas organizações do material nelas aproveitado, gerando deslocamento de textos de um livro para o outro, acréscimo de textos novos, cancelamento de outros, numa instabilidade textual que não está muito longe de configurar uma forma de reificação da literatura.

O desnível do resultado é evidente. O leitor percebe que muitos textos não estão em ponto de bala e nunca ficarão, mesmo na versão final que vem à luz na década de 40; nessa época, a publicação de suas Obras completas pela Editora Brasiliense dá chance ao escritor de uma revisão geral de tudo, com vistas à fixação definitiva de sua obra, por ele mesmo distribuída em duas séries, a infantil e a adulta.”51


A carta da editora apresentando a proposta de edição das Obras Completas também é um documento importante da história da edição dos livros de Lobato:
“Essa coleção será apresentada ao público como a edição definitiva das obras completas de Monteiro Lobato. Os originais que servirem para a composição da mesma serão autenticados pelo autor e ficarão arquivados nesta Editora. No caso da dissolução da firma, esses originais terão o destino que o autor julgar mais conveniente.”
Na página seguinte, apresentamos a listagem dos contos escritos por Lobato e publicados na Revista do Brasil, com informações referentes a: (1) publicação na Revista do Brasil, que passaremos, a partir de então, a chamar de versão A; (2) primeira edição em livro, versão B; e (3) edição das Obras Completas, versão C.

(Lembremos que Urupês teve sua primeira edição em 1918, Cidades Mortas em 1919, Negrinha em 1920, e O Macaco que se fez Homem em 1923. As Obras Completas foram publicadas em 1946, pela Companhia Editora Nacional.)

A simples disposição dos contos na tabela já nos faz perceber a existência de alguma regularidade: observe-se que a ordem de publicação dos contos na Revista do Brasil (versão A) corresponde a uma certa ordem de edição. Assim, os nove primeiros contos publicados na revista fizeram parte de Urupês; da mesma forma, os contos de números 10 a 18 foram editados em Cidades Mortas; e os sete últimos (com exceção do 24o) compuseram O Macaco que se Fez Homem. Alguns outros não fizeram parte da 1a edição destas obras (19o, 21o e 24o), apesar de estarem presentes em edições posteriores e na edição das Obras Completas; e um último, ainda, está presente na 1a edição de Negrinha (20o).

São estes os contos que analisaremos nos capítulos seguintes. Da comparação das diferentes versões, procuraremos acompanhar algumas fases do processo de produção do conto lobatiano.


Os contos da Revista do Brasil em três versões:


versão A (1916 a 1923)

(título e data da publicação)



versão B

(1918 a 1923)

versão C

(1946)

1. A vingança da peroba, 03/1916

Urupês (título: Chóóó! Pan!)

Urupês

2. Bocatorta, 08/1916

Urupês

Urupês

3. Colcha de retalhos, 12/1916

Urupês

Urupês

4. A gargalhada do coletor, 04/1917

Urupês (título: O Engraçado Arrependido)

Urupês / idem

5. Pollice Verso, 06/1917

Urupês

Urupês

6. Cavalleria Rusticana, 08/1917

Urupês (título: Os Faroleiros)

Urupês

7. O mata-pau, 12/1917

Urupês

Urupês

8. O comprador de fazendas, 03/1918

Urupês

Urupês

9. O estigma, 04/1918

Urupês

Urupês

10. Pedro Pichorra, 09/1918

Cidades Mortas

Cidades Mortas

11. O plágio, 10/1918

Cidades Mortas

Cidades Mortas

12. O imposto único, 12/1918

Cidades Mortas

Negrinha (título:O Fisco)

13. O caso do tombo, 02/1919

Cidades Mortas

Cidades Mortas (título: Júri na Roça)

14. O fígado indiscreto ou o rapaz que saía fora de si, 03/1919

Cidades Mortas (título: O Fígado Indiscreto”)

Cidades Mortas / idem

15. Gramática viva, 06/1919

Cidades Mortas

Cidades Mortas (título: O Pito do Reverendo)

16. Por que Lopes se casou, 08/1919

Cidades Mortas

Cidades Mortas

17. O espião alemão, 09/1919

Cidades Mortas

Cidades Mortas

18. O luzeiro agrícola, 11/1919

Cidades Mortas

Cidades Mortas

19. Romance do chupim, 03/1920

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Cidades Mortas

20. Drama da geada, 08/1920

Negrinha

Negrinha

21. Uma história de mil anos, 11/1922

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Negrinha

22. O bom marido, 12/1922

O Macaco que se Fez Homem

Negrinha

23. Um homem honesto, 01/1923

O Macaco que se Fez Homem

Cidades Mortas

24. O despique, 02/1923

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Na antevéspera

25. Duas cavalgaduras, 03/1923

O Macaco que se Fez Homem

Negrinha

26. Fatia de vida, 04/1923

O Macaco que se Fez Homem

Negrinha

27. Tragédia de um capão de pintos, 07/1923

O Macaco que se Fez Homem

Cidades Mortas

28. O rapto, 08/1923

O Macaco que se Fez Homem

Cidades Mortas

29. Era no paraíso, 09/1923

O Macaco que se Fez Homem

Cidades Mortas


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