Área: Melhoramento Animal Orientador: José Aurélio Garcia Bergmann Belo Horizonte Escola de Veterinária ufmg



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MARIA DULCINÉIA DA COSTA


FORMAÇÃO, ESTRUTURA GENÉTICA, ENDOGAMIA E LINHAGENS DO CAVALO MANGALARGA MARCHADOR.

Dissertação apresentada à Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito

parcial para a obtenção do grau de

Doutor em Ciência Animal

Área: Melhoramento Animal

Orientador: José Aurélio Garcia Bergmann

Belo Horizonte

Escola de Veterinária - UFMG

2002

    1. Contribuições Genéticas

Os resultados das análises das probabilidade de origem genética podem ser observadas na Tab. 27 e na Fig. 7 pode-se observar a contribuição acumulada dos 1000 primeiros fundadores.


Tabela 27: Resultados da análise de pedigree na população atual de Mangalarga Marchador


Parâmetros

Valores

População referência

10.542

Número total de fundadores (f)

5.334

Número efetivo de fundadores (fe)

80

Número efetivo de ancestrais (fa)

70

Número efetivo de genomas fundadores (Ng)

48,5

O número total de fundadores (f), isto é, aqueles que tiveram descendentes na população atual e que não tem pais conhecidos foi 5.334 animais. Do total de fundadores, apenas 36 animais (0,6%) explicam 50% do pool gênico da atual população enquanto 80% é explicado por 488 animais (9%). Laat (2001), na raça Campolina, encontrou menor número de animais fundadores (2.108), sendo o maior percentual de animais explicando o pool gênico da população atual (0,95%) e ainda, maior percentual (11,7%) de animais responsáveis por 80% da variação genética. Estes resultados sugerem maior perda de alelos na raça Mangalarga Marchador e, consequentemente, maior homozigose talvez pela maior utilização de menor número de garanhões com contribuição desbalanceada do número de filhos.



Figura 7. Contribuição acumulada dos fundadores na população atual
Os 100 animais com maiores contribuições acumuladas são responsáveis por aproximadamente 63% da variação genética da população atual (Fig. 8) sendo que 50% vem de apenas 36 animais. Ocorre que o intervalo médio entre gerações na raça Mangalarga Marchador é de 8,4 anos, o que significa que alguns garanhões permanecem muito tempo no rebanho, com maior probabilidade de deixar mais filhos, fazendo com que poucos garanhões contribuam de forma decisiva na população atual.
No trabalho de Moureaux (1996) com raças na França, os autores encontraram que 80% da contribuição genética no Árabe foi de 21% dos animais fundadores e no cavalo de Trote Francês as contribuições foram mais desbalanceadas com 1% dos fundadores explicando 50% do pool gênico atual, enquanto o PSI teve as contribuições dos fundadores mais equilibradas.
Dos 70 ancestrais (Tab. 29), 18 animais responderam por 40% da variação para a população atual, percentual mais elevado do que o encontrado por Laat (2001) na raça Campolina.
Ainda, na Tab. 29, observa-se que o número efetivo de fundadores (fe) foi 80, o que indica contribuição esperada diferenciada entre os fundadores (Fig. 9). De acordo com Boichard et al. (1997), quando cada fundador tem a mesma contribuição esperada (1/f), o número efetivo de fundadores é igual ao número atual de fundadores, e quanto mais balanceada a contribuição entre os fundadores maior o número efetivo de fundadores. O número médio de filhos por garanhão foi de 26,2 com máximo de 1.322 e as matrizes tiveram, em média 3,8 e máximo de 22 filhos (Tab. 16), sendo que 30,8% dos garanhões têm até 5 filhos e, apenas 1,1 tiveram acima de 200 progênies. Portanto,houve diferença no tamanho das famílias do Mangalarga Marchador. De acordo com Lacy (1989), uma população descendente com representação desigual de fundadores conterá menor variabilidade genética do que a população conteria com o mesmo número de fundadores mas em que os fundadores tivessem contribuições iguais para futuras gerações.

Figura 8. Contribuição acumulada dos 100 fundadores de maior contribuição genética na população atual de Mangalarga Marchador.
Moureaux et al (1996) encontraram tamanho efetivo de fundadores semelhante ao deste trabalho para cavalo de Trote Francês (70 animais) devido as contribuições muito desbalanceadas, enquanto que para o de Sela Francês o tamanho efetivo dos fundadores foi o mais elevado o que, segundo os autores, foi devido ao número total elevado dos fundadores mesmo que as suas contribuições tenham sido desbalanceadas enquanto as raças Árabe e PSI o número efetivo de fundadores foi semelhante, apesar do menor número total de fundadores, no Árabe.
Na raça Campolina, Laat (2001) encontrou número efetivo de fundadores de 39,6 e número de ancestrais de 40,4. Estes valores são bastante inferiores aos encontrados neste trabalho, 80,0 e 70,0, respectivamente. Tal diferença pode ser explicada pelo maior número de animais fundadores na raça Mangalarga Marchador além do maior desbalanceamento entre tamanho de tamanho de família. Segundo Procópio (2000), na raça Campolina, o número médio de filhos por garanhão foi de 22,2 com máximo de 531 e para fêmeas estes valores foram 3,1 e 20 filhos, respectivamente, o que difere acentuadamente dos valores encontrados já citados anteriormente, na raça Mangalarga Marchador.
A Tab. 28 apresenta a evolução do tamanho da população referência, o número de fundadores (f), o número efetivo de fundadores (fe), o número de ancestrais (fa) e o número de genomas fundadaores (Ng) da raça Mangalarga Marchador, de acordo com os períodos analisados.
Tabela 28. Evolução da população referência, número de fundadores (f), número efetivo de fundadores (fe), número de ancestrais (fa) e número de genomas fundadores (Ng) dos animais da raça Mangalarga Marchador, de acordo com os períodos analisados.


Períodos

População

Referência



f

fe

fa

Ng

1952 – 1953

25

31

13,41

13,44

10,56

1954 – 1955

9

13

9,50

9,53

6,30

1956 – 1957

28

33

16,20

16,21

12,24

1958 – 1959

36

42

18,20

18,13

14,34

1960 – 1961

28

42

28,50

28,25

17,85

1962 – 1963

70

86

44,10

43,62

28,06

1964 – 1965

115

131

58,00

57,42

42,88

1966 – 1967

215

256

103,00

104,09

76,95

1968 – 1969

379

422

166,80

157,31

116,88

1970 – 1971

541

575

201,90

190,32

141,14

1972 – 1973

649

706

248,90

232,37

160,28

1974 – 1975

1.140

1.157

294,80

266,23

179,79

1976 – 1977

1.834

1.793

359,90

341,62

235,52

1978 – 1979

3.425

3.102

399,80

373,34

262,08

1980 – 1981

5.531

4.923

477,40

468,87

319,16

1982 – 1983

7.173

6.146

438,60

430,03

294,48

1984 – 1985

9.859

7.826

347,70

340,80

230,58

1986 – 1987

13.102

9.215

279,40

265,57

184,40

1988 – 1989

15.119

9.344

199,80

189,28

132,68

1990 – 1991

17.219

9.411

154,30

148,26

103,89

1992 – 1993

16.650

8.586

114,50

111,15

76,88

1994 – 1995

15.432

7.525

98,30

92,44

64,55

1996 – 1997

12.368

6.227

85,90

76,95

54,99

1998 – 1999

10.542

5.334

80,00

70,00

48,55

Observou-se que a população referência aumentou com o passar dos períodos, tendo ocorrido aumento de 32,9%do período 1984 -1985 para o período 1986-1987 e atingiu máximo no período de 1990-1991. Considerando, neste mesmo período, o número de fundadores, número efetivo de fundadores, número de ancestrais e número de genomas fundadores, observou-se que enquanto a população referência e f aumentaram (17,75%) outros diminuíram 19,65%, 22,08 e 20,03 para fe, fa e Ng, respectivamente. Conclui-se que, apesar da população referência e do número de fundadores terem aumentado, os genes presentes na mesma não estão sendo igualmente passados para as gerações subseqüentes, isto é, está ocorrendo perda aleatória de genótipos de uma geração para outra. Da mesma forma, verifica-se que, do período de 1991-1992 até a população atual, em que houve decréscimo da população referência de 38,78%, observou diminuição maior para f (43,32%), fe (48,16%), fa (52,74%) e Ng (53,27%) indicando maior perda de alelos fundadores para na população atual. Nas Fig. 9 e 10 visualiza-se estas perdas com maior evidência.



Figura 9. Número efetivo de ancestrais e de genomas fundadores de acordo com os períodos.
Segundo Boichard et al (1997) o Ne, em populações com estrutura constante, é esperado manter o mesmo ao longo das gerações, enquanto fe, fa e Ng espera-se diminuir com o passar do tempo, face a deriva genética. O número efetivo de genomas fundadores quantifica os genes fundadores que estão sendo mantidos na população para um determinado locus e quão balanceados são suas freqüências. Explica todas as causas de perda genética durante a segregação e, consequentemente, fornece menor número do que fa e fe.

Figura 10. Número efetivo de ancestrais e de genomas fundadores de acordo com os períodos.


A Tab. 29 apresenta os 100 principais fundadores com sua contribuição genética para a população atual de Mangalarga Marchador. Destes, animais 46% são machos e 54% são fêmeas. Dos machos 78% tiveram pais desconhecidos e apenas 22% tiveram pai e mãe conhecidos.
De acordo com a literatura sobre a história da raça Mangalarga Marchador a formação da raça se deu sobre os ‘pilares’ de sustentação originários das Fazendas antigas com os seus respectivos garanhões importantes. Dos garanhões citados apenas 3 ou 4 estão contribuindo para a população atual (Seta Caxias, Tabatinga Cossaco e Herdade Bismarck). Na literatura consultada raramente faz-se menção às matrizes. Quando se trata do garanhão mais citado (Herdade Capricho), com maior número de filhos na raça (1.322) o mesmo está representado através da sua avó (Herdade Alteza), com a segunda maior contribuição para a população atual, e do seu avô (Seta Caxias) que é o quinto no ranking.
Tabela 29: Cem (100) principais fundadores, ano de nascimento sexo, número de descendentes (N) e contribuições para a população atual da raça Mangalarga Marchador


Animal

Ano

Sexo

N

P

  1. Providência Itu

1961

M

82

.0589

  1. Herdade Alteza

1950

F

13

.0545

  1. Tabatinga Predileto




M

74

.0446

  1. Abaíba Marengo

1964

M

208

.0349

  1. Seta Caxias




M

5

.0285

  1. Tabatinga Cossaco

1966

M

60

.0274

  1. Angaí Miron




M

203

.0218

  1. Abaíba Gim

1979

M

372

.0170

  1. Abaíba Três Pontas

1952

M

10

.0140

  1. Providência Prenda




F

7

.0134

  1. Malibu Da Santa Terezinha

1982

M

789

.0127

  1. Tabatinga Fanfarra




F

18

.0119

  1. Herdade Ouro Preto




M

12

.0110

  1. Abaíba Jurema

1962

F

18

.0107

  1. Herdade Tiroleza

1951

F

6

.0106

  1. Santana Nababo

1976

M

503

.0101

  1. Sama Danúbio

1964

M

239

.0095

  1. Sama Perseu

1975

M

226

.0091

  1. Herdade Música




F

17

.0089

  1. Angaí Twist




M

26

.0087

  1. Paulista De Santa Lúcia

1966

M

260

.0085

  1. Abaíba Canária

1956

F

10

.0080

  1. Revista Bela Cruz




F

5

.0069

  1. Tabatinga Alhambra




F

16

.0062

  1. Charlatão J.G.

1968

M

377

.0057

  1. Patrimônio De Santa Lúcia




M

198

.0055

  1. Carvão L.J.

1980

M

216

.0053

  1. Farofinha Bela Cruz




F

2

.0052

  1. Abaíba Talismã

1952

F

10

.0051

  1. Abaíba Retrato

1952

M

22

.0050

  1. Providência Mara

1964

F

7

.0044

  1. Abaíba Valsa

1953

F

9

.0040

  1. Farofa Bela Cruz




F

2

.0039

  1. Tabatinga Paineiras




F

6

.0039

  1. São Mateus Colombina

1956

F

7

.0039

  1. Fantoche Da Primavera




M

146

.0038

  1. Herdade Teatro




M

212

.0038

  1. Abaíba Naipe

1948

M

20

.0036

  1. Angahy Primeiro

1949

F

26

.0036

  1. Trevo Da Gironda




M

149

.0034

  1. Catuní Japão

1973

M

189

.0033

  1. Angaí Espanha




F

8

.0032

  1. Favacho Quociente

1980

M

142

.0030

  1. Herdade Bismark

1944

M

7

.0029

  1. Tabatinga Marília




F

11

.0029

  1. Santana Lume

1963

M

16

.0029

  1. Ouro Preto Do Porto




M

51

.0029

  1. São Mateus Moema

1957

F

3

.0028

  1. Passa Tempo

1945

M

47

.0025

  1. Futurista Do Porto




F

11

.0024

  1. Santo Antônio Angay




M

15

.0023

  1. Bela Vista De Santa Lúcia




F

8

.0022

  1. Campo Grande Jaguara




F

11

.0022

  1. Barreirinho Gim

1949

M

128

.0021

  1. Abaíba Eldorado




M

19

.0020

  1. Haity Caxambuense

1989

M

126

.0020

  1. Bugre Do Rancho Do Sol

1976

M

237

.0020

  1. Indaia Da Porteira De Tábua

1981

F

11

.0019

  1. Balada A.J.

1977

F

11

.0018

  1. Escrava Do Rancho Alto




F

15

.0018

  1. Ícaro De Itajoana

1988

M

180

.0018

  1. Samantha Da Preguiça




F

1

.0017

  1. Sama Corsário

1963

M

4

.0017

  1. Itália Das Garças

1965

F

16

.0017

  1. Providência Helenice




F

3

.0016

  1. Herdade Soberana




F

4

.0016

  1. Tabatinga Leopoldina




F

8

.0016

  1. Nobreza A.C.




F

11

.0016

  1. Perereca Do Aeroporto




F

12

.0016

  1. Segundo Rio Verde Passa Tempo

1955

M

121

.0016

  1. Favacho R.B.




M

126

.0016

  1. Abaíba Negrita

1948

F

5

.0015

  1. Cruzília Do Porto Azul




F

6

.0015

  1. Ara Carina




F

8

.0015

  1. Sama Moema II




F

10

.0015

  1. Simone Do Tinguá




F

19

.0015

  1. Zape De Passa Tempo

1960

M

42

.0015

  1. Caxias II




M

55

.0015

  1. Etíope De Alcobaça

1974

F

144

.0015

  1. Barbante Do Valão

1970

M

174

.0015

  1. Abaíba Faceira




F

4

.0014

  1. Abaíba Lenda

1946

F

4

.0014

  1. Tabatinga Cabrocha




F

7

.0014

  1. Mar Cristalina




F

10

.0014

  1. Providência Tiroleza




F

18

.0014

  1. Simpatia Bela Cruz




F

1

.0013

  1. Tabatinga Castanhola




F

1

.0013

  1. Angaí Européia




F

2

.0013

  1. Ara Bela Vista




F

3

.0013

  1. Traituba Jóia




F

6

.0013

  1. Harmonia Do Rebanho




F

8

.0013

  1. Herdade Rancheira




F

8

.0013

  1. Índia Do Capitólio




F

12

.0013

  1. Esponja Bela Cruz




F

14

.0013

  1. Angaí Calçada




F

16

.0013

  1. Marel Pitanga

1985

F

230

.0013

  1. Bingo de Macacu




M

343

.0013

  1. Jóia (Campo Grande)

1947

F

9

.0012

  1. Providência Alvorada

1953

F

12

.0012

  1. Pedra Estanho




M

70

.0012


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