Radiofonizando o cotidiano



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PROJETO TEÓRICO SOBRE A HISTÓRIA DO RÁDIO

"RADIOFONIZANDO O COTIDIANO "

Décadas de 40 e 50
Introdução:

O objetivo da montagem é mostrar a importância que o rádio teve e tem na comunicação. Resgatar aspectos históricos importantes e relevantes dentro das áreas: política, cultural, econômica e artística. Um breve histórico desde a primeira transmissão de rádio no Brasil em 1922 durante as festividades do Centenário da Independência na cidade do Rio de Janeiro e sua continuidade através da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro pelo jornalista Roquete Pinto em 1923. Pretendemos contemplar textos de Drummond nos momentos poéticos do rádio, com isso o projeto "RADIOFONIZANDO . . . " pretende lembrar os 80 anos do Rádio e os 100 anos de Drummond. A parte operacional da montagem deverá caminhar nas décadas de 40, 50 e encerrando na década de 60.



Objetivos gerais:

Resgatar a história do rádio com a finalidade de mostrar as influências: política, cultural, econômica, social e artística no Brasil nas décadas de 40 e 50 e as transformações no comportamento das pessoas, contemplando a sua importância na comunicação neste período.

A forma conveniente que achamos foi através do caminho cênico, portanto, o espetáculo teatral tem elementos didáticos que colaboram no entendimento da proposta. Aspectos verbais e corporais estão implicitados para uma decodificação correta.

O COMEÇO:

Tudo começou em 1893 quando, em Cambridge – Inglaterra, James Clerck Maxwell demonstrou teoricamente a provável existência das ondas eletromagnéticas. James era professor de física experimental e a partir desta revelação outros pesquisadores se interessaram pelo assunto. O alemão Rudolph Hertz ( 1857-1894 ) foi um deles.

O princípio da propagação radiofônica veio mesmo em 1887, através de Hertz.Ele fez saltar faíscas através do ar que separavam duas bolas de cobre. Por causa disso os antigos " quilociclos " passaram a ser chamados de "ondas hertzianas "ou " quilohertz ".

A industrialização de equipamentos se deu com a criação da primeira companhia de rádio, fundada em Londres – Inglaterra pelo cientista italiano Guglielmo Marconi. Em 1896 Marconi já havia demonstrado o funcionamento de seus aparelhos de emissão e recepção de sinais na própria Inglaterra, quando percebeu a importância comercial da telegrafia.

Até então o rádio era exclusivamente " telegrafia sem fio ", algo já bastante útil e inovador para a época, tanto que outros cientistas e professores se dedicaram a melhorar seu funcionamento com tal. Oliver Lodge ( Inglaterra) e Ernest Branly (França), por exemplo, inventaram o "coesor", um dispositivo que melhorava a detecção. Não se imaginava, até então, a possibilidade do rádio transmitir mensagens faladas, através do espaço.

E as inovações continuavam a surgir, o rádio evoluia rapidamente.

Em 1897 Oliver Lodge inventou o circuito elétrico sintonizado, que possibilitava a mudança de sintonia selecionando a frequência desejada.

Lee Forest, desenvolveu a válvula triodo. Von Lieben, da Alemanha e o americano Armstrong empregaram o triodo para amplificar e produzir ondas eletromagnéticas de forma contínua.

Também no Brasil o rádio crescia: um Padre-cientista gaúcho chamado Roberto Landell de Moura, nascido em 21 de janeiro de 1861, construiu diversos aparelhos importantes para a história do rádio e que foram expostos ao público de São Paulo em 1893.

Teleauxiofono ( Telefonia com fio )

Caleofono ( Telefonia com fio )

Anematófono ( Telefonia sem fio )

Teletiton ( telegrafia fonética, sem fio, com o qual duas pessoas podem comunicar-se sem serem ouvidas por outras)(

Edífono ( destinado a ducificar e depurar as vibrações parasitas da voz fonografa, reproduzindo-a ao natural )



O Rádio no Brasil:

O primeiro transmissor de ondas de rádio no Brasil que se tem notícia, foi instalado no ano de 1913 por Paul Forman Godley, um dos fundadores da Adams-Morgan/Paragon, na região Amazônica, a pedido do governo brasileiro.

A primeira trasmissão de rádio realizada oficialmente no Brasil ocorreu no dia 07 de setembro de 1922, durante a inauguração da Exposição do Centenário da Independência na Esplanada do Castelo. Foi um grande acontecimento. O público ouviu o pronunciamento do Presidente da República, Epitácio Pessoa, a ópera " O Guarani " de Carlos Gomes, transmitida diretamente do Tearo Municipal, além de conferências e diversas atrações. Muitas pessoas ficaram impressionadas, pensando que se tratava de algo sobrenatural.

Desde 1922 as experiências com rádio-clubes vinham sendo realizadas, entretanto, foi somente em 1923, que Roquete Pinto inaugurou a primeira emissora de rádio, a Rádio Sociedade. No ano seguinte, foi inaugurada a Rádio Clube do Brasil, marcando o início da expansão. A tecnologia era ainda muito incipiente – " Os ouvintes utilizavam-se dos rádios de galena montados em casa, quase sempre por eles mesmos, usando normalmente caixas de charutos".

A década de 30 marcou o apogeu do rádio como veículo de comunicação demassa, refletindo as mudanças pelas quais o país passava. O crescimento da economia nacional atraia investimentos estrangeiros, que encontravam no Brasil um mercado promissor. A industria elétrica, alida à industria fonográfica, proporcionavam um grande impulso à expansão radiofônica.

O rádio trouxe inovações técnicas e modificou hábitos, transformando-se na maior atração cultural do país.



INÍCIO DOS COMERCIAIS

A propaganda é um meio de manipulação muito usado, principalmente nos dias de hoje. Sabemos que todos estamos sob a influência dos meios de comunicação, por onde passamos somos atingidos por eles.


Vivendo em um mundo globalizado onde todos 'deveriam' usar as mesmas roupas, consumir os mesmo tipos de alimentos, utilizar os mesmos tipos de eletrodomésticos, nada mais inteligente do que usar da propaganda para "dominar" o mundo.
O mundo dita moda, impõem costumes, unifica os seres humanos dos quatro cantos no planeta através de rádios, televisões e mais recentemente, da Internet.
Muitas pessoas são subordinadas às propagandas, às vezes, mesmo não precisando de certos produtos, de ouvirem falar deles, ficam tão curiosas que acabam os comprando.
A propaganda, quando bem feita, acaba aguçando a curiosidade das pessoas, assim, as manipulando.

Abordamos no espetáculo aspectos práticos cênicos para evidenciar o início dos comerciais que patrocinavam os programas e como conseqüência a garantia da continuidade do trabalho.

Enfatizamos a importância da popularização do rádio em todos os níveis consagrando grandes artistas das rádio novelas e marcando uma época da música popular brasileira que até hoje se comenta, como por exemplo o comprimido Melhoral, o Biotônico Fontoura, bolachas Maizena, o creme de beleza Rugol e as Pílulas de Vida do Dr. Ross.

POPULARIZAÇÃO DO RÁDIO NO BRASIL

O Brasil possui 2.826 emissoras comerciais de rádio licenciadas, segundo dados de 1997 do Ministério das Comunicações. A Região Sudeste tem o maior número de emissoras (1.051) 526 só no estado de São Paulo, seguida das regiões Sul (760), Nordeste (611), Centro-Oeste (245) e Norte (159).


