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Data, ainda, dessa época, talvez pelo desequilíbrio nervoso que sofrera, a insônia terrível que a acometeu e que a fez passar anos sem dormir. “Duas vidas numa só existência” costumava lhe dizer Eurípedes. Só bem próxima ao fim da jornada terrena conseguia uma ou duas horas de sono por noite.

Ao que ela me relatou, logo após seu tratamento com Eurípedes e sentindo-se mais restabelecida, começou a ajudá-lo na confecção de remédios de sua farmácia, bem como se tornou sua secretária nos labores que ele não tinha tempo de executar. E de ver-se em manuscritos antigos e letra linda, firme e uniforme que ela possuía, bem como a nobreza de suas frases.

Também na confecção de trabalhos manuais no arranjo de uma jarra com flores, em tudo que demandasse paciência, bom gosto e finura artística, ela era mestra exímia.

Todas as vezes que íamos a Sacramento, lá encontrávamos D. Amália sempre sorridente, sempre calma, sempre exemplo digno. Uma ocasião esteve em nossa casa, em Franca, por uns dois meses. Recordo-me que confeccionou duas maravilhosas capas de lã para minhas duas filhas mais velhas e era a amiga certa e firme nos trabalhos espirituais que então realizávamos. Dessa época, há pouco tempo, vi no Lar de Eurípedes uma fotografia que muita saudade me trouxe.

Mais tarde D. Amália, Corina Novelino e Maria da Cruz idealizaram e iniciaram a construção de um lar para meninas desamparadas – O Lar de Eurípedes. Não seguimos, meu marido e eu, o trabalho das três heroínas abnegadas. Também estávamos assoberbados com a estruturação do Educandário Pestalozzi e nenhum momento tínhamos para outra coisa, a não ser o trabalho que por anos ininterruptos nos tomou todas as forças.



Imagino, contudo, a luta que sofreram, os desânimos dos pessimistas que as afrontaram, a falta de recursos monetários que as abafou. D. Amália era a tesoureira da organização. Sua escrita era a mais honesta possível, os tostões contadinhos e ela procurava dar-lhes o melhor rumo. Foi daí em diante que ela se tornou a “tia Amália” de muitos e a “vó Amália” das internadas do Lar de Eurípedes.

Um dia perceber que as forças lhe iam faltando. Já não podia subir as escadas do edifício, já quase não se levantava, pouco se erguia da cama no canto de seu quartinho simples, no Lar. Foi aí que conversei com ela pela última vez. Entre tantos fatos bonitos – e como gostava de conversar! – narrou-me um sonho lindo que tivera, um que numa reunião, congresso talvez de espíritos luminosos, ela vira Bezerra de Menezes à presidência. Parece-me, hoje, depois dos livros maravilhosos de André Luiz conseguidos graças à psicografia inigualável de Chico Xavier, que D. Amália, em realidade, visitara a espiritualidade e estivera presente a uma alta reunião de espíritos redimidos.

Certa vez... a notícia. D. Amália partira. Sofrera muito. Diziam que era câncer nos intestinos, fígado, estômago, que se sabe? Ela se foi, era o fato consumado. No entanto, que maravilha é a Doutrina Espírita! – um dia... ou melhor, uma noite... 22 de abril de 1974... estávamos chocados com a súbita partida de uma de nossas professoras, desaparecida aos 22 anos em virtude de um acidente automobilístico...
Chico Xavier e nós
Conhecemos Chico Xavier quando ainda residia numa singela casinha de sua amada Pedro Leopoldo. Estivéramos, meu marido, minhas filhas e eu, durante todo o mês no Rio de Janeiro, onde Novelino fizera um curso de cirurgia. Do Rio fomos a Belo Horizonte no intuito de chegarmos até Pedro Leopoldo e lá conhecer o Chico. Era 1944. Encontramos o querido médium à porta do Correio e de lá fomos a sua casa. À noite, na reunião costumeira que ele realizava, recebemos por seu intermédio uma maravilhosa comunicação de Eurípedes, incentivando-nos aos trabalhos que pensávamos realizar e alertando-nos contra os perigos que atravessaríamos. Alertou-nos quando disse: - “Os monstros do passado delituoso costumam atacar os trabalhadores desprevenidos” e incentivou-nos à luta ainda mesmo aguerrida quando continua – “mas os discípulos de bom ânimo perseveram até o fim.”

Naquela época o “Pestalozzi” para nós ainda estava na área do sonho, pois a primeira escolinha – “Escola Pestalozzi” – só se iniciou em agosto desse mesmo ano, 1944, e a Fundação em maio de 45.

E quantas lutas sofremos! Mas Deus sabe que nunca pensamos desistir!

Nesse ínterim mudara-se o Chico para Uberaba. Nessa cidade visitamo-lo apenas por duas ou três vezes. Mais não foi possível devido às preocupações imensas que nos assoberbavam e ao quase total regime de trabalho e servidão em que vivíamos naqueles anos titubeantes do “Pestalozzi”.

Em 1970, 20 de maio, comemorava o nosso Instituto o seu jubileu de prata e para as solenidades convidamos o Chico. Como por milagre acedeu, e tivemos com ele uma sensacional tarde de autógrafos e, à noite, uma sessão pública memorável. Ao final dessa reunião, recebeu uma poesia de Castro Alves, composta de oito estrofes de oito versos cada uma, bem no estilo próprio do poeta baiano, falando sobre a excelsitude da educação e assim terminando:

Companheiros do Evangelho,

Que o vosso amor vibre puro,

Edificando o futuro,

Na Luz Excelsa do Pai!

Eis que o Cristo nos conclama,

Sob o fulgor do Cruzeiro,

Repetindo ao mundo inteiro:

- “Espíritas, educai!...”

D. Amália, Chico e nós


Ora, naquela noite, 22 de abril de 1974, dia do enterramento do corpo material da doce Ana Maria, como já foi lembrado, estando Chico Xavier em nossa casa, recebeu para nós uma mensagem da querida D. Amália. Passou a sua íntegra (*):

(*) Esta mensagem integra o próximo capítulo

Comentando apenas alguns tópicos, afirmo que ela veio ao encontro de nossas necessidades do momento, visto estarmos em fase de muita desolação e aperturas:

“O trabalho é nosso, quase por privilégio, se pudéssemos falar em prerrogativas na Seara do Bem”.

“... rogamos a vocês dois paciência e coragem.”

“Não se sintam marginalizados por esse ou aquele motivo.”

“o alicerce é o mesmo. Vocês dois em Jesus”

“Vocês deveriam construir um reino em louvor de Jesus, com a fé e a cultura, coração e cérebro integrados pelo trabalho a se garantir com a precisa auto-suficiência e fizeram esse reino.”

Para que continuar? Seria preciso repetir a carta-mensagem de D. Amália para saborear, de novo, cada frase de carinho e observações que ela contém.

Sim, a suave D. Amália é, ainda continua a ser, a abnegada secretária de Eurípedes!

***


Nesse dia em que me foi solicitado escrever alguma cousa sobre o nosso relacionamento, faço-o com o coração e com a melhor das intenções, da emoção e da agridoce saudade. Não ofereço datas sobre a vida dela porque me faltam dados positivos e necessária seria uma pesquisa que não posso realizar. Relato apenas e simplesmente nosso conhecimento, nossa convivência, nossa amizade e o carinho que ela continua a nos ofertar no Mundo da Verdade em que hoje se encontra.

 Maria Aparecida Rebêlo Novelino.”

 

14
“A provedoria do Senhor não nos esquece”, Amália Ferreira de Mello



 

 Novelino, Aparecida, rendamos graças a Deus!

O trabalho é nosso, quase por privilégio, se pudéssemos falar em prerrogativa na Seara do Bem.

Compreendemos o que vai ocorrendo. A obra, em vocês e com vocês, cresceu muito. Assumiu dimensões novas. Atividades da área de nossa fé se interligam com as áreas do trabalho educativo, baseado nas competições de ordem profissional. Isso, por vezes, desgasta e aborrece.

Entretanto, rogamos a vocês dois paciência e coragem. Paciência para suportar,  coragem para prosseguir. Não se sintam marginalizados por esse ou aquele motivo. A tarefa agigantou-se, mas o alicerce é o mesmo – vocês dois em Jesus. Em Novelino, a força da realização, em Cida o sentimento que lhe assegura a estabilidade.

Unamo-nos. Em qualquer dificuldade, oremos juntos. Estaremos com vocês. Não se encontram, sem razões justas, com a edificação em andamento. Vocês deveriam construir um reino em louvor de Jesus, com a fé e a cultura, coração e cérebro integrados pelo trabalho a se garantir com a precisa auto-suficiência e fizeram esse reino. O “Pestalozzi” é o castelo do passado, hoje convertido em oficina e templo, homenageando a Humanidade, em Cristo, por um Mundo Melhor.

Natural que manter seja muito mais difícil que inaugurar. Misturemos nossas esperanças e lágrimas, reflexões e lutas, seguindo para a frente. O amor vence os antagonismos, tanto quanto a luz dissipa as sombras. Sitiados, muitas vezes, por aqueles mesmo adversários do pretérito que teimávamos em combater, somos hoje chamados a transformá-los com a energia do nosso amor.

Cida, os problemas são lições, quantas vezes, ásperas demais; no entanto, é necessário aceitá-los, para, em seguida, atenuá-los e extingui-los e, quando isto não se nos faça possível, urge contorná-los e seguir adiante, com a certeza de que a Provedoria do Senhor não nos esquece com os recursos precisos.

Novelino amigo, nosso Eurípedes está a postos. Amigo de sempre, companheiro de todos os dias.

Atendamos à faixa de tempo, mesmo pequena, de semana a semana, para juntos dialogarmos em nossa confiança recíproca. Vocês dois falarão na prece e responderemos em pensamento.

