Rafael Righini, obrigada pela atenção e carinho de sempre. Uma boa leitura a todos. Claudia Gomes e equipe. Como foi o início de sua carreira como diretor-musical?



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Encontro04.08.2016
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Rafael Righini, obrigada pela atenção e carinho de sempre.

Uma boa leitura a todos.
Claudia Gomes e equipe.

Como foi o início de sua carreira como diretor-musical?
Trabalhei no segundo musical "broadway" que veio ao Brasil (O Beijo da Mulher Aranha, com Claudia Raia, Miguel Falabella etc.) em 2000. a partir daí, seguiram convites para assumir a direção-musical de "O Mágico de Óz" (onde ganhei diversos prêmios, na ocasião), "Pinocchio", "Vovó Delícia" (de Ziraldo), "Mundo Azul" (de Maurício de Sousa) - tudo isso na área teatral. Surgiu também convite para criar (compor) e produzir trilha sonora de longametragens para o cinema, através do diretor Del Rangel ("Contos de Lygia" e "os Cristais Debaixo do Trono"). Recentemente, criei (sempre em parceria com meu irmão Ricardo Righini) a trilha sonora de "Entre Lençois" (com Reynaldo Gianechini e Paola Oliveira no elenco, e, direção de Gustavo Nieto Roa - produção Swen Filmes).
Já, no setor de televisão, atuei como diretor-musical do "Especial Record-50 anos" (TV Record) em 2003. E, assumi a direção-musical de telenovelas na Bandeirantes, onde apresentamos "Dance, Dance, Dance"; na sequencia "Água na Boca". Atualmente, estou na equipe de direção-musical das telenovelas do SBT (onde atuei em "Revelação", e "Vende-se um Véu de Noiva").


Tem algum profissional que considera teu mestre?
Muitos. Destaco (em especial)
- O prof.Manoel São Marcos (de quem fui discípulo de violão clássico) e, um verdadeiro mestre - da música e de vida;
- Del Rangel (que me fez o primeiro convite para trabalhar co trilha sonora para cinema) e é um verdadeiro "anjo da guarda", além de amado amigo;
- Billy Bond (que me deu a primeira oportunidade de trabalhar no universo do teatro musical) e continua apostando no meu talento e qualidade de trabalho, e, grande amigo;
- Maurício de Sousa (um ídolo que se tornou também um querido amigo);
- Eleazar de Carvalho (meu inspirador e meu mestre no universo da regência);
- Almeida Prado (que me ensinou todas as grandes lições da arte de compor música), além de querido e amado mestre e amigo conselheiro.


Em que área trabalha mais? Teatro, cinema, musica, televisão, dança?
Atualmente trabalho de forma bem equilibrada em todas essas áreas. E amo intensamente e igualmente cada uma delas!


Em que área se sente melhor trabalhando? Onde seu trabalho é mais valorizado?
Graças ao bom Deus, em todas essas áreas (cinema, tv, teatro e música) de forma igual!


Que países conheceu à trabalho?
Suíça, Itália, França, EUA e Chile.


Trabalha fora de São Paulo (outros estados) com regularidade?
Sim. Sempre. E com muito prazer! (adoro estar na "estrada" do showbizz)


Que importância vê na formação acadêmica do sonoplasta?
Fundamental. Todo o profissional tem de ter o seu talento lapidado. E a melhor forma de adquirir conhecimento "superior" é obter formação acadêmica, além da prática.


Você acredita que sua profissão possa ser aprendida somente na prática, sem o banco escolar?
Sim. Mas, em comparação aos profissionais de outros países, é necessária uma formação mais completa. Se não, nos tornamos apenas "técnicos" talentosos em nosso trabalho. E, devemos nos formar "especialistas" excelentes (com formação e conhecimento teórico e prático). Verdadeiros e completos profissionais, a ponto de podermos enfrentar o mercado de trabalho em condições de igualdade em qualquer país ou lugar do mundo.


Você dá aulas ou oficinas? Gosta desta atividade? Acha importante?
Adoro! Essas atividades sempre tem lugar garantido em minha agenda. Assim, como amo "aprender", sei que é meu dever "ensinar". Isto é, partilhar
todos os conhecimentos que adquiri (e adquirirei) ao longo de minha vida!


Pode descrever seu método de trabalho? Existe algo no processo de criação que se repete em todos os trabalhos?
Sempre o ponto de partida, para mim, é a observação e análise do produto, ou da trama, enfim, do "desafio" que irei enfrentar. E cada novo projeto, assim que concluo, festejo com enorme entusiasmo, pois ficará registrado para sempre. E, sei que devo me despedir ao partir para outro novo empreedimento. A sensação é de total realização!


Como se inspira? Como busca as boas idéias?
Repertório é a palavra-chave. Grandes compositores, grandes produtores, grandes diretores possuem um vasto conhecimento da sua área específica. Porém, a cultura geral é fundamental como diferencial de um profissional completo. Assim, vivo o universo da música intensamente, tanto quanto procuro conhecimento e inspiração na filosofia, na psicologia, na história, e em tudo o que for possível. Sou um eterno curioso e profundamente interessado em tudo.

 

 


 

Você aceita interferência do diretor do espetáculo em seu trabalho?
Sim. Procuro sempre trabalhar em profunda sintonia com o diretor-geral de cada projeto, pois compreendo intensamente a importância do olhar do "mestre ou maestro" que dirige e dá o "tom" e a linha de condução de cada obra. Afinal, eu também sou maestro e procuro dar a "direção" aos meus parceiros, quando estou no comando.


Já fez algum trabalho que considerou o resultado bom, mas ele não foi bem aceito?
Graças a Deus, não. Todos os projetos com os quais me envolvi, sempre obtiveram sucesso em todas as suas etapas. Sinto-me um privilegiado.


Quando descobre, depois da estréia, que o resultado de seu trabalho não lhe agradou, o que você faz?
O que ocorre muitas vezes, é o que chamamos de "afinação" da obra ou projeto. Isso é perfeitamente normal, e, aliás, é fundamental para chegarmos
o mais perto possível da "perfeição" - ideal utópico dos criadores, e, meta permanente.


No Brasil é difícil o relacionamento entre as áreas criativas de um espetáculo? Os egos atrapalham?
Às vezes acontece. Ouço relatos a respeito. Mas, comigo, até o presente momento  não aconteceu nenhum problema dessa ordem. Sorte minha. e, quem sabe, dos outros também. (risos)


Você documenta os trabalhos que faz? Porque?
Últimamente sim. É importante registrarmos, pois somos testemunhas e operadores da história. no momento, por vezes, não damos importância em registrar. Porém, passados alguns anos, compreendemos como é importante o registro histórico das realizações das quais participamos e que servirão
como referência e pontos de orientação para o desenvolviemnto de nossa área e os próximos profissionais que virão no futuro. Além, é claro, de documentar a evolução da história das artes e comunicações do nosso país e de nossa era.


Gosta de executar seus projetos, ou prefere deixar nas mãos de profissionais técnicos?
Adoro executar. Mas, gosto muito de planejar e trabalhar em "conjunto".


Algum espetáculo que tenha trabalhado e lhe traga uma lembrança diferente, mais agradável?
Amo de paixão todos os projetos dos quais participei. Cada um possui uma lembrança, um aspecto singular, uma saudade particular.


Pode citar alguns sonoplastas e compositores que admira?
Sim. No SBT: o sonoplasta José Carlos Jardim. Na Globo: o sonoplasta Thanus Chalita e produtor-musical Alberto Rosenblit. Na BAND: o produtor-musica Tuta Aquino compositores: Marcus Viana e Almeida Prado (cinema internacional: Bernard Hermann, John Williams, Jerry Goldsmith, John Barry, Nino Rota)


Vê justiça nas premiações que existem?
Aparentemente sim.


Que importância tem a crítica jornalística para você?
Servem como elemento de documentação e registro de uma época.


Porque no Brasil os sindicatos, associações ou institutos têm pouca representatividade?
A nossa "classe" profissional é muito desunida. Precisamos urgentemente nos re-organizar (em algumas situações, até mesmo, uma "nova" organização)


Quer dizer mais alguma coisa ou se despedir dos leitores?
Agradeço a oportunidade de partilhar um pouco da minha história e das minhas experiências vividas, tão intensamente. Desejo que nos encontremos
muitas e muitas vezes - tanto por aqui, através deste meio de comunicação - como, e sobretudo, nos palcos (teatros) ou através da comuinicabilidade das nossas obras realizadas (ou seja, através das trilhas sonoras que eu puder participar, no cinema, na tv e outros meios que venham a existir). Um beijo carinhoso a cada leitor(a) e interlocutor desse nosso agradável bate-papo.

 


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