Rafael ives cavalcante camelo



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FACULDADE 7 DE SETEMBRO

CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO

RAFAEL IVES CAVALCANTE CAMELO
ANÁLISE DO CUSTEIO VARIÁVEL NO SEGMENTO DE CONFECÇÃO CEARENSE DE MATERIAIS ESPORTIVOS: ESTUDO DE CASO DA EMPRESA GOLAÇO


FORTALEZA - 2012

RAFAEL IVES CAVALCANTE CAMELO

ANÁLISE DO CUSTEIO VARIÁVEL NO SEGMENTO DE CONFECÇÃO CEARENSE DE MATERIAIS ESPORTIVOS: ESTUDO DE CASO DA EMPRESA GOLAÇO

Artigo científico apresentado à Faculdade 7 de Setembro, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Administração.


Orientador(a): Prof. Rafael Heliton Pereira Vilela.

FORTALEZA - 2012

RESUMO

É possível classificar custos como os recursos que uma organização deve sacrificar ou renunciar em prol de atingir um objetivo específico. Neste contexto, os custos se tornam uma importante variável na tomada de decisão, por isso se faz necessário um planejamento estratégico de custos visando gerenciar as tomadas de decisões que afetam a lucratividade de uma empresa como, o quanto se deve produzir, qual a precificação adequada e quais produtos fabricar em detrimento de outros visando a redução de custos. Este trabalho tem como objetivo realizar uma análise estratégica de custos por meio do custeio variável em uma indústria de materiais esportivos, chamada Golaço. A metodologia utilizada neste trabalho compreendeu pesquisa qualitativa, bibliográfica, documental e estudo de caso. Como resultado da pesquisa, verificou-se que a Golaço esteve em prejuízo no ano 1 e uma melhora em sua margem de contribuição no ano 2 deixando a empresa equilibrada financeiramente. Neste contexto, este trabalho intenta contribuir para que empresas do ramo de confecção de materiais esportivos possam gerir melhor os seus custos e assim garantir melhores expectativas de crescimento.


PALAVRAS-CHAVE: Confecção. Custos. Materiais Esportivos.

ABSTRACT

It is possible to classify costs as the resources that an organization must sacrifice or forego in favor of achieving a specific goal. In this context, the costs become an important variable in decision making, so it is necessary a strategic plan aimed at managing the costs of making decisions that affect the profitability of a company like, how much to produce, what is the appropriate pricing and which products manufactured at the expense of others in order to reduce costs. This work aims to conduct a strategic analysis of costs through variable costing in a sporting goods industry called Goal. The methodology used in this study comprised qualitative research, bibliographic, documentary and case study. As a result of research, it was found that the detrimental Golaço was a year and a degree of contribution in the region of its point of balance signal presenting two year risk. In this context, this paper intends to contribute to branch companies manufacture sports equipment to better manage their costs and thus ensure better growth prospects.
KEYWORDS: confection. Costs. Sports Materials.
1 INTRODUÇÃO
Atualmente o Brasil encontra-se em uma economia estável e forte que reflete em todos os setores comerciais do país. Assim pode-se dizer que a competitividade no mercado interno brasileiro está cada vez mais alta, e para que haja sobrevivência de novas empresas é necessário que elas saibam gerir bem as suas finanças e tenham um controle mais apurado dos seus custos.

O planejamento estratégico dos custos variáveis é de suma importância para que uma organização mantenha-se estável no mercado, pois através dele é possível gerenciar melhor as tomadas de decisões que afetam a lucratividade e a saúde contábil da empresa, de modo que, por meio da análise do custeio variável ou direto, é possível identificar falhas não muito perceptíveis em um ambiente organizacional que ao decorrer do tempo acarrentam sérios riscos a economia da empresa e a sua sobrevivência. Este trabalho pretende analisar, através de um estudo de caso, como a análise do custeio variável ou direto pode melhorar a lucratividade de empresas no segmento de confecção de materiais esportivos e torná-las mais estáveis diante de um mercado tão competitivo. O ramo de confecção de materiais esportivos, por ter um mercado não muito explorado em Fortaleza e por ter se mostrado muito promissor, devido a celebração da Copa do Mundo no Brasil em 2014, tornou-se alvo de estudo do presente trabalho, buscando avaliar e empregar a gestão estratégica de custos para um melhor desempenho financeiro da empresa que será objeto de estudo.



