Reflexões a respeito da educação patrimonial e ambiental a partir da arqueologia desenvolvida na região de Araraquara/SP



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Reflexões a respeito da educação patrimonial e ambiental a partir da arqueologia desenvolvida na região de Araraquara/SP.


  1. MS Ciências da Engenharia Ambiental/ CRHEA/SHS/EESC/USP, Doutoranda em Sociologia no Programa de Pós-graduação em Sociologia - UNESP na Faculdade de Ciências e Letras (Unesp), Caixa Postal 174, Araraquara, SP, Brasil, CEP: 14.800-901 dulcenishi@yahoo.com.br

Rodrigues A. R 1, 2D.L.L. Nishikawa.



  1. Doutor em Arqueologia/ MAE/ USP/ Ceimam/ Fundação Araporã /UNESP, Pos-doutorado na Faculdade de Ciências e Letras (UNESP), Caixa Postal 174, Araraquara, SP, Brasil, CEP: 14.800-901
    robsonro@usp.br


Abstratc
The present article aims to build a reflexion as to the education from the patrimonial and environmental referential systems through the archaeological sites existent in the region of Araraquara/SP. The primordial conception is of what through this education process it will be possible to build a proposal of Patrimonial and Environmental Education that shows multiple knowledges up from the cross subjects. Making possible an effective construction of identity with these materials found in the region or to add the minimum on the understanding of the Pre-colonial History that breaks with the stereotype or ideas built erroneously on the indigenous populations. Not only in the relation man-nature but also as for the conception of which these populations would be less developed. Concerning the environmental issues in our country we can say that we have been advancing due to the legislation puts the necessity of the Environment being preserved, showing the role of the Union up in preserving it and maintaining it for the current and generations to come. The perspective is interdisciplinary, so we understand that in order to develop a proposal of Patrimonial Education that works with elements of the Environmental Education is necessary an understanding of several fields of the knowledge.

Key words: Education, Heritage Education, Environment, the Archaeological

Landscape.



Resumo


O presente artigo tem como objetivo construir uma reflexão sobre a educação patrimonial e ambiental a partir do referencial dos sistemas de sítios arqueológicos existentes na região de Araraquara-SP. A concepção primordial é de que por meio desse processo educacional será possível construir uma proposta de Educação Patrimonial e Ambiental que evidencie conhecimentos múltiplos a partir dos temas transversais. Possibilitando uma efetiva construção de identidade com esses materiais encontrados na região ou minimamente adicionar uma compreensão da historia pré-colonial que rompa com o estereótipo ou idéias construídas erroneamente sobre as populações indígenas. Não apenas na relação homem-natureza, mas também na concepção de que essas populações seriam menos desenvolvidas. No que compete às questões ambientais em nosso País podemos dizer que avançamos devido à legislação colocar a necessidade de se preservar o Meio Ambiente, evidenciando o papel da União em preservá-lo e mantê-lo para as atuais e futuras gerações. A perspectiva é interdisciplinar, pois compreendemos que para se desenvolver uma proposta de Educação Patrimonial que trabalhe com elementos da Educação Ambiental é necessária uma compreensão dos diversos campos do conhecimento.
Palavras Chaves: Ensino, Educação Patrimonial, Ambiental, Arqueologia da Paisagem.


Introdução: O presente artigo tem como objetivo construir uma reflexão a respeito da Educação a partir dos referenciais Patrimonial e Ambiental por meio dos sítios arqueológicos existente na região de Araraquara/SP.


É preciso romper com a visão da arqueologia enquanto exótica e como espaço de divertimento. É necessário desfazer essa visão e colocar para o público uma perspectiva da arqueologia enquanto espaço para a construção da memória, da historia, da identidade e de sua cidadania.

Entendemos concordando com Bezerra que a apresentação “da arqueologia ao público é algo premente tendo em vista que é crescente a destruição do patrimônio arqueológica registrada ao redor do mundo”. (BEZERRA, 2002, p.13)

Nesse sentido, a importância de desenvolver outra relação com o patrimônio arqueológico está associada a duas perspectivas de grande seriedade. A primeira que está associada à concepção de que os materiais nos remetem ao passado e que, portanto, fazem parte da historia e da memória daquela comunidade. E a segunda está associada a nossa contemporaneidade tendo em vista que, são encontradas na paisagem no presente. O que nos coloca uma questão importante que há necessidade de se preservá-la enquanto espaço da construção da memória e do ambiente.

No que compete às questões ambientais em nosso País podemos dizer que avançamos devido à legislação colocar a necessidade de se preservar o Meio Ambiente, evidenciando o papel da União em preservá-lo e mantê-lo para as atuais e futuras gerações.

No entanto, ainda que encontrar-se previsto na legislação a preocupação com a questão Ambiental, isso não tem significado melhor atuação por parte da sociedade como um todo no que compete a sua preservação. Podemos dizer que igualmente ao que acontece com a questão Patrimonial não estabelecemos uma relação de pertencimento e uma construção de identidade com os espaços. É necessário edificar e solidificar essa relação de pertencimento e principalmente compreendê-los como lugar de todos evidenciando seu caráter público.

Neste sentido, é importante ressaltar que a sensibilização dos munícipes por meio de instrumentos educacionais que estimulem a valorização de seus bens patrimoniais, tanto materiais como imateriais e ambientais, podem contribuir para aprimorar a gestão do patrimônio local, fortalecer a memória de seu povo e consolidar as idéias presentes no âmbito das políticas públicas em desenvolvimento no país.

Tendo em vista essa perspectiva, na região de Araraquara vem sendo desenvolvida uma sensibilização da municipalidade. Com a aprovação de um projeto estrutural pelo governo federal, possibilitou efetivação do repasse de recursos para a Prefeitura Municipal do município, estruturando dois espaços físicos para a salvaguarda, preservação, conservação, restauro e pesquisa dos acervos patrimoniais.

O primeiro espaço se trata de um museu municipal denominado Museu de Arqueologia e Paleontologia (MAPA) e que se localiza no centro da cidade. Este espaço está diretamente ligado à história de Araraquara, na medida em que após um projeto de revitalização e modernização arquitetônica do antigo conservatório musical do maestro José Tescari, construção da década de 1880, integra o complexo de museus do município.

O segundo espaço destinado à Arqueologia e ao patrimônio histórico-cultural é o Centro de Conservação e Recuperação de Acervos Diversos (CECRAD). Este espaço foi idealizado para o desenvolvimento de ações de conservação e preservação de acervos patrimoniais.

A fundamentação de nossa concepção, pautada nas questões patrimoniais e ambientais por meio da educação, se dá pela constatação de que há necessidade de se construir uma identidade com a cultura material e imaterial existente na nossa área de estudo. Para tanto a proposta busca ter na perspectiva de formação escolar e nos espaços dos museus o lócus para o desenvolvimento da proposta.

As evidências identificadas a partir de sítios arqueológicos, nesse sentido, são espaços que oferecem elementos para a construção do conhecimento tanto a respeito dos aspectos da cultura material quanto imaterial e também ambiental, possibilitando uma reflexão ampla dos diversos aspectos que envolvem uma pesquisa arqueológica. Entre as possibilidades de analise podemos ressaltar a escolha da área para implantação do sitos arqueológicos. Por meio, dele podemos entender os motivos de caráter Ambiental e Geográfico, pois os sítios evidenciam aspectos de uso e ocupação e transformação dessas áreas no que competem aos aspectos físicos, bióticos e econômicos.