A primeira emissão radiofônica brasileira acontece em 7 de setembro de 1922, nas comemorações do centenário da independência. A Westinghouse Eletric International Co. instala no alto do Corcovado, no Rio de Janeiro, uma estação de 500 watts, inaugurada com discurso do presidente Epitácio Pessoa. Seguem-se emissões de música lírica e conferências, captadas nos 80 aparelhos de rádio dispersos pela cidade. No fim das festividades, a rádio sai do ar, e outra transmissão só acontece no ano seguinte com a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fundada pelo antropólogo Roquette Pinto e por Henry Morize, diretos do Observatório Nacional. A emissora, com programas educativos e culturais, influencia várias rádios amadoras que aparecem no país na década de 20, como a Rádio Clube Paranaense, em Curitiba. Todas nascem como clubes ou sociedades e, como a legislação proibia a publicidade, são sustentadas pelos associados.
O rádio comercial desponta a partir da legalização da publicidade, no início da década 30. Com o crescimento da indústria e do comércio, o número de propagandas aumenta e o rádio transforma-se em um negócio lucrativo. Surgem os anúncios cantados, os jingles, que revolucionam a propaganda radiofônica. Na década de 30 são criadas várias rádios, entre elas a Rádio Record, de São Paulo (1931), a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro (1936) - a primeira grande emissora do país -, e a Rádio Tupi (1937), de São Paulo.
Nessa época, a rádio vai abandonando seu perfil educativo e elitista para firma-se como um meio popular de comunicação. A linguagem torna-se mais direta e de fácil entendimento. A programação diversifica e é mais bem organizada, atraindo o grande público. Nos anos 30 e 40 aparecem os programas de música popular, que lançam ídolos como Carmem Miranda e Orlando da Silva. Surgem também os programas de humor, de auditório- que contam com a participação do público -, e as novelas. A primeira delas é Em Busca da Felicidade (1941), da Rádio Nacional. A mesma rádio lança o Repórter Esso (1941), que inaugura o radiojornalismo brasileiro. As técnicas introduzidas por ele - frases curtas e objetivas, agilidade, Instantaneidade e seleção cuidadosa de notícias- são usadas ate hoje na maioria dos jornais falados.
Com a popularização da televisão, no final da década de 50, o apogeu do rádio chega ao fim e as emissoras são obrigadas a redefinir seus objetivos. Nessa reestruturação passam a dar mais espaço ao radiojornalismo e aos serviços à comunidade. A primeira rádio a divulgar notícias durante toda a programação é a Bandeirantes, de São Paulo, inaugurada em 1954. A partir de 1968 surgem as emissoras de freqüência modulada (FM). A maioria delas apresenta programas musicais, como a Rádio Cidade (1977), líder de audiência na década de 80. A primeira rádio FM só de notícias é a CBN, criada em 1996.

 

FUTEBOL

A primeira transmissão esportiva em rede nacional foi ralizada pelas rádios Cruzeiro do Sul do Rio de Janeiro – PRD-2, Cruzeiro do Sul de São Paulo – PRB-6 e Clube de Santos – SP – PRB – H, que, convidadas pela Rádio Clube do Brasil do Rio de Janeiro – PRA-3, fizeram a cobertura do campeonato mundial de futebol de 1938, realizado em Marselha, na França.

O autor dessa façanha foi o paulista Leonardo Gagliano Neto, titular do departamento de esportes da PRA-3 – Rádio Clube do Brasil do Rio de Janeiro (antigo Distrito Federal), que, com as dimensões e limitações técnicas da época, transmitiu tudo para o público radiouvinte de todo país.

O Brasil começou arrasador, vencendo a Polônia por 6X5.

Sob ordens do técnico Adhemar Pimenta, o Brasil formou Domingos da Guia, Machado, Zezé Moreira, Martin, Afonsinho, Lopes, Luizinho, Romeu, Perácio e Potesco.

Graças ao pioneirism, a versão e sobretudo à coragem de Gagliano Neto, o Brasil inteiro pode acompanhar todas as emoções que uma Copa do Mundo oferece.

Em 1938, vivíamos a gloriosa fase dos receptores alcunhados de "Rádio capelinha" ( pelo seu formato e de rádio de válvulas que no máximo captavam ondas médias C, daí a terminologia AM) e ondas curtas. Assim mesmo, Gagliano Neto, com sua voz possante e pausada, imortalizou-se na história da nossa radiofonia, mesmo com o Brasil sendo alijado da Copa, muito mais pelo significado de sua arrojada iniciativa.



AS NOVELAS DE RÁDIO

A primeira novela transmitida pelo rádio no Brasil aconteceu no dia 12 de julho de 1941; o público pode acompanhar durante quatro anos a novela "Em busca da Felicidade", pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro. O "Direito de Nascer", de autoria do cubano Felix Caignet, para a mesma emissora e adaptado por Érico Silva. Apresentadas pela Rádio Nacional eram lideres de audiência.

No mesmo ano a PRA-5 Rádio São Paulo lançou "Fatalidade", primeira novela escrita por um autor brasileiro. A novela provocou no público ouvinte uma empatia tão grande que o volume de cartas endereçadas aquela emissora cresceu de forma assustadora, obrigando os correios e telégrafos a designar um caminhão fechado para efetuar o transporte diário das correspondências.

Na PRE-3 Rádio Cube do Brasil Renato Murce, em 1940 criou o célebre "Papel Carbono", que em sua primeira apresentação teve como locutor comercial César de Alencar. Este foi o mais completo animador dos programas de auditório. No programa "Papel Carbono" revelou-se um dos maiores talentos humorísticos como o de José Vasconcelos.

Na década de 20, o professor Edgar Roquete Pinto apresentava pela Sociedade Rio de Janeiro PRA-2, uma programação eclética, que incluía notícias jornalísticas, previsão do tempo, informativos acadêmicos, do Instituto de História e Geografia, óperas completas, destacando peças teatrais, que eram levadas ao ar da mesma forma que eram encenadas nos nossos principais teatros.

Os intérpretes convidados para participar daquelas apresentações, vindos do próprio teatro, sem nenhum vínculo com a emissora recebiam pequenos cachês por sua participação, obrigatoriamente tinham que ser bons de leitura, uma vez que os textos e as respectivas escalações dos personagens eram distribuídas poucos minutos antes do início das "irradiações".

Ivani Ribeiro, poetisa, locutora, radioatriz e cantora, no ínicio dos anos 40, após uma curta passagem pela PRG-2, Rádio Tupi de São Paulo, transferiu-se para a PRH-9, Rádio Bandeirantes de São Paulo.

Ivani Ribeiro foi a melhor mulher no Brasil a ter um programa de radioteatro, que levava o nome de "Teatro Ivani Ribeiro".

Ainda na Bandeirantes, tivemos outro radioteatro de muito sucesso, a "Fámilia Encrenca", tendo como intérpretes principais Walter Foster, Rosália Ferraro e Bruno de Lucca.

Na década de 40, surge na dramaturgia brasileira: Janete Clair, radioatriz, redatora para produtora de novelas, e não mais de radioteatro.



ÍDOLOS DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA

O conjunto DO-RÉ-MI-FÁ formado por quatro cantoras, Hebe, Estela e suas duas primas, que começou com toda força, viveu pouco, pois uma das primas se casou e deixou a vida artística. Sobraram três, "As Três Américas". Algum tempo depois foi embora mais uma prima restando apenas Hebe e Estela, nascendo a dupla sertaneja Rosalinda e Florisbela, destaque nos programas do Capitão Furtado (Ariovaldo Pires). Engraçadinhas, bonitinhas, valiam mais pela beleza do que pelo que cantavam, e não demorou muito para perceberem isso, separando-se artisticamente. A Estela formou com duas irmãs, Helena e Norma Avian, um trio, o "Trio Itapuã". Hebe partiu para carreira solo com a ajuda de Gilberto Martins. O homem que havia lançado a radionovela no país achou que o nome da Hebe não combinava, precisava mudar, nascendo Magali Prado, conforme os testes. Como Lutou a Magali Prado sem os resultados de dejados! Hebe funcionava muito melhor, e inteligente como sempre foi, começou a crescer sozinha no Sumaré, tornando-se em pouco tempo, a "Estrela de São de Paulo".



As cantoras do rádio 

"Nós somos as cantoras do rádio.


Levamos a vida a cantar.
De noite embalamos teu sono,
De manhã nós vamos te acordar
Nós somos as cantoras do rádio
Nossas canções cruzando o espaço azul,
Vão reunindo, num grande abraço,
Corações de Norte a Sul."

Nas vozes de Carmem e Aurora Miranda, a canção de João de Barro e Lamartine Babo mostra o impacto do rádio no Brasil. A partir da década de 30 o Brasil entrou na "Era da Comunicação de Massa" e até o advento da televisão, ele seria o grande veículo de integração nacional.



AS CANTORAS DO RÁDIO

Os programas de auditório marcaram época no rádio brasileiro e reuniram os grandes nomes da música brasileira. Emilinha Borba, Marlene, Angela Maria, Nelson Gonçalves, Cauby Peixoto e Carlos Galhardo estiveram presentes nos primeiros programas de auditório. Em 1952, um dos melhores programas era o Um Milhão de Melodias, que tinha como atração os grandes nomes da música. O auditório vivia lotado e o público conferia de perto os astros que saíam nas páginas da Revista do Rádio. No dia 3 de novembro de 1952, a cantora Dalva de Oliveira retornou ao Brasil e compareceu ao programa. Os fãs foram ao delírio, chegando a atrapalhar o apresentador.

No auge dos programas musicais e de auditório do rádio brasileiro, nos anos 50, época em que o rádio era o principal veículo de comunicação do país, as platéias ficavam lotadas de pessoas que iam acompanhar a interpretação de sua cantora preferida. E, a cada ano, uma era escolhida a Rainha do Rádio. Os fãs-clubes brigavam entre si e grandes espetáculos eram realizados.

As cantoras do gênero popular, ao longo de sete décadas, encantaram gerações com suas vozes marcantes e interpretações memoráveis, o que as credenciou a concorrer ao tão cobiçado título de "Rainha do Rádio". Entre elas temos:

Aracy de Almeida (Tenha Pena de Mim e Não me Diga Adeus),

Nora Ney (Vai, Vai Mesmo, Menino Grande e Ninguém me Ama.)

Dalva de Oliveira (Olhos Verdes e Segredo).

Elizeth Cardoso (Mulata Assanhada e Barracão)

Isaurinha Garcia (Mensagem)

Dolores Duran (A Noite do Meu Bem)

Elizeth Cardoso (Canção de Amor)

Carmen e Aurora Miranda (marchinhas carnavalescas)

Linda e Dircinha Batista (marchinhas carnavalescas)

Ângela Maria (Não Tenho Você)

Emilinha (Chiquita Bacana, Se queres saber)

Marlene

Doris Monteiro (Se Você se Importasse)

Carmem Miranda (Pra você gostar de mim, Que é Que a Baiana Tem e South American Way)

Odete Amaral

Lourdinha Bittencourt

Ellen de Lima

Violeta Cavalcante

Carminha Mascarenhas

Carmélia Alves, a eterna Rainha do Baião, gênero que popularizou até em temporadas na Europa, nos anos 60

Linda e Dircinha Baptista - O concurso "Rainha do Rádio" teve início em 1937, ano em que Linda Baptista (Florinda de Oliveira) elegeu-se a primeira "Rainha do Rádio Brasileiro", promovido pelo Iate Laranja, um barco carnavalesco que ficava atracado na Esplanada do Castelo, na antiga capital federal.

Linda reinou por onze anos seguidos, quando em 1948, a ABR – Associação Brasileira de Rádio decidiu reorganizar o concurso convocando novas eleições; após um renhido pleito, Dircinha Baptista (Dirce de Oliveira) recebeu das mãos da sua irmã Linda, a coroa e o cetro, investindo-se como "Rainha"até 1949.



Emilinha Borba - construiu sua fama nos anos 40 e 50, recebendo títulos de Rainha do Carnaval e do Rádio. Começou a cantar no programa de calouros de Ary Barroso, onde tirou a nota máxima e ganhou cinco mil réis. Embora tenha começado sua carreira ainda na infância, participando de programas de auditório e de calouros, sua fama foi se consolidando aos poucos e logo formou a dupla As Moreninhas ao lado de Bidu Reis, que durou pouco mais de um ano.

Sua mãe foi camareira do Cassino da Urca, local onde conheceu Carmem Miranda, grande incentivadora de sua carreira. Em 1939, gravou seu primeiro disco solo pela Columbia e conseguiu, com a ajuda de Carmen Miranda, ser contratada pelo Cassino da Urca como crooner. Assinou mais tarde com a Rádio Nacional, e lá ficou por 27 anos, tornando-se uma das mais conhecidas estrelas do rádio. Emilinha Borba participou de mais de 40 filmes e gravou mais de 600 músicas.

A rumba Escandalosa, de 1947, marcou o primeiro estouro de vendagem na carreira de Emilinha Borba, enquanto filmes como Poeira de Estrelas e Barnabé Tu és Meu a colocaram na lista dos grandes artistas brasileiros. Certa vez afirmou que sua maior frustração era o público associá-la apenas ao Carnaval e não se lembrar dos outros ritmos que interpretou.

Nos anos 50, em meio à briga exaltada entre seus fãs-clubes, as cantoras Marlene e Emilinha Borba cantaram juntas pela primeira vez no rádio.



Marlene - Marlene começou a cantar aos 13 anos de idade num programa de novos talentos. Três anos depois foi contratada pela Rádio Tupi. Deixou São Paulo e foi para o Rio de Janeiro, onde trabalhou por algum tempo no Cassino da Urca e no Copacabana. A fama de grande estrela chegou quando foi contratada pela Rádio Nacional.

Na época de ouro do rádio, os programas de auditório do rádio faziam sucesso nos anos 50 porque misturavam bons cantores, calouros e a alegria da platéia. Marlene - que disputava com Emilinha Borba - contou que o principal trunfo era não dirigir o público, deixando cada um reagir espontaneamente. Em 1953, Marlene gravou "Estrela Miúda", música que definitivamente projetou João do Vale.



