Raquel Gonçalves-Maia Fundação Calouste Gulbenkian 8 Novembro 2011



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FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN

Serviço de Ciência






As Químicas do Nobel

Raquel Gonçalves-Maia

Fundação Calouste Gulbenkian

8 Novembro 2011 | 18h00


São quatro as químicas do Nobel: Marie, Irène, Dorothy e Ada. Marie nasceu polaca, Irène francesa, Dorothy britânica e Ada israelita. Diferenças sem significado, que escondem filiações genéticas, genealogias científicas, afinidades electivas. Estudaram a interacção das radiações com a matéria para saberem mais sobre a sua composição e estrutura. Todas guindaram os seus objectivos a um nível de tal modo elevado que só a elas, entre as mulheres, foi concedido o Prémio Nobel da Química até aos dias de hoje. Quatro mulheres, quatro seres excepcionais. Investigadoras, professoras, casadas e mães. Exigentes e determinadas, venceram preconceitos, ultrapassaram convenções.
A radioactividade perdeu segredos e os elementos químicos Rádio e Polónio viram a luz sob a persistência de Marie. A transmutação de elementos em elementos, de radioactividade “induzida” por acção físico-química e sem mistérios alquímicos, foi obra certeira de Irène. A decifração, por cristalografia de raios X, da complexa estrutura tridimensional de moléculas da vida – o colesterol, a vitamina B12, a insulina, … – saiu perfeitamente delineada das mãos de Dorothy. Ada perseguiu os ursos polares, enquanto hibernados; depois, bactérias. E será, de novo, a técnica da cristalografia de raios X que permitirá observar ribossomas, essas estruturas presentes nas células que possibilitam construir diariamente tijolos sobre os quais se edifica a vida – as proteínas.
Conhecer a estrutura é conhecer a função. E as aplicações farmacológicas e médicas tornam-se inevitáveis. No Ano Internacional da Química é inevitável também conhecer os contributos das mulheres para a Ciência – a sua vida e a sua obra.
Marie Skłodowska Curie (1867-1934) recebeu o Prémio Nobel da Química em 1911 (com o marido Pierre Curie e Henri Becquerel. Já tinha sido contemplada com o Nobel da Física, em 1903). Irène Joliot-Curie (1897-1956), filha do casal Curie, recebeu, com o marido Frédéric Joliot-Curie, o Prémio Nobel da Química em 1935. Dorothy Crowfoot Hodgkin (1910-1994) foi contemplada em 1964. Recentemente, em 2009, Ada Yonath (n. 1929) – na companhia de Venkatraman Ramakrishnan e Thomas Steitz – foi distinguida com o prémio Nobel da Química.




Raquel Gonçalves-Maia

rmcgonc@gmail.com

É doutorada e agregada em Química pela Universidade de Lisboa. Pós-doutoramento na Universidade de Exeter (Reino Unido). É professora catedrática aposentada do Departamento de Química e Bioquímica da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.


Desenvolveu actividade de investigação na área da Química-Física, tendo sido coordenadora científica do GERQ - Grupo de Estrutura e Reactividade Química. Dirigiu o Boletim da Sociedade Portuguesa de Química e foi representante nacional na Commission on Chemical Kinetics da IUPAC. Foi membro de Comissões de Avaliação e de Direcção/Organização universitárias.
Leccionou na Universidade de Lisboa e, por convite, nas Universidades Técnica de Lisboa, de Évora e do Minho e no Instituto Politécnico de Tomar. Realizou várias Acções de Formação creditadas.
A Epistemologia, a História das Ciências e a Divulgação Científica têm suscitado também o seu interesse. Foi colaboradora do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, tendo tido a seu cargo a coluna “Ciência e Sociedade”.
Publicou centenas de artigos, vários livros e capítulos de livros, nas áreas mencionadas, e também contos e romances.


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