A concepção primordial é de que por meio desse processo educacional será possível construir uma proposta de Educação Patrimonial e Ambiental que evidencie conhecimentos múltiplos a partir dos temas transversais. Possibilitando uma efetiva construção de identidade com esses materiais encontrados na região ou minimamente adicionar uma compreensão da historia pré-colonial que rompa com o estereótipo ou idéias construídas erroneamente sobre as populações indígenas tanto no que compete a relação homem-natureza, quanto à concepção de que essas populações seriam menos desenvolvidas. Colocando em evidência essa temática no cotidiano escolar, entendemos que é possível construir uma memória regional das populações indígenas e entender as suas contribuições. Acreditamos que isso é possível por meio do patrimônio Arqueológico e Ambiental regional.

A perspectiva é interdisciplinar, pois compreendemos que para se desenvolver uma proposta de Educação Patrimonial que trabalhe com elementos da Educação Ambiental só é possível por meio de uma compreensão dos diversos campos do conhecimento. Nesse sentido, fazemos a leitura à luz de algumas áreas do conhecimento da Arqueologia da Paisagem, a partir dos estudos de Morais (2000), que nos auxilia na compreensão das questões ambientais. E no que compete aos aspectos da Educação Patrimonial a referencia é o trabalho desenvolvido por Bezerra (2002).

A Arqueologia da paisagem vai introduzir no debate arqueológico fatores que serão de fundamental importância, pois trazem informações importantes no que correspondem às escolhas para á implantações dos sítios arqueológicos evidenciando uma complexidade a ser analisada já que permite agregar uma valorização ambiental aos sítios arqueológicos. Trazendo um apontamento para os estudiosos de meio ambiente a observação dos aspectos intra-sítios.

Essa leitura é importante à medida que torna possível entender que mesmo entre as populações pretéritas à escolha dessas ou daquelas áreas para a implantação de seus aldeamentos eram definidos por características físicas, bióticas e geográficas que melhor se adaptassem as necessidades do grupo. Esse procedimento de escolha do uso e ocupação confirma a relação primeira entre o homem-natureza.

O conhecimento adquirido por intermédio da informação histórica, geográfica e ambiental pode proporcionar aos educadores e alunos a ampliação de seu universo do saber à medida que proporciona o entendimento de como era estabelecido às relações que os indivíduos tinham com o Meio Ambiente, evidenciando a possibilidade de uma ação educativa não só no que compete aos aspectos do meio, mas também no que compete ao reconhecimento da necessidade de preservação do patrimônio arqueológico, no entendimento de que há necessidade de se construir uma identidade associando sociedade, meio ambiente e patrimônio arqueológico.


A questão patrimonial e ambiental no desenvolvimento de uma proposta para o ensino.

No sentido de tornar a Arqueologia uma ação de domínio público para que haja uma efetiva construção da identidade tanto do reconhecimento do patrimônio arqueológico quanto do meio no qual foi constituído, ou seja, o entendimento da ocupação humana como um todo, destacamos a educação formal como sendo o espaço para a construção da identificação e do sentimento de pertencimento com o patrimônio arqueológico. Mas como salienta Bezerra (2002) no que corresponde a Arqueologia no Brasil e sua inserção na Educação formal ainda é incipiente. Isso devido a não divulgação dos trabalhos desenvolvidos nessa área e também a pequena atuação dos arqueólogos, o que confirma a necessidade de programas educativos voltadas para a rede de ensino.

Segundo Schiavetto (2003) o papel do arqueólogo na sociedade, no que compete a educação, bem como sua inserção com os museus e o patrimônio, é importante. Para a autora, ao analisar as idéias foucautianas sobre o saber de caráter local, podem-se traçar alguns paralelos com a discussão do papel do arqueólogo na sociedade atual. O raio de atuação do arqueólogo transcende o espaço da escavação e é necessário que seus trabalhos teóricos atinjam a todas as camadas sociais. Neste empreendimento, a universidade não será o único permutador, mas sim, uma colaboração entre instituições educacionais e culturais poderá auxiliar na elaboração de um saber consciente e crítico a ser discutindo com a sociedade. (SCHIAVETTO, 2003, P. 59, 60).

