Área do conhecimento: Literatura Brasileira Palavras-chave: Bufólicas, Riso, Hilda Hilst



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13ª Mostra da Produção Universitária

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Rio Grande/RS, Brasil, 14 a 17 de outubro de 2014.


O RISO EM BUFÓLICAS: O INCOMPOSSÍVEL SE FEZ ORDEM
NEY, Lilian da Silva (autor/es)

MOUSQUER, Antonio Carlos (orientador)

lilian@furg.br
Evento: Encontro de Pós-Graduação

Área do conhecimento: Literatura Brasileira
Palavras-chave: Bufólicas, Riso, Hilda Hilst.
1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho apresenta uma síntese da dissertação denominada O riso em Bufólicas: o incompossível se fez ordem, defendida no ano de 2014 junto ao Programa de Pós-Graduação em Letras: Mestrado em História da Literatura, da Universidade Federal do Rio Grande – FURG. A referida pesquisa teve como objeto de estudo e análise os sete poemas que compõem o livro Bufólicas, da poeta paulista Hilda Hilst.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
Para o estudo crítico foram utilizadas teorias sobre o riso, principalmente, aquelas advindas dos estudos de Mikhail Bakhtin sobre a carnavalização e, também, as formulações teóricas de Vladímir Propp acerca do riso em diferentes circunstâncias. Sobre a autora e sua obra, foram utilizados com maior intensidade os críticos literários Alcir Pécora, Cristiano Diniz, Elaine Cintra e Enivalda Souza.
3 MATERIAIS E MÉTODOS (ou PROCEDIMENTO METODOLÓGICO)
A metodologia utilizada consistiu na leitura crítica de textos teóricos sobre a teoria do riso e da carnavalização, e também a de estudiosos e de críticos de Hilda Hilst. Na análise dos poemas integrantes do corpus observou-se que as personagens marcadas pela obscenidade, pela tendência à caricatura e pelos tons de risibilidade rompem com os modelos que fazem parte do imaginário ocidental.
4 RESULTADOS e DISCUSSÃO
A pesquisa, defendida em 04 de junho de 2014, mostrou que, por intermédio do emblema dos contos de fadas, a escritora constrói sete poesias que narram a passagem da vida das personagens de cunho feérico. Observou-se que no conjunto de poemas surge uma visão de mundo peculiar suscitando um riso multifacetado, demiúrgico, criador, existencial e que visa zombar dos valores primordiais cultuados pela sociedade ocidental contemporânea.

O estudo estruturou-se em três planos: no primeiro, a poeta foi apresentada conjuntamente com a peculiaridade de sua obra, enfatizando-se os momentos mais representativos de sua escrita. A seguir, fez-se a análise das obras que tratam do riso. E por fim, adentrou-se no mundo de Bufólicas, investigando-se como a leitura paródica elaborada pela autora expulsa a linguagem do seu espaço celestial e instaura o caos, com suas múltiplas possibilidades de leitura nas tessituras cômico-sérias.

A pesquisa mostrou que a desconstrução paródica dá-se desde o título, um neologismo criado por Hilda Hilst que remete a dois substantivos diferentes, mas, relacionados à literatura. O primeiro, bucólicas, associa-se às canções pastoris e, o segundo, bufão, ao riso que acompanha a palavra, ou, dito de outra forma, ao desempenho de um bufão, de extração cômica popular. A epígrafe que anuncia o livro, também, apresenta um tom dessacralizante “Ridendo Castigat Mores” ou rindo se castigam os costumes. Tal formulação vem acompanhada da figura de um homem peludo e uma mulher portando uma coroa em posição copular. Para o crítico Alcir Pécora, essa figuração representa um exercício de estilo que parodia tanto os contos de fadas como as fábulas e suas alegorias morais.

A caracterização das personagens, tanto física quanto psicológica ou moral e também a social, apresenta discordâncias com as personagens dos contos que foram tomados de empréstimo: O reizinho gay que governa pelo falo; A rainha careca, que era casta, por que de passarinha é careca; Drida, a maga perversa e fria, que descreve suas maldades em um diário; O anão triste que tem, paradoxalmente, ora um falo enorme e no momento seguinte, “nenhum tico de pau”; Filó, a fadinha lésbica que a noite vira homem e no fim da história é raptada como uma donzela; A cantora gritante que tem sua morte pelo veículo (garganta) que sabia utilizar tão bem; e por fim, A Chapéu, sua avó e o Lobão, que desconstroem totalmente a história da menina “ingênua” que conhecemos. Dessa forma, Hilda Hilst vai destronando reis, rainhas, fadas e desconstruindo as histórias clássicas e delegando-lhes lugar privilegiado no imaginário popular, visto que a inocência dá lugar a bandalheira e ao obsceno acompanhado do riso.


5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Lançando mão de um discurso dialógico, o livro retrata toda a malícia, o humor e a sátira no confronto entre questões sublimes e as de valor insignificantes nos desmandos das personagens. Assim, a autora, ao colocar em um mesmo plano a cultura erudita e a popular, a alta literatura e a literatura popular, nega a estabilidade dos padrões estabelecidos. Bufólicas é uma obra excêntrica, pois tira a linguagem fabular do seu centro e a joga na espiral vertiginosa que caracteriza a obra, qual seja, a da paródia.
REFERÊNCIAS
BAKHTIN, Mikhail. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: O contexto de François Rabelais. São Paulo: HUCITEC; Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1993.

CINTRA, Elaine Cristina. SOUZA, Enivalda Nunes Freitas e Souza. Roteiro poético de Hilda Hilst. Uberlândia: EDUFU, 2009.

DINIZ, Cristiano. Fico besta quando me entendem: entrevistas com Hilda Hilst. São Paulo: Globo, 2013.

HILST, Hilda. Bufólicas. São Paulo: Globo, 2002.

PÉCORA, Alcir. Por que ler Hilda Hilst. São Paulo: Globo,2010

PROPP, Vladímir. Comicidade e riso. São Paulo: Ática, 1992.



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