Quem dá aos pobres, empresta a Deus



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Quem dá aos pobres, empresta a Deus”: apelo à caridade e pROMOção de educação profissional católica na Bahia do século XIX
Francisco Sales da Cunha Neto1

salescunha.neto@gmail.com


RESUMO

Neste artigo pretendemos analisar, no discurso de lideranças católicas da Bahia do final do século XIX, os argumentos favoráveis à promoção de educação profissional para crianças desvalidas em Salvador. Para isso, serão apreciadas cartas pastorais e pessoais da época destinadas a mobilizar os fiéis para a serviço da caridade, favorecendo a arrecadação de recursos para a construção do Liceu Salesiano do Salvador.



Palavras-chave: Pensamento social católico. Educação profissional. Padres e irmãos salesianos.

Aos 17 de junho de 1896 o Jornal da Bahia noticiava solene evento realizado numa das salas do palácio arquiepiscopal. Nele estavam presentes o arcebispo, membros do clero baiano, autoridades políticas, integrantes das Sociedades de São Vicente de Paulo e São Francisco de Sales, representantes da imprensa e algumas senhoras. O referido evento, de acordo com o artigo, tratava-se da Conferência Salesiana e tinha dois objetivos: inaugurar em Salvador a Pia Associação dos Cooperadores Salesianos e ler apelo de Dom Jerônymo Thomé da Silva, conduzido aos baianos, pela fundação de um internato para a educação de crianças, adolescentes e jovens desvalidos. O boletim salesiano, periódico de autoria da Pia Sociedade de São Francisco de Sales, oferecia detalhes a respeito:


(...) Depois de vários cânticos o Excelentíssimo Prelado expôs um eloqüente discurso o escopo e vantagens da Pia Associação e incitou a todos a dar o próprio nome para apressar com ajudas materiais e morais a vinda dos Salesianos para a Bahia. Todo o seu discurso, pleno de afeto pelos Salesianos foi escutado com reverência e atenção não só, mas vai produzindo muitos frutos (...). (BOLETIM SALESIANO apud SILVA, 2000, p.367).
A organização da Pia Associação de Cooperadores Salesianos foi uma das estratégias adotadas por lideranças católicas para mobilizar religiosos e leigos na campanha de arrecadação de recursos financeiros, visando a criação de uma escola de artes e ofícios em Salvador a ser conduzida por padres da Pia Sociedade São Francisco de Sales, instituição criada por João Melchior Bosco, padre que se dedicou à educação de crianças e jovens da periferia de Turim, Itália, no século XIX.
De acordo com Araújo (1983, p. 37), a ideia de trazer os padres e irmãos salesianos para Salvador partiu do então presidente da Pia Sociedade de São Vicente de Paulo no ano de 1892:
Transcorria o ano de 1892, quando o General Dr. José Leôncio de Medeiros, então presidente da Conferência da Santa Mãe de Deus e do Conselho Particular, empolgado pela leitura de um livro que noticiava os progressos surpreendentes da Congregação Salesiana no orbe – livro este que lhe chegara às mãos por intermédio do confrade Carlos Silva – não podendo conter o entusiasmo que o fazia vibrar, comunica após palestrar com os confrades, ao Conselho Particular desta cidade, reunido em sessão ordinária, em agosto desse mesmo ano, a resolução que concebera de estabelecer em nosso meio a Obra de D. Bosco. Acolhida com verdadeiro entusiasmo, a idéia é posta em execução. (ARAÚJO, 1983, p.37).
Para Silva (2000, p.108-109) as Associações Vicentinas ou Conferências de São Vicente de Paulo2 foram umas das grandes benfeitoras e propagadoras da Congregação Salesiana em diversos países, inclusive no Brasil. O mesmo autor aponta o protagonismo destas na criação de Liceus Salesianos de Artes e Ofícios em várias cidades brasileiras, tais como Niterói, São Paulo e Recife.
Esse projeto contou com o apoio de Dom Jerônymo Thomé da Silva que, estando na Itália em 1896, teve a oportunidade de conhecer a educação profissional oferecida pelos salesianos.
Quando no anno passado fomos a Roma Videre Petrum na pessoa do augusto Pontifice Leão XIII, ligeira excursão que fizemos pela Itália offereceu-nos o grato desejo de visitar a casa de D. Bosco em Turim.