Segundo Moreira (1994) os currículos escolares estão permeados de relações de poder que influenciam diretamente na organização da sociedade. A escola é compreendida no sentido de responder as demandas econômicas e isso dificultou a presença da Arqueologia, da Educação Patrimonial e Ambiental nos conteúdos programáticos de maneira mais efetiva e presente nos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997).

A importância do desenvolvimento de propostas nessa linha já vem sendo apregoada pelos conteúdos programáticos dos PCNs1 à medida que está prevista a incorporação dos temas transversais nas escolas. Entre os temas propostos está o estudo da Pluralidade Cultural. Para colocar em evidência essa preocupação é que se propõe uma readequação do entendimento do Patrimônio Cultural, tendo em vista que essa é uma possibilidade de se criar uma identidade histórica por meio da cultura material e ao mesmo tempo discutir a temática ambiental.

Nós, enquanto pesquisadores entendemos há necessidade de proporcionar uma interação dos conhecimentos adquiridos e produzidos nos espaços escolares com as atividades práticas desenvolvidas nos sítios arqueológicos. Pois essa nos permitirá melhor compreensão das pesquisas arqueológicas e ao mesmo tempo do Meio Ambiente em que está envolto os sítios. A concepção é que há necessidade de se construir uma identidade com os elementos da cultura material e imaterial para se abranger à percepção valorativa de identidade étnica e principalmente criar uma cultura de respeito à diversidade cultural e Meio Ambiente.

Há na atualidade a compreensão de que essa avaliação é necessária e urgente, pois é preciso desenvolver um olhar sobre o Patrimônio Arqueológico da região central do Estado de São Paulo e que tem como referência o município de Araraquara, retomando a percepção de totalidade do processo histórico para que faça sentido o estudo da história pré-colonial de maneira contextualizada.

Mas como tornar isso possível à medida que o modelo existente é o de apropriação do patrimônio enquanto bens de consumo não havendo uma concepção de construção de identidade com o mesmo. Quando muito o patrimônio arqueológico é visto como uma fase do processo evolutivo e passa ser observado como exótico, ou interessante.

Hoje as relações homem-natureza são colocadas de maneira justaposta, perdendo o sentido de complementaridade. Quando na verdade não se trata da dominação de um pelo outro, mas como partes que se agregam possibilitam uma compreensão de totalidade. Nesse sentido a proposta de Educação Patrimonial e Ambiental é uma forma de ver as partes sem, contudo perder a noção de todo.

Espera-se que essa intervenção gere frutos no sentido de promover uma interação do universo escolar, da população e da Educação Patrimonial nas ações e atividades voltadas às questões do patrimônio cultural e ambiental. A preocupação é de efetivamente proporcionar uma amplitude das questões presentes nos parâmetros curriculares. Privilegiando outras formas de construção do conhecimento apropriando-se da cultura material e imaterial para se preservar e criar uma identidade com esses elementos. Entendemos que para tanto é preciso apostar num conhecimento que possa ser construído de maneira metodológica que permita a concepção da Educação Patrimonial e Ambiental por meio de diversas áreas do conhecimento de maneira interdisciplinar.

Hoje se observa que ainda há uma resistência por parte dos educadores a aderirem a essas propostas. Embora já tenhamos alguns avanços na perspectiva da inserção do ensino da história pré-colonial nas escolas, ainda são incipientes devido o problema de formação dos professores e a não adequação do material didático.

Acreditamos que isso ocorre porque há falta de capacitação para o desenvolvimento de projetos que valorizem outras formas de apreensão do conhecimento e uma política educacional que fomente o aprimoramento do professor, mas entendemos concordando com Camargo Silva (2007), que embora se entendam as razões dessas resistências, à inclusão dos temas transversais, a mudança de habitus faz-se necessária na contemporaneidade.

