R. Bruce Carlton



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Treinamento prático para a facilitação de movimentos de plantação de igrejas

em campos de colheita negligenciados

R. Bruce Carlton


SUMÁRIO



Agradecimentos

3







Apresentação

4







1 Introdução ao treinamento

5







2 O objetivo são movimentos de plantação de igrejas

8







3 Igrejas simples abertas

13







4 O que é um coordenador de estratégia?

15







5 Visão do futuro

19







6 Mapeamento e pesquisa da força de colheita e campo de colheita

23







7 Pesquisa do campo de colheita e cosmovisão

26







8 Neemias

35







9 Introdução ao plano-mestre e plano-mestre de pesquisa

36







10 Guia de caminhadas de oração

40







11 Experiência de caminhada de oração

48







12 Conflito espiritual

49







13 A arca da aliança como modelo para o crente

54







14 Estratégias de oração

60







15 Plano-mestre de oração

64







16 Josué

68







17 Ensino bíblico sobre parcerias

70







18 Ensine-lhes a obedecer

72







19 O mundo dos cristãos da Grande Comissão

76







20 Parcerias

81







21 Plano-mestre para parcerias

83







22 Introdução a plataformas

86







23 Desenvolvendo uma idéia de plataforma

88







24 Plano-mestre para plataformas

92







25 Os evangelhos

95







26 Colheita de precisão

96







27 Discipulado através de narrativas bíblicas

104







28 Cem opções de ministério

118







29 Plano-mestre para evangelização e discipulado

119







30 Atos dos apóstolos

122







31 Desenvolvendo um código genético saudável para a plantação de igrejas

129







32 Características dos movimentos de plantação de igrejas

146







33 Obstáculos para movimentos de plantação de igrejas

160







34 Plano-mestre para plantação de igrejas

166







35 A decisão que levará a movimentos de plantação de igrejas

169

AGRADECIMENTOS


Gostaria de expressar minha sincera gratidão à minha esposa Glória. Ela tem me incentivado e estado ao meu lado no decorrer desses últimos 25 anos. Sou especialmente grato pelo apoio que ela tem me dado nesses três últimos anos, enquanto eu desenvolvia e apresentava este treinamento.

Também gostaria de expressar minha gratidão a Chris, que pacientemente me ensinou como ministrar o curso com mais eficácia.

Finalmente, quero expressar meu mais profundo agradecimento a homens como Albert, Prashant, Haroon, Yeshwant, Dinesh, Prabek, Sam, Daniel, Fregy, Harish, Mohan, Babu, Shalem, Mahesh e incontáveis outros que têm adotado e empregado efetivamente os princípios aprendidos neste treinamento em suas vidas e ministérios. Como resultado, hoje existem muitas igrejas simples novas em lugares onde a igreja jamais estivera antes, e muitos discípulos estão se multiplicando pelo sul da Ásia.

APRESENTAÇÃO

Os títulos muitas vezes são ambíguos, e chegam a ser obscuros. No entanto, o título deste manual fala bem alto. Bruce Carlton tenta despertara igreja no mundo inteiro a rever sua responsabilidade de conduzir a história inteira ao domínio da eternidade. A Grande Comissão é o mandamento final de Cristo, mas ainda está por se tornar a prioridade número um da igreja. Esta obra contribuirá para convencer e orientar a igreja para aquela finalidade.



Atos 29 aponta imediatamente para o leitor o fato de que a igreja pode e deve estar continuamente envolvida com a disseminação do evangelho até os confins da terra antes da volta de Cristo. E quando Cristo voltar, o que ele encontrará a igreja fazendo? Alguns segmentos estarão voltados para dentro de si mesmos, repetidamente alcançando os mesmos rebanhos. Alguns estarão saindo de suas zonas de conforto e se dirigindo às regiões além dos estágios de desenvolvimento atuais – pagando o preço pela disseminação das Boas Novas. A experiência e o treinamento de Bruce demonstram e evidenciam o fato de que o seu desejo é estimular esta segunda atitude em toda e qualquer igreja. Ele está bem preparado para inspirar e instruir qualquer pessoa disposta a ir aos campos de colheita negligenciados do mundo.

A presente obra deve ser cuidadosamente estudada e suas idéias devem ser acolhidas e aplicadas para animar a igreja no cumprimento de sua divina vocação. Que todos os leitores deste manual o leiam com o desejo de realizar a obra! E então, sigamos em frente!


Dr. Keith E. Eitel

Professor de Missões Cristãs

Seminário Teológico Batista do Sudeste

Wake Forest, Carolina do Norte


1

INTRODUÇÃO AO TREINAMENTO

Depois disto manifestou-se Jesus outra vez aos discípulos junto do mar de Tiberíades; e manifestou-se deste modo: Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu, e outros dois dos seus discípulos. Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Responderam-lhe: Nós também vamos contigo. Saíram e entraram no barco; e naquela noite nada apanharam. Mas ao romper da manhã, Jesus se apresentou na praia; todavia os discípulos não sabiam que era ele. Disse-lhes, pois, Jesus: Filhos, não tendes nada que comer? Responderam-lhe: Não. Disse-lhes ele: Lançai a rede à direita do barco, e achareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam puxar por causa da grande quantidade de peixes. Então aquele discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: Senhor. Quando, pois, Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica, porque estava despido, e lançou-se ao mar; mas os outros discípulos vieram no barquinho, puxando a rede com os peixes, porque não estavam distantes da terra senão cerca de duzentos côvados. Ora, ao saltarem em terra, viram ali brasas, e um peixe posto em cima delas, e pão. Disse-lhes Jesus: Trazei alguns dos peixes que agora apanhastes. Entrou Simão Pedro no barco e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes; e, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede.


A passagem acima se refere à segunda vez em que Jesus se revelou àqueles homens enquanto eles estavam pescando. A primeira vez, registrada em Lucas 5, foi quando Jesus os chamou para segui-lo.

Este evento em João 21 é muito significativo. Aqueles homens tinham seguido a Jesus por um pouco mais de três anos. Tinham andado com Ele, viveram com Ele, aprenderam dEle e testemunharam o Seu poder. Eles viram Jesus curar doentes, expulsar demônios, restaurar muitos à sanidade espiritual e anunciar o Reino de Deus. Imagine o quanto eles aprenderam nesses poucos anos com Jesus! Apesar disso, após a morte de Jesus, aqueles homens voltaram às suas antigas ocupações – foram pescar! É como se eles dissessem a si mesmos: “Bem, esses anos passados foram formidáveis. Nós realmente estivemos com um maravilhoso homem de Deus, mas agora tudo acabou. Voltemos a pescar.”

Exatamente como na primeira vez em que Jesus os encontrou pescando, eles tinham trabalhado por horas a fio mas não pescaram nada. Desta vez, Jesus ordena que lancem a rede do outro lado do barco, para que possam apanhar peixes. Os discípulos lançam sua rede do lado certo, como Jesus os instruíra a fazer e, exatamente como da primeira vez, capturam uma grande quantidade de peixes.

As lições a seguir, a respeito de movimentos de plantação de igrejas, foram planejadas para nos ajudar a aprender como pescar com resultados mais positivos. A maioria de nós desenvolve modelos específicos em nossos ministérios. Às vezes, nosso estilo de ministério produz ótimos resultados. Às vezes não. Muitas vezes usamos repetidamente os mesmos métodos simplesmente porque esses são os métodos que conhecemos e que nos acostumamos a usar. Às vezes precisamos que alguém chegue junto e nos ajude a pescar com mais eficácia.

A maioria de nós deseja que muitas pessoas venham a crer em Cristo. A maioria de nós gostaria de ver muitas igrejas sendo plantadas. A maioria de nós realmente aspira ver o reino de Deus se expandir nos grupos populacionais alvos de nossa ação. O problema é que os nossos métodos atuais de exercer o ministério não estão produzindo os resultados que tanto esperamos. Entretanto, nós nada fazemos. Não mudamos em nada. Talvez não saibamos como ministrar de modo diferente do que costumamos fazer. Talvez ninguém simplesmente jamais tenha nos mostrado como o resultado de nossa pesca poderia ser grandioso.

Estamos prestes a nos engajar em vários dias de treinamento intensivo. Esse treinamento será como lançar nossas redes para o outro lado do barco. Seu objetivo é nos ajudar a aprender algumas maneiras mais efetivas de fazer discípulos e plantar igrejas. Seremos expostos a muitos princípios bíblicos que nos ajudarão a facilitar o rápido crescimento e multiplicação de discípulos e igrejas. Trabalharemos duro e aprenderemos muito. Contudo, sucesso do treinamento depende da nossa disposição, como participantes do curso, para nos lançar em fé no aprendizado de métodos de pesca que irão rebentar nossas redes!

Ao final do treinamento, cada um de nós terá que tomar uma decisão, exatamente como aconteceu com os discípulos. Eles aprenderam muito em sua convivência com Jesus. Entretanto, depois que Jesus morreu e não estava mais em sua companhia, eles voltaram ao seu antigo estilo de vida. Teremos que tomar a mesma decisão. Quando o treinamento acabar, e retornarmos ao nosso local de atuação, voltaremos ao nosso antigo estilo de ministério, ou colocaremos em prática as coisas que aprendemos aqui?

Seria muito fácil esquecer tudo que aprendemos durante esse treinamento. Seria muito fácil voltar para casa dizendo: “Foi um ótimo curso. Fiquei muito animado com o que ouvi. Foram ótimos momentos de comunhão com outros homens e mulheres. Mas agora acabou. É hora de voltar a trabalhar.” A tentação será voltar ao velho modo de exercer nosso ministério, pois isso nós sabemos fazer muito bem.

Nosso desafio é evitar essa tentação. Os princípios bíblicos e as diversas ferramentas apresentadas neste treinamento nos ajudarão a ser facilitadores de um rápido crescimento da igreja nos grupos populacionais focos de nosso ministério. Contudo, à medida que aprendemos maneiras de pescar com maiores resultados, precisamos tomar a decisão de implementá-las em nosso ministério.

Em suma, lembre-se que este treinamento diz respeito a aprender a pescar com maior eficácia. Examinaremos amplamente a Palavra de Deus e aprenderemos muitos princípios bíblicos. Seremos dotados de algumas ferramentas práticas para fazer discípulos e plantar igrejas. Desenvolveremos estratégias abrangentes que servirão de orientação para nosso ministério. Tudo isso tem a finalidade de nos ajudar a acelerar a rápida multiplicação de discípulos e igrejas no meio de nosso grupo-alvo.

Eu desafio cada um de vocês a participar desse treinamento com a mente aberta para aprender como pescar com maiores resultados. Também os desafio a colocar em prática o que aprenderam em seus ministérios. Acredito que vocês ficarão surpresos com as mudanças que seus ministérios experimentarão. Acredito que vocês verão o crescimento dos discípulos, tanto em número como em maturidade espiritual. Acredito que vocês testemunharão o nascimento de um movimento de plantação de igrejas.

Leiamos agora uma outra passagem das Escrituras. Eclesiastes 1.9 diz: “O que tem sido, isso é o que há de ser; e o que se tem feito, isso se tornará a fazer; nada há que seja novo debaixo do sol.” O que vamos aprender neste treinamento sobre movimentos de plantação de igrejas realmente não é nenhuma novidade. Os princípios que aprenderemos estão firmemente arraigados na Palavra de Deus. Neste treinamento, examinaremos quatro livros da Bíblia – Josué, Neemias, um dos evangelhos e Atos. Veremos que os princípios para movimentos de plantação de igrejas vêm da Palavra de Deus. Descobriremos que fazer discípulos que se reproduzem era o plano de Jesus desde o início. Observaremos que os princípios do crescimento rápido e da multiplicação da igreja surgem no livro de Atos. Realmente não há nada de novo debaixo do sol.

Você poderá perceber que não tinha consciência de alguns desses princípios bíblicos, e eles poderão parecer novos para você. Apenas se lembre de que os princípios para movimentos de plantação de igrejas não são somente mais uma idéia brilhante desenvolvida por uma determinada pessoa. Não se trata de um modismo missiológico. Esses princípios e conceitos são provenientes da Palavra de Deus e existem há milhares de anos.

Saber que não há nada novo debaixo do sol, aprender a pescar com mais eficácia, aceitar o desafio de pôr em prática o que aprendemos, em vez de voltar ao velho estilo de ministério –é essencial lembrar isso no momento em que iniciamos este treinamento. Que Deus nos conceda a sabedoria necessária para aprendermos esses princípios e conceitos.

ATIVIDADE DE FIXAÇÃO
No espaço abaixo, escreva duas ou três coisas importantes que você aprendeu nessa aula e que você acredita que será útil em seu ministério.

2

O OBJETIVO SÃO MOVIMENTOS DE PLANTAÇÃO DE IGREJAS

Não sou autoridade em movimentos de plantação de igrejas. Não sei se alguma pessoa poderia ser considerada uma autoridade nesta área. Não me considero um teólogo especializado em movimentos de plantação de igrejas. No entanto, tive o privilégio de participar do início de um extraordinário movimento de plantação de igrejas no Camboja, sudeste da Ásia. Também tenho tido a oportunidade de treinar e trabalhar, no sul da Ásia, com outras pessoas envolvidas em movimentos de plantação de igrejas em andamento. Tenho visto o que Deus pode fazer quando o Seu povo é radicalmente obediente ao mandamento de ir e fazer discípulos.

Tenho visto como Deus pode usar pessoas muito simples para começar um movimento de plantação de igrejas. Tenho ouvido testemunhos de pessoas que têm estado ativamente envolvidas na facilitação de movimentos de plantação de igrejas no meio de um determinado grupo-alvo. Tenho visto estudos de casos de movimentos de plantação de igrejas que estão acontecendo por toda a terra. Também tenho estudado casos e exemplos em que a igreja já tinha sido plantada há vários anos, mas falhara em evangelizar os grupos populacionais ao redor.

A partir dessas experiências e de estudo cuidadoso, cheguei à convicção de que o objetivo do ministério de um coordenador de estratégia é facilitar um movimento autóctone de plantação de igrejas no meio de um determinado grupo-alvo. De fato, estou convicto de que toda obra “missionária” deveria ser dirigida para a facilitação de um movimento de plantação de igrejas no meio de um grupo-alvo.

O propósito maior é ver Deus sendo glorificado nas vidas daqueles que Ele criou. Deus está sendo privado de Sua glória quando milhares de pessoas adoram as coisas criadas em vez de adorar o Criador. Sim, nosso objetivo é ver Deus glorificado entre todos os povos, e estou convencido de que a melhor maneira de alcançar este objetivo é facilitar movimentos de plantação de igrejas. Assim, nosso objetivo é ver surgir um movimento de plantação de igrejas, de tal maneira que as pessoas estejam honrando e glorificando a Deus em e através de suas vidas. Tal movimento de plantação de igrejas deveria ser capaz de realizar completamente a tarefa de evangelização daquele grupo-alvo específico. Além disso, o movimento de plantação de igrejas deveria disseminar-se para além do grupo específico, e aquelas igrejas deveriam começar também a evangelizar outros grupos de pessoas.

Algumas pessoas não concordarão em que o objetivo seja um movimento de plantação de igrejas. Ainda há quem acredite que a tarefa da igreja é simplesmente evangelizar ou fazer discípulos, e não plantar igrejas. Entretanto, eu acredito que o plano de Deus é que o discipulado dos crentes se realize dentro da comunidade do povo de Deus – a igreja de Jesus Cristo. Acredito que o melhor método para evangelizar completamente um grupo-alvo é através da plantação de igrejas autóctones que tenham a capacidade de se reproduzir.

Não é fácil dar uma definição de movimento de plantação de igrejas que satisfaça a todas as pessoas. Um movimento de plantação de igrejas tem muitas facetas diferentes, o que torna difícil caracterizá-lo através de uma definição simples e direta. Contudo, é necessário ter uma definição funcional. Eis a minha definição:
Um movimento de plantação de igrejas é um processo controlado pelo Espírito Santo de rápida e múltipla reprodução de igrejas autóctones no meio de um grupo-alvo específico, de modo que cada indivíduo dentro daquele grupo-alvo tenha a oportunidade de ouvir e responder às Boas Novas de Jesus Cristo.
O papel do coordenador de estratégia é facilitar a rápida multiplicação de igrejas dentro de um grupo-alvo. O presente curso procura dotar o aluno de princípios bíblicos sólidos e habilidades práticas para que possa realizar essa tarefa. O coordenador de estratégia desenvolve e opera a partir de um plano-mestre abrangente que lhe permite manter-se ardentemente concentrado em ver todo um grupo-alvo sendo completamente evangelizado através das Boas Novas de Jesus Cristo. Entretanto, gostaria de enfatizar que um movimento de plantação de igrejas não se realiza por causa deste plano-mestre. Não resta dúvida de que o caráter singular de um verdadeiro movimento de plantação de igrejas consiste em que ele definitivamente é controlado por algo – ou melhor, Alguém – maior que qualquer estratégia que eu ou qualquer outra pessoa pudesse desenvolver; ele claramente é controlado pelo Espírito Santo.

Eu concordo plenamente que planos-mestres são necessários. Nosso ministério deve ser fundamentado em princípios bíblicos sólidos. Devemos nos esforçar para aplicar esses princípios em nosso contexto. Também precisamos aprender de metodologias que têm se mostrado bem-sucedidas pelo mundo afora. Talvez tenhamos que adaptá-las ao nosso contexto e à nossa situação, mas Deus espera que sejamos sábios e fiéis mordomos de nossos recursos, tempo e talentos. Eu creio que muitos movimentos de plantação de igrejas foram iniciados por causa de planos estratégicos inspirados pelo Espírito Santo para alcançar um grupo-alvo com as Boas Novas de Cristo. Todavia, um movimento de plantação de igrejas, embora possa ser estimulado inicialmente por um plano-mestre, é algo que logo começa a ganhar vida própria. Quanto a mim, fico feliz em participar de algo que é dirigido, influenciado e controlado pelo Espírito Santo.

Em Marcos 4.26-29, Jesus conta uma maravilhosa parábola – uma das minhas preferidas:
Disse também: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra, e dormisse e se levantasse de noite e de dia, e a semente brotasse e crescesse, sem ele saber como. A terra por si mesma produz fruto, primeiro a erva, depois a espiga, e por último o grão cheio na espiga. Mas assim que o fruto amadurecer, logo lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa.
Esta é uma boa descrição de como se facilita um movimento de plantação de igrejas. O homem desta parábola simplesmente vai e lança a semente sobre o solo. Ele se levanta de manhã para lançar a semente. Passa o dia inteiro semeando. Ele faz isso, crendo que seus esforços produzirão frutos. Se não acreditasse que seu esforço produziria frutos, esse homem não lançaria a semente.

A maioria de nós que trabalhamos entre grupos populacionais negligenciados ou em situações de acesso restrito sabe o que quer dizer lançar a semente. É nisso que muitos de nós temos gasto a maior parte do nosso tempo. Diariamente saímos a semear no meio do grupo-alvo para o qual Deus nos chamou.

Cristo nos prometeu nessa parábola que haverá uma colheita. Toda a semeadura que realizamos através de programas de rádio, distribuição da Escritura, exibição do filme Jesus e interação face-a-face resultará em uma colheita. Nós acreditamos nisso, embora possamos ainda não estar vendo isso acontecer. Nós acreditamos; do contrário, não estaríamos lançando a semente. De fato, a Palavra de Deus nos diz: “Mas digo isto: Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e aquele que semeia em abundância, em abundância também ceifará” (2 Coríntios 9.6).

Além disso, a maioria de nós crê nesta promessa de Deus que nos foi dada através do profeta Isaías:


Porque, assim como a chuva e a neve descem dos céus e para lá não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir e brotar, para que dê semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca: ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei (Isaías 55.10-11).
A terra por si mesma produz o fruto. Primeiro, vem a erva. Vemos isso naqueles crentes novos que vêm a crer no Senhor da Colheita. Esses crentes novos têm muita dificuldade para permanecer, exatamente como acontece com as primeiras folhas da planta. Sem o cuidado apropriado, os crentes novos acabarão voltando para sua velha religião. Isso é algo que tem acontecido ao redor do mundo. Este, especialmente, é um dos maiores problemas que muitos de nós enfrentamos em lugares onde a colheita ainda não é tão abundante e onde os novos crentes experimentam graves provações ou perseguição por causa de sua fé.

Quando a semente que foi semeada começa a dar frutos, ela se encontra nesse estágio inicial mas decisivo – o estágio da erva. Eis aqui onde um discipulado intenso deve ser ensinado e exibido como exemplo. Nós não nos limitamos a ensinar o discipulado; devemos servir como modelos. Nós, discipuladores, devemos nos ver como mentores – pessoas responsáveis por ajudar os novos crentes a amadurecer em sua fé.

Nesta fase, devemos incorporar a verdade do “Princípio 222” em nossas vidas e nas vidas dos novos crentes. Devemos moldar o caráter deste novo grupo de crentes, de modo que eles compreendam sua responsabilidade em fazer discípulos e plantar novas igrejas. O princípio da reprodução é decisivo para se desencadear um movimento de plantação de igrejas. A própria definição de movimento de plantação de igrejas exige a reprodução. Se isso não fizer parte do DNA desses novos crentes, posteriormente teremos dificuldades em facilitar a multiplicação de igrejas. Paulo disse a Timóteo: “e o que de mim ouviste de muitas testemunhas, transmite-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (2 Timóteo 2.2).

Depois, o solo produz a espiga. Isso é semelhante aos poucos igrejas simples que surgem inicialmente. Não são apenas poucos crentes juntos, mas reuniões efetivas de crentes que se encontram regularmente para adoração, estudo bíblico, oração, comunhão e encorajamento mútuo. A nutrição ainda precisa acontecer. A importância da contextualização do evangelho, refletida nos métodos de discipulado, estilos de adoração, métodos evangelísticos, etc, é central. Sem contextualização, esses grupos rapidamente se tornarão elementos estranhos dentro de sua própria cultura e sociedade, reduzindo assim a sua eficácia em alcançar seu próprio povo. Isso acontece com freqüência, especialmente quando os primeiros grupos plantados adquirem um aspecto claramente ocidental. As igrejas plantadas devem ser tão nativas quanto possível, sob pena de dificultar sua própria multiplicação.

No decorrer do primeiro ano de esforços deliberados para a plantação de igrejas no Camboja, cerca de seis igrejas-chave foram plantadas. Eu ajudei a plantar a primeira delas, e os crentes cambojanos plantaram as outras cinco. Esses grupos eram semelhantes à espiga. Essas pequenas igrejas simples precisaram ser muito bem alimentadas nos primeiros anos, até que amadurecessem ao ponto de poderem se reproduzir. Todavia, durante o processo de crescimento e de criação de um “DNA reprodutivo” nesses grupos iniciais, muitas outras igrejas foram formadas. Em certo lugar na parte noroeste do país, uma igreja, sob a liderança de um líder e plantador de igrejas visionário, chegou a plantar aproximadamente 20 novas igrejas simples dentro de poucos anos. Essas igrejas, em sua maior parte, utilizavam música e estilo de adoração nativos. E também contextualizaram seus métodos de evangelismo e discipulado. Por exemplo, essas igrejas usavam a narração de histórias bíblicas como método fundamental de ensino da Palavra de Deus.

Se nutrirmos os primeiros crentes e os ajudarmos em seu processo de amadurecimento, e se alimentarmos as primeiras igrejas de modo que sejam edificadas sobre um fundamento sólido, então a igreja começará a multiplicar-se e espalhar-se por aquele grupo-alvo.

Finalmente, o solo produz a colheita com a espiga madura, cheia de grãos. Eu creio que este é o início do movimento de plantação de igrejas – em que a reprodução das igrejas se torna possível. De onde o semeador retirará a semente para a colheita do ano seguinte? Dos grãos maduros da colheita do ano atual. De onde virão as novas igrejas para um movimento de plantação de igrejas? Daquelas primeiras igrejas autóctones que são plantadas. Eu acredito que um movimento de plantação de igrejas começa quando uma igreja autóctone se mostra capaz de se reproduzir dentro de seu próprio grupo-alvo.

Depois que a safra amadurece, o semeador pega a foice e começa a fazer a colheita. É aí que o movimento de plantação de igrejas rapidamente escapa ao seu controle. Enquanto estamos ajudando a nutrir aqueles primeiros crentes e as primeiras igrejas, precisamos estar ao mesmo tempo nos preparando para a colheita que está para chegar. A colheita chegará, e quando chegar, precisaremos estar preparados. Assim que aquelas primeiras igrejas autóctones começarem a se reproduzir, o movimento de plantação de igrejas já estará seguindo o seu caminho. Haverá uma necessidade crescente de colher a safra, ou seja, de assegurar-se de que os novos crentes sejam discipulados, que os novos líderes sejam preparados e treinados, e que as novas igrejas sejam alimentadas até poderem reproduzir-se também.

É importante que o “estrangeiro” não tente exercer poder ou controle sobre essas igrejas novas. O estrangeiro tem o papel de nutrir, e não o papel de dominar. O estrangeiro deve encorajar os crentes e igrejas locais a se multiplicarem independentemente dele. Poucos, ou talvez nenhum, movimentos de plantação de igrejas autóctones surgiram ou foram sustentados a partir dos esforços de estrangeiros que buscassem controlar a plantação de novos grupos.

Em Marcos 4, a parábola da semente de mostarda segue-se imediatamente à pequena parábola sobre o lançar da semente:


Disse ainda: A que assemelharemos o reino de Deus? ou com que parábola o representaremos? É como um grão de mostarda que, quando se semeia, é a menor de todas as sementes que há na terra; mas, tendo sido semeado, cresce e faz-se a maior de todas as hortaliças e cria grandes ramos, de tal modo que as aves do céu podem aninhar-se à sua sombra (Marcos 4.30-32).
O movimento de plantação de igrejas demonstra a verdade que há nessa parábola. Ele começa humildemente. Na verdade, o movimento necessariamente começa apenas com uma pessoa que se torna crente. Sem esse primeiro crente, o movimento de plantação de igrejas jamais ocorrerá. Daquele começo humilde surgirá algo realmente surpreendente. O movimento de plantação de igrejas pode começar com um pequeno grupo de crentes em Dhaka, Colombo, Kathmandu ou outro lugar qualquer. Esses crentes se reunirão para adoração, estudo bíblico e comunhão. Eles também estarão empenhados em alcançar seu próprio povo com a mensagem divina de reconciliação. Ou pode começar com um grupo de crentes locais que são treinados, equipados e mentoreados para a plantação de igrejas no meio de seu próprio grupo-alvo. Pode começar também com um estrangeiro que discípula alguns crentes novos e os incentiva a alcançar sua própria comunidade. Não importa como comece, o certo é que o movimento de plantação de igrejas provavelmente se iniciará de uma forma bastante humilde.

Eu acredito que se formos fiéis em semear com abundância a semente, Deus honrará a nossa fidelidade. A semente começará a produzir frutos – primeiro a erva, depois a espiga e finalmente o grão maduro na espiga. Ela crescerá como a semente de mostarda – de um começo pequeno e humilde para algo além de nossa expectativa.

Acredito que devemos ser obedientes ao mandamento de Cristo, sendo fiéis em ir e fazer discípulos. Devemos fazer isso em obediência radical. Devemos lançar a semente de todas as formas que pudermos. Observe que em todas as parábolas que ensinou sobre semeadura, Jesus jamais falou a respeito de metodologia. Por quê? Creio que é porque a metodologia não é tão importante como a própria tarefa. Devemos buscar todos os tipos de métodos e maneiras de nos assegurar que o Evangelho seja proclamado ao nosso povo. Devemos ser fiéis em lançar a semente. Deus será fiel, e um dia a semente produzirá fruto, e o movimento de plantação de igrejas se tornará uma realidade.

Nos próximos encontros, examinaremos mais detalhadamente as características específicas e os obstáculos para movimentos de plantação de igrejas. Podemos aprender muito com as vitórias e os desafios enfrentados por outras pessoas. Neste ponto, basta dizer que o objetivo do ministério do coordenador de estratégia é facilitar o surgimento de um movimento autóctone de plantação de igrejas que possa levar as Boas Novas de Jesus Cristo a cada lar e a cada pessoa dentro de um grupo-alvo específico e além dele.


ATIVIDADE DE FIXAÇÃO



No espaço abaixo, escreva duas ou três coisas importantes que você aprendeu nessa aula e que você acredita que será útil em seu ministério.



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