Racionalismo Cristão 13ª edição Rio de Janeiro



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Mistificações
Os estudiosos da mediunidade e dos seus efeitos sabem que todos os médiuns podem mistificar. Isso não acontece aos que seguem os princípios racionalistas cristãos.

Dentro da corrente fluídica organizada pelo Astral Superior, o médium tem o poder preciso para reconhecer mistificações e dominar o astral inferior.

Ninguém se deve preocupar com os espíritos que se manifestam, mas tão-somente com os princípios da Doutrina, nos quais o investigador sincero tem o dever de basear sua observação.

A repulsa à mistificação define o esclarecimento do médium e o seu aperfeiçoamento na prática mediúnica. Da perfeição do instrumento musical depende a perfeição da música. Por mais notável que seja o artista, nada conseguirá de bom se o instrumento for deficiente.

É mistificador o médium que:
1. intencionalmente, deturpa a comunicação, com segundas intenções, ou dá expansão ao seu próprio eu, sem estar atuado;
2. entrega-se a práticas mediúnicas fora das casas racionalistas cristãs e desconhece a ação do pensamento e da vontade;
3. mesmo sendo honesto e revelando grande boa-vontade para a prática do bem, fala demais sobre qualquer assunto, por vezes do que não entende, principalmente sobre espiritismo, deixando-se levar por idéias erradas, contrárias à verdade sobre a vida fora da matéria;
4. tem o espírito repleto de idéias preconcebidas, de tal forma e em tal grau, que, quando qualquer espírito superior nele atua, para comunicar coisas úteis, recusa-se a transmitir o que recebe e externa o que tem na sua mente; e
5. se atormenta por desconfianças e pensamentos de dúvida e de inveja irradiados sobre ele próprio.
Entre os instrumentos do Astral Superior, os mais visados são o presidente e os médiuns.

O médium pode mistificar quando a corrente fluídica em que se acha enfraquece por falta de concentração de qualquer dos militantes que a compõem. Esse aspecto das mistificações é dos mais melindrosos, razão por que os ensinamentos exarados nas obras racionalistas cristãs precisam ser absorvidos com meticulosidade.

Ao alimentar temores e indecisões, que conduzem ao fracasso, o médium poderá ser assediado por espíritos inferiores, que se aproveitam dos menores descuidos para importuná-lo.

O astral inferior usa de hábeis subterfúgios para levar os médiuns à mistificação. Aproveitando-se dos descuidos relacionados com a inobservância da disciplina, envolve-os em seus fluidos, para familiarizá-los com eles, facilitando, desse modo, sua aproximação. Mas a ação prejudicial do astral inferior não se dará, estando os médiuns sempre vigilantes e apoiados nos ensinos ministrados pelo Racionalismo Cristão.

Aproveita-se o astral inferior também do enfraquecimento da corrente fluídica para aproximar-se de um médium, atirando-lhe descargas fluídicas. Tal médium, já um tanto harmonizado com esses fluidos danosos, envolvido como está pela irradiação com que o astral inferior procura imitar o Astral Superior, pode, eventualmente, deixar-se mistificar.

Perguntará o leitor: Como é possível ao astral inferior tomar o médium, nessa ocasião, e substituir o Astral Superior, se o trabalho é sério, o ambiente bom, o médium honrado e disciplinado, o fluido diferente e, ainda, se as trevas não suplantam a luz?

Pode tomar, sim, desde que a corrente fluídica organizada pelo Astral Superior, dentro da qual está o médium, seja enfraquecida por falta de concentração de um ou mais esteios, cessando a força atrativa ─ ímã que retém o Astral Superior junto ao médium.

Para mais à vontade conseguir a mistificação, e para o médium não o repelir, aproveita-se o astral inferior dos eflúvios lançados pelo Astral Superior e conservados no corpo fluídico do médium.

Portanto, o médium está sujeito à mistificação quando se descuida, ou melhor, quando se afasta, por negligência, da disciplina regulamentar a que deve submeter-se; disciplina cuja observância constitui garantia para todos os que trabalham em prol da doutrina racionalista cristã e, especialmente, para os médiuns, por serem eles os instrumentos que mais se expõem aos manejos do astral inferior.

