Rádio: 80 anos de companheirismo como tudo começOU



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Rádio: 80 anos de companheirismo

COMO TUDO COMEÇOU

Ao passarmos pelo túnel do tempo, aportamos nos trepidantes anos 20. Nessa década, "o Brasil é um vasto hospital" onde predominam os anúncios de remédios. A Bayer com sua ASPIRINA, CAFIAPIRINA, ADALINA, TÔNICO BAYER, HELMITOL E MITIGAL, convive harmoniosamente com SAÚDE DA MULHER e Bromil.

Na cola dos laboratórios farmacêuticos, empresas como a SUL AMÉRICA; lojas como a TORRE EIFFEL, LUTZ FERRANDO e CASA MANGUEIRA; os cremes de beleza: MIMOSAHIL, PEROLINA, CERA FRANK LLOYD; os bancos e as caixas econômicas: BANCO DO DISTRITO FEDERAL, CAIXAS DO RIO e de SÃO PAULO; produtos industriais como o creme dental ODOL, meias ONIX, calçados ATLAS, lâmpadas PHILIPS, chá LIPTON e cigarros JOCKEY CLUB invadem a mídia brasileira.

O HOTEL GLÓRIA era apresentado em 1922 como o maior e mais luxuoso da América do Sul, 250 apartamentos com banheiro e telephone (com PH) em todos os quartos.

Peso cuidadosamente equilibrado para cada tamanho, penas firmes, flexíveis,ultra-resistentes, para todos os talhes de letra: caneta tinteiro PARKER.

Em 7 de setembro de 1922 acontecia a primeira transmissão de rádio no Brasil. O paraibano Epitácio Pessoa fez um discurso inaugurando a Feira da Exposição Mundial, que se realizava na área da Esplanada do Castelo, no Rio de Janeiro. Naquela noite a palavra do presidente da República chegou ao público presente à feira pelo "RADIO-TELEPHONE", (ainda com PH), conforme foi noticiado pelos jornais da época, através de alto-falantes instalados pela Westinghouse, também responsável pela instalação dos transmissores no alto do morro do Corcovado, na então capital federal. A transmissão pioneira chegou a ser ouvida em Niterói, Petrópolis e até em São Paulo.

Esse pioneirismo deveu-se a Edgard Roquette Pinto, professor, antropólogo, cientista médico e escritor que desejava levar cultura e conhecimento a todo o nosso povo. Roquette Pinto e Henrique Morize conseguiram do governo federal a cessão de uma emissora Western Eletric para que se formasse a primeira emissora de rádio do Brasil, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, que entrou no ar em 23 de abril de 1923. Ainda nesse ano Oscar Moreira Pinto monta no Recife a Rádio Clube de Pernambuco, que foi durante muitos anos a emissora de maior potência no País.

As emissoras surgiram como rádios-clube, que sobreviviam com as contribuições dos sócios, já que não podiam veicular anúncios, e transformaram-se em grandes empresas, com visão puramente comercial e lucrativa.

A propaganda impressa crescia, na multiplicação de jornais e revistas. Os cartazes e painéis ao ar livre ganhavam espaço. Mas, com as ondas do rádio surgem novas possibilidades para a publicidade nacional. Graças ao anunciante, o público brasileiro ganhou um notável entretenimento: econômico, acessível, simples de decodificar, sem a necessidade de saber ler, educativo: o rádio.

Em 1926, FLY-TOX era o maior destruidor e mosquitos, moscas, baratas, percevejos e demais insectos.

Beijos perfumados, só com charutos PRÍNCIPE DE GALLES.

GLYCEROPHOSPHATO ROBIN era o indicado para crescença das creanças.

Os regulamentos da Saúde Pública exigiam escarradeira HYGÉA, limpeza automática sem intervenção manual.

As pessoas entendidas davam preferência aos discos ODEON, novos, electricos.

O pó-de-arroz LADY era o melhor e não era o mais caro.

Podia-se pedir catálogos dos esplêndidos modelos 1927 das motocycletas HARLEY-DAVISON.

Pasmem! Em 1928, a Usina Serra Grande anunciava USGA, "o pioneiro dos combustíveis nacionaes, à base de álcool, cuja efficiencia já está provada em um anno de ascendente consumo em Pernambuco e Alagoas". Usá-lo seria dever dos bons patriotas.

Enquanto isso, MAPPIN STORES convidava cordealmente senhoras e senhoritas de São Paulo a visitar suas interessantes e selectas Exposições e Agasalhos, cujos modelos refletiam em toda linha "os rigorosos decretos da moda parisiense".

Ao mesmo tempo em que se ensaiava o nacionalismo do movido a álcool, há 74 anos - a iniciativa não passou de ameaça, com a gasolina continuando a reinar absoluta - obedecia-se humildemente aos ditames de Paris, na hora de vestir.

A COMPANHIA ANTARCTICA PAULISTA - fundada em fevereiro de 1891 - já dominava o mercado de cerveja e guaraná, num tempo em que nem Júlio Verne poderia sonhar com a Coca-Cola.

LUIZ XV e AUTOMOVEL CLUB, da Companhia Castellões, eram os cigarros preferidos do mundo chic, HUPMOBILE era o carro da aristocracia.

E o BIOTONICO FONTOURA era o mais completo fortificante.

Como a AIDS ainda não tinha sido inventada, debaixo dos panos o perigo chamava-se gonorrheia, prostatite, flores brancas. BLENOL neles.

contra rheumatismo e gotta, ATOPHAN era o remédio.

Moscas, mosquitos, pulgas, formigas, traças, percevejos, baratas e seus ovos, o jeito era pulverizá-los com FLIT. Indispensável era exigir o soldadinho na lata amarela com a faixa preta, para não confundir com outros inseticidas.

Num desenho, a moça de pernas cruzadas aparecia sentada no topo de prédio Martinelli (primeiro arranha-céu de São Paulo). Nas pernas, meias VISETTI, claro!

Combatia-se a doença "amarelão" com vermífugos, a opilação ou amarellão cura-se com NEO-NECATORINA.

Vinhos quinados eram ministrados contra febres. QUINADO CONSTANTINO, refrigerante - tonico - reconstituinte - aperitivo.

Tomavam-se licores de cacau ou café, e as famílias eram convidadas a um serão diante de vitrola com tangos nas tardes de inverno.

Neste universo crescia o rádio. Mas, infelizmente houve a crise de 29, a revolução de 30, e conseqüentes ajustes de mercado. Ao lado da influência européia, o traço brasileiro aparecia em produções ora mais toscas, ora um tanto debochadas, como no anúncio de um doce chamado FLÔR DE PIPOCA - em três ilustrações bem-humoradas, quase caricaturas sob o título Beijos, Beijinhos e Beijocas.

Dentes que enfeitam o riso com brilhos claros de sol: PASTA E LÍQUIDO ODOL.

Contra prisão de ventre, pílulas MINORATIVAS, que faziam tudo correr bem.

INSTANTINA cortava os resfriados.

Deslumbramento, este era o efeito que produzia a maravilhosa coleção de voils das CASAS PERNAMBUCANAS, com filiais em todo o Brasil.

A PAN AMERICAN AIRWAYS SYSTEM apresentava o Brazilian Clipper, que entraria brevemente no tráfego regular, transportando com excepcional conforto 32 passageiros.

A EXPANSÃO - Começa então, o período de expansão do rádio. A propaganda radiofônica manifesta-se de cinco maneiras diferentes:


• improvisação da mensagem pelo próprio locutor, como sua forma mais rudimentar;


• a simples leitura de textos preparados para a mídia impressa sem quaisquer adaptações à linguagem do meio;
• uma forma mais profissionalizada com a introdução de textos especiais pré-elaborados por um redator e que eram lidos pelos locutores das emissoras;
• o texto de locução gravado, ou seja, o spot;
• a mensagem musicada, conhecida como jingle.

Virtualmente desconhecido em 1922, olhado com ceticismo em 1927 pelos profissionais de publicidade, o rádio conquista em 1932 uma verba superior à verba gasta em painéis e cartazes E, slogans como "É mais fácil um burro voar do que a Esquina da Sorte Falhar", ou "Sócrates bebendo cicuta para morrer... e o homem moderno bebendo Cacatinha para viver" já podiam ser ouvidos em grande volume.

Se o Laboratório Sidney Ross anunciava MELHORAL, LEITE DE MAGNÉSIA DE PHILIPS, GLOSTORA ou SONRISAL numa rádio, a emissora tinha prestígio.

Cigarros e magazines, roupas e remédios, automóveis e companhias de aviação, produtos de beleza e inseticidas, empresas de seguros e calçados, produtos de limpeza, tudo estava à mão e ao ouvido do consumidor, PÃO BRAGANÇA, LABORATÓRIO QUEIROZ, O DRAGÃO e O CAMISEIRO patrocinavam o Programa Casé da Rádio Philips, um marco da nossa radiofonia.

Ford, General Eletric e Gessy, patrocinam o primeiro programa em cadeia, unindo as rádios Mayrink Veiga (RJ) e Record (SP), um musical de freqüencia semanal, em 1933. 

A rapidez com que as agências de publicidade aprenderam a usar o rádio gerou um quadro relativamente numeroso de profissionais que se libertaram rapidamente da influência norte-americana e souberam usar com eficiência, imaginação e bom gosto os numerosos recursos que o veículo oferecia ao anunciante produzindo spots e jingles que rapidamente se familiarizaram, pois todos se reuniam em torno dos grandes aparelhos receptores, para ouvir uma verdadeira revista no ar. 

Os jingles compostos por Braguinha, Noel Rosa, Orestes Barboza eram interpretados semanalmente por cantores como Carmen Miranda, Francisco Alves e Sílvio Caldas.

Muitos dos jingles não passavam de meras adaptações de músicas de sucesso. A letra de "Carolina" de Hervê Cordovil e Bonfiglio de Oliveira, foi alterada para cantar as virtudes do fortificante CAROGENO e "Ride Palhaço" de Lamartine Babo vendia a pomada UNTISAL.

"Maria ... Sai da lata!", spot criado para Óleo Maria entra no ar em 1934, com a Rádio Difusora (SP) "o som de cristal".

E, a guerra das cervejas, que conhecemos hoje, começou em 1935 com a guerra dos chopps. Orlando Silva grava o jingle do Brahma Chopp composto por Ari Barroso e Bastos Tigre.

A Antarctica promove um concurso para escolher o tema musical que melhor promovesse seu chope em barril. O jingle vencedor foi "Chopp só em barril", de Custódio Mesquita. Mas o destaque ficou para "Madame Du Barril", uma marcha muito engraçada, de Lamartine Babo e Hervê Cordovil.

Em 1936 a incomparável Kay Francis fazia como nove entre dez estrelas do cinema: confiava no sabonete Lever!

O ouvinte podia escolher entre as marcas de rádios, Philips, Pilot, Ergon, Midwest.

A CERA DR. LUSTOSA era infalível na dor de dente.

E O MALHO era a revista semanal.

Ao SPLAT, o novo comprimido alemão, era atribuído o poder de eliminar imediatamente resfriados, dores, nevralgias e intoxicações.

A década de 30 estava no fim quando os ouvintes ficaram sabendo que "Dura lex, sed lex, no cabelo só Gumex".

APOGEU

Foi durante os anos 40 que o rádio atingiu seu apogeu, destacando-se como a mais importante mass media, atraindo parte substantiva das verbas publicitárias. As próprias emissoras se transformam em anunciantes promovendo suas programações, seus artistas para poder disputar patrocínio.

"Senhoras e senhoritas, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro apresenta 'EM BUSCA DA FELICIDADE', emocionante novela de Leandro Blanco." Com esse prefixo entrava no ar às 10h30 uma inovação que se transformou num dos hits da época: a radionovela. O Creme Dental Colgate, "criador dos mais belos sorrisos", patrocinou durante dois anos a novela produzida nos estúdios da Standard, agência que tinha a conta do patrocinador, a Colgate-Palmolive.

Com base em noticiário fornecido pela UPI - United Press International, a McCann-Erickson cria para um de seus clientes um programa de radiojornalismo. Em 28 de agosto de 1941, às 12h45, vai ao ar, através da Rádio Nacional a primeira edição do "REPÓRTER ESSO", "testemunha ocular da história" e "o primeiro a dar as últimas". O programa ficou no ar até 31 de dezembro de 1967, sempre com a chancela dos "postos de serviço e revendedores Esso".

Em 1941, a vida parecia mais linda com o novo HUDSON, o carro ideal para o campo e incomparável para a cidade, e HOLLYWOOD era o cigarro da moda!

A tonalidade favorita de CUTEX chamava-se Black Red, quando a guerra fez a gasolina sumir, em 1943, substituída pelo gasogênio, marcas TITAN ou GMB.

Carro movido a carvão, aquilo sim é que era poluição! E, para aliviar tanta tensão, começa a ser comercializada a pausa que refresca: Coca-Cola.

Em 1945 o mundo vive a euforia do fim da guerra e o rádio era ainda o grande e instantâneo canal de informação. Proliferam anunciantes, agências de propaganda e publicitários. Inventam-se concursos como nova forma de mídia, jingles políticos causam frisson e as "pílulas de vida do Dr. Ross fazem bem ao fígado de todos nós".

As emissoras desenvolviam planos para aumentar suas audiências e o volume de anunciantes. A Rádio Globo (RJ) atrai clientes e agências para seu auditório a fim de fazê-los sentir de perto suas potencialidades.

As Emissoras Associadas, no Rio, só aceitam comerciais gravados por artistas de seu casting em seus estúdios.

Aurélio Campos, então diretor artístico da Rádio Tupi (SP), determina que só poderiam ser irradiados comerciais gravados entre 18 e 23 horas, argumentando que "o texto gravado é prejudicial à estação e ao anunciante".

Data de 1948 a fundação da RGE - Rádio Gravações Especializadas, uma sociedade entre José Scatena e Cícero Leuenroth. Entre os intérpretes: Elza Laranjeira e Hebe Camargo; entre os jinglistas: Hervê Cordovil, Vítor Dagô e o próprio Scatena. De lá sairam êxitos como "O trenzinho da Duchen."

Nos anos 40 a programação radiofônica era bastante eclética, e os patrocinadores podiam escolher os diversos e múltiplos consumidores que pretendiam atingir.

Algumas vezes as agências eram as produtoras de programas para seus clientes, como o "PENEIRA", programa de calouros, patrocinado pela Colgate-Palmolive e produzido na Standard ou "INSTANTES SINFÔNICOS", produção da McCann para seu cliente Schenby.

"Em torno de você, uma fragrante sugestão de primavera: English Lavander de Atkinsons", patrocinava "DONA MÚSICA", produzido pela Lintas. Mas, Royal Briar o perfume que deixa saudades era o anunciante do "CANÇÃO ROMÂNTICA".

"Cálcio, carboidratos, ferro, fósforo, proteínas e vitaminas, Toddy, não confundam", preferiu ser o patrocinador da "HORA DO CALOURO", na Tupi.

Quem tomava URODONAL vivia contente e ouvia o "PROGRAMA SÍLVIO CALDAS".

Bastava ser um rapaz direito para ter crédito n'A EXPOSIÇÃO.

O programa "JÓIAS DA LITERATURA" era um oferecimento de Coty, o mago dos perfumes.

MELHORAL era melhor e não fazia mal.



A CONCORRÊNCIA COM A TV

Em 1950 existiam 3,5 milhões de aparelhos receptores de rádio espalhados pelo território nacional. Os jornais ainda ficavam com a maior parte das verbas publicitárias - 38% -, seguido pelo rádio: 26%.

A realização da Copa do Mundo no Brasil garantiu para o rádio a preferência de anunciantes expressivos como a Brahma e a Souza Cruz.

Mas, ainda nesse ano foi dado o primeiro passo para a substituição do veículo de massa. Rapidamente o capelinha, perde seu lugar nobre, na sala, para a telinha e a imagem prepondera sobre o som. Mesmo em preto e branco. Os ouvintes, transformados em telespectadores, passam a ver os astros e estrelas que até então apenas ouviam. Locutores, animadores, radioatores e radioatrizes, galãs, humoristas, narradores esportivos, cantores, músicos: tudo ao vivo, invadindo as casas. O pessoal do rádio ocupou os espaços da TV, repetindo no novo veículo o que já era sucesso nas ondas radiofônicas.

A maioria usava sabonete GESSY, garantiam.

DDT e Rotenona, duas forças destruidoras em um só inseticida: DETEFON.

Toda senhora era uma escrava voluntária sem SAÚDE DA MULHER, contra os incômodos uterinos.

MITIGAL acabava com as coceiras e o creme ODORONO detinha a transpiração por 24 horas a fio.

"Mais encanto para você, com CASHEMERE BOUQUET."

Quem bebia GRAPETTE repetia, porque Grapette é gostoso demais.

Em 1953 aqueles que exigiam o máximo voavam pela REAL e usavam brilhantina COTY.

NEPTUNO era o maillot das estrelas.

"CAFÉ CABOCLO, eta cafezinho bom."

Refrigeração, mesmo no sertão, com o novo refrigerador GELOMATIC 700, movido a querosene.

"Idéias luminosas, LUSTRES BOBADILHA."

O ouvido agora tem que enfrentar o olho. O rádio busca outros caminhos para concorrer com a televisão, abandonando o grande broadcasting pela fórmula música e notícias. Mas campanhas com alto nível de qualidade ainda o mantinham como veículo básico, que cativava consumidores.

O jingle da Toddy, composto por Ari Barroso, virou sucesso carnavalesco transformado por Carvalhinho e Joel de Almeida, "Quem sabe, sabe, conhece bem ..."

Em 1958 o investimento publicitário era de US$ 110 milhões e o rádio ficava com 16% desta verba.

A recém-inaugurada Rádio Eldorado não aceita jingles nem spots, apenas textos para locução. Os jingles passam a ser usados como trilha de comerciais para TV.

As crianças cantavam que a hora do lanche era uma hora tão feliz e queriam BISCOITOS SÃO LUIZ.

Todo mundo sabia que: toda casa tem teto, todo teto tem um forro...,forro era EUCATEX.

Lúcio Alves grava que "as rosas desabrocham com a luz do sol, e a beleza das mulheres com o CREME RUGOL.

"ALKA SELTZER existe apenas um, e como Alka Seltzer não pode haver nenhum."

Em 1962 já existia um empate técnico entre a distribuição de verbas publicitárias para rádio e TV.

Em 1965, o rádio importado Spika era a grande sensação, mostrando que o transistor tinha chegado para vencer.

Nessa época a Rádio Panamericana, de São Paulo, lança "JOVEM GUARDA", atrelando a rádio de Paulo Machado de Carvalho ao sucesso do programa de TV de mesmo nome veiculado pela TV Record, do mesmo grupo, e muda seu nome para Jovem Pan, baseando sua programação na música moderna, segmento que mantém até hoje.

O GRANDE COMPANHEIRO - O rádio de pilha e o auto-rádio deram mobilidade e portabilidade à programação radiofônica. O rádio sai da sala de visitas para acompanhar o ouvinte onde quer que ele esteja, passando a ser o grande companheiro de todas as horas e todos os momentos.

Desaparecem os musicais ao vivo. Aparecem os disc-jockeys.

Em 1970 a Rádio Difusora FM de São Paulo entra no ar. As ondas em freqüência modulada, inicialmente usadas para tocar música, passam a falar na década de 80.

No final dos anos 80 tínhamos: 500 anunciantes regulares,


1,3 mil agências de propaganda,
3 mil títulos de jornais e revistas,
2 mil emissoras e rádio,
150 emissoras de TV,
20 mil tabuletas de outdoor e
145 milhões de habitantes, sendo 73% zonas urbanas e 27% zonas rurais.

O investimento publicitário de US$ 2 bilhões era dividido porcentualmente em:


8,0% rádio
55,9% TV
18,1% jornal
15,2% revista
2,8% outros

INFLUÊNCIA INQUESTIONÁVEL

O tempo passou, e hoje o quadro é muito diferente. O rádio digital começa a ser delineado.

Nesses 80 anos, esse meio de comunicação absurdamente apaixonante conheceu vários períodos de sucesso e declínio, mas uma coisa é certa: não perderá sua agilidade e o caráter instantâneo em passar a informação. O radiojornalismo se vale da instantaneidade, da rapidez e da emoção que o veículo consegue imprimir.

A influência do meio rádio na vida do brasileiro continua inquestionável. Basta dizer que de acordo com o Ibope, o tempo médio diário de audiência do rádio é de 05h06, contra 04h15 da televisão.

São 80 anos contribuindo para a formação deste povo que sempre tirou de ouvido as alegrias e tristezas do Brasil, que o rádio sempre contou, e continuará transmitindo, em alto e bom som, a vida para todos nós.

O RÁDIO FAZ 80 ANOS NO BRASIL


São Paulo - Há exatos 80 anos, o Brasil testemunhava o que ficou conhecida como a primeira transmissão radiofônica no território nacional. O cenário foi uma exposição comemorativa pelos cem anos da Independência, no Rio de Janeiro, que contou com a presença de figuras ilustres, como a do então presidente Epitácio Pessoa. Reuniu também autoridades estrangeiras, entre eles o príncipe Alberto da Bélgica, interessadas em conhecer as realizações brasileiras de 1922.

Para o evento, visitantes norte-americanos carregaram dois transmissores, que foram instalados no alto do Corcovado. O presidente foi o primeiro a fazer o teste nas novas aparelhagens. 

Por meio de uma legítima transmissão radiofônica, o seu discurso foi veiculado por 80 alto-falantes, distribuídos pela área da feira internacional. "Mas o som estava tão mau, tão incipiente ainda, que o impacto foi muito reduzido", diz o professor da USP André Barbosa Filho, especialista em rádio.

Há quem discorde da data oficial, como os pernambucanos. "Em 1919, algumas pessoas realizavam pesquisas, no Recife, mas as transmissões ainda não tinham voz humana e, mesmo as que tinham, não apresentavam uma programação", diz Barbosa. 

Segundo ele, as comemorações devem estender-se até ao dia 21 de setembro do ano que vem, data em que se lembra o nascimento do etnólogo e escritor Roquete Pinto considerado pai do rádio no Brasil. Ele divide esse título com Henry Morize. 

Em abril de 1923, ambos fundaram a primeira rádio no País, a Sociedade do Rio de Janeiro, que começou a funcionar com aqueles dois transmissores trazidos pelos norte-americanos no ano anterior.

No mesmo ano da primeira transmissão de rádio no Brasil, em 1922, foi fundada a rádio BBC de Londres, pioneira na veiculação de uma programação diária.


Desde o início, a emissora seguia três objetivos imprescindíveis, estabelecidos pelo seu estatuto: lazer, entretenimento e educação. Roquette Pinto inspira-se nesse formato nos primeiros anos de vida do rádio no Brasil. 

Em 1926, o Congresso norte-americano admite o uso dos comerciais nas programações de rádio.


"Os EUA estabelecem mais uma norma e passam a injetar dinheiro no rádio, o que incentiva a profissionalização dos seus funcionários", afirma Barbosa.

A inserção dos comerciais publicitários ajudou também a modificar a linguagem radiofônica. Nesse contexto, surgem os famosos jingles. "No País, os jingles existem desde a década de 30, quando foi para o ar um anúncio da Padaria Bragança, escrito por Antonio Nassara, em ritmo de fado", comenta o publicitário Lula Vieira, que reúne no seu arquivo pessoal cerca de 10.000 jingles gravados. "Os nossos maiores compositores, como Ary Barroso, faziam músicas para  anunciantes."


Inicialmente, somente um grupo restrito, endinheirado, tinha acesso ao aparelho. Nos anos 30, entretanto, popularizou-se e consolidou-se, com a descida de preço tanto dos transmissores quanto dos receptores. Nascem os speakers (locutores) e os programistas (produtores). Entre os speakers, Nicolau Tuma é citado até hoje como uma das figuras mais criativas e importantes. Foi o mentor do termo ´radialista´ e ficou conhecido como ´speaker´ metralhadora durante a narração do jogo de futebol Vasco e Flamengo, no Estádio de São Januário, em 1934. "No intervalo, pedi para o humorista Barbosa Filho assumir o microfone enquanto eu descansava um pouco. E ele falou: esse não é gente, é uma metralhadora. Fala mais depressa que o jogo."

Foi justamente num programa de Tuma, em 1938, que a atriz Vida Alves, famosa mais tarde por protagonizar o primeiro beijo na TV, iniciou a sua carreira no rádio. "Participei de programas infantis, cantando, mas só assinei o meu primeiro contrato em 1944. Participei de radioteatros e radionovelas", recorda.


"A rádio foi o berço de quase todos os artistas que foram para a TV."

A década de 40 marcou a época de ouro da radiodifusão, com uma cobertura de 60% da população brasileira. "Os gêneros surgem na sua totalidade, como o jornalismo, programas culturais radionovelas, programas de humor", enumera André Barbosa. Houve produções históricas, como o lendário Repórter Esso, que permaneceu no ar durante 28 anos. Outras atrações são os programas de auditório, que atraíam multidões aos teatros, de onde eram transmitidos, e criaram mitos, como as cantoras Marlene e Emilinha Borba, rivais dentro e fora do rádio. 



Com a chegada da TV, nos anos 50, trazida por Assis Chateaubriand, houve um esvaziamento nas emissoras de rádio. Artistas, técnicos entre outros profissionais, migraram para a TV, em busca de novas oportunidades profissionais. Em 1958, foi fundada a Rádio Eldorado que, entre outras ações, lutou contra a obrigatoriedade de transmitir "A Voz do Brasil".

Desde aquela época até hoje, a radiodifusão viu o surgimento das emissoras FMs, a popularização das AMs, a criação de rede de emissoras por satélite. E atualmente, discute-se a rádio digital. Hoje, quase 90% da população tem pelo menos um aparelho em casa. "Para mim, é o começo de tudo", diz a apresentadora Hebe, que passou pelo rádio. "Aproximou as pessoas, como hoje nos reunimos na frente da TV."


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