A escola deve caminhar para tais transformações, começando pela maneira com que trata conteúdos tradicionais e transversais. Ao invés de permanecer com a rígida matriz curricular, deve-se estabelecer uma relação intrínseca, aliando as disciplinas curriculares à construção da cidadania, democracia, respeito às pessoas, ao patrimônio e ao meio ambiente (p. 17).

No caso do museu enquanto instituição é um espaço onde se aglutinam os processos do trabalho humano e seu contexto, isto é, "os testemunhos do Homem e do seu meio, seja do meio físico (natural), seja do meio transformado pelo Homem" (RÚSSIO, 1990:17). Sua história está diretamente ligada ao desenvolvimento das organizações sociais da humanidade, relacionando-se aos diversos momentos de mudança, sejam estas econômicas, sociais, políticas ou culturais.

Enquanto educação não-formal, a ação educativa, utilizando-se de recursos didáticos complementares, prioriza a comunicação entre a concepção museológica, a pesquisa básica e o público, permitindo uma compreensão mais ampla das sociedades pré-coloniais. A partir desta concepção, torna-se possível o rompimento com a visão preconceituosa e mal concebida a respeito do patrimônio arqueológico e ambiental no ato de ensinar presente no sistema bancário.

A partir da concepção de ensino presente em nossos argumentos e somando-se a relação entre a escola e o museu, será possível promover a valorização dos bens patrimoniais, tanto materiais como imateriais e ambientais, podendo, assim, contribuir para aprimorar a gestão do patrimônio local, fortalecer a memória de seu povo e consolidar as idéias presentes no âmbito das políticas públicas em desenvolvimento no país.


A arqueologia da paisagem.

No contexto em que estamos trabalhando, a arqueologia da paisagem passa a ser um referencial de grande importância para a proposta de Educação Patrimonial e Ambiental. Pois, muito embora as prerrogativas ambientais estejam previstas em nossa legislação federal, isso não significou igualmente que a questão da educação patrimonial pudesse ser construída em sintonia com as questões ambientais.

Observamos que e a perspectiva dominante ainda é muito presente. A concepção de que em nome do desenvolvimento a destruição ambiental ainda é permitida e aceitável. Embora em termos de discurso a concepção de preservação está posta. Nesse sentido a articulação aqui sugerida é de trazer a perspectiva dos conhecimentos produzidos pela Arqueologia da paisagem no sentido de elucidar a relação homem-natureza ao longo do período pré-colonia.

Morais (2000) em seu artigo “Tópicos de arqueologia da paisagem” vêm definir pontuações de grande importância para nossa reflexão. Segundo o referido autor, no que compete a arqueologia dos povos indígenas no Pontal do Paranapanema a parceria com as demais ciências é algo imprescindível em todas as etapas. A não interação entre os diversos campos do conhecimento pode incorrer em erros irreparáveis, frente às necessárias intervenções no registro arqueológico. Esses seriam fatores chamados de fatores geoambientais, significando uma integração de Meio Ambiente, sendo estes entendidos pelos seus aspectos físicos, bióticos, econômicos e culturais das populações indígenas.

Para Morais (2000), a contribuição da compreensão desses fatores pode ser de grande valia para os esquemas de manejo e gestão do Patrimônio arqueológico. Pois ao levar em conta as características propostas nos parâmetros geoambientais, o manejo e o salvamento dos sítios arqueológicos ficam salvaguardados de maneira adequada e ao mesmo tempo é possível trazer a reflexão Ambiental promovendo assim, uma Educação ambiental balizada por preceitos arqueológicos.

Por meio da arqueologia da Paisagem ainda segundo Morais (2000) é possível obter um quadro de parâmetros locais relativos ao assentamento humano, com propósito de subsidiar um modelo locacional de caráter preventivo adicionados ao levantamento arqueológico sistemático. Em suma, Morais define que a identificação e o registro do patrimônio arqueológico pré-colonial e histórico procuram recompor os principais traços da paisagem a época e sua ocupação. E que também tem se aproximando da Etnologia fomentando enfoques etnográficos com especial ênfase nos grupos agricultores imediatamente anteriores a conquista ibérica.

Essa concepção torna-se importante, pois permite compreender que por trás da produção material existe um sujeito cognitivo que pensou o local para o seu assentamento, que promoveu o manejo agro-florestal e promoveu alterações paisagísticas, mas não necessariamente isso significou uma destruição do ambiente.

A base para os estudos da Arqueologia da Paisagem é uma ‘construção’ humana, em que se relacionam questões do ambiente natural e do ambiente social, e simbólico.

Segundo a definição de Amenomori (2005) a Arqueologia da Paisagem tem por objetivo estudar, um tipo específico de produção humana que está associada ao meio ambiente, que tem por base as leituras físicas do espaço, para gerar um espaço cultural. Esse espaço cultural seria a humanização da paisagem gerando assim condições habitacionais, econômicas políticas e territoriais. Trata-se da construção de um espaço simbólico, levando a crer que é necessário um entendimento integral do espaço físico com o simbólico.

É possível compreender a intencionalidade da Arqueologia à medida que observamos a cultura material deixada por meio das intervenções humanas, ou seja, os vestígios deixados por estas interferências, tais como as gravuras, pinturas, fogueiras, sepultamentos e ferramentas utilizadas em suas atividades cotidianas que podem imprimir as relações sociais desenvolvidas por esses grupos com os aspectos naturais do lugar. Os estudos da arqueologia da paisagem evidenciam elementos sobre a maneira como os povos ou grupos que interviram na paisagem e lidavam com o meio.

E isso permite aos pesquisadores estudar as estratégias de ocupação e as práticas sociais de determinadas populações. Podendo nos permitir não só um entendimento das eventuais escolhas efetivadas pelo grupo, mas também a influência direta na escolha dos materiais que vão posteriormente gerar a cultura material.

Na nossa concepção esse entendimento vai possibilitar um trabalho de conservação tanto dos aspectos da Cultura material quanto dos aspectos da conservação do Meio. À medida que gera subsídios para um entendimento do ethos desses sujeitos envolvidos na dinâmica da paisagem entendendo a sua ação como um todo.

A contribuição para um entendimento da Arqueologia da paisagem não só como ferramenta técnica de analise, mas como um espaço com grande inferência simbólica é de grande importância, pois coloca em evidencia outra dimensão para os aspectos ambientais; o de uma possível relação para além do aspecto meramente funcional da natureza.

Colocando em evidencia a possibilidade de ser revisitados os conceitos de natureza, temporalidade, simbologia, representações tanto no campo do Patrimônio Arqueológico quanto do ponto de vista Ambiental.

É importante ressaltar aqui uma idéia primordial apresentada por Lavado (2005) “Cada população tem uma percepção particular do espaço, ou seja, a paisagem não é apenas o pano de fundo onde acontecem as atividades cotidianas das populações, mas uma inter-relação entre a estrutura social, a tecnologia, a subsistência, idéias e o próprio meio” (LAVADO, 2005 p. 83).

Uma outra informação importante trazida por Souza, (2005) em seu artigo, “arqueologia da Paisagem e a potencialidade interpretativa dos espaços sociais” é que na arqueologia, as questões espaciais passaram a ser abordadas no âmbito da relação entre territorialidade, acessibilidade aos recursos, comportamento humano, interação social, troca de informação, variabilidade tipológica e estilo da cultura material.

A arqueologia da Paisagem, vem corroborar a medida que coloca a possibilidade de um trabalho integrado de conhecimento e re-conhecimento da cultura material e a possibilidade de valorização de educar ambientalmente desenvolvida por meio do patrimônio arqueológico tendo em vista que coloca outros elementos de analise sendo esses a leitura do espaço geográfico nos seus aspectos físicos. E é nesse contexto que vai trabalhar a arqueologia da paisagem promovendo a partir daí estudos que relacionam o processo de interação homem-natureza.

E, por fim, não necessariamente esse processo de intervenção deva ser constituído a partir de uma concepção depredatória como sendo uma única rota de ação.


Conclusão: Entendemos que é urgente e preciso se construir uma proposta de Educação Patrimonial e Ambiental integradas, para assim, obtermos uma efetiva construção da memoria regional. Compreendemos que há subsídio na Arqueologia para se construir esta proposta tanto no que compete aos aspectos da Educação Ambiental quanto da Educação patrimonial.

Dentro da perspectiva de instituição pensada para a educação não-formal, temos na Ação Educativa, uma das principais ferramentas utilizadas por museus para possibilitar a comunicação com o seu público e a sociedade em geral. Esta Ação não limita o museu como divulgador que transmite o conhecimento a um público receptor, mas trata-se de uma ponte de comunicação que possibilita a intervenção do público no processo de tomada de decisão, além disso, é uma forma de representação da instituição perante a sociedade.

A efetivação de espaços adequados ao desenvolvimento de projetos arqueológicos e de educação patrimonial desenvolvidos no MAPA e no CECRAD, além de permitir a efetivação da perspectiva de uma Ação Educativa que busca a criação de propostas e projetos continuados e sistemáticos no campo mais vasto da Educação Patrimonial, propõe atividades de extensão à comunidade de seu entorno, para a produção e difusão dos conhecimentos nela produzidos com as pesquisas científicas.

Muitos trabalhos desenvolvidos pela arqueologia já trazem essa perspectiva de analise, principalmente no que compete a educação patrimonial, mas o entendimento da relação homem-natureza como um projeto de educação ambiental até o presente momento é uma proposta em construção do nosso grupo de estudos e pesquisas, portanto ainda em fase de experimentação.



Referencias Bibliográficas:

AMENOMORI, S, N, 2005. Paisagem das ilhas, as ilhas da paisagem: a ocupação dos grupos pescadores - coletores pré-históricos no litoral norte do Estado de São Paulo. TESE doutorado na Universidade de São Paulo, Programa de pós-graduação em Arqueologia MAE/USP-SP: 363p.

BEZERRA, M, de A, 2003. O australopiteco corcunda. As crianças e a Arqueologia em um Projeto de Arqueologia Pública na Escola. TESE defendida, na Universidade de São Paulo, Programa de Pós-Graduação em Arqueologia MAE/USP-SP: 180 p.

LAVADO, M, C. 2005. A arqueologia da paisagem como instrumento de gestão do patrimônio arqueológico em unidade de conservação ambiental: caso da APA noroeste do Paraná. Dissertação defendida na Universidade de São Paulo, Programa de pós-graduação em Arqueologia MAE/USP-SP: 180 p.

MARTINELLI, F, S, Souza de L. F, et all. 2009. Sustentabilidade e Educação: contribuições da geografia e da Arqueologia para o Estudo da Paisagem. http://www.rededesaberes.org

MORAIS, J, L, 2000. Tópicos de arqueologia da paisagem. Revista do museu de arqueologia, Universidade de São Paulo- nº. 10, ISSN 0103-9709. 03-30.

KASHIMOTO, E, M. 1997. Variáveis ambientais e arqueologia no alto Paraná. TESE defendida, na Universidade de São Paulo, Programa de Pós-Graduação em Arqueologia MAE/USP-SP: 259 p.

RÚSSIO, Waldisa. 1990. Conceito de cultura e sua inter-relação com o patrimônio cultural e a preservação. IBPC. 3. SP,

SOUZA, A, C de. 2005. Arqueologia da paisagem e a potencialidade interpretativa dos espaços sociais, 291-300, vol. 3 nº. 2 jun./dez. Revista HABITUS, Goiânia.

SCHIAVETTO, S, N, de O, 2002. A arqueologia Guarani construção e desconstrução da identidade indígena. Editora Annablume, Campinas/SP, p: 138.



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