Racionalismo Cristão 13ª edição Rio de Janeiro



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Reuniões de militantes
As reuniões de militantes são realizadas mensalmente em todas as casas racionalistas cristãs, com a presença obrigatória da militância local, vedada a participação de qualquer assistente, mesmo os mais antigos e assíduos.

As reuniões de militantes devem ser preferencialmente realizadas na manhã do segundo sábado do mês, com início às 9 horas local e duração máxima de duas horas. Contudo, em razão de peculiaridades e de costumes regionais, é facultado fazê-las aos domingos ou em dia útil da semana após o encerramento de uma reunião espiritualista. A Casa-Chefe e o representante regional, onde houver, devem ser comunicados da decisão que os conselhos locais das filiais e dos correspondentes tomarem, após ouvir a opinião da respectiva militância.

Embora haja, na Casa-Chefe e nas filiais, organização de correntes fluídicas nas reuniões de militantes, não há manifestações mediúnicas, limitando-se apenas, inclusive nos correspondentes, à leitura e ao comentário de doutrinações do Astral Superior ocorridas em reuniões públicas e em reuniões de doutrinações da Casa-Chefe e à divulgação de circulares e de outros documentos de responsabilidade do presidente do Racionalismo Cristão, enviados às demais Casas. Os militantes ─ excluídos os médiuns, que têm reunião própria para isso ─ podem expor suas dúvidas e pedir esclarecimentos sobre questões de ordem disciplinar e doutrinária, exclusivamente, a serem dirimidas pelo presidente da Casa ou por diretor por ele designado.

É importante que os presidentes leiam com antecedência as doutrinações encaminhadas, para apreender a essência do conteúdo de cada uma delas e assim estar bem preparados para comentá-las.

As doutrinações enviadas durante o ano pela Casa-Chefe às casas racionalistas cristãs devem ser encadernadas pelos respectivos presidentes e disponibilizadas nas mesas dos estrados, para que os militantes possam ler com vagar e atenção esses magníficos ensinamentos de espíritos do Astral Superior, alguns deles de notória participação no cenário mundial em vida física. Em razão de tanto, podem ser essas manifestações objeto de sensacionalismos vindos de pessoas imprudentes ou incautas. A preocupação com tão danosas atitudes, que já era do consolidador do Racionalismo Cristão, deve continuar perene na consciência de todos os militantes.

Por esse motivo, as doutrinações não podem ser copiadas e repassadas a assistentes, levadas para residências ou quaisquer outros locais, nem colocadas em sites da internet, salvo os da Doutrina, quando isso for autorizado exclusivamente pelo presidente do Racionalismo Cristão, cabendo aos seus responsáveis e moderadores o controle sobre esse tipo de divulgação. As doutrinações podem ser publicadas no jornal A Razão, a critério do editor e do presidente do Racionalismo Cristão.

A beleza e grandeza do Racionalismo Cristão fazem-se realçar por toda parte justamente pela ordem, disciplina e espontaneidade dos que se oferecem para cooperar na grandiosa obra de espiritualização da humanidade. As reuniões de militantes têm como objetivo maior o de promover a integração entre aqueles que trabalham na Doutrina. Os que, por motivo de força maior, não puderem eventualmente a elas comparecer, devem dar ciência ao presidente da Casa.

Reuniões de médiuns
A cada dois meses, o presidente do Racionalismo Cristão, na Casa-Chefe, e os presidente efetivos das filiais devem realizar reuniões com os médiuns das respectivas Casas, para orientá-los nos trabalhos mediúnicos e dirimir suas dúvidas, manifestando-se sempre em tese e nunca mencionando fato ocorrido com qualquer deles.

As reuniões de médiuns podem ser realizadas em horário que preceda reuniões públicas ou de desdobramento, devendo ser encerradas com a antecedência mínima de quinze minutos do início dos trabalhos preliminares da reunião espiritualista subseqüente. Para que a reunião seja objetiva e não ultrapasse o horário fixado, os presidentes devem elaborar uma pauta dos assuntos a serem abordados.

Nessas reuniões, os presidentes precisam recomendar aos médiuns que leiam sistematicamente os três livros essenciais da Doutrina ─ Racionalismo Cristão, A vida fora da matéria e Prática do Racionalismo Cristão, em suas últimas edições ─ especialmente os capítulos que tratam de mediunidade e médiuns, mistificações e obsessão, podendo dissertar sobre eles, e assim melhor fixar nos médiuns a importância de observarem os aconselhamentos, inclusive os ligados ao respectivo labor cotidiano e ao necessário aprimoramento da cultura pessoal.

Os presidentes também devem acentuar a imperiosa necessidade de os médiuns se manterem rigorosamente dentro dos princípios racionalistas cristãos, para evitar a ação de espíritos inferiores, a que ficam sujeitos, como pessoas de maior sensibilidade, quando os infringem.

O presidente do Racionalismo Cristão deve promover regularmente com o representante regional, e sob a coordenação deste, reuniões de médiuns da área geográfica, em datas previamente combinadas com os presidentes das respectivas Casas.

Reuniões administrativas ─ classificação
As reuniões administrativas devem ser preferencialmente realizadas após o encerramento das reuniões de militantes e tratar exclusivamente de assuntos de ordem material.

Caso a reunião de militantes seja realizada após uma reunião espiritualista, é facultado fazer a reunião administrativa no final da semana ou, em dia útil da semana, após uma reunião espiritualista. A Casa-Chefe e o representante regional, onde houver, devem ser comunicados da decisão que tomarem os conselhos locais das filiais e dos correspondentes.

As reuniões administrativas compreendem:





  • as de presidente, diretores e militantes




  • as dos órgãos diretivos e de apoio administrativo das filiais e dos correspondentes



Reuniões de órgãos diretivos e

de apoio administrativo da Casa-Chefe
Os órgãos de direção da Casa-Chefe compreendem o Presidente, o Vice-Presidente, o Conselho Superior, a Diretoria de Ação Doutrinária e o Conselho Fiscal, e, como órgão de apoio administrativo, o Diretório Central. Reúnem-se ordinária e conjuntamente após o encerramento da reunião de militantes e em Assembléia Geral, ordinária ou extraordinariamente. Além de assuntos administrativos tratados e decididos, de per si ou no conjunto desses órgãos, de acordo com as normas estatutárias do Racionalismo Cristão, o Conselho Superior e a Diretoria de Ação Doutrinária, sempre em reunião simultânea, também tratam de matéria disciplinar e decidem sobre ela de igual forma.

Comunicadas através de circulares, as decisões da Casa-Chefe de natureza material, disciplinar e de esclarecimento doutrinário são obrigatoriamente cumpridas ou postas em vigor pelas demais casas racionalistas cristãs em nível mundial.



Reuniões de presidentes, diretores e militantes
As reuniões de presidentes são promovidas exclusivamente pela Casa-Chefe nas diversas áreas abrangidas pelas representações regionais, com a participação obrigatória dos presidentes das casas racionalistas cristãs situadas no zoneamento, ou de militantes que os representem no evento.

As reuniões são realizadas na Casa-Chefe ou em alguma Casa da região em que acontecer o encontro. São presididas exclusivamente pelo presidente do Racionalismo Cristão, ou por militante designado especificamente por ele. As reuniões são coordenadas pelos respectivos representantes regionais, organizadas por um integrante da Diretoria de Ação Doutrinária, e, a critério da Casa-Chefe, podem delas participar militantes de qualquer casa racionalista cristã em nível mundial, como forma de integração e união da militância.

Nessas reuniões são abordados temas específicos previamente escolhidos para orientação dos presidentes, diretores e militantes em assuntos de natureza doutrinária, disciplinar e administrativa, dirimindo-se dúvidas e estabelecendo-se critérios, a fim de que a Doutrina seja divulgada e conduzida de maneira uniforme e harmônica.

