Rede tupi de televisãO



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REDE TUPI DE TELEVISÃO
O pioneirismo e os mais arrojados projetos de modernização sempre fizeram parte da vida profissional de um personagem bastante destacado dentro da política e da imprensa nacional, responsável pela criação de um dos maiores impérios já vistos no País no campo das comunicações. Seu nome: Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, ou como era apelidado, Chatô.

Aquele 18 de setembro de 1950, apesar dos inúmeros improvisos, foi palco de


uma grande festividade inaugural de grande glamour na sociedade paulista. O
Brasil, pela primeira vez na história das comunicações, via-se no ar em um
aparelho ainda em fase de aperfeiçoamento e em circuito aberto. No palco da
nova e revolucionária emissora, grandes nomes do rádio, como Lima Duarte, o
casal Aírton e Lolita Rodrigues, dentre outras personalidades, inclusive o próprio Assis Chateaubriand. O hino da emissora, que seria cantado pela hoje "Primeira-Dama da TV brasileira “Hebe Camargo”, recebeu a interpretação de Lolita Rodrigues (na época, ainda conhecida como Lolita La Salerosa).


A partir daí, lançava-se um novo tempo na história das comunicações brasileiras, embora ainda restrito apenas às camadas mais elevadas da sociedade, devido ao elevado custo de um televisor. Diz a lenda que Assis Chateaubriand, de tão empolgado, quebrou uma garrafa de champanhe sem querer em uma das duas câmeras RCA que estavam no local da festa, desse jeito a TV brasileira foi inaugurada com apenas 50% de sua capacidade. E a lenda reza também que, acabada a inauguração, a equipe se deu conta de que não havia o que colocar no ar no dia seguinte, pois ninguém tinha pensado nisso.

Entretanto, o autor de novelas Cassiano Gabus Mendes que, com apenas 23 anos assumiu a Direção Artística da Tupi, não podia ouvir essas histórias, já que ele desmentia quantas vezes fosse necessário. "É tudo invenção do Lima Duarte. Como ele é muito engraçado, as pessoas acabam se convencendo", dizia ele antes de falecer, em 1994. "Chateaubriand era um homem esclarecido, não ia danificar equipamento e tínhamos programação para as três semanas seguintes".

Os primeiros anos de funcionamento da Tupi, ou PRF-3 TV Tupy-Difusora, foram marcados pela improvisação e pela irregularidade no horário de exibição de seus programas, além da rudimentar tecnologia, sempre sujeita a panes e falhas operacionais. Todavia, acostumados à improvisação e rapidez do rádio, os pioneiros não tiveram problemas em adaptar-se ao moderno veículo e aprenderam muito: ator virava sonoplasta, autor dirigia, diretor entrava em cena.

A TV Tupi dos primeiros anos foi uma verdadeira escola. Aos poucos, os programas ganharam forma, como o primeiro telejornal e a primeira novela. A programação era intimamente baseada em peças teatrais, conforme visto no "TV de Vanguarda" e nas primeiras novelas, destacando-se "Sua Vida Me Pertence", protagonizada por Walter Forster e Vida Alves, primeiro casal a protagonizar uma telenovela, além do primeiro beijo, mesmo sendo "selinho". O jornalismo, embora engatinhante, nasceu um dia após a inauguração oficial da emissora, através do "Imagens do Dia".

Um detalhe bastante curioso nesses primeiros anos de TV no Brasil foi a presença dos chamados interprogramas, assim como eram chamados os slides colocados antes da entrada das atrações. Na Tupi, os atrasos, que eram constantes, deixavam os telespectadores bastante ansiosos e chateados com a presença do índio que simbolizava a Rádio Tupi de São Paulo, prefixo PRG2. Na verdade, era um índio zangado que aparecia no test-patern. Para não associar a tradicional marca da emissora radiofônica aos atrasos, criaram-se novas opções através de cartazes denominados "interprograma". A partir daí, nascia a mais famosa figura da história da emissora: o Tupiniquim. Tratava-se de um indiozinho cujo cocar era representado por um par de antenas. Por representar uma criança, o Tupiniquim ganhou muita simpatia principalmente pelo público infantil da época. O Tupiniquim foi também o padrão de todas as Emissoras Associadas, apesar de que a TV Tupi do Rio já tivesse seu padrão: o Curumim.



Ele era também um indiozinho, mas sem o par de antenas, que ficava, digamos assim "dentro do 6", que era o número do canal na Cidade Maravilhosa.



Em anos posteriores, os Diários Associados ampliavam ainda mais os seus investimentos na nascente área da TV, fundando emissoras nas principais cidades brasileiras. No Rio, em janeiro de 1951, com a chegada da TV Tupi carioca que tinha como símbolo o índio Curumim(como já foi citado) e que, no ano de 1955 mudava suas instalações da Rádio Tamoio para o antigo Cassino da Urca. Em Belo Horizonte, em 1955, com a chegada da TV Itacolomi. No final dos anos 50, as demais regiões brasileiras também foram presenteadas com uma emissora associada de TV. A concorrência com outros grupos que também instalavam emissoras tornava-se presente ainda na década de 50 e a modernização tecnológica e as propostas de programação evoluíam no mesmo passo, conforme visto nas tradicionais atrações baseadas em grandes sucessos internacionais.
Como exemplo, destacou-se "O Céu é o Limite", um jogo de perguntas e
respostas apresentado por Jota Silvestre.

Há uma história muito curiosa sobre a chegada da TV no Rio. A diretoria dos


Associados queria instalar a torre transmissora no Corcovado, ao lado do Cristo Redentor, para cobrir toda a Cidade Maravilhosa. Porém, o Clero local acabou chiando(e com razão) quando soube disso e impediu que a torre fosse posta lá. Assim, ela acabou instalada em outro cartão postal carioca: o Pão de Açúcar. Alguns anos depois, o sinal da Tupi no Rio de Janeiro passou a ser transmitido pela torre do Sumaré, lá mesmo no Rio. É por isso que o Capitão Aza, em sua frase de abertura a cita. Por incrível que pareça, Sumaré era o nome também do bairro onde estava a sede da TV Tupi de São Paulo, na Avenida Alfonso Bovero.

Entre os anos 50 e 60, a novela "O Direito de Nascer" foi produzida e exibida pela Tupi em São Paulo. No Rio, ela foi exibida...pela TV Rio! Isso mesmo, a novela da Tupi chegou aos cariocas via TV Rio. Existem muitas histórias sobre o ocorrido. Uns dizem que a Tupi Paulista encarava a Tupi Carioca como concorrente, e outros dizem que as fitas dos capítulos de "O Direito de Nascer" foram, por engano, entregues à sede da "Carioquinha", como era chamada carinhosamente a TV Rio, que pertencia à Rede de Emissoras Unidas, de propriedade de Paulo Machado de Carvalho, fundador e dono, na época, da TV Record.

Voltando para a história da Tupi, a chegada do video-tape, datada do início dos anos 60, tornou mais fácil a integração entre todas as emissoras associadas, nascendo com isso o embrião daquilo que seria uma TV operando em rede. As novelas, agora gravadas e editadas, deixaram resultados surpreendentes, sepultando de vez os improvisos e aquele longo tempo de espera onde eram projetados slides temáticos com a presença dos indiozinhos Tupiniquim(SP) e Curumim(RJ). O jornalismo, ainda incipiente, tinha como um dos carrochefes o "Repórter Esso", ainda nos tempos em que cada cidade realizava a sua edição. O "Repórter Esso" ficou 18 anos no ar. Os locutores Heron Domingues e Gontijo Teodoro, oriundos do rádio(onde o "Repórter Esso" já fazia sucesso desde 1941), entravam no ar com as notícias nacionais e internacionais ao som de um dos mais famosos prefixos musicais da história do rádio e da televisão no Brasil. Aliás, no início dos anos 60, as instalações da Tupi Paulista mudavam-se para o prédio da Avenida Alfonso Bovero, no bairro do Sumaré, onde ficaria até a falência, em 1980. Desde 1990 até hoje, o prédio abriga as instalações da MTV Brasil, além de alguns canais por assinatura do Grupo Abril e a TVA.

No ranking de audiência nos anos 60, a Tupi enfrentava o páreo com a Record e a Excelsior, as quais apostavam bastante em dramaturgia e musicais. No mesmo ano, a Tupi mudou do Canal 3 para o Canal 4, já que a TV Cultura (na época pertencente aos Diários Associados e que era chamada de "Irmã Caçula da TV Tupi"), havia sido fundada no Canal 2 e as ondas estavam uma interferindo na outra. E também porque o Canal 4 e o Canal 5 (na época que era TV Paulista e hoje é TV Globo) possuíam faixas longas e suas imagens não interferiam-se uma na outra. A Globo, nascida em 1965, no Rio, ainda era uma emissora qualquer de TV, embora já estivesse nos seus planos a cobertura em rede nacional, que destronaria qualquer concorrente poucos anos depois.


No setor de dramaturgia, a Tupi destacou-se em 1968 com "Beto Rockfeller", novela que colocava no ar pela primeira vez uma cidade como cenário, iniciando uma nova fase da produção do gênero na TV brasileira.


Outro fato marcante na história da Tupi aconteceu um ano depois, em 1969, quando transmitiu a chegada do homem à Lua, simultaneamente com a Globo.
Definitivamente, a televisão tornava-se de vez a testemunha dos fatos históricos e isso não deixava de ser apenas o começo de um processo de evolução ao longo de décadas posteriores.

Mas nem tudo corria bem nos bastidores da emissora pioneira do Brasil ainda no final dos anos 60. Com a morte de Assis Chateaubriand, em 1968, os Diários Associados entraram em processo de instabilidade administrativa, devido ao "agigantamento" do grupo, embora já estivesse há dez anos comandado sob a forma de condomínio acionário(que foi criado por Chatô e mais 22 pessoas em 1958 para garantir o futuro da empresa).
Vários conflitos entre os condôminos para ver quem era o verdadeiro dono dos Diários Associados e o jeito anacronista de comando da empresa gerou uma crise financeira, que levou o grupo a desvincular diversas empresas, entre elas a TV Cultura, que passou a ser controlada pela Fundação Padre Anchieta, além de acabar com a tradicional Revista "O Cruzeiro", antiga campeã de vendas, e este quadro arrastou-se ao longo dos anos 70, isso também devido à rivalidade interna que até então existia. As protagonistas dessa briga eram a TV Tupi Canal 4 de São Paulo e a TV Tupi Canal 6 do Rio de Janeiro.

Outro fato que atrapalhava a vida da Tupi era a concorrência que aumentava ainda mais, com a chegada de novas redes e evolução de outras. A TV Globo já implantava o seu projeto de rede em 1969, interligando o Brasil inteiro ainda através de troncos, fato visto no nascente "Jornal Nacional" e no chamado "Padrão Globo de Qualidade", que naquele período começava a ser imposto. Era o domínio avassalador da emissora de Roberto Marinho. Não é à toa que a Globo firmou-se no 1º lugar de audiência, tirando da Tupi, em anos posteriores, o título de "Toda-Poderosa".

Para que o "racha" entre a Tupi Paulista e a Tupi Carioca fosse amenizado, tudo isso em razão da formação definitiva da Rede Tupi de Televisão, com 22 emissoras espalhadas pelo Brasil, em abril de 1974, foi feito um acordo entre as duas emissoras. A Tupi do Rio comandaria a Rede nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, enquanto a Tupi de São Paulo ficaria responsável pela Rede nas Regiões Sul e Sudeste. Mas, a idéia acabou não vingando.


Assim, uma nova proposta surgiu para que as duas emissoras comandassem a Rede Associada. A emissora paulista se encarregaria pela produção das Novelas, e a emissora carioca teria a responsabilidade pela Linha de Shows.
Essa idéia também foi por água abaixo, o que fez a crise aumentar na Rede Tupi.

Ao longo dos anos 70, a dramaturgia, os musicais e os programas de variedades, além de um modesto jornalismo destacavam-se como as principais estratégias da Tupi, que não escondia o seu formato de rede, aproveitando a grande quantidade de emissoras nas principais cidades brasileiras. Uma nova logomarca, com duas ondas senoidais e três círculos(azul, vermelho e verde), foi criada especialmente para mostrar os laços de rede que as emissoras associadas pretendiam atar, aproveitando a tecnologia à cores que começava desembarcar em nosso país, no ano de 1972. Embora a tecnologia de satélite ainda estivesse um pouco distante de chegar, a cobertura era feita por links de microondas presentes nos troncos



interligando as diversas localidades do país.
Como uma forma de recuperar sua audiência nas suas praças em todo o território nacional, a Tupi começou a apostar em programas de maior aceitação popular e com isso, começou a vender espaço para apresentadores que já tinham grande simpatia com o público. Com isso, surgiram nomes como Silvio Santos(ex-Rede Globo), Carlos Imperial, Raul Gil, Sidney Magal, além dos tradicionais "Almoço com as Estrelas" e "Clube dos Artistas", ambos apresentados em São Paulo pelo casal Aírton e Lolita Rodrigues e no Rio, por Aérton Perlingeiro, sendo que o último foi transmitido de 1952 até 1980.

Vale a pena também destacar a presença do Capitão Aza, líder absoluto de audiência nas tardes de segunda a sexta, que esteve presente na emissora de 1966 até 1979.

Os musicais também tinham espaço na Tupi dos anos 70, conforme visto no "Brasil Som". No jornalismo, destacava-se o "Abertura", polêmico programa de entrevistas exibido nas noites de domingo, além do "Rede Tupi de Notícias", o qual, em 1979, tinha três partes: Espaço 1 - Esportes, às 19:50, antes da primeira novela; Espaço 2 - Noticiário Local, às 20:50, entre a primeira e a segunda novelas; Espaço Maior - O Brasil e o Mundo, às 21:40, logo após a segunda novela. E também o "Jornal da Tupi", exibido no final da noite. Na apresentação destes noticiosos diários da Tupi, a presença da hoje apresentadora da Rede Globo, Ana Maria Braga, que também atuava na apresentação de festivais musicais, como o Brasil Som, em 1976.

Nas novelas, a Tupi por vezes alcançava êxitos. O seu último grande sucesso na área de dramaturgia foi visto em 1978, quando foi exibida a novela "O Profeta". Por falar nisso, um ano antes, seu penúltimo sucesso, "Éramos Seis", junto com "Cinderela 77" e "Um Sol Maior" haviam registrado as audiências mais baixas da história da emissora.



Para piorar ainda mais a situação, a Publicidade escapulia para as concorrentes, principalmente para a Rede Globo. Lutando contra a crise que aumentava cada vez mais também devido às constantes mudanças na direção, a Tupi prosseguia, mesmo debilitada, no cenário da TV brasileira e por diversos momentos prometia à imprensa a chegada de revoluções em sua programação.

Até chegou-se a noticiar em um telejornal da Tupi, em 1978, que a emissora estava comprando novos equipamentos, que havia terminado a construção do Telecentro Tupi (a sede da Tupi Paulista), o início da construção de uma nova antena transmissora (que foi concluída pelo SBT e até hoje retransimite o sinal do Canal 4 paulistano), e desmentindo os boatos de que estava "mal das pernas". Mas a realidade era totalmente diferente.

As dificuldades financeiras por várias vezes atrasava o pagamento do ordenado de seus funcionários e as greves por conta do fato surgiam, debilitando a programação da emissora. A primeira greve aconteceu em outubro de 1977, pois a Tupi devia três meses de salários, mas a greve parou em razão do pagamento parcelado dos salários. E mais; a emissora tinha também dívidas astronômicas com a Previdência Social.

Em 1978, a emissora do Recife e o Telecentro paulista foram vítimas de incêndios em suas instalações e a grave situação da Tupi tornava-se próxima do irreversível.

No ano de 1979, o elenco e a produção da novela "O Espantalho", de Ivani Ribeiro processaram a emissora por violação dos direitos autorais.



(A título de curiosidade, essa novela foi exibida em 1977 na TV Record, em sua última produção dramatúrgica nos anos 70, em conjunto com a recém-inaugurada TVS, de propriedade de Silvio Santos, que também exibia os seus programas simultaneamente na TV Record em São Paulo, na TVS no Rio, e na Rede Tupi para todo o Brasil. Daí, esse foi o motivo do imbróglio). Para complicar, veja uma comparação: em 1976 eram produzidas três novelas simultaneamente, enquanto que, em 1979, são só duas e, a partir do início de 1980, apenas uma.

Em fevereiro de 1980 (já com vinheta comemorativa de 30 anos), em plena produção da novela "Como Salvar Meu Casamento", estrelada por Nicette Bruno e Adriano Reis, desferiu-se um golpe poderoso e perigoso contra o principal elemento do império associado. Uma greve paralisou o andamento do núcleo de dramaturgia da emissora, interrompendo a história da novela, quando estava a 20 capítulos do final. Também foi paralisada a produção da novela "Drácula - Uma História de Amor", que teve apenas 5 capítulos exibidos(e havia sido muito anunciada).



Com a paralisação, 250 funcionários foram demitidos e o Departamento de Dramaturgia acabou extinto. O tradicional segundo lugar que nos anos 70 marcou a história da Tupi decaiu para a quarta posição(atrás também de Record e Bandeirantes) e os anúncios tornavam-se mais difíceis na agonizante emissora. Com isso, a Rede Tupi passou a ser gerada pelo Canal 6 do Rio de Janeiro. E sua programação ficou recheada de programas evangélicos e produções independentes, que sucatearam-na o quanto puderam.

Isso deixava os telespectadores tristes ao lembrar daquela emissora com ótima programação e sem crise, e olha que a única coisa que havia sobrado na programação eram as vinhetas (feitas em 1978).

A situação tornava-se cada vez mais dramática, chegando inclusive a sensibilizar o Governo Federal diante da situação complicada vivida pelos funcionários da emissora. O então Presidente da República, João Figueiredo se dispôs a receber em Brasília, uma comissão de dirigentes dos sindicatos envolvidos no caso. Muito se discutia, porém quase nada se fazia.



A greve na Tupi prosseguiu até 16 de julho de 1980, quando foi publicada no Diário Oficial a perempção de sete das nove concessões pertencentes à rede. A velha emissora paulista, no auge da greve, vinha retransmitindo a programação do Rio até o dia 14, quando grevistas retiraram o seu sinal do ar, apagando-se para sempre dos lares de São Paulo.

As outras 21 emissoras, ainda em atividade, promoveram assembléias em seus estúdios pedindo soluções para o caso, conforme visto na Tupi do Rio de Janeiro, onde funcionários ficaram de vigília e ao vivo diante das câmeras por 18 horas seguidas, comandadas pelo apresentador Jorge Perlingeiro, filho do também apresentador Aérton Perlingeiro.

Reunidos, empregados, artistas e alguns nomes de destaque na mídia da época chegaram a conversar ao vivo e por telefone com o Ministro das Comunicações, sugerindo a entrega da emissora para os próprios funcionários. E não pára por aí. Os empregados da emissora carioca prometeram trabalhar de graça o tempo que fosse preciso para que a pioneira da TV na América Latina não fechasse as portas. Mas, de nada adiantou.

As últimas e dramáticas imagens da TV Tupi do Rio, última sobrevivente da Rede Associada, permaneceram no ar das 18:00 do dia 17, até o horário de 12:36 de 18 de julho de 1980, quando seus transmissores foram definitivamente lacrados, apagando-se de vez as suas ultimamente pálidas imagens com a imagem de um cartaz escrito "Voltaremos em Breve". A Tupi encerrava as suas atividades em meio ao choro dos funcionários da emissora carioca. Uma das imagens que marcaram o fim da Rede Tupi foi a foto de um cameraman chorando.


As pessoas envolvidas, direta ou indiretamente, que lutaram bravamente para que a emissora pioneira na América Latina continuasse no ar, jamais vão esquecer aquele triste e trágico dia 18 de julho de 1980. Pelo jeito, desde aquele dia, acho que Assis Chateaubriand deve estar contorcendo-se de raiva no túmulo, e nem precisa dizer o porquê.

Naquele mesmo 18 de julho, minutos antes do meio-dia, três engenheiros do
Dentel (Departamento Nacional de Telecomunicações), subiram ao décimo andar do Telecentro (edifício-sede da TV Tupi Canal 4 de São Paulo), retiraram o cristal do transmissor e lacraram as antenas retransmissoras. Um delegado da Polícia Federal e mais quatro agentes davam proteção aos engenheiros. O Governo Militar achou melhor cassar a concessão do que entregá-la a uma cooperativa de funcionários.

Morria com a Rede Tupi o pioneirismo e a tradição da televisão brasileira em


quase 30 anos de história, embora o seu desaparecimento originasse, em 1981, duas concessões para redes de televisão: o SBT, de Silvio Santos, e a Manchete, de Adolpho Bloch, sendo que a última entraria no ar só em 1983.

Só por curiosidade, a Rede Manchete também teve praticamente o mesmo fim que a Tupi, sofrendo com as greves e o sucateamento da programação. A Manchete foi vendida em maio de 1999 para a TV Ômega, que tirou do ar tudo relacionado à emissora dos Bloch e criou a RedeTV! Outro atrativo nesse assunto foi o tempo passado entre a morte de seus fundadores e o fim das emissoras. Enquanto que a Tupi fechou 12 anos depois(1968-1980) da morte de Assis Chateaubriand, só durou 3 anos e meio o tempo entre a morte de Adolpho Bloch (novembro de 1995) e a venda da Manchete (maio de 1999). Mas isso é um outro assunto.


Após o fim da Tupi, seu espólio, que no caso era o acervo de fitas, foi parar num galpão, em Cotia. Só em 1985, a Cinemateca Brasileira herdou o arquivo junto ao Governo Federal. Entretanto, a recuperação das imagens das 6.100 fitas de video-tape e 200.000 rolos de filmes (a maioria contendo reportagens jornalísticas de um minuto cada) foi iniciada apenas no ano de 1989 com ajuda da TV Cultura, já que o Governo não dava a verba para a recuperação da imagens. Algumas fitas da Tupi não conseguiram ser regravadas pela Cinemateca, pois estavam imprestáveis. A mesma Cinemateca cobra R$ 800 por minuto copiado e R$ 20 para a exibição de uma atração da Tupi para até 6 pessoas.



Além dos veículos impressos, a radiodifusão também foi prejudicada. Suas históricas rádios em São Paulo foram vendidas: a Rádio Tupi FM, a Super Rádio Tupi AM (antiga PRG-2 Rádio Tupi) e a Rádio Difusora (que tinha o prefixo de PRF-3).
Como São Paulo era o centro da Rede e dos Diários Associados naquela época, tudo que lá existia foi arrendado pelos agiotas e pelo Governo, pois a dívida era imensa. No resto do Brasil eles continuam bem, como no caso do Rio de Janeiro, onde existem a Super Rádio Tupi AM (desde abril de 2003, Líder em Audiência entre as rádios AM no Rio e a mais ouvida do Brasil) e a Rádio Nativa FM (antiga Tupi FM); em Brasília possuem a TV Brasília - única que restou, já que teve de comprar as atrações da TVS para sobreviver, e que pertencia aos canais ligados à Rede Tupi - , o jornal Correio Braziliense; em Minas Gerais o Jornal O Estado de Minas, a TV Alterosa, entre outras propriedades na região e em todo o Brasil. Todos pensavam que com a extinção de algumas de suas maiores empresas, como a Rádio Tupi de São Paulo, a Revista "O Cruzeiro" e a própria Rede Tupi de Televisão, o fim dos Diários Associados era apenas questão de tempo.
Mas, quitadas as dívidas e após relatar os prejuízos que a instituição teve, os Diários Associados voltaram a crescer a partir de 1983, além de transferir sua sede pra a Capital Federal, Brasília e criar, lá mesmo, a Fundação Assis Chateaubriand. Hoje, não conseguiram e nem mesmo cogitam a volta da Rede Tupi, porém, nas concessões de TV que possuem e nas demais empresas o lema é manter o equilíbrio e entrar nesta nova era com o pé direito, já informatizando seus meios e entrando na era digital. Exemplo disto é o famoso provedor de Minas Gerais, o U@i , de propriedade dos Diários Associados.
Na verdade, a volta da Rede Tupi pode ainda estar em pauta dentro dos Associados, uma vez que a entidade que controlava a emissora (o próprio Grupo Associados) continua existindo. Outro motivo disso é que, na época do colapso da Manchete (que nasceu "nos escombros" da Tupi), lançou-se um boato de que os Diários Associados estavam interessados em assumir o controle da emissora, como uma forma de ressuscitar a Rede Tupi de Televisão, mas ficou apenas no "disse-não-disse".

Em 1998, os Diários Associados receberam do Governo Federal, sob forma de dinheiro, a indenização de perdas e danos devido a cassação das concessões da Rede Tupi, em 1980. Assim, pagou todos os seus credores e os funcionários que estavam com os salários atrasados. Em 2000, o SBT (a outra emissora que surgiu com o fim da Tupi), pagou a sua parte das dívidas da Tupi aos funcionários desta, já que a emissora de Silvio Santos é a atual detentora do Canal 4 de São Paulo.
Fonte de pesquisa: sites na internet


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