Questão 01 Encontra-se aqui uma série de palavras: heroi − bau − peru − raizes − alcool − consciente − boneca − ciencia − saci − area a Copie numa linha as que devem receber acento gráfico, aplicando-o adequadamente, e, em outra linha



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Encontro28.07.2016
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Questão 01)

Encontra-se aqui uma série de palavras: heroi − bau − peru − raizes − alcool − consciente − boneca − ciencia − saci − area.

a) Copie numa linha as que devem receber acento gráfico, aplicando-o adequadamente, e, em outra linha, as que não o recebem.

b) Exponha as razões pelas quais as palavras receberam ou não o acento gráfico.



Gab:

a) herói - baú - raízes - álcool - ciência - área

b) herói - ditongo aberto; baú e raízes - o acento gráfico indica a presença de hiato;

álcool - proparoxítona; ciência e área - paroxítonas terminadas em ditongo recebem acento gráfico;

Peru e saci - oxítonas em i e u não recebem o acento gráfico; consciente e boneca – são paroxítonas, não recebendo acento gráfico.
UMA HISTORIA DE MIL ANOS
Huhu

É como nos invios da mata soluça a juriti.

Dois hus – um toque sobe, outro que desce.

O destino do u!… Veludo verde-negro transmutado em som – voz das tristezas sombrias. Os aborigines, maravilhosos denominadores das coisas, possuiam o senso impressionista da onomatopeia. Urutáu, urú, urutú, inambú – que sons definirão melhor essas criaturinhas solitarias, amigas da penumbra e dos recessos?

A juriti, pombinha eternamente magoada, é toda us. Não canta, geme em ugente um gemido aveludado, lilás, sonorização dolente da saudade.

O caçador passarinheiro sabe como ela morre sem luta ao minimo ferimento. Morre em u

Já o sanhaço é todo as. Ferido, debate-se, desfere bicadas, pia lancinante.

A juriti apaga-se como chama de algodão. Fragil torrão de vida, extingue-se como se extingue a vida do torrão de açucar ao simples contacto da agua. Um u que se funde.


in: LOBATO, Monteiro. Negrinha, 9ª ed.

São Paulo: Brasiliense, 1959, p. 135


Questão 02)

No conto Uma História de Mil Anos, Monteiro Lobato interpreta os valores expressivos dos sons com que representamos o canto dos pássaros, bem como de vocábulos onomatopaicos que a Língua Portuguesa herdou do tupi. Com base neste comentário, responda:

a) Para exprimir relações entre som e sentido, os escritores muitas vezes se servem da sinestesia, ou seja, da mescla de diferentes impressões sensoriais, como por exemplo no sintagma “ruído áspero e frio”, em que se misturam sensações auditivas (“ruído”) e tácteis (“áspero e frio”). Localize, no quinto parágrafo do conto, um sintagma em que ocorre procedimentos semelhante e identifique as impressões sensoriais evocadas.

b) Monteiro Lobato não concordava com as regras de acentuação do Sistema Ortográfico vigente, instituído em 1943, e não as empregava em seus textos. As diversas edições de suas obras têm mantido a acentuação original do escritor. Após reler o texto apresentado, localize duas palavras cuja acentuação não esteja de acordo com a ortografia oficial e mencione as regras a que deveriam obedecer.


Gab:

a) Sinestesia similar à citada no enunciado encontra-se em “…gemido aveludado, lilás…”, em que se mesclam, respectivamente, sensações auditivas, tácteis, e visuais. O sintagma “…sonorização dolente…” também caracteriza uma sinestesia, já que funde sensações auditivas (“sonorização”) e tácteis (“dolente”).

b) Listamos abaixo, na ordem em que aparecem no texto, as palavras cuja acentuação gráfica está em desacordo com o Sistema Ortográfico vigente, seguidas das regras a que deveriam obedecer:

=> historia: paroxítonas terminadas em ditongo são acentuadas. Forma correta: histórias.

=> invios: paroxítonas terminadas em ditongo são acentuadas. Forma correta: ínvios.

=> aborigines: todas as proparoxítonas são acentuadas. Forma correta: aborígines.

=> possuiam: a vogal “i” deve ser acentuada quando, em hiato com a vogal anterior, ocorrer sozinha na sílaba ou junto com o “s”, desde que não venha seguida de “nh”. Forma correta: possuíam.

=> onomatopéias: ditongos tônicos abertos “éi” são acentuados. Forma correta: onomatopéias.

=> Urutáu: oxítonas terminadas em ditongos não são acentuadas. Forma correta: urutau.

=> urú: oxítonas terminadas em vogal “u” não são acentuadas. Forma correta: uru.

=> urutú: oxítonas terminadas em vogal “u” não são acentuadas. Forma correta: urutu.

=> unambú: oxítonas terminadas em vogal “u” não são acentuadas. Forma correta: inambu.

=> solitarias: paroxítonas terminadas em ditongo são acentuadas. Forma correta: solitárias.

=> minimo: todas as paroxítonas são acentuadas. Forma correta: mínimo.

=> as: monossílabos tônicos terminados em “as” são acentuados. Forma correta: ás.

=> fragil: paroxítonas terminadas em “l” são acentuadas. Forma correta: frágil.

=> açucar: paroxítonas terminadas em “r” são acentuadas. Forma correta: açúcar.

=> agua: paroxítonas terminadas em ditongo são acentuadas. Forma correta: água.

Observação: a acentuação das palavras história, ínvios e solitárias também pode ser justificada por meio da regra segundo a qual todas as proparoxítonas são acentuadas.
Questão 03)

O Museu da Língua Portuguesa foi inaugurado em São Paulo, em março de 2006. Na ocasião, houve um erro num painel, conforme a imagem:



Sobre isso, Pasquale Cipro Neto escreveu:

Na última segunda-feira, foi inaugurado o Museu da Língua Portuguesa. Na terça, a imprensa deu destaque a um erro de acentuação presente num dos painéis do museu (grafou-se “raiz” com acento agudo no “i”).

Vamos ao que conta (e que foi objeto das mensagens de muitos leitores): por que se acentua “raízes”, mas não se acentua “raiz”?

(www2.uol.com.br/linguaportuguesa/artigos.)

a) Considerando o contexto social, cultural e ideológico, por que o erro do painel teve grande repercussão?

b) Responda à pergunta que foi enviada ao professor Pasquale por seus leitores.



Gab:

a) Em se tratando de um museu de língua portuguesa, é de se supor que não houvesse erro de grafia.

b) Segundo a regra: acentuamse o i e o u formando hiato com a vogal anterior, seguidos ou não de s na mesma sílaba e não seguidos de sílaba e não seguidos de sílaba iniciada por nh: raízes (i sozinho na sílaba, formando hiato).

Raiz: i seguido de z na mesma sílaba.


As questões a seguir se baseiam no soneto "Solar Encantado", do poeta parnasiano Vítor Silva (1865-1922), num fragmento de uma reportagem da revista "Casa Cláudia" (abril/1999) e na letra do samba "Saudosa Maloca", de Adoniran Barbosa (1910-1982).
Solar Encantado
Só, dominando no alto a alpestre serrania,

Entre alcantis, e ao pé de um rio majestoso,

Dorme quedo na névoa o solar misterioso,

Encerrado no horror de uma lenda sombria.

Ouve-se à noite, em torno, um clamor lamentoso,

Piam aves de agouro, estruge a ventania,

E brilhando no chão por sobre a seiva fria,

Correm chamas sutis de um fulgor nebuloso.


Dentro um luxo funéreo. O silêncio por tudo...

Apenas, alta noite, uma sombra de leve

Agita-se a tremer nas trevas de veludo...
Ouve-se, acaso, então, vaguíssimo suspiro,

E na sala, espalhando um clarão cor de neve,

Resvala como um sopro o vulto de um vampiro.

SILVA, Vítor. ln: RAMOS, P.E. da Silva. "Poesia parnasiana - antologia. São Paulo: Melhoramentos, 1967, p. 245.

A Alma do Apartamento Mora na Varanda
No terraço de 128m£, a família toma sol, recebe amigos para festas e curte a vista dos Jardins, em São Paulo. Os espaços generosos deste apartamento dos anos 50 recebem luz e brisa constantes graças às grandes janelas.

Os aromas desse apartamento de 445m2 denunciam que ele vive os primeiros dias: o ar recende a pintura fresca. Basta apurar o olfato para também descobrir a predileção do dono da casa por charutos, lírios e velas, espalhados pelos ambientes sociais. Sobre o fundo branco do piso e dos sofás, surgem os toques de cores vivas nas paredes e nos objetos. "Percebi que a personalidade do meu cliente é forte. Não tinha nada a ver usar tons suaves", diz Nesa César, a profissional escolhida para fazer a decoração.

Quando o dia está bonito, sair para a varanda é expor-se a um banho de sol, pois o piso claro reflete a luz. O espaço resgata um pedaço do Mediterrâneo, com móveis brancos e paredes azuis. "Parece a Grécia", diz a filha do proprietário. Ele, um publicitário carioca que adora sol e festa, acredita que a alma do apartamento está ali.

MEDEIROS, Edson G. & PATRÍCIO, Patrícia. A alma do apartamento mora na varanda. ln: "Casa Cláudia". São Paulo, Editora Abril, n°. 4, ano 23, abril/99, p. 69-70.

Saudosa Maloca
Se o sinhô não tá lembrado,

Dá licença de contá

Que aqui onde agora está

Esse adifício arto

Era uma casa véia,

Um palacete assobradado.

Foi aqui, "seu" moço,

Que eu, Mato Grosso e o Joca

Construímos nossa maloca

Mais, um dia,

- Nóis nem pode se alembrá -,

Veio os homens c'as ferramentas,

O dono mandô derrubá.
Peguemos todas nossas coisas

E fumos pro meio da rua

Preciá a demolição

Que tristeza que nóis sentia

Cada tauba que caía

Duía no coração

Mato Grosso quis gritá

Mais em cima eu falei:

Os homens tá c'a razão,

Nóis arranja otro lugá.

Só se conformemos quando o Joca falô:

"Deus dá o frio conforme o cobertô".

E hoje nóis pega paia nas gramas do jardim

E p'ra esquecê nóis cantemos assim:

Saudosa maloca, maloca querida, dim, dim,

Donde nóis passemos dias feliz de nossa vida.


BARBOSA, Adoniran. ln: "Demônios da Garoa" - Trem das 11. CD 903179209-2, Continental-Warner Music Brasil, 1995.
Questão 04)

A letra de "Saudosa Maloca" pode ser considerada como realização de uma "linguagem artística" do poeta, estabelecida com base na sobreposição de elementos do uso popular ao uso culto. Uma destas sobreposições é o emprego do pronome oblíquo de terceira pessoa "se" em lugar de "nos", diferentemente do que prescreve a norma culta (o poeta emprega se "conformemos" em vez de "nos conformamos"; se "alembrá" em vez de nos "lembrar". Considerando este comentário,


a) Descreva e exemplifique o que ocorre, na linguagem artística do compositor, com o /-r/ final e com o /lh/ medial das palavras, em relação ao uso oral culto;

b) Estabeleça as diferenças que apresentam, em relação ao uso culto, as seguintes formas verbais da primeira pessoa do plural do presente do indicativo empregadas pelo compositor: "pode" (verso 11), "arranja" (verso 23) e "pega" (verso 26).


Gab:

a) O -r final é sistematicamente elidido, num caso de apócope que ocorre até mesmo na pronúncia culta ou semiculta do Brasil.

Quanto ao /lh/ medial, ele se transforma, como na pronúncia caipira, em /y/, ou seja, em semivogal que forma ditongo com a vogal adjacente.
b) No português popular corrente no Brasil, evita-se sistematicamente o emprego de morfemas flexionais redundantes. Assim, quando a marca de número ou de pessoa se encontra presente no artigo ou no pronome, omite-se o morfema flexional de pessoa e número, no verbo, ou de número, em substantivos ou adjetivos.

Assim, o que ocorre em "as casa" é um fenômeno paralelo ao que se nota em "nóis arranja". ou seja, como a indicação de pessoa e número está presente no pronome; ela é omitida na terminação da forma verbal


Questão 05)

O quadro abaixo apresenta pares de palavras nos quais as alterações gráficas indicam as alterações sonoras das respectivas variantes dialetais.



Transcreva os pares de palavras no espaço em que se descrevem as alterações sonoras ocorridas entre a forma culta e a variante dialetal. Todos os pares deverão ser transcritos, portanto, em algumas células, haverá mais de um par.

Acréscimo de fonema:

Supressão de fonema:

Deslocamento de fonema:

Deslocamento de acento tônico:

Transformação de fonema oral em nasal:

Transformação de fonema vocálico oral em outro fonema vocálico oral:

Transformação de fonema consonantal em outro fonema consonantal:



Gab:

Acréscimo de fonema: metadeametade

Supressão de fonema: acreditacredita  rastrorasto

Deslocamento de fonema: precisãopercisão

Deslocamento de acento tônico: haveráhavéra  pântanospantanos

Transformação de fonema oral em nasal: assimansim

Transformação de fonema vocálico oral em outro fonema vocálico oral: alemãoalamão  sedutorsudutor

Transformação de fonema consonantal em outro fonema consonantal: bravabraba




Questão 16)

Nas frases a seguir há erros ou impropriedades. Reescreva-as e justifique a correção.

a) "Por que os namorados preferem andar só, detestando as companhias?"

b) "Seu preparo e honestidade rara fizeram dele um funcionario invejado."


Gab:

a) "Por que os namorados preferem andar SÓS, detestando as companhias?"

só - adjetivo ligado a namorados.
b) "Seu preparo e honestidade rara fizeram dele um FUNCIONÁRIO invejado.

funcionário - paroxítona terminada em ditongo.



Questão 7)

Nas frases a seguir, os termos destacados podem estar corretos ou incorretos. Se estiverem corretos, limite-se a copiá-los no espaço apropriado; se estiverem incorretos, reescreva-os na forma correta.

01. Estamos ANCIOSOS porque o Diretor pode VIM À qualquer momento.

02. Se V.Sò. comparecer A reunião, traga CONSIGO VOSSA agenda.

03. PROJETAM-SE criar novas comissões daqui HÁ três MESES.

04. Apenas duas candidatas REQUERERAM inscrição no concurso para telefonista da Associação Paulista de BENEFICÊNCIA.

05. Como não TIVESSE AO PAR do assunto, o gerente não INTERVEIO.

06. Esse candidato não conta com o APOIO da população POR CAUSA QUE é muito PRETENCIOSO.

07. Em que PESE os argumentos apresentados, o JÚRI não se convenceu.

08. Quando se TRATAM de problemas tão graves, não DEVEM haver tantos EMPECILHOS burocráticos.

09. Neste país, sempre HOUVERAM CIDADÕES capazes de combater os ESTERIÓTIPOS racistas.

10. PROCURA-SE cabeças inteligentes para atuarem como ASSESSORES na SEÇÃO de câmbio.


Gab:

01. "Estamos ANSIOSOS porque o Diretor pode VIR A qualquer momento."

02. "Se V.Sò. comparecer À reunião, traga CONSIGO SUA agenda."

03. "PROJETA-SE criar novas comissões daqui A três MESES."

04. "Apenas duas candidatas REQUERERAM inscrição no concurso para telefonista da Associação Paulista de BENEFICÊNCIA."

05. "Como não ESTIVESSE A PAR do assunto, o gerente não INTERVEIO."

06. "Esse candidato não conta com o APOIO da população PORQUE é muito PRETENSIOSO."

07. "Em que PESEM os argumentos apresentados, o JÚRI não se convenceu."

08. "Quando se TRATA de problemas tão graves, não DEVE haver tantos EMPECILHOS burocráticos."

09. "Neste país, sempre HOUVE CIDADÃOS capazes de combater os ESTEREÓTIPOS racistas."

10. "PROCURAM-SE cabeças inteligentes para atuarem como ASSESSORAS na SEÇÃO de câmbio."


Questão 8)

Identifique o fato lingüístico que ocorre em cada um dos pares de palavras grifadas na frases abaixo.

a) Érico Veríssimo escreveu o romance Incidente em Antares.

O acidente da madrugada parece ter sido bastante grave.

b) Era devoto de São Jorge.

Via-se que ali estava um homem são.

c) No estio ouve-se o canto das cigarras.

O verão traz, naturalmente, a visão de belas praias.

d) A exposição atraiu um fluxo permanente de visitantes.

Os visitantes surgiam de modo intermitente, sem qualquer previsão.


Gab:

Os pares de palavras constituem, respectivamente,

a) parônimos

b) homônimos

c) sinônimos

d) antônimos



Desencontrários
1Mandei a palavra rimar,

ela não me obedeceu.

Falou em mar, em céu, em rosa,

em grego, em silêncio, em prosa.



5Parecia fora de si,

a sílaba silenciosa.


Mandei a frase sonhar,

e ela se foi num labirinto.

Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.

10Dar ordens a um exército,

para conquistar um império extinto.

PAULO LEMINSKI
GÓES, F. e MARINS, A. (orgs.)
Melhores poemas de Paulo Leminski. São Paulo: Global, 2001.
Questão 9)

Considere a formação da palavra “Desencontrários”, título do poema de Paulo Leminski.

Separe seus elementos mórficos. Em seguida, nomeie o primeiro morfema que a compõe e indique seu significado.
Gab:

Uma das possibilidades:

• des+en+contr+ário+s

• des+en+contr+ári+o+s

Prefixo; negação


Questão 10)

Observe a formação dos seguintes vocábulos do texto II:


"panejamento" (derivado de "pano"), "irisamento" (derivado de "íris"), "arlequinar" (derivado de "arlequim") e "pandemônio" (composto de pan + demônio), neologismo criado por Milton, poeta inglês do século XVII, no seu livro O PARAÍSO PERDIDO, para designar o palácio de Satã.
A partir desses exemplos, explique, em até duas frases completas:
a) o emprego conotativo da palavra "pandemônio" (texto Il, linha 15) e indique o sentido do morfema "pan-";

b) como se forma o vocábulo "enlividescia" (texto II - linha 8) e qual a sua classificação quanto ao processo de formação.



Gab:

a) A palavra "pandemônio " significa, no texto, "confusão", "gritaria" - algo típico do carnaval de rua.



O morfema "pan" significa "todos", "totalidade".

b) É formado a partir da palavra "lívido", com o prefixo "en-" e o sufixo "escer", por derivação parassintética (ou parassíntese).


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