O Presidente Astral do Racionalismo Cristão somente se manifesta na Casa-Chefe. Todavia, pode ocorrer doutrinação do Presidente Astral em filiais ─ e somente nelas ─ pouco antes do encerramento de uma reunião pública, desde que o presidente do Racionalismo Cristão esteja fisicamente presente. Comunicação transmitida por médium como sendo do Presidente Astral do Racionalismo Cristão, quer em filial sem a presença do presidente do Racionalismo Cristão, quer em correspondente que realize trabalhos mediúnicos autorizados pela Casa-Chefe para sua elevação à categoria de filial, é mistificação proposital do médium. Por quebra da corrente fluídica, o mesmo pode ocorrer durante uma reunião quando o médium não consegue perceber mistificações de espíritos inferiores, por não estar plenamente desenvolvido.

Mistificações são inaceitáveis, sejam elas intencionais ou não. Os presidentes das Casas em que ocorrerem essas manifestações esdrúxulas devem não só orientar os médiuns indisciplinados para que se reeduquem, a fim de não serem afastados dos trabalhos mediúnicos caso insistam nesse comportamento, como também os esteios, para que irradiem concentrados, de modo a bem atrair o Astral Superior, e o médium assim se manifestar com a imprescindível segurança astral.

Os presidentes devem agir de igual modo quando houver mistificações como sendo manifestações de espíritos superiores que, estando em plano de evolução tão elevado, não mais conseguem chegar às correntes fluídicas, como, entre outros, os espíritos de Antonio Vieira, Luiz de Mattos, Luiz Thomaz, e de ex-presidentes astrais de casas racionalistas cristãs, que ascenderam a planos espirituais mais diáfanos.



Obsessão
A obsessão resulta do mau uso do livre-arbítrio, da vontade mal-educada, das inclinações sensualistas, do descontrole nos atos cotidianos, do nervosismo desenfreado, dos desejos insuperáveis, da ambição desmedida, do temperamento voluntarioso e, conseqüentemente, do desconhecimento ou da inobservância dos ensinamentos racionalistas cristãos.

A faculdade do livre-arbítrio, que os seres humanos possuem, representa a prerrogativa de se conduzirem por si mesmos com liberdade e independência.

Ao fazer mau uso do livre-arbítrio, os indivíduos contrariam as leis naturais e imutáveis, que estabelecem normas de vida seguras e apropriadas, e precisam ser respeitadas, a qualquer custo.

É fora de dúvida que, com o raciocínio bem exercitado para a solução dos problemas que se apresentem na vida, tendo sempre em vista o aspecto honrado de todas as questões, os seres humanos podem manter-se na linha da boa conduta, beneficiando-se a si próprios e ao meio em que vivem. Os que se afastam desse caminho o fazem porque querem, porque se deixam enfraquecer, e, onde entra o enfraquecimento moral, entra a atuação dos espíritos do astral inferior, que produzem, em pouco tempo, a obsessão.

A vontade mal-educada é o resultado da indolência, do pouco caso e da negligência para com as coisas sérias da vida. O indolente deixa de fazer o que deve, esperando que outros o façam por ele; não gosta de horário nem de disciplina; é inimigo do trabalho e da ordem e nada faz pelo progresso, estando, por isso, situado no plano dos parasitas e dos adormecidos. Enquanto o mundo exige atividade e ação, o indolente vê, com indiferença, o que se passa, sem vontade de participar do movimento que reclama a presença de todos.

Ninguém se pode eximir do dever de trabalhar e de procurar no trabalho a satisfação da vida. O Universo inteiro é uma oficina de trabalho permanente, na qual todos precisam ser operários ativos e diligentes. Os que assim não compreendem, ficam à margem da vida, tornando-se indivíduos marginais, como marginais são os espíritos do astral inferior com os quais se associam, pela lei da atração. Logo, a ociosidade é mal que deve ser combatido, energicamente, por meio da educação da vontade.

Nas inclinações sensualistas estão os germes do materialismo obsedante. Elas incluem, como fatores preponderantes, os vícios, a luxúria, o desperdício, os abusos. O ser humano, subjugado por esse estado, dá expansão aos seus instintos, alimento aos desejos desregrados e acolhimento franco aos espíritos do astral inferior, seus afins, que concorrem para obsedá-lo.

Os atos cotidianos precisam ser pautados criteriosamente, para refletir o maior bom senso possível. A organização social obedece a esquema cujos traços gerais definem a posição que todos devem adotar no intercâmbio das relações humanas. A esse particular, de especial importância, todos devem estar atentos. Entre as normas de bem viver estão o acatamento e o respeito ao semelhante, na sua natural representação espiritual. Para conseguir esse fim, é preciso haver controle nas atitudes, domínio sobre si mesmo e raciocínio em ação.

Do descontrole em atos e palavras resultam as ofensas, os conseqüentes remorsos, os ressentimentos que custam a passar e, não raro, as antipatias e inimizades.

Os espíritos do astral inferior gostam de aproveitar-se dos seres descontrolados que pouco ou nada pensam antes de falar e fazer, para rir dos efeitos que suas atuações causam. Daí a razão de os acompanhar, procurando oportunidades para se divertir. Seres descontrolados são, pois, presas fáceis do astral inferior e, mais dia menos dia, podem ser levados à obsessão.

O nervosismo desenfreado produz irritação, intolerância, irreflexão, imprudência ─ males que conduzem a deplorável estado psíquico. É imprescindível que seja combatido por todos os meios, por ser agente de perturbação, pois onde há perturbação não falta campo favorável à atuação de espíritos do astral inferior ─ os maiores responsáveis pelas obsessões. Os maiores ─ entenda-se ─ não os únicos, porque o obsedado tem nelas a sua parte. O neurótico não procura se controlar, e o resultado é cair nas malhas do astral inferior, seguindo o caminho desastrado da obsessão.

Desejos insuperáveis são aspirações inatingíveis. Há indivíduos que nunca se contentam com o que têm. Estão sempre queixosos, achando que merecem mais. Sentem-se permanentemente infelizes. Em lugar de alegrar-se com o muito que possuem, lamentam a falta do mais que poderiam ter. Vivem num estado de perene insatisfação. Tornam-se desagradáveis. Julgam-se incompreendidos. Lastimam-se, a propósito de qualquer insignificância.

É perfeitamente racional que o ser humano procure melhorar suas condições de vida, obtendo maiores recursos, melhor bem-estar, situação mais desafogada e capacidade de atendimento a todas as solicitações indispensáveis. Mas, enquanto não alcançar essa situação, há que se conformar, compreendendo que ainda não chegou o momento, e deve tratar de preparar-se melhor ainda, orientando bem os seus pensamentos, as suas atitudes e a sua disposição de progredir cada vez mais, sempre agindo honestamente, para que tudo se resolva a contento.

Já o estado do indivíduo insatisfeito e mal-agradecido que alimenta idéias fantasiosas é deplorável, porque se transforma em um ser revoltado, mal-humorado, desgostoso e inadaptado. Caminha, assim, por estrada perigosa, envolvido em pensamentos afins de espíritos do astral inferior, que lhe sugerem imagens martirizantes e precursoras da obsessão.

As aspirações inatingíveis na presente vinda a este planeta podem ser alcançadas nas seguintes. Nenhum espírito deixa de voltar enquanto mantiver aspiração terrena a satisfazer. A lei de atração não falha, e a ela todos estão sujeitos. Se, porém, chegar a compreender, em tempo, que as atrações terrenas são ilusórias e passageiras, e trazem, quase sempre, conseqüências dolorosas e grande atraso na evolução, por certo acabará por modificar a maneira de sentir e de ambicionar.

A ambição desmedida é, já por si, um estado em que o egoísmo e a egolatria estão presentes. Os indivíduos ambiciosos quanto mais têm mais querem ter, a qualquer custo, e de qualquer forma. Não olham os meios para obter os fins. Usurpam, açambarcam e lesam. Domina-os a idéia obsessiva do ganho rápido, da manobra extorsiva. Para eles, nada de contemplações ou meios-termos: a determinação é avançar. Arquitetam golpes ousados, andando pelas entrelinhas da lei ou pelas suas omissões, o que é mais comum, e não possuem formação moral respeitável.

O mundo está cheio desses tipos, que são a causa do grande desequilíbrio econômico na Terra. Estão divididos em duas grandes massas: uma na Terra, agindo especulativamente, com enorme sagacidade e astúcia, e outra no astral inferior, igualmente ativa, formada por todos os espíritos que procediam como os seus atuais parceiros vivos em cotidiana atividade. As duas massas estão intimamente associadas e gozam da mesma volúpia que constitui a sua obsessão.

O temperamento voluntarioso reflete o feitio moral egocêntrico dos que entendem que a razão está exclusivamente do seu lado e querem exigir, por isso, que sua vontade seja satisfeita, muito embora interfira nas decisões alheias. São indivíduos que estão sempre em choque com os demais, mesmo que esses choques não se revelem. Nada mais divertido para os espíritos do astral inferior do que presenciar tais choques. Eles os assanham, e andam, por essa razão, à espreita da ocasião propícia para provocá-los. O indivíduo voluntarioso está sempre na sua mira. A cada momento vêem ensejo de armar um choque. Na falta de outra ocupação, esta é das mais absorventes para os obsessores. O voluntarioso irrita-se facilmente, despreza o ponto de vista do seu semelhante e quer fazer prevalecer sempre o seu modo de ver, tornando-se um fomentador de contrariedades.

O voluntarioso estriba-se nos seus conhecimentos e quer restringir tudo a eles, desconhecendo que o saber varia de pessoa para pessoa, de acordo com as oportunidades aproveitadas de cada um. Daí a necessidade de haver alguma tolerância na apreciação dos fatos, que o voluntarioso geralmente não tem. Costuma ser radical e, desse modo, sua obsessão se manifesta por idéias fixas, pela irritabilidade e pela maneira, mais ou menos irredutível, de apreciar as questões.

Como facilmente se depreende, a obsessão decorre da falta de esclarecimento espiritual, da ausência de conhecimento do mecanismo da vida, do desconhecimento sobre o que se passa depois do falecimento do corpo físico e de como se deve proceder para bem aproveitar a estada na Terra.

Há formas sutis de obsessão ─ imperceptíveis aos olhos daqueles que não se acham familiarizados com o assunto ─ que se podem desenvolver e levar as pessoas à loucura. É de grande vantagem, por isso, todos se instruírem a respeito da sua manifestação, ainda na fase inicial.

Em face da sutileza com que a obsessão se apresenta, as vítimas não se apercebem dos riscos a que estão expostas e deixam, por isso, de cortar o mal pela raiz, quando ainda estão em condições de fazê-lo. A obsessão vai penetrando lentamente e tomando conta da pessoa. Esta, por sua vez, não lhe dá importância e, quando se vai habituando a aceitar o que o obsessor lhe intui, o domínio deste passa a ser maior, mais rápido e violento.

Todo cuidado é pouco, e somente quando conhece bem a causa e o meio pelo qual se processa a obsessão é que o ser fica em condições de evitá-la e defender-se dela. As atrações apaixonantes são as mais perigosas, porque o indivíduo sente prazer e impulso convidativo muito forte para embrenhar-se nas suas cariciosas malhas. Até os esclarecidos primários se precipitam, às vezes, nesse abismo.

O ser humano nunca se deve deixar abater. Sem dúvida, ocorrem, para alguns, abalos morais fortíssimos. Há necessidade, nesses casos, de fazer um esforço muito grande para reagir, dominar-se e vencer a situação. Muitos têm chegado à obsessão, por falta de reação pronta e enérgica. O caso, por vezes, verifica-se com o falecimento de um ente querido: vêm o desespero, a inconformação, o descontrole e, finalmente, a perturbação. Por desconhecer a vida espiritual, o ser, naquela dor, suplica pelo espírito que partiu e não está em condições de acudi-lo. Esse espírito procura acalmá-lo, mas não consegue. Aflige-se então, sofre, e, em razão da sua presença constante ao lado do suplicante inconformado com o falecimento, acaba por tornar-se um obsessor do implorador, podendo levá-lo à loucura.

Cumpre ao ser humano, em tais situações, irradiar convictamente para ajudar o espírito a ascender ao seu mundo de estágio evolutivo, onde não sofrerá. Esta orientação é a única cabível para livrá-lo da perturbação que aquele possível obsessor pode produzir.

O Racionalismo Cristão empenha-se em oferecer todos os conhecimentos relacionados com o fenômeno, bastando que as pessoas se interessem por eles e procurem assimilar os ensinamentos. Grande parte da humanidade é vítima da obsessão, por absoluto desconhecimento de como deve proceder para evitá-la ou dominá-la.

Alguns sintomas do estado inicial da obsessão podem ser observados nos seguintes casos:
1. dar risadas sem motivo ou a pretexto de coisas fúteis;
2. ter cacoetes;
3. chorar sem razão;
4. comer exageradamente;
5. estar sempre com sono;
6. sentir prazer na ociosidade;
7. exteriorizar manias;
8. ter idéias fixas;
9. fazer gracinhas tolas;
10. aborrecer, persistentemente, o próximo;
11. repetir, mecanicamente, as mesmas expressões;
12. deixar-se dominar por paixões;
13. ter prevenções descabidas;
14. ser implicante;
15. ser carrancudo, estar sempre mal-humorado;
16. adotar práticas viciosas;
17. gostar de ostentação;
18. ter explosões temperamentais;
19. mistificar, enganar;
20. dizer mentiras;
21. expressar-se licenciosamente;
22. revelar covardia;
23. usar palavrões;
24. demonstrar fanatismo;
25. gesticular e falar sozinho;
26. ser, sistematicamente, importuno;
27. ouvir e ver coisas fantásticas;
28. gastar acima do que pode;
29. ter mania de doença;
30. descuidar-se das obrigações no lar e no trabalho;
31. viver num mundo distante, sonhadoramente;
32. provocar ou alimentar discussões; e
33. abandonar os deveres caseiros e ausentar-se do seio da família.
Os que assim procedem estão a caminho da obsessão ou, pelo menos, revelam grande predisposição para ela. O melhor que têm a fazer, portanto, é corrigir-se, para não continuar a atrair espíritos do astral inferior e a associar-se a eles.

Não é demais repetir que os espíritos do astral inferior são obsessores. A linguagem por eles usada é a do pensamento, e, por isso, os pensamentos das pessoas lhes são perfeitamente conhecidos, podem entrar em contato com qualquer uma, conhecer os seus intentos, e, assim, participar da vida daquelas que lhes fornecerem corrente de atração.

A aproximação dos espíritos do astral inferior não só produz obsessão como enfermidades físicas, além de agravar as já existentes. Sabe-se que esses espíritos estão impregnados de miasmas de várias doenças, que passam para os corpos dos enfermos por eles assistidos, agravando-lhes os males.

Até mesmo por higiene mental, ninguém se deve ligar pelo pensamento a desafetos ou outros seres humanos que alimentem sentimentos inferiores e pensamentos indignos, por estarem tais pessoas influenciadas por obsessores.

Pensando neles, as pessoas ligam-se aos espíritos da sua corrente obsessora, ficando sujeitas à assistência do astral inferior. Em decorrência dessa atração, os espíritos obsessores começam a fazer sentir, pouco a pouco, sua influência, que se reflete na aura da vítima, impregnando seu corpo fluídico de substâncias danificadoras, até estabelecerem pleno domínio e ação sobre ela.

Perturbado completamente o espírito da vítima, o obsessor toma conta dela, passa a influenciá-la, a intuir-lhe cismas e manias perturbadoras. É assim que se opera a obsessão.

A obsessão dos seres humanos é mais comum do que se calcula, e isto porque, não estando a humanidade devidamente esclarecida, não conhecendo a ação do pensamento e seus efeitos, e ignorando, até mesmo, a existência dos espíritos do astral inferior, que agem com força altamente maléfica, não está em condições de livrar-se das correntes do mal, o que só é possível por meio de uma reação inteligente.

Na grandiosa obra da Inteligência Universal tudo se encadeia num sentido harmonioso. Nas sábias leis que conduzem à perfeição e produzem desde o insignificante grão de areia, o pequenino inseto, o microscópico átomo, aos grandes astros dispersos no infinito, constituindo o Universo, tudo toma o estado preciso ao meio e às correntes fluídicas, para o estabelecimento de uma vida em harmonia com as irrevogáveis leis da natureza.

As leis naturais que regem o Universo, de elevadíssima sabedoria, que surpreendem o ser humano, encerram todos os conhecimentos, decorrem de uma seqüência lógica no processo da evolução, confirmam todas as ciências materiais e explicam todos os fenômenos.

No estudo desses princípios, é mister compreender que novas causas, novos efeitos cercam incessantemente o estudioso, envolvendo-o e ligando-o pelo pensamento a todos os seres inteligentes, corpóreos e incorpóreos, transmitindo-lhe por intuição impressões do mundo espiritual, permitindo-lhe sentir melhor as vibrações do bem e do mal.

A obsessão é, pois, sem a mínima dúvida, resultado da ação de pensamentos maus, por meio dos quais são atraídos espíritos do astral inferior que envolvem a pessoa, subjugando-a e impondo-lhe sua vontade. É pelo meio em que vive, por suas fraquezas, por vícios e falta de moral, que se torna ímã de atração dos espíritos inferiores, os quais, por não entenderem a realidade que os cerca ou por perversidade, permanecem na atmosfera fluídica da Terra.

Desobsessão
A desobsessão é conseguida, com melhores resultados, nas correntes fluídicas organizadas pelo Astral Superior, nas casas racionalistas cristãs. Nas reuniões públicas que se realizam na Casa-Chefe e nas demais Casas, os obsedados ficam em cadeiras adequadas, sentados à mesa do estrado, um de cada lado do fecho, assistidos por dois esteios, exclusivamente. Estes, atentos, os observam, irradiam, aplicando-lhes a disciplina do sacudimento. De quando em vez, dão-lhes de beber água fluidificada.

O sacudimento tem por fim facilitar o arrebatamento do espírito obsessor do corpo do obsedado, realizado pelos espíritos do Astral Superior ali presentes. O obsedado pode fazer movimentos bruscos na cadeira, revelando a ação do obsessor, que se obstina em não deixar a vítima. Sendo necessário, o obsedado deve ser contido pelos esteios que o assistem e pelo encarregado de salão, segurando com vigor seu corpo e braços à cadeira e suas mãos sobre a mesa, para evitar que se machuque com as contorções violentas que algumas vezes faz.

O encarregado de salão deve explicar ao responsável que acompanha o obsedado a possível necessidade de pôr em prática o procedimento acima e solicitar sua prévia autorização para aplicá-lo, se assim for inevitável fazer durante a reunião pública.

Os esteios que assistem ao obsedado e os componentes da mesa do estrado irradiam, confiantes, para melhor reforçar a corrente fluídica formada e facilitar a ação desobsessora. Enquanto isso, a reunião prossegue com serenidade e segurança, não dando nenhum dos auxiliares, a partir do presidente, a menor importância às reações ou reclamações que o obsedado faça. Depois que o obsessor é arrebatado, o obsedado se acalma, sentindo profunda prostração, em virtude da perda de energia anímica que lhe foi sugada pelo obsessor.

O obsedado, porém, ainda não está bom. A desorganização psíquica provocada pelo obsessor foi grande, e há necessidade de o obsedado retornar ao equilíbrio mental. Nesse estado, se não puder contar em sua casa com pessoas que o assistam, aplicando a disciplina e a correção aconselhadas pela Doutrina, estará sujeito a atrair outro obsessor dos incontáveis que existem na atmosfera fluídica da Terra, dificultando ou impossibilitando a sua normalização.

No entanto, se as pessoas da residência ajudarem, fazendo, duas vezes ao dia, as irradiações durante dez minutos de limpeza psíquica em torno do obsedado, sacudindo-o durante essas irradiações, rapidamente se operará a sua desobsessão, se o estado de inquietação do perturbado psíquico não tornar necessárias outras disciplinas.

Os obsedados alimentam, em regra, os desejos dos obsessores, que são de comida forte e excitante, razão pela qual lhes deve ser ministrado, durante a sua recuperação, regime alimentar semelhante ao de um convalescente, que os obsessores detestam.

Não se deve esquecer que os espíritos do astral inferior conservam os mesmos costumes e vícios que tinham quando em corpo físico. Assim, para alimentar as exigências do seu eu materializado, que intensamente sentem, apegam-se e unem-se fortemente aos seres vivos afins que os possam saciar, ainda que ilusoriamente. No procedimento disciplinar de desobsessão, esta particularidade não pode ser esquecida.

Os obsedados devem continuar os procedimentos recomendados até ficarem normalizados, comparecendo regularmente às reuniões públicas realizadas nas casas racionalistas cristãs, onde se lhes aplica a disciplina da limpeza psíquica.

Ali vão também ouvindo as doutrinações e, não obstante seu estado ainda de perturbação ou de desajustamento psíquico, alguma coisa do que ouvem fica gravada no seu corpo fluídico, produzindo efeitos benéficos. Os acompanhantes também vão adquirindo, por esse meio, conhecimentos que os habilitam a prosseguir nos procedimentos de desobsessão em casa.

Os obsessores que povoam o astral inferior têm, cada qual, as suas preferências e escolhem as vítimas de acordo com a afinidade que por elas sentem ou com os sentimentos que os animam em relação a essas mesmas vítimas. Os pensamentos afins são sempre o ímã de atração.

Há os que gostavam de bebidas alcoólicas, os que abusaram dos prazeres da culinária e continuam com o mesmo vício, os fumantes e os escravos de outros hábitos viciosos, todos empenhados em satisfazer os seus intemperados desejos. As vibrações harmônicas do obsessor e do obsedado conjugam-se, fundem-se, ajustam-se, encaixam-se de tal maneira uma na outra, que se torna difícil a separação.

A desobsessão de um ser rancoroso e vingativo é sempre problemática, porque, alimentando ódio e malquerença, revela grande inferioridade espiritual. Com esses sentimentos, torna-se um associado permanente dos espíritos inferiores. Em tais casos o desarranjo psíquico passa a ser incurável, desde que o livre-arbítrio da pessoa continue a ser empregado para o mal.

Depois de desobsedado, limpo psiquicamente, é preciso fortificar não só o seu espírito, mas também o corpo físico, ambos danificados pelos maus fluidos e grande perda de energia anímica. A recuperação se consegue pela reeducação da vontade e disciplina de pensamento.

O bom êxito desse segundo período de desobsessão é mais difícil de ser alcançado, por depender da reeducação da vontade do indivíduo em recuperação e da sua reação contra novas obsessões. As conseqüências das ações maléficas dos obsessores ficam tão arraigadas em seu espírito, que só as deixa a muito custo. Sob a influência da disciplina aqui explanada e da constante no capítulo 4, título “Normalização de obsedado”, começa a raciocinar e a dominar os vícios próprios e aqueles que foram desenvolvidos pelos obsessores. Quando se lhe tornar fácil esse domínio, não mais se deixará obsedar.

A normalização de crianças se fará desobsedando e esclarecendo os pais e as demais pessoas com quem convivem, levando-as, assiduamente, às correntes fluídicas das casas racionalistas cristãs.

As crianças também se normalizam com a mudança de ambiente, quando retiradas do meio onde agem os espíritos do astral inferior, atraídos pelos vícios e maus pensamentos dos adultos. Em outro ambiente e desacompanhadas das pessoas com quem conviviam, terão o viver ameno, pautado pelos princípios que esta obra explana.

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