Alegremente recebido pelo seu sucessor o Rvmo. Sr. Padre D. Miguel Rua, percorremos todo o estabelecimento que conta para mais de dous mil alimnos. Vimos officinas de sapateiros, de ferreiros, marceneiros, alfaiates; vimos prelos a vapor, typographias bem montadas, segundo o systema moderno, salas immensas para compositores e encadernadores de livros; vimoos estamparias de musicas e inúmeras obras nitidamente impressas em varias linguas.

Notamos que os meninos alegres, fortes e robustos procuravam, cada qual, dar conta de sua tarefa. Tudo ali tem vida, tudo trabalho, tudo glorifica a Deus”. (SILVA apud SILVA, 2000, p.375).
Dom Jerônymo Thomé teceu esse relato na carta de apelo aos fiéis para a fundação de um Colégio Salesiano na Cidade de São Salvador da Bahia. Nela, também expôs que, por ocasião da referida visita, compartilhou com Dom Miguel Rua sobre a necessidade de um estabelecimento de Salesianos na Diocese da Bahia, a boa vontade do governo e os esforços empregados pela Sociedade de São Vicente de Paulo e que o mesmo havia dado a ele esperanças a respeito, especialmente quando as circunstâncias permitissem3.
A carta de Apelo elaborada por Dom Jerônymo Thomé era uma resposta da Igreja Católica na Bahia aos desafios presentes na sociedade do século XIX, resultantes das mudanças nas relações de trabalho e que despertavam a preocupação das elites naquele período. Dentre eles, o arcebispo focalizava a ameaça à ordem social. A esse respeito afirma o arcebispo:
A sociedade hoje atravessa um momento dolorosamente critico. Por toda parte inquietações, por toda parte discórdia, por toda parte desobediência, àquelles que administram os negócios públicos.

Não há garantia sequer para suas pessoas. Os homens sensatos tremem horrorisados pelo futuro da sociedade e proclamam a religião como o unico remedio para impedir o movimento da onda do anarquismo que cresce e ameaça, na sua passagem destruidora, solapar os fundamentos da ordem social. (SILVA , 2000, p.371).


Em 1891, o Papa Leão XIII publicou a encíclica Rerum Novarum, definindo a posição da Igreja Católica diante da opressão sofrida pelo operariado no século XIX. Nela, fica clara a oposição do catolicismo ao pensamento socialista, especialmente a respeito da propriedade privada e da luta de classes4. Leão XIII (2005, p.10) entende que o problema enfrentado pelos operários não é sem perigos, “(...) porque não poucas vezes homens turbulentos e astuciosos procuram desvirtuar-lhes o sentido e aproveitam-no para excitar as multidões e fomentar desordens”.
A desordem, para Leão XIII (2005, p.38), acontecia quando os operários abandonavam o trabalho ou suspendiam o mesmo por causa das greves. Aí estaria a ameaça à tranqüilidade pública e diante disso seria necessário aplicar com certo limite a força e autoridade das leis. Na Bahia do século XIX, as ruas encontravam-se repletas de homens e mulheres pedindo esmolas, realizando trabalhos temporários, perambulando pelas ruas da cidade, enfim, entregues ao ócio. Aqueles em condições de trabalho, mas sem residência ou emprego fixo eram tachados de vadios e considerados um risco para a ordem social.
A presença de crianças, adolescentes e jovens nas ruas de Salvador, sem devida ocupação e distantes do ambiente familiar também gerava inquietação na elite local. De acordo com o autor, uma série de artigos publicados nos anos de 1895 e 1896 traçava o perfil ameaçador dos menores: vagabundos, trapaceiros, peraltas, ladrões e mentirosos.
Entende Fraga Filho (1994, p. 127) que a expressão “vadio” já comportava uma condenação moral, advinha do fato de estarem fora do domínio familiar e produtivo. Diz o referido autor que o “menino vadio” atentava contra a ordem familiar ao trocar o ambiente doméstico pelo mundo das ruas. Por isso, naquela época era difícil não serem vistos como uma ameaça à ordem social, porque esta era vista notadamente como resultado da ordem familiar.
Para a incômoda presença de meninos e meninas nas ruas foram esboçadas e aplicadas inúmeras soluções tais como punições físicas, emprego em trabalhos compulsórios e recolhimento a instituições religiosas ou ambientes correcionais. Aos poucos, de acordo com Fraga Filho (1994, p.138), o poder público assumiu gradativamente o controle dos menores desvalidos, intervindo no sentido de retirá-los das ruas.
Na época era recorrente a ideia de que crianças e adolescentes eram mais inclinados ao ócio e consequentemente à delinqüência. Por isso, era necessário educar desde a tenra idade, cuidando da formação moral e preparando potenciais trabalhadores. O ócio, na reflexão de Dom Jerônymo Thomé, era um terreno fértil para ações reprováveis moral e socialmente. Entendia ele que:

É na mesma eschola que os indigentes entregam-se ao furto, ao latrocínio, e adquirem o triste diploma de vagabundos, libertinos e, depois de termos envergonhado a sociedade com as mais torpes acções, afinal vão terminar a vida nas enxergas de um hospital ou na escuridão de um cárcere. Na eschola do trabalho porém o homem se engrandece, se nobilita, se avigora e torna-se ornamento da sociedade produzindo com applicação das suas forças o que é necessario e util aos diversos misteres da vida humana” (SILVA, 2000, p.373).

Como podemos notar, Dom Jerônymo opôs a escola do trabalho à escola do ócio. Para aqueles que viviam no ócio, relacionou o fim trágico e, para aqueles que participassem da escola do trabalho, aprenderiam a conservar a existência que, conforme Leão XIII:
(...) é um dever imposto a todos os homens e ao qual se não podem subtrair em crime. Deste dever nasce necessariamente o direito de procurar as coisas necessárias à subsistência, e que o pobre não as procure senão mediante o salário do seu trabalho. (LEÃO XIII, 2005, p.44).

A escola do trabalho em Salvador, preconizada por Dom Jerônymo Thomé finalmente poderia concretizar-se, caso os diocesanos se mobilizassem numa campanha em prol da materialização das Obras salesianas. Para isso, todos foram convocados e instituições religiosas se encarregaram de angariar recursos. Para o arcebispo:


(...) Este procedimento merece os nossos aplausos, porque importa sobreranamente ao Estado que os meninos pobres, que são também rebentos sociaes, sejam arrancados aos perigos da ociosidade, se fortaleçam nas officinas do trabalho para não se encontrarem, mais tarde, a braços com os horrores da miséria, quiçá do crime e do vicio. (SILVA, 2000, p.373).
Concluindo sua carta de apelo, Dom Jerônymo Thomé recomendou o exercício da caridade. Convidou ricos e poderosos a escutá-lo, a sensibilizar-se com a situação de inúmeros meninos derramados pelas ruas de Salvador sem abrigo, olhados com desprezo e escárnio pela maior parte da população. Disse que o auxílio destes seria uma espécie de mão protetora que os livraria das misérias e sugeriu que da fortuna dada por Deus fosse retirada uma pequena parte para beneficiar aquelas crianças infelizes que um dia poderiam ser úteis à humanidade. Por fim, informou:
Por meio de uma Commissão, esta benemérita Sociedade irá brevemente bater à vossa porta.

Abri-a, Filhos dilectissimos, deixando cahir gostosamente nas mãos dos protectores dos pobres o óbolo da caridade, virtude sublime que nos vossos corações é fonte que não se esgota, é chama que não se apaga.