Muitos amigos estão conosco e nunca estivemos só. Zelem da saúde física. A máquina é precisa. Justo ampará-la e abençoá-la. Não temam. Guardemos serenidade e estejamos certos de que o Apoio Divino não nos faltará.

Continua sendo sempre agradecida a irmã pelo coração, quase que constantemente com vocês,

Amália.
Identificações
1 – “Pestalozzi” – Fundação Educandário Pestalozzi, de Franca, SP.

2 – Eurípedes – Eurípedes Barsanulfo (1880 – 1918), grande vulto do Espiritismo brasileiro.

3 – Amália – Amália Ferreira de Mello nasceu em Sacramento, MG, a 19/9/1888, e desencarnou em sua própria terra natal, a 30/11/1963. Ver outras informações biográficas dessa devotada seareira no livro: Eurípedes – o Homem e a Missão, Corina Novelino, IDE; e no artigo: “Eurípedes e sua Equipe”, Anuário Espírita 1980, de autoria de Corina Novelino.





Aulus de Paula e Silva Bastos

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Unidos  pelas  recordações  e  preces

 

 

Conhecemos a dor maior da família do jovem Aulus, com o seu inesperado e súbito retorno ao Mundo Maior, em acidente automobilístico, quando organizávamos, em 1977, o livro Amor Sem Adeus (médium F. C. Xavier, Espírito de Walter, IDE, Araras, SP.).



Naquela época, D. Camélia de Paula e Silva Bastos, sua progenitora, residente em Ribeirão Preto, SP, deu-nos por escrito um interessante depoimento, incluído no Capítulo 15 da referida obra, no qual ela explicava o seu relacionamento fraterno e amigo com D. Maria Perrone, mãe de Walter, residente em São Paulo, iniciado nas reuniões públicas do Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, Minhas.

“Daí por diante – escreveu D. Camélia -, sempre que D. Maria ia a Uberaba, não deixava de nos telefonar, convidando-nos para irmos nos encontrar naquela cidade. Algumas vezes, foi-nos possível aceitar seu amável convite, razão pela qual pudemos associar-nos ao seu júbilo, quando, repetidas vezes, recebia novas mensagens do seu Waltinho que passamos a estimar muito, pelo filho carinhoso que foi e continua sendo.

Começamos, então, a pedir-lhe, em nossas orações, se tornasse generoso amigo de nosso filho e nos desse notícias dele, caso não lhe fosse possível dar mensagens de próprio punho.

Grande conforto foi para nós quando recebemos, por intermédio do bondoso Waltinho, em sua mensagem de 10 de abril de 1976, notícias do nosso amado filho.”

***

Por que Aulus, falecido em 1972, não havia até então se comunicado pela psicografia?



Esta era a indagação mental que, evidentemente, sua mãe sempre fazia ao ver tantos jovens, com tempo menor de desencarnação do que seu filho, escrevendo pela via mediúnica.

A resposta veio na referida mensagem de Waltinho, nos seguintes termos:

“Aulus e Amaury rogam aos pais queridos coragem e esperança. (...) E Aulus abraça os queridos progenitores que esperam sempre as expressões escritas. Também ele aguarda recursos de integração com o processo mediúnico da escrita, mas diz à mãezinha, nossa irmã D. Camélia, que ela o registra quase constantemente, de vez que, pelas recordações e preces, estão sempre unidos.”

***


Apenas três meses após a bênção deste recado consolador, D. Camélia e seus familiares receberam, pelo lápis mediúnico de Chico Xavier, a carta tão esperada. Superando suas dificuldades, Aulus conseguiu transmitir por escrito as suas próprias notícias, na reunião pública do Grupo Espírita da Prece, em 24 de julho de 1976.

E, em outras ocasiões – como veremos no próximo Capítulo – escreveu preciosas cartas, de ternura e bom senso, demonstrando participar dos problemas da família que deixou na Terra, mesmo vivendo em outra faixa vibratória.

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“Estamos sempre encontrando o  ‘ontem’ e preparando o ‘amanhã’  nas horas de hoje”, Aulus de Paula e Silva Bastos

 

 Querida mãezinha, meu querido pai, minha querida vó Jerônima, amores de nossa vida, peço a Deus que nos abençoe e nos proteja sempre.



Na própria saudade tão nossa, percebem os meus queridos que não estou ausente.

As lágrimas se trocam no mesmo ritmo em que as alegrias são permutadas. Mamãe, nós vivemos uns nos outros, tanto na vida física quanto fora dela.

Tenhamos calma e sustentemos a nossa fé. Sei que esperam por mim nas letras, mas estamos juntos nos pensamentos. Não é fácil a desvinculação dos que se despojam do corpo, à maneira de quem despe certa peça de roupa, de vez que prosseguimos enlaçados no amor com que Deus nos reúne.

Creio que pelas muitas conversações que temos tido em casa, em que me assemelho a sujeito oculto, a refletir-se nas opiniões do papai, todos já compreendem que já varei o tempo de readaptação aos sistemas de vida no mundo a que fui trazido. Por isso dispenso-me de considerações sobre aquele ano novo que realmente foi para mim de plena renovação. Peço-lhes não pensem demasiado sobre os motivos do acidente. Sabemos que estamos sempre encontrando o ontem e preparando o amanhã nas horas de hoje. E, por essa razão, o carro a desorientar-se estava em meu programa e no programa dos companheiros.

Respondo a certa questão que se levantou: falo sobre os pneus calvos que efetivamente nos serviram de instrumento ao resgate, mas por isso ninguém deve deixar de zelar pelos veículos, observando como estão e o que serão capazes de fazer ou servir quando se colocarem na movimentação que se lhes exige. Pneus calvos nos levaram a resgatar dívidas do espírito, mas se é verdade que isso aconteceu, isso não é razão para que a pessoa não se importe com as máquinas. As máquinas são criações nossas e tudo o que inventamos no mundo em nosso favor reclama atenção e cuidado de nossa parte.

Felizmente, o que passou, passou... Agora, mãezinha, precisamos de confiança em Deus e viver, viver conforme as leis de Deus que respeitamos.

Peço-lhes proteção para o nosso Marcos. Estou firme, tentando ajudar ao irmão e amigo; entretanto, sabemos, não é muito fácil suportar tantas dificuldades na hora juvenil dos que atravessam hoje as faixas da mocidade física na Terra, sem riscos e sem lutas.

Acompanhei as alegrias do aniversário do irmão querido e compartilho das preces de todos no lar, para que o vejamos valoroso e feliz.

Contudo, mamãe, felicidade varia tanto, de alma para alma, que mais vale observar o que deseja o meu irmão do que esperamos que ele se atenha ao que lhe traçamos, crendo com isso arquitetar as vitórias de que ele se colocou à procura.

Estamos juntos e juntos seguiremos para diante. As palavras de papai e as suas preces, aqui se completaram para mim como sendo a lâmpada e a luz que me clarearam as estradas novas. Coragem e fé em Deus, é o que lhes peço.

Cristina, Marta e os corações queridos de nossos amados nos recantos da alma jazem comigo, à feição de nossos tesouros.

A senhora, mãezinha, com o nosso anjo da família, que a recebeu no carinho materno, a querida Vovó Jerônima, continuem com as nossas preces.

Não precisamos alterar os caminhos e sim renovar a nós mesmos.

Não percam as oportunidades de conversar com muito amor com o nosso Marcos e saibamos conservar a certeza de que todos somos de Deus.

Vovô Afrânio e o nosso amigo Cônego Osório estão comigo, enquanto escrevo. Vovô Afrânio pede seja dito à Vovó Jerônima que ele não a esquece, que os amigos da antiga Fazenda Rio Verde o receberam aqui com o maior enternecimento e com a maior alegria, e notifica à Vovó que o Padre José Marinho foi para ele um novo pai espiritual na vinda para cá.

Meu pai, continue a falar-nos das verdades da vida e abençoe-nos.

Mãezinha, com o Vovó Jerônima abençoe-me e todos recebam o carinho imenso e o imenso amor do filho e neto reconhecido, hoje mais profundamente ligado ao nosso lar, com as nossas esperanças reunidas em Jesus Cristo.

Sempre o filho devedor e agradecido,

Aulus.

Notas e Identificações


1 – Carta recebida pelo médium F. C. Xavier, em reunião pública do Grupo Espírita da Prece, a 24/7/1976, em Uberaba, Minas.

2 – Vó Jerônima – D. Jerônima Furtado Damasceno e Silva, avó materna, presente à reunião.

3 – Estamos sempre encontrando o ontem e preparando o amanhã nas horas de hoje – Eis uma síntese notável de nossa evolução espiritual através de reencarnações sucessivas.

4 – Pneus calvos nos levaram a resgatar dívidas do espírito – A perda da vida física em plena mocidade estava no programa traçado em obediência à Lei de Causa e Efeito ou de Responsabilidade, que espelha a Justiça Divina. (Ver o Livro dos Espíritos, 4a. parte, cap. 2; e O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 5, ambos de Allan Kardec.)

5 – Marcos – Marcos de Paula e Silva Bastos, irmão um ano mais novo que Aulus.

6 – Acompanhei as alegrias do aniversário do irmão – O aniversário do Marcos tinha sido na véspera, dia 23 de julho.

7 – Cristina e Marta – Irmãs.

8 – Vovô Afrânio – Afrânio de Paula e Silva, avô materno, falecido dois anos após a desencarnação de Aulus.

9 – Cônego Osório – Sacerdote católico que batizou a mãe de Aulus, em Frutal, MG. Faleceu há muitos anos, provavelmente em Uberaba.

10 – Fazenda Rio Verde – Extensa propriedade agrícola no município de Frutal, cujo nome desaparecerá com a subdivisão da mesma em outras fazendas das menores. Este nome era desconhecido até pela mãe de Aulus, tendo sido comprovado pela vovó Jerônima.

11 – Padre José Marinho – Primeiro sacerdote católico da cidade de Frutal, onde nasceu a mãe de Aulus. D. Jerônima explicou-nos que não o conheceu, mas sabe que ele foi perseguido por inimigos, sendo amparado na época pelo bisavô de D. Camélia.

12 – Aulus – Aulus de Paula e Silva Bastos, filho de Urbano dos Santos Bastos e Camélia de Paula e Silva Bastos, a 14/7/1955 e faleceu a 31/12/1972, em acidente automobilístico na Via Anhanguera. Na época, cursava o 2o. Colegial e um Cursinho com vistas ao vestibular de Engenharia. A família é de Ribeirão Preto/SP.

 

Segunda Carta


“Ao sol da esperança”

 

Mãe querida e querido papai, abençoem-me.



Umas palavras somente. Felicidades, mamãe, por seu maravilhoso. Dia de Rainha do Lar, nestes votos de paz e alegria em que me expresso, rogando as bênçãos de Deus em seu favor, extensivamente à vovó. Mãezinha Camélia, as felicitações por seu aniversário sempre querido aqui se encontram igualmente reunidas às que estou formulando pelo Dia das Mães.

Diga ao Marcos para sair da fossa e viver ao sol da esperança, colocada na fé positiva em Deus.

E peço seja dito à Cristina que ela não perderá por acrescentar paciência à paciência de que a querida irmã já se faz portadora. A tristeza e a irritação me parecem contagiosas e o cunhado, profissionalmente, ainda precisa viajar em serviço.

Muito amor ao papai e a vovó que nos esperam. E com o meu coração a reuni-la com o querido papai e com os meus irmãos num só abraço de muito amor, sou e serei sempre o seu filho que lhe traz nesta noite toda a ternura e toda a gratidão que é capaz de sentir.

Sempre reconhecido, o seu

Aulus.


 

Notas e Identificações


13 – Carta psicografada pelo médium, F. C. Xavier, em reunião pública do Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, Minas, na noite de 17/5/1979.

14 – Felicitações por seu aniversário – O aniversário de sua mãe é no dia 15 de maio.

15 – Cristina – Cristina de Paula e Silva Bastos Lima, irmã, casada com o sr. Carlos Roberto Mota Lima.

 

Terceira Carta


“Aqui é unicamente um alô”

 

Querida Mãezinha Camélia, querido papai Urbano, querida vovó e querido Marcos.



Em oração peço a Deus nos abençoe a todos. Aqui é unicamente um alô para o nosso Marcos, no qual rogo ao irmão serenidade e paciência com a vida a fim de vencer na trilha em que fomos colocados pelos Poderes Superiores que nos governam.

Muito teria a dizer, mas o tempo é implacável, os ponteiros não cessam de caminhar qual ocorre ao coração que não pára de pulsar.

A vovô Afrânio veio em nossa companhia e promete prosseguir trabalhando em nosso auxílio.

Aos irmãos sempre queridos e aos queridos pais, o abraço envolvente e iluminado de muita fé em Deus, com todo o coração do filho sempre reconhecido,

Aulus.

 

Nota


16 – Carta psicografada pelo médium F. C. Xavier, em reunião pública do Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, Minas, a 14/9/1979.

 

 



Quarta Carta
“O coração expressando sentimento é superior a qualquer outra força da vida”

 

Querida Mãezinha Camélia, estou na tradição, a fazer-me seu menino de novo e a pedir-lhe que me abençoe.



O tempo inflexível rege a nossa estrada e todos os fatos são arquivados pelas horas que se sucedem umas às outras.

Importante considerar, porém, que o coração expressando sentimento é superior a qualquer outra força da vida. Acontece que o amor vem de Deus e, por isso mesmo, o amor permanece, acima de quaisquer transformações. Muito se alterou em minha vida mental e creio que o mesmo terá ocorrido em nossa querida família, entre as nossas paredes domésticas. Entretanto, os sentimentos nossos perseveram sempre autênticos, sempre os mesmos.

Quanto posso volvo ao lar e compartilho de suas tarefas e lutas, associando-me ao papai Urbano, a fim de reconfortá-la. As mães estão sempre satisfeitas e sempre ansiosas ao mesmo tempo. Satisfeitas porque se reencontram nos filhos que Deus lhes confiou e ansiosas porquanto esperam de cada filho um modelo de herói, qual sonham no carinho que nos dedicam.

Compreendo agora, Mamãe, que as nossas idealizações são diversas das realidades fundamentais. Em vista disso, rogo ao seu carinho sustentar o seu armazém de paciência e calma, de modo a socorrer-nos a todos, em nossas aquisições de espírito. Para que o suprimento desse reservatório de bênçãos não sofra carência, peço para que as suas orações não esmoreçam. Não digo isso porque a palavra realiza milagres tão somente por sim. É que a prece é, mais que tudo, ligação com o Poder Divino, sempre inesgotável para reformar-nos o abastecimento de energias.

Querida Mãezinha, quando a tristeza lhe bater à porta do coração, considere as alegrias que os Mensageiros do Bem nos ofertam incessantemente e não se deixe dominar pela sombra. As provas e os problemas do cotidiano constituem lições na escola do mundo e terminam sempre que as suportemos com amor e trabalho no melhor a fazer, em fontes de êxito e de alegria, estabelecendo degraus de conhecimento pelos quais se pode procurar a bênção da elevação. Sempre que esse ou aquele acontecimento lhe fira a sensibilidade, reúna-se, quanto possível, com meu pai, em oração, e entraremos no intercâmbio espiritual mais ativo, do qual participarão amigos e benfeitores nossos que nos auxiliarão no setor do entendimento.

Posso ainda tão pouco e voltei com tamanha necessidade de preparação mais íntima ante a Espiritualidade que, efetivamente, ainda não consigo realizar o que desejo a favor de nossa casa; entretanto, não nos faltam dedicações queridas nos Planos da Vida Maior, invariavelmente prontos a sustentar-nos na trilha a percorrer.

Estamos cooperando em apoio ao nosso Marcos. Continuemos leais à esperança. O irmão amigo é portador de um coração generoso e belo; no entanto, ainda está no processo de pré-maturidade quanto à vida interior. Estejamos convencidos de que Jesus nos ajudará a vê-lo vitorioso em si mesmo, a caminho das melhores realizações. E a nossa Marta está no acesso à formação de mais amplos valores. Espero que a irmãzinha possa crescer em conhecimento e experiências, enriquecendo-nos a todos de paz e de alegria.

Ao querido amigo Carlos e à querida Cristina, envio o meu abraço de irmão reconhecido, com os meus votos a Deus para que a união e a felicidade os mantenham cada vez mais felizes junto aos queridos sobrinhos Renato e Ricardo, rebentos de nossa fé no grande futuro.

Mãezinha, o vovô Afrânio agradece as vibrações de paz e serenidade que as suas preces em conjunto com a nossa querida vovó Jerônima lhe enviam. Nesse sentido, desejamos, ele e eu, seja dito à vovó Jerônima que o tio Antônio e o Júnior vão melhorando sempre, assimilando os valores da vida nova e que fomos trazidos para continuar aprendendo a trabalhar e a servir, nos padrões de Jesus.

Hoje, agradeço a Deus as provações que nos feriram a alma, tempos atrás, quando o acidente me obrigou a receber passaporte compulsório para o Mais Além.

O tempo funciona. As situações externas se modificam e, conforme as observações a que me referi, o coração prossegue sem diferença. Pensando assim, envio muito carinho a todos os familiares queridos, desejando que o nosso prezado Carlos me sinta na afeição e na confiança de todos os dias.

Mãezinha querida, Deus lhe conceda muita felicidade em seu natalício próximo. Seu filho estará ao seu lado, festejando o dia inesquecível.

Com muito carinho ao papai Urbano, aos irmãos e aos sobrinhos, peço ao seu coração materno guardar todos os sonhos e esperanças, agradecimentos e anseios de realização para a Vida Superior de seu filho que lhe pertence pelo coração.

Sempre o seu,

Aulus.

Notas e Identificações


17 – Carta psicografada pelo médium F. C. Xavier, em reunião pública do Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, Minas, a 26/4/1980.

18 – Renato e Ricardo – Sobrinhos de Aulus, filhos de Cristina e Carlos.

19 – Tio Antônio – Antônio Furtado Damasceno, tio avô, desencarnado em 28/10/1938.

20 – Júnior – Afrânio de Paula e Silva Júnior, tio materno, desencarnado em 14/4/1979.

 

Quinta Carta


“Com a gratidão e o amor que plantaram em meu íntimo”

 

Meu caro Papai Urbano e querida Mãezinha Camélia.



Meu pedido de bênção. Aqui é simplesmente um comunicado rápido. Sei que a noite não comporta longas laudas escritas.

Desejo agradecer as lembranças de aniversário e cumprimentar ao nosso Marcos pela data próxima do natalício. Temos acompanhado, querido irmão, as suas meditações e peço-lhe calma. O homem no mundo encontra por vezes problemas muito difíceis de resolver, mormente quando esses problemas envolvem assuntos do sentimento. Pense devagar e continue esperando mais tempo, a fim de assumir responsabilidades. Sobretudo não se esquente demais na intimidade dos próprios pensamentos e sim, convém voltar ao tempo das preces com Mamãe e com a vovó Jerônima a fim de reaprendermos o “Pai Nosso que estás no Céus..”

Hoje creio que, em nos sentindo homens feitos na Terra, muita falta nos faz aquela simplicidade da criança que não conseguimos alijar da personalidade, especialmente quando o sofrimento nos inclina à procura de reconforto e proteção. Atendamos ao melhor que possamos realizar em nossas possibilidades e sigamos adiante.

