RecuperaçÃo semestral (1º semestre – 2011) Literatura landim



Baixar 129.32 Kb.
Encontro03.08.2016
Tamanho129.32 Kb.



RECUPERAÇÃO SEMESTRAL (1º SEMESTRE – 2011)

Literatura - LANDIM
2ª Série do Ensino Médio



Roteiro




Conteúdo Programático

Retomar toda a problemática que envolve a distinção entre um TEXTO LITERÁRIO e NÃO LITERÁRIO, juntamente com as FUNÇÕES DA LITERATURA (catarse, mímeses, “arte pela arte”, evasão, engajamento), vistas no primeiro colegial. Ainda lembrar-se da TEORIA DOS GÊNEROS LITERÁRIOS.

Conseguir compreende de maneira clara as produções literárias do ROMANTISMO BRASILEIRO (1836-1881), tanto produções em verso (Primeira Geração Romântica, Segunda Geração Romântica e Terceira Geração Romântica) como em prosa (Romance Urbano, Indianista e Regionalista), levando em consideração as suas origens, além de respeitar os seguintes pontos sobre essa estética literária:


  • Reconhecer as especificidades de cada período literário.

  • Examinar, através da análise textual, aspectos particulares de cada autor em relação aos períodos em que se insere.

  • Estabelecer relações comparativas entre os períodos literários.

  • Relacionar as obras literárias com o contexto histórico-social em que se desenvolveram.



Além de toda a parte teórica acima, compreender as obras: O Demônio Familiar, de José de Alencar, e Navio Negreiro e Outros Poemas, de Castro Alves analisadas em sala de aula.


LISTA DE EXERCÍCIOS



01 Castro Alves em seu mais conhecido poema, “O navio negreiro”, diz:
Presa nos elos de uma só cadeia,

A multidão faminta cambaleia,

E chora e dança ali!

Um de raiva delira, outro enlouquece,

Outro, que martírios embrutece,

Cantando, geme e ri!

(Alves, 2007, p. 17)
Explique uma possível leitura (metáfora) associada à “cadeia” referida no trecho acima.

02 As partes abaixo foram extraídas do poema “O navio negreiro”, do baiano Castro Alves, explique a importância dos termos destacados para a construção do projeto literário do autor em sua luta contra a escravidão:


Negras mulheres, suspendendo às tetas

Magras crianças, cujas bocas pretas

Rega o sangue das mães:

Outras moças, mas nuas e espantadas,

No turbilhão de espectros arrastadas,

Em ânsia e mágoa vãs!
E ri-se a orquestra irônica, estridente...

E da ronda fantástica a serpente

Faz doidas espirais ...

Se o velho arqueja, se no chão resvala,

Ouvem-se gritos... o chicote estala.

E voam mais e mais...

(Castro Alves)

03 Em certo momento da peça O demônio familiar, do romântico José de Alencar, D. Maria e Carlotinha disputam um mesmo espaço (o jardim), desta maneira, explore a simbologia desse lugar.

04 Leia o texto seguinte e faça o que é pedido:
HENRIQUETA - Daqui vê-se a minha casa; olha!

CARLOTINHA - Pois agora é que sabes? Nunca viste mano Eduardo nesta janela?

HENRIQUETA - Não; nunca.

CARLOTINHA - Fala a verdade, Henriqueta!

HENRIQUETA - Já te disse que não: se vi, não me lembra. Há tanto tempo que esta janela não se abre!

CARLOTINHA - Bravo! Depois não digas que são lembranças minhas.

HENRIQUETA - O que? O que disse eu?

CARLOTINHA - Nada; traíste o teu segredo, minha amiguinha. Se tu sabes que esta janela não se abre, é porque todos os dias olhas para ela.

HENRIQUETA - Pois não...

(ALENCAR, José de. O Demônio Familiar. Campinas, São Paulo: Pontes, 2003, p. 8)

A janela, símbolo muito usada nesse drama de Alencar, aberta representaria o que para esse livro? Disserte.

05 Avalie cuidadosamente o poema abaixo para em seguida fazer o que se pede:


Amor e medo
I

Quanto eu te fujo e me desvio cauto1

Da luz de fogo que te cerca, ó bela,

Contigo dizes, suspirando amores:

" - Meu Deus, que gelo, que frieza aquela! "
Como te enganas! meu amor é chama,

Que se alimenta no voraz segredo,

E, se te fujo é que te adoro louco....

És bela - eu moço; tens amor, eu - medo!...


Tenho medo de mim, de ti, de tudo,

Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes,

Das folhas secas, do chorar das fontes,

Das horas longas a correr velozes.


[...]

Ai! se abrasado2 crepitasse3 o cedro4,

Cedendo ao raio que a tormenta envia,

Diz: - que seria da plantinha humilde

Que à sombra dele tão feliz crescia?
A labareda que se enrosca ao tronco

Torrara a planta tal queimara o galho,

E a pobre nunca reviver pudera,

Chovesse embora paternal orvalho!

(Casimiro de Abreu)


Explore a imagem do “cedro” e da “plantinha inútil” expressas no poema acima e disserte sobre como elas contribuem para a caracterização do ideário da Segunda Geração Romântica. Disserte


06 Leia com bastante atenção os textos abaixo e faça o que se pede:




TEXTO I
A CARNE

(O RAPPA)


A carne mais barata do mercado é a carne negra

que vai de graça pro presídio e para debaixo do plástico

e vai de graça pro subemprego e pros hospitais psiquiátricos

A carne mais barata do mercado é a carne negra

que fez e faz história

segurando esse país no braço (meu irmão)

o gado aqui não se sente revoltado

porque o revólver já está engatilhado

e o vingador é lento

mas muito bem intencionado


E esse país vai deixando todo mundo preto

e o cabelo esticado

mas mesmo assim ainda guarda o direito

de algum antepassado da cor

brigar, sutilmente, por respeito

brigar, bravamente, por respeito

de algum antepassado da cor

brigar


(Marcelo Yuka/ Seu Jorge/ Wilson Cappallette)

TEXTO II
Metamos o martelo nas teorias, nas poéticas e nos sistemas. Abaixo este velho reboco que mascara a fachada da arte! (V. Hugo)


Julgue as asserções abaixo, com base na leitura dos textos acima e em nossos estudos sobre o Romantismo, para em seguida marcar a única alternativa correta:


  1. O texto I pode ser vinculado às noções estéticas da Primeira Geração Romântica da poesia brasileira.

  2. Todo o texto I apresenta apenas uma contundente crítica à exploração histórica dos negros em nosso país não exaltando em nenhum momento caracteres positivos dessa etnia.

  3. Os dois textos apresentam certa noção do que seria a arte romântica, isto é, em ambos, notamos certa ânsia em destruir certas estruturas opressoras.

  4. No texto II também é possível ver uma crítica à sociedade capitalista que explora a figura dos negros.

  5. A métrica usada pelo texto I é a redondilha maior.

07 Procure ler com muito cuidado o texto seguinte, de Casimiro de Abreu, para em seguida fazer o que se pede:




Amor e medo
Quanto eu te fujo e me desvio cauto5

Da luz de fogo que te cerca, ó bela,

Contigo dizes, suspirando amores:

" - Meu Deus, que gelo, que frieza aquela! "


Como te enganas! meu amor é chama,

Que se alimenta no voraz segredo,

E, se te fujo é que te adoro louco....

És bela - eu moço; tens amor, eu - medo!...


Tenho medo de mim, de ti, de tudo,

Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes,

Das folhas secas, do chorar das fontes,

Das horas longas a correr velozes.




O véu da noite me atormenta em dores,

A luz da aurora me intumesce6 os seios,

E ao vento fresco do cair da tarde

Eu me estremeço de cruéis receios.


É que este vento que na várzea - ao longe,

Do colmo7 o fumo caprichoso ondeia,

Soprando um dia tornaria incêndio

A chama viva que teu riso ateia!


Ai! se abrasado crepitasse8 o cedro,

Cedendo ao raio que a tormenta envia,

Diz: - que seria da plantinha humilde

Que à sombra dele tão feliz crescia?


A labareda que se enrosca ao tronco

Torrara a planta tal queimara o galho,

E a pobre nunca reviver pudera,

Chovesse embora paternal orvalho!

(Casimiro de Abreu)


Julgue os itens abaixo em V ou F:


  1. A fala da amada nas partes iniciais do poema, colocadas entre aspas, expressam o posicionamento positivo do eu-lírico para com a figura feminina.

  2. Na terceira estrofe a excessiva enumeração de itens que causam medo no sujeito poético revela que o medo primordial está ligado ao medo de amar.

  3. A imagem do cedro, referida na sexta estrofe, liga-se à imagem do eu-lírico, visto ser ele um sujeito frio no trato com a amada.

  4. O poema acima se enquadra na Primeira Geração Romântica, sobretudo em função de diversos elementos naturais que são referidos ao longo do texto.

08 Álvares de Azevedo, autor do poema abaixo, é um dos principais representantes da segunda geração do Romantismo brasileiro. Levando-se em conta as características dessa geração e o texto próximo, julgue os itens abaixo em V ou F:




A lagartixa
A lagartixa ao sol ardente vive

E fazendo verão o corpo espicha:

O clarão de teus olhos me dá vida,

Tu és o sol e eu sou a lagartixa.

Amo-te como o vinho e como o sono,

Tu és meu copo e amoroso leito...

Mas teu néctar de amor jamais se esgota,

Travesseiro não há como teu peito.



Posso agora viver: para coroas

Não preciso no prado colher flores;

Engrinaldo melhor a minha fronte

Nas rosas mais gentis de teus amores

Vale todo um harém a minha bela,

Em fazer-me ditoso ela capricha...

Vivo ao sol de seus olhos namorados,

Como ao sol de verão a lagartixa.

(Álvares de Azevedo)






  1. A caracterização da amada (“lagartixa”) e do amante (“clarão”, “sol”, “vinho”, “sono”, “copo”, “leito”, “néctar de amor”) cria uma atmosfera bem humorada.

  2. A imagem da lagartixa, prosaica e esdrúxula, por contraste às imagens líricas, gera estranheza e comicidade ao texto.

  3. A melancolia, o ar sombrio e fúnebre, marcas da poética da Segunda Geração Romântica, estão presentes no poema “A Lagartixa”.

  4. A pieguice amorosa, temática freqüente na estética romântica, está ausente nesse poema.

09 Procure ler cuidadosamente os textos abaixo e faça o que se pede:


Texto I
A queimada
[...]

Eis súbito da barra do ocidente,

Doido, rubro, veloz, incandescente,

O incêndio que acordou!


A floresta rugindo as comas curva...

As asas foscas o gavião recurva,

Espantado a gritar.

O estampido estupendo das queimadas

Se enrola de quebradas em quebradas,

Galopando no ar.


E a chama lavra qual jibóia informe,

Que, no espaço vibrando a cauda enorme,

Ferra os dentes no chão...

Nas rubras roscas estortega9 as matas....

Que espadanam o sangue das cascatas

Do roto coração!...



O incêndio — leão ruivo, ensangüentado,

A juba, a crina atira desgrenhado

Aos pampeiros10 dos céus!...

Travou-se o pugilato11 e o cedro tomba...

Queimado..., retorcendo na hecatomba12

Os braços para Deus.
A queimada! A queimada é uma fornalha!

A irara — pula; cascavel — chocalha...

Raiva, espuma o tapir!

... E às vezes sobre o cume de um rochedo

A corça e o tigre — náufragos do medo —

Vão trêmulos se unir!


Então passa-se ali um drama augusto...

N'último ramo do pau-d'arco adusto13

O jaguar se abrigou...

Mas rubro é o céu... Recresce o fogo em mares...

E após... tombam as selvas seculares...

E tudo se acabou!...

(Castro Alves)



Texto II
O bioma ameaçado
[...]

Apesar de sua peculiaridade, o Cerrado enfrenta fortes pressões humanas que põem seu futuro em risco. O desmatamento no bioma é alarmante, chegando a 1,5% ao ano, ou seja, três milhões de hectares/ano, conforme as estimativas mais conservadoras. Isso equivale a 2,6 campos de futebol desmatados a cada minuto. O desmatamento no Cerrado, portanto, é maior que na Amazônia.

No Cerrado, a área de proteção legal (reserva legal) nas propriedades é de apenas 35%. É um dos biomas brasileiros com menos áreas protegidas. Apenas 4,1% do bioma estão protegidos por unidades de conservação. Desse total, 2,2% de proteção integral e 1,9% de uso sustentável.

Ao perder diversidade biológica no Cerrado, o Brasil também perde possibilidades de uso sustentável de muitos recursos, como plantas medicinais e espécies frutíferas, abundantes no bioma. Na região, foram catalogadas mais de 330 espécies usadas na medicina popular. A arnica, o barbatimão, a sucupira, o mentrasto e o velame são apenas alguns exemplos da enorme farmacopéia do Cerrado.

(Disponível em: www.ispn.org.br/o-cerrado/>. Acesso em 17 ago. 2009 – com adaptações)

A alternativa que mais corresponde à leitura dos textos acima é




  1. A única figura de linguagem que notamos no texto I é a personificação do elemento fogo.

  2. O leão ruivo é uma das vítimas citadas no poema de Castro Alves que mais sofreu com os males da queimada.

  3. Segundo o texto II o Cerrado é um dos biomas menos protegidos possuindo até 1,5% de desmatamento ao ano, índice maior do que o da Amazônia, dado que o coloca em muito mais evidência pelos meios de comunicação.

  4. O bioma expresso pelos dois textos acima é o mesmo.

  5. Castro Alves explora, sobretudo a plasticidade imagética em seu texto enquanto o outro problematiza questões de ordem econômica que colocam em risco o bioma do Cerrado.

10 Sobre a peça O Demônio familiar, obra de José de Alencar, é incorreto afirmar que;




  1. o enredo desenvolve exclusivamente (unicamente) o tema da abolição da escravatura, consumada na alforria de Pedro, no final da peça.

  2. o demônio familiar é Pedro, moleque escravo que provoca os acontecimentos da peça, enredando os demais e, partilhando da convivência, perturba a paz doméstica.

  3. um dos temas dominantes é o do amor, cujas intrigas concorrem para a realização do sentimento amoroso das personagens.

  4. é uma comédia de costumes ambientada no Rio de Janeiro, em meados do século XIX.

  5. apresenta um quadro com o verdadeiro cunho da família brasileira, marcado pela convivência (relações doméstica), põe na prática sua intenção de fazer rir sem fazer corar.

11 Leia o fragmento abaixo retirado do drama O demônio familiar, do romântico José de Alencar e faça o que se pede:


HENRIQUETA - Eu te suplico! Não lhe digas nada. Para quê? Sofri dois meses, sofri como tu não fazes ideia. Uns versos sobretudo que ele me mandou fizeram-me chorar uma noite inteira.

[...]


HENRIQUETA - Não tenho coragem de dizer; e, entretanto, vim hoje só para dar-te parte e para... despedir-me desta casa.

CARLOTINHA - Vais fazer alguma viagem?

HENRIQUETA - Não, mas vou... (Ouve-se subir a escada.)

CARLOTINHA - É ele! É mano!

HENRIQUETA - Ah! Meu Deus!

CARLOTINHA - Depressa! Corre!...

(ALENCAR, José de. O Demônio Familiar. Campinas, São Paulo: Pontes, 2003, p.09-10)
Julgue as asserções seguintes em V ou F com base na leitura de trecho e de todo o livro:


  1. Os versos que são citados na primeira fala acima realmente foram enviados por Eduardo.

  2. Henriqueta nutria uma verdadeiro amor por Eduardo.

  3. O fragmento acima é o início do drama e começa com um teor misterioso a fim de excitar a curiosidade do leitor.

  4. O espanto das duas personagens femininas (Henriqueta e Carlotinha) se dá em função da chegada de Pedro, sincero empregado da casa.

12 (modelo ENEM) Avalie o fragmento abaixo, retirado do drama O demônio familiar, de José de Alencar, e faça o que se pede:


[...]

CARLOTINHA - Para que procuras esconder uma coisa que teus olhos estão dizendo? Tu choras!... Por quê? É pelo que eu disse? Perdoa, não falo mais em semelhante coisa.

HENRIQUETA - Sim; eu te peço, Carlotinha. Se soubesses o que eu sofro...

CARLOTINHA - Como! Meu irmão é tão indigno de ti, Henriqueta, que te ofendes com um simples gracejo a seu respeito?

HENRIQUETA - Eu é que não sou digna dele; não mereço, nem mesmo por tua causa, uma palavra de amizade!

CARLOTINHA - Que dizes! Mano Eduardo te trata mal?

HENRIQUETA - Mal, não; mas com indiferença, com uma frieza!... Às vezes nem me olha.

(ALENCAR, José de. O Demônio Familiar. Campinas, São Paulo: Pontes, 2003, p. 09)


Julgue os itens abaixo em V ou F:


  1. A personagem Henriqueta sofre muito em função de um amor sincero que sente pelo negro Eduardo, a sociedade da época não permitira a união entre os dois, visto serem de tez (cor da pele) diferente.

  2. Ao que parece estamos diante de um texto dramático, pois a estrutura dialógica é marca fundamental desse gênero.

  3. Embora o fragmento pertença a um texto dramático é notada também a marca lírica no enunciado (sofrimento amoroso de Henriqueta).

  4. As exclamações e reticências é um recurso bastante usado no texto acima e sugerem, sobretudo, intensidade e força do diálogo.

13 Avalie o fragmento abaixo retirado do livro O demônio familiar, e José de Alencar, para em seguida fazer o que se pede:


PEDRO - Isto é um instante! Mas nhanhã precisa casar! Com um moço rico como Sr. Alfredo, que ponha nhanhã mesmo no tom, fazendo figuração. Nhanhã há de ter uma casa grande, grande, com jardim na frente, moleque de gesso no telhado; quatro carros na cocheira; duas parelhas, e Pedro cocheiro de nhanhã.

CARLOTINHA - Mas tu não és meu, és de mano Eduardo.

PEDRO - Não faz mal; nhanhã fica rica, compra Pedro; manda fazer para ele sobrecasaca preta à inglesa: bota de canhão até aqui (marca o joelho); chapéu de castor; tope de sinhá, tope azul no ombro. E Pedro só, trás, zaz, zaz! E moleque da rua dizendo "Eh! cocheiro de sinhá D.Carlotinha!"

(ALENCAR, José de. O Demônio Familiar. Campinas, São Paulo: Pontes, 2003, p. 14)


Julgue os itens seguintes em V ou F:


  1. O desejo de Pedro acima é casar Carlotinha com o senhor Alfredo, “moço rico”, que daria melhores condições de vida à moça, fazendo dele, o negro, segurança do casal.

  2. Na terceira fala acima há um elemento entre parênteses cujo nome é rúbrica, aspecto muito usual nos textos épicos.

  3. O negro Pedro age, sobretudo em função de seus interesses pessoais (ansiava torna-se cocheiro).

  4. Poderíamos afirmar que na última fala acima se encontra bem demarcada uma figura de linguagem cujo nome é onomatopéia.

14 Julgue os itens abaixo em V ou F sobre o livro O demônio familiar, do romântico José de Alencar:




  1. Azevedo resolveu se casar com Henriqueta, pois engravidou a moça numa relação adúltera com ela.

  2. Eduardo é um médico que de certa maneira acredita em ideais amorosos, não aceita ver as mulheres sendo tratadas como objetos.

  3. O irmão de Carlotinha é um médico que na peça é uma espécie de ponto de equilíbrio para a sua família.

  4. A casa de Eduardo era composta, principalmente pelo negro Pedro, Carlotinha e D. Maria.

15 (modelo ENEM) Procure ler com bastante atenção o fragmento próximo retira do livro O demônio familiar, de José de Alencar, para em seguida fazer o que se pede:

EDUARDO - Sim, minha mãe; ela o ama, sem compreender ainda o sentimento que começa a revelar-se.

D. MARIA - E esse moço abriu-se contigo e pediu-te a mão de tua irmã?

EDUARDO - Não, minha mãe; eu disse-lhe que sabia a afeição que tinha a Carlotinha, e por isso queria apresentá-lo à minha família.

D. MARIA - E exigiste dele a promessa de casar-se com ela?

EDUARDO - Não; não exigi promessa alguma.

D. MARIA - Foi ele então que a fez espontaneamente?

EDUARDO - Não podia fazer, porque não tratamos de semelhante coisa.

D. MARIA - Mas, meu filho, não te entendo. Tu chamas para o interior da família um homem que faz a corte à tua irmã e nem sequer procuras saber as suas intenções!

EDUARDO - As intenções de um homem, ainda o mais honrado, minha mãe, pertencem ao futuro, que faz delas uma realidade ou uma mentira. Para que obrigar um moço honesto a mentir e faltar à sua palavra?...

D. MARIA - Assim, tu julgas que é inútil pedir ou receber uma promessa?

EDUARDO - Completamente inútil, quando a promessa não constitui uma verdadeira obrigação social e um direito legítimo.

D. MARIA - Não te percebo!

(ALENCAR, José de. O Demônio Familiar. Campinas, São Paulo: Pontes, 2003, p. 56)

Julgue os itens abaixo:




  1. O posicionamento dos dois personagens acima (D. Maria e Eduardo) sobre o amor é o mesmo.

  2. Nesse fragmento acima é rico (uso intenso) na linguagem figurada (conotação).

  3. O personagem masculino (Eduardo) parece ser o guia dos elementos familiares citados acima.

  4. Eduardo, assim como a mãe, acredita que um verdadeiro relacionamento deve ser pautado na promessa prévia de casamento.

A única alternativa correta é:




  1. Apenas II, III e IV

  2. Apenas II e III

  3. Somente a III

  4. Todas

  5. Nenhuma

16 Leia o poema abaixo de Castro Alves (“O navio negreiro”) e analise cuidadosamente todos os itens para em seguida julgá-los:




Era um sonho dantesco... o tombadilho  
Que das luzernas avermelha o brilho. 
Em sangue a se banhar. 
Tinir de ferros... estalar de açoite...  
Legiões de homens negros como a noite, 

Horrendos a dançar... 

Negras mulheres, suspendendo às tetas  
Magras crianças, cujas bocas pretas  
Rega o sangue das mães:  
Outras moças, mas nuas e espantadas,  


No turbilhão de espectros arrastadas, 
Em ânsia e mágoa vãs! 

E ri-se a orquestra irônica, estridente... 


E da ronda fantástica a serpente  
Faz doudas espirais ... 

Se o velho arqueja, se no chão resvala,  


Ouvem-se gritos... o chicote estala. 
E voam mais e mais... 

Avalie os itens abaixo:




  1. O trecho acima extraído do poema “Navio Negreiro”, de Castro Alves, é marca das injustiças e das atrocidades cometidas pelo homem com relação a outros homens num conturbado processo histórico da Independência do Brasil (revolução tupiniquins).

  2. O termo “dantesco“ remete a uma intertextualidade com o inferno da obra Divina comédia, de Dante, ali há uma referência “clara” ao tombadilho do navio negreiro, ambiente degradante e de grande sofrimento.

  3. “Negras mulheres, suspendendo às tetas / Magras crianças, cujas bocas pretas / Rega o sangue das mães:”, nesse trecho verifica-se o grande descompasso da sociedade, pois mulheres têm que sofrer para tentar fazer seus filhos sobreviverem, ainda que seja em um ambiente tão negativo e de grande tristeza.

  4. No trecho “Se o velho arqueja, se no chão resvala, / Ouvem-se gritos... o chicote estala” demarca para nós leitores um certo ódio do autor pela figura dos mais velhos, espécie de crítica à figura paterna.

A única alternativa correta é:




  1. Apenas II, III e IV

  2. Apenas II e III

  3. Apenas II, III, IV

  4. Todas

  5. Nenhuma

17 Avalie cuidadosamente todos os textos abaixo e faça o que se pede:


TEXTO I
[...]

Era um sonho dantesco... o tombadilho

Que das luzernas avermelha o brilho.

Em sangue a se banhar.

Tinir de ferros... estalar de açoite...

Legiões de homens negros como a noite,

Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas

Magras crianças, cujas bocas pretas

Rega o sangue das mães:

Outras moças, mas nuas e espantadas,

No turbilhão de espectros arrastadas,

Em ânsia e mágoa vãs!


E ri-se a orquestra irônica, estridente...

E da ronda fantástica a serpente

Faz doidas espirais ...

Se o velho arqueja, se no chão resvala,

Ouvem-se gritos... o chicote estala.

E voam mais e mais...


Presa nos elos de uma só cadeia,

A multidão faminta cambaleia,

E chora e dança ali!

Um de raiva delira, outro enlouquece,

Outro, que martírios embrutece,

Cantando, geme e ri!


No entanto o capitão manda a manobra,

E após fitando o céu que se desdobra,

Tão puro sobre o mar,

Diz do fumo entre os densos nevoeiros:

"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!

Fazei-os mais dançar!..."


E ri-se a orquestra irônica, estridente...

E da ronda fantástica a serpente

Faz doidas espirais...

Qual um sonho dantesco as sombras voam...

Gritos, ais, maldições, preces ressoam!

E ri-se Satanás!...

[...]

(“Navio negreiro”, Castro Alves)




TEXTO II
[...]

Negro e nordestino constroem seu chão

Trabalhador da construção civil conhecido como peão

No Brasil o mesmo negro que constrói o seu apartamento

ou que lava o chão de uma delegacia

É revistado e humilhado por um guarda nojento

que ainda recebe o salário e o pão de cada dia

graças ao negro ao nordestino e a todos nós

Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói

O preconceito é uma coisa sem sentido

Tire a burrice do peito e me dê ouvidos

Me responda se você discriminaria

Um sujeito com a cara do PC Farias

Não você não faria isso não...

Você aprendeu que o preto é ladrão

Muitos negros roubam mas muitos são roubados

E cuidado com esse branco aí parado do seu lado

Porque se ele passa fome

Sabe como é:

Ele rouba e mata um homem

Seja você ou seja o Pelé

Você e o Pelé morreriam igual

Então que morra o preconceito e viva a união racial

Quero ver essa musica você aprender e fazer

A lavagem cerebral

[...]


(“Lavagem cerebral”, Gabriel Pensador)





TEXTO III

(Disponível em http://maniadehistoria.files.wordpress.com /Acesso em 08 abril. 2010)




TEXTO IV

(“Mestiço”, Cândido Portinari)

(Disponível em http://serurbano.files.wordpress.com /Acesso em 08 abril. 2010)


Julgue as asserções próximas:


  1. Nem todos os textos acima exploram a imagem do negro, símbolo bastante utilizado, por exemplo, por Castro Alves, o poeta dos escravos.

  2. O texto de Gabriel Pensador apresenta uma pujante crítica a comportamentos (racismo) originários em tempos remotos, como por exemplo, os da produção de obras como a do texto I.

  3. O texto III e IV se tocam no que se refere à imagem do “negro”, elemento colocado em ambos os texto como fruto de um mundo cruel e violento.

  4. A pintura de Portinari colocada acima, expressa um homem cujos braços fortes revelam o seu papel na cadeia produtiva, espaço agrário colocado ao fundo.

A única alternativa correta é:




  1. Apenas II, III e IV

  2. Apenas I e III

  3. Apenas II e IV

  4. Todas

  5. Nenhuma

18 (PAAES – 2010-adaptada) A poesia social de Castro Alves representa um impulso no sentido de suprimir as fronteiras entre os homens. Esta preocupação alcança a elaboração estética de sua arte, como se pode perceber nos versos seguintes de seu célebre poema.




O navio negreiro

Tragédia no mar

(....)


‘Stamos em pleno mar... Dois infinitos

Ali se estreitam num abraço insano,

Azuis, dourados, plácidos, sublimes...

Qual dos dois é o céu? Qual o oceano?...

Que importa do nauta o berço,



Donde é filho, qual seu lar?

(...)


... Nautas de todas as plagas!

Vós sabeis achar nas vagas

As melodias do céu...

Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!



Desce mais, inda mais... não pode o olhar humano

Como o teu mergulhar no brigue voador.




Qual num sonho dantesco as sombras voam...

Gritos, ais, maldições, preces ressoam!

E ri-se satanás!...

Senhor Deus dos desgraçados!



Dizei-me vós, Senhor Deus!

Se é loucura... se é verdade

Tanto horror perante os céus...

E existe um povo que a bandeira empresta



Pr‘a cobrir tanta infâmia e cobardia!...

(...)


Andrada! arranca este pendão dos ares!

Colombo! fecha a porta de teus mares!




Considere o poema e marque, para as afirmativas abaixo, (V) Verdadeira ou (F) Falsa.




  1. Os versos do primeiro canto abolem as fronteiras entre céu e mar, quando um assimila as características do outro. De igual forma, os versos do segundo canto apontam para um mar sem fronteiras, fator de integração entre os povos.

  2. Os versos do terceiro canto pregam a necessidade de diminuir a distância entre o “elevado” e o “baixo”. Por outro lado, é preciso que o olhar humano torne-se “elevado”, como o da águia, para enxergar as atrocidades feitas a seus semelhantes.

  3. O poema apresenta situações contraditórias: as belezas do mar e seu caminho aberto por Colombo ocultam uma tragédia vergonhosa; enquanto Deus se omite, os negros sofrem e o diabo ri; o povo brasileiro compactua com o tráfico, embora sua bandeira simbolize liberdade.

  4. O poema ultrapassa as fronteiras do gênero épico e promove a união dos gêneros, a começar pelo subtítulo, “Tragédia no mar”. Por sua vez, a metrificação também oscila, pois o poeta imprime uma cadência a cada situação de seu longo poema.

19 Leia os seguintes trechos do poema “Vozes d’África,” escrito por Castro Alves em 1868, e assinale a alternativa que os interpreta corretamente.


Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes?

[...]


Há dois mil anos te mandei meu grito,

Que embalde desde então corre o infinito...

[...]

Hoje em meu sangue a América se nutre



– Condor que transformara-se em abutre,

Ave da escravidão

[...]

Basta, Senhor! De teu potente braço



Role através dos astros e do espaço

Perdão p’ra os crimes meus! ...

Há dois mil anos... eu soluço um grito...

[...]



  1. O poeta procura convencer a Igreja católica e os cristãos brasileiros dos malefícios econômicos da escravidão.

  2. Castro Alves defendeu os postulados da filosofia positivista e da literatura realista, justificando a escravidão.

  3. O continente americano figura no poema como a pátria da liberdade e da felicidade do povo africano.

  4. Abolicionista, Castro Alves leu em praça pública do Rio de Janeiro o poema “Vozes d’ África” para comemorar a Lei Áurea.

  5. Castro Alves incorpora no poema o mito bíblico da danação do povo africano, cumprido através de milênios pela maldição da escravidão.

20 Os dois fragmentos abaixo foram retirados do poema “Navio negreiro”, de Castro Alves, procure lê-los, para depois julgar todos os itens seguintes em V ou F:


[...]

Senhor Deus dos desgraçados!

Dizei-me vós, Senhor Deus!

Se é loucura... se é verdade

Tanto horror perante os céus?!

Ó mar, por que não apagas

Co'a esponja de tuas vagas

De teu manto este borrão?...

Astros! noites! tempestades!

Rolai das imensidades!

Varrei os mares, tufão!

[...]


Existe um povo que a bandeira empresta

P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...

E deixa-a transformar-se nessa festa

Em manto impuro de bacante fria!...

Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,

Que impudente na gávea14 tripudia?

Silêncio. Musa... chora, e chora tanto

Que o pavilhão se lave no teu pranto!...



[...]


  1. Na primeira parte acima, o poeta lança mão de um procedimento estilístico, a apóstrofe, com o claro intuito de aumentar o tom retórico (grandioso) desse poema épico.

  2. O borrão citado no primeiro trecho, sem sombra de dúvidas, pode ser associado, exclusivamente, ao terrível processo de colonização a que sofrera a figura do reprimido índio.

  3. No trecho dois há um sentimento de repúdio (aversão) aos portugueses, principais motivadores da escravidão do negro na plaga brasileira (“Existe um povo que a bandeira empresta”).

  4. Ao final do trecho, o poeta evoca a musa (poesia) a “chorar”, isto é, denunciar as mazelas da colonização, com isso o seu pranto (lamento crítico) teria o poder de acabar com a escravidão (“Que o pavilhão se lave no teu pranto”).






1 Cauteloso.

2 Em brasa, queimado;

3 Estalar (a madeira a arder, o sal que se deita no fogo).

4 Grande árvore meliácea de madeira útil.

5 Cauteloso.

6 Inchado.

7 Palha longa extraída de várias plantas, empregada para cobrir cabanas, atar feixes, etc.

8 Estalar (a madeira a arder, o sal que se deita no fogo).

9 Torcer com força.

10 Vento local que sopra das regiões meridionais da Argentina e pode alcançar o RS, onde é chamado minuano.

11 Luta com os punhos; luta a socos.

12 Matança humana, mortalidade, canificina.

13 Queimado, ressequido.

14 Vela que enverga na verga de gávea grande.






©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal