Rasto de sangue



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RASTO DE SANGUE

Acompanhando os cristãos através dos séculos ...


0u
A história das Igrejas Batistas, desde o tempo de Cristo, seu fundador, até os nossos dias.
J. M. CARROLL
INTRODUÇÃO - POR CLARENCE WALKER
I
O Dr. J. M. Carroll, autor deste livro, nasceu no Estado de Arkansas em 8 de janeiro de 1858 e faleceu em Texas em 10 de janeiro de 1931. Seu pai foi pastor batista e se mudou para Texas quando o irmão Carroll tinha apenas 6 anos de idade. Em Texas ele se converteu, foi batizado e consagrado ao ministério. O Dr. Carroll não se tornou somente um líder entre os batistas texanos, mas um líder influente entre os batistas do Sul dos EUA. e do mundo.

Há anos passados ele veio para a nossa Igreja e nos trouxe as mensagens encontradas neste opúsculo. Quando ele assim fazia me tornei grandemente interessado nos seus estudos. Eu também tinha feito pesquisas especiais em torno da História da Igreja, bem como sobre qual seria a mais antiga Igreja e a que mais se parece com as Igrejas do Novo Testamento.

O Dr. J. W. Porter ouviu os discursos. Ficou bastante impressionado e consultou o irmão Carroll se ele escreveria as mensagens para serem publicadas num livro. Ele acedeu e as escreveu, autorizando o Dr. Porter a publicá-las, juntamente com o mapa anexo, que ilustra a historia assim vividamente.

Infelizmente o irmão Carroll faleceu antes que o livro fosse tirado do prelo, mas o Dr. Porter o colocou à venda e a edição foi prontamente vendida. Agora, pela graça de Deus, lançamos esta edição. Desejo pedir a todos que lerem e estudarem estas páginas que unam suas orações às minhas, no esforço por tornar sempre crescente o seu número de leitores:

"E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou; para que agora, pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida... A esse glória na Igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações para todo o sempre. Amem. (Ef. 3:9,10, 21).

II

Era maravilhoso se ouvir o Dr. Carroll contar como se tornou interessado na história das diferentes denominações _ principalmente na sua origem. Ele escreveu este livro depois de 75 anos de idade, todavia ele disse: “Converti-me a Deus, quando era ainda menino. Vi as diversas denominações e me interessei por saber qual delas teria sido a igreja fundada pelo Senhor Jesus".



Quando ainda jovem ele sentiu que no estudo das Escrituras e da História, acharia a igreja mais antiga e mais semelhante às igrejas descritas no Novo Testamento.

Esta pesquisa da verdade conduziu-o a muitos lugares e habilitou-o a adquirir uma das maiores bibliotecas sobre a Historia da Igreja. Esta biblioteca foi oferecida após a sua morte ao Seminário Teológico Batista do Sudoeste, em Fort Worth, Texas, Estados Unidos da América.

Dr. Carroll encontrou muita coisa sobre a História da Igreja em geral, principalmente sobre a história dos católicos e protestantes. Ele descobriu que a história dos batistas foi escrita em sangue. Os batistas suportaram o ódio do povo na "Idade de Trevas". Seus pregadores e membros foram encarcerados e um sem número deles foi morto. O mundo nunca presenciou algo que se compare à perseguição sofrida pelos batistas na Idade Média, por imposição da Hierarquia Católica. O Papa era o ditador do mundo; por causa disto os Anabatistas de antes da Reforma, chamavam-no de Anti-Cristo.

Sua história está escrita nos documentos legais e papéis avulsos daquele tempo. E é através desses testemunhos que os "RASTOS DE SANGUE" serpeam no caminho dos séculos, como se pode notar na seguinte narração:


"Em Zurique depois de muitas disputas entre Zwingli e os Anabatistas, o Senado promulgou uma lei, segundo a qual, aquele que se atrevesse a batizar alguém que tivesse sido batizado antes, na infância, fosse afogado! Em Viena muitos Anabatistas foram ligados uns aos outros por cadeias, sendo então arrastados até ao rio, onde, um a um, foram todos afogados". (Vide Supra, pg. 61).

'' Em 1539, A. D. dois Anabatistas foram queimados além de Southwark e um pouco antes deles 5 Anabatistas holandeses foram também queimados em Smithfield" (Fuller Church History).

"No ano 1160 um grupo de Paulicianos (Batistas) entrou em Oxford . Henrique II ordenou que eles fossem publicamente marcados a fero na testa e acoitados através das ruas, com as vestes cortadas até a cintura, sendo, finalmente, enxotados para as estradas. Nas aldeias não lhes podia ser fornecido qualquer abrigo ou alimento e eles lentamente pereceram de fome e de frio" ( Moore, Earlier and Later Nonconformity, in Oxford 12).
O velho cronista Stowe, 1533 A. D., relata:

"A 25 de maio na igreja de S. Paulo em Londres foram interrogados 19 homens e seis mulheres. Catorze deles foram condenados; um homem e uma senhora foram queimados em Smithfield e os outros 12 foram enviados a outras cidades para serem ali queimados.


Froude, historiador inglês, diz desses mártires anabatistas:

"As minúcias são todas perdidas, seu nomes também o são. Isto não importa à narrativa. Para eles a Europa não estava agitada; o tribunal não recebeu ordens de observar a luta, o coração dos seguidores do Papa não tremia de indignação. À sua morte o mundo olhava com complacência, ou indiferença ou mesmo com alegria. Ainda assim, de 25 pobres homens e mulheres `haviam achado 14 que nem pelo terror da fogueira ou da tortura, seriam tentados a dizer que não criam naquilo em que realmente cressem. A Historia não tem para eles palavras de louvor, mas ainda assim eles não estavam dando o seu sangue em vão. Suas vidas poderiam ter sido inúteis, como a vida de muitos de nós. Mas com sua morte eles ajudaram a pagar o preço da liberdade inglesa.


De igual modo nos escritos dos inimigos tanto quanto nos de seus amigos, o Dr. Carroll descobriu a Historia Batista e os rastos sanguinolentos que eles deixaram através dos séculos.

O cardeal Hosius, católico, 1524, presidente do Concílio de Trento, escreveu:


"Não fosse o fato de terem os batistas sido penosamente atormentados e apunhalados durante os 12 últimos séculos e eles seriam mais numerosos mesmo do que todos os que vieram da Reforma!"
Nos mil e duzentos anos que precederam à Reforma, Roma atormentou os batistas com a mais cruel perseguição que se possa imaginar.
Sir Isaque Newton assim se expressou: "Os batistas são o único corpo de cristãos que nunca tiveram similitudes com Roma".
Mosheim, luterano escreveu:

"Antes de se levantarem Lutero e Calvino, estava ocultas em quase todos os países da Europa pessoas que seguiam tenazmente os princípios dos modernos Batistas Holandeses".


Enciclopédia de Edinbur (autor Presbiteriano):
"Nossos leitores percebem agora que os Batista são a mesma seita dos Cristãos que antes foram escritos como Anabatistas. Realmente parece ter sido o seu principio dominante desde o tempo de Tertuliano até o presente".
Tertuliano nasceu exatamente 50 anos depois da morte do apóstolo João.

III
Os batistas não crêem na sucessão apostólica. O ofício apostólico cessou com a morte dos apóstolos. Às suas Igrejas, que Cristo prometeu uma continua existência desde quando organizou a primeira delas durante o seu ministério terrestre até que ele venha outra vez, ele prometeu:

"Edificarei a minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mat. 16:18).

Quando ele proferiu a Grande Comissão, que foi confiada à Igreja para execução, ele prometeu:

"Estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos". Mat. 28:20.