Reuniões dos órgãos diretivos e de apoio administrativo das filiais e dos correspondentes
Os órgãos de direção das filiais e dos correspondentes compreendem os presidentes e conselhos locais e, como órgãos de apoio administrativo, os diretórios locais das respectivas Casas. Reúnem-se conjunta e preferencialmente no segundo sábado do mês após o encerramento da reunião de militantes, para tratar exclusivamente de assuntos de natureza administrativa e decidir sobre eles, de acordo com as normas estatutárias do Racionalismo Cristão. As deliberações devem constar de ata, excluídas dela menções referentes à reunião de militantes realizada anteriormente, se for o caso, salvo as dúvidas relacionadas com a disciplina racionalista cristã, mesmo que a reunião de militantes ocorra em outro dia da semana.

Os órgãos diretivos também podem reunir-se em caráter extraordinário, para tratar de matéria relevante e inadiável.



Capítulo 6

Orientações aos militantes
Nas casas racionalistas cristãs não há cargos elevados ou subalternos, pois todos são igualmente dignos de ser ocupados, não cabendo a ninguém supor-se mais importante com o desempenho deste ou daquele trabalho.

Não existem superiores nem inferiores, como não há patrões nem gerentes, e muito menos subordinados, mas almas desprendidas e com vontade de trabalhar por uma causa que não é mais de um do que de outro, e cujo único objetivo é beneficiar a humanidade.

Assim, os militantes que, na luta pela vida, forem patrões, altos dirigentes ou conceituados profissionais liberais devem esquecer-se dessa condição material quando, nas casas racionalistas cristãs, passarem a desempenhar cargos que lhes forem confiados. Cada um está subordinado aos princípios doutrinários, e nessas condições se encontram todos, sem exceção alguma.

As denominações dos vários cargos são empregadas, apenas, para definir atribuições e responsabilidades e não para determinar postos de mando, porque a obediência é dada aos princípios e não às pessoas, que exorbitariam se quisessem colocar-se no lugar deles.

Não deve haver confusão entre as denominações dos cargos nas casas racionalistas cristãs e as que se empregam nas atividades da vida material: os presidentes, os diretores e os auxiliares em geral são membros necessários de um conjunto harmônico, onde a cooperação se faz sentir, sob a compreensão clara dos deveres a cumprir.

Todos são necessários, mas ninguém é absolutamente indispensável. Todos são imperfeitos, mas o que vale é a vontade de acertar, posta em ação. O Astral Superior dá o exemplo da tolerância, suportando os erros de cada um até quando possam ser suportados, desde que não afetem os princípios doutrinários e a moral. Por isso, todos são iguais perante a disciplina e, pela sua intangibilidade, cada qual tem o dever de zelar. A Casa-Chefe espera que cada militante de qualquer casa racionalista cristã cumpra seu dever, assumindo, com valor, as responsabilidades que esse dever impõe.

Cargos na Doutrina são encargos, e seus ocupantes devem ter consciência da responsabilidade que assumem, ao colocá-los sobre os ombros.

Presidentes e demais diretores, no exercício das suas funções, não se sentirão, nunca, sobre um pedestal, de onde olhem os companheiros como subordinados, porque esta concepção está fora dos princípios racionalistas cristãos.

O princípio de respeitabilidade a cada um é mantido pela própria prática da disciplina e pelo exemplo; por tal razão, quem não estiver perfeitamente integrado nos princípios, quem não estiver esclarecido sobre os fundamentos da Doutrina, não reúne condições para trabalhar nas casas racionalistas cristãs.

Considera-se militante do Racionalismo Cristão a pessoa de moral ilibada, maior de dezoito anos de idade, conhecedora dos princípios da doutrina racionalista cristã e que, espontaneamente e sem quaisquer ônus para a Casa-Chefe ou para a casa racionalista cristã que freqüente, dê-lhe sua colaboração e auxilie nos trabalhos espiritualistas realizados.

As casas racionalistas cristãs podem contar com jovens entre dezesseis e dezoito anos de idade como militantes em treinamento, que, devidamente autorizados pelos pais ou responsáveis na respectiva ficha de inscrição, preencham as condições exigidas ao militante em geral e concordem com elas. Orientados pelos presidentes e diretores da Casa, os militantes em treinamento auxiliam na execução de tarefas específicas e adequadas aos adolescentes ─ não podem integrar as correntes fluídicas nem aplicar a disciplina do sacudimento ─ com vistas ao futuro aproveitamento como militantes.

Para ser aceito como militante, o candidato deverá satisfazer às seguintes condições:


1. requerer sua inscrição por escrito ao presidente da respectiva Casa;
2. preencher a ficha de inscrição, na qual constará, entre outros dados pessoais, o compromisso de prestar graciosamente sua colaboração na militância do Racionalismo Cristão; e
3. já haver o candidato, na data do pedido, freqüentado as reuniões públicas por um período mínimo de um ano, atestado, por escrito, pelo encarregado de salão da casa racionalista cristã respectiva.
A aceitação do pedido pelo presidente da Casa dependerá da satisfação, pelo candidato, das condições básicas acima referidas, de rigorosa apuração e avaliação no tocante à conduta pessoal e, em entrevista realizada com o requerente, da constatação que a vontade de ser militante não resulta de entusiasmo passageiro, mas de decisão consciente de servir à humanidade.

O primeiro dever de um militante de casa racionalista cristã ─ em todos os atos da vida ─ é dar exemplos da prática efetiva dos princípios que aprendeu na Doutrina.

Exemplos valem mais que palavras. O hábito de falar excessivamente, além de comprometer a pessoa, leva-a, muitas vezes, sem que disso se aperceba, a contradizer-se ou a desviar-se da orientação criteriosa que todos devem adotar.

Prática recomendável é dedicar-se o ser humano, durante alguns momentos do dia, ao recolhimento interior, ao silêncio, à meditação.

Não há quem não tenha problemas materiais, morais ou espirituais a resolver. E essa meditação, esse recolhimento espiritual e o pensamento profundo muito facilitam a solução dessas questões.

O verdadeiro sábio pensa muito e fala pouco, justamente por sentir imperiosa necessidade de pensar. O mesmo acontece com cientistas, inventores, investigadores, enfim, com os estudiosos em geral. Somente pela meditação constante, habitual, o ser humano é capaz de aumentar seus conhecimentos e enriquecer sua vida interior.

Quando alguém se põe a meditar, concentrado em determinado assunto, estabelece os meios, as condições, o clima espiritual que facilitam, pelas vibrações harmônicas que emite, a ligação às Forças Superiores.

A Força Criadora está presente no Universo, atua em toda parte, penetra todos os corpos, sem deixar um único ponto vazio. O repositório da sabedoria mais alta não está na Terra, como muitos supõem, mas no Espaço, em sua concepção absoluta. Os avançados progressos da tecnologia moderna não existiriam, se muitas frações dessa sabedoria não tivessem sido transmitidas aos seres humanos pela via da intuição.

Nosso planeta, sem que a maioria dos seus habitantes se dê conta dessa grande verdade, continua a receber importantes subsídios dos planos superiores. E eles viriam, ainda em escala maior, se o contingente de seres em condições de receber essas intuições fosse mais elevado.

Entretanto, é indispensável que o ser humano se prepare para essa elevação, eliminando da alma todo sentimento inferior. A calma, a serenidade e a reflexão constituem hábitos altamente saudáveis para o corpo e o espírito.

O mundo, onde quer que o indivíduo se encontre, reclama sua presença, para fazê-lo participar dos acontecimentos que a todos envolvem.

Como peças indispensáveis de um conjunto, como componentes da Inteligência Universal, não nos cabe fugir às responsabilidades e aos deveres que a vida impõe a cada um, ainda mesmo que não nos sejam agradáveis.

Sempre que nos encontrarmos, por qualquer motivo, em posição desfavorável, saibamos cumprir, com ânimo e bravura, a parte que nos toca nos deveres, imprimindo aos nossos atos e às nossas ações a maior parcela de dignidade.

Nunca nos separemos da ação construtiva a que estivermos ligados, nem que para isso tenhamos de suportar sacrifícios e renúncias, porque o que a vida reclama de nós em abnegação deve ser dado com superioridade e grandeza.

Os que sentiram no Racionalismo Cristão uma visão larga e ampla das coisas, os que não se deixam mais prender pelas passageiras emoções terrenas, sabem que a vida continua incessantemente, oferecendo-nos, a cada passo, novas oportunidades para enriquecimento do nosso patrimônio espiritual.

Uma vez bem conhecida a lei das reencarnações e despertada a consciência para o fato de ser a Terra um mundo-escola que nos dá os meios de tirar das lições que oferece o conhecimento de que tanto precisamos, façamos, então, o máximo esforço para sermos alunos aplicados, submetendo nossa conduta à mais severa e rigorosa vigilância.

Não sejamos indelicados, se pudermos ser atenciosos; cuidemos de não ser importunos, desde que possamos ser discretos; não sejamos intolerantes, mas compreensivos; não demonstremos sapiência, e, sim, modéstia; e não sejamos instrumentos de mágoas, mas porta-vozes de palavras amenas e reconfortantes.

Não nos esqueçamos de que as riquezas materiais não são nossas. Pertencem à Terra e nela ficam, quando voltarmos aos nossos mundos de estágio espiritual. Nossas ─ inteiramente nossas ─ são as riquezas morais e espirituais, conquistadas durante o caminhar pelo planeta. Logo, não façamos confusão entre essas riquezas: as primeiras são efêmeras e, em certo sentido, ilusórias; as segundas, reais e eternas. Não concedamos àquelas o valor que estas têm.

A maioria das pessoas perde-se pela vaidade quimérica das riquezas materiais. Quanto mais sentirmos o valor dessas riquezas na satisfação do nosso ego, tanto menos estaremos sentindo o valor das riquezas espirituais.

No entanto, havendo possibilidade, procuremos ter segurança e solidez material, reconhecendo que esse progresso é necessário e que os espiritualistas estarão em melhores condições para incentivá-lo e dele fazer bom uso.

Não haja descaso pelas coisas sérias. Estejamos atentos e disciplinados, não só para as obrigações nas casas racionalistas cristãs, mas no lar, no trabalho, ou em qualquer outra parte. Como o hábito é uma segunda natureza, introduzamos em nossa natureza individual o hábito da metodização, da ordem, da disciplina, para que esse comportamento seja praticado com espontânea naturalidade, em todas as ocasiões.

O militante racionalista cristão deve estar bem-humorado, mesmo diante da mais severa adversidade.

Uma vez que o acaso não encontra lugar dentro das leis que regem o Universo, pois há sempre uma explicação racional para tudo que acontece, e, quase sempre, não sabemos imediatamente o objetivo que, em face deles, poderia ser alcançado, o certo, afinal, é que esse objetivo vem ou virá em benefício nosso ou de outrem, a confirmar o ditado de que “há males que vêm para o bem”.

Uma outra atitude recomendada é o respeito às variadas linhas filosóficas. E essa diversidade de entendimento da vida decorre de como cada qual viveu suas vidas anteriores e respondeu à sua maneira aos embates e experiências.

Por essas razões é engano pensar-se que todos os seres estão maduros para adotar em seu viver os princípios racionalistas cristãos. Muitos ainda precisam despojar-se primeiramente de pesada carga de hábitos, crenças, limitações e temores correspondentes a estados crônicos de pensamentos errôneos que, por enquanto, os fazem permanecer no caminho por onde vêm palmilhando há séculos.

Por isso, não se deve discutir sobre crenças. O desabrochar é sempre de dentro para fora, dependendo do estado interior do indivíduo e da sua capacidade de assimilar concepções espiritualistas.

Não se pode semear sobre abrolhos. Daí devermos ter percepção suficiente para não pretender propagar a Doutrina em meio hostil.

As ocasiões de nos manifestarmos sobre ela surgem, naturalmente, e a oportunidade se apresenta sem ser provocada. O caminho certo é indicar uma casa racionalista cristã, nos casos de interesse despertado, sem procurar o interrogado estender-se em explanações. A exposição da Doutrina deve ser sempre feita sob a ação do Astral Superior, o que se dá dentro das correntes fluídicas organizadas nas reuniões espiritualistas realizadas em todas as Casas.

Todos devem cuidar bem da saúde, alimentando-se convenientemente a horas certas, não trabalhando exaustiva e desordenadamente, e descansando de acordo com as necessidades físicas. Os que assim não procederem abalam a saúde, encurtam a permanência na Terra e praticam, de certo modo, o suicídio, aos poucos.

Suicidar-se não é só acabar com a vida terrena, instantaneamente, num gesto trágico e louco. É também contribuir para o falecimento prematuro, agindo irracionalmente e praticando atos prejudiciais, de maneira consciente.

Os que alcançaram os conhecimentos racionalistas cristãos não têm desculpas para proceder de modo a infringir os seus ensinamentos, terminando por falecer antes do tempo. Quanto mais espiritualmente esclarecido estiver o ser, mais preparado ficará para tirar da existência melhor proveito e assim alcançar posição mais elevada na vida futura, sem criar débitos que teriam de ser saldados ou resgatados inescusavelmente, no porvir.

Os apegos também devem ser combatidos. É comum os seres apegarem-se demasiadamente uns aos outros, a animais, a objetos, a lembranças, a guardados antigos, não raro com veneração doentia.

As coisas materiais ficam na Terra, pois que a ela pertencem, relembramos. Poderemos conservar estima a tal ou qual objeto, pelo que nos representa no sentido espiritual. Às vezes uma coisa aparentemente insignificante pode avivar a saudade de um ente querido, rememorar um sentimento de gratidão ou um reconhecimento profundo. Não devemos, no entanto, levar a estima ao ponto de cairmos no sentimentalismo exagerado, que chega a deprimir. Procuremos sempre andar pela linha do meio-termo, eqüidistante dos extremos, linha que, como se diz comumente, é a posição da virtude.

Como se vê, todos precisamos proceder com prudência e atenção, pois, se não estivermos senhores do nosso próprio governo, se não andarmos com as mãos nas rédeas, nossas vidas poderão tomar rumo muito diverso daquele que gostaríamos de seguir. Isto, porque temos tendências ─ produto dos meios em que vivemos nas existências anteriores ─ que, sendo más, precisam ser reformadas e orientadas com os conhecimentos atuais, colhidos no Racionalismo Cristão.

Para manter na devida ordem todos os assuntos que se relacionam com o viver terreno, muito há que se raciocinar e meditar em cada dia, e os que assim não procederem erram, a cada passo, promovem sofrimentos, acarretam prejuízos, como a perda prematura do corpo físico, acumulando dívidas morais para resgate, mais tarde, em condições penosas.

O indivíduo desprovido de recursos, revoltado com a sua situação e invejoso dos que possuem fortuna; o rico, perdulário gozador, apenas preocupado com seu bem-estar egoísta, e o orgulhoso, sempre disposto a menosprezar os simples; a pessoa irascível, recalcada e vingativa, que apenas aguarda ensejo para verter o veneno acumulado em sua alma; o ser humano culto, mas presunçoso, imbuído de vaidade, exibicionista e ambicioso do poder temporal para satisfazer sua falsa grandeza, perderão todos, inapelavelmente, a vinda a este planeta. Nas vindas seguintes, outras experiências a eles serão impostas por sua própria iniciativa, cada vez mais duras, até que possam, algum dia, tornear as arestas contundentes dos seus espíritos e alcançar, aos poucos, a forma correta de viver.

A Terra ─ mundo-escola ─ ensina o ser humano a manejar bem as riquezas materiais e a ser humilde; ensina, ainda, o indivíduo culto a perceber sua humana pequenez e o pouco que sabe. Isto, quando cada um está tirando bom proveito da vida, na coleta das experiências.

Não existem seres privilegiados, já que todos percorrem os múltiplos caminhos da evolução. Os que hoje são bons já foram maus. Os que ainda são maus dependem de muito trabalho e empenho para se tornarem bons.

Diante dessa evidência, dessa realidade, precisamos ser complacentes com aqueles que não atingiram, por enquanto, a luz do esclarecimento espiritual.

Isto não quer dizer que os esclarecidos possuam grande adiantamento espiritual, pois muitos deles estão posicionados no início da jornada evolutiva, sendo certo, no entanto, que os que permanecem no total desconhecimento do que seja a vida fora da matéria situam-se na retaguarda daqueles, precisando muito de quem os ajude, de quem lhes sugira, mesmo que veladamente, algo a que aspiram, ainda indefinido para seus espíritos.



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