Área do conhecimento: História do Brasil Palavras-chave: livro didático, ensino, história afro-brasileira



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Rio Grande/RS, Brasil, 23 a 25 de outubro de 2013.


OS MANUAIS DIDÁTICOS DO 7º ANO: UMA BREVE REFLEXÃO SOBRE O ENSINO DA HISTÓRIA AFRO-BRASILEIRA

MARTINS, Michele Borges

MATOS, Júlia Silveira

michele_hist@yahoo.com.br
Evento: Encontro de Pós-Graduação

Área do conhecimento: História do Brasil

Palavras-chave: livro didático, ensino, história afro-brasileira
1 INTRODUÇÃO

Pensar o Livro didático enquanto uma fonte passível de análise histórica é uma idéia recente. A possibilidade de utilização desses manuais nas pesquisas surge com a ampliação das fronteiras temáticas e metodológicas da História. Ronaldo Vainfas, em sua obra “Os protagonistas anônimos da História: Micro-História”, evidencia que os integrantes do movimento dos Annales se opunham ao que chamaram de historia historicizante. A preocupação em analisar novos objetos resultou na ampliação no quadro de fontes que eram utilizadas pelos historiadores. No entanto, somente nas últimas décadas é que os manuais pedagógicos passaram a ser utilizados como fontes de pesquisas, as quais não só se multiplicaram como também se estenderam ao mercado editorial, as formas de impressão, a organização dos conteúdos, etc.

Nossa análise, então, objetiva verificar como os livros didáticos do 7º ano apresentam os conteúdos que envolvem a negritude no Brasil – mais especificamente os dois manuais de maior aquisição no ano de 2012: Projeto Araribá (Editora Moderna LTDA) e Projeto Radix (Editora Scipione S/A). Estudos sobre temas como a escravidão e colonização do país, por exemplo, são essenciais para percebermos como o momento em que houve a intensificação da diversidade cultural brasileira é trabalhado didaticamente. Nossas explanações foram orientadas pelos seguintes questionamentos: Quais temas centrais englobam a presença do negro nos conteúdos do 7º ano? Como esses conteúdos são apresentados? Que reflexões propõem? Os exercícios presentes proporcionam uma reflexão sobre as realidades dos alunos?
2 MATERIAIS E MÉTODOS (ou PROCEDIMENTO METODOLÓGICO)

O que especificamente aplicamos foi uma análise temática de conteúdo a qual “... consiste em descobrir os <> que compõem a comunicação e cuja presença, ou frequência de aparição podem significar alguma coisa para o objetivo analítico escolhido” (BARDIN, 1977: 105). Essa forma de tratamento dos dados possibilita o desdobramento do texto em unidades de referencia e unidades de contexto, as quais serão agrupadas em categorias de análise que permitiram a construção de um quadro que nos revelará como são apresentados os conteúdos sobre a história negra no Brasil presente em nossa fonte.



3 RESULTADOS e DISCUSSÃO
Nossa análise começa com o impresso pedagógico Projeto Araribá – história, mais especificamente na unidade sete - O império Ultramarino Português. Basicamente a reflexão sobre a escravidão é desenvolvida a partir de dois subtítulos: “A escravidão africana na América” e “As feitorias”, os quais se encontram nas páginas 192 e 193. Se formos considerar os temas que a unidade se propõem a trabalhar – colonização, administração da colônia e trafico de escravos, por exemplo – poderíamos inferir que a presença da idéia de escravidão é superficial, visto que a freqüência é de quase uma unidade referencial por página. No manual Projeto Radix também iremos analisar duas partes específicas, o módulo seis – o qual apresenta no seu interior os capítulos nomeados “O Estado absolutista europeu” e “O mercantilismo e a colonização da América” – e o módulo sete – que também apresenta os capítulos intitulados “A administração na América portuguesa” e “O açúcar e a América Portuguesa”. Esses capítulos mencionados ocupam 76 páginas do impresso pedagógico, nas quais foi possível observar que a idéia de escravidão foram mencionadas 76 vezes – freqüência que se refere tanto a escravidão africana como a indígena. Levando em consideração os números apresentados o leitor poderia interpretar como possibilidade a presença de uma menção a escravidão por página, no entanto, as unidades de referência se fazem mais presentes no segundo módulo analisado.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Foi possível observar que ambos os manuais analisados apresentam certa omissão no que se refere a uma discussão mais elaborada sobre as heranças culturais africanas. Cabe nos perguntar aqui o por quê? Como já mencionamos os livros didáticos se configuram como um instrumento pedagógico repleto de intencionalidades, as quais definiram, então, a ausência dessa discussão.



A não problematização das características culturais dos africanos escravizados no Brasil colabora para uma não reflexão das identidades culturais. A ausência de reflexões sobre as contribuições das diversas etnias africanas e também das etnias européias que vieram para colonizar o Brasil resultam não só em uma naturalização do preconceito como também não possibilita a reflexão sobre os movimentos sociais. É possível inferir, portanto, que mesmo após a lei 10.639/03 a qual decretou o ensino obrigatório de História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas de ensino público e privado os livros didáticos de maior circulação no país ainda apresentam omissões no que se refere a propostas de discussões sobre a cultura africana e seus desdobramentos na realidade atual.
REFERÊNCIAS
BITTENCOURT, Circe. Livros Didáticos Entre Textos e Imagens. In: O saber histórico na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2012.
CARVALHO, Andréa Aparecida de Moraes de C. As Imagens dos Negros em Livros Didáticos de História, 2006.
BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977.


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