Para atingir o objetivo geral serão propostos os seguintes objetivos específicos: 1) Realizar um estudo bibliográfico dos modelos de custeio existentes; 2) Identificar os gastos da empresa objeto de estudo; 3) Constatar as informações adquiridas de acordo com a método do custeio variável.

O objetivo geral corresponde em analisar a aplicabilidade do custeio variável ou direto para a análise gerencial de custo para as empresas do segmento de confecção de materiais esportivos.

A metodologia utilizada neste trabalho compreendeu pesquisa qualitativa, bibliográfica, documental e estudo de caso, por meio da análise dos resultados das informações gerenciais dos gastos variáveis e fixos da empresa Golaço nos exercícios de 2009 e 2010. O instrumento de coleta de dados foi a tabela de custos da empresa, que é o único meio disponível para o controle de gastos da organização.

O trabalho está dividido em seis seções, dentre estas a primeira é a introdução que enfatiza a importância do tema, os objetivos da pesquisa, gerais e específicos, a metodologia utilizada, além de como o trabalho está estruturado. A segunda explica sobre a gestão de custos, com ênfase no custeio variável e na análise de custos para fins gerenciais. A terceira seção apresenta a metodologia e técnicas aplicadas na pesquisa. A quarta seção retrata a análise e interpretação do estudo de caso, através dos dados colhidos. A quinta serão as considerações finais que demonstrarão o alcance dos objetivos propostos, destacando-se que os objetivos foram atingidos e, se preciso, sugerir melhoras para a empresa. E por fim, na sexta, segue a relação das obras e dos autores que ajudaram na fundamentação teórica.


2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Neste trabalho serão utilizados referências teóricas através de uma pesquisa bibliográfica, buscando maior compreensão e respaldo dos assuntos que serão abordados, de modo a exemplificar, na teoria, a gestão de custos e suas vantagens, visando obter boas expectativas contábeis para a aplicação do estudo de caso.
2.1 CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS
Segundo Leone (2000, p. 46), "Uma das definições conhecidas de contabilidade de custos é aquela que apresenta sendo o ramo da contabilidade que classifica, registra, aloca, organiza e relata os custos correntes e futuros". O citado autor define a contabilidade de custos como a responsável por coletar dados, analisar, interpretar e informar o custo dos produtos, dos serviços, do estoque, dos componentes operacionais e administrativos e dos segmentos de distribuição para determinar a rentabilidade e avaliar o patrimônio da empresa, visando auxiliar na tomada de decisão do administrador.

Neste trabalho serão realizadas análises de custos relativos a produção, custos fixos e variáveis, diretos e indiretos e de transformação, sendo estes fatores primordiais para existência e permanência das empresas no mercado, assim podemos detalhar estas variáveis fundamentados nas explicações de Bruni e Famá:


diretos ou primários: são aqueles diretamente incluídos no cálculo dos produtos. Consistem nos materiais diretos usados na fabricação do produto e mão-de-obra direta. Apresentam a propriedade de serem perfeitamente mensuráveis de maneira objetiva. Exemplos: aço para fabricar chapas, salários dos operários etc.;

indiretos: necessitam de aproximações, isto é, algum critério de rateio, para serem atribuídos aos produtos. Exemplos: seguros e aluguéis da fábrica, supervisão de diversas linhas de produção;

De transformação: igualmente denominados custos de conversão ou custos de agregação. Consistem no esforço agregado pela empresa na obtenção do produto. Exemplos: mão-de-obra direta e custos indiretos de fabricação. (BRUNI, FARMA, 2004, p. 31)
Martins (2003, p. 48,49,50) classifica os custos como sendo diretos e indiretos, que são os custos diretamente e indiretamente ligados, sendo os diretos possíveis de serem apropriados aos produtos, bastando apenas que eles tenham uma medida de consumo como quilogramas de materiais consumidos, embalagens utilizadas, horas de mão-de-obra utilizadas e até mesmo quantidade de força consumida. Os indiretos não possibilitam uma medida objetiva em relação aos produtos, sendo eles feitos na maioria das vezes de forma arbitrária como, aluguel, supervisão, chefias, dentre outros. E o autor também classifica os custos como fixos e variáveis, sendo os variáveis definidos como o consumo dos materiais diretos que dependem diretamente do volume de produção, quanto mais se fabrica maior será o consumo. E os custos fixos são aqueles que não variam independentes do volume de produção, como exemplo o aluguel da fábrica.

No presente estudo de caso serão aplicadas análises dos custos de fabricação utilizando a tabela da gastos dos exercícios de 2009 e 2010 obtendo como base explicativa, detalhando seus resultados, e verificando a situação financeira da empresa.


2.2 TIPOS DE CUSTEIO
Martins (2003, p.37) retrata que custeio significa apropriação de custos, classificando eles como, custeio por absorção, custeio variável e ABC.
2.3 CUSTEIO POR ABSORÇÃO OU INDIRETO

Pode-se descrever o custeio por absorção baseando-nos em um trecho da obra de Martins:


Custeio por absorção é o método derivado da aplicação dos princípios de contabilidade geralmente aceitos, nascido da situação histórica mensionada. Consiste na apropriação de todos os custos de produção aos bens elaborados, e só os de produção; todos os gastos relativos ao esforço de produção são distribuídos para todos os produtos ou serviços feitos. MARTINS (2003, p. 37)
Bruni e Famá (2004, p.209) ainda citam que o custeio por absorção, além de ser um grande aliado na tomada de decisões, o seu emprego através de rateios arbitrários também pode gerar uma distorção das informações obtidas, levando assim o gestor a tomar decisões equivocadas que poderão ser fatais para a economia da empresa.
2.4 CUSTEIO VARIÁVEL OU DIRETO
O custeio variável de acordo com Bruni e Famá (2004, p. 207) trata-se da análise dos gastos variáveis que uma empresa possui, sendo eles diretos ou indiretos e assim por meio do custeio variável compara-se os gastos com as receitas podendo-se verificar a situação financeira da empresa. Os custos variáveis estão diretamente relacionados com os produtos, pois é de acordo com o volume das vendas que serão determinados também os custos de fabricação, deixando os custos fixos distantes do universo produtivo, pois não possuem origem produtiva.

Nesse contexto de custeio variável, acrescenta Crepaldi:

Fundamenta-se na separação dos gastos em gastos variáveis e gastos fixos, isto é, em gastos que oscilam proporcionalmente ao volume da produção/venda e gastos que se mantem estáveis perante volumes de produção/venda oscilantes dentro de certos limites. CREPALDI (2010, p. 232)
Outro autor que pormenoriza o custeio variável sob outra ótica é Padoveze (2011, p.56) que explica que os custos variáveis são aqueles que em cada alteração da quantidade produzida ou vendida terão uma alteração diretamente proporcional ao seu valor, desta forma, aumentando a produção logo aumentará também os custos variáveis ou diretos de fabricação.
2.5 CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADES
O Custeio Baseado em Atividades é conhecido como ABC que é uma metodologia que visa otimizar a análise dos custos rateados diminuindo a arbitrariedade no tratamento dos custos indiretos e assim cita Martins (2003, p. 87) "O Custeio Baseado em Atividades, conhecido como ABC (Activity-Based Costing), é uma metodologia de custeio que procura reduzir sensivelmente as distorções provocadas pelo rateio arbitrário dos custos indiretos."
2.6 MARGEM DE SEGURANÇA
De acordo com Bruni e Famá (2004, p. 262) “A margem de segurança consiste na quantia ou índice das vendas que excedem o ponto de equilíbrio da empresa.” Os autores ainda enfatizam dizendo que margem de contribuição é o quanto as vendas de uma empresa podem cair sem que ela entre em prejuízo financeiro, podendo ser expressa em quantidade, valor ou percentual.

Assim é possível concluir que todo valor que excede o total dos custos e despesas necessários para manter a empresa em funcionamento é chamado de margem de segurança.

