Rasto de sangue



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8. Mais tarde Roger Williams, juntamente com outros, alguns dos quais, ao menos, tinham sido banidos deste e de outras colônias, encontrou João Clark, um pregador batista, e decidiram organizar uma colônia própria. Como ainda não possuíssem autoridade legal da Inglaterra para realizar isto pensaram que seria um passo mais acertado, sob as condições vigentes, formá-la mesmo sem autorização do que permanecer nas colônias existentes sob o peso das terríveis restrições religiosas a que estavam expostos. Acharam então uma pequena parte de terra que ainda não havia sido reclamada por qualquer das colônias existentes, e nela se estabeleceram, ficando então conhecida como Rhode Island. Estava-se no ano de 1638,10 anos depois do estabelecimento da Colônia de "Massachussetts Bay", mas somente 15 anos mais tarde (1663) eles conseguiram o reconhecimento legal.
9. No ano de 1651 (.7) Roger Williams e João Clark foram enviados pela Colônia à Inglaterra para assegurar, se possível, a permissão legal para o estabelecimento definitivo dessa colônia. Oliver Cromwell era então o primeiro ministro, mas por qualquer razão negou em atender ao pedido deles. Roger Williams voltou ao seu lar l a América. João Clark permaneceu na Inglaterra para insistir no pedido. Anos se passaram, Clark continuou a insistir. Finalmente Cromwell perdeu a sua posição e Carlos II estava no trono da Inglaterra. Não-obstante Carlos aparecer na História como um dos mais temíveis perseguidores dos cristãos, foi ele que em 1663 autorizou a licença. Assim Clark, após 22 longos anos de espera voltou ao seu lar, trazendo a licença. Desta forma, em 1663, Rhode Island se tornou legalmente unia colônia e os batistas puderam escrever sua própria constituição.
10. Esta Constituição foi escrita e atraiu a atenção do mundo inteiro. Nela apareceu pela primeira vez a declaração da "Liberdade Religiosa" no mundo. A batalha pela liberdade religiosa na América, constitui em si mesma uma grande história. Aparentemente os batistas lutaram sozinhos por um longo tempo. Todavia, eles não lutaram para si somente, mas por todos os povos de todas as religiões. Rhode Island, a primeira colônia Batista, estabelecida por um pequeno grupo de batistas, depois de 12 anos dos maiores esforços para sua legalização, tornou-se o 1g lugar sobre a face da terra, onde a liberdade religiosa foi estabelecida por lei. A colônia foi iniciada em 1638 e legalizada em 1663.
11. Foram organizadas duas Igrejas batistas nesta colônia, antes mesmo d. sua legalização. Quanto à data exata do estabelecimento de, ao menos uma dessas Igrejas, os batistas não estão unanimes. Todos parecem concordar com a organização de uma delas - a de Providência - em 1639 por Roger Williams. Para a Igreja organizada em Newport por João Clark, todo o testemunho dos anos subseqüentes parece dar como data de organização o ano de 1638. Todos os testemunhos anteriores a esses parecem colocar a data da organizada por Roger Williams em Providência durou poucos meses. A organizada por João Clark ainda permanece. Minha própria opinião sobre essas datas, baseada em toda informação disponível, é que a data correta para a Igreja de Newport é a de 1638. Pessoalmente eu acho que essa é a data correta.
12. Com respeito às perseguições em algumas das colônias americanas vamos mencionar alguns exemplos. De certa feita, estava enfermo um dos membros da Igreja de João Clark. A família morava na Colônia Massachussetts Bay, a poucos passos da divisa, João Clark e um pregador visitante de nome Gandall e um leigo de nome Obadias Holmes, foram visitar a família enferma. Enquanto eles estavam realizando um culto de oração com a família doente, um oficial ou oficiais da colônia prenderam-nos e mais tarde foram apresentados perante o tribunal para serem processados. Também é dito na História que para arranjar uma acusação mais forte contra eles, foram levados para uma reunião religiosa da igreja deles (Congregacional) tendo suas mãos amarradas (sic!). A acusação deles foi a de não "tirarem seus chapéus num serviço religioso".

Todos foram processados e condenados. O Governador Endicott estava presente. Zangado disse a Clark, durante o julgamento: "Tendes negado o batismo infantil" (isto não era acusação contra eles). "Mereceis morrer. Não quero um traste deste em minha jurisdição". Como pena deviam pagar uma multa ou serem bem açoitados. A multa de Crandall (e visitante) foi de cinco libras (quinhentos cruzeiros); a pena de Clark ( o pastor) foi de 20 libras (dois mil cruzeiros). A multa de Holmes (os registros dizem que ele foi Congregacional antes de se tornar batista) foi de 30 libras ou sejam 3.000 cruzeiros. As multas de Clark e Gandall foram pagas por amigos. Holmes recusou igual obséquio alegando que não havia errado, razão porque foi bastante chicoteado. Os arquivos dizem que ele "se despira até a cintura" e que foi açoitado (com chicote tipo especial) até que o sangue Ihe cobriu as costas, descendo pelas pernas até Ihe encher os sapatos! Dizem ainda que o seu corpo foi de tal maneira escoriado que por mais de duas semanas ele não podia deitar, porque incisuras lhe impediam de tocar o leito. Para que pudesse dormir era-lhe necessário o estirar-se, tendo os joelhos e cotovelos no chão, como suporte ao corpo. Li todas as memórias que existem em relação ao açoitamento e demais sofrimentos de Holmes, bem com as suas declarações. Dificilmente esse drama poderia ter sido mais brutal. E isto aqui na América do Norte!


13. Painter foi outra vítima, também chicoteado porque recusou "batizar o seu filho", tendo dado opinião de que o "batismo infantil" era uma ordenança anti-cristã. Por causa dessas ofensas Painter foi amarrado e chicoteado. O governador Winthrop diz-nos que Painter foi açoitado "por reprovar a ordenança do Senhor".
14. Na colônia onde o Presbiterianismo era religião oficial dos dissidentes (Batistas e de outras seitas) não tiveram melhor gracionalismo era a Religião do Estado. Nesta colônia havia uma comunidade Batista. Somente cinco famílias não o eram. Como batistas reconheciam as leis sob as quais estavam e, conforme nos dizem os documentos, obedeceram-nas. Ocorreu então o seguinte incidente:
Foi decidido pelas autoridades que seria construída uma casa de cultos para os presbiterianos, na comunidade batista. O único caminho para se conseguir isto seria o de se criar um imposto especial. Os Batistas reconheceram aos presbiterianos a autoridade de criar essa nova taxa, mas fizeram ao mesmo tempo uma petição - "Estamos iniciando nossa comunidade. Nossas pequenas casas foram há pouco concluídas e acabamos de plantar nossas pequenas hortas e jardins. Nossos campos não estão ainda limpos. Além disto estamos pagando um imposto para a construção de uma fortaleza que nos ponha a seguro dos ataques dos índios. Não poderemos, possivelmente, pagar outra taxa agora". Esta é somente a súmula da petição que fizeram. A taxa foi criada. Não lhes seria possível pagá-lo logo. Um leilão foi, pois, anunciado. As vendas foram feitas. Suas casas, jardins, hortas, e até cemitérios foram vendidos. Somente não o foram os campos ainda não preparados. Uma propriedade avaliada em 363 libras e 5 shillings foi vendida por 35 libras e 10 shillings. Algumas dessas propriedades haviam sido compradas pelo minístro presbiteriano que ia pregar lá. A comunidade foi abandonada e deixada em rumas.

Um grande livro poderia ser cheio dessas leis opressivas. Taxas terríveis e desrespeitos flagrantes foram desfechados duramente contra os batistas. Mas aqui não podemos entrar nesses pormenores.


15. Nas colônias do Sul, através dos Estados de Carolina do Norte e do Sul, e especialmente Virgínia, onde a Igreja da Inglaterra dominava, a perseguição aos Batistas foi séria e continuada. Muitas vezes seus pregadores foram multados e aprisionados. Desde o início do período colonial até a Guerra da Independência, mais de 100 anos, portanto, a perseguição aos Batistas foi continuada.
16. Daremos agora alguns exemplos das perseguições aos Batistas da Virgínia e seria interessante notar que Virgínia foi o 2° lugar no mundo onde a liberdade religiosa foi adotada, seguindo a Rhode Island. Mas isto foi um século mais tarde. Antes disto, cerca de 30 pregadores em tempos diferentes foram presos, tendo como única acusação contra si o fato de "pregarem o Evangelho do Filho de Deus". Jayme Ireland é um exemplo. Ele foi preso... Depois disto os seus inimigos experimentaram matá-lo a pólvora. Tendo falhado neste primeiro esforço quiseram sufocá-lo até a morte, usando enxofre, que ardia sob as janelas da prisão. Tendo falhado outra vez, tentaram envenená-lo com o auxílio de um médico. Tudo falhou. E Ireland continuou a pregar para o seu povo das janelas da prisão. Um muro foi construído em redor da cela para impedir que o povo o visse ou fosse visto por ele, mas ainda esta dificuldade foi vencida. O povo amarrou um lenço à ponta de uma comprida vara a qual era levantada para mostrar a Ireland que todos estavam reunidos. As pregações continuaram.
17. Três outros ministros batistas (Luiz e José Gaig e Aarão Bledose) foram presos mais tarde com a mesma acusação. Um deles ao menos era parente de R. E. B. Baylor e possivelmente um ou mais outros pastores batistas de Texas. Estes ministros foram chamados perante o tribunal para serem processados. Patrick Henry, tendo ouvido isto veio a cavalo de grande distancia e, não obstante pertencer à Igreja deles, grande foi a sua defesa. Não posso dar aqui uma descrição da mesma. Ela encantou o tribunal. Os pastores foram libertados.
18. Como em Rhode Island e outros lugares a liberdade religiosa veio devagar e por partes. Por exemplo: Em Virgínia foi promulgada uma lei dando permissão aos municípios de terem um pastor batista, mas somente um. O pastor poderia pregar um só vez de dois em dois meses. Mais tarde esta lei foi modificada, permitindo a pregação uma vez cada mês. Mas, ainda, assim em um só lugar do Município e um único sermão naquele dia, mas nunca pregado à noite. Outras leis foram passadas não somente na Virgínia mas em outros lugares, proibindo positivamente qualquer trabalho missionário. Quem sabe foi esta lei a causa de ter sido Judson o primeiro missionário norte-americano no estrangeiro? Passou-se longo tempo e muitas batalhas foram travadas na Câmara da Virgínia para que essas leis fossem grandemente modificadas.
19. Evidentemente um dos maiores obstáculos à liberdade religiosa na América e provavelmente em todo o mundo, foi a convicção dominante entre os povos através dos séculos de que é impossível o desenvolvimento da religião sem o apoio financeiro governamental. Nenhuma denominarão poderia, segundo essa idéia, prosperar; simplesmente pelas ofertas de seus aderentes. Este foi um argumento difícil de ser vencido, ao ser iniciada a batalha pela desoficialização da Igreja da Inglaterra no Estado de Virgínia, como também mais tarde no Congresso Nacional, ao ser discutido esse mesmo assunto. Por longo tempo os batistas batalharam quase sozinhos.
4 Nota do Tradutor - R E B Baylor foi um dos fundadores da "Baylor University", a maior universidade Cristã do mundo, com sede em Waco, Texas Sua matrícula já atingiu um número superior a 3 000 alunos!
20. Rhode Island começou sua colônia em 1638, mas não foi legalmente reconhecida até 1663. Foi o primeiro lugar do mundo onde a liberdade religiosa foi conseguida. O segundo lugar foi Virgínia em 1786. O primeiro artigo da Constituição norte-americana, segundo o qual seria garantida a liberdade religiosa para todos os homens, deveria entrar em vigor a 15 de Dezembro de 1791. Os Batistas são reconhecidos como os líderes do movimento que trouxe essa bênção à nação.
21. Citemos um dos primeiros incidentes ocorridos na Câmara Federal, com relação a esse assunto. Estava sendo discutida a conveniência dos Estados Unidos terem uma Igreja oficial ou várias Igrejas oficiais ou a liberdade religiosa.

Várias diferentes propostas foram feitas. Uma recomendava que a Igreja da Inglaterra fosse reconhecida como oficial. Outra que fosse a Igreja Congregacional a oficial, e, ainda outros, optavam pela Presbiteriana. Muitos Batista, provavelmente nem um deles membro do Congresso, estavam pugnando pela absoluta liberdade religiosa. James Madison, (mais tarde presidente) era o defensor principal deles.

Patrick Henry levantou-se e fez uma proposta substitutiva para todas: "Que as quatro igrejas ou denominações - Igreja da Inglaterra, Episcopal, Congregacional, Presbiteriana e Batista - fossem consideradas oficiais.

Finalmente, cada representante sentiu que a sua denominação não poderia - segundo essa proposta - ser a oficial. Foi resolvido, então, por eles que a proposta de Henry fosse aceita, prontificando-se a tomar o compromisso nessa base. (Segundo esta proposta substitutiva cada indivíduo estava no direito de decidir qual denominação seria beneficiada pelos impostos pagos por ele). Os Batistas continuaram a lutar contra tudo isto; qualquer união entre a Igreja e o Estado estava contra os seus princípios fundamentais, razão porque eles não aceitavam isto, ainda que fosse votado. Henry insistiu com eles para que aceitassem isto, disse que ele estava se esforçando por ajudá-los e que eles não viveriam sem esse auxílio, mas ainda assim eles continuaram recusando. Feita a votação, a proposta de Henry foi aceita quase que por unanimidade. Mas a proposta tinha de ser votada três vezes. 0s Batistas dirigidos por Madison e possivelmente por outros, continuaram a lutar. Veio a segunda votação. Novamente foi a proposta quase unanimemente aceita, em parte devido a grande eloqüência de Henry. Mas faltava ainda a terceira votação Parece que Deus interveio a este tempo. Henry foi nomeado Governador de Virgínia e deixou o Congresso. Vinda a terceira votação a eloqüência de Henry não foi sentida e a proposta caiu.

Assim os Batistas quase se tornaram uma denominação oficializada, apesar do seu mais solene protesto. Esta não é a única oportunidade que os Batistas tiveram de se tornar uma denominação estabelecida por lei, mas é, provavelmente, a expediência que mais perto disto os levou.
22. Não muito depois desse tempo a Igreja da Inglaterra perdeu inteiramente a oficialização na América. Nenhuma Denominação religiosa tinha o apoio do Governo Federal (se bem que em poucos Estados ainda houvesse algum oficialismo). A Igreja e o Estado, daí por diante foram completamente separados nos Estados Unidos. Estes dois - a Igreja e o Estado - tinham vivido em toda a parte por mais de 1.500 anos (desde 313 num casamento altamente ilícito.)

A Liberdade Religiosa, pelo menos nos Estados Unidos, ressuscitou para não mais morrer; e agora, gradualmente ela vai se infiltrando em outros lugares através do mundo.


23. Esta morte, todavia, foi tarefa altamente difícil. A Igreja e o estado continuaram unidos em vários Estados, depois de ter sido colocada na Constituição dos Estados Unidos a liberdade religiosa. O Estado de Massachussetts onde a idéia da união de Igreja e Estado foi primeiramente aceita na América do Norte

como já dissemos, finalmente cedeu à liberdade religiosa. Isto só veio depois de 2 e meio séculos. O Estado de Utah é o único lugar que desfigura a "Liberdade Religiosa" na terra em que ela nasceu e que é uma das maiores do mundo a lhe dar absoluto prestígio. Convém lembrar que não pode haver uma absoluta liberdade religiosa em qualquer nação onde o Governo subvenciona uma qualquer denominação religiosa.


24. Algumas interessantes perguntas têm sido feitas muitas vezes aos batistas: "Aceitariam eles, como denominação, a oferta de qualquer nação para a sua "oficialização" se tal país pudesse livremente fazer esta oferta? E, caso aceitassem esta oferta, tornar-se-iam eles perseguidores de outros, como dos Católicos, Episcopais, Luteranos, Presbiterianos ou Congregacionais? Provavelmente que uma pequena consideração a essas indagações não seria inútil. Tem tido os batistas de fato estas oportunidades? Porventura recordais da História de quando em certa ocasião o Rei dos Países Baixos (que naquele tempo compreendia num só grupo a Noruega, Suécia, Bélgica, Holanda e Dinamarca) tinha em profunda consideração a questão de uma religião oficial? Seu reino estava cercado por todos os lados de nações que tinham igrejas oficiais - sustentadas pelo Governo civil.

Diz a História que o Rei da Holanda nomeou uma comissão para examinar os princípios de todas as denominações existentes lá, para verificar a que mais se aproximava da Igreja do Novo Testamento. A Comissão voltou com o relatório de que os batistas eram os melhores representantes dos ensinos do Novo Testamento. Então o Rei ofereceu para "oficializar" a denominação Batista em seu remado. Os batistas gentilmente agradeceram-lhe a oferta, mas declinaram dela, alegando que isto era contrário às suas convicções e princípios fundamentais.

Mas não foi esta a única oportunidade que lhes oferecida de ter a sua denominação como uma religião oficial. Eles certamente tiveram a mesma oportunidade quando a colônia de Rhode Island foi fundada. E, teria sido impossível a um batista perseguir outros e continuar sendo batista. Eles foram os primeiros advogados da "Liberdade Religiosa". Este é realmente um dos artigos fundamentais da sua fé. Eles crêem na absoluta separação entre a Igreja e o Estado.
25. Tem sido tão forte a convicção dos batistas na questão da separação entre o Estado e a Igreja que eles têm declinado invariavelmente de todas as ofertas de ajuda por parte do Estado. Daremos dois exemplos em seguida: Um em Texas e outro no México. Há muitos anos passados, quando a Universidade de Baylor estava no início, o Estado de Texas ofereceu ajudá-la. A Universidade declinou do auxilio não obstante estar em grande necessidade. Os Metodistas de Texas tinham iniciado uma escola neste mesmo tempo. Eles aceitaram o auxílio do Estado; esta Escola finalmente caiu nas mãos do Estado.

O caso do México ocorreu assim: W. D. Powell era nosso missionário no México. Por seu trabalho tinha conseguido criar uma impressão favorável aos Batistas, diante do Governador Madero do Estado de Coahuila, México. Madero ofereceu uma grande oferta do Governo aos Batistas, para o estabelecimento de uma boa escola no Estado de Coahuila. A questão foi submetida por Powell à Junta de Missões Estrangeiras. Foi rejeitada porque era do Estado. Mais tarde Madero deu pessoalmente uma grande quantia e foi aceita e o Instituto Madero foi construído e estabelecido.



ALGUMAS PALAVRAS FINAIS
1. Durante todo o período da "Idade Média" muitos cristãos e muitas Igrejas locais, independentes, algumas das quais com data contemporânea aos Apóstolos, as quais nunca em qualquer tempo se ligaram à Igreja Católica. Esses grupos rejeitaram inteiramente os católicos e suas doutrinas. Este é um fato claramente demonstrado pela História verossímil.
2. Tais cristãos foram sempre objeto de amarga e contínua perseguição. A História mostra que durante o período da Idade Média, contando-se desde o seu inicio em 476, houve perto de 50 milhões desses cristãos os quais sofreram a morte pelo martírio. Muitos milhares de outros, quer precedendo ou sucedendo à Idade Média, pereceram sob o mesmo terror de mãos perseguidoras.
3. Aqueles cristãos, durante esses muitos séculos de trevas foram tratados por muitos e diferentes nomes, todos dados por seus inimigos. Esses nomes foram dados algumas vezes por causa de um líder heróico ou por outras causas muitas vezes também, deu-se o caso de grupos que sustentavam os mesmos pontos de vista, serem tratados por nomes diferentes, em localidades diferentes. Mas, não obstante todas essas mudanças de nomes, havia um nome especial uma designação preferida, a qual se aplicava ao menos a um grupo de cristãos através de toda a "Idade Média". Esta designação era a de "Ana-Batista", uma palavra composta que surgiu para designar um grupo de cristãos que apareceu na História durante o terceiro século; interessante notar que surgiu logo depois do batismo infantil e, o que é mais sugestivo ainda, apareceu antes do uso do nome Católico. Assim, "Anabatista é o mais antigo nome denominacional da História.
4. Uma remarcaste peculiaridade desses cristãos foi e continuou a ser nos séculos sucessivos a rejeição à doutrina humana do "Batismo Infantil", razão porque exigiam rebatismo de todos aqueles que vinham se filiar a eles, mesmo quando tivessem sido batizados na infância. Por causa desta peculiaridade eles foram chamados " Anabatistas" .
5. Esta designação especial foi aplicada a muitos dos Cristãos que tinham recebido outros apelidos; especialmente isto se deu com os Donatistas, Paulicianos, Albingenses, Antigos Waldenses e outros. Nos séculos subseqüentes essa designação passou a ser aplicada a um grupo distinto. Estes eram então simplesmente chamados "Anabatistas" e gradualmente, todos os outros nomes foram caindo do uso. Muito cedo no século 16, antes ainda da origem da Igreja Luterana, a primeira de todas as Igrejas Protestantes, a palavra "ana" foi entrando em desuso e eles foram simplesmente chamados "Batistas".
6. Antes e durante a "Idade Média" houve um grupo de muitas Igrejas que nunca, em qualquer tempo, se identificaram com os católicos. Depois da "Idade de Trevas" houve um grupo de muitas igrejas, que nunca tiveram qualquer identificação ou ligação com os católicos. As seguintes são algumas das doutrinas fundamentais que esse grupo seguia quando entrou na Idade Média. São as mesmas doutrinas que ele seguia quando saiu da Idade Média. são as mesmas doutrinas fundamentais que o mesmo grupo ainda agora segue:
DOUTRINAS FUNDAMENTAIS
1. Uma Igreja espiritual, tendo Cristo por fundador, único cabeça e legislador.
2. Duas ordenanças somente: o batismo e a Ceia do Senhor. São tipos e memoriais, não sacramentos.
3. Seus oficiais constituem só duas classes: bispos ou pastores e diáconos. São servos da Igreja.
4. Seu governo é uma pura democracia. Executiva somente, não legislativa.
5. Suas leis e doutrinas estão no Novo Testamento e nele somente.
6. Seus membros: crentes unicamente, salvos pela graça, não por obras, mas através do poder regenerador do Espírito Santo.
7. Suas exigências: os crentes são recebidos na Igreja pelo batismo, que é administrado por imersão, seguindo em obediência a todas as leis do Novo Testamento.
8. As várias Igrejas são separadas e independentes na execução de leis e de disciplina, bem como na sua responsabilidade diante de Deus; - cooperam, entanto, no trabalho.
9. Completa separação entre a igreja e o Estado.
10. Absoluta liberdade religiosa para todos.
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