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11.176-RE-M92-001

APRESENTAÇÃO

Este relatório apresenta os resultados finais dos estudos referentes à flora/vegetação desenvolvidos na Área de Influência da UHE AIMORÉS, que envolveram aspectos fitofisionômicos, levantamento florístico das formações vegetais nativas ocorrentes na área e avaliação da estrutura fitossociológica de remanescentes da Floresta Estacional Decidual e Semidecidual.


Com base nos dados obtidos no diagnóstico, é feita a análise dos impactos ambientais e propostas medidas mitigadoras e compensatórias.
O presente estudo foi desenvolvido pelo Biólogo Consultor Eugênio Tameirão Neto, sob a coordenação da equipe de meio ambiente da IESA - Internacional de Engenharia S.A., Superintendência de Belo Horizonte.

RESUMO

A UHE AIMORÉS está inserida no “Domínio da Floresta Atlântica”, sendo que a formação predominante é a floresta estacional semidecidual.

Os estudos relativos à flora e cobertura vegetal foram desenvolvidos no período de janeiro a novembro de 1997. Foram realizadas quatro campanhas de campo, nos meses de janeiro, março, julho e outubro.


Os estudos envolveram a caracterização fitofisionômica (formações vegetais existentes) e a composição florística (espécies vegetais). Para a floresta semidecidual e decidual, foi feita uma amostragem quantitativa, através do método de quadrantes, para caracterização fitossociológica da estrutura da comunidade.

As fisionomias vegetais observadas foram a floresta semidecidual, a floresta decidual, a floresta ciliar, o campo cerrado, o campo hidromórfico/comunidades aquáticas e as comunidades dos afloramentos rochosos.


Todas estas fisionomias ocorrem na Área de Influência. Na Área de Entorno, ocorrem a floresta semidecidual, a floresta decidual, os campos hidromórficos / comunidades aquáticas e as comunidades de afloramentos rochosos. Já na Área Diretamente Afetada, observa-se a floresta decidual e pequenos trechos de campos hidromórficos/comunidades aquáticas e de comunidades de afloramentos rochosos.
A área de campo cerrado, encontrada na Serra do Cascalho, constitui-se em uma inclusão em área de domínio da floresta semidecidual.
A cobertura vegetal da área foi drasticamente reduzida e os poucos remanescentes existentes encontram-se bastante alterados, predominando estágios iniciais e intermediários de sucessão (capoeirinhas e capoeiras). A floresta ciliar foi praticamente eliminada, restando apenas elementos arbóreos dispersos.
Algumas das espécies observadas e/ou coletadas apresentam distribuição mais ampla. Outras são características do vale do rio Doce e se estendem por outras áreas de ocorrência da floresta atlântica.
O remanescente de floresta semidecidual estudado mostrou uma diversidade e riqueza compatível com os valores obtidos para florestas semideciduais do sudeste brasileiro. Em sua estrutura, observa-se a presença de um estrato com indivíduos de até 12 metros de altura, que representa a regeneração da floresta após a exploração, e um estrato com espécies emergentes, com altura superior a 15 metros, formado por indivíduos remanescentes da floresta primária que permaneceram após a exploração seletiva da área.

O remanescente de floresta decidual apresentou valores de riqueza e diversidade bem baixos, considerando outras localidades. Estruturalmente, observa-se o predomínio da aroeira (Myracrodruon urundeuva), espécie citada como vulnerável na lista oficial de espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção.

Os impactos negativos sobre a flora são de baixa a média magnitude. O impacto mais significativo refere-se ao remanescente de floresta decidual que será afetado pela relocação da ferrovia, no trecho entre as cidades de Itueta e a barragem principal.

Como medida compensatória, ressalte-se a implantação da Unidade de Conservação, que promoverá a proteção de parte da flora e fauna locais. A alternativa mais indicada é o conjunto da Serra da Onça, que engloba a gruta de Sete Salões e o Pico do Garrafão, embora parte da área esteja localizada em município fora da Área de Influência da UHE AIMORÉS.

As medidas preconizadas são o salvamento de germoplasma das espécies afetadas pela formação do reservatório e a implantação da Unidade de Conservação.
O prognóstico, em relação à flora e à cobertura vegetal, é favorável à construção do empreendimento.

1. INTRODUÇÃO


O volume de trabalhos sobre a flora brasileira tem crescido em decorrência da valorização da questão ambiental e de aspectos, como a biodiversidade, observando-se uma tendência crescente no sentido do aprofundamento dos estudos botânicos, com análise quantitativa de comunidades vegetais e a inclusão de aspectos ecológicos.
Com relação à região do médio vale do rio Doce, observa-se a existência de poucos trabalhos acerca de sua flora. Entre os estudos realizados, destacam-se:


  • Parque Estadual do Rio Doce (CETEC, 1981; LOMBARDI et al., 1994);




  • Estação Biológica de Caratinga (GRANDI et al., 1986; SILVA, 1988; BRAGA et al., 1989; MENDONÇA FILHO, 1996);




  • Fazenda Macedônea - CENIBRA (STEHMANN et al., 1992);




  • UHE PORTO ESTRELA - Estudo de Impacto Ambiental : Flora Terrestre (TERRA, 1994).

Embora os locais estejam distantes da Área de Influência da UHE AIMORÉS, espera-se uma similaridade entre as floras.


Incluída no Domínio da Floresta Atlântica por vários autores, a região de estudo apresenta, como formação predominante, a floresta estacional semidecidual.
A inserção do empreendimento no domínio da Floresta Atlântica reforça a importância dos estudos acerca da flora local.
A despeito de sua importância, a floresta atlântica ainda é muito pouco conhecida, sob o ponto de vista florístico. De acordo com LEITÃO FILHO (1993), existem divergências entre os estudiosos quanto à conceituação do que é efetivamente a floresta atlântica e quais os seus limites reais. Segundo este autor, “o problema é efetivamente conceitual, pois ao longo do domínio atlântico ocorrem vários tipos de florestas. Deste modo, em termos florísticos, o chamado domínio atlântico abriga floras diversas, quanto à sua composição e origem, mas em termos fisionômicos ocorreu uma certa continuidade de cobertura, hoje descaracterizada em função da pesada perturbação antrópica.”

2. OBJETIVOS


Em linhas gerais, os objetivos deste estudo foram:


  • definir as fitofisionomias presentes nas Áreas de Influência, de Entorno e Diretamente Afetada da UHE AIMORÉS;




  • estabelecer a composição florística destas fisionomias vegetais ocorrentes;




  • estabelecer a estrutura fitossociológica do estrato arbóreo de remanescentes de floresta estacional semidecidual e de floresta estacional decidual, produzindo informações relativas à densidade das espécies, frequência, índice de valor de importância, riqueza e diversidade;




  • subsidiar o mapeamento das classes de cobertura vegetal presentes na área;




  • identificar e avaliar os impactos sobre a flora, decorrentes da implantação da UHE AIMORÉS;




  • propor medidas mitigadoras e ou compensatórias que façam frente aos impactos previstos.

3. ÁREAS DE ESTUDO


Os limites das áreas de estudo, aqui apresentados, foram aqueles adotados para os meios biótico e físico.
As áreas de amostragem foram estabelecidas por cada tema, sendo que algumas delas são comuns a um ou mais temas.
Os limites das Áreas de Influência, de Entorno e Diretamente Afetada, bem como os locais de coleta e o percurso utilizados no estudo de flora, são mostrados na Figura 1 (Anexo 2).

3.1 ÁREA DE INFLUÊNCIA (AI)

Na margem esquerda do rio Doce, é delimitada a leste pela divisa dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo (divisor de águas) e acompanha os limites hidrográficos das bacias do ribeirão Resplendor/Bananal e do córrego Vala Grande, até o eixo planejado da UHE RESPLENDOR, a montante da cidade de mesmo nome. O limite da margem direita do rio Doce tem origem no eixo planejado da UHE RESPLENDOR, acompanha o limite dos municípios de Itueta e Santa Rita do Itueto (divisor de águas) até o eixo planejado da UHE TRAVESSÃO, no rio Manhuaçu. Na margem direita do rio Manhuaçu, limita-se a oeste por parte do divisor da margem esquerda do rio Capim, cortando este rio a jusante do distrito de Conceição do Capim, até a elevação 690 m, na divisa dos estados de Minas Gerais/Espírito Santo, seguindo este limite até o rio Doce.

Nesta área foram realizadas coletas aleatórias e observações acerca das fitofisionomias presentes.

3.2 ÁREA DE ENTORNO (AE)
A Área de Entorno está representada pela faixa de 100 metros ao longo do reservatório, considerada como de preservação permanente pelo Código Florestal.
Nesta área, foram realizadas coletas aleatórias e selecionado o remanescente de floresta semidecidual, denominado de “Mata dos Alemães”, no qual foi realizada a amostragem fitossociológica.

3.3 ÁREA DIRETAMENTE AFETADA (ADA)


Corresponde às áreas rurais e urbanas a serem inundadas, somadas àquelas a serem utilizadas pelas obras (canal de adução, canteiro, áreas de empréstimo e bota-fora, diques, barragem da tomada d’água, casa de força) e ao trecho do leito do rio Doce compreendido entre o barramento e o local de restituição do curso d’água principal.
Além destas áreas, considerou-se, também, o trecho de 20 km de ferrovia a ser relocado. O remanescente de floresta decidual, amostrado quantitativamente, está situado nesta área, devendo ser cortado longitudinalmente.
Na Área Diretamente Afetada foram realizadas, também, observações e coletas aleatórias.

4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS


Os estudos compreenderam um levantamento qualitativo, para definição das fitofisionomias e composição florística geral, e um levantamento quantitativo (avaliação da estrutura fitossociológica), realizado em remanescentes representativos da Floresta Estacional Semidecidual e da Floresta Estacional Decidual, que são as principais formações ocorrentes na área.

4.1 DEFINIÇÃO DAS FITOFISIONOMIAS E LEVANTAMENTO FLORÍSTICO


As fitofisionomias foram estabelecidas, inicialmente, com base na bibliografia existente. As informações obtidas foram checadas em campo, durante as duas primeiras campanhas.

Neste estudo, restringiu-se a amostragem às espécies de angiospermas monocotiledôneas e dicotiledôneas (flora fanerogâmica).


A composição florística das formações vegetais foi estabelecida através de coletas aleatórias realizadas periodicamente, envolvendo os estratos herbáceo, arbustivo e arbóreo.
Para as formações avaliadas quantitativamente (Floresta Estacional Semidecidual e Floresta Estacional Decidual), as coletas de material estéril realizadas nas parcelas complementaram a relação de espécies arbóreas.
O material fértil coletado foi prensado e desidratado com auxílio de estufa de lâmpadas, sendo montado em cartolina e doado ao Herbário BHCB, do Departamento de Botânica do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais.
A identificação taxonômica das espécies foi feita com o auxílio de bibliografia específica disponível e através de comparação com exsicatas depositadas no Herbário BHCB, da UFMG.
As datas das campanhas de campo e as atividades desenvolvidas são apresentadas a seguir.

QUADRO 1
PERÍODO DAS CAMPANHAS DE CAMPO




Mês

Período

Atividades

Janeiro

27 a 31

Reconhecimento da área; realização de coletas aleatórias


Março


23 a 29

Definição das fitofisionomias, escolha das áreas para

amostragem quantitativa e realização de coletas

aleatórias

Julho

06 a 12

Pontos 1 a 120 da floresta semidecidual e coletas aleatórias

Outubro

24 a 31

Pontos 120 a 150 da floresta semidecidual, pontos 1 a 60

da floresta decidual e coletas aleatórias

Utilizou-se o sistema de organização da coleção adotado pelo Herbário BHCB, que baseia-se no Catálogo de Famílias e Gêneros de Espermatófitas Reconhecidos pelo Serviço de Pesquisa em Agricultura dos Estados Unidos (United States Department of Agriculture, 1992).


As espécies foram listadas em ordem alfabética de famílias e gêneros, sendo citados o nome popular, hábito, habitat, além de terem sido assinaladas as espécies coletadas em estágio fértil (flor ou fruto) e que serão doadas ao Herbário BHCB.

4.2 ANÁLISE FITOSSOCIOLÓGICA


A escolha das áreas e das fisionomias a serem amostradas foi feita após as duas primeiras campanhas de campo.
As principais fisionomias identificadas foram a floresta semidecidual e a floresta decidual. A floresta ciliar, devido à ausência de remanescentes no trecho de estudo, não foi amostrada quantitativamente.
Na seleção dos remanescentes de floresta semidecidual e decidual, levou-se em consideração a extensão, o estado de conservação dos mesmos e sua representatividade.
Na definição da estrutura do estrato arbóreo das comunidades dos remanescentes de floresta decidual e floresta semidecidual, foi utilizado o método de quadrantes.
Foram lançados 150 pontos para a floresta semidecidual e 60 pontos para a floresta decidual.
Todos os indivíduos com CAP (circunferência à altura do peito) maior ou igual a 10 cm foram amostrados, sendo tomados os dados de CAP, altura total e do fuste.
Para a identificação taxonômica dos indivíduos amostrados, coletou-se uma amostra de material, fértil ou vegetativo, que foi etiquetada com o respectivo número, sendo prensada e desidratada em estufa de lâmpadas.
Para todas as áreas estudadas, foram incluídas na amostragem as árvores mortas, agrupadas em um único grupo, indiferentemente da espécie a que pertenciam, denominado “Indivíduos Mortos”.

A altura total dos indivíduos amostrados foi obtida com o auxílio de um cano de alumínio, de 5 ou 10 metros de comprimento.


As medidas de circunferência foram obtidas com fita métrica comum. No caso de indivíduos com fuste múltiplo, para efeito da elaboração dos gráficos de distribuição das circunferências, utilizou-se a circunferência de cada um dos fustes.
Todos os dados coletados foram lançados em planilha de campo, com identificação numérica por indivíduo, para posterior processamento das informações.
No tratamento dos dados, foi utilizado o Programa Fitopac 1, de autoria de George J. Shepherd, da Universidade Estadual de Campinas.

Foram calculados, para cada espécie amostrada, os parâmetros fitossociológicos de densidade, dominância e frequência relativas, o índice de valor de importância (IVI), e o índice de diversidade de Shannon-Weaner (H’), de acordo com MARTINS (1991) e MATTEUCCI & COLMA (1982).


Para o cálculo da dominância, utilizou-se os valores referentes à área basal, calculados a partir das medidas de circunferência.

5. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL

5.1 ENQUADRAMENTO FITOGEOGRÁFICO
De acordo com a classificação fitogeográfica proposta por FERNANDES et al. (1990), a Área de Influência da UHE AIMORÉS está inserida dentro do Setor da Cordilheira Marítima da Província Atlântica.
Segundo o Projeto RADAMBRASIL (IBGE,1987), a área está inserida na Região Fitoecológica da Floresta Estacional Semidecidual.
5.2 FITOFISIONOMIAS
5.2.1 Descrição
A cobertura vegetal é caracterizada pela ocorrência da floresta estacional semidecidual, floresta estacional decidual, floresta ciliar, capoeiras, savana arborizada, comunidades aquáticas, campos hidromórficos e comunidades dos afloramentos rochosos. Estas fisionomias são caracterizadas a seguir.


  • Floresta estacional semidecidual (mata mesófila, floresta tropical subcaducifólia)

Segundo o conceito de VELOSO et al. (1982), esta fisionomia está relacionada ao clima com duas estações, uma chuvosa e outra seca, que condicionam uma caducifolia dos elementos arbóreos dominantes durante o período de estiagem. Considerando o conjunto florestal, a percentagem de árvores caducifólias está situada entre 20 e 50 %.


Esta formação era predominante, recobrindo encostas e topo de morros. Na década de 40, foi alvo de exploração intensiva, tendo sido reduzida drasticamente, cedendo lugar às pastagens de colonião. Os poucos remanescentes que restaram apresentam-se extremamente degradados, em fase inicial e intermediária de sucessão (capoeirinha e capoeira), quase sempre ocupando o terço superior e topo das elevações.
As manchas mais expressivas observadas na AE são a “Mata dos Alemães” e a “Mata do Varejão”, ambas na margem esquerda do rio Doce.
Em função do gradiente altitudinal, que gera diferenciações nos solos e umidade, observa-se uma gradação na floresta semidecidual, observando diferenças na estrutura e composição florística. As florestas das baixas altitudes apresentam árvores de porte e tronco mais desenvolvidos e, aparentemente, maior riqueza. A umidade é maior e o solo apresenta uma camada de serrapilheira mais desenvolvida.
Entre as espécies amostradas nesta fisionomia, citam-se Aspidosperma polyneuron (peroba rosa), Cedrella fissilis (cedro), Tabebuia serratifolia (ipê amarelo), Cupania hispida, Cariniana legalis (jequitibá), Eugenia florida (pitanga do mato), Peschieria fuchsaefolia, Apuleia leiocarpa (garapa), Machaerium stipitatum (jacarandá), Trichilia cf. elegans, Zanthoxylum riedellianum (mama de porca), Guazuma ulmifolia (mutamba), Pterygota brasiliensis (farinha seca), Gallezia integrifolia (pau d’alho), Ramisia brasiliensis (maria pobre), Pereskia sp. (aleja homem), Alseis floribunda (vareteira), Lecythis lurida (sapucaiú), Lecythis pisonis (sapucaia), Pterocarpus rohrii (pau sangue), Inga cf. flagelliformis, Sparatosperma leucanthum (peroba branca), Anadenanthera peregrina (angico prego), Neoraputia alba (arapoca), Sorocea sp. (folha de serra), Spondias lutea (cajá), Jatropha sp. (cansanção), Joannesia principes (boleira), Talisia esculenta (pitomba) e Carpotroche brasiliensis (sapucainha).
As florestas das altitudes mais elevadas, como na Serra do Cascalho, apresentam árvores de porte mais baixo e fustes mais finos. O solo possui uma camada de serrapilheira pouco desenvolvida e, em função da menor umidade, pouco decomposta.
Entre as espécies observadas nesse ambiente, tem-se Mabea fistulifera (canudo de pito), Emmotum nitens, Byrsonima sericea (murici), Vismia sp. e Pera parvifolia.


  • Floresta estacional decidual (mata seca, floresta tropical caducifólia)

É caracterizada por duas estações climáticas bem demarcadas, uma chuvosa seguida de longo período biologicamente seco. Apresenta o estrato dominante predominantemente caducifólio, com mais de 50% dos indivíduos despidos de folhagem no período seco.


A floresta decidual ocorre sobre solos litólicos, aparecendo em vários pontos da Área de Influência na forma de manchas de tamanho variável, sendo a mais expressiva a que ocorre entre Itueta e Aimorés, junto à Estrada de Ferro Vitória a Minas.
Entre as espécies mais comumente observadas, tem-se Myracrodruon urundeuva (aroeira), Anadenanthera peregrina (angico), Jatropha sp. (cansanção), Alseis floribunda (vareteira), Peltophorum dubium (angico d’água), Spondias lutea (cajá), Amburana cearensis (cerejeira) e Lonchocarpus guilleminianus (pau balaio).


  • Floresta ciliar (floresta galeria, floresta ripária)

Dentro da classificação proposta por VELOSO et al. (1982), esta formação somente é citada em associação ao domínio das savanas, ocorrendo, por exemplo, savana gramíneo-lenhosa com floresta galeria.


No presente estudo, considerou-se esta fitofisionomia como uma fisionomia distinta, que se diferencia das demais formações florestais por sua composição florística, posição topográfica e por sua menor caducifolia.
De acordo com RODRIGUES (1989), esta formação é facilmente caracterizada em áreas de campo ou cerrado, onde se observa uma mudança drástica da fisionomia. Em áreas onde há o predomínio de formações florestais, não ocorre a distinção fisionômica entre as formações florestais ao longo dos cursos d’água e as adjacentes, sendo possível a identificação da floresta ciliar apenas floristicamente.
Via de regra, as formações associadas a cursos d’água são mapeadas como floresta ciliar. Contudo, cabe ressaltar que, em um sentido restrito, a ocorrência de espécies típicas de florestas ciliares está condicionada a algumas características abióticas, como umidade elevada, alta frequência de alagamentos, baixa profundidade do lençol freático e alta concentração de matéria orgânica.
Conforme mencionado por RODRIGUES (1989), algumas áreas, mesmo ocupando trechos marginais aos cursos d’água, não apresentam as características abióticas, que determinam a ocorrência de espécies típicas de floresta ciliar, observando-se a presença de espécies típicas de florestas semideciduais. Desta forma, as formações ciliares podem constituir-se de um mosaico composto por manchas de formação florestal ripária propriamente dita e a formação adjacente.
Na área, esta fisionomia ocorre ao longo do rio Doce, numa faixa de largura variável (10 a 200 metros), sendo mais estreita na margem direita.

Esta formação foi completamente extinta ao longo do rio Doce, no trecho de estudo. Restaram apenas pequenos agrupamentos de árvores, extremamente alterados e isolados. Indivíduos remanescentes isolados também são observados junto às margens. A mesma condição é observada para os afluentes.


Como elementos ocorrentes nesta fisionomia, citam-se Inga edulis (ingá), Ficus cf. obtusiuscula (gameleira), Croton urucurana (sangra d’água), Genipa americana (jenipapo), Peltophorum dubium (angico d’água), Platymiscium floribundum, Platymyscium pubescens, Ficus gomeleira (gameleira preta), Lecythis pisonis (sapucaia) e Parapiptadenia pterosperma (angico rosa).


  • Capoeiras (vegetação secundária)

Os termos capoeirinha, capoeira e capoeirão representam estágios diversos de sucessão secundária de fisionomias florestais, podendo ser definidos para a floresta semidecidual, decidual ou ciliar. Embora não constituam fisionomias vegetais, são aqui descritos no intuito de caracterizar os estágios de desenvolvimento dos remanescentes observados na área.


De acordo com VELOSO et al. (1992), a vegetação secundária surge com o abandono da terra após o uso pela agricultura, pela pecuária e pelo reflorestamento e/ou florestamento de áreas campestres naturais. Após o abandono da terra, instala-se um processo de sucessão natural, envolvendo fases distintas, a saber:


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