Rasto de sangue



Baixar 174.79 Kb.
Página3/5
Encontro29.07.2016
Tamanho174.79 Kb.
1   2   3   4   5
13. A doutrina das indulgências e a venda de indulgências foi um novo acréscimo absolutamente contrário às doutrinas do Novo Testamento. Mas para tornar prática essa heresia, uma outra precisa ser criada: o estabelecimento de um crédito, que não obstante tivesse o lastro no céu era contudo acessível à terra. Assim, o mérito das "boas obras" como um meio de salvação, devia ser ensinado. Para justificá-lo, colocaram as reservas celestes que davam valor às indulgências passíveis de aumento. O primeiro lastro do fundo das indulgências, foi o que veio pelo trabalho perfeito de Jesus. Como Ele não praticou o mal, a totalidade de suas boas obras não seriam usadas em seu próprio benefício mas colocada no fundo de reservas das indulgências. Ainda mais, todo o excedente das boas obras necessárias à salvação dos apóstolos seria adicionado a esse depósito, bem como excedentes das vidas de todos os santos, o que tornou essa reserva imensamente grande.

Mais ainda. Toda essa, imensa riqueza foi creditada à única Igreja, que tinha permissão para usá-la em suprir as necessidades de algum pecador perdido, cobrindo de cada um o que julgava lhe ser possível pagar, para que lhe beneficiasse com o crédito celestial.

Seguiu-se a venda das indulgências. Cada pessoa as poderia comprar para si, ou para seus amigos ou mesmo para os amigos mortos. Os preços variavam na proporção das ofensas cometidas ou a serem cometidas. Isto foi, muitas vezes, levada a absurdos terríveis, dos quais até católicos não descrêem. Algumas histórias ou enciclopédias dão uma lista de preços pelos diferentes pecados para os quais as indulgências eram vendidas.
14. Mas, uma outra nova doutrina se tomou necessária, imperativa mesmo, para tornar efetivas essas duas últimas. É a doutrina chamada do Purgatório, um lugar intermediário entre o céu e o inferno, no qual todos devem passar para serem purificados de todos os pecados veniais. Mesmo os santos devem passar através desse lugar, permanecendo lá até à completa purificação, pelo fogo - a menos que eles possam ser socorridos pela aplicação do lastro das indulgências, o que somente pode ser exercido por meio de orações e compra das mesmas pelos vivos. Daí a venda das indulgências. Um desvio do Novo Testamento leva a outro inevitavelmente.
Cabe perfeitamente aqui um parênteses para mostrar as diferenças entre as igrejas Católico-Rornana e Católico-Ortodoxa ou Grega:
(1) Quanto às nacionalidades: os ortodoxos são eslavos, congraçando: gregos, russos, búlgaro, sérvio, etc. Os romanos são principalmente latinos, congraçando: italianos, franceses, espanhóis, americanos do Sul, mexicanos e povos da América Central, etc.

A Igreja Grega recusa a aspersão ou derramamento como batismo. Os Romanos usam a aspersão, reclamando a si o direito de mudar a fórmula original do batismo, conforme o plano bíblico que é o da imersão.

A Igreja Católica Grega continua a observar a prática de comunhão para crianças. A Igreja Romana a tem abandonado, usando-a como um outro meio de salvação.

A Igreja Grega na administração da Ceia do Senhor dá o pão e o vinho aos comungantes. A Igreja Romana dá aos comungantes somente o pão, reservando o vinho para o sacerdote.

Na Igreja Grega os sacerdotes se casam. Na Igreja Romana eles são proibidos de o fazer.

(6) Os Gregos rejeitam a doutrina da infalibilidade papal; os Romanos a aceitam e insistem na sua exatidão.

Estes são alguns pontos, aos menos, nos quais essas duas Igrejas divergem. No demais, ao que parece, as Igrejas Grega e Romana, permanecem unidas.
16. Nossos estudos têm girado em tomo dos 9 primeiros séculos. Entraremos agora no 10o século. Olhem, por favor, no mapa. Foi justamente aqui que se deu a separação entre as igrejas Grega e Romana. Depressa veremos, como no correr desses séculos novas leis e doutrinas surgiram - e outras desesperadas n e terríveis perseguições. (Schaff. Herzogg, En. Vol. 11, pág. 901).
17. Novamente chamamos a atenção dos leitores para aqueles que caíram sob a dura prova da perseguição. Se 50.000.000 pereceram, durante os 1.200 anos da "Idade Média", como a história parece positivamente ensinar, então morreram em média 4 milhões de crentes por século. Isto parece ir alem do que permite a concepção humana. Como já foi mencionado, essa mão de ferro se alimentava com o sangue mártir tirado dos Paulicianos, Arnoldistas, Henricianos, Petrobrussianos, Albingenses, Waldenses e Anabatistas - mais pesada sobre uns que sobre outros. Sobre esta parte terrível de nossa história, passaremos rapidamente.
Vem agora o longo período dos concílios ecumênicos, que sem dúvida não foram realizados consecutivamente. Houve através dos anos muitos concílios que não eram ecumênicos, nem do "Grande Império". Esses concílios eram principalmente legislativos para decretar ou emendar leis do poder civil ou religioso, tanto a legislação quanto as leis contrárias ao Novo Testamento.

Lembre-se que esses foram atos de uma Igreja oficializada, uma Igreja casada com um Governo pagão. E esta Igreja se tomou em breve tempo mais paganizada, que o Estado cristianizado.


19. Quando qualquer grupo rejeita o Novo Testamento como norma completa de fé e prática, quer como indivíduos, quer como Igrejas, esse grupo se atira num oceano imenso. Qualquer lei errônea (e toda adição à Bíblia é errônea) inevitável e rapidamente, exige a criação de outra e outras exigem outra, sem limite possível. Eis porque Cristo não deu nem às suas Igrejas nem aos bispos (pastores) poderes legislativos. Convém notar outra vez, mais particularmente, porque o Novo Testamento inclui. no seu término essas significativas palavras: "Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro, que se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro, e se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida e da cidade santa, que estão escritos neste livro". (Apoc. 21:18-19).
Nota: Inserimos aqui esta cláusula parentética como uma advertência. Devem as igrejas batistas tomar cuidado quanto às suas resoluções, disciplinares ou não, como as que se dão nas sessões, resoluções essas que podem se constituir em regras que afetam o governo das igrejas. O Novo Testamento contém todas 55 as leis e regras necessárias.
20. A limitação extrema deste pequeno livro impede-nos de dizer muito acerca desses concílios ou assembléias legislativas, mas é necessário que se diga alguma coisa pelo menos.
21. O primeiro dos concílios Lateranos ou ocidentais, convocados pelos papas, foi convocado por Calixto II, em 1123 A.D. Assistiram-no cerca de 300 bispos. Nesse concílio foi declarado que o padre romano não poderia casar-se. Isto foi chamado celibato do clero. Não tentaremos, é claro, relatar todas as resoluções tomadas nesses concílios.
Anos mais tarde, isto é, em 1139 A.D., o papa Inocêncio II convocou um novo concílio, que tinha por finalidade principal condenar o trabalho de dois grupos dissidentes de cristãos, os quais foram conhecidos como Petrobrussianos e Arnoldistas.
23. Alexandre III convocou ainda outro concílio em 1179 A.D., 40 anos depois do concílio precedente, no qual foi condenado o que eles chamavam "erros e impiedades'' dos Waldenses e Albingenses.
24. Exatamente 36 anos após o concílio anterior; um outro foi convocado pelo papa Inocêncio III. Foi realizado em 1215 A.D. e parece ter sido o mais assistido dentre todos os grandes concílios. De acordo com a História "havia presentes a esse concílio 412 bispos, 800 abades e priores, Embaixadores da Corte Bizantina e um grande número de príncipes e nobres." Pelos componentes dessa Assembléia, podemos deduzir não terem sido somente de matéria religiosa os assuntos discutidos.

Por aquele tempo foi promulgada uma nova doutrina: a da "Transubstanciação", segundo a qual o pão e o vinho da Ceia do Senhor são transformados, realmente, no corpo e no sangue do Senhor, logo após a palavra consagratória do sacerdote. Estas doutrina entre outras, foi a pedra de toque dos reformadores, poucos séculos mais tarde. Segundo o ensino desta doutrina todos os que participaram ou participam da Ceia do Senhor comeram o próprio corpo e beberam o próprio sangue de Jesus Cristo. A Confissão Auricular - confissão dos pecados, individualmente, aos ouvidos do sacerdote - parece ter tido seu início nesse concilio. Mas provavelmente, o mais sanguinoso evento de todos que têm sido trazidos sobre os povos em toda a história do mundo, foi o que é conhecido como a "Inquisição" e outros tribunais semelhantes, criados para processar e combater a "heresia". O mundo todo está cheio de livros que combatem esse ato de crueldade inexcedível, não obstante ter sido criado por um povo que se dizia dirigido pelo Senhor! Não existe nada, absolutamente nada, que possa ultrapassar à crueldade da Inquisição! Eu nem tentarei descrevê-la. Sugerirei simplesmente que os meus leitores procurem ler alguns dos muitos livros escritos sobre a ''Inquisição'', deixando que cada um tire a sua própria conclusão. E há ainda uma outra coisa que foi resolvida nesse concílio como se não bastasse tudo que já mencionamos. Refiro-me ao decreto de extirpação para toda a "heresia". É certo que por causa deste decreto muitas páginas negras foram escritas na história do mundo.


25. No ano de 1229 A.D., 14 anos depois do concílio que acabamos de mencionar; reuniu-se ainda outro concílio. (Parece, todavia, não ter sido ecumênico). Foi convocado para Toulosa. Possivelmente uma das mais vitais resoluções dos católicos foi tomada nesse concílio. Trata-se do decreto segundo o qual a Bíblia Sagrada seria negada ao uso de todos os leigos, de todas as Igrejas Católicas, a não ser aos padres e oficiais superiores. Determinação incompreensível em face do claro ensino da Palavra de Deus: "Examinais as Escrituras porque vós cuidais ter nelas a vida eterna e são elas que de mim testificam" João 5:39.
26. Ainda outro concílio foi chamado a reunir-se em Lion. Foi convocado pelo papa Inocêncio IV em 1245 A. D. Parece ter sido o seu principal objetivo excomungar e depor o imperador Frederico I da Alemanha. A Igreja, noiva adúltera desde o ano 313, quando foi realizado o seu casamento sob a égide de Constantino, o Grande, tinha se tornado a cabeça da casa, ditando normas nos governos estabelecidos e colocando ou arrancando do trono os reis e rainhas, a seu bel prazer.
27. Em 1274 A.D., um outro concílio foi convocado, tendo por objetivo reunir outra vez num, os dois grandes grupos - o Romano e o Grego - formando destarte a grande Igreja Católica. Esta grande assembléia falhou completamente no seu propósito.

TERCEIRO CAPÍTULO


1400 - 1600

1. Os séculos 15,16 e 17 são dentre todos os mais acidentados na história do mundo, e especialmente na história do Cristianismo. Houve uma quase que continua revolução dentro da Igreja Católica - tanto na Grega como na Romana - procurando uma reforma. Este despertar das consciências há muito adormecidas, o desejo de uma reforma genuína, começou realmente no século 13, ou possivelmente, um pouco antes. A História certamente parece indicar isto.
2. Voltemos um pouco. A Igreja Católica por seus muitos desvios do Novo Testamento, suas muitas estranhas e cruéis leis e por seu estado moral desesperadamente decaído e suas mãos e roupas manchadas com o sangue de milhões de mártires, tomou-se repreensível e dolorosamente repulsiva a muitos dos seus próprios adeptos, que eram muito melhores que seus próprios sistemas, leis, doutrinas e práticas.

Vários de seus mais destemidos, melhores e mais espirituais sacerdotes e demais líderes, um por um, procuraram sinceramente reformar muitas de suas mais censuráveis leis e doutrinas e fazê-la voltar, o quanto antes, ao nível dos ensinos do Novo Testamento. Vamos dar alguns exemplos indiscutíveis. Notemos, não somente onde e quando começa e até que ponto vai o fogo da reforma, mas notemos também os seus lideres. Os lideres eram, ou tinham sido, todos sacerdotes católicos ou oficiais do clero. Havia, portanto, um pouco de bom entre o muito mal. Contudo, por esse tempo, provavelmente não havia nenhuma única doutrina do Novo Testamento observada-sua pureza original - mas notemos agora alguns reformadores e onde trabalhavam.