Quem dá aos pobres, empresta a Deus; quem protege os pobres será, como diria Dom Bosco, largamente recompensado por Deus. (SILVA, 2000, p.377).
O convite de Dom Jerônymo Thomé reflete o pensamento de Leão XIII, quando este fala da caridade. Para Leão XIII, “(...) Quem quer que tenha recebido da divina bondade maior abundância, quer de bens externos e do corpo, quer de bens do espírito, recebeu-os com o fim de os fazer servir ao seu próprio aperfeiçoamento (...)”. Além disso, afirmou que quem possuisse superabundância de bens, enquanto ministro da Providência, deveria favorecer o alívio dos outros. (LEÃO XIII, 2005, p.27).
Para as autoridades eclesiásticas mencionadas, a caridade era um dever daqueles que muito receberam de Deus e a sua prática tanto favoreceria o crescimento espiritual dos que doassem, garantindo sua salvação, quanto protegeria crianças desvalidas contra o ócio, a miséria, o crime, a convalescência e a morte. E uma vez tendo a oportunidade de preparar-se para o mundo do trabalho, estes meninos torna-se-iam, nas palavras de João Belchior Bosco, bons cristãos e honestos cidadãos.
Afirma Araújo (1983) que a carta pastoral do Arcebispo reuniu os corações generosos e a Bahia católica interessou-se pela fundação salesiana. Era só iniciar a companhia e apareceriam os meios necessários. À frente da campanha de arrecadação, de acordo com o referido autor, estavam o Cônego Manfredo Alves de Lima, encarregado de intermediar o diálogo entre a comissão e o arcebispo; o General Dr. José Leôncio de Medeiros, representante dos leigos; e a educadora Amélia Rodrigues, líder das mulheres baianas. Os dois últimos ficaram encarregados de recolher as esmolas.
A mobilização da Igreja Católica na Bahia, de acordo com Silva (2000, p.) foi veiculada nos jornais da época. Num exemplar do jornal da Bahia publicado em junho de 1896, por exemplo, dizia-se o seguinte:
Unindo todos os esforços, trabalhando com a palavra e a ação, propagando a idéia, recolhendo os donativos dos ricos e os óbolos não menos necessários dos pobres, o Colégio Salesiano será dentro em breve uma realidade. Que as bênçãos dos céus desçam sobre todos aqueles que protegem a empresa civilizadora, que sejam cumulados de maior prosperidade, nesta de bens materiais e na outra vida. É o voto mais sincero que fazemos. (Jornal da Bahia apud SILVA, 2000, p.368).

Se o objetivo era angariar recursos para a construção do Liceu Salesiano de Artes e Ofícios, não faltaram estratégias para isso. Nesse sentido, foram organizadas conferências, solicitados recursos públicos juntos aos poderes legislativo e executivo, recolhidas doações entre a população, dentre outros.


A campanha contou com a presença mulheres e à frente delas encontrava-se Amélia Rodrigues. De acordo com a leitura de uma série de cartas direcionadas a superiores salesianos instalados em Niterói ou no Recife, publicados por Araújo (1983), Amélia Rodrigues intermediava a vinda dos salesianos para Salvador. Na carta a seguir, por exemplo, vemos a educadora informando aos religiosos sobre a disposição dos católicos baianos para tudo providenciar, favorecendo a implantação do Liceu Salesiano na Bahia.

Bahia, 26 de Junho de 1897.


Ilmo. e Revmo. S. P. Alberti,
Aqui na Bahia o desejo do collegio Salesiano é geral e, direi mesmo, febril. Não sei quando teremos a felicidade de ver entre nós os Salesianos; está me parecendo que a coisa é muito difficil, por parte dos illustres Salesianos. Todos dizem a uma voz que, chegados elles, tudo o mais se arranjará.

Eu recomendo muito a Nosso Senhor nas minhas pobres orações a Congregação de D. Bosco; ainda ontem, dia do S.S. Coração de Jesus, na communhão e em todo o dia rezei por toda Ella; assim Deus me escute as preces! VRma. Queira abençoar esta q. tem grande consolação em ser m.to humilde serva dos Salesianos.


Amélia Rodrigues

Nesta carta Amélia Rodrigues manifestava uma expectativa não apenas sua, mas de todos aqueles que desejam ver concretizada na cidade de Salvador o projeto de educação profissional católica. Mostrava-se também consciente das dificuldades para a realização de tal intento, especialmente pela falta de recursos humanos, isto é, a disponibilidade de irmãos e padres salesianos. No entanto dava garantias da disposição da população soteropolitana em subsidiar financeiramente a obra.


Em 1897, conforme Araújo (1983, p. 39) um ano após o lançamento da carta de apelo de Dom Jerônymo Thomé, a Comissão coordenada por José Leôncio de Medeiros, com a presença do padre salesiano Lourenço Giordano, finalmente providenciou a compra de uma chácara no bairro de Nazaré, atual praça Almeida Couto, para sede o desejado estabelecimento.

Considerações preliminares
Entre 1892 e 1897 notamos um intenso movimento em prol da instalação em Salvador da Educação Profissional Católica. Para isso, as ações da comissão responsável pela articulação de recursos humanos e financeiros, pautaram-se no pensamento social da Igreja Católica, sistematizada em 1891 por Leão XIII. Anos depois, as ideias deste papa ressoaram no apelo de Dom Jerônymo Thomé da Silva. Estava, então, esboçada uma solução de intelectuais católicos para a vadiagem infanto-juvenil em Salvador: educação ainda na infância de meninos para o mundo do trabalho.

Referências

ARAÚJO, Manoel Firmino Nazareno de. Dezesseis lustros a serviço da Educação na Bahia: 1900 – 1980. Salvador: Escolas Profissionais Salesianas, 1983.


FRAGA FILHO, Walter Fraga. Mendigos e vadios na Bahia do século XIX. Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Mestrado em História: Salvador, 1994. (Dissertação de Mestrado).
LEÃO XIII. Rerum Novarum: Carta encícilica de sua santidade o Papa Leão XIII sobre a condição dos operários. 15. Ed. Tradução: Manuel Alves da Silva. São Paulo: Paulinas, 2005.
OLIVEIRA, Luiz de. Inspetoria Salesiana São Luiz de Gonzaga. Volume 1. Recife: Escola Dom Bosco de Artes e Ofícios, 2006.

SILVA, Antenor de Andrade. Os salesianos e a educação na Bahia e em Sergipe – Brasil 1897-1970. Roma: Istituto Storico Salesiano, 2000.


SILVA, Dom Jerônimo da. Appello de Dom Jerônimo Thomé da Silva, arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil, aos diocesanos para a fundação de um Colégio Salesiano na Cidade de São Salvador da Bahia. In: SILVA, Antenor de Andrade. Os salesianos e a educação na Bahia e em Sergipe – Brasil 1897-1970. Roma: Istituto Storico Salesiano, 2000.
SILVA, Antenor de Andrade. Os salesianos e a educação na Bahia e em Sergipe – Brasil 1897-1970. Roma: Istituto Storico Salesiano, 2000.


1 Mestre em Educação pela Universidade Federal do Ceará, Núcleo de História, Memória e Políticas Educacionais.



2 De acordo com Silva (2000, p. 109) as Conferências de São Vicente de Paulo no Brasil eram constituídos unicamente por homens, muitos dos quais provinham da antiga aristocracia rural, da nova burguesia ou da nobreza.

3 Provavelmente Dom Miguel Rua, quando falava de circunstâncias, estava se referindo a disponibilidade de recursos humanos e financeiros. Conforme Oliveira (2006, p.93), aos 12 ou 13 de junho de 1882, o padre Lasagna, representante dos salesianos, esteve na Bahia, procurou manter contato com o arcebispo, mas não conseguiu, uma vez que o mesmo havia sido transferido recentemente e ainda se encontrava no Ceará. Essa foi uma das visitas realizadas pelo referido padre que explorava várias cidades para a implantação da obra salesiana no Brasil.


4 Propriedade privada, para Leão XIII (2005, p.12), é direito natural do homem, conquistado por meio do trabalho. Para o autor, o trabalho se justifica não apenas para prover ao sustento do homem e às suas necessidades vitais, como também o direito de utilizar dos bens conquistas como bem entender. Em relação à luta de classes, compreende como um erro capital considerar as duas classes como inimigas natas uma da outra, “com se a natureza tivesse armado os ricos e pobres para se combaterem mutuamente num duelo obstinado” (...) (LEÃO XIII, 2005, p.21-22). Em contrapartida, afirma que elas estão “destinadas pela natureza a unirem-se harmoniosamente e a conservarem-se mutuamente em perfeito equilíbrio”, pois necessitam uma da outra. Nas suas palavras: “não pode haver capital sem trabalho, nem trabalho sem capital. A concórdia traz consigo a ordem e a beleza; ao contrário, dum conflito perpétuo só podem resultar confusão e lutas selvagens”.




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