Raul soares: história, alfabetizaçÃo e concepçÃo de educaçÃo infantil – 1930 a 1961. Autor: Wendell Luiz Pereira. Orientadora: Dra Sônia Maria dos Santos. Universidade Federal de Uberlândia – ufu. Gt. 3 – História das instituições



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RAUL SOARES: HISTÓRIA, ALFABETIZAÇÃO E CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO INFANTIL – 1930 A 1961.
Autor: Wendell Luiz Pereira.

Orientadora: Dra Sônia Maria dos Santos.

Universidade Federal de Uberlândia – UFU.

GT. 3 – História das instituições escolares.

1 - O MANIFESTO E SUAS RAIZES


Os grupos escolares no Brasil foram verdadeiros representantes do poder, da modernidade e ainda que de forma deturpada, a luz que iluminaria o caminho que levaria a igualdade social e o emparelhamento do Brasil às outras nações desenvolvidas. Essa modalidade de escola propôs uma nova proposta arquitetônica, o uso de novos materiais didáticos, uma nova forma de compreender a educação no conjunto das relações sociais, conforme explica Souza (1998): tal foi a influencia destes grupos escolares na vida da sociedade, que ainda hoje, eles existem na memória de muitos, seja fazendo relação às quatro primeiras séries do ensino fundamental, seja se referindo às construções imponentes onde funcionavam tais grupos escolares.

Este artigo primou na busca das raízes ideológicas que serviram de base para a elaboração do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, para analisar os reflexos produzidos nas práticas pedagógicas desenvolvidas no Grupo Escolar Raul Soares, e de forma concomitante analisar a construção da história deste Grupo mediante tais reflexos.

Um ponto importante a ser mencionado é o discurso ideológico pela busca de uma educação igualitária já presente em meados do séc. XIX, que auxiliasse na edificação da cultura e do conhecimento. Este mesmo discurso torna-se visível também no séc. XX e de forma especial no Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova.

Neste sentido vale ressaltar que no Brasil em meados do séc. XIX, a educação já era tida como panacéia para as moléstias dos doentes de todos os abusos do trabalho e das diferenças sociais, aspirações estas que estavam intimamente ligadas às convicções do ideário republicano da época. Conforme Saviani:


No Brasil, a educação, fez parte do sonho liberal dos republicanos, como direito humano inalienável, decorrente da tese engendrada no núcleo das aspirações republicanas no séc. XIX como panacéia para todos os males e mola propulsora da ordem e do progresso. (2004, p. 1)
Do ponto de vista da administração do ensino público, mais especificamente das escolas primárias, a Constituição da República manteve uma continuidade administrativa, oriunda do Império, mantendo o ensino primário sob os olhares dos estados federados, sendo estes últimos os legítimos remanescentes das antigas províncias, tendo na laicidade o principal diferencial entre os dois regimes.

No decorrer da primeira república esporadicamente ocorriam menções na tentativa de se envolver o governo central com as questões do ensino público primário, porém quase todas tentativas sem êxitos. É claro que, tais tentativas não podem ser intituladas como nulas ou muito menos sem valor, pois, todo e qualquer movimento oriundo dos anseios de mudanças é de certa forma parte de um “corpo em movimento, que produz seus reflexos na engrenagem orgânica1”.

Os movimentos educacionais antecedentes ao manifesto, ainda que de forma isolada ou mesmo sem qualquer ligação com seus idealizadores, foram importantes questionamentos que colocaram em debate as práticas educacionais daquela época, sejam elas no âmbito administrativo, político ou pedagógico. Conforme Saviani:
Como documento de política educacional, o Manifesto expressa a posição de uma corrente de educadores que busca firmar-se pela coesão interna e pela conquista da hegemonia educacional diante do conjunto da sociedade, capacitando-se, consequentemente, ao exercício dos cargos de direção da educação pública, tanto no âmbito do governo central como dos estados federados. Expressa a posição do grupo de educadores que se aglutinou na década de 1920 (2004, p. 34).

Em 1925, o Governo Arthur Bernardes, através da reforma Rocha Vaz veio estabelecer acordo entre a União e os Estados, visando promover o ensino básico, acordo este que não chegou a entrar em vigor, porém, o processo histórico é Orgânico2, e neste sentido, logo em seguida, a revolução de 1930 tornou-se o palco central para que os educadores que desde 1920 vinham vislumbrando o controle da educação no país pudessem aproximar-se do mesmo.

