Reflexões de uma nova Muçulmana. Dedicatória



Baixar 287.1 Kb.
Página1/7
Encontro21.07.2016
Tamanho287.1 Kb.
  1   2   3   4   5   6   7
Reflexões de uma nova Muçulmana.

 

Dedicatória



 

Dedicamos este livro à pessoa do Imam Mahdi (P) , que Deus aprece sua revelação.

Esperança dos seres humanos.

Restaurador da justiça na Terra.

Rompedor de ídolos e avassalador dos arrogantes no mundo.

Instaurador de todos os valores humanos.

Salvador dos pobres, oprimidos e desolados do mundo.

Ele unificará a Religião Divina.

Ele receberá Jesus e rezará junto com ele.

Ele libertará e comandará um único governo mundial.

Ele trará a felicidade e o bem- estar para toda humanidade.

Ele trará as bênçãos para todos os seres vivos.

Deus nosso, considera-nos entre seus partidários que esperam por sua chegada!
Nota do Tradutor

???????????

( Centro Brasileiro de Estudos Islâmicos)


Introdução

Há muito tempo sinto que seria interessante escrever sobre a minha conversão ao Islã. Meu problema foi que não sabia o que escrever e como escrever. Uma das minhas principais preocupações agora é escrever algo que seja de valor, não só para mim, mas também, para os outros.

Posso lembrar-me de algumas vezes quando me pediam para falar na mesquita e eu me assustava porque o que eu sabia ou o que havia aprendido foi por intermédio deles (os muçulmanos). O que podia dizer? Que não sabia? Cada vez que perguntava a mim mesma, a resposta sempre foi que somente eu mesma podia falar sobre minhas experiências pessoais. Bem, parece arrogante pensar que outros quiseram ouvir-me falar de mim mesma. Mas, talvez há algo de valor na história da experiência de alguém que escolheu ser muçulmana.

No passado escrevi algumas coisas sobre como cheguei a me tornar muçulmana e, em função disso, recebi muitos comentários e opiniões. Algumas pessoas me escreveram querendo pesquisar sobre o Islã e queriam referi-se à minha história e pediam mais informações.

Outras pessoas que me escreveram nasceram muçulmanas mas, haviam encontrado inspiração nas histórias dos convertