Racionalismo Cristão 13ª edição Rio de Janeiro



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Abertura de casas racionalistas cristãs
Nas práticas do Racionalismo Cristão, somente podem ser admitidas pessoas que tenham perfeito conhecimento da Doutrina e façam uso sistemático, na vida cotidiana, dos seus princípios. As práticas são efetuadas exclusivamente nas casas racionalistas cristãs, sob direção do Astral Superior. Este preceito deve ser rigorosamente observado.

A ordem e a disciplina nas reuniões são obrigatórias para regularidade dos serviços e para segurança de todos os presentes, sendo, portanto, o acatamento à disciplina condição indispensável no desempenho das funções regulamentares.

Para que estudiosos da Doutrina cheguem ao estágio de conhecimento exigido para abertura de uma casa racionalista cristã, é necessário que formem um núcleo racionalista cristão, constituído por familiares, amigos, colegas de trabalho, vizinhos de bairro, enfim, por um grupo de pessoas honradas, que será visto, pela direção do Racionalismo Cristão, como ponto de partida para possível criação de nova Casa. Para tanto, um representante do grupo solicitará à Casa-Chefe autorização para se reunir nos dias e horários combinados entre si, de modo que o núcleo realize a limpeza psíquica e promova o estudo conjunto dos livros essenciais da Doutrina intitulados Racionalismo Cristão, A vida fora da matéria e Prática do Racionalismo Cristão.

As casas racionalistas cristãs localizadas no Brasil e em vários outros países compreendem três categorias: a Casa-Chefe, que é a matriz e sede mundial da Doutrina, as filiais e os correspondentes do Racionalismo Cristão.

As filiais e os correspondentes do Racionalismo Cristão, sem exceção, recebem instruções e esclarecimentos diretamente do órgão central e coordenador, que é a Casa-Chefe. Dessa forma, o preparo e a instalação de cada filial ou correspondente obedecem ao controle e à supervisão dela, que tudo orienta no sentido da uniformização das regras disciplinares.

Por ocasião da instalação de uma filial, a Casa-Chefe indica o nome do presidente astral respectivo, bem como o do primeiro e o do segundo organizador astral das correntes fluídicas do Racionalismo Cristão. De igual forma, a troca do presidente e dos dois organizadores astrais de uma filial por ascensão a plano espiritual mais elevado só pode ser feita pela Casa-Chefe, vedada terminantemente qualquer mudança por iniciativa da própria filial.

O presidente astral dos correspondentes é, sempre e unicamente, o Presidente Astral do Racionalismo Cristão, não tendo essas Casas organizadores astrais de correntes fluídicas, porque nos correspondentes não há manifestações mediúnicas.

Os presidentes das filiais e dos correspondentes desempenham as atribuições que lhes forem conferidas pelo presidente do Racionalismo Cristão, mediante mandato procuratório específico para não só presidirem as reuniões espiritualistas e administrativas das respectivas Casas, com a exata observância dos princípios do Racionalismo Cristão e o rigoroso acatamento da disciplina constante neste livro, mas também agirem como administradores delas, juntamente com os conselhos locais, nas atividades de natureza material voltadas para a prática da Doutrina.

O correspondente inicia-se quando o núcleo racionalista cristão existente tiver o mínimo de seis pessoas, dentre as quais haja uma disposta a assumir as responsabilidades da presidência. Essa pessoa escreve à Casa-Chefe expondo o anseio desse núcleo espiritualista em abrir uma casa racionalista cristã. Para tanto, solicita ao presidente do Racionalismo Cristão autorização para realizar reuniões públicas como correspondente e encaminha os requerimentos e fichas de inscrição dos futuros militantes.

Ao fazer essa solicitação, os integrantes do grupo interessado em fundar um correspondente devem estar conscientizados da responsabilidade que assumem perante si próprios, perante o presidente do Racionalismo Cristão e perante o Astral Superior. A responsabilidade implica o pleno conhecimento dos princípios doutrinários e da rigorosa disciplina que terão de seguir em suas próprias vidas e de praticá-los nas reuniões espiritualistas e administrativas.

O correspondente pode ocupar um cômodo da residência de qualquer dos militantes, mas com obrigatório acesso independente, até que tenha, como é desejável, sede própria.

Uma vez aceito o pedido, o correspondente passa a realizar reuniões públicas de acordo com a disciplina constante no capítulo 12 deste livro.

As reuniões públicas dos correspondentes são realizadas às segundas, quartas e sextas-feiras, podendo ser iniciadas às 19 horas, às 19h30min, às 20 horas ou às 20h30min, de acordo com as necessidades locais. As reuniões públicas têm duração de trinta minutos.

Além das reuniões públicas, os correspondentes realizam reuniões de estudos doutrinários e disciplinares às terças e quintas-feiras, nos mesmos horários, com a finalidade de reforçar o entendimento das questões espirituais e de consolidar a prática disciplinar. Dessas atividades, com uma hora de duração, participam os militantes e, a convite da presidência, assistentes estudiosos da doutrina racionalista cristã.

Os correspondentes também prestam atendimento personalizado ao público em dias e horários fixos ou combinados previamente com o presidente da Casa ou com diretor encarregado dessa atividade.

Nas reuniões públicas dos correspondentes não há manifestações mediúnicas em qualquer hipótese. Com o correr do tempo, surgindo pessoas dispostas a desenvolver a mediunidade e, caso o correspondente atenda às condições materiais próprias de uma filial para a realização de reuniões espiritualistas, seu presidente dá ciência disso à Casa-Chefe, e esta delibera se pode, ou não, haver treinamento de médiuns, de modo que seja cumprida a intransferível condição de o correspondente ser elevado à categoria de filial no prazo máximo de seis meses, e, assim, bem cumprir os requisitos disciplinares próprios dessa categoria de Casa.

A Casa-Chefe e as filiais do Racionalismo Cristão seguem disciplina adequada aos trabalhos espiritualistas que realizam em horários específicos, conforme consta nos capítulos 10 e 11 deste livro.

Os médiuns da Casa-Chefe e das filiais do Racionalismo Cristão, nas reuniões públicas, transmitem, à mesa do estrado, reflexos de pensamentos de assistentes e de espíritos do astral inferior que tiveram o uso do livre-arbítrio temporariamente contido pelas Forças Superiores que formam as correntes fluídicas. Cada manifestação mediúnica serve de tema ao presidente da reunião para que discorra, por no máximo cinco minutos, sobre os princípios doutrinários.

Na Casa-Chefe e nas filiais, no final das reuniões públicas, durante cerca de cinco minutos, um espírito do Astral Superior se manifesta, através de médium previamente preparado, em doutrinações orientadoras voltadas para os assistentes.

Essas doutrinações calam fundo na consciência dos presentes, umas alertando-os sobre erros cometidos, orientando-os para reconhecê-los e evitá-los, outras que lhes inspiram as melhores realizações, e outras ainda que levam à exata observância de princípios doutrinários, dando maior segurança para que façam da vida uma extensão prática de todos esses ensinamentos.

Durante uma reunião pública, são invariavelmente conduzidos aos seus mundos de estágio evolutivo os espíritos arrebatados de assistentes no salão e da atmosfera fluídica que envolve a parte externa de cada Casa.

Somente pela lei de atração conseguem os espíritos do Astral Superior permanecer nas reuniões públicas realizadas nas casas racionalistas cristãs, para beneficiar os assistentes e afastar espíritos obsessores que os tenham acompanhado.



Capítulo 3

Mediunidade e médiuns
A faculdade mediúnica ─ pelo menos a intuitiva ─ é inata no ser humano e exige dele cuidados e atenções especiais. Sua grande sensibilidade tem íntima ligação com o sistema nervoso. E esse sistema, uma vez alterado, pode levar o indivíduo à irritabilidade, expondo-o às investidas do astral inferior.

Isso indica que o ponto fundamental de conduta para os seres em geral, e principalmente para os que possuem a faculdade mediúnica mais desenvolvida, é o controle individual, não se deixando irritar por coisa alguma, muito embora se manifeste neles forte tendência para agir de forma impulsiva. A tarefa, por certo, não é fácil, mas a dificuldade não deve influir para que a necessidade de autocontrole não seja encarada com a seriedade que exige.

Devido à abrangência da mediunidade intuitiva, que é comum a todos os espíritos que se encontram na Terra em evolução, neste livro o termo “médium” é apenas aplicado aos que possuem mais de uma modalidade mediúnica.

Os estudantes do Racionalismo Cristão sabem que os espíritos do astral inferior esperam a ocasião oportuna para desfechar seus ataques contra os desprevenidos, principalmente aqueles que lhes oferecem maior receptividade como, no caso, os mais sensíveis.

Imperam, em ambientes sombrios do astral inferior, espíritos de má índole, bisbilhoteiros, fanfarrões, intrigantes, os que gostam de graçolas fúteis e de mau gosto, amantes de mexericos, vingativos, gozadores, pusilânimes, pérfidos, ociosos, xingadores bestiais e ignóbeis que também foram, em corpo físico, mentirosos, delatores, vilões, sensualistas, malandros, traidores, velhacos, impostores, pervertidos, prevaricadores, homicidas, gatunos, falsificadores e imorais.

Vagando pela atmosfera fluídica da Terra nas condições mais lamentáveis, encontram-se esses infelizes em estado perturbativo, em decorrência dos erros resultantes do mau uso do livre-arbítrio, e que, como contumazes delinqüentes, empregam suas maléficas atividades nos divertimentos mais condenáveis possíveis, como são os de atormentar o ser humano, que, alheio à sua presença e maquinações, por falta de esclarecimento espiritual os atrai inconscientemente, e acaba por praticar o que eles lhe intuem.

Existem, além disso, os que foram inimigos, que tudo fazem, agora que se tornaram invisíveis, para vingar-se dos antigos desafetos. Esse é o grande perigo a que todos estão sujeitos. Contra tal risco precisam precaver-se, com o pensamento bem orientado, pondo a força de vontade em ação para não pensar mal e não praticar atos criminosos, única maneira de afastar todas as más influências que aqueles espíritos inferiores produzem.

O médium, devido à sua maior sensibilidade, precisa estar ainda mais prevenido. Deve saber que os espíritos obsessores operam, de início, sutilmente, de maneira imperceptível, procurando estabelecer vibração harmônica com ele, explorando certas tendências ou anseios alimentados, de tal modo que não se aperceba do que se está passando, por julgar que aquela freqüência na focalização de um mesmo objetivo, de algum modo reprovável, é coisa sua. Isto não quer dizer que não contribua, realmente, com um pouco de si próprio no alcance do tal fim em mira. Mas é absolutamente certo que os espíritos do astral inferior tomam conhecimento do fato e, atentos, não perdem a oportunidade de agravar o mal, pois estão em toda parte.

Aqueles que desconhecem o que somos e o que é a vida fora da matéria não têm meios de defesa contra tais situações, e os que possuem mediunidade, principalmente a de incorporação, sem ter o adequado esclarecimento, terminam, não raro, vítimas da obsessão ou da loucura.

No Racionalismo Cristão ninguém é constrangido a prestar serviços, e muito menos os médiuns. Estes, no uso pleno do livre-arbítrio, deliberam, espontaneamente, dedicar-se à Doutrina.

O candidato a médium em qualquer das casas racionalistas cristãs só pode ser aceito para os trabalhos depois de se haver inteirado muito bem dos princípios doutrinários e de se mostrar capaz de seguir a disciplina racionalista cristã voltada para os trabalhos espiritualistas realizados. Terá, então, sua mediunidade desenvolvida dentro das correntes fluídicas organizadas pelo Astral Superior, submetendo-se ao rigor das fases de crescimento mediúnico, conforme estão explicitadas no capítulo 8, título “Desenvolvimento de médiuns”.

O médium precisa levar vida rigorosamente disciplinada, a fim de se manter, material e espiritualmente, em plenas condições de equilíbrio e saúde, para bem cumprir seus delicados deveres.

Essa disciplina consiste em:
1. habituar-se a ter horas para tudo;
2. alimentar-se moderada e racionalmente, de maneira a satisfazer as necessidades orgânicas;
3. não se alterar diante de falhas ou de erros, voluntários ou não, do seu semelhante;
4. não discutir nunca;
5. ouvir, com tolerância, as opiniões alheias e, quando tiver de emitir a sua, fazê-lo com oportunidade e critério;
6. não se irritar, não blasfemar, não maldizer, em nenhuma hipótese;
7. combater os sentimentos de revolta;
8. conservar serenidade e paz em ambientes alvoroçados ou conturbados; não o conseguindo, afastar-se, o quanto antes;
9. esforçar-se por ser comedido, prudente, verdadeiro e leal;
10. pensar antes de falar e de fazer qualquer coisa;
11. ouvir e saber calar;
12. procurar ser compreensivo diante dos males que não têm remédio;
13. não se lamuriar nem queixar-se;
14. não manter relações sociais com pessoas com as quais não sinta afinidade;
15. ser valoroso, digno e consciente das suas obrigações e deveres;
16. reconhecer a elevação dos misteres de cônjuge, pai, mãe, preceptor, filho e cidadão, dando o exemplo;
17. ser afetivo para com os que mereçam essa distinção, e reservado para com os que não a merecem;
18. não se afligir descontroladamente;
19. adotar parcimônia nos gastos, e simplicidade na apresentação;
20. suprimir o desperdício;
21. combater, tenazmente, a vaidade e o orgulho porventura existentes na sua personalidade moral;
22. não se ocupar da vida alheia nem fazer comentários desabonadores a terceiros;
23. cultivar bons sentimentos, aproveitando bem as horas do dia em trabalho útil;
24. não se apaixonar por nenhum assunto, seja político, esportivo ou de qualquer outra natureza;
25. viver, tanto quanto possível, impessoalmente, reconhecendo que a faculdade mediúnica exige renúncia e dedicação à Doutrina que abraçou; e
26. adotar, na vida cotidiana, sistematicamente, os princípios ministrados pelo Racionalismo Cristão.
Todas estas recomendações disciplinares, e outras que o bom senso comum indica, objetivam fechar as portas aos espíritos do astral inferior, que dão preferência aos médiuns de incorporação, para sobre eles exercerem ação perniciosa, obsedante e aniquiladora. Além disso, a prática desta disciplina favorece a formação de uma personalidade serena, confiante e esclarecida, indispensável ao exercício da mediunidade.

Evidentemente esta disciplina é recomendável aos que possuem qualquer das outras modalidades mediúnicas e aos seres em geral, por ser a mediunidade intuitiva comum a todas as pessoas. No entanto, dá-se, nestas normas, mais atenção à mediunidade de incorporação, em virtude de possuírem essa faculdade os médiuns que prestam serviços à doutrina racionalista cristã.

Na mediunidade de incorporação, um espírito age sobre o médium, transmitindo vibrações do plano sutil em que se encontra para o plano físico. Há um entrelaçamento de natureza fluídica que propicia a comunicação entre os dois planos. Nas casas racionalistas cristãs essa tarefa é conduzida pelas Forças Superiores, que tudo superintendem, e o médium sabe que está sendo atuado.

Na mediunidade intuitiva, esse casamento fluídico, mais intenso, não se faz necessário. As intuições surgem como idéias que a pessoa, freqüentemente, confunde com seus próprios pensamentos.

Muitas vezes, nas reuniões públicas realizadas nas casas racionalistas cristãs, salvo nos correspondentes, o médium capta o pensamento de um componente da assistência. Também nesse caso, toda a atividade espiritual subjacente ao processo de transmissão daquela vibração mental específica é regida pelas Forças Superiores.

Um espírito inferior pode apossar-se de um médium de incorporação e obrigá-lo a dizer impropérios e cometer distúrbios, quando o instrumento mediúnico ignora sua força espiritual e se concentra fora de uma corrente fluídica organizada por espíritos superiores. Logo, os espíritos perturbados, obsessores, facilmente se ligam a qualquer médium que os atraia pelo pensamento, sem necessidade de corrente fluídica, bastando, para atraí-los, que o médium se concentre em qualquer parte, ainda que isoladamente.

Quando o médium de incorporação é esclarecido ─ como o são os médiuns racionalistas cristãos ─ nunca se concentra fora das correntes fluídicas de que trata esta obra. Nessas correntes, está garantido e pode concentrar-se, tendo confiança absoluta no Astral Superior.

Por sua pureza e pelos fluidos em que está envolvido, o Astral Superior não pode facilmente tomar o médium. Para fazê-lo, precisa preparar-lhe o corpo fluídico com seus eflúvios purificadores, até se identificarem os dois fluidos: o do Astral Superior e o do médium. É como que uma desinfecção que o Astral Superior faz no corpo fluídico do médium, para depois nele poder atuar e produzir, sem falhas, os efeitos que deseja em prol da humanidade. Essa atuação, lenta e suavemente feita, além de beneficiar o médium, produz-lhe grande bem-estar; ao contrário do astral inferior que, após sua retirada, deixa o médium abatido e, por vezes, irritado.

Portanto, só atuará no médium, por ordem superior, o espírito inferior cuja ação possa ser controlada pelo próprio médium.

Por tudo isso, os médiuns devem ser tratados com a necessária compreensão, irradiando-se sobre eles pensamentos repletos de valor e coragem. Isso ajuda a revigorá-los, e, com esse apoio, podem mais facilmente agir em defesa própria e oferecer melhor serviço.

Em conseqüência da faculdade que possuem, sentem os médiuns, por vezes, estados de profunda nostalgia, de grande tristeza, originados nas ondas vibratórias do sofrimento que envolve o mundo. Não devem dar maior importância ao caso, visto que a situação logo se modifica, em razão dos poderes superiores que se operam, constantemente, no Universo. Quando, porém, tal estado se prolonga ou se repete freqüentemente, a ação dos espíritos do astral inferior precisa ser considerada, devendo os médiuns contra ela reagir com todas as energias de que dispõem.

Os espíritos do astral inferior, ao atuarem, impõem abnegação e renúncia ao médium, em face do estado de perturbação, maldade ou sofrimento em que se acham, ao passo que os do Astral Superior atuam brandamente, e sua aproximação é suave e benéfica ao médium.

É certo que, entre os espíritos do astral inferior, há os mais e os menos perturbados, os agressivos obsessores, os de maneiras brandas e os mistificadores, mas o médium esclarecido nas correntes fluídicas racionalistas cristãs tem meios de conhecer e controlar essas manifestações, evitando que as façam em desacordo com os princípios da Doutrina. Além disso, desde que a corrente fluídica esteja bem firme, pelo cumprimento da disciplina exarada nesta obra, pela correta concentração de todos os seus componentes, os espíritos do Astral Superior, que estão presentes, intervêm em favor do médium, sempre que tal medida se impuser.

A disciplina é, pois, de capital importância no desempenho dos trabalhos nas casas racionalistas cristãs, não podendo ser tolerada sua quebra. Seguir a disciplina representa segurança, senso de responsabilidade, intransigência em relação ao cumprimento do dever, conhecimento dos princípios doutrinários, respeito às Forças Superiores e demonstração de amor ao Racionalismo Cristão. Sua quebra pode ocasionar prejuízos materiais e morais, além de descrédito para a Doutrina. Essa observação não atinge somente médiuns, mas todos os militantes.

Os espíritos do astral inferior nada conhecem acerca do Racionalismo Cristão, porque, se algo conhecessem, não estariam perambulando na atmosfera fluídica da Terra. Essa é uma das razões pelas quais os espíritos mistificadores podem ser facilmente desmascarados pelo próprio médium. Logo que se apresentam com o desejo de algo transmitir, exteriorizando fraseado de falso sentimento, e repetindo conhecidos chavões místicos, são prontamente reconhecidos, desde que o médium esteja atento e prevenido contra possível manifestação de um desses perturbadores burlões.

Pode suceder que os médiuns sintam, por vezes, dúvida sobre se o que estão transmitindo é o pensamento de um espírito ou o seu próprio. Essa dúvida, entretanto, não deve prevalecer, levando-se em conta que o médium possui extrema sensibilidade. Uma vez que o médium esteja calmo, entregue docilmente ao desempenho do seu trabalho, livre de fluidos materializados subtraídos durante as prévias irradiações de limpeza psíquica e assistido por espíritos do Astral Superior, é manter-se confiante em si mesmo e transmitir o que receber, sem alimentar a menor dúvida de que está sendo veículo para o espírito atuante. Observadas as condições expostas, essa insidiosa dúvida deve ser vencida pelo médium, em benefício da sua evolução.

A faculdade mediúnica só deve ser desenvolvida debaixo da ação direta de espíritos do Astral Superior. Esses somente podem permanecer entre os seres em condições especiais e por meio de corrente fluídica previamente organizada por espíritos intencionalmente preparados para esse fim, como ocorre exclusivamente nas casas racionalistas cristãs. Daí a razão de não ser permitido a nenhum médium filiado a esta Doutrina concentrar-se e receber espíritos, ou desdobrar-se, fora das suas correntes fluídicas, sejam quais forem as circunstâncias. A essas medidas disciplinares é dada excepcional importância, por representar grande segurança para o médium e para os participantes das reuniões públicas e de desdobramento realizadas na Casa-Chefe e nas filiais.

Os ensinos racionalistas cristãos demonstram, exaustivamente, os perigos a que ficam expostos os que não souberem livrar-se das influências do astral inferior. Por isso, insiste-se em recomendar que todos observem os ensinamentos da Doutrina na sua vida cotidiana. O médium, em especial, deve abster-se de falar sobre sua faculdade e atividades psíquicas, salvo para obter orientações e esclarecimentos com o presidente da casa racionalista cristã onde trabalha.

O Racionalismo Cristão não tem necessidade de pedir nada a ninguém, oferecendo a todos, no entanto, os meios de conseguir o esclarecimento espiritual, que é o maior bem, a maior conquista que se pode almejar na Terra. Quem dá não precisa pedir que aceite. Essa é uma das razões de nada se pedir. Quanto aos militantes, cada qual deve procurar tornar-se merecedor da oportunidade que se lhe apresente de bem servir à Doutrina.

Os médiuns devem reconhecer que constitui privilégio, dos maiores, a oportunidade de poder desenvolver sua faculdade mediúnica nas correntes fluídicas do Racionalismo Cristão e, deste modo, prestar serviço inestimável a si mesmos, serviço que os tornará credores de benefícios proporcionais. "Quem bem faz para si o faz" ─ é provérbio que expressa verdade indiscutível.

Em muitos seres, a faculdade mediúnica é perceptível desde tenra idade, fenômeno que a medicina no atual estágio de seu desenvolvimento desconhece, o que muito vem dificultar o emprego da terapêutica adequada. A falta de esclarecimento dos pais é outro entrave que impede os filhos de receberem os meios indispensáveis de defesa, num mundo de reconhecida agressividade. A essas duas falhas lamentáveis procura o Racionalismo Cristão dar solução, para o bem da humanidade, com a difusão de seus ensinamentos.

Aos poucos, vai-se fazendo luz no espírito dos seres, mas, enquanto os conhecimentos reais da vida não forem amplamente divulgados e conhecidos, haverá cadeias e hospitais de alienados repletos de obsedados. Os piores males causados à coletividade são, ainda, os praticados pelos obsedados que andam por aí, sem que a maioria das pessoas os reconheça.

Não comete exagero quem assegurar que as desgraças, os crimes ou desavenças, a intranqüilidade, os infortúnios, as infidelidades, as injustiças e os danos pessoais têm sua origem, direta ou indireta, nas irreflexões e nos desatinos dos milhões de médiuns que agem na Terra inconscientes do seu verdadeiro estado, alheios à faculdade mediúnica mais aguçada que possuem.

São os médiuns que oferecem ao presidente das reuniões públicas realizadas na Casa-Chefe e nas filiais os temas mais oportunos para o momento, facultando a certos assistentes ouvir justamente o que mais precisam para sua orientação espiritual; são os médiuns que dão ensejo a que os assistentes meditem sobre a deplorável situação moral em que se encontram os espíritos do astral inferior que se manifestam; são eles, ainda, que transmitem os judiciosos conselhos e as sábias advertências dos espíritos do Astral Superior.

Quanto mais disciplinados forem os médiuns, quanto mais dedicados, mais fiéis à aplicação, sem fanatismo, dos princípios racionalistas cristãos na vida prática, mais rapidamente farão sua evolução espiritual, e melhores serão os serviços prestados.

Ao dedicar-se ao trabalho mediúnico nas correntes fluídicas, o instrumento mediúnico está, ali, plenamente seguro contra qualquer intervenção do astral inferior. Por isso, deve manter-se calmo e confiante nos bons resultados do seu trabalho, abstraindo-se de pensar, nessa ocasião, em tudo quanto se relacionar com a vida material, com os problemas da existência e com assuntos caseiros, para focalizar seus pensamentos no sentido das palavras das irradiações, nas dissertações, como também na produção do seu próprio trabalho e no controle da atuação dos espíritos.

O médium, para permitir que o espírito se manifeste por seu intermédio, prepara-se para isso e, num estado de relaxamento dos tecidos musculares, facilita ao espírito manifestante a transmissão do pensamento. Como o cérebro é semelhante, por comparação, a um aparelho receptor de rádio, o espírito atuante pensa no que deseja dizer, e as vibrações desses pensamentos, pelo médium captadas, transformam-se nas palavras que são por todos ouvidas.

Os médiuns que trabalham na Casa-Chefe e nas filiais nada devem temer, por se acharem ali resguardados pelas Forças Superiores; e, fora dali, desde que observem os princípios disciplinares, não lhes faltará a mesma assistência. Quando em trabalho, devem pôr de lado toda timidez, entregando-se ao serviço decididamente, sem preocupações a respeito de como podem estar sendo apreciados.

Em princípio, deve admitir-se que todos estão dando o melhor de que dispõem, e daí não haver motivo para receios e retraimentos. Cada qual, no seu posto, deve cuidar de si próprio, no desempenho das suas atribuições, nunca se preocupando com o que os outros estão fazendo ou possam achar e dizer. Se todos tiverem a consciência de estar dentro dos princípios da Doutrina, procederão acertadamente, e nada terão de conjeturar.

Os médiuns podem contar com a simpatia de todos os companheiros da Doutrina, na certeza de que sabem apreciar o valor da sua contribuição. O respeito, a consideração e a estima devem prevalecer em todas as ocasiões, porquanto a família racionalista cristã tem normas de proceder e deve ser unida. As vibrações harmônicas de compreensão e entendimento atuam salutarmente na formação de um clima propício à composição de boas correntes fluídicas.

Não deve haver ressentimento dos médiuns quando não são colocados à mesa, nesta ou naquela posição. Todos os lugares são bons. Quando o médium é suscetível de facilmente ressentir-se, pode o ressentimento ser provocado, propositalmente, pela ação do Astral Superior, para ser reconhecido, enfrentado, combatido e eliminado por ele. Às vezes, o ser ignora certos defeitos que possui, e, então, é preciso revelá-los e aflorá-los, para que sejam destruídos. O ressentimento é uma falha do espírito que deve ser encarada frontalmente e com naturalidade, para melhor conseguir-se seu extermínio.

Com o correr dos anos, a rotina dos trabalhos mediúnicos pode apresentar-se monótona aos olhos de alguns médiuns, cumprindo-lhes, em lugar de aceitar essa hipótese, procurar conhecer o porquê da monotonia, que bem pode significar estarem eles, por indolência ou por se entregarem a hábitos rotineiros, estacionando em sua evolução.

À medida que o médium evolui, vai encontrando novas sensações na própria atividade espiritual, em que os seus horizontes se dilatam, oferecendo-lhe novas, mais amplas e interessantes perspectivas.

A evolução consiste numa sucessão de conhecimentos novos e cada vez mais elevados, que continuadamente se superpõem. Onde há evolução efetiva não existe lugar para monotonia, já que em cada dia se aprende uma lição desconhecida, até mesmo nos acontecimentos aparentemente banais.

Essa evolução, porém, exige a conscientização do médium e seu permanente empenho em aperfeiçoar, cada vez mais, a faculdade mediúnica; a instrução e a cultura muito o auxiliarão nessa tarefa.

Como o acaso não existe e tudo dentro da lei de causa e efeito tem sua explicação, sua razão de ser, certas manifestações apresentadas pelo médium, aparentemente destituídas de interesse, podem encerrar ocultas lições para serem descobertas. Os médiuns não precisam que os presidentes sempre as revelem, pois que eles mesmos podem e devem colher os frutos que estiverem ao alcance das suas mãos.

Em cada reunião realizada há sempre uma oportunidade nascente, desde que aquela hora seja vivida com dedicação e se sinta a utilidade daquele trabalho e o seu alto objetivo. Firmem-se todos os médiuns nessa realidade, fugindo, o mais possível, da sensação ilusória dos atrativos materiais que contrastam, não pouco, com os encargos sérios da Doutrina, os quais demandam renúncia, abdicação e fuga às ilusões e enganos do mundo, sempre traiçoeiros.

A mediunidade não é faculdade hereditária. É própria do espírito. A hereditariedade é legado que passa de pais a filhos, por via material. A mediunidade não é doença, e sim, como se afirma, uma faculdade, o que quer dizer, um dom. Daí a necessidade de cultivá-la bem, dando-lhe os cuidados que precisa ter.

Todos vêm à Terra com as ferramentas adequadas aos misteres que vão exercer. As ferramentas são os dons, as especialidades, as vocações. Uns trazem o tino comercial; outros, a vocação para lecionar, a artística, a científica; ainda outros vêm para ser artífices, industriais, lavradores e, entre todos, muitos trazem, por acréscimo, além da intuitiva, uma outra faculdade mediúnica.

A mediunidade não deve ser exercida como meio de vida. Aqueles que exploram esse dom tirando dele proveito material estão-se condenando às mais duras correções futuras, sendo-lhes então cerceado o uso de tal patrimônio.

Na Casa-Chefe e nas filiais, a mediunidade é exercida sob a ação do Astral Superior e espontaneamente colocada à disposição da humanidade, para seu exclusivo esclarecimento espiritual.

Nem todos os médiuns chegam a poder desenvolver a sua faculdade sob a ação do Astral Superior. Nesse caso, não devem desenvolvê-la. Conservem-na como está, apenas servindo-se do grau de sensibilidade que lhes é adicional. Essa sensibilidade é utilíssima no sentido de poderem perceber coisas que se passam, sem que sejam relatadas. As aspirações, as intenções, as maquinações trabalhadas pelos pensamentos ficam registradas no espaço, e podem ser percebidas pela sensibilidade supervibrátil do médium.

Conquanto todos os médiuns não se possam servir das correntes fluídicas organizadas pelo Astral Superior para o seu desenvolvimento, dispõem, no entanto, dessa magnífica modalidade sensitiva para prestar, com ela, preciosos serviços no meio em que viverem, ora transmitindo conselhos previdentes, ora impedindo a prática de atos prejudiciais. Contudo, é condição primordial que o médium leve vida sã, sob a inspiração dos ensinos racionalistas cristãos, para evitar que seja intuído pelo astral inferior e se sinta desmoralizado com a aceitação das mistificações dos obsessores.

Os médiuns que desejarem trabalhar nas correntes fluídicas das casas racionalistas cristãs devem, primeiramente, fazer um exame de consciência, a fim de verificar se realmente estão aptos para exercer tal atividade.

Precisam conhecer, profundamente, o que diz este tema, e estar resolvidos a enquadrar o seu modo de viver na disciplina nele registrada. Caso não se sintam fortemente dispostos a assumir os compromissos que os princípios doutrinários impõem, é sinal de que ainda é cedo para tomar essa resolução.

É muito doloroso para todos os companheiros terem de enfrentar o dever de dispensar um médium iniciado, por haver fraquejado nas suas obrigações e na conduta. Com o rigor da disciplina, só os fortes vencem, e, na Doutrina, unicamente estes podem ser admitidos para o trabalho.

Os que se julgarem, porém, preparados para entrar em ação e estiverem firmemente decididos a dar de si o máximo devem endereçar seu pedido de admissão ao presidente da casa racionalista cristã em que desejarem trabalhar.

Cada ingresso de pessoa esclarecida é recebido com regozijo e aplausos íntimos, não só pelos militantes, como pelo Astral Superior, que, desse modo, contará com mais colaboradores dedicados, dispostos a auxiliar na grandiosa tarefa.

Convém, vez por outra, meditar sobre a exígua duração da existência terrena, em comparação com a eternidade do espírito. Isto levará o ser a encarar as coisas com mais realismo. Enquanto o oceano é formado por número limitado, ainda que grande, de gotas, a eternidade não tem limites. Logo, o tempo de duração de uma existência terrena, seja de setenta ou cem anos, é comparativamente, em face da vida eterna, menos do que uma gota d’água no oceano.

Ora, uma vez reconhecida essa realidade, não há por que dar tanta importância, como em geral se vê, às posições e grandezas absorventes que a vida terrena pode oferecer no campo material. Os espiritualmente esclarecidos têm o dever de encarar as funções mais altas não como privilégios, mas como deveres e responsabilidades maiores. É só uma questão de entendimento.

Essa argumentação é necessária, para não se sentir ninguém prejudicado e principalmente o médium, por deixar de desfrutar, hoje, o que a matéria ilusoriamente sugere, para, em troca, usufruir mais tarde os benefícios, as confortantes alegrias de um viver elevado.

Essa conquista já a fizeram aqueles para quem as atrações efêmeras da Terra não representam mais que fugidias reminiscências do passado.


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