Envio lembranças à Cristina, ao Carlos, à Marta e a todos os corações queridos presentes e ausentes.

O vovô Afrânio prossegue na tarefa de abençoar-nos e proteger-nos nos caminhos do cotidiano e rogo que isso seja comunicado à vovó Jerônima, com a certeza de que a Bisavó Quintiliana, nossa querida benfeitora, não a esquece e nem se esquece de nós em nosso grupo doméstico.

Papai Urbano, diga por mim à Mãezinha Camélia e aos nossos as palavras de encorajamento que não sei articular.

Reúno a todos em meus braços, com a gratidão e o amor que plantaram em meu íntimo.

Aos pais queridos e à nossa família, todo o reconhecimento com o imenso afeto do,

Aulus.

Notas
21 – Carta psicografada pelo médium F. C. Xavier, em reunião pública ao Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, Minas, a 12/8/1980.



22 – Desejo agradecer as lembranças de aniversário – Aulus teria feito aniversário no dia 14/7.

23 – Cumprimentar o nosso Marcos pela data próxima do natalício – Seu irmão aniversaria no dia 23/8.

 

Sexta Carta


“Do ‘lado de cá’, igualmente necessitamos de que todos cooperem conosco”

 

Querida Mãezinha Camélia e querido papai Urbano.



Lembro-me da bênção em casa e peço-lhes semelhante auxílio. Benefício que espero da vovó Jerônima igualmente.

É isso. Abeiramo-nos desta mesa de intercâmbio espiritual e, às vezes, insistimos com amigos e parentes, a fim de que mobilizem o lápis. E se esquivam, referem-se à estranheza de que se reconhecem possuídos, diante da expectativa de se manifestarem perante amigos generosos de quem absorveriam o tempo, segundo alegam. Por isso, é preciso que alguém assuma o problema.

Não me sinto capaz de substituir o vovô Afrânio aqui conosco, e muito menos a Vovó Quintiliana, a quem não chamarei de bisa; entretanto, eles mesmos me encarregam de transmitir a notícia de que estão passando regularmente bem, com a saudade de permeio, à feição de uma doença cronificada nestes pagos em que nos vemos hoje.

Estimaria guardar qualidades para falar com segurança aos irmãos quanto ao futuro iluminado de bênçãos que lhes desejamos; no entanto, somos também novatos na Vida Espiritual e, muito embora o esforço que se desenvolve para que a gente se sinta mais leve para diminuir o peso das preocupações que agitam os nossos entes queridos no Plano Físico, somos forçados a notar, pelo menos quanto a mim, que tenho ainda muita carga mental para ser deposta no caminho.

Ainda assim é necessário criar coragem e pedir ao nosso Marcos para que confie em Deus para se observar mais seguro em si mesmo. Sei que as surpresas de caráter negativo são numerosas a cercarem o coração dos companheiros mais jovens na arena do mundo, mas se posso, rogo ao irmão refletir sempre, quanto a quaisquer atitudes que pretenda aditar no currículo da vida, a fim de que os acertos nos favoreçam no cotidiano. E que a oração se nos faça escora para que o carro de nosso sonhos e aspirações não sofra acidentes que o desmontem. Muita gente crê que a meditação em prece é tempo perdido, mas chegará o tempo de se reajustarem opiniões para quem assim raciocine. A oração é uma bênção que nos oferece a pausa de revisão de quaisquer planos que estejamos formulando para os minutos em andamento. Mas não preciso alinhavar sermões porque o mano é inteligente bastante para discernir.

Peço à Mãezinha Camélia dizer por mim à Cristina e Marta que não as esqueço e que compreendo a importância dos cursos que fazem sob o amparo de Jesus. Cristina no ministério de esposa e mãe, onde as notas são conhecidas, por enquanto, somente na Espiritualidade, e Marta nos estudos em que a formação acadêmica lhe proporcionará novas chances de conquistar mais felicidade pelo conhecimento superior que vai entesourando. E eu também de minha parte freqüento agora um educandário diferente, aquele em que somos convidados ao exame gradual de nós mesmos, com as possíveis demonstrações de trabalho, visando à promoção a mais serviço, porque nestas bandas, serviço que auxilie a todos os que nos cercam é privilégio que se procura avidamente, a fim de que o nosso progresso não se faça ilusão.

Querida Vó Jerônima, o tio Júnior prossegue muito bem, apesar do antigo tema da carência afetiva que o prende ainda, como é natural, à família querida na retaguarda. E o Vovô Afrânio com a Vó Quintiliana lhe solicitam a continuidade de sua fé em Deus na dedicação habitual a todos os nossos familiares queridos, prometendo-lhe velar pelo tio Durval e pelo tio Anésio.

Prometemos nós também colaborar com os corações inesquecíveis que ficaram, mas penso que posso afirmar que, do “lado de cá”, igualmente necessitamos de que todos eles cooperem conosco para que as nossas equações de apoio mútuo funcionem sem erros ou desajustes. Intercâmbio real, em que as mãos doam de si o melhor que possuem e esperam algo receber para que o trabalho do bem não atravesse frustrações. Enfim, vamos indo... graças a Deus estamos seguindo bem porque todos estamos com a possibilidade de fazer alguma coisa pelo bem do próximo e conseqüentemente para o bem de nós mesmos.

Queridos meus, agora é aquele momento do “até” – do “até” que em si é uma palavra sempre sibilina, porque pertence muito mais aos Desígnios de Deus do que aos nossos próprios desejos.

Agradeço à Mãezinha Camélia e à Vó Jerônima as preces e bênçãos de sempre, e abraço em meu pai a família inteira.

Muito carinho a todos, com os melhores votos de felicidade a cada um de nossos familiares e a cada um de nossos companheiros aqui presentes, com todo o coração do

Aulinho.

 

Notas e Identificações


24 – Carta psicografada pelo médium F. C. Xavier, em reunião pública do Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, Minas, a 29/3/1981.

25 – Tio Durval – Durval de Paula e Silva, tio materno.

26 – Tio Anésio – Anésio de Paula e Silva, tio materno.

27 – Aulinho – Tratamento carinhoso que lhe davam os familiares, desde que nasceu.




Benedito Souza de Oliveira

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Desfazendo  uma  dúvida cruel

 

 

No mês seguinte ao recebimento de uma carta do filho desencarnado, o sr. José Lúcio de Oliveira compareceu novamente ao Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, para mostrar a Chico Xavier as cópias xerográficas do Processo instaurado em decorrência do fato que motivou a morte do jovem Benedito Souza de Oliveira. Ele irradiava felicidade, pois as declarações do autor do disparo e das testemunhas concordaram plenamente com o que seu filho havia escrito através do lápis mediúnico!



Os familiares de Benedito – residindo em Pontes Gestal, SP, localidade muito distante da capital paulista, onde ocorreu o fato a 24 de julho de 1977 – ignoravam, até então, o que a Justiça havia registrado da triste ocorrência. Aceitaram as interpretações da causa da morte como acidente, embora guardassem no íntimo uma dúvida cruel: acidental, mesmo?

Assim, as informações vindas do Mundo Espiritual proporcionaram, além do esclarecimento, muito consolo e muita paz à família e aos amigos do jovem.

Na reunião pública de 14 de julho de 1978, em que o sr. José Lúcio, reencontrou-se com Chico Xavier, também lá estávamos, ocasião em que tivemos o prazer de conhecê-lo e de ler a carta de seu querido filho, impressa pela família e distribuída a todos os presentes. Expondo-lhe nossa intenção de divulgá-la pela imprensa espírita – na esperança de que o conteúdo da mesma venha beneficiar outros corações sedentos de consolo e de elucidação para situações semelhantes -, colocou-se ao nosso dispor, prazerosamente, permitindo-nos alinhar estes apontamentos e as notas esclarecedoras do próximo Capítulo. (*)

 (*) Esta matéria foi publicada primeiramente no Anuário Espírita 1979, IDE, Araras, SP, pp. 13-19.

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“Serei para os meus pais um abraço invisível na Terra dos homens”, Benedito Souza de Oliveira

 

 Querido Papai José Lúcio, querida mãezinha, rogo-lhes para que me abençoem.



Em meu abraço reúno ambos, com o nosso Osmar, com o Newton Carlos, com a Eliane e com todos os nossos do coração.

Tenho dificuldade de exprimir-me com a fidelidade que desejaria manter. Não sei se escrevo ou se choro, se exponho minha alma ou se agradeço a Deus o momento em que nos vemos aqui reunidos, com a possibilidade de entregar-lhes as minhas notícias, como quem se utiliza de uma agência dos correios, para tranqüilizar os entes amados que ficaram distantes.

Neste ponto de minhas palavras, ignora-se o afastamento, está do meu lado outra parte da família querida. A desencarnação nos atira num mundo completamente novo. No íntimo estamos conscientizados quanto à volta ao lar verdadeiro, porquanto retornamos à paisagem de que um dia nos retiramos para configurarmos de novo no plano físico, à maneira de quem veste uma roupa pesada de trabalho; no entanto, regressamos para cá demasiadamente condicionados. Sei que todos somos filhos de Deus, mas ainda não consigo renunciar à certeza de que sou filho de meus pais terrestres e irmão dos meus irmãos acima de tudo.

Creio que Deus nos permite essas situações para que o amor prossiga por luz, inapagável a clarear-nos o caminho, porque, em verdade, pertencemos a Deus, mas Deus nos aproximou um dos outros para escorarmos mutuamente na caminhada para diante.

Sinto meus irmãos todos aqui: João, Oswaldo, Maurílio, José e Amélia, estão na tela de minhas lembranças com a mesma consistência da imagem no nosso querido Osmar aqui à frente de meus olhos.

Mãezinha querida, meu Pai, estou com o meu avô José Rodrigues de Souza, que me auxilia a endereçar-lhes esta carta. Foi ele o benfeitor de sempre, quem me recolheu naquelas horas de julho, há quase um ano...

Certamente não me preparara ante a prova que me exigia compreensão e solidariedade para com o amigo que não teve qualquer culpa no acidente que me provocou a passagem de um estado de vida para outro.

Peço aos pais queridos e a todos os familiares não julguem o nosso caro Roque – o amigo Aladeir – culpado pelo desastre.

É preciso lhes fale assim claramente, porquanto não devo incriminá-lo e nem a pessoa alguma com relação ao acontecido.

Realmente, não era meu jeito experimentar qualquer arma de fogo e muito menos brincar com semelhante perigo. Estava seriamente interessado na realização de meu cursinho e para isso o trabalho no Banco era sagrado.

Entretanto, creio que os amigos são partes de nós mesmos. Nosso companheiro, de longe, apenas demonstrando como manejava uma arma, segundo o que deduzi no impacto da ocorrência, mas asseguro-lhes que o resultado como a operação de limpeza não estava de modo algum nos intuitos dele. Meu avô me fez observar que eu resgatara uma dívida e que fui realmente muito feliz por não empenhar-me a débitos novos.

Caí no solo desamparadamente, quanto a mim mesmo por dentro de mim; no entanto, por mais que levasse as mãos ao peito na tentativa de escapar ao fim do corpo, notei que minhas forças esmoreciam...

Meu Pai, creio que seja necessário que eu diga que o Senhor e minha mãe estavam em meu pensamento... Entendi quanto haveriam de chorar, tanto quanto eu mesmo tombava com lágrimas diante do inevitável... Na cabeça as idéias conflitavam. Aquele anseio de falar sem poder e aquele desejo de sobreviver, os gritos dos amigos que chegavam e as providências de que me via objeto a fim de que uma hospitalização inútil me devolvesse a vida física.

Nesse emaranhado de pensamentos que se embatiam uns contra os outros, notei que um sono pesado me cerrava as pálpebras ou que alguém me cerrava as cortinas dos olhos para que eu encontrasse o descanso.

Quanto tempo estive assim, no limiar de uma vida diferente da nossa, não sei dizer...

Posso informar, no entanto, que acordei com meu avô José Rodrigues e com uma benfeitora de nome Rosa, que vim a saber posteriormente... Ainda assim, embora soubesse de improviso que estava em companhia do vovô que não mais pertencia a existência física, acreditei-me alucinado pela dor da ferida que ressurgia com o meu despertamento... Julgava-me num Instituto de Tratamento, mas, a breves instantes, meu avô carinhosamente me convidava à aceitação da realidade... Bastou reformar as sensações do corpo denso, que permaneciam comigo, para que ouvisse no recôndito de meu próprio ser as vozes de casa... Eram as lágrimas do Senhor, Papai, e o choro de Mamãe, indagando o porquê do acontecimento... Graças a Deus, em meio do sofrimento nosso, tão profundamente nosso, luzes brilhavam... Eram as orações com que se dirigiam a Deus pedindo por minha paz. Eu sabia... Minha obrigação era igualmente conformar-me, ser digno dos pais, amigos e cristãos aos quais a Bondade Divina me confiara...

Recordei, então, que nada estava em meu coração contra ninguém... Desenhei na mente a figura do amigo Roque que deveria estar igualmente lutando com a nossa dor e, recebendo as preces de casa, conquanto sofresse ainda a sensação das horas últimas do corpo, roguei também a Deus para que o companheiro estivesse tranqüilo e para que ninguém o incomodasse pedindo-lhe contas daquilo que era minha dívida e não dele...

Desde esses momentos em que me renovava, notei que um alívio me alcançava. A ferida me pareceu receber um bálsamo curativo que me chegava de nossa casa... As orações de meus Pais, compreendendo, de longe, o meu anseio de ver o amigo absolutamente tranqüilo e essas vibrações de entendimento encharcadas de pranto me sedavam o espírito...

Meu Avô me esclareceu que o esquecimento de quaisquer lembranças amargas, sobretudo aquelas que poderiam insuflar em nós o ressentimento sem razão de ser, funcionava por abençoado remédio da alma enferma e abatida.

A compreensão trabalhava minhas energias espirituais à maneira de um milagroso tranqüilizante e, desde então, venho buscando meios de encontrar este instante em que lhes venho reafirmar a continuidade da vida.

Osmar, amigo e irmão, você sabe que a minha imaturidade, em relação aos problemas do espírito, ainda era muito grande e por isso agradeço-lhe as preces e vibrações de paz e amor em meu benefício. Você, que possui a felicidade de penetrar no conhecimento das idéias que devo agora adquirir, continue me auxiliando...

Papai, o Senhor compreenderá que seu filho, embora iniciante na vida nova, não conseguiu permanecer ao seu lado no mundo físico, de modo a formar-me num curso superior, de maneira a corresponder aos seus ideais de Pai amoroso e imensamente bom, mas eu posso aqui melhorar-me e ser útil. Serei para o Senhor e para Mãezinha Maria Rosa um braço invisível na terra dos homens, entretanto, sempre seguro e firme buscando ajudá-los, de algum modo, deste meu novo campo de ação, para o qual as criaturas todas da Terra um dia retornarão...

Não pude formar a família com a qual sonhava para continuar as nossas alegrias domésticas desdobradas, como no caso de nosso Osmar. No entanto, farei bons amigos, trabalhando a fim de ofertar-lhes um círculo de afeições que a todos nos auxiliará, aí e aqui...

Estou feliz apesar das lágrimas que me lavam os pensamentos nestas páginas escritas, mas essas lágrimas são de esperança e fé em Deus. Confiemos em Deus e saibamos aceitas as Leis Divinas que nos regem a todos.

Aqui devo finalizar esta carta, mas prosseguiremos juntos no intercâmbio dos pensamentos. Envio muitas lembranças aos irmãos e a todos aqueles que se encontram em nosso iluminado jardim de carinho e gratidão; espero continuarem me fortalecendo com o apoio das preces.

Toda oração em nosso favor parece uma luz que nos atinge, passando a nutrir-nos de confiança maior na vida.

Querida Mamãe e querido Papai, recebam todo o amor que posso sentir em minha pequenez espiritual, com o coração agradecido por todas a bênçãos de que me enriqueceram e enriquecem a vida, um beijo de muita gratidão e de imenso carinho do filho que pede a Deus por nós todos.

Sempre o filho presente no coração que lhes deve a existência e tudo de bom que a existência nos possa oferecer,

Dito.

 

Notas e Identificações


1 – Papai e mãezinha – José Lúcio de Oliveira e Maria Rosa de Souza Oliveira, seus pais. Em 2/6/1978, quando falaram sobre a perda deste filho querido ao médium Chico Xavier, no início de uma reunião pública do Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, foram orientados para colocarem sobre a mesa um papel constando os nomes do filho e dos pais, e a data da desencarnação. Foi o suficiente para receberem, em noite alta, esta carta psicografada.

2 – Osmar – Osmar Souza de Oliveira, irmão, presente à reunião.

3 – Newton Carlos e Eliane – Sobrinhos

4 – Neste ponto de minhas palavras – No parágrafo que se inicia com esta frase, Dito faz uma colocação clara e simples do processo reencarnacionista, pelo qual todos nós evoluímos.

5 – João, Oswaldo, Maurílio, José e Amélia – Irmãos.

6 – José Rodrigues de Souza – Avô materno, desencarnado há 11 anos.

7 – Naquelas horas de julho, há quase um ano... – Dito faleceu a 24/7/77.

8 – O nosso caro Roque, o amigo Aladeir – Aladeir Roque. Pelos familiares é chamado de Aladeir, mas Dito o tratava de Roque.

9 – Rosa – Benfeitora espiritual, não identificada pela família.

10 – Osmar, você que possui a felicidade de penetrar no conhecimento das idéias que devo agora adquirir, continue me auxiliando... – Osmar é espírita militante, estudioso da Doutrina.

11 – Não pude formar a família com a qual sonhava (...), como no caso de nosso Osmar – Dito tinha uma namorada em São Paulo, a quem devotava muita estima. Na época da entrevista com o sr. José Lúcio, Osmar estava noivo.

12 – Dito – Assim Benedito Souza de Oliveira era tratado pelos seus familiares e amigos. Nasceu em Riolândia, SP, aos 17/6/1956. Em São Paulo, trabalhava na Finasa Mercantil e no Banco Itaú. Freqüentava um cursinho com vistas à concretização de seu grande ideal: ser médico.




(Cornélio Pires Foto original, gentileza do Sr. Zico Pires)
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Homenageando  Cornélio  Pires

 

 



Um dos filhos mais ilustres de Tietê – cidade paulista localizada às margens do histórico rio que lhe empresta o nome – é, sem dúvida alguma, Cornélio Pires, um eterno namorado de sua terra.

Poeta, contista, jornalista, radialista, conferencista, cinegrafista, humorista, folclorista, considerado “o pai do folclore paulista” – ele foi, acima de tudo, humano e humanitário, vivendo em contato permanente com o povo, sua grande família, que tão bem soube analisar e compreender.

Dotado de um dinamismo invejável, gravou dezenas de discos com temas humorísticos e músicas sertanejas; realizou dois filmes documentários e escreveu 23 livros, atualmente todos esgotados, com exceção de Meu Samburá. Na sua obra literária destacaremos: Seleta Caipira, Conversas ao Pé do Fogo, Cenas e Paisagens de Minha Terra, Coisas d’Outro Mundo e Onde estás, ó Morte?, sendo estes dois últimos genuinamente espíritas. (*)

(*) Consultamos: Cornélio Pires: Criação e Riso, de Macedo Dantas, 1a. ed., 1976, Ed. Livraria Duas Cidades e Secretaria de Cultura, Ciência e Tecnologia, São Paulo/SP.

Cornélio foi espírita? Sim. Adepto consciente e devotado, muito divulgou o Espiritismo nas regiões por onde viajava. A propósito de sua conversão, escreveu Afonso Schmidt: “Um dia, começou a afastar-se dos grandes centros, a estudar, a riscar novos caminhos. Como Shakespeare passou a afirmar que, entre o Céu e a Terra, há coisas que ignora a vã filosofia. Mas ei-lo que volta, à publicidade. Traz para o público um recado diferente. Diferente de sua obra e da quase totalidade dos livros que por aí se publicam. É espírita. É uma mensagem de esperança a todos os infelizes que, vivendo a existência atribulada de nossos dias, acabaram por perder a fé nos altos destinos do ser humano” (Do artigo: “Lembranças... Cornélio Pires”, jornal O Democrata, Tietê, SP, 18/8/1974.)

 

Visitando Tietê



 

A caminho de Tietê, já identificamos o carinho com que Cornélio é lembrado pelo seu povo, observando o nome da Rodovia Estadual que liga essa cidade a Piracicaba: é o seu próprio!

Lá chegando, procuramos o historiador Benedicto Pires de Almeida, mais conhecido por Zico Pires, grande conhecedor da vida e da obra corneliana. Colhemos dele informes preciosos e com a sua orientação visitamos os seguintes pontos históricos, que recordam a memória de Cornélio, tão afetuosamente cultivada em sua terra natal:



Nesta casa, nasceu Cornélio Pires, em 13 de Julho de 1884.” (legenda de uma placa afixada ao lado da porta principal.)
 1. Casa onde ele nasceu, há quase 1 século, a 13 de julho de 1884, no sítio de Nhá Bé, hoje da família Ghizzi. Distante poucos quilômetros da cidade, está localizada no Bairro do Garcia, a duzentos metros do rio Tietê.

2. Casa onde ele residiu durante muitos anos, no antigo Largo da Ponte, hoje Praça Cornélio Pires. O fundo do quintal desta casa fica à margem do rio Tietê.

3. Herma de Cornélio Pires, na Praça Dr. Elias Garcia, a principal da cidade. Numa das faces laterais da coluna de sustentação há uma placa em bronze com a relação de seus principais livros, incluindo os dois espíritas.

4. Casa dos Meninos do Tietê, ex-Granja de Jesus, que assiste menores necessitados, geralmente órfãos. O sr. Zico Pires contou-nos que “Cornélio, nos últimos anos de sua vida, acalentou a idéia de fundar, em Tietê, uma instituição destinada a abrigar meninos desamparados de sua cidade. Num bairro da cidade comprou uma chácara de 3 ½ alqueires para tal finalidade. Alguns meses antes de falecer, conseguiu o apoio das autoridades da cidade para a fundação da sociedade que idealizara. Com a sua presença, em 14/8/1957, realizou-se uma assembléia no Fórum local, constituindo-se, então, a Granja de Jesus que teria sua sede na chácara doada pelo folclorista. Seis meses depois, Cornélio falecia, mas a diretoria deu andamento ao projeto, sendo inaugurada alguns anos após, estando em funcionamento até hoje”. Atualmente, ocupando uma área de 1000m2 de construção, abriga 24 órfãos. É mantida pela Prefeitura Municipal.

5. Cornélio faleceu a 17 de fevereiro de 1958, em São Paulo, após prolongada enfermidade. No mesmo dia, seu corpo foi trasladado para Tietê. No seu túmulo anotamos este interessante epitáfio gravado num livro aberto marmorizado:

A herma de Cornélio, em bronze, erguida na principal praça de Tietê

Casa dos meninos de Tietê
“Cornélio Pires veio a este mundo de provações em 13-7-1884 e voltou à Pátria Espiritual em 17-2-1958. Cornélio Pires amou a sua terra e a sua gente. Aqui repousa o seu corpo, mas o seu espírito vive agora a verdadeira vida entre os bons.”

Exato. Pela sua produção vinda do Além, deduzimos que o poeta tieteense vive, realmente, a verdadeira vida com aqueles que trabalham, incansavelmente, com amor e renúncia em benefício da Humanidade.

Se problemas impedem, no momento, a reedição de suas obras, elaboradas quando encarnado, ele continua escrevendo, agora por via mediúnica, dentro de seu estilo inconfundível, páginas e páginas poéticas de grande valor. Até hoje, Cornélio Espírito, transmitiu pela psicografia de Chico Xavier (o 1o. em parceria com o médium Waldo Vieira) os seguintes livros: O Espírito de Cornélio Pires (Ed. FEB); Retratos da Vida e Conversa Firme (Ed. CEC); Baú de Casos (Ed. IDEAL); e Coisas deste Mundo (Ed. O CLARIM).

6. No edifício da Câmara Municipal, está bem instalado o Museu Histórico, Pedagógico e Folclórico “Cornélio Pires”, preservando a memória do ilustre folclorista e prestando real benefício aos estudiosos.


Cornélio em Itapira

 

O médium Francisco Cândido Xavier, visitando pela primeira vez a cidade de Itapira, SP, compareceu a uma reunião pública, no Cine-Teatro da Fundação Espírita “Américo Bairral”, na noite de 22 de agosto de 1973, quando psicografou o lindo poema Festa de Itapira, de autoria do Espírito de Cornélio Pires.



Meses depois, no mesmo local, na noite de 9 de janeiro de 1974, também em reunião pública, o médium Xavier recebeu do poeta tieteense outro poema, intitulado Encontro de Itapira.

E, recentemente, atendendo nosso pedido, o distinto e operoso confrade César Bianchi, residente naquela cidade, fez exaustivo e meticuloso trabalho de identificação dos personagens e demais citações das referidas poesias, do qual publicaremos, no próximo Capítulo, uma síntese. No início deste trabalho ele colocou um oportuno Esclarecimento, assim redigido:

“Dos personagens citados pelo Cornélio Pires, Chico Xavier somente conhecia Onofre Batista. Pela primeira vez, o médium esteve em Itapira, de passagem rápida, em 22/8/1973, o mesmo acontecendo quando aqui veio em 9/1/1974, numa visita que fez a um internato. Desconhecia, portanto, por completo, os demais personagens e as citações feitas por Cornélio.

A identificação dos personagens exigiu demorada pesquisa e contamos com a colaboração eficiente do João do Norte (João Torrecillas Filho).

O contato de Cornélio com a população itapirense, a partir de 1916, graças aos seus atraentes espetáculos, à sua expansividade e facilidade de penetração no meio ambiente social, é o que o tornou conhecidíssimo e estimado por todos, mantendo um convívio que lhe permitiu conhecer as pessoas e a história de Itapira. Esses seus amigos tomando conhecimento de que Cornélio iria estar presente e transmitiria mensagens pelo médium Xavier, não só aproveitaram a oportunidade de cumprimentá-lo, como a de participar da Festa e do Encontro, como das homenagens ao Aniversário de Itapira (**), muitos deles citados nestas mensagens poéticas. De fato, para os espíritos, principalmente os itapirenses, foram três dias de grande festa espiritual.

(**) O poema Aniversário de Itapira, também de Cornélio, foi recebido pela vidência de Chico Xavier, no final da sessão solene, realizada na Fundação Espírita “Américo Bairral”, em 24/10/1974, dentro da programação das comemorações do 154o. aniversário da cidade, quando foi outorgado ao médium o título de “Cidadão Itapirense”. Esse poema está no livro Marcas do Caminho (Ed. IDEAL, São Paulo, SP.)

Cornélio Pires tinha razões para demonstrar afeição a Itapira. No início de suas viagens pelo interior paulista, apresentando famosos espetáculos, nas praças e palcos teatrais, esta cidade o acolhia calorosamente, lotando o Cine Teatro Recreio. O humorista tieteense cultivava sólida amizade com o saudoso empresário Rodolfo Paladini, que vendia Permanentes Mensais, garantindo, assim, boa freqüência aos espetáculos. Daí constantes vindas a Itapira. Cornélio sempre trazia novidades artísticas, duplas caipiras, realizando apresentações de agrado geral.”




Itapira
20
Festa  e  Encontro  de  Itapira

 

Festa de Itapira


Meus irmãos, nesta cidade,

Onde a bondade se asila,

Peço a Deus conceda a todos

A paz da vida tranqüila.

 

Vida tranqüila, a meu ver,



É aquela paz do trabalho:

Malho amparando a bigorna,

Bigorna amparando o malho.

 
Aqui estou simplesmente

No afeto que não se atrasa,

Apresentando os amigos

De visita à nossa casa.

 

Anoto o primeiro deles,



Começando a minha lista.

Entendo. Todos já sabem:

É o nosso Onofre Batista.

 

Encontramos junto dele



Nosso Américo Bairral,

Que prossegue valoroso

Na vitória sobre o mal.

 

Duas irmãs me comovem...



De união ditosa e linda!

Gracinda abraçando Hortênsia,

Hortência abraça Gracinda.

 

De amigos inesquecíveis,



Dois deles tenho ao meu lado,

São dois corações em festa:

Carolino e João Machado.

 

Abraço o Doutor Hortênsio,



Coluna forte do bem,

Sempre o médico seguro

E grande escritor no Além.

 
Aparecem mais amigos...

Martins, Ângelo, Roldão

Continuam sustentando

Nossa bela Fundação.

 

Muitos músicos vieram...



Quem diz que não tocam mais?

Revejo o Fidelis Trani

E Albertino de Morais...

 

Um deles deixa o conjunto,



Em saudação vem a mim,

É o nosso amigo Santato,

Armado de bandolim.

 

Ouvem-se acordes suaves,



Relembrando a Banda Lira,

Outros falam de saudades

Das serestas de Itapira.

 

Conduzindo ex-internados



- Turma de paz e carinho, -

Alguém nos pede passagem,

É o irmão Olegarinho.

 

O grande Amorim Correia,



Distinto renovador,

Também veio à nossa festa,

Trazendo bênçãos de amor!...

 
- “Que noite maravilhosa

Nesta linda quarta-feira!” -

Bentico exclama, falando

Ao nosso Chico Vieira.

 

Diz Benedito Ferreira,



Zombando, risonho e sério:

- “É isso aí... Ninguém fica

Nas grotas do cemitério.”

 

No entanto, devo afastar-me,



De certo, sabem porque...

Devo estar com nossa gente

Nas preces em Tietê.

 

Assim sendo, meus irmãos,



Deixo agora o nosso lar.

O Cristo nos pede amor,

Procuremos trabalhar.

 Cornélio Pires

 

Notas e Identificações


1 – Onofre Batista – Nasceu em Portugal, em 1886, vindo para o Brasil ainda criança. Foi empreiteiro de obras. Em 1907, fixou residência em Itapira, já casado com Gracinda Ferreira. Tornando-se espírita, imprimiu novas diretrizes à sua vida, norteando-a pelas virtudes da humildade e fraternidade. Assim é que, ao construir sua residência na rua da Penha, ergueu nos fundos do quintal sete casinhas para famílias pobres, cedendo umas de graça e outras por aluguel pequeno.

No porão de sua casa, que era habitável, ele e sua abnegada esposa Gracinda davam assistência a enfermos pobres, quase sempre recolhidos das ruas, numa época em que na cidade de Itapira não havia um mínimo de assistência social.

Aceitou a tarefa de angariar assinantes para o jornal O Clarim e a Revista Internacional de Espiritismo de Matão/SP. Desejava, também, difundir a Doutrina que o tornara um homem feliz. Assim é que, percorrendo cidades de diversos Estados do Brasil, não só angariava assinaturas para esses periódicos, como pregava o Espiritismo e prestava, inclusive, auxílio às Instituições assistenciais por onde passava. Onofre, no retorno de uma de suas longas viagens, trouxe a idéia de edificar um hospital para enfermos mentais. E, em 1936, adquire uma quadra de terra, lança a pedra fundamental e surge a instituição que se tornou, hoje, a Fundação Espírita “Américo Bairral”.

Grande golpe o atingiu no meio da caminhada, com a desencarnação de sua esposa, aquela que norteara os seus passos e que contribuíra para as vitórias alcançadas: Gracinda regressou ao Mundo Maior em setembro de 1946. Mas Deus deu-lhe outra companheira que veio incentivá-lo a prosseguir na árdua jornada escolhida. A 22 de novembro de 1948, casa-se com Hortênsia Lima Batista.

Após 17 anos de feliz companhia, essa também abnegada companheira deixou a vida terrena, desencarnando a 29 de março de 1965. E, três meses depois, a 19 de junho de 1965, Onofre partiu para a espiritualidade. Seu nome está imortalizado numa das ruas da cidade.

2 – Américo Bairral – Com um grupo de confrades fundou, a 15 de outubro de 1915, o Centro Espírita “Luiz Gonzaga”, que presidiu até a sua desencarnação. Homem organizado e metódico, programou um trabalho intensivo de estudo e difusão espírita, com trabalhos mediúnicos, especialmente de desobsessão, de fluidoterapia, receituário mediúnico e fornecimento de medicamentos homeopáticos. Aos domingos, dava aula de moral cristã às crianças. Deu início à construção de um hospital para doentes mentais, chegando a erguer o primeiro pavilhão do Asilo “Luiz Gonzaga”, hoje Casa de Repouso “Allan Kardec”.

Desencarnou a 16 de outubro de 1931, com apenas 46 anos. Como preito de gratidão e em homenagem ao seu trabalho em prol dos necessitados e como idealizador de um hospital para enfermos mentais em Itapira, a Instituição fundada pelo casal Onofre e Gracinda Batista foi denominada Fundação Espírita “Américo Bairral”.

3 – Gracinda – Gracinda Batista, de origem pobre, veio de Portugal ainda criança. Casou-se com Onofre Batista em 1905, constituindo em Itapira um lar de dez filhos.

Em setembro de 1936, com o esposo, fundara o Sanatório Espírita “Américo Bairral” (hoje Fundação). Concluídos os primeiros cômodos, em colaboração com sua filha Dalila, ia recolhendo os enfermos que vinham de toda a parte, num crescendo assustador, dando-lhes assistência com os poucos recursos da época. Quando a Terra não tem, o Céu supre, e foi o que aconteceu, através das excelentes mediunidades de mãe e filha, ali trabalhando como instrumentos de Deus, na prática do amor ao próximo. Enquanto isso, o esposo Onofre, percorrendo cidades e Estados, ia angariando donativos para a Instituição. Enferma, D. Gracinda viu-se obrigada a deixar o hospital em 1938, vindo a desencarnar em 28 de setembro de 1946. Seu nome está imortalizado na Creche Lar “Gracinda Batista”.

4 – Hortênsia – Hortênsia de Lima Batista, foi a segunda esposa de Onofre Batista. Mulher virtuosa, muito auxiliou Onofre no prosseguimento de sua espinhosa tarefa. Desencarnou em 29 de março de 1965.

5 – Carolino – Carolino Rodrigues de Oliveira, comerciante e administrador de Fazendas. Faleceu com 59 anos de idade, em 7 de maio de 1944.

6 – João Machado – João Pereira Machado Sobrinho, farmacêutico. Como músico, tocando violino, foi regente da Orquestra e do Coro da Igreja Matriz, no tempo do Padre Bento, cujo paroquiato estendeu-se de 1893 a 1909.

7 – Doutor Hortênsio – Dr. Hortênsio Pereira da Silva, nasceu em 21 de junho de 1889 e passou para a vida espiritual em 4 de fevereiro de 1954. Como médico, foi um padrão de nobreza e filantropia. Casou-se com D. Josefina Galdi, que lhe deu 3 filhos. Relevantes trabalhos prestou à população durante os devastadores surtos de varíola, escarlatina e da célebre gripe espanhola. Como político, ocupou com real brilhantismo os cargos de Vereador, Presidente da Câmara Municipal e Prefeito Municipal. Exerceu a direção clínica da Fundação Espírita “Américo Bairral”. A Praça com o seu nome e o seu Busto na Vila Pereira, são homenagens justas de Itapira ao saudoso Dr. Hortênsio. Do Espaço, ele vem prestando constante assistência espiritual, e é de sua lavra de poesia Saudando Itapira, ditada a Chico Xavier, quando da visita do médium ao “Bairral”, em 22 de agosto de 1973.

8 – Martins – Chefe de numerosa família, foi angariador de donativos na zona rural, para o Sanatório “Bairral”, recebendo-os em cereais, aves e ovos. Trabalhou, nesse mister, entre 1937 e 1938.

9 – Ângelo – Angariava donativos, da mesma forma, na zona rural, serviço realizado de 1939 e durante poucos anos, em virtude do seu falecimento.

10 – Roldão – Foi o primeiro angariador de donativos na zona rural, apenas no ano de 1937, e o fazia a cavalo, época em que a Instituição ainda não possuía carrocinha.

11 – Fidelis Trani – Benquisto na cidade, exercia a profissão de funileiro e encanador. Foi músico da Banda Lyra, tocando pratos, e faleceu em 1961, com 64 anos.

12 – Albertino de Morais – Foi marceneiro e lustrador, e fazia parte da Banda Lyra, tocando caixa. Faleceu em 1964, com 68 anos.

13 – Santato – Armando Santato foi marceneiro. Como espírita militante, colaborou nos trabalhos de desobsessão do Sanatório “Bairral” e fazia parte de um dos conjuntos musicais da Instituição, tocando violão e bandolim. Deixou a vida material com 53 anos, em 1963.

14 – Banda Lyra – Fundada em 10 de abril de 1909, por músicos idealistas, essa corporação musical está atuante até hoje. Cornélio não podia esquecer desta Banda, que no seu tempo abrilhantava os seus espetáculos, reconhecendo entre os personagens presentes ex-músicos da Banda Lyra.

15 – Olegarinho – Olegário Alvarenga Ferreira, farmacêutico prático, como ex-internado do “Bairral” deu excelente colaboração à Instituição, especialmente nos seus primeiros tempos de funcionamento. Com Saturnino França, em 1907, fundou a Farmácia da Fé. Deixou a vida material aos 63 anos de idade.

16 – Amorim Correia – Cônego Manoel Carlos de Amorim Correia nasceu em Portugal em 30 de julho de 1873, e veio para o Brasil ainda menino. Após exercer o seu ministério de sacerdote em diversas paróquias, chegou a Itapira em 1909. Em 1912, entrou em atritos com D. Nery, Bispo de Campinas, e, em 1o de janeiro de 1913, cessou sua jurisdição em Itapira, entregando a direção da paróquia a outro sacerdote. Em “Carta Pastoral” enviada aos fiéis da cidade, datada de 31 de janeiro, resolveu fundar a Igreja Católica Apostólica Brasileira, aceitando todos os ensinamentos dos Santos Evangelhos e de Antigo Testamento, negando várias determinações da Igreja Romana. De saúde constantemente abalada, Amorim Correia faleceu a 30 de agosto de 1913, apenas sete meses após ter fundado a sua nova Igreja.

17 – Bentico – bento Pereira da Silva, negociante, mais conhecido pelo apelido Bentico, nasceu e faleceu em Itapira, respectivamente em 10 de setembro de 1872 e 13 de outubro de 1949.

18 – Chico Vieira – Francisco Vieira formou-se farmacêutico em 1903, montando farmácia própria no centro da cidade. Como político militante, exerceu os cargos de Vereador, Prefeito Municipal e Deputado Estadual, conseguindo impor-se à consideração e estima de seus conterrâneos, mercê das mais elevadas provas de amor à sua terra. Faleceu em 3 de maio de 1946, aos 63 anos.

19 – Benedito Ferreira – Apelidado Rolinha, foi ex-internado do “Bairral”. Recuperando-se, fez o Curso Preparatório de Enfermagem existente no Hospital e passou a enfermeiro, revelando-se eficiente e bondoso. Faleceu em 14 de junho de 1965.

20 – Devo estar com nossa gente/Nas preces em Tietê – Em Tietê, SP, terra natal do Autor, desenvolvia-se a XIV Semana Cornélio Pires, no período de 19 a 25 de agosto de 1973. O poema em estudo foi psicografado em 22 daquele mês.

 

Segundo Poema


Encontro de Itapira

 

Meus irmãos, eis-me de volta...



Minha fala caipira

Muito mais que de outras vezes

É gratidão de Itapira.

 

Itapira!... O céu azul,



A colina em luz e prece,

Um refúgio de esperança

Que o coração não esquece.

 

Desejava outros amigos



Expressando em meu lugar,

Neste instante de alegria,

A honra de vos saudar.

 

Mas muitos deles exclamam,



Retornando de outra vida:

- Cornélio, diga que estamos

Em nossa terra querida.

 

Transmitir doces recados



Em qualquer parte, é dever,

E quando o credor é amigo

Obediência é prazer.

 

Saúdo, à frente de todos,



João Cintra, o Comendador,

Que se fez para Itapira

Um gênio de luz e amor.

 

Cintra abraça um companheiro:



É o nobre Joaquim Firmino

Que exaltou a liberdade

Em luminoso destino.

 
Junto deles aparece

Por mensageiro de paz

Nosso antigo reverendo

Padre Araújo Ferraz.

 

Luiz Roque aponta fatos,



Firmino diz que no Além

Somente vale a esperança

Do que se fez para o bem.

 

Afonso Celso Vieira,



O grande memorialista

Aperta as mãos generosas

Do nosso Onofre Batista.

 

Fala-se em Chico Vieira



Fala-se em Guerra Leal,

Dos Clubes que mais se lembra

O recorde é do leal...

 

Nosso Cônego Amorim



Pergunta por Ludovino,

Doutor Mário com Bentico

 Refere-se ao João Delfino.
Nhô Melo lembra contente

As músicas da Matriz

E João Pereira Machado

 Aprova calmo e feliz.

Alguém chega devagar...

Conheço... É o “seu” Alfredinho,

Veio atender aos doentes

 Fala em Jesus com carinho.


Sinhô Chagas noutra roda,

Lembra a luta a que se dava,

Queimando miolo e vida

 No tempo da imprensa brava...


Jácomo Stávale, o grande

Professor inesquecível,

Escuta Souza Ferreira

 Sobre assuntos de alto nível...


Eis que um rapaz se aproxima

Em luz semelhante ao sol...

Percebo agora... Já sei...

 É o poeta Ferraiol.


Este grupo de Itapira,

Que entre os homens não se vê,

Parece com minha gente

 Nas salas de Tietê...


Batista Júnior comigo

É tanto amor e vibrar!

Diz ele: “Saudade é dor

Que fere em qualquer lugar!...”

 
Diz ele ainda: “Saudade?!...

Não sei onde é mais sofrida,

Se no mundo ao pé da morte

Se no Além, perante a vida!”

 

Nosso caro “João Fiaca”



Começa a me enternecer,

A memória já me falha,

Não mais consigo escrever...

 

“Itapira, Deus te guarde!”



Termino com emoção,

Terra irmã de minha terra,

Terras do meu coração!...

 Cornélio Pires

 

Notas e Identificações


21 – João Cintra, o Comendador – Atibaiano, veio para a então Vila Nossa Senhora da Penha em 1840. Possuidor de grande fortuna, construiu com recursos próprios, na principal praça da Vila, um prédio assobradado, utilizado para cadeia, escola e Câmara Municipal. Demoliu a Igrejinha que havia sido construída em 1820, e em 1842, no mesmo local, ergueu uma bela Igreja Matriz, templo que, posteriormente, foi reformado e dotado de uma torre. Ainda em colaboração com a administração municipal e a população local, construiu a Estrada de Ferro de Itapira a Mogi Mirim, encampada, anos depois, pela Companhia Mogiana de Estrada de Ferro. Pelos seus grandes méritos, o seu nome está imortalizado numa rua central da cidade.

22 – Joaquim Firmino – Joaquim Firmino de Araújo Cunha, nascido a 29 de agosto de 1855, exercia, em 1888, o cargo de Delegado de Polícia. Ele acompanhava de perto as torturas por que passavam os negros escravos. Dispôs-se a lutar pela sagrada emancipação dos escravos e, destemidamente, passou a proteger os negros fugitivos, recolhendo-os ao porão de sua casa, a princípio sigilosamente e a seguir, abertamente, discutindo e incentivando a mais nobre campanha da época. As fugas das fazendas aumentavam dia a dia. Os fazendeiros foram-se irritando com o prejuízo crescente. Por outro lado, as notícias vindas da Corte eram as mais favoráveis à abolição, e com isso Firmino mais se entusiasmava. Os fazendeiros deliberaram uma vingança impressionante aos abolicionistas. Capangas de confiança foram sendo reunidos. Marcaram a madrugada de 11 de fevereiro de 1888 para a tremenda vingança. Um bando de trezentas pessoas armadas se dirigiu à residência do Delegado e o linchou.

O nome de Joaquim Firmino deveria figurar nos livros escolares como o Mártir da Abolição, para ser justamente reverenciado, pois foi o único brasileiro que perdeu a vida pela sublime causa, justo epílogo se deu no glorioso 13 de maio de 1888, três meses, portanto, após sua trágica morte!

23 – Padre Araújo Ferraz – O Padre Antônio de Araújo Ferraz foi quem celebrou a primeira missa nesta terra, em março de 1821; daí ser considerado o Evangelizador. Seu nome está imortalizado numa placa de rua da cidade.

24 – Luiz Roque – Agente do Correio em 1887.

25 – Afonso Celso Vieira – Cronista na imprensa local, seus artigos eram apreciados. Faleceu em 1945.

26 – Guerra Leal – Cônego Dr. Artur Augusto Teixeira Barbosa de Guerra Leal. Substituiu o Padre João Calazans em 1915 e ficou até 1923. Reformou a Igreja Matriz. Faleceu em Monte Alto, em 1938. Seu nome está imortalizado numa placa de rua da cidade de Itapira.

27 – Clube Ideal – Fundado em 10 de março de 1917, por um grupo de senhoras e senhoritas da sociedade, destinava-se exclusivamente a mulheres. Tornou-se famoso na época.

28 – Ludovico – Ludovico Andrade foi figura popular no município. Exerceu o cargo de fiscal da Prefeitura durante muitos anos. Diretor do jornal Comércio de Itapira, entre 1912 e 1913, que a seguir passou a ser o Jornal Oficial da Igreja Brasileira, com essa denominação, ainda sob sua direção. Foi sacristão da Igreja Romana no tempo do Padre Bento; professor primário; membro destacado do movimento renovador de Amorim Correia, na fundação da Igreja Católica Apostólica Brasileira, chegando a ordenar-se bispo dessa nova seita; chefe de numerosa família. Faleceu em 5 de novembro de 1934, com apenas 56 anos de idade.

29 – Doutor Mário – Dr. Mário Pereira da Fonseca, nasceu em 1874 e faleceu em 17 de novembro de 1932. Advogado operoso, foi um dos fundadores da Santa Casa, do Asilo “São Vicente” e do Clube XV de Novembro.

30 – Nhô Melo – Fiscal da Prefeitura Municipal nas primeiras décadas deste século.

31 – As músicas da Matriz – Orquestra sacra criada ao tempo do Padre Bento e regida pelo farmacêutico e músico João Pereira Machado, violinista. Senhoras e senhoritas da sociedade, exímias cantoras, constituíram o coro da orquestra. Esta era formada por notáveis músicos.

32 – “Seu” Alfredinho – Alfredo Bueno nasceu em 9 de dezembro de 1888 e faleceu em 16 de maio de 1949. Boníssimo, tornou-se famoso como farmacêutico, com uma grande clientela, que o procurava como a um médico. Seu nome está imortalizado numa rua da cidade.

33 – Sinhô Chagas – Antônio Carlos Gonçalves Chagas foi solicitador e ferrenho político da oposição. Nas colunas do seu jornal O Grito, ao lado do poeta e escritor Menotti Del Picchia, de Ludovino Andrade e de outros, era tenaz combatente. Nasceu em Mogi Mirim, SP, a 19 de abril de 1880, e faleceu em Serra Negra, SP, a 6 de agosto de 1927. Seu nome está imortalizado numa das ruas do Bairro do Cubatão.

34 – Jácomo Stávale – Educador emérito e grande esportista, foi trazido para Itapira em 1901.

35 – Souza Ferreira – Cel. José de Souza Ferreira, nasceu a 17 de janeiro de 1867. Fazendeiro e banqueiro. Como chefe político, impunha respeito pela sua conduta retilínea. Desencarnou em 14 de julho de 1929.

36 – Poeta Ferraiol – Francisco de Paula Ferraiol, faleceu com apenas 24 anos de idade, em São Paulo. Sua poesia Hora Extrema, psicografada por Chico Xavier, em 9 de janeiro de 1974, mostra a sua sensibilidade poética.

37 – Batista Júnior – Itapirense, apelidado de João Fiaca, foi um artista nato. Ator e cantor, partiu para a glória quando se firmou na ventriloquia. Ele não podia faltar a esse encontro, provocado pelo seu grande amigo Cornélio Pires.



FIM


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