3 É bom observar, todavia, que nos vários séculos anteriores a esse grande período de reforma, havia um número de importantes caracteres que se rebelaram contra os terríveis excessos do catolicismo e sinceramente procuraram permanecer leais à Bíblia - mas um rasto de sangue foi tudo o que deles ficou. Vamos estudar, por um momento, o período mais importante - o da Reforma.
4. De 1320 a 1384 viveu na Inglaterra um homem que atraiu a atenção de todo o mundo. Seu nome era João Wycliff. Foi ele o primeiro dos destemidos que tiveram a coragem de intentar uma real reforma dentro da Igreja Católica. A História refere-se a ele varias vezes, como a "Estrela d'Alva da Reforma". Viveu uma vida sincera e frutífera. Precisaríamos, sem dúvida, escrever vários volumes para contar de algum modo a historia de João Wycliff.
Ele foi odiado, terrivelmente odiado, pelos lideres da hierarquia. Sua vida foi persistentemente buscada. Finalmente morreu paralítico. Anos depois, era tão grande o ódio católico para com ele, que seus ossos foram desenterrados, queimados e as cinzas lançados á agua às águas.
5. Seguindo bem de perto as pegadas de Wycliff veio João Huss, 1373-1415, um distinto filho da longínqua Boêmia. Sua alma correspondeu ao sentimento da brilhante luz da "Estrela d'Alva da Reforma". Sua vida foi destemida e cheia de eventos, mas dolorosa e miseravelmente curta. Ao invés de despertar um ambiente favorável a uma verdadeira reforma entre os católicos, ele despertou medo, aversão e oposição, que resultaram na sua morte amarrado a um poste e queimado - um mártir entre os seus. Todavia, ele procurou o bem de seu próprio povo. Amou o seu Senhor e o seu povo. Todavia, ele foi apenas um entre os milhões que morreram por essa causa.
6. Depois de João Huss da Boêmia, veio um maravilhoso filho da Itália, o mui eloqüente Savanarola,. 1452-1498. Huss foi queimado em 1415 e Savanarola nasceu 37 anos depois. Ele como Huss, ainda que católico devoto, encontrou os lideres de seu povo - povo da Itália - como os da Boêmia, contrários a qualquer reforma. Mas por sua eloqüência poderosa, foi bem sucedido no despertar de algumas consciências e assegurou um considerável número de seguidores. Uma reforma real, porém, na hierarquia significava ruína absoluta para os superiores desta organização. Assim, Savanarola, tão bom quanto Huss, devia morrer. E também ele foi amarrado num poste e queimado. Dos homens eloqüentes desse grande período, Savanarola, possivelmente, a todos suplantava.

Não obstante lutava contra uma organização poderosa e sua « existência reclama que combatessem a reforma, e desta forma Savanarola devia morrer.


7. Naturalmente, muitos nomes de reformadores desse período têm sido deixados. Só os mais proeminentes na História são aqui mencionados. Seguindo a Savanarola, a "voz de ouro da Itália", vem um líder da Suíça. Zwingli nasceu antes da morte de Savanarola. Viveu de 1484 a 1531. O espírito da Reforma alastrava por toda a terra. Seu fogo abria caminho e espalhando-se muito rapidamente, tornou difícil refreá-lo. O fogo ateado por Zwingli não tinha sido senão parcialmente sufocado e já um mais sério que todos os outros irrompera na Alemanha. Zwingli morreu na batalha.
8 Martinho Lutero - provavelmente o mais importante de todos os reformadores do 15o e 16o séculos, viveu de 1483 a 1546, e como se pode ver pelas datas era quase contemporâneo de Zwingli. Nasceu 1 ano antes de Zwingli e viveu 15 anos mais.

Seus grandes predecessores tornaram-lhes mais fácil o caminho que devera trilhar, talvez muito mais do que encontramos registrado na História. Além disso, Lutero aprendeu pela dura experiência deles, bem como das que ele próprio teve mais tarde, que uma verdadeira reforma no seio da Igreja Católica seria claramente impossível. Assim mesmo, muitas .medidas reformatórias seriam necessárias. Uma exigia outra e outras exigiam ainda outras e assim por diante.


9. Assim, Martinho Lutero, depois de ter tido muitas e difíceis batalhas com os líderes do Catolicismo foi auxiliado por Melancton e outros proeminentes alemães, tornando-se em cerca de 1530 o fundador de uma organização cristã inteiramente nova, agora conhecida por Igreja Luterana, que se tornaria em breve a Igreja da Alemanha. Esta foi a 1a das novas organizações a sair diretamente de Roma, renunciando toda lealdade à Igreja Mãe (como é chamada) para continuar a viver.
10. Deixando por um pouco a Igreja da Inglaterra, que teve seu começo logo depois da luterana, seguiremos a Reforma no continente. De 1509 a 1564 viveu outro dos maiores reformadores. Era João Calvino, um francês, mas que parecia ao mesmo tempo ter vivido na Suíça. Era um homem realmente poderoso. Foi contemporâneo de Martinho Lutero por 30 anos, e tinha 22 anos quando Zwingli morreu. Calvino é apontado como fundador da Igreja Presbiteriana. Alguns historiadores, contudo, admitem Zwingli se bem que as mais fortes evidências favoreçam a Calvino. Indiscutivelmente o trabalho de Zwingli, tanto quanto o de Lutero, tornou muito mais fácil o trabalho de Calvino. Data de 1541, exatamente 11 anos (parece ser esse ano) depois da fundação da Igreja Luterana por Lutero, o início da Igreja Presbiteriana. Esta igreja, como no caso do Luteranismo, foi conduzida por um sacerdote ou oficial, que era católico reformado. Este seis - Wycliff, Huss, Savanarola, Zwingli, Lutero e Calvino, grandes líderes em suas batalhas para a reforma, feriram o catolicismo até o tornar cambalaente.
11. Em 1560, 19 anos depois da 1a organização calvinista em Genebra, Suíça, João Knox, discípulo de Calvino, estabeleceu a 1a Igreja Presbiteriana na Escócia, e justamente 32 anos depois, em 1592, o Presbiterianismo tornou-se ali a religião de Estado.
12. Durante todas essas difíceis lutas da Reforma, contínuo e valoroso auxílio foi dado aos Reformadores por muitos anabatistas, ou qualquer outro nome que levavam. Esperando algum alívio para sua dura sorte, eles saíram de seus esconderijos e lutaram corajosamente com os reformadores; todavia, eles estavam condenados a um medonho desapontamento. Haviam de ter, desde então, mais dois inimigos a persegui-los. Tanto a Igreja Luterana como a Presbiteriana trouxeram da sua mãe, a igreja Católica, muitos de seus males, entre os quais a idéia de uma Igreja do Estado. Ambas tornaram-se igrejas ligadas ao Estado. Ambas tomaram gosto na perseguição, faltando pouco, se alguma coisa faltava, para igualar-se à Mãe-Católica.
Triste e medonho era o destino desses grandes sofredor", os Anabatistas. O mundo de então não oferecia sequer um lugar onde eles se pudessem esconder. Quatro temíveis perseguidores estão agora furiosos em seu rasto. Na verdade seu caminho era um Rasto de Sangue .
Durante o mesmo período, em realidade vários anos antes que os Presbiterianos, levantou-se mais uma nova denominação, não no continente, mas na Inglaterra. Contudo, ela surgiu não tanto como Reforma (ainda que evidentemente a facilitasse) mas como conseqüência de verdadeira divisão ou cisão nas fileiras católicas. Semelhante à divisão em 869, quando os católicos do Leste separaram-se dos do Oeste e se tornaram conhecidos na História como Igrejas Católicas Grega e Romana. Esta nova divisão surgiu mais ou menos assim.

Henrique VIII, rei da Inglaterra, casou-se com Catarina da Espanha. Infelizmente, depois de algum tempo, surgiram algumas dificuldades amorosas, porquanto ele se apaixonara por Ana Bolena. Por isso Henrique queria divorciar-se de Catarina e casar-se com Ana. Obter o divórcio naquele tempo não era coisa fácil.

Somente o Papa poderia concedê-lo e, nesse caso, por razões especiais, o recusou. Henrique ficou num grande apuro. Sendo rei, sentiu que devia ter autoridade para seguir sua própria vontade no assunto. Seu 1o ministro (a esse tempo Thomas Cromwell) chegou a zombar do rei. Por que se submete à autoridade papal em tais questões? Henrique seguiu a sua sugestão, retirou-se de sob a autoridade do Papa e fez-se chefe da Igreja da Inglaterra. Começa, desse modo, a nova Igreja da Inglaterra. Isto se consumou em 1534 ou 1535. Nesse ocasião não houve mudança na doutrina, mas simplesmente, uma renúncia à autoridade papal.

