RedaçÃo elementos da narrativa



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REDAÇÃO

ELEMENTOS DA NARRATIVA
SEQUÊNCIA DO ENREDO

Nas narrativas em geral, o enredo se desenvolve segundo uma seqüência mais ou menos fixa de etapas: EXPOSIÇÃO, COMPLICAÇÃO, CLÍMAX E DESENLACE.



  1. Exposição ou apresentação: Etapa em que o narrador faz a ambientação da história, localizando a ação no tempo e no espaço, identificando personagens e apresentando o estado inicial da ação.

  2. Complicação ou detonador: Momento em que o protagonista passa a vivenciar um conflito, que pode trazer-lhe conseqüências desastrosas ou positivas.

  3. Clímax: Momento de maior tensão da narrativa, quando o conflito chega a seu ponto máximo.

  4. Desenlace ou desfecho: Corresponde à solução do conflito ou repouso da ação. Pode ser feliz, trágico, cômico, surpreendente etc.


ELEMENTOS ENVOLVIDOS NA NARRATIVA:


  • FOCO NARRATIVO

  • DISCURSO

  • TEMPO

  • RITMO

  • ORDEM

  • ESPAÇO

  • PERSONAGENS



  1. FOCO NARRATIVO OU PONTO DE VISTA DO NARRADOR constitui-se o ângulo visual pelo qual serão narrados os acontecimentos de um conto, novela ou romance. É um elemento de especial importância na estrutura de uma narrativa, porque responde à pergunta: Quem conta a história?

BASICAMENTE EXISTEM 4 FOCOS NARRATIVOS




  1. O FOCO NARRATIVO SERÁ INTERNO OU NA PRIMEIRA PESSOA (EU)

  • Participa dos acontecimentos;

  • Narrador e personagem ao mesmo tempo;

  • Área da narrativa limitada e subjetiva (Bentinho / Dom Casmurro)

No trecho abaixo, extraído do conto Missa do Galo, de Machado de Assis, temos um bom exemplo do foco narrativo interno:

"Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir (...)."




  1. O FOCO NARRATIVO SERÁ EXTERNO OU NA TERCEIRA PESSOA

  • Não participa, apenas observa, testemunha os acontecimentos;

  • Não conhece o pensamento, nem o passado das personagens;

  • Relato tende a ser mais imparcial e objetivo.

Observe:

"Ninguém ali sabia ao certo se a Machona era viúva ou desquitada, os filhos não se pareciam um com os outros. A Das Dores sim afirmavam que fora casada e que largara o marido, para meter-se com um homem do comércio [...]". (Aluísio de Azevedo, O Cortiço)

VARIANTES DO FOCO NARRATIVO DE 3ª PESSOA

O narrador-intruso


  • Mesmo não sendo personagem, não participando da história, "tece" comentários em primeira pessoa, ou seja, fala com o leitor ou julga diretamente o comportamento das personagens. Observe no trecho de Quincas Borba, de Machado de Assis, cap. CCI, pág. 214, a intrusão do narrador:

"Queria (eu) dizer aqui o fim de Quincas Borba, que adoeceu (ele), fugiu desvairado em busca do dono, e amanheceu morto na rua, três dias depois."

O narrador-parcial

  • Identifica-se com determinada personagem da história e, mesmo não a defendendo explicitamente, permite que ela tenha maior destaque na história. É o que ocorre no romance Capitães da Areia, de Jorge Amado, no qual o narrador se identifica com os heróis da história, em especial, com Pedro Bala, contrariando a ideologia dominante que os vê como bandidos.




  1. O FOCO NARRATIVO EXTERNO ONISCIENTE

  • O narrador vê o que ninguém tem condições de ver (onisciente);

  • Ele é um demiurgo (um deus que tudo sabe) em relação ao mundo interior das personagens.

Reparem em Senhora, de José de Alencar como o narrador onisciente “lê” os sentimentos, os desejos mais íntimos da personagem.

"Aurélia concentra-se de todo dentro de si; ninguém ao ver essa gentil menina, na aparência tão calma e tranqüila, acreditaria que nesse momento ela agita e resolve o problema de sua existência; e prepara-se para sacrificar irremediavelmente todo o seu futuro.



  1. DISCURSO é toda situação que envolve a comunicação dentro de um determinado contexto e diz respeito a quem fala, para quem se fala e sobre o que se fala.

Quanto à fala, na narração pode vir de três formas: discurso direto, discurso indireto e discurso indireto livre. Vejamos cada um dos tipos de fala das personagens a seguir:




a) Discurso Direto

O discurso direto é o registro das palavras proferidas por uma personagem. O narrador deve expor a fala da personagem através do recurso gráfico: travessão ou aspas. É um tipo de discurso alheio a quem narra a história, ou seja, não há interferência por parte do narrador.

Alguns verbos, chamados de elocução, são utilizados no começo, no meio ou após os discursos, são eles: dizer, perguntar, responder, exclamar, ordenar, falar, protestar, contestar, alegrar, alegar, concordar, etc..

Exemplo:

- Por que você não vai à festa? – perguntou Maria.

João, muito feliz com a pergunta, respondeu:

- Sim, vou acompanhar você, ou achou que a deixaria ir sozinha?


b) Discurso Indireto

O discurso indireto é definido como o registro da fala da personagem sob influência por parte do narrador. Nesse tipo de discurso, os tempos verbais são modificados para que haja entendimento quanto à pessoa que fala. Além disso, costuma-se citar o nome de quem proferiu a fala ou fazer algum tipo de referência. Observe:

Discurso direto:

- Eu vou à festa se você me acompanhar. – disse João.


Passando para o Discurso Indireto:



João disse que ia à festa se Maria o acompanhasse.


c) Discurso Indireto Livre

O discurso indireto livre ocorre quando a narrativa é interrompida para dar lugar a uma fala da personagem sem, contudo, utilizar o recurso gráfico (aspas, travessão) do discurso direto. As falas ou pensamentos das personagens surgem abruptamente durante a narração e, por este motivo, o leitor deve estar atento ao que lê.

EXEMPLO 1: Maria falava muito baixo, quase cochichando, independente de onde estava. Não achava ético conversar, mesmo que com o som da voz moderado, normal para a maioria. Conversar para os outros ouvirem? Para que? E todo mundo tem que saber o que faço ou o que penso? Alguns pensavam que era timidez, mas ela não se importava.
EXEMPLO 2: “Enlameado até a cintura, Tiãozinho cresce de ódio. Se pudesse matar o carreiro... Deixa eu crescer!... Deixa eu ficar grande!... Hei de dar conta deste danisco... Se uma cobra picasse seu Soronho... Tem tanta cascavel nos pastos... Tanta urutu, perto de casa... se uma onça comesse o carreiro, de noite... Um onção grande, da pintada... Que raiva!...

Mas os bois estão caminhando diferente. Começaram a prestar atenção, escutando a conversa de boi Brilhante.”


  1. TEMPO: O tempo na narrativa é o período que assinala o percurso cronológico (tempo de um acontecimento) que vai do início ao fim da história. Muitas histórias se passam em um curto período de tempo; outras têm um enredo que se estende por muitos anos.

O tempo em um conto, geralmente é mais curto em relação ao romance e a novela.

O tempo da história nem sempre coincide com o tempo em que ela foi escrita ou publicada. Ex: no romance "O Nome da Rosa" de Umberto Eco, a narrativa se desenrola na Idade Média, embora tenha sido escrito há pouco tempo.

É importante também, não confundir o tempo do narrador com o tempo da ação (eventualmente pode ser o mesmo). Observe, no fragmento de O Ateneu (Raul Pompéia): "Eu tinha onze anos", afirma o personagem-narrador. Ele na sua vida adulta narra fatos acontecidos durante a sua pré-adolescência.

No romance, novela e conto há dois tipos fundamentais de tempo: O CRONOLÓGICO ou HISTÓRICO e o PSICOLÓGICO ou METAFÍSICO.

1. CRONOLÓGICO OU HISTÓRICO

 É marcado pelo ritmo do relógio, pelo movimento do sol (alternância dia-noite), pelo calendário, pelas estações do ano, etc. Geralmente, o próprio ficcionista na introdução da história, indica as datas em que os fatos se sucedem. E mesmo que não a indique, o próprio texto se incumbe de oferecer os dados que servem à orientação do leitor, ordenados segundo a cronologia do relógio. Serve de exemplo, o segundo capítulo de Senhora (José de Alencar); logo à entrada, observa-se a seguinte pormenorização cronológica:

Seriam nove horas do dia. Um sol ardente de março esbate-se nas venezianas que vestem as sacadas de uma sala, nas laranjeiras.”

O processo narrativo no tempo cronológico pode apresentar os fatos no momento em que estão acontecendo, isto é, no presente da história, ou, então, no passado, quando já perfeitamente concluídos. Da mesma maneira, pode também entremear presente e passado, utilizando a técnica de FLASHBACK.

José de Alencar, em Senhora, também trabalha o flashback, narrando o casamento de Aurélia e Fernando até a noite de núpcias, quando, então, promove um corte e passa a narrar fatos anteriores ao casamento, para finalmente retomar fatos acontecidos depois do casamento.

O flashback é muito utilizado nas novelas de televisão. Tem a função de esticar a trama, principalmente quando a novela é um sucesso e precisa ser prolongada por interesses financeiros. No entanto, O FLASHBACK CUMPRE PAPEL IMPORTANTE NA CARACTERIZAÇÃO DOS PERSONAGENS E NA INTRODUÇÃO DE ELEMENTOS EXPLICATIVOS DO PASSADO PARA OS CONFLITOS DO PRESENTE DA NARRATIVA.

As NARRATIVAS DE AÇÃO usam o tempo CRONOLÓGICO. As HISTÓRICAS, que fazem referência a fatos históricos reais, usam o tempo HISTÓRICO. Referem-se a épocas passadas e apresentam uma cronologia que corresponde à realidade histórica do passado.

2. PSICOLÓGICO OU IMATERIAL (METAFÍSICO)

Não obedece à cronologia, não mantém nenhuma relação com o tempo propriamente dito, cuja passagem é alheia a nossa vontade. O tempo psicológico transcorre no interior de cada personagem (ou de cada ser humano), numa ordem determinada pelo desejo ou pela imaginação do narrador ou dos personagens e reflete suas vivências subjetivas, suas angústias e ansiedades. É o tempo interior que se alarga ou se encurta conforme o estado de espírito em que se encontra. Falas como “Ah, o tempo não passa...” ou “Esse minuto não acaba!” refletem o tempo psicológico. Daí, dizer-se que o tempo psicológico altera-se de pessoa para pessoa. O que importa, como já foi dito, é o momento da personagem, suas emoções e reflexões. Por isso, através de seus devaneios e memórias ele poderá ir ao passado e ao futuro, sem obedecer à ordem do tempo cronológico.

Para exemplificar, observe esta passagem do conto Missa do Galo (Machado de Assis), em que o narrador-personagem espera a meia-noite da véspera de Natal: 

 “Os minutos voavam, ao contrário do que costumam fazer, quando são de espera; ouvi bater onze horas, mas quase sem dar por elas, um acaso”.

Observe como o tempo para o narrador-personagem se encurta, ou melhor, voa. Quer dizer, parecia que voavam, pois, era esta a sensação que ele, tinha naquele momento. É o tempo psicológico, o tempo interior que se alarga ou se encurta conforme o estado de espírito da personagem.

No processo de construção do tempo psicológico, não raro, se associa o flashback, técnica, praticamente, a serviço do tempo psicológico. Tomemos como exemplo, São Bernardo (Graciliano Ramos). Nele Paulo Honório (narrador-personagem) é perseguido pela lembrança da esposa morta, Madalena, todos os dias ao cair da noite.

3. A GRAMÁTICA DO TEMPO

Para a obtenção de um determinado efeito temporal na ficção, é de suma importância controlar a flexão dos tempos verbais (presente, pretérito, futuro). Outros recursos para a construção do tempo são os advérbios e as locuções adverbiais, como: há pouco, ontem, agora, no dia seguinte, há dois dias, etc. Na construção do tempo de uma narrativa, deve-se em primeiro lugar determinar em que momento as ações se sucederão e, depois escolher os verbos, advérbios e locuções adverbiais de acordo com o momento a ser caracterizado.




  1. RITMO: É determinado pelas relações entre o tempo da ficção e o tempo da narração, que pode ser acelerado (omissões) ou retardado (detalhes). O ritmo é fundamental para manter o interesse do leitor.




  1. ORDEM:

QUANTO À ORDEM DE APRESENTAÇÃO DOS FATOS, A NARRAÇÃO PODE SER:



  • Linear – a ordem da narração acompanha cronologicamente a da ficção.

  • Circular – a ordem da narração não é a mesma da ficção. (flashback)

  • Caleidoscópica – a ordem é mista, alternando fatos passados e presentes.




  1. ESPAÇO: constitui o conjunto de diferentes lugares onde se desenrolam as ações.




  1. PERSONAGENS:




  1. QUANTO À FUNÇÃO:

  • Protagonista: personagem central

  • Antagonista: opõe-se ao protagonista

  • Secundária: personagem de menor importância

  • Narrador: aquele que conta a história.




  1. QUANTO À CARACTERIZAÇÃO:




  • Indivíduo: características marcantes

  • Tipo: pertencente a um grupo social, nacional, regional etc.

  • Caricatural: deformação propositada da personalidade

  • Alegórico: simboliza os pecados ou as virtude, o bem e o mal.




  1. QUANTO À EVOLUÇÃO:

  • Planas ou estacionárias:

  • Única qualidade ou defeito: boa ou má.

  • Não alteram o comportamento no decorrer da narrativa – é o chato com suas chatices, é o irônico com suas ironias, etc.

  • IRACEMA é uma personagem PLANA.




  • Redondas, esféricas ou evolutivas: personagens complexas, cheias de contradições, comportamentos imprevisíveis, que vão sendo definidos no decorrer da narrativa, podendo até surpreender o leitor no final da história.

  • Ora são covardes, ora corajosas; ora qualidades, ora defeitos...

  • Capitu é construída para ser uma personagem esférica, complexa, labiríntica. Isso dificulta sua abordagem, não só para o marido, mas também para o leitor curioso.

  • "Olhos de cigana obliqua e dissimulada", "olhos de ressaca", metonímias e metáforas que desenham uma personagem enigmática e sedutora, capaz de trair.



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