Esta Comissão - este trabalho - não foi dado aos apóstolos como indivíduos, mas a eles e aos demais presentes na sua capacidade de membros de Igreja. Os apóstolos e demais que o ouviram pronunciá-la, cedo morreram. Mas, sua Igreja tem vivido através dos séculos, fazendo discípulos, batizando-os e ensinando-lhes a verdade - as doutrinas - que ele comissionou à Igreja de Jerusalém. E as igrejas fiéis têm sido abençoadas com a sua presença, palmilhando com Ele através dos Rastos de Sangue.

Esta história mostra como a promessa do Senhor às suas igrejas tem sido cumprida. O Dr. Carroll mostra que Igrejas tem sido encontradas em todos os séculos" que ensinam as doutrinas comissionadas por Cristo a elas. Ele chama a essas doutrinas "característicos" das Igrejas do Novo Testamento.
CARACTERÍSTICOS DAS IGREJAS DO

NOVO TESTAMENTO


Seu cabeça e fundador: - Cristo. Ele é o legislador; a Igreja só executa essas leis. (Mat. 16:18, Col. 1:18).

Sua única regra de fé e prática: - a Bíblia - (II Tim. 3:15-17).

Seu nome: - "Igreja" ou "Igrejas". (Mat. 16:18; Apoc. 22:16).

Seu governo: - Democrático - todos os membros iguais (Mat. 2:24-28, Mat. 23:5-12).

Seus membros: - Somente pessoas salvas - (Ef. 2:21, 1 Ped. 2:5).

Suas ordenanças: - Batismo dos crentes e depois disto a Ceia do Senhor. (Mat. 28:19-20).

Seus oficiais: - Pastores e diáconos. - (I Tim. 3:1-16).

Seu trabalho: - Pregar a salvação às pessoas, batizando-as (com um batismo que concorde com todas as exigências da Palavra de Deus), "ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho rnandado" . (Mat. 28:16-20).

Seu plano financeiro: - Assim (dízimos e ofertas) ordenou também o Senhor aos que anunciam o Evangelho, que vivam do Evangelho" (I Cor. 9:14). |

Suas armas de combate: - Espirituais e não carnais. (1I Cor. 10-4, Ef. 6:10-20) .

Sua independência - Separação entre a Igreja e o Estado. (Mat. 22:21).

IV
Em qualquer cidade onde existam diferentes igrejas, todas proclamam ser a verdadeira. Dr. Carroll fez como o senhor pode fazer agora: tome os característicos ou ensinos das diferentes igrejas e verifique quais delas apresentam esses característicos ou doutrinas. As que os possuírem conforme ensinados na Palavra de Deus, serão as verdadeiras igrejas.


Dr. Carroll seguiu este método no exame *as igrejas de todos os séculos. Ele encontrou muitas que se afastaram desses "caraterísticos ou doutrinas". Outras igrejas, contudo, ele encontrou que mantinham estes característicos em cada dia e em cada época assim corno disse Jesus:

"Edificarei a minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela". Mat. 16:18.

"Estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos". Mat. 28-20.

O RASTO DE SANGUE


ou ..
SEGUINDO OS CRISTÃOS ATRAVÉS DOS
SÉCULOS, DESDE OS DIAS DE JESUS
ATÉ O TEMPO PRESENTE

Ou, para dizer diferente, mas ainda expressivamente: "A história das Doutrinas como ensinadas por Cristo e seus apóstolos e aqueles que têm sido leais a elas.

CAPÍTULO I

"Lembra-te dos dias da antigüidade, atenta para os anos de muitas gerações: pergunta a teu pai e ele te informa, aos teus anciãos e eles to dirão". Deut. 32:7.


0 que conhecemos hoje como "Cristianismo" ou religião cristã começou com Cristo entre os anos 25 e 30 da nossa era, dentro dos limites do Império Romano. Este foi um dos maiores impérios que o mundo tem conhecido em toda a sua história.
O Império Romano abrangia quase a totalidade do mundo conhecido e habitado. Tibério César era o seu imperador.
Quanto à religião o Império Romano era pagão. Tinha uma religião politeísta, isto é, de muitos deuses. Alguns eram deuses materializados e outros deuses imaginários. Havia muitos devotos e adoradores desses deuses. Não era simplesmente uma religião do povo, mas também to Império. Era uma religião oficial. Estabelecida por lei e protegida pelo governo. (Mosheim Sancionada, vol. 1, cap. 1).
O povo judeu deste período não constituía propriamente uma nação separada, uma vez que se encontravam judeus espalhados através de todo o Império. Eles tinham ainda o seu templo em Jerusalém e ali vinham adorar a Deus; estavam, pois, ciosos da sua religião. Mas, semelhantemente aos pagãos encheram-se de formalismo e perderam seu poder. (Mosheim, col. 1, cap. 2).
Não sendo a religião de Cristo uma religião deste mundo, não Ihe deu o seu fundador um chefe terreno nem qualquer poderio temporal. Sua Igreja não procurou secularizar-se, nem qualquer, apoio de qualquer governo. Ela não procurou destronar a César. Disse Jesus: "Dai pois a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Mat. 22:19-22; Mar. 12:17; Luc. 20:20). Sendo uma religião espiritual, não visava rivalizar-se com os governos terrenos. Seus aderentes, ao contrário, eram ensinados a respeitar todas as leis civis, como também os governos. (Rom. 13:1-7, Tit. 3:1, I Ped. 2:13-16).
Desejamos agora chamar sua atenção para alguns dos característicos ou sinais desta religião - a religião cristã. O leitor e eu vamos traçar uma linha através destes 20 longos séculos, e com especialidade, através dos 1.200 anos de trevas da meia-noite, escurecidos pelos rios e mares do sangue mártir, razão porque necessitamos compreender bem estes característicos. Eles serão muitas vezes terrivelmente desfigurados. Não obstante haverá sempre algum característico indelével. Mas ainda nos deixarão de sobreaviso, cuidadosos e suplicantes. Encontraremos muita hipocrisia como também muita farsa. É possível que até escolhidos sejam enganados e traídos. Desejamos se for possível, traçar através da história verossímil, mas principalmente através da história verdadeira e infalível, palavras e característicos da verdade divina.

ALGUNS CARACTERÍSTICOS CERTOS



E INFALÍVEIS
Atravessando os séculos encontramos um grupo ou grupos de pessoas fugindo à observância destes característicos distintivos e enunciando outras coisas além das doutrinas fundamentais, portanto, tomemos cuidado.
Cristo, o autor da religião cristã, reuniu seus seguidores numa organização, a que chamou "Igreja". E aos discípulos competia organizar outras igrejas como também "fazer" outros discípulos. (Bap. Successions - Ray - Revised Edition, 1o cap.).
Nesta organização, ou Igreja, de acordo com as Escrituras e com a prática dos apóstolos, desde cedo foram criadas duas classes de oficiais e somente duas: pastores e diáconos. O pastor era também chamado "bispo". Ambos eram escolhidos pela Igreja, e para servirem à Igreja.
As Igrejas no seu governo e disciplina eram inteiramente separadas e independentes entre si. Jerusalém não tinha autoridade sobre Antioquia; n em Antioquia sobre Éfeso; nem Efeso sobre corinto e assim por diante. Seu governo era Democrático. Um governo do povo, pelo povo, e para o povo.
À Igreja foram dadas duas ordenanças, e somente duas, o Batismo e a Ceia do Senhor. São memoriais e perpétuas.
Somente os "Salvos" eram recebidos para membros das Igrejas. (At. 2:47). Eram salvos unicamente pela graça, sem qualquer obra da lei (Ef. 2:5, 8, 9). Os salvos e eles somente deviam ser imersos em nome do Pai e do Filho e do Espirito Santo (Mat. 28:19). E unicamente os que eram recebidos e batizados participavam da Ceia do Senhor, sendo esta celebrada somente pela Igreja e na capacidade de Igreja.
Somente as Escrituras Sagradas e, em realidade, o Novo Testamento são a única regra de fé e de vida, não somente para a Igreja como organização, mas também para cada crente como indivíduo.
Cristo Jesus, O fundador da igreja e o salvador de seus componentes, é o seu único sacerdote e rei, seu senhor e legislador e único cabeça das igrejas. Estas executavam simplesmente a vontade do seu Senhor expressa em suas leis completas, nunca legislavam ou emendavam ou abrigavam velhas leis ou formulavam novas.
A religião de Cristo era individual, pessoal e puramente voluntária ou persuasiva. Sem nenhuma compulsão física ou governamental. Uma matéria de exame individual e de escolha pessoal. "Escolhei" é a ordem das Escrituras. Ninguém seria aceito ou rejeitado para viver como crente, por procuração ou compulsão de outrem.
Note bem! Nem Cristo nem os seus apóstolos deram em qualquer tempo aos seus seguidores designações como "Católico", "Luterano", "Presbiteriano", "Episcopal", etc. (A não ser o nome dado por Cristo a João, que passou a ser chamado "O Batista", João Batista". (Mat. 11:11 e 10 ou 12). Outras vezes, Cristo chamou "discípulo" ao indivíduo que o seguia. Dois ou mais seguidores eram chamados "discípulos". A assembléia de discípulos, quer em Jerusalém ou Antioquia ou outra qualquer parte era chamada "Igreja".
Se eles fossem se referir a mais de uma desses organizações autônomas, as nomeariam como "Igrejas". A palavra "igreja", no singular, nunca foi usada para designar mais de uma destas organizações. Nunca igualmente serviu para designar a totalidade delas.
Arrisco em dar mais um característico distintivo. chamá-lo-ei - completa separação entre a Igreja e o Estado. Não combinação, não mistura da religião com o governo secular. E adiciono a isto a completa liberdade religiosa para todos.
E agora, antes de prosseguir com a história religiosa propriamente, deixai-me dizer alguma coisa sobre o

MAPA
Creio que se o leitor estudar cuidadosamente o mapa colocado no apêndice deste livro, compreenderá melhor a História e ajudará a sua memória em reter aquilo que ouvir e ler.

Lembre-se que esse mapa pressupõe cobrar um período de 2.000 anos de história religiosa.

Observe agora em cima e em baixo do mapa as indicações - 100, 200, 300, até 2.000. Elas representam os 20 séculos, sendo que cada século aparece separado pelas linhas verticais. Observe-o agora, quase em baixo. Há uma linha reta que corre da esquerda para a direita ao longo de todo o mapa.

As linhas longitudinais guardam mais ou menos as mesmas distancias das linhas verticais. Mas o leitor não pode vê-las em todo o percurso. Elas estão cobertas por muitos pontos pretos, os quais representam a época que é conhecida como "A Idade das Trevas". (Idade média). Serão explicadas depois.

Entre as duas linhas inferiores estão os nomes dos países: Itália, Inglaterra, Espanha, França, etc., terminado com a América do Norte. Estes são os nomes dos países onde grande parte da história se desenrolou, sendo que os fatos aparecem ligados aos nomes dos países onde se deram. Certamente que nem toda a história se deu nesses países, mas alguns de seus fatos neles ocorreram, dentro de determinados períodos. Alguns fatos notáveis da História se deram nesses países naquelas épocas especiais.

Agora, observe outra vez quase em baixo do mapa, outras linhas ou pouco mais elevadas. Compreendem também um pouco da "Idade das Trevas" e estão cheias de nomes, mas desta vez não são nomes de países. Elas contêm todas as alcunhas ou nomes que Lhes foram dados por seus inimigos. Cristãos - este é o primeiro: "E em Antioquia foram os discípulos pela primeira vez chamados cristãos". (At. 11:26). Isto ocorreu no ano 43 A. D. mais ou menos. Qualquer judeu ou pagão usava este nome contra os cristãos como um meio de escarnecê-los. Todos os demais nomes desta coluna foram dados de igual maneira: Novatistas, Montanistas, Donatistas, Paulicianos, Albingenses, Waldenses, etc. e Anabatistas. Todos estes apareceram depois e serão apresentados com o correr do estudo. Mas, olhe novamente o mapa. Veja 05 círculos vermelhos. Eles estão espalhados em todo ele. Representam igrejas. Somente igrejas locais, na Ásia, na África, na Europa, nas montanhas e nos vales e assim por diante. Visto que o vermelho representa o sangue, elas representam o sangue dos mártires. Cristo, seu fundador morreu na cruz. Todos os outros, senão dois, João e Judas, sofreram o martírio. Judas traiu o seu Senhor e suicidou-se. João, segundo a tradição, foi lançado em um grande caldeirão de óleo quente.

Poderia notar agora alguns círculos que estão salpicados de preto. Eles representam igrejas também. Mas igrejas desviadas. Igrejas que se tomaram erradas na vida e na doutrina. Houve certo número destas mesmo antes da morte de Pedro, Paulo e João.

Tendo terminado a introdução geral e dado algumas preliminares essenciais passemos à história regular.
PRIMEIRO PERÍODO: 30 A 500 A.D.
1. Sob a liderança maravilhosa e singular de João Batista, o homem eloqüente do deserto e sob a delicada influencia e milagres e serviços do próprio Cristo e a maravilhosa pregação dos 12 apóstolos e os imediatos, a religião cristã se desdobrou poderosamente nos primeiros 500 anos de sua história. Contudo, por outro lado um terrível rasto de sangue deixou atrás de si. O judaísmo e paganismo contestaram amargamente todo o avanço do movimento. João Batista foi o primeiro dos grandes líderes a dar sua vida. Sua cabeça foi cortada. Logo em seguida, vem o próprio Salvador, o fundador da religião cristã, que morreu na cruz. A cruel morte de cruz.
2. Seguindo seu Salvador em rápida sucessão muitos outros heróis foram derrubados pelo martírio. Estêvão foi apedrejado, Mateus morto na Etiópia, marcos arrastado através das ruas até morrer, Lucas enforcado, Pedro e Simeão crucificados. André amarrado a uma cruz, Tiago degolado; Felipe, crucificado e apedrejado; Bartolomeu esfolado vivo; Tomé traspassado com lanças; Tiago, o menor, foi arrancado do templo e espancado até morrer; judas (o zelote) morreu cravejado de flechas; Matias apedrejado e Paulo decapitado!
3. Mais que um século se passou antes que todas estas coisas tivessem sucedido. E esta cruel perseguição judeu-pagã continuou por mais dois séculos. E, ainda assim, poderosamente se espalhava a religião cristã. Ela penetrou em todo o Império Romano, Europa, Ásia, África, Inglaterra, Gales e por toda parte onde existia qualquer rasto da civilização. As igrejas multiplicaram-se grandemente e o número de discípulos aumentava continuamente. Todavia, algumas das igrejas começaram a descambar para o erro.
4. A primeira das mudanças aos ensinos do Novo Testamento foi no tocante ao governo da Igreja e à doutrina. Nos primeiros dois séculos, as igrejas locais multiplicaram-se rapidamente e algumas mais depressa do que outras, como Jerusalém, Antioquia, Éfeso, Corinto, etc. Jerusalém, por exemplo, tinha muitos milhares de membros (At. 2:41, 4:4, 5:14) possivelmente 25.000 ou talvez 50.000 ou mais. O cuidadoso estudante do livro de Atos e das epístolas verá que Paulo estava permanentemente preocupado em manter algumas das igrejas fiéis, quanto às doutrinas. Veja as profecias de Pedro e Paulo com respeito às futuras igrejas (II Ped. 2:12, At. 20:29-31. Veja também Apoc. caps. 2 e 3).
Estas grandes igrejas possivelmente tinham grandes pregadores e anciãos. (At. 20:17). Alguns dos bispos e pastores começaram a usar de uma autoridade que não Lhes fora dada no Novo Testamento. Alguns começaram a exercer certa autoridade sobre outras igrejas maiores e também menores. E juntamente a muitos ancião, começaram a assenhorear-se da herança do Senhor (III João 9). Aqui estava o início de um desvio que se multiplicou em muitos erros igualmente perniciosos.

Aqui estava o gérmen das diferentes ordens no ministério, chegando finalmente ao que hoje é praticado por outros, tanto quanto pelos católicos. Aqui foi o inicio daquilo que resultou numa mudança radical no governo democrático original das primeiras igrejas. Esta irregularidade começou em pequena escala, ainda antes do início do 22 século. Este foi provavelmente, o primeiro afastamento sério da norma de uma igreja do Novo Testamento.


5. Uma outra mudança vital encontrada na História antes do inicio do 2o século foi na grande doutrina de salvação pela graça. Os judeus, assim como os pagãos, tinham sido treinados durante muitas gerações, com a ênfase do culto, no cerimonialismo. Eles costumavam considerar os tipos pelos anti-tipos, as sombras pelas substancias reais, tornando o cerimonialismo como verdadeira agência de salvação. Quão simplesmente chegaram a considerar assim o batismo! Assim eles arrazoavam: A Bíblia tem muito que dizer com relação ao batismo. Muita ênfase é colocada na ordenança e no dever concernente a ela. Evidentemente ela deve ter algo a ver com a salvação. Desta forma criou corpo a idéia da ''Regeneração Batismal", iniciada neste período que começou a ganhar aceitação em algumas igrejas" (Shackelford, pág. 57; Camp. pág. 47; Benedito, pág. 286; Mosheim, vol. 1, pág. 134; Cristiano, pág. 28).
6. O erro seguinte a este e, do qual, encontramos menção em alguns historiadores (não todos) teve inicio no mesmo século e podemos dizer que veio como conseqüência imediata da idéia da ''Regenerarão Batismal". Este erro consistia na mudança dos candidatos ao batismo. Depois que o batismo foi considerado como uma agência ou meio de salvação, pelas igrejas desviadas, quanto mais depressa fosse ele administrado, tanto melhor. Em conseqüência surgiu o "batismo infantil". Antes disto "crentes" e "crentes" somente, eram considerados em condições de submeterem-se ao batismo. "Aspersão" e "derramamento" eram formas até então desconhecidas. Vieram muito mais tarde. Por vários séculos os infantes eram, como os demais, imersos. A Igreja Ortodoxa Grega (que é um grande ramo da Igreja Católica) até hoje não mudou a forma original de batismo. Ela pratica o batismo infantil, mas nunca procedeu de outro modo que não o da imersão das crianças. (Nota. alguns historiadores da igreja põem O inicio do batismo infantil neste século, mas eu citarei um pequeno parágrafo das "Robinson's Ecclesiastical Researches" (Pesquisas Eclesiásticas de Robinson):

"Durante os primeiros três séculos as congregações espalhadas no oriente funcionaram em corpos independentes e separados, sem subvenção por parte do governo, e, consequentemente, sem qualquer poder secular da Igreja sobre o Estado ou vice-versa. Em todo esse tempo as igrejas batizavam e, segundo o testemunho os Pais dos primeiros 4 séculos, até Jeronimo (370, A. D.), na Grécia, Síria e África, é mencionado um grande número de batismos de adultos, sem a apresentação de ao menos um batismo de criança, até o ano 370 A. D." (Compêndio de história batista por Shackelford, p. 43; Vedder p. 50; Chrishan p. 31; Orchard p. 50, etc.).

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