Henrique nunca se tornou realmente protestante de coração.

Morreu na fé católica.
14. Esse rompimento, finalmente, resultou em várias e consideráveis mudanças, ou reformas. Uma reforma dentro da Igreja Católica e sob a autoridade papal, como no caso de Lutero e outros tinha sido impossível até então, mas tornou-se possível depois desta divisão. Granmer, Latimer, Ridley e outros realizaram algumas notáveis mudanças. Contudo, eles e muitos outros pagaram o preço de sangue por tais mudanças, pois poucos anos mais tarde, Maria, "Maria Sanguinária", uma filha da divorciada Catarina, subiu ao trono da Inglaterra e levou a nova igreja a submeter-se ao domínio papal, novamente. Esta temível e terrível reação terminou com os tenazes e sanguinários 5 anos do seu reinado. Enquanto as cabeças caíam de sob o sanguinário machado de Maria, a sua acompanhou-as. O povo havia adquirido, no entanto, um pouco de gosto pela liberdade, e então, quando Elizabete, a filha de Ana Bolena, tornou-se rainha, a Igreja da Inglaterra novamente renunciou o poder do papa e foi restabelecida.
Desse modo, antes de findar o século 162, havia já 5 igrejas estabelecidas - igrejas oficializadas pelos governos civis: Católica Romana e Grega, contadas como duas; depois a Igreja da Inglaterra; a Luterana ou da Alemanha; e a Igreja da Escócia, agora conhecida como Presbiteriana. Todas elas foram pródigas em seu ódio e perseguição aos povos chamados Anabatistas, Waldenses e outras igrejas separadas do Estado, igrejas que nunca, de modo algum haviam tido relação com a Igreja Católica. O grande auxílio dos Anabatistas nas pelejas em prol da Reforma foi esquecido ou estava sendo então totalmente ignorado. Milhares deles, incluindo mulheres e crianças, pereciam cada dia, como resultado de intermináveis perseguições. A grande esperança despertada e inspirada pela Reforma transformou-se em uma sangrenta desilusão. O remanescente deles encontrou um incerto refúgio nos Alpes amigos e em outros lugares escondidos do mundo.
16. Essas 3 novas organizações, separadas ou saídas da Igreja Católica, retiveram muitos dos seus erros mais prejudiciais entre os quais os seguintes:
(1) O governo eclesiástico da Igreja (diferente na forma).

(2) Igreja oficializada (Igreja e Estado unidos).

(3) Batismo infantil.

(4) Batismo por aspersão ou ablução.

(5) Regeneração batismal (algumas pelo menos, e outras, se muitos dos seus historiadores podem ser acreditados).

(6) Perseguições (ao menos por alguns séculos).


17. No começo todas essas Igrejas oficializadas perseguiram urna às outras, bem como às demais, até que num concílio realizado em Augsburgo em 1555, um tratado de paz, conhecido como a "Paz de Augsburgo" foi assinado entre católicos de um lado e luteranos de outro, concordando em não se perseguirem mais. Deixem-nos sós e nós os deixaremos sós também. Para os católicos, o lutar contra os luteranos significava guerra com a Alemanha, e para os luteranos, lutar ou perseguir os católicos significava guerra com todos os países onde o catolicismo predominava.
18. Mas as perseguições não cessaram. Os odiados Anabatistas (hoje chamados batistas) a despeito de todas as perseguições anteriores, e a despeito do terrível fato de que 50 milhões já haviam sido martirizados, ainda existiam em grande número. Foi nesse mesmo período que ao longo de uma só estrada n a Europa, numa distancia de 56 quilômetros, encontravam-se de espaço em espaço, postes pontiagudos, no topo dos quais era colocada uma cabeça ensangüentada de um mártir Anabatista. A imaginação humana não pode retratar uma cena tão terrivel. E ainda uma coisa perpetrada, de acordo com a história verossímil, por um povo que se chamava devoto seguidor do meigo e humilde Jesus Cristo.
1   2   3   4   5


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal