R. Bruce Carlton



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OS EVANGELHOS

Antes de começarmos a falar da área de evangelização e discipulado, devemos olhar para a vida de Cristo como retratada nos evangelhos. Por quê? A vida de Cristo servirá como modelo para a evangelização e o discipulado em nosso ministério. Na igreja de hoje em dia, temos transformado quase tudo em “projetos”. Eu acredito que a igreja precisa recuperar o “projeto” de Jesus. Na verdade, Jesus não tinha um projeto como tal, mas Ele tinha um propósito, e empregou métodos efetivos para proclamar as Boas Novas do reino de Deus e para discipular aqueles que o seguiram.

ATIVIDADE DE FIXAÇÃO
Leia um dos evangelhos – Mateus, Marcos, Lucas ou João, e não os quatro. Enquanto lê, enumere no espaço abaixo os métodos de evangelização e discipulado empregados por Jesus. Além disso, defina qual era, na sua opinião, o plano de Jesus para encontrar e discipular seguidores fiéis.


Métodos de evangelização e discipulado usados por Jesus

Referências bíblicas








Qual era o plano de Jesus para encontrar e discipular seguidores fiéis?

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COLHEITA DE PRECISÃO


Ame a Deus com todo o seu entendimento

E um deles, doutor da lei, para o experimentar, interrogou-o, dizendo: Mestre, qual é o grande mandamento na lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento (Mateus 22.35-37).


Uma das principais perguntas que cada membro do corpo de Cristo deve se fazer hoje em dia é: Eu amo o Senhor meu Deus com todo o meu entendimento? Essa pergunta se aplica especialmente àqueles membros da igreja cujo foco de ministério é levar o evangelho aos povos não-alcançados do mundo.

Nós entendemos o que significa amar o Senhor de todo o nosso coração. Todos nós somos capazes de dizer o que Deus fez em nossas vidas através de Jesus Cristo. Reconhecemos as mudanças que Deus fez em nossas vidas, e reagimos ao dom do amor e da graça de Deus amando-o de todo o nosso coração.

Aqueles que estão exercendo o ministério de plantação de igrejas em lugares difíceis compreendem o significado de amar a Deus com toda a sua alma. Muitos arriscam diariamente as suas vidas para compartilhar as Boas Novas com as pessoas. Muitos têm sacrificado várias coisas por causa de seu ministério. Esses servos compreendem o que significa amar a Deus com toda a sua alma.

No entanto, o mandamento tem três partes. Espera-se que os seguidores de Cristo amem a Deus de todo o coração, com toda a alma e com todo o entendimento. Porém, será que realmente amamos ao Senhor nosso Deus com todo o nosso entendimento? Se amar a Deus “com todo o entendimento” representa um terço do maior de todos os mandamentos jamais dados à humanidade, devemos fazer tudo o que for necessário para nos apropriar de seu significado correto.

Muitos dirão que amar a Deus com todo o nosso entendimento significa que devemos ser bons estudiosos da Palavra de Deus. É verdade, mas creio que significa mais que isso. Bons estudiosos da Palavra de Deus não somente estudam, mas também a aplicam. Assim, para amar a Deus com nosso entendimento completo, devemos empregar toda a nossa compreensão, inteligência e pensamento, em nossas vidas e ministérios. Eu acredito que isso significa que devemos avaliar nossos ministérios periodicamente. Não só devemos fazer da paixão e do sacrifício características de nosso ministério, mas também devemos estar dispostos e ser capazes de avaliar a eficácia do que estamos desenvolvendo em nosso trabalho. O pensamento firme, crítico, não é tranqüilizador nem fácil. É um trabalho mental, assim como usar as mãos para construir alguma coisa é trabalho físico.

Amar o Senhor com todo o nosso entendimento implica aprendermos a levantar questões criteriosas sobre nós mesmos e sobre nosso ministério. Perguntas tais como:




  • O ministério com que estou envolvido realmente está alcançando o grupo-alvo?

  • Já que Deus não deseja que ninguém se perca, eu pergunto, o ministério está estruturado de tal forma que todas as pessoas daquela área tenham a oportunidade de responder às Boas Novas de Jesus?

  • Se eu continuar assim, serão plantadas igrejas suficientes para alcançar todo o grupo-alvo?

Esses são alguns exemplos de perguntas que podemos nos fazer para ter certeza de que estamos usando nosso entendimento para amar a Deus.

Jesus separou tempo para orar e avaliar os rumos de Seu ministério. Porque Jesus estava curando muitos enfermos e expulsando muitos demônios em Cafarnaum, as pessoas queriam que ele ficasse lá por mais tempo. Entretanto, após orar e avaliar, Jesus declarou que devia passar para outras cidades.
De madrugada, ainda bem escuro, levantou-se, saiu e foi a um lugar deserto, e ali orava. Foram, pois, Simão e seus companheiros procurá-lo; quando o encontraram, disseram-lhe: Todos te buscam. Respondeu-lhes Jesus: Vamos a outras partes, às povoações vizinhas, para que eu pregue ali também; pois para isso é que vim. Foi, então, por toda a Galiléia, pregando nas sinagogas deles e expulsando os demônios (Marcos 1.35-39).
Nosso Senhor era capaz de distinguir entre as atividades que seriam boas (um demorado ministério de cura em Cafarnaum) e as que eram prioritárias (pregar em vários outros povoados). Isso mostra o quanto Jesus usou o seu entendimento para obedecer à vontade de seu Pai.

Semelhantemente, sempre que rogamos ao Senhor que avalie as nossas vidas e nosso trabalho, mostramos uma humilde disposição para nos submeter ao escrutínio da verdade e nos colocar sob a autoridade da direção do Espírito. Deste modo, poderemos saber que amamos o Senhor com todo o nosso entendimento.

Estou convencido de que, se os seguidores de Cristo aprenderem a amar a Deus com todo o seu entendimento, o mundo das pessoas não alcançadas ouvirá o evangelho em um espaço de tempo muito pequeno. Quando amamos o Senhor de todo o coração, nosso ministério reflete motivações puras e perfeitas. Quando amamos o Senhor com toda nossa alma, nosso ministério reflete sacrifício e grande impacto pessoal. Além de tudo isso, quando amamos o Senhor com todo o nosso entendimento, nossos projetos e oração refletem um raciocínio responsável, nossas tarefas são realizadas na ordem das prioridades divinas e os resultados em longo prazo e em larga escala imitarão aqueles alcançados pelo Senhor e pelos apóstolos.
Definição de colheita de precisão
Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas (Mateus 10.16).
A colheita de precisão acontece quando nós:


  • Identificamos as pessoas em quem o nosso ministério deve se concentrar.

  • Semeamos a Palavra de Deus em larga escala.

  • Empregamos um método de triagem para descobrir aqueles que já estão prontos para seguir a Cristo.

  • Concentramos tempo e amor em discípulos fiéis.

  • Confiamos a tarefa de evangelização restante aos líderes das novas igrejas.

Na vida e ministério de Jesus, esses princípios são claramente ilustrados.


Identifique as pessoas em quem o seu ministério deve se concentrar
Respondeu-lhes ele: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mateus 15.24).
Jesus tinha um “foco” definido. Quando Ele esteve na terra como homem, em que grupo-alvo seu ministério deveria se concentrar? O próprio Jesus disse que tinha sido enviado somente para as ovelhas perdidas de Israel. Ele não viajou pelo mundo para alcançar todos os grupos populacionais. Como homem, seria impossível para Jesus pregar o reino dos céus para todos os povos sozinho. Em vez disso, Jesus se concentrou em um grupo-alvo, os judeus. Jesus tinha uma clara compreensão da missão que recebera de Deus, e ensinou os discípulos a fazer a mesma coisa.
A estes doze enviou Jesus, e ordenou-lhes, dizendo: Não ireis aos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos; mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mateus 10.5-6).
Você precisa ter um foco para o seu ministério. Você precisa identificar claramente as pessoas em quem Deus quer que você se concentre. Você não poderá alcançar o mundo inteiro para Cristo sozinho. Você sozinho não poderá alcançar país inteiro para Cristo. Você precisa se concentrar em um determinado grupo-alvo, seja ele um segmento populacional, uma cidade, uma região ou um estado. Identifique em quem o seu ministério deve se concentrar. A quem Deus está enviando você? Muitos hoje em dia, querendo impressionar possíveis doadores ou apoiadores, desenvolvem projetos de ministério em que dizem se concentrar nos “não-alcançados”, pois sabem que este termo é muito popular na área de missões. Entretanto, a verdade é que essas pessoas realmente não possuem foco algum e geralmente serão levadas para qualquer lado que o vento esteja soprando.

Você precisa identificar as pessoas com quem irá trabalhar e a área geográfica em que essas pessoas vivem. Defina um foco e comprometa-se com ele até que haja um movimento de plantação de igrejas entre o grupo-alvo, o qual assegure a todas as pessoas a oportunidade de aceitar o evangelho.


Semeie a Palavra de Deus em larga escala
E Jesus, ao desembarcar, viu uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas (Marcos 6.34).
Reunindo os doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para curarem doenças; e enviou-os a pregar o reino de Deus, e fazer curas... Saindo, pois, os discípulos percorreram as aldeias, anunciando o evangelho e fazendo curas por toda parte (Lucas 9.1-2, 6).
No mesmo dia, tendo Jesus saído de casa, sentou-se à beira do mar; e reuniram-se a ele grandes multidões, de modo que entrou num barco, e se sentou; e todo o povo estava em pé na praia. E falou-lhes muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear (Mateus 13.1-3).
Mas digo isto: Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e aquele que semeia em abundância, em abundância também ceifará (2 Coríntios 9.6).
Jesus se compadeceu das multidões. Para Jesus, as multidões não eram apenas um amontoado de rostos, mas cada pessoa era uma vida preciosa criada por Deus. Jesus almejava comunicar-lhes a Palavra de Deus de um modo que todos pudessem compreender e obedecer. Ele desejava curar a todos os doentes. Para Jesus, os grandes ajuntamentos de pessoas representavam a humanidade inteira – pessoas sofridas e desamparadas, esperando para ouvir a verdade a respeito de Deus. Não satisfeito de ensinar apenas a uns poucos discípulos, o alvo de Jesus era comunicar as Boas Novas às multidões. Jesus semeou as Boas Novas abundantemente.

Conseqüentemente, nós, coordenadores estratégicos ou plantadores de igrejas, também devemos ter compaixão das multidões. Devemos incluir em nossos projetos diversas maneiras de levar as Boas Novas às multidões de pessoas. Devemos nos assegurar de que todas as pessoas tenham a oportunidade de ouvir as Boas Novas. Lembre-se, Deus não deseja que ninguém se perca. Todas as pessoas têm o direito de ouvir. Além disso, a Bíblia nos ensina que a abundância da colheita é diretamente proporcional à semente lançada (2 Coríntios 9.6). Se semearmos o evangelho abundantemente, podemos esperar uma colheita abundante.


Empregue um método de triagem para descobrir pessoas já prontas para seguir a Cristo
E falou-lhes muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear. E chegando-se a ele os discípulos, perguntaram-lhe: Por que lhes falas por parábolas? Respondeu-lhes Jesus: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado; pois ao que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e ouvindo, não ouvem nem entendem. E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, e de maneira alguma entendereis; e, vendo, vereis, e de maneira alguma percebereis. Porque o coração deste povo se endureceu, e com os ouvidos ouviram tardamente, e fecharam os olhos, para que não vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, nem entendam com o coração, nem se convertam, e eu os cure. Mas bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. Pois, em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não o viram; e ouvir o que ouvis, e não o ouviram (Mateus 13.3, 10-17).
Jesus teve compaixão das multidões e pregou a elas. Jesus semeou a Palavra de Deus abundantemente. Ao mesmo tempo, Jesus sabia que muitos dentre a multidão o estavam seguindo por razões erradas. Eles o seguiam simplesmente por causa dos milagres ou por outras razões egoístas. Ao registrar esse evento, Mateus mostra como Jesus aplicou um filtro às multidões para descobrir quem desejava segui-lo com seriedade. Ele sabia que nem todos estariam abertos a Sua mensagem. Nem todos se tornariam Seus discípulos. Um dos métodos de triagem de Jesus eram as parábolas. Ao ensinar o povo por meio de parábolas, Jesus podia lhes mostrar um pouco da luz e da verdade sem lhes revelar as coisas mais profundas de Deus. Então, aqueles que permaneciam até o final do dia – os que não tinham um interesse apenas passageiro por Seu ensino – ouviam as explicações. Estes foram os que experimentaram o reino dos céus. Ao contrário das multidões, quando Jesus executava algum sinal ou milagre, esse pequeno grupo compreendia suas implicações. Foram eles os privilegiados que viram e ouviram coisas que muitos profetas e justos do passado tanto almejaram ver.

Ao apresentar esse mesmo relato, Marcos observa: “Quando se achou só, os que estavam ao redor dele, com os doze, interrogaram-no acerca da parábola” (Marcos 4.10). Este grupo de discípulos não se resumia aos Doze. Ao longo do seu ministério, Jesus aos poucos estava reunindo um grupo de crentes fiéis – homens e mulheres a quem Ele podia revelar Deus-Pai com maior intimidade. Quando Jesus foi ressuscitado dentre os mortos, a soma dos Seus seguidores já passava de quinhentos irmãos (1 Coríntios 15.6).

Coerentemente com essa passagem, nosso Senhor decidiu compartilhar mais profundamente sua verdade e bênção com aqueles que já tinham aceitado Seu ensino, para que pudessem tê-lo em abundância. Por outro lado, outras pessoas que fizeram parte das multidões pela Judéia e Galiléia – que ouviram o ensino de Jesus, comeram dos pães e dos peixes miraculosamente multiplicados, e até tentaram transformar Jesus em rei (João 6.14-15) – não estavam presentes para ver o Senhor em Seu glorioso estado ressurreto. Por causa de sua indiferença, até mesmo o pouco conhecimento que tinham de Jesus foi tirado deles.

Jesus também pronunciou palavras duras como uma maneira de encontrar aqueles que realmente estavam dispostos a segui-lo.


Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? Mas, sabendo Jesus em si mesmo que murmuravam disto os seus discípulos, disse-lhes: Isto vos escandaliza? Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do homem para onde primeiro estava? O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida. Mas há alguns de vós que não crêem (João 6.53, 60-64a).
Jesus conhecia desde o início os que não criam e sabia quem o trairia. “E continuou: Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido” (João 6.65). Depois disso, muitos discípulos o deixaram e já não andavam com Ele.
Perguntou então Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna (João 6.67-68).
Como vemos nessa passagem do evangelho de João, Jesus pronunciou um duro discurso à multidão dos discípulos porque sabia que havia muitos no grupo seguindo-o por razões erradas. Após ouvirem as palavras sobre comer o corpo e beber o sangue de Jesus, muitos que o seguiam voltaram atrás e não mais andavam com Ele. Porém, alguns compreenderam a verdade sobre Jesus, razão por que Pedro disse: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.”

Assim como Jesus, também nós devemos aprender a usar um método de triagem para nos ajudar a identificar discípulos seriamente comprometidos em seguir a Cristo. Devemos ser fiéis em semear o evangelho abundantemente. Enquanto fazemos acontece, também devemos sempre ter um plano para descobrir, no meio das massas, aqueles que o Espírito Santo está atraindo para Deus. Precisamos estar prontos para identificar os que querem verdadeiramente seguir a Cristo.


Concentre tempo e amor em discípulos fiéis
Depois subiu ao monte, e chamou a si os que ele mesmo queria; e vieram a ele. Então designou doze para que estivessem com ele, e os mandasse a pregar; e para que tivessem autoridade de expulsar os demônios (Marcos 3.13-15).
Após iniciar um ministério público de ensino e cura, Jesus cuidadosamente selecionou 12 homens para neles concentrar sua atenção e amor. Então, Jesus começou a passar muito tempo junto com eles (três anos!) para ensinar-lhes a Palavra de Deus com profundidade e mostrar-lhes como deviam viver. Ao fim do processo de discipulado, Jesus pôde separar-se deles sabendo que tinha cumprido a vocação que recebera. Jesus disse ao Pai:
Eu te glorifiquei na terra, completando a obra que me deste para fazer. Agora, pois, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus, e tu mos deste; e guardaram a tua palavra. Agora sabem que tudo quanto me deste provém de ti; porque eu lhes dei as palavras que tu me deste, e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste (João 17.4-8).
Em João 17.4, Jesus diz em sua oração que completou a obra que Deus, o Pai, lhe deu para realizar. Jesus ainda não tinha morrido na cruz; ainda não tinha ressuscitado dos mortos. Mesmo assim, Jesus diz aqui que já completou a obra que recebeu para fazer. Surpreendente! Qual foi a obra que Jesus recebeu do Pai e que Ele disse que já tinha completado? A resposta se encontra nos versículos que se seguem. Jesus tinha recebido homens fiéis. Sua obra era ensinar-lhes tudo que tinha recebido de Deus Pai. Sua obra era incutir a Sua vida na vida deles, de modo que eles pudessem levar adiante a mensagem depois que Jesus tivesse partido deste mundo. Jesus tinha chamado esses homens para estarem com Ele. Eles estiveram com Jesus, e Jesus foi fiel em incutir tudo que sabia e tinha em suas vidas.

Se queremos ganhar as nações para o nosso Senhor, também devemos ter essa mesma prioridade. Não podemos nos limitar a semear amplamente a Palavra de Deus. Nem podemos nos satisfazer em simplesmente fazer a triagem das multidões e descobrir quem são os verdadeiros discípulos. Devemos concentrar nosso tempo e amor nos novos crentes e cuidar deles até que cheguem à maturidade espiritual. Precisamos saturá-los com a Palavra de Deus. Devemos ensiná-los a orar, a compartilhar sua fé, a confiar em Deus nas dificuldades da vida e a amar como Jesus amou. Nós mesmos devemos servir de exemplo para eles em cada qualidade que Deus deseja desenvolver em suas vidas.

Se cada um de nós puder ajuntar um punhado de homens fiéis em torno de nós, incutir nossas vidas em suas vidas e ensiná-los como reproduzir esse estilo de vida, então o reino de Deus se expandirá para além da nossa imaginação. O legado que deixamos em nossos ministérios não é a obra que fazemos, mas a obra realizada pelos nossos discípulos! Nós poderemos plantar algumas igrejas durante o nosso ministério. Entretanto, se reunirmos em torno de nós um pequeno grupo de discípulos fiéis e os capacitarmos bem, eles plantarão mais igrejas do que jamais poderíamos plantar. O resultado será mais pessoas sendo trazidas para o reino de Deus. Não é exatamente isso que queremos que aconteça?
Confie a tarefa de evangelização remanescente aos líderes das novas igrejas
E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos (Mateus 28.19-20).
Estas coisas vos tenho falado, estando ainda convosco. Mas o Ajudador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito. Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize (João 14.25-27).
Uma vez tendo selecionado os seus discípulos, Jesus os conduziu à maturidade espiritual. Mas Jesus não parou aí. Ele também os comissionou a continuar a obra da evangelização após a Sua partida. Os discípulos deviam levar as Boas Novas a todas as nações na face da terra. Sabendo que eles sozinhos não poderiam fazer isso, Jesus prometeu enviar-lhes o seu Santo Espírito. Com esse Conselheiro ao lado, os discípulos jamais precisariam temer alguma coisa, pois Jesus permaneceria com eles até a consumação dos séculos.

Precisamos levar o evangelho aos nossos grupos-alvos e ajudar os primeiros convertidos a amadurecer em sua fé, mas não devemos parar aí. Também precisamos treinar líderes e evangelistas selecionados para levar adiante o restante da obra de evangelização entre os nossos grupos populacionais. Uma das decisões mais difíceis de tomar em nosso ministério é a hora da partida. Nossa tarefa é levantar homens e mulheres fiéis que levem adiante a tarefa da evangelização, do discipulado e da plantação de igrejas no meio de seu próprio povo.

No ministério, nossa tentação é permanecer na posição de liderança e estar sempre na berlinda. No entanto, nossa tarefa não é desenvolver grandes ministérios e ajuntar enormes multidões ao nosso redor, na esperança de que as pessoas venham a nos louvar e a cantar as nossas grandezas. Nossa tarefa é incutir a nossa vida em homens e mulheres fiéis, transformá-los em discípulos e líderes efetivos no reino, e então liberá-los para fazerem grandes coisas para o reino de Deus!

Um amigo certa vez me contou uma estória sobre soldados aliados na Primeira Guerra Mundial. De acordo com o meu amigo, o exército alemão introduziu o arame farpado como medida defensiva durante a guerra. Eles enroscavam o arame farpado em círculos entrelaçados e então o deixavam nos campos de batalha. Quando os soldados aliados avançavam durante a batalha, tinham muita dificuldade em passar por sobre o arame farpado. Na maioria das vezes, os soldados aliados que estavam atacando eram atingidos enquanto tentavam passar pelo arame farpado no campo de batalha. Após serem baleados, eles caíam no chão. Onda após onda de soldados aliados eram baleados e mortos enquanto tentavam atravessar o campo de batalha coberto com esses enormes círculos de arame farpado. Finalmente, os soldados aliados encontraram uma solução. Eles decidiram que, quando os soldados que estavam tentando passar pelo arame fossem baleados, ao invés de simplesmente cair no chão após serem atingidos, eles deveriam lançar os seus corpos feridos por sobre o arame. Isso permitiria aos soldados que vinham depois passar por cima deles e seguir em frente na batalha. Os soldados que vinham depois não gastariam um tempo precioso tentando passar pelo arame farpado. Agora eles podiam passar por sobre os corpos de seus colegas atingidos e avançar mais rapidamente. Esta pequena mas significativa descoberta mudou o rumo da batalha na Primeira Guerra Mundial em favor das forças aliadas!

Nosso papel no ministério, se necessário for, é colocar as nossas vidas como base para aqueles que vêm depois de nós. Os discípulos que formamos é que continuarão a expansão do reino de Deus nos meses e anos que virão. Nossa obrigação é prepará-los efetivamente para que possam levar avante a tarefa. Tudo que aprendemos de Deus Pai, ensinamos aos nossos discípulos. Gastar tempo com eles. Orar com eles. Ensinar a eles. Servir de exemplo nas qualidades que Deus quer que eles tenham em suas vidas. Devemos estar dispostos a sacrificar toda glória ou louvor que possamos receber, para que nossos discípulos possam ser grandes no reino de Deus. Devemos até mesmo estar dispostos a, se necessário, entregar as nossas vidas para que eles possam avançar na batalha!

ATIVIDADE DE FIXAÇÃO


Se você continuar agindo da mesma maneira, seu ministério resultará em que todas as pessoas em seu grupo-alvo possam ouvir e aceitar o evangelho nos próximos dois anos? E o que dizer dos próximos cinco anos?

Em seu ministério, o evangelho está sendo semeado em larga escala no meio do grupo-alvo? Em caso positivo, como? Se não, o que precisa mudar?

Em seu ministério, que métodos você usa para descobrir os que estão prontos para responder positivamente ao evangelho e se tornar verdadeiros cristãos? Explique. Que outros métodos você poderia usar para essa finalidade?

Em seu ministério, você tem reunido um grupo de discípulos fiéis aos quais você dedica um bom período de tempo e a quem você ensina demoradamente? Quantos são eles? Cite os seus nomes. O que você está ensinando a eles? Como os está preparando? O que mais você precisa ensinar a eles?

Você tem um plano para confiar o restante da tarefa de evangelização do grupo-alvo aos líderes das novas igrejas? Em caso positivo, em que consiste o seu plano? Você acha que ele será eficaz? Caso não tenha um plano, que passos você precisaria dar para começar esse processo?
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