Redentorista



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PLANO DE FORMAÇÃO

REDENTORISTA
RATIO FORMATIONIS C.Ss.R.




GOVERNO GERAL

Roma, 2003

Aprovado pelo Governo Geral C.Ss.R.

no dia 11 de abril de 2003.

O texto original é o inglês.

CONTEÚDO

- Apresentação: Pe. Joseph W. Tobin, Superior Geral …….…

- Introdução ………………………….……………….……..
Parte I – Princípios básicos ………………………….………
Parte II – Aspectos concretos: agentes, fatores

e tempos fortes da formação ……...……..........


Parte III – Esquema prático que deve ser concretizado

na Ratio de cada Unidade ………………….….

- Apêndice:

Carta do Pe. Geral J. M. Lasso aos formadores: ...….....

- Abreviaturas ……………………………...………………….

- Referências na Internet

de alguns documentos da Santa Sé sobre formação: .….

- Índice geral …………………………......…………………

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APRESENTAÇÃO


É com satisfação que apresento à Congregação a edição revista da Ratio Formationis, fruto de vários anos de busca e de reflexão dirigidas pelo Secretariado Geral de Formação. O presente Conselho Geral examinou cuidadosamente este texto antes de aprová-lo finalmente no dia 11 de abril de 2003, fazendo-o vigorar imediatamente e substituindo assim as três instruções anteriores sobre a formação redentorista: a Ratio Novitiatus et Institutionis Sacerdotalis (1983), a Ratio Formationis Continuæ (1984) e a Ratio Formationis Fratrum (1996).

O objetivo desta nova Ratio é oferecer as linhas para a formação, tanto dos Redentoristas professos como dos candidatos à Congregação. Esta tarefa tão exigente, que abarca toda a vida de cada confrade, não pode ser um projeto leviano ou superficial. Daí que esta Ratio deve dar profundidade e significado à formação redentorista em todas as suas etapas, sendo ao mesmo tempo uma ajuda para que os programas específicos de cada Unidade se orientem pela lei geral da Igreja e pelas normas de nossas Constituições e Estatutos.

A publicação desta Ratio tem ao menos duas conseqüências práticas para a Congregação. Primeiro, ao aprovar este documento, o Conselho Geral decide que cada Província, Vice-Província e Região da Congregação deve revisar o seu próprio programa formativo em todos os níveis e fazer as mudanças que forem necessárias para ajustá-lo a esta Ratio, ao mesmo tempo que pede que os programas revisados das Unidades sejam apresentados para a aprovação do Governo Geral antes de 31 de dezembro de 2004.

Em segundo lugar, fica claro que nem todas as Unidades da Congregação serão capazes de cumprir os requisitos exigidos por esta Ratio, se se apóiam unicamente nos seus próprios recursos: em tal caso devem buscar a cooperação de outras Unidades para satisfazer às expectativas deste Plano de formação redentorista. O Conselho Geral oferecerá com prazer toda a assessoria para obter esta cooperação.

Queira Santo Afonso, que insistia consigo mesmo e com todos os seus companheiros para continuar a formação ao longo de toda a vida, ajudar todos os membros da Congregação para alcançar um tal grau de maturidade humana e cristã, que eles mesmos, com a graça de Deus, possam entregar-se total, consciente e livremente ao serviço da Igreja missionária na vida comunitária dos Re­dentoristas para anunciar o evangelho aos pobres (C. 78).


Irmão em Cristo Redentor,

Joseph W. Tobin, C.Ss.R.

Superior Geral

INTRODUÇÃO

1. A vocação redentorista é um mistério do amor de Deus à sua Igreja e a cada um de nós, no qual a vida toda se torna um processo dialogal e, por obra e dom do Espírito Santo, seguimento de Jesus Cristo Redentor na pregação da boa nova aos pobres (cf. CC. 1. 56). Enquanto mistério de amor e de fé, a vocação não é facilmente definível com as categorias com que trabalha a razão humana. Por isso esta Ratio reconhece, de uma parte, as limitações que marcam toda tentativa de explicar este desígnio do amor divino, e, por outra, quer ser uma ajuda para todos os Redentoristas, já que todos nós nos encontramos no processo de sermos formados pelo Espírito Santo como missionários na Congregação do Santíssimo Redentor.


A FORMAÇÃO NA CONGREGAÇÃO

2. O objetivo da formação redentorista está assim descrito nas Constituições e Estatutos: “A formação tem como objetivo levar os candidatos e os congregados a um tal grau de maturidade humana e cristã, que eles mesmos, com a graça de Deus, possam entregar-se total, consciente e livremente ao serviço da Igreja missionária na vida comunitária dos Redentoristas para anunciar o evangelho aos pobres” (C. 78).


3. A Constituição 77 especifica que: “o fim apostólico da Congregação deve inspirar e abarcar todo o processo da formação dos seus membros. Este processo compreende a seleção das vocações, os diversos períodos formativos e também a formação que se prolonga ao longo de toda a existência”.
4. Daí se deduz que a formação na Congregação é um processo de toda a vida, com diversas dimensões que se centram na plena dedicação à pessoa e à missão de Cristo. Este processo pode ser dividido em duas grandes etapas, 1) Formação inicial e 2) Formação permanente, as quais são guiadas por princípios e ideais essencialmente idênticos, embora se apliquem e se vivam de modo diferente nos diversos momentos da própria vida.
5. É importante recordar que a formação é um processo interativo não só nos indivíduos, mas também nas comunidades locais e em toda a Congregação. “A Congregação é um corpo que está em constante desenvolvimento e formação, segundo as necessidades daqueles a quem proclama o evangelho” (C. 82), e cada comunidade é “uma realidade em contínuo progresso que se deve renovar a partir de dentro” (C. 40).


FORMAÇÃO NO CARISMA DA CONGREGAÇÃO

6. Desde a fundação do Instituto, o tema da forma­ção para a missão específica tem sido parte integrante das discussões e decisões de vários Capítulos, como se pode ver na legislação do tempo de Santo Afonso. Mais ainda, quando os Redentoristas foram acusados de abrir uma casa de formação sem licença do governo civil, o nosso Fundador defendeu-se dizendo: “Se não tivéssemos tomado nossos jovens [para formá-los], no momento presente a nossa associação poderia considerar-se acabada… Além disso, estes jovens não vêm de suas cidades já instruídos e preparados para pregar missões; por isso é necessário que lhes ensinemos para que se tornem capazes de pregar, de ensinar a catequese, de orientar os exercícios espirituais para o clero e, especialmente, de atender em confissão o povo que vem à missão. Por isso, para que esta obra se mantenha, é absolutamente necessário acolher esses jovens e formá-los como convém”.1


7. A mesma preocupação se manifestou quando São Clemente Hofbauer começou o programa formativo em São Beno, e depois, quando foi introduzida a estrutura do seminário menor (juvenato) e a do seminário interprovincial para os estudos de filosofia e teologia (estudantado): sempre houve uma clara consciência de procurar uma formação que respondesse às necessidades do nosso carisma missionário como fonte da nossa identidade comunitária e religiosa. Tal formação não é um luxo, mas uma necessidade vital, porque: “o vigor da Congregação para continuar a sua missão apostólica depende do número e da qualidade dos candidatos que queiram incorporar-se à comunidade redentorista” (C. 79).
8. As estruturas concretas e os sistemas formativos podem variar, mas a formação em nosso próprio carisma é essencial em todo o tempo e lugar. Só assim, as futuras gerações de Redentoristas poderão ser fiéis à nossa missão própria na Igreja. O fato de que nas últimas décadas muitos candidatos à Congregação estudam em colégios, seminários ou universidades, cujo objetivo não é certamente o de transmitir a nossa identidade, põe um novo desafio à formação.

Para os Redentoristas, a formação está determinada pela identidade e a ela se orienta, porque é a formação que ajuda a passar do entusiasmo inicial, fruto de uma missão, ou do encontro com um Redentorista ou com alguma comunidade, à verdadeira identificação com Cristo e sua missão redentora tal como se vive na Congregação.



AS ETAPAS DA FORMAÇÃO
9. Nesta Ratio se fala de diversas etapas da formação. Convém indicar, no entanto, que a intenção é insistir em que a formação é para os Redentoristas um caminho continuado até o final da vida e não alguns passos desarticulados. A teologia e a espiritualidade que fundamentam a nossa vida religiosa é a mesma em todas as etapas. Na base está sempre o amoroso chamado de Deus (ainda que no começo o modo de entendê-lo seja muito frágil e incompleto), que gradualmente leva cada um a dedicar toda a sua existência à pessoa de Cristo na missão da Congrega­ção, vivendo de acordo com o seu carisma específico, as suas tradições e Constituições e Estatutos. Este processo dialogal de toda a vida chama a uma vida de santidade e de alegria, que o amor de Deus ‘informa’ desde o começo até o final, e que esta Ratio quer explicitar nas suas diferentes etapas e exigências formativas.
10. Devido à diversidade existente dentro da Congre­gação, não há neste momento uma terminologia comum e precisa para definir as diversas etapas da formação. Não só se empregam termos diferentes, mas uma mesma palavra pode ter significado diferente em outro lugar da Congregação. Mais ainda, o sistema educativo de cada região utiliza diferentes palavras para descrever o processo escolar desde a infância até as etapas superiores. Por isso, para evitar confusões, a terminologia usada nesta Ratio para as diversas etapas da formação indicadas na Constituição 77, devem ser entendidas desta maneira:
11. FORMAÇÃO INICIAL




  • Do primeiro contato à Profissão temporária: Este período divide-se nas seguintes etapas:




    • Pastoral Juvenil e Vocacional Redento­rista – neste contexto pastoral, dentro de um amplo processo vocacional, os possíveis candidatos têm o seu primeiro encontro com a Congregação. No final deste caminho de discernimento, um acompanhamento vocacio­nal mais personalizado pode levar o candidato à etapa seguinte da sua formação.

    • Postulantado – é o período durante o qual o candidato, embora ainda não seja professo, vive numa comunidade segundo o espírito dos conselhos evangélicos (cf. C. 85), esforçando-se para integrar-se cada vez mais na Congre­gação. O objetivo desta etapa é preparar o candidato para entrar no noviciado.

    • Noviciado – “O noviciado se destina a que os candidatos examinem com mais profundidade se realmente foram chamados por Deus para seguir a Cristo por meio da profissão religiosa na vida apostólica da Congregação” (C. 86.2).

  • Da Profissão temporária até o final da Formação inicial: é o período durante o qual o neo-professo continua o seu crescimento na vida religiosa dentro de um ambiente formativo estruturado. Não há nas diversas Unidades um momento uniforme para terminar a formação inicial, mas costuma ser com a profissão perpétua, ou com a conclusão dos estudos eclesiásticos, ou com a ordenação diaconal ou presbiteral.

12. FORMAÇÃO PERMANENTE




  • É a formação que se desenvolve ao longo de toda a vida, e está composta por dois momentos principais:




  • Transição para o ministério: é o período no qual o professo (clérigo ou irmão) passa da formação inicial para uma comunidade apostólica da Unidade, onde encontra apoio para integrar-se na nova realidade pastoral.

  • Formação contínua: é o projeto formativo que se realiza durante o resto da vida, como um caminho contínuo para ser “missionários mais eficazes” a serviço da Igreja (Cf. C. 90).


PARA QUEM ESTÁ PENSADA ESTA RATIO

13. Esta nova edição da Ratio Formationis está dirigida a todos os membros da Congregação, idosos ou jovens, irmãos ou estudantes, diáconos permanentes ou presbíteros, como membros de uma única e idêntica família religiosa, que vivem a mesma vida de comunidade apostólica. Daí que a formação religiosa como tal ocupa o lugar principal no texto, já que todos devem ter as mesmas bases na sua formação religiosa. As exigências específicas da formação presbiteral ou diaconal serão indicadas oportunamente quando não aparecem claras no contexto.


14. Está pensada de modo especial para os que se preparam para tornar-se Redentoristas, quer sejam noviços, postulantes ou candidatos; para eles é uma espécie de manual que os ajuda a identificar-se de um modo ativo e consciente com o carisma redentorista.
15. O Estatuto geral 0169a diz: “Sob o nome de diretores da formação entendem-se aqui o diretor do juvenato, o mestre de noviços, o prefeito dos estudantes, os prefeitos de estudos, os professores do estudantado, o mestre do curso de pastoral, o prefeito dos irmãos jovens de toda (Vice-)Província.” Esta Ratio foi concebida como um guia essencial para eles, que são os mais imediatamente implicados, enquanto encarregados de coordenar e avaliar o progresso do candidato em todo o caminho da sua formação.
16. Esta Ratio dirige-se também aos (Vice-)Provinciais e Superiores Regionais (C. 82b), aos membros dos Secretariados de Formação, aos integrantes das comunidades de formação, e a todos os que fazem parte de alguma equipe de formação (incluindo também os leigos). Por outro lado, embora esta Ratio não se dirija explicitamente à formação de leigos missionários, ela pode ser útil nesse campo.
FINALIDADE DESTA RATIO FORMATIONIS
17. O objetivo fundamental deste Plano de Formação é:

- Garantir que o fim da Congregação inspire todo o processo da formação.

- Dar consistência a todas as etapas do caminho for­mativo, desde o primeiro contato com os candidatos até a formação permanente dos congregados.

- Ser um guia para elaborar as Ratio ou Diretórios (vice-)provinciais e os Projetos locais de formação.

- Servir de instrumento pedagógico para os formado­res e os formandos.
18. Esta nova edição da Ratio foi elaborada a partir das Ratio precedentes, e as substitui a todas, tanto a dos clérigos como a dos irmãos. Ela quer responder às exigências atuais da Igreja e da Congregação (cf. Cânon 659, 2), e ressaltar os critérios básicos e comuns da formação redentorista, ou seja: 1) que é uma formação para a missão que dura toda a vida, 2) na qual o agente principal é o interessado em sua resposta ao Espírito Santo, mas ajudado pelos formadores para que consiga integrar as várias dimensões da formação e pôr no centro a pessoa de Cristo, 3) e na qual a comunidade, como ambiente formativo, tem um papel insubstituível. A partir desta nova Ratio, cada Unidade deverá desenvolver a sua própria e específica Ratio ou Diretório, adaptado ao contexto cultural e eclesial.
19. Os Redentoristas de hoje somos herdeiros de uma rica história. Estamos trabalhando em mais de 70 países diferentes no mundo inteiro. A diversidade na Congregação se manifesta de modo especial na rica herança litúrgica e espiritual que temos enquanto somos uma Congregação composta não somente de membros que pertencem ao rito latino, mas também de membros de várias Igrejas e ritos orientais. Os diferentes Diretórios de formação devem respeitar esta diversidade na unidade que caracteriza o nosso Instituto.

Esta pluralidade dentro da Congregação constitui uma grande riqueza e também um desafio. Os encarrega­dos da formação devem preocupar-se com fortalecer nos candidatos tanto uma compreensão clara da cultura e necessidades da sua própria Unidade, como também um forte sentido de solidariedade dentro da ampla Congregação internacional, com o seu passado de história missionária e os seus desafios presentes pelo mundo a fora.


20. O esquema da página seguinte é um esforço de visualizar os elementos da formação contidos nesta Ratio, como um processo espiritual e ‘holístico’ que é personalizado e diferenciado, gradual e progressivo, integral e integrante, inculturado e universal.
A FORMAÇÃO É UM PROCESSO
PERSONALIZADO E GRADUAL E
DIFERENCIADO PROGRESSIVO






INTEGRAL INCULTURADO


E INTEGRANTE E UNIVERSAL

PARTE I

PRINCÍPIOS BÁSICOS

21. A formação, que é obra da graça e do esforço humano, é também uma arte e uma ciência. Daí a importância de assumir com fidelidade os critérios básicos que a guiam. Não são poucos os documentos eclesiais recentes que oferecem neste campo normas, critérios e orientações de grande importância, pois nos últimos decênios a Igreja tem se preocupado muito com a formação sacerdotal e religiosa, tanto no âmbito universal como nas conferências episcopais dos diversos países e nas conferências nacionais de Religiosos. Esta Ratio convida –de modo particular os formadores– a consultar com assiduidade e receptividade a documentação existente. Alguns dos mais importantes documentos são: Ratio Formationis Institutionis Sacerdotalis (1985), Potissimum Institutioni = Diretrizes sobre a formação (1990), Pastores dabo vobis (1992), Diretrizes sobre a preparação dos formadores nos seminários (1993), Vita consecrata (1996), Colaboração intercongregacional na formação (1999).






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