Em 1931, a conhecida reforma Francisco Campos baixou um conjunto de decretos que não mencionavam diretamente o ensino primário, mas influenciou diretamente este campo da educação, pois de um modo geral a reforma possibilitou um grande avanço no que diz respeito à regulamentação da educação em âmbito nacional. A educação brasileira “viu nascer” de forma palpável cuidados regulamentadores para com o desenvolvimento do ensino superior, secundário e comercial, este conjunto de decretos não foi suficiente para resolver o problema educacional brasileiro, porém, foi uma iniciativa que contribuiu para com o limiar das perspectivas de uma educação capaz de atender as necessidades da sociedade brasileira. O decreto 18.851, de 11 de abril de 1931, elaborado pela reforma Francisco Campos, dispondo sobre a organização do Ensino Superior no Brasil e adotando regime universitário, previa entre suas exigências a presença da Faculdade de Educação, Ciências e Letras nas Universidades, sinalizando desta forma a participação da Educação no projeto desenvolvimentista da nação


No entanto, conforme menciona Saviani (2004) o grande marco para a elaboração do Manifesto foi a abertura da IV Conferência Nacional de Educação, ocorrida em dezembro de 1931, quando Getúlio Vargas, chefe do governo provisório, solicitou aos presentes a colaboração para a criação do projeto que definiria a política educacional do novo governo. A partir daí, pouco tempo depois o documento intitulado como Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova estava concluído, direcionado ao governo e também a toda população. Saviani afirma que:
Como uma espécie de coroamento de um processo que se vinha desenvolvendo desde a criação da Associação Brasileira de Educação (ABE), em 1924, foi lançado em 1932 o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. Dirigido “ao povo e ao governo”, esse manifesto propunha-se a realizar a reconstrução social pela construção educacional (2004, p. 33).

A publicação do Manifesto gerou tumultos no meio educacional, provocando um evidente rompimento entre o grupo católico e o grupo dos renovadores, este rompimento evidenciou-se de forma concreta com a retirada do grupo católico da Associação Brasileira de Educação, fundando em seguida a Confederação Católica Brasileira de Educação.

O manifesto por sua vez seguiu formando as bases teóricas e ideológicas para a construção de um processo educacional que apresentasse uma organização lógica. Neste aspecto percebe-se claramente as características ideológicas de alguns de seus elaboradores, como por exemplo, de Anísio Teixeira que já vinha trabalhando em administrações anteriores com os ideais escolanvistas, introduzindo o caráter da racionalidade científica no campo da educação, embora tenha tido Teixeira uma forte aproximação com os pensamentos de John Dewey (1859-1952), compreendendo a escola como um campo essencial ao desenvolvimento humano, elemento verdadeiramente eficiente para a construção de uma sociedade democrática .

O escolanovismo desenvolveu-se no Brasil em um período em que as organizações governamentais sofriam profundas mudanças econômicas, políticas e sociais. O processo acelerado de urbanização e o crescimento da cultura cafeeira trouxeram para o país o progresso industrial e econômico, mas concomitantemente com eles surgiram graves problemas de ordem política e social, concorrendo para uma transformação acentuada da projeção intelectual brasileira. Conforme afirma Saviani:


O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova pode, pois, ser considerado um importante legado que nos é deixado pelo século XX. É um marco de referência que inspirou as gestões seguintes, tendo influenciado, a partir de seu lançamento, a teoria da educação, a política educacional, assim como a prática pedagógica em todo país (2004, p. 35).
O Manifesto inseriu diretrizes e posições, interferindo diretamente na Constituição de 1934, sendo esta a primeira carta magna brasileira a intitular como dever do Estado a organização da educação em âmbito nacional.

É à luz destes fatos tidos como verdades para aquele momento e sob a inspiração de novos ideais de educação, que se desenvolveu no Brasil o movimento de reconstrução educacional, reagindo contra o empirismo dominante da época, propondo uma organização estrutural para a educação brasileira.

2 - O CARATER RACIONAL CIENTÍFICO DO MANIFESTO
Este trabalho considera a realidade social como uma “totalidade dinâmica”, um conjunto orgânico, uma unidade complexa e processual. Neste contexto dinâmico e efervescente é que se desenvolvem e aglutinam as idéias de progresso, de reconstrução da sociedade por meio da construção da educação e que consequentemente culminou com a elaboração do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. Progresso este, já almejado pelos liberais da primeira república, mas que não “germinou no campo do capitalismo”.

Enfim, no final do séc. XIX e início do séc. XX, os “mensageiros” do liberalismo anunciavam a uniformização das oportunidades, um sistema progressista, pautado em um projeto de escola pública, obrigatória, democrática e gratuita, a libertação do homem por meio da instrução escolar.

Ainda que, nem todos os ideais dos liberais republicanos se concretizaram, este movimento deixou marcas e alimentou de forma expressiva os anseios e as crenças por uma educação capaz de fomentar o progresso e sanar as diferenças sociais.

O escolanovismo, cujas raízes situam-se nos anos de 1920, quando o discurso do momento apregoava a necessidade de o Brasil desenvolver e caminhar para mudanças educacionais que o colocassem no mesmo nível que o de outros países mais desenvolvidos, agregou em seus apontamentos a necessidade de uma relação mais próxima entre educação e ciência. A idéia central era que “somente um novo projeto de escola levaria ao progresso toda a sociedade brasileira” (CUNHA, 1999, p. 249).

A Escola Nova marcou o cenário brasileiro nas décadas de 1930, 1940 e 1950, com propostas inovadoras em oposição ao ensino tradicional existente. Com ela, a ciência ganhou atenção, conduzindo as diretrizes escolares e agregando conhecimentos da Psicologia e da Sociologia às práticas pedagógicas do momento.

Seguindo os apontamentos do escolanovismo, o alagoano Arthur Ramos de Araújo Pereira (1903-1946) e o bahiano Anísio Spínola Teixeira (1900-1971), atuaram em conjunto na área da Educação Pública, embora por um breve período de tempo. De acordo com Nunes:


Anísio Teixeira, então Diretor da Instrução Pública do Distrito Federal, que passou a ser chamada de Departamento-Geral de Educação e, mais tarde, Secretaria de Educação do Governo Municipal do Rio de Janeiro, convidou o médico Arthur Ramos a assumir a Seção de Ortofrenia e Higiene Mental do Instituto de Pesquisas Educacionais, IPE (2000, p. 237-238).
Juntos colocaram em prática o projeto educacional que privilegiava o estudo de crianças escolarizadas com o objetivo de classificá-las quanto ao seu potencial intelectual e suas aptidões, trazendo à luz aquelas que apresentassem problemas de aprendizagem.

O movimento em prol da educação e higienização de corpos e mentes contava com o apoio de médicos, bacharéis e educadores. Em 1927, Miguel Couto, então presidente honorário da Associação Brasileira de Educação, ABE, fundada em 1924, decretou haver um só problema nacional: “a educação do povo” (LOPES, 2002, p. 321).

Por meio da escola, esperava-se conduzir o país a reformas que gerassem progresso e desenvolvimento, colocando-o na condição de nação moderna. No campo da educação, modernidade significava incorporar métodos científicos às práticas pedagógicas.

De acordo com Saviani (2004, p. 33), “pela leitura global do Manifesto, pode-se perceber que a idéia de plano de educação se aproxima, aí, da idéia de sistema educacional, isto é, a organização lógica, coerente e eficaz do conjunto das atividades educativas no âmbito de determinado país”.


Enfim, no Brasil o discurso racionalizador traduziu-se no emprego dos mais avançados recursos científicos da época no campo educacional. De acordo com Cunha (1999) o método taylorista, baseado na organização racional do trabalho foi empregado buscando alcançar o máximo de rendimento com o mínimo de tempo e esforço, controlando o trabalho dos professores, levando a um parâmetro analítico de eficiência comparado ao das fábricas.

No que tange as relações da escola com a comunidade, o cunho racionalizador é facilmente identificado, entendendo a escola como o espaço privilegiado para a socialização e normatização da ordem vigente. As famílias eram tidas como inadequadas para educar seus filhos, procedimentos higiênicos foram utilizadas como petrechos no intuito de manter os corpos dos alunos dentro dos “padrões de limpeza elaborados para o momento”, suas mentes seriam estudadas por meio de sofisticados mecanismos psicológicos e psicopedagógicos, os professores seriam instrumentos “capacitados” para usar as técnicas mais recentes no campo da pedagogia.

As manipulações científicas deviam abranger todos os ramos da atividade educacional, pretendia-se investigar os meios seguros e econômicos a serem postos em prática, os materiais a serem empregados e suas utilidades, bem como submeter à avaliação a obtenção dos objetivos pretendidos.

Acreditava-se que por meio do emprego dos conhecimentos e das técnicas científicas o campo educacional desfrutaria do domínio das mentes infantis e concomitantemente poderia obter apreciações precisas do trabalho dos professores. Os anseios em conhecer os “mistérios ocultos” responsáveis pela aquisição do conhecimento fomentaram pesquisas sobre inteligência, personalidade e capacidade. A pedagogia seria desenvolvida com base na ciência, tornando-se experimental, mediante avaliações precisas baseadas em critérios científicos e impessoais.

Este período pode ser considerado como forte representante da racionalidade científica, promovendo estudos e testes, com o objetivo de avaliar criteriosamente o trabalho de cada docente e as diretrizes pedagógicas utilizadas pelas escolas. Para isso seriam aplicadas técnicas científicas que trouxessem à luz os fenômenos biológicos e o determinismo dos fenômenos sociais. De posse dos resultados, o ensino poderia ser moldado às idades e fases do aprendizado.

O Teste ABC, criado por Lourenço Filho a partir de pesquisas realizadas na escola-modelo anexa à Escola Normal de Piracicaba em 1925, é um exemplo significativo desta tendência. Seu objetivo era mensurar a “maturidade” dos alunos, através da capacidade apresentada por cada um nos processos de identificação e escrita de palavras inseridas em um determinado grupo de objetos, e ainda, como quesito mensurável era observado a habilidade motora para realizar desenhos geométricos, aqueles que apresentassem tais habilidades eram classificados como maduros.

Conforme Dávila (2003, p. 141–142) “o ABC foi o principal instrumento usado para selecionar alunos aptos a freqüentar a escola, tendo sido amplamente aplicado em escolas do Rio de Janeiro e São Paulo a partir de 1928 e por décadas a seguir”.
O espírito racionalizador foi uma das tendências do discurso escolanovista no Brasil, podendo ser considerado como a “mola propulsora” da subordinação do indivíduo às ordenações sociais. Contudo, vale ressaltar que esta tendência embora dominante não foi a única a se manifestar, uma vez que destacou-se também uma visão norteada pelo ideal de equilíbrio entre indivíduo e sociedade, em que a educação era vista como elemento verdadeiramente eficaz para a construção de uma sociedade democrática, levando em consideração as diversidades, respeitando a individualidade do sujeito, compreendendo a condição adquirida por estes sujeitos no que diz respeito à reflexão sobre a sociedade.

De acordo com alguns educadores, a educação escolarizada deveria ser sustentada no indivíduo integrado à democracia, o cidadão atuante e democrático, como um empreendimento que satisfizesse às demandas sociais, gerando o progresso pretendido, e que ao mesmo tempo respeitasse as particularidades e necessidades pessoais. Nessa última tendência Anísio Teixeira destaca-se, pois suas concepções filosóficas e educacionais eram acentuadamente influenciadas pelo filósofo-educador norte-americano John Dewey, para quem a educação, é uma necessidade social e deveria manter o equilíbrio entre o homem e suas particularidades psicológicas, de um lado, e as exigências da sociedade em que vivia, de outro. De acordo com Cunha (1999), Dewey via a escola como um meio de integrar o homem à coletividade, respeitando as aptidões natas e as singularidades de cada indivíduo, priorizando um ensino que respeitasse a lógica da criança e seu desenvolvimento psicológico.

Teixeira acreditava que a identificação das aptidões levaria ao aproveitamento máximo das potencialidades de cada indivíduo, permitindo o crescimento pessoal e, em última instância, a reorganização da sociedade.
2.1 – ARTHUR RAMOS E A HIGIENE MENTAL

Em 1939, foi lançado o livro A criança problema período em que terminou a experiência de Ramos na administração do Distrito Federal. Na obra, Ramos faz uma apresentação do movimento de higiene mental no Brasil e no mundo, descrevendo o trabalho da Seção que dirigiu no Distrito Federal, fazendo um mapeamento das causas que originam as dificuldades escolares das crianças, fazendo a caracterização de vários casos atendidos na clínica, transcrevendo os registros dos pacientes e as explicações quanto à etiologia de cada distúrbio, bem como os encaminhamentos e soluções oferecidos. Segundo Ramos, a análise desses casos deveria ser realizada concomitantemente com o exame do lar e da escola, acreditando ser este um ponto predominante da Escola Nova. Sugere a participação dos pais e que os mesmos busquem compreender objetivamente os problemas dos filhos, assumindo as responsabilidades que lhes é de obrigação na formação psicológica dos mesmos.

De acordo com Ramos (1939), o movimento da Higiene Mental foi significativo no Brasil e no exterior, sendo seu objetivo inicial a “prevenção das doenças mentais”, meta que logo se ampliou. Da prevenção de doenças passou ao estudo do homem normal em relação aos seus desajustamentos, sejam eles de ordem social, emocional, doméstico ou cultural. Ligas e Conselhos foram fundados no Canadá, em 1918; na França, em 1920; na Bélgica, em 1921; na Inglaterra, em 1923, ano no qual o serviço foi fundado também no Brasil pelo psiquiatra Gustavo Riedel.

Vale lembrar que o movimento de Higiene Mental no Brasil teve duas vertentes. A primeira, definida como “política”, era eugenista e visava a “purificação da raça” e a prevenção de doenças como o alcoolismo. A segunda foi criada e desenvolvida por Durval Marcondes em São Paulo e por Arthur Ramos no Rio de Janeiro, com o intuito de atuarem em escolas primárias, no atendimento às crianças que necessitassem de intervenção psicológica.

A Seção de Ortofrenia e Higiene Mental, chefiada por Arthur Ramos, iniciou suas atividades em janeiro de 1934, sendo a primeira a atuar em conjunto com as escolas do Rio de Janeiro. As chamadas clínicas de direção e orientação da criança, eram compostas por técnicos distribuídos em quatro divisões ou setores especiais: social (serviços sociais, professores, visitadores, etc.), psicológico (exame psicológico de fundo mental e aptidões pedagógicas), médico (exame de fundo orgânico) e psiquiátrico

Para Ramos, a tarefa das Clínicas se completa com o exame do lar e, em seguida, da escola, configurando um trabalho de mútua cooperação entre as partes. Após constatar que 90% das crianças consideradas “anormais”, quando comparadas aos ditos “normais”, eram na verdade crianças sem qualquer tipo de anomalia mental, Ramos criou a denominação “criança problema” em substituição à terminologia vigente, englobando assim todas as crianças com dificuldade de adaptação ao ambiente, seja o lar, seja a escola. Com isso, privilegiou um trabalho de prevenção e correção de comportamentos potencialmente fora dos padrões.

De acordo com Mokrejs (1987), a denominação “criança problema” muito contribuiu para a educação infantil, pois redefiniu o até então empregado conceito de “anormalidade”, o qual era fundamentado em resultados de testes de inteligência. Ramos considerava que essas crianças haviam sido “anormalizadas” por seu meio, a partir do ponto de vista do adulto, numa atitude inconsciente de pais e educadores. Essa tipologia foi mais tarde atualizada, em trabalhos da década de 1940, inspirados nas teorizações sobre crianças-problema feitas por Ramos.

Segundo Ramos, nas clínicas deveriam ser empregados métodos combinados, sem dar preferência a nenhum em particular, e as combinações dependiam das particularidades de cada caso. Eram aplicados os métodos de observação incidental, fragmentos biográficos, observação sistemática, questionário, história de casos, medidas, experimentação etc. Junto a esses, eram empregados conceitos derivados do movimento psicanalítico das escolas de Freud, Adler e Jung, entre outros. Arthur Ramos considerava que essas escolas analíticas eram complementares no atendimento às crianças.

A seção de Ortofrenia e Higiene Mental do Rio de Janeiro funcionou durante cinco anos, de 1934 a 1939, e totalizou o atendimento a duas mil crianças. Tal experiência foi tão bem sucedida que Ramos planejava oferecer seus serviços a toda a população do Distrito Federal. Já havia iniciado uma clínica de pré-escolares na escola “General Trompowiski” com resultados promissores, e o próximo passo seria tratar do adolescente e produzir um estudo sobre a higiene mental nos regimes de internato. Ademais, desenvolviam-se projetos sobre orientação profissional em novas bases científicas, sobre o papel do cinema na psique infantil e sobre desenhos e jogos e sua função na higiene mental. Também estava nos planos um estudo dos distúrbios da linguagem e das aptidões especiais, ao mesmo tempo em que os “anormais” propriamente ditos, e não as chamadas “crianças problemas”, seriam objeto de um tratamento à parte.

Os trabalhos que vinham sendo desenvolvidos de forma frutífera, e que em breve seriam largamente ampliados, sofreram severas restrições devido ao golpe de estado de Getúlio Vargas, que instalou o Estado Novo e proclamou uma nova Constituição em 1937. Como descreve Ramos (1939), em virtude desse quadro político uma nova concepção de educação passou a vigorar, cerceando a liberdade e as iniciativas dos educadores, e assim fazendo com que o trabalho do Instituto se tornasse inviável. Contribuíram também para isso a aproximação da Segunda Guerra Mundial e as condições deficitárias do Brasil, em especial no Rio de Janeiro, como o colapso no setor da alimentação, a crise de habitações, os índices alarmantes de mortalidade e delinqüência infantis e o problema do menor abandonado. Após alguma resistência perante a nova ordem em vigor, só restou à instituição fechar suas portas.


3 - GRUPO ESCOLAR RAUL SOARES E SUA GÊNESE
O Grupo Escolar Raul Soares3, considerado objeto desta pesquisa, situado na cidade de Araguai-MG, surge com a missão de suprir sonhos e atender interesses da classe dominante daquela cidade. Conforme Naves (1988, p. 101) ao nascer uma cidade, nasce com ela o sonho de educação para todos. Mesmo antes de Araguari ser elevada à categoria de cidade, perante a lei, já existia a preocupação da câmara municipal com relação à educação dos que ali residia, exemplo disso é a ata da terceira reunião ordinária da câmara, com data de 18 de março de 1885, a qual trazia resposta sobre a proposta realizada pelo Presidente da Câmara ao Presidente da Província, e que, este último autorizava o Inspetor Geral de Instrução Pública, por em concurso a cadeira de instrução primária da então vila.

Conforme Mameri (1988, p. 118) o Grupo Escolar Raul Soares tem sua gênese a partir do decreto 1960, de dezembro de 1906, decretado pelo então presidente do Estado de Minas Gerais, João Pinheiro da Silva, autorizando que se criassem grupos nos municípios, onde a população fosse suficiente para manter matrículas de alunos, exigida pelo art. 81 – devendo manter a média de 45 alunos para cidades e vilas e 40 para distritos, porém o decreto de criação do Grupo Escolar efetivou-se somente em 17 de novembro de 1908, sob n. 2.297, tendo suas aulas iniciadas em 26 de abril de 1909.

Ao analisar as raízes e anseios aos quais regeram a criação do Grupo Escolar Raul Soares, percebe-se claramente as características republicanas nele inseridas, seja do ponto de vista político, arquitetônico ou até mesmo das esperanças nele depositadas pela sociedade local e regional, uma vez que foi o segundo Grupo Escolar do Triangulo Mineiro e Alto Paranaíba a ser criado, favorecendo, portanto, as demais localidades desprovidas de estabelecimento educacional.
4 – ATA DE PROMOÇÃO DE ALUNOS
Para inferir as interferências técnicas das tendências educacionais apregoadas pelo Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova no cotidiano administrativo pedagógico do Grupo Escolar Raul Soares, foi analisado alguns documentos oficiais que pudessem apresentar dentro das limitações que este tipo de estudo anuncia o maior número possível de elementos que traduzissem a realidade daquele momento.

Para uma maior compreensão destas interferências segue abaixo a transcrição idêntica da ata de promoção de alunos da pág 6, escrita no dia 01/12/1930; trechos da ata de promoção de alunos da pág 9, escrita dia 03/12/1930 e exposição de alguns pontos relevantes da ata da pág 52, escrita dia 24/09/1934.

Esta analogia entre os principais pontos dos três documentos não pretende esgotar o assunto ou dar por definido este estudo, mas apenas fornecer alguns elementos conclusivos que apoiaram o desenvolvimento desta pesquisa, haja vista que, através destas atas torna-se possível realizar uma apreciação dos momentos históricos que antecederam o Manifesto e, por conseguinte as modificações ressoantes à sua publicação. Conforme Saviani (2004) o Manifesto contribuiu com a promulgação da Constituição Federal de 1934, sendo a primeira carta magna a fixar como responsabilidade privativa da União o dever de traçar as diretrizes da educação nacional.
Ata – 1 (na íntegra)

Termo de promoção das alumnas do primeiro anno “Y” feminino, regido pela professora Yolanda Paes.


No dia 1 de dezembro de mil novecentos e trinta, em uma das salas do grupo escolar desta cidade, perante a commissão abaixo assignada, às doze horas feita a chamada verificou-se a presença de vinte e seis alumnas (26) das quarenta nove matriculadas. Pela docente foram apresentadas, de acordo com a disposições regulamentares, as notas de aproveitamento de cada alumna obtidas durante o actual ano lectivo, que verificou-se pelas médias o seguinte resultado: promovidas ao segundo ano com distinção, grau 10: Jeronyma de Lima, Cândida Silva Pereira; grau 9, plenamente: Yolanda Dendini; grau 8, plenamente: Maria Luiza de Jesus, Divina Gomes Aurora Ramos; grau 6, simplesmente: Nathalia Araújo. Distinção grau 10, Ifromia Paes. Não alcançaram promoção as demais alumnas: Deixaram de comparecer vinte e três (23) alumnas.

Para constar lavrou-se a presente acta que vai assignada pela comissão abaixo.


Araguary, 1 de dezembro de 1930.
A directora – Olba de Lima.

A examinadora – Paulina Belém Teixeira.

A professora Yolanda Paes.
Ata – 2 (trechos idênticos)
Data do documento: 03/12/1930

Pág; 9
Assinada por:

Inspetor Waldomiro Barbosa;

Diretora Olba de Lima;

Examinadora Irmã Henedina Biagas;

Examinador José Antônio Botelho;

Examinadora Irmã Maria Irene Villela.
“Colocados em uma urna dez pontos de Arithmetica e noutra dez de Língua Pátria, foram sorteados respectivamente os pontos de número 7 sobre medidas de peso e capacidade, e de número” 10 – “Descripção da sala de aula”.

Terminados que foram as provas escriptas das duas disciplinas a commissão examinadora após a clasifficação das mesmas, poz termo aos exames escriptos, marcando para o dia seguinte as mesmas horas, os exames oraes.


“Estando presentes a comissão examinadora deu começo aos exames orais de Arithmetica, geografia, Historia do Brasil, Ciências, Hygiene, Noção de Causas, Moral e Cívica, língua-Pátria, Leitura e Geometria”.
Ata – 3 (comentários)
Ata da pág. 52, escrita dia 24/09/1934.
A ata da pág. 52, escrita dia 24/09/1934, passou a expressar de forma evidente a mensuração dos resultados obtidos pelas avaliações realizadas com os alunos. A partir dos conceitos e fundamentos de “educação nova” percebe-se nesta ata o ajuste dos processos educativos adequados que pudessem promover a materialização de tais conceitos e fundamentos. Essa nova concepção de escola, que é a exteriorização das reações contra uma escola tradicionalista e empirista pode ser observada no registro de alguns elementos contidos nesta ata, tais como: total de alunos matriculados, total de alunos homens, total de alunas mulheres, total de alunos homens promovidos, total de alunas mulheres promovidas e porcentagem de alunos (as) promovidos, tais elementos foram utilizados pelas autoridades educacionais da época como ferramentas de análise do desempenho discente e docente deste grupo escolar.
5 - CONCLUSÃO
Em meados de 1932, a educação apresentava sérios problemas em suas várias ramificações. Tais problemas e insuficiências precisavam ser sanados, pois, convictos de que a evolução econômica e social do país dependia do preparo cultural, e certos de que era impossível desenvolver as forças econômicas ou de produção sem o preparo exaustivo das forças culturais, vários agentes fomentadores da educação vinham desde 1920 promovendo debates e reflexões em torno da necessidade de uma educação sistematizada e que atendesse às necessidades de um país “calejado pela exploração” .

Pela análise do manifesto, observa-se a preocupação com a falta das determinações que indicassem as finalidades da educação, seja quanto aos aspectos filosóficos ou no que diz respeito aos fins práticos. Em outras palavras o manifesto denunciou um empirismo grosseiro, dominante no estudo das questões pedagógicas, com ausência total de uma cultura universitária.

Para o Manifesto a finalidade primordial da educação gira em torno de uma concepção de vida, solta dos interesses de classe, mas que proporcione ao indivíduo o direito de uma educação que organize e impulsione os meios naturais, com o fim de promover um desenvolvimento natural e integral do ser humano em cada uma das etapas de seu crescimento enquanto sujeito, respeitando as concepções de mundo ao qual está inserido, tornando-o agente reflexivo e atuante nos processos culturais e econômicos.

As documentações oficiais analisadas forneceram elementos importantes para a reconstrução do momento histórico o qual este trabalho está inserido, revelando a forma como eram apropriados os modelos culturais e postos em circulação no cotidiano escolar. Conforme sinaliza Certeau (1996) a análise das apropriações e dos modelos culturais impostos à sociedade é uma questão relevante, pois permite delimitar os mecanismos de imposição e visualizar as formas sub-reptícias assumidas pelos indivíduos e pelos grupos.

A primeira e a segunda ata expostas acima, apontam características e tendências “escolanovistas”, prenunciando os anseios por uma educação sistematizada e capaz de se aproximar da cientificidade presente em tantas outras áreas acadêmicas. Seguindo esta mesma tendência, porém de forma acentuada, a terceira ata, já traduzia em seu conteúdo central as orientações sinalizadas pelo Manifesto, apontando características defendidas pelos divulgadores do escolanovismo, tais como: controle do trabalho do professor, estudo comportamental dos alunos e quantificação da eficiência dos métodos pedagógicos aplicados.

Para compreender e analisar a produção histórica educacional deste grupo fez-se necessário a utilização das representações colocadas por Chartier, compreendidas como discursos que apropriam e estruturam o mundo, permitindo compreender a relação entre os discursos e as práticas, trazendo à luz a forma com que diretores, professores e autoridades educacionais interpretaram as finalidades da escola naquele momento e as materializaram. Para Chartier as representações são práticas culturais, isto é, elas são estratégias de pensar a realidade e materializa-la de acordo com as necessidades do momento. Conforme afirma Souza:


Se é verdade que a educação cumpre finalidades determinadas pela sociedade, não é menos verdade que os projetos, os discursos, as teorias pedagógicas materializam-se no cotidiano da escola; é nesse âmbito que a intercessão de subjetividade e práticas cadencia ritmos, ritualiza comportamentos, intercambia experiências, configura forma de agir, pensar e sentir e possibilita a identidade/diferenciação da escola no conjunto das instituições sociais (1998, p. 18).