O cálculo da margem de segurança pode ser definido da seguinte forma:


2.7 MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO


Martins (2003, p. 128) afirma que a margem de contribuição é a diferença entre o preço de venda, os custos e despesas variáveis de cada produto. É o valor, referente a cada unidade, da diferença entre a sua receita e o custo que de fato provocou.

A margem de contribuição é adquirida quando os custos que envolvem a fabricação como, mão-de-obra direta e matéria prima, são efetivamente supridos pelo preço de venda do produto, sobrando um determinado valor que será rateado para os custos fixos, que é a margem de contribuição. Neste contexto, é possível gerenciar os custos do produto utilizando uma base de cálculos visando descobrir qual a margem de contribuição de cada produto.

O equação da margem de contribuição defini-se da seguinte forma: MC = PV – (CV + DV), onde: MC → margem de contribuição; PV → preço de venda; CV → custos variáveis; DV → despesas variáveis.
2.7 PONTO DE EQUILÍBRIO
De acordo com Bruni e Famá (2004, p. 254), ponto de equilíbrio defíni-se como a representação do volume em unidades de produtos ou receita de vendas necessários para cobrir todos os custos e no qual o lucro é nulo.

Segundo Crepaldi (2010, p.239) o ponto de equilíbrio se dá quando os custos totais e as receitas totais se igualam, o que passar deste ponto de equilíbrio entra na área da lucratividade da empresa. O referido autor ainda ressalta que para alcançar o equilíbrio nas linhas de produção ou serviços, é necessário que seja calculado o valume de venda necessário para cobrir os custos, utilizando de forma correta as informações e entender as reações dos custos às mudanças de volume.

Neste contexto, a análise do ponto de equilíbrio se torna uma importante ferramenta para o desenvolvimento financeiro de qualquer empresa, sendo necessária a sua utilização para evitar riscos e utilizar os recursos da empresa de maneira correta.

Para se calcular o ponto de equilíbrio, utiliza-se o seguinte cálculo:

Ponto de Equilíbrio = Gastos fixos/ Margem de Contribuição em %

Quando são muitas as variedades e os tipos de produtos elaborados por uma empresa, a obtenção do ponto de equilíbrio torna-se um pouco mais complexa. Nesse sentido, Bruni e Famá (2008, p. 206) ressaltam que:

Nas situações em que se elabora mais de um produto ou serviço, a expressão do ponto de equilíbrio em quantidades diferentes de produtos diferentes perde, em boa parte, seu sentido. A melhor forma de expressá-lo seria pela receita total de vendas. BRUNI E FAMÁ (2008, p. 206)

A melhor forma de expressar o ponto de equilíbrio, quando uma empresa opera com diferentes produtos, é pela divisão dos gastos fixos por uma margem de contribuição média. Para calcular a margem de contribuição média, é necessário multiplicar as margens individuais pela participação percentual nas vendas e depois somar o resultado. Bruni e Fama (2004, p. 252) apresenta o seguinte exemplo:

A Calango Verde fabrica e vende fardamentos escolares e corporativos. Cada unidade de fardamento escolar é vendida por $ 38,00, em média, enquanto os fardamentos corporativos são vendidos por $ 45,00. Os gastos variáveis são estimados em $ 16,00 e $ 20,00, para ambos os produtos, respectivamente. Os gastos fixos anuais da empresa são estimados em $ 40.000,00 e as participações de vendas dos dois produtos são estimadas em 30% e 70%, respectivamente.

Para encontrar o ponto de equilíbrio contábil, a empresa precisa encontrar uma margem de contribuição média. As margens de contribuição percentuais para cada um dos dois produtos podem ser apresentadas como:

Fardamento escolar: margem de contribuição =


Fardamento corporativo: margem de contribuição =




A margem média resulta da ponderação das margens individuais pela participação de cada produto nas vendas, ou:

M
argem média =

Como a margem de contribuição média encontrada foi 56,26% e os gastos fixos são iguais a $ 40.000,00, o faturamento da empresa no ponto de equilíbrio contábil seria igual a:

V
endas em $ =

Assim, o ponto de equilíbrio poderia ser expresso no volume de vendas em unidades monetárias, ou $ 71.098,47.

2.8 CUSTEIO PARA DECISÃO A análise dos custos assume um papel de extrema importância para as tomadas de decisões de uma empresa, pois é possível mensurar os riscos corporativos, podendo evitá-los através da análise do ponto de equilíbrio contábil e financeiro, margem de segurança, margem de contribuição e os critérios de rateio. Um gestor munido de conhecimento contábil aumenta a sua amplitude de visão gerencial, podendo, como por exemplo, identificar em sua empresa quais são as áreas que necessitam de um melhor gerenciamento financeiro, quais as melhores decisões para garantir melhores lucros, quais as melhores opções de investimentos.

Assim Bruni e Famá citam:

Os procedimentos empregados, de modo geral, na análise de custos nascem da aplicação direta das normas e princípios das contabilidade, que possui o propósito maior do registro do patrimônio. Na gestão empresarial, porém, a ênfase deve estar baseada nas decisões tomadas e seus efeitos subsequentes. BRUNI,FAMÁ (2004, p. 237)
Para Horngren (2004, p. 303), os administradores necessitam ter conhecimento apurado sobre como os custos se comportam dentro de uma empresa, para que se possa tomar decisões estratégicas e operacionais, garantindo sempre o melhor resultado para a organização. Desta forma, a análise estratégica dos custos diante de um cenário tão competitivo, que é o atual no mercado brasileiro, torna-se um diferencial competitivo, otimizando as decisões da empresa e reduzindo os riscos corporativos.
3 METODOLOGIA DA PESQUISA
Neste trabalho foi utilizada uma pesquisa do tipo qualitativa, pois aborda questões no âmbito teórico e prático e não é expressa em números. Na pesquisa qualitativa concebem-se análises mais profundas em relação ao fenômeno que está sendo estudado. O estudo de caso compreendeu na coleta de dados situacionais da empresa golaço, que contribuirão para o resultado da pesquisa. Pode-se definir pesquisa qualitativa através de algumas características enumeradas por Godoy:

(1) o ambiente natural como fonte direta de dados e o pesquisador como instrumento fundamental;

(2) o caráter descritivo

(3) o significado que as pessoas dão às coisas e à sua vida como preocupação do investigador;

(4) enfoque indutivo.

GODOY (1995a, p. 62 apud NEVES, 1996)

Richardson (1999, p. 90) relata que a pesquisa qualitativa se caracteriza como uma compreensão detalhada das características e significados dos dados apresentados pelos entrevistados de uma pesquisa.

A pesquisa documental, conforme Silva e Grigolo:

Esse tipo de pesquisa visa, assim, selecionar, tratar e interpretar a informação bruta buscando extrair dela sentido e introduzir-lhe algum valor, podendo, desse modo, contribuir com a comunidade científica a fim de que outros possam voltar a desempenhar futuramente o mesmo papel.SILVA e GRIGOLO (2002, apud BEUREN, 2008, p. 89)

No estudo de caso é realizada uma descrição minunciosa e abrangente de uma situação real, construída em torno de situações. Possibilita uma aproximação maior da realidade para que o pesquisador examine e concentre a discussão em aspectos mais pontuais da questão. Pesquisa sobre um determinado indivíduo, família, grupo ou comunidade que seja representativo no seu universo, para examinar aspectos variados.



O estudo de caso, segundo Yin (2010, p.39) “é uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo em profundidade e em seu contexto de vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não são claramente evidentes”. Objetiva a descoberta e desenvolvimento da capacidade de análise de uma situação concreta, dentro de um determinado ambiente. Representa a estratégia preferida quando se coloca questões do tipo “como” e “por que” das situações, quando o pesquisador tem pouco controle sobre os eventos. Yin (2001, p. 27) reforça dizendo que o estudo de caso é uma estratégia escolhida para se examinar acontecimentos contemporâneos, mas quando não se pode manipular comportamentos relevantes, e consiste na observação direta e série sistêmica de entrevistas. O estudo de caso será realizado na empresa Golaço, produtora de materiais esportivos voltados a confecção. A referida empresa, foi escolhida para a realização do presente estudo de caso, devido ela atuar em uma área de grande ascensão no Brasil. Os fatores que motivam esta ascensão estão relacionados a celebração da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, que trarão para o Brasil uma maior demanda de exportações, aquecendo também o mercado interno, assim o mercado esportivo representará uma grande parcela dos mercados promissores no Brasil, estando a empresa Golaço atuando junto a este mercado. Utilizou-se pesquisa bibliográfica visando respaldar e fundamentar os conceitos utilizados para o desenvolvimento do estudo dos métodos estratégicos mencionados no trabalho. A pesquisa bibliográfica é conceituada como o estudo de assuntos verificáveis por meio de documentos escritos e publicados visando acrescentar conhecimento as atividades fins, assim fundamenta Ruiz (2002, p. 58) "Bibliografia é o conjunto dos livros escritos sobre determinado assunto, por autores conhecidos e identificados ou anônimos, pertencentes a correntes de pensamentos diversas entre si, ao longo da evolução da Humanidade”.

O instrumento de coleta de dados foi a tabela de custos da empresa, que é o único meio disponível para o controle de gastos da organização.
4 RESULTADOS DA PESQUISA
A Golaço é uma empresa que fabrica material esportivo, uniformes para clubes de futebol, para seleções dos colégios, para jogadores amadores e uniformes, por vezes, para empresas. A organização foi registrada como Gildete Meneses da Costa Rodrigues – ME, com nome fantasia de “Golaço, a marca oficial do esporte” de CNPJ: 02934682/0001-35 e CGF: 06275381-9. Começou com 10 funcionários e hoje têm 30. Localizada na Rua Goiás, 1468 – Demócrito Rocha. A empresa foi fundada em 2008 pelos donos, Pedro Mendes e Gildete Meneses. O intuito de montar a empresa foi pela grande paixão e envolvimento do dono no esporte, principalmente no futebol. O dono participava de competições de futebol, com isto começou a criar amizades com pessoas do ramo como os jogadores, os juízes de futebol, o Presidente da Federação de Futebol Amador do Estado do Ceará e o Presidente de um Liga de Futsal, entre outros. Os proprietários notaram a grande dificuldade das empresas fabricantes de uniformes de entregarem o material no dia previsto, sempre ocorria um atraso. Com isso, surgiu a idéia de montar uma fábrica com um grande diferencial das demais: ter o compromisso de entregar o material no dia pré-estabelecido pelo cliente e pela empresa. E com a ajuda das amizades deste ramo, a Golaço foi se ajustando e se aperfeiçoando cada dia mais neste setor de atuação. A empresa cresceu e hoje vende uniformes para os árbitros do Campeonato Cearense, para colégios e faculdades (7 de Setembro, Farias Brito, Nossa Senhora das Graças, Fametro, Faculdade Católica, Ari de Sá), para a Fortaleza Bela, para o Governo do Estado (seleção sub-20 amador), alem de fabricar produtos aeróbicos para atender o público que freqüenta academia, fazendo calcas, tops, e blusas específicos de musculação.

4.1 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS Neste tópico serão relatados os dados coletados pela pesquisa, demonstrando através do balanço dos exercícios de 2009 e 2010 como foi possível chegar as seguintes conclusões: ponto de equilíbrio da empresa, margem de contribuição por produto e margem de segurança. Assim como antes citado neste trabalho, Martins (2003, p. 37) relata que existem três métodos de custeio, sendo eles, custeio por absorção, custeio variável e o custeio baseado em atividades (ABC). E este estudo de caso será avaliado seguindo os critérios do custeio variável. Serão avaliados as tabelas de custo dos anos de 2009 e 2010 com o intuito de identificar os fatores, de acordo com a metodologia do custeio variável, que definiram a situação da empresa.

4.2 MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO A margem de contribuição da Golaço foi concebida por meio da análise de custos, subtraído da receita total os gastos variáveis (Custo variável + despesa variável) de fabricação, sendo esta análise representada na forma da tabela a seguir:



Tabela 1 – Margem de Contribuição ano 1

Fonte: Elaborado pelo autor


Tabela 2 – Margem de Contribuição ano 2

Fonte: Elaborado pelo autor

Como foi possível perceber a empresa obteve um faturamento no ano 1 de R$ 392.110,00, sendo a margem de contribuição avaliada em R$ 119.901,79, obtendo assim uma rentabilidade de 30,58% da margem de contribuição total. No ano 2 as vendas aumentaram, gerando uma receita bruta anual de R$ 580.661,00 obtendo então uma margem de contribuição de R$ 178.199,98, desta forma a margem de contribuição correspondeu a uma rentabilidade de 30,69%. Os dados indicam que o produto que oferece maior margem de contribuição e maior rentabilidade para a empresa é a blusa específica para árbitro de futebol, gerando rentabilidade da margem de contribuição de 58,41% no ano 1 e 59,51% no ano 2. O produto que oferece a menor margem de contribuição é o short tactel, gerando uma rentabilidade da margem de contribuição de 4,06% no ano 1 e de 9,18% no ano 2. Os gastos variáveis chegaram ao total de R$ 272.208,00 no ano 1 no total de R$ 402.462,00 no ano 2, assim nota-se uma diferença de R$ 130.253,00 que representa um aumento do volume da produção. Houve uma aumento do volume de vendas do ano 1 para o ano 2, gerando um crescimento do faturamento de R$ 188.551,00. A margem de contribuição obteve um aumento no ano 2 de 58.298,19.

4.3 ANÁLISE DO PONTO DE EQUILÍBRIO

O ponto de equilíbrio foi analisado por meio do balanço patrimonial dos dois anos, ilustrados a seguir:

Tabela 3 – Ponto de Equilíbrio ano 1




Fonte: Elaborado pelo autor

Figura 1 – Ponto de Equilíbrio ano 1

Fonte: Elaborado pelo autor

Foi possível verificar por meio desta análise de custos, que a margem de contribuição média dos produtos da empresa Golaço é de 31,1%, seus gastos fixos somaram em R$ 130.278,22, assim dividindo os gastos fixos pela margem de contribuição em porcentagem foi encontrado o ponto de equilíbrio, sendo o seu valor R$ 418.308,34. Com estes dados é possível verificar que a empresa em seu primeiro ano obteve prejuízo em seu faturamento, pois a sua receita bruta anual foi de R$ 392.110,00, estando abaixo do ponto de equilíbrio R$ 26.198,34. Esta situação não levou os donos da empresa a falência porque eles já possuíam outros negócios bem sucedidos e possuíam capital de giro para manter a empresa.



Tabela 4 – Ponto de Equilíbrio ano 2

Figura 2 – Ponto de Equilíbrio ano 2



Fonte: Elaborado pelo autor

Neste segundo exercício verificou-se que a margem de contribuição média da empresa foi de 31,5%, e os seus gastos fixos foram de 138.998,22. De acordo com o cálculo do ponto de equilíbrio, verificou-se que o seu valor era de 441.545,55, o que para o ano 2 foi um grande avanço, pois a empresa faturou R$ 580.661,00, estando então acima do ponto de equilíbrio R$ 139.115,45, um resultado bem positivo para a situação evolutiva da empresa. Este crescimento ocorreu devido um aumento nos preços dos produtos, que estavam inadequados aos custos da empresa, devido ao acréscimo no volume de vendas e, por fim, a empresa conseguiu manter seus gastos fixos equilibrados de um ano para o outro.

4.4 MARGEM DE SEGURANÇA A coleta dos dados relativos a margem de segurança da empresa Golaço, foram obtidas por meio da avaliação da tabela de custos da empresa, subtraindo o ponto de equilíbrio da receita total dos exercícios avaliados, porém foi verificado que no ano 1 incorreu prejuízo, não restando nenhum percentual de margem de contribuição para a empresa, pelo contrário, resultou em um valor negativo para a margem de segurança. Esta avaliação foi obtida da seguinte forma:

Figura 3 – Margem de segurança ano 1



Fonte: Elaborado pelo autor

Já no ano 2 a empresa obteve uma margem de contribuição positiva, encontrando-se em evolução. A avaliação pode ser demonstrada na figura 4 a seguir:



Figura 4 – Margem de segurança ano 2

Fonte: Elaborado pelo autor A
ssim os resultados da margem de segurança demonstraram que em no ano 1 a empresa encontrou-se com uma margem de contribuição de -6,68%, pois resultara em prejuízo, porém no ano seguinte a Golaço otimizou suas vendas e conseguiu obter uma margem de segurança de 23,96%, mostrando-se em condições de crescimento financeiro.

4.5 ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS POR MEIO DO CUSTEIO VARIÁVEL O estudo de caso elaborado na empresa Golaço, obteve resultados satisfatórios, pois foi possível identificar a margem de contribuição por produto, analisar o ponto de equilíbrio de múltiplos produtos e verificar a margem de segurança dos exercícios de 2009 e 2010, utilizando como critério metodológico o custeio variável, já que na empresa e na própria cultura de seus donos, não havia um critério exato para rateio de custos, sendo muitas vezes utilizados rateios arbitrários, o que ocasionava uma falsa impressão de suprimento dos custos. No ano de 2009, a empresa encontrou-se em prejuízo por não utilizar o correto gerenciamento de seus custos, porém a empresa conseguiu se estruturar no ano de 2010 e obteve resultados positivos chegando a faturar R$ 580.661,00, estando acima de seu ponto de equilíbrio e consequentemente aumentando sua margem de segurança para 23,96%. Este estudo foi elaborado visando utilizar o método de custeio variável para analisar a situação contábil da empresa Golaço, visto que a empresa não utilizava critérios corretos para o rateio de seus custos.



5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para atingir o objetivo geral, foi proposto três objetivos específicos, e foi obtido respostas para todos. O primeiro objetivo específico foi, realizar um estudo bibliográfico dos modelos de custeio existentes, assim utilizou-se um pesquisa bibliográfica visando fundamentar os conceitos utilizados para o estudo de caso. O segundo objetivo foi identificar os gastos da empresa objeto de estudo, desta forma foram utilizadas as tabelas de custos da empresa visando identificar os gastos e fazer uma análise gerencial dos custos e despesas, assim melhorando a visão estratégica da empresa O terceiro objetivo foi constatar as informações adquiridas de acordo com a método do custeio variável, desta forma, foi proposto um critério de análise gerencial, separando os custos fixos dos custos diretos de fabricação, sendo o rateio dos custos fixos realizado por meio da margem de contribuição. Além disso foi analisado o ponto de equilíbrio e a margem de segurança da empresa.

Este artigo se desenvolveu com o objetivo geral de analisar a aplicabilidade do custeio variável ou direto para a análise gerencial de custo para as empresas do segmento de confecção de materiais esportivos. Este objetivo foi alcançado, pois utilizou-se o critério de rateio de custos baseando-se no método de custeio variável.

O objetivo deste artigo foi concluido através do estudo de caso na empresa Golaço, indústria de materiais esportivos no ramo de confecções, que forneceu os dados necessários para o desenvolvimento da pesquisa. Foi elaborada uma pesquisa teórica visando o aprofundamento nos conceitos contábeis necessários para a realização deste trabalho. A Golaço apresentou um faturamento abaixo do seu ponto de equilíbrio no ano de 2009 porém em 2010 a margem de segurança da empresa subiu para 23,96%, deixando a empresa em situação positiva, obtendo lucros.

Um plano de melhoria que empresa poderia seguir para gerar mais lucros, seria aumentar a força de vendas do produto blusa específica para árbitro de futebol, pois ele possui a maior margem de contribuição dentre os produtos e assim geraria mais lucro para a empresa. A empresa poderia utilizar um sistema para auxiliar nos balanços, nas entradas e saidas de mercadorias, pois o único método de verificação dos custos é através do livro contábil.

Este trabalho foi levado a conhecimento dos donos da empresa visando contribuir para um melhor gerenciamento de custos por meio do método de custeio variável, assim como está contribuindo também para outras empresas deste segmento.

REFERÊNCIAS

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