A disputa entre Emilinha e Marlene – O concurso de Rainha do Rádio em 1949, entre as candidatas que reuniam maiores possibilidades, figuravam Marlene (Vitória Bonaiutti) e Emilinha Borba (Emília Savanna Borba). Marlene conseguiu o apoio da Companhia Antarctica Paulista, que naquele ano pretendia lançar um novo produto, o Guaraná Caçula: a Antarctica desenvolveu uma bem montada campanha promocional em cima do nome de Marlene, que recebeu um cheque em branco, para adquirir quantos votos fossem necessários para assegurar sua eleição naquele pleito.

Emilinha chegou em terceiro lugar e, desgostosa, retirou-se da disputa antes mesmo da apuração final, que acusou 529.982 votos para Marlene. A coroação aconteceu num clima tenso e hostil e Marlene reinou até 1951.

Em 1951 a "rainha" foi Dalva de Oliveira (Vicentina de Paula Oliveira) com 311.107 votos e Mary Gonçalves em 1952, ganhou com 744.826 votos.

Emilinha Borba, que aguardava uma oportunidade de revanche junto a sua rival Marlene, desta vez mais estruturada com seu fã clube, conseguiu derrota-la, assim como derrotou Nora Ney (Iracema Ferreira Maia), apontada como uma das favoritas sobre as demais candidatas. Emilinha obteve 691.515 votos e, no meio de muita euforia, tornou-se a mais festejada entre todas as detentoras da faixa "Rainha do Rádio"entre 1953/ 1954.

Outra campeã em popularidade foi Ângela Maria, que em 1953/1954 recebeu a expressiva soma de 1.464.996 votos, jamais sendo igualada por nenhuma outra concorrente.



Ângela Maria - Os programas de calouros do rádio revelaram grandes nomes, como Angela Maria. Antes de chegar às ondas radiofônicas, a sapoti - como é carinhosamente chamada pelos fãs e amigos - cantou nos corais da igreja, afinal seu pai era pastor e toda a sua família interpretava os hinos durante os cultos. Demitida de uma fábrica de lâmpadas, onde cantava durante o expediente e distraía outros funcionários (a produção do setor começou a cair), Angela Maria foi tentar a sorte nos programas de auditório do rádio e adotou um pseudônimo para que a família não descobrisse que estava cantando. Depois de uma rápida temporada como crooner do Dancing Avenida, foi descoberta e levada para a Rádio Mayrink Veiga. E Renato Murce foi decisivo para sua carreira já que estimulou Angela Maria a adotar um repertório nacional imitando Dalva de Oliveira.

Naquela época, as cantoras possuíam fãs-clubes, que tratavam verdadeiras brigas para provar quem era a melhor. Angela Maria, entretanto, optou por não ter fã-clube e assim tinha o apoio de todos os grupos.



O começo:

Ângela Maria começou a freqüentar programas de calouros nas rádios antes dos 20 anos.

Até então, só cantara em igreja e não tinha o apoio da família para seguir a carreira artística. Para conseguir realizar o sonho, a operária tecelã Abelim Maria da Cunha passou a ser Ângela Maria. Por volta de 1947, começou a freqüentar programas de calouros. Apresentou-se no Pescando Estrelas, da Rádio Clube do Brasil, na Hora do Pato, da Rádio Nacional, e no programa de calouros de Ari Barroso, na Rádio Tupi. Nessa época, decidiu abandonar a família e morar com a irmã. Um ano depois, lançava-se crooner no Dancing Avenida.

Em 53 anos de carreira, Ângela Maria tem mais de 50 discos, diversos compactos e alguns de 78 rotações. Foi a cantora mais popular do Brasil na década de 50, sendo conhecida como Rainha do Rádio. Ganhou o concurso, quatro vezes seguidas, entre os anos de 1952 e 1956.



Doris Monteiro Adelina Dóris Monteiro, carioca de Copacabana, onde nasceu em 21 de outubro de 1934, não precisou de muito tempo para saber o que queria ser quando crescesse. Ainda bem pequena, já cantava sob o entusiasmo e estímulo dos vizinhos. Com treze anos e com o apoio da torcida da família, procurou o programa "Papel Carbono" do apresentador Renato Murce, na Rádio Nacional. Em 1951 gravou seu primeiro disco com a música "Se você se importasse", de Peter Pan, que ficou em primeiro lugar nas paradas de sucesso durante três meses. De gestos e canto suaves, rosto de menina-moça, longa trança caindo sobre o ombro, ela contrastava com as demais cantoras de vozes fortes e estilo exuberante e por isto tudo encantou o país, pois era a única de estilo inconfundível.

Dóris Monteiro fez uma comparação interessante:

Nos anos 40, 50 e 60, os artistas lutavam pelo prestígio, que lhes traria uma carreira estável e duradoura, com rendimentos modestos, mas freqüentes. Já os surgidos nos anos 70 e 80 entraram no esquema mercadológico, onde a fama imediata traria muito dinheiro. Entretanto, os artistas corriam o risco de serem esquecidos com a mesma velocidade de seus lançamentos.

Ela começou cantando fados no programa de calouros Papel Carbono, apresentado por Renato Murce na Rádio Nacional. Por isso, presenciou muitas das brigas entre os fãs de Emilinha Borba e Marlene. O Brasil namorou e amou com a voz de Doris Monteiro como fundo musical.



Nora Ney é sem dúvida nenhuma uma das maiores intérpretes brasileiras. Nora Ney foi crooner do Copacabana Palace e trabalhou na Rádio Nacional ao lado de Dóris Monteiro e Jorge Goulart, com quem se casou mais tarde. "Ninguém Me Ama" foi a canção que colocou Nora Ney definitivamente na lista das melhores cantoras do país. A letra fala do fracasso amoroso, das noites mal dormidas, da dor implacável da paixão. Nora Ney nasceu no Rio de Janeiro e entrou para a música tarde: ela fazia parte do Sinatra-Farney Fan Club e cantava nas rodas de amigos. Até que, um certo dia foi levada aos programas musicais do rádio por Dick Farney e Lúcio Alves.

Aracy de Almeida - Considerada a maior intérprete de Noel Rosa, franca e boêmia, Aracy de Almeida cantava em igrejas do subúrbio do Rio de Janeiro. Seu inicio profissional aconteceu no rádio, através de Custódio Mesquita, que em 1933, a levou para participar de vários programas de calouros. E foi justamente nos bastidores de uma rádio onde conheceu Noel Rosa mas nunca namoraram, como afirmavam as pessoas, apenas foram dois bons amigos.

Aracy de Almeida foi, ao lado de Carmem Miranda, a maior cantora de sambas dos anos 30. Depois de atuar na boate Vogue, em Copacabana, gravou dois álbuns dedicados a Noel Rosa, que morreu cedo, com apenas 26 anos de idade. Por ser sua melhor amiga, ganhou várias letras do compositor, algumas inéditas.



Carmem Miranda nasceu em Portugal, em 1909 e, com um ano de idade, desembarcou no Brasil.

Do início no rádio, passando pelos palcos do Cassino da Urca e pelos estúdios de Hollywood, Carmem Miranda é um dos nomes mais importantes de nossa música. Com seu estilo muito pessoal e roupas com referências ao Brasil, Carmem revelou seu talento ainda na infância. De família religiosa, a cantora estudou no colégio de freiras Santa Tereza, no Rio de Janeiro. No colégio foi escolhida para declamar ao rei Alberto, da Bélgica. A menina, então com 13 anos, dominou a cerimônia, mas acabou repreendida pelos professores devido ao excesso de gestos durante a apresentação. Por muitos anos trabalhou em rádios do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Carmem Miranda foi vendedora de discos e modista de chapéus. Depois de gravar dois discos com relativo sucesso, foi ouvida pelo compositor Joubert de Carvalho, que, impressionado, escreveu especialmente para Carmem a música "Pra você gostar de mim", mas conhecida como "Taí". Pioneira, promoveu a divulgação de vários compositores, entre eles Ataulfo Alves e Dorival Caymmi. O convite para trabalhar nos Estados Unidos veio do empresário norte americano Lee Schubert, durante um espetáculo no Cassino da Urca. Carmem Miranda começou a fazer shows na Broadway e logo depois conquistava o cinema e o mundo. Carmem marcou época. Suas roupas serviam de modelo para as figurinistas nos Estados Unidos e Europa. Sapatos com saltos altíssimos, turbantes, unhas pintadas e colares usados pela cantora viraram moda em vários países. Carmem Miranda brilhou em Hollywood e projetou a cultura brasileira para o mundo. Ela imortalizou em sua voz várias canções, entre elas "O Que é Que a Baiana Tem", "Balancê" e "South American Way". A "pequena notável" revelou diversos artistas desconhecidos e era rigorosa ao selecionar seu repertório. Eram nomes obrigatórios Ataulfo Alves, Ary Barroso e Dorival Caymmi. No dia 05 de agosto de 1955, a notícia de sua morte parou o Brasil.

Isaurinha Garcia - Paulistana, Isaurinha Garcia começou sua carreira aos 12 anos de idade, participando dos programas de calouros do rádio. No início, ao lado do sambista Vassourinha imitava os números imortalizados por Carmem Miranda. Aos poucos, foi ganhando estilo próprio e conquistando seu espaço. Recebeu grande estímulo da mãe para seguir a carreira artística.

Entre os homens, podemos destacar também a bela interpretação de Vicente Celestino, a elegância de Cauby Peixoto, entre outros.



A PALAVRA POÉTICA E RELIGIOSIDADE
A palavra poética: (década de 50)

Como era uma evidência a importância do uso da palavra, por causa do estímulo auditivo como meio maior de comunicação, nos programas realizados no período da tarde, como por exemplo "Chá da tarde ", muito comum na rádio nacional, poetas ali eram lançados através de trechos ou de forma integral suas poesias. Era um trabalho que os locutores(as) gostavam muito de fazer porque era um exercício de interpretação.



Religiosidade: (década de 50 e 60)

Era muito comum, isso em função do povo brasileiro ser muito religioso, programas religiosos, não com a mesma intensidade dos dias de hoje, entretanto, com uma força muito grande no horário que foi estabelecido às 18:00. Praticamente quase todas as casas que possuiam rádio, neste horário estavam ligadas em alguma emissora para ouvir, principalmente na rádio nacional, a abertura do programa que normalmente era " Ave Maria " de Gonout. Orações eram feitas, pedidos de graças, leitura da bíblia e cartas de ouvintes solicitando ajuda por algum motivo.



RADIOJORNALISMO

Destaque ao Repórter Esso por ter sido o mais importante:

Em 1941, surge o Repórter Esso, patrocinado pela famosa companhia norte-americana de combustíveis, que lhe emprestava o nome. As notícias eram redigidas pela United Press Internacional, e eram traduzidas para o português pela equipe do informativo. Era o principal veículo de informação sobre os fatos internacionais, sobretudo a Segunda Guerra Mundial. Seus pontos de vista seguiram a linha dos EUA, mas mesmo assim era um noticiário bem feito que estimulava a atenção e o interesse dos ouvintes.

O programa chegou a ter sua versão televisiva, que teve entre os apresentadores o mesmo locutor da versão radiofônica, o gaucho Heron Domingues. Heron foi considerado um dos melhores locutores noticiaristas da história, e faleceu aos 50 anos, em 1974, depois de anunciar uma notícia na televisão, quando sofreu um enfarte.

Um dos últimos apresentadores do Repórter Esso, que locucionou as últimas transmissões radiofônicas do programa em 1968, o comunicador Roberto Figueiredo se tornou, duas décadas depois, um dos comunicadores de sucesso no rádio carioca, com passagens pela Super Rádio Tupi e Rádio Globo do Rio de Janeiro.

O RÁDIO E AS NOVAS TECNOLOGIAS

Mesmo com as novas tecnologias o estímulo sonoro "rádio" não perdeu sua importância.

Como já dizia o grande ator Paulo Gracindo, " tem espaço para todo mundo, existem milhares taxistas trabalhando, milhares de pedreiros trabalhando nas obras que escutam o seu radinho, muita gente morando em lugares pobres e distantes onde o único meio de comunicação é o rádio...." Paulo Gracindo manifestou-se dessa forma, porque a televisão estava aparecendo e o radialistas estavam com receio de perder o seu trabalho. Tinha razão, o rádio contiuna firme até hoje e mais, trabalhando em conjunto com os outros meios de comunicação.

Referências Bibliográficas:
- Revista Realidade, n.75 Abril, junho de 1972
Depoimento de Sergio Cabral - folha on line – (UOL)
Almanaque especial de moda Por Claudia Garcia - Folha de São Paulo

Segunda-feira, 9 de julho 1984


Lígia Sanches - O Estado de São Paulo - Quarta feira, 15 de junho 1975
Glauco Carneiro - Por Trás Das Ondas Da Rádio Nacional
Goldfeder, Miriam – Editora Paz e Terra – 1989
- Revista Radiolar n.6 - pgs. 17,18 e 19
Tavares, Reynaldo C. Histórias que o rádio não contou. Editora Harbra, São Paulo, 1999.


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