É por este caminho tortuoso e complexo em suas significações que este estudo vem avançando suas observações e apreendendo o momento histórico ao qual esta pesquisa vem sendo engendrada. A análise do Manifesto dos pioneiros da Educação Nova remete a observações importantes no campo dos planejamentos educacionais e da materialização dos mesmos. É no bojo do cotidiano escolar que projetos e teorias pedagógicas se materializam e tornam reais a complexa trama do conjunto de interesses pertencentes à instituição escolar.

De um modo geral, por meio destas observações é possível verificar a materialização de uma racionalização educacional contundente e acentuada na prática pedagógica desenvolvida neste grupo escolar, levando-nos à apreciação do momento pelo qual se dá a adesão efetiva dos prenúncios elaborados pelo Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova e a oficialização dos mesmos pela constituição de 1934 .

Deste modo conclui-se que o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, foi a inserção de idéias em âmbito nacional em prol da organização, sistematização e aproximação da ciência aos processos pedagógicos, porém, este fato já não apresenta mais originalidade ao ser exposto, considerando que tal relato já fora feito com propriedade por Saviani e tantos outros estudiosos da educação. No entanto, vale ressaltar que as tendências sinalizadas pelo Manifesto já se faziam presentes no Grupo Escolar Raul Soares antes da sua publicação, a exemplo disto cita-se a presença da disciplina Higiene Corporal em seu quadro de conteúdos programáticos, registrada na ata da pág 9, do dia 03/12/1930, caracterizando a preocupação com os cuidados ao corpo e mente dos alunos, sistematizando o ensino e as técnicas avaliativas.

Um fato interessante que assinalou oficialmente a presença das orientações do Manifesto no Grupo Escolar Raul Soares, foi a forma com que se passou a redigir as atas de promoção de alunos, pois, a partir de 24 de setembro de 1934, as atas passaram a indicar além da quantificação simplificada das aprovações e reprovações, o registro detalhado das mensurações das análises percentuais do desempenho de cada turma. Tal análise foi utilizada para medir o desempenho não só dos alunos, mas também para avaliar o curso em questão e consequentemente, de forma subliminar, avaliava-se o desempenho do professor naquela turma. Esta observação tona-se importante para se verificar o quanto o Manifesto influenciou a Educação Nacional e em específico o processo pedagógico deste grupo.

Este fato evidência a influência do Manifesto na promulgação da carta magna de 1934, introduzindo, inevitavelmente o escolanovismo no campo educacional brasileiro, acentuando nitidamente uma das tendências deste movimento aqui no Brasil, que era o desenvolvimento sistematizado das ações pedagógicas e a aproximação entre educação e racionalidade científica, procurando alcançar o máximo de rendimento com o mínimo de tempo e esforço.

Contudo, fez-se presente também neste Grupo Escolar, uma segunda vertente, defendida por Anísio Teixeira, norteada pelos pensamentos de Dewey, buscando o equilíbrio entre indivíduo e sociedade, em que a educação era vista como elemento verdadeiramente eficaz para a construção de uma sociedade democrática, levando em consideração as diversidades, respeitando a individualidade do sujeito.

No caso específico do Grupo Escolar Raul Soares, conclui-se por meio das documentações analisadas e através de pesquisas Orais, que a adesão pelas sinalizações realizadas pelo Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova se deu paulatinamente e sem indícios de resistência por parte dos professores, fato este que talvez se explique na crença pela busca de uma educação igualitária já presente desde meados do séc. XIX e que desastrosamente não foi alcançada pelos projetos liberais republicanos, que por sua vez também enxergavam na educação a panacéia para os males da desigualdade social e a mola propulsora para o progresso tão sonhado.

Este artigo é o resultado parcial de uma pesquisa que vem sendo desenvolvida no Programa de Pós Graduação (mestrado) da Universidade Federal de Uberlândia, esboçando de forma sintética os resultados oriundos de análises das documentações oficiais e de algumas pesquisas orais em andamento.

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1 Que tem o caráter de um desenvolvimento natural, reflexivo, movido por uma intenção natural.

2 Que tem o caráter de um desenvolvimento natural, nato, em oposição ao que é ideado, um intelectual orgânico.

3 De Grupo Escolar de Araguari, passou a Grupo Escolar Raul Soares, em virtude de decreto assinado pelo presidente Antônio Carlos Ribeiro de Andrada em homenagem ao finado Presidente de Minas Gerais Raul Soares, que faleceu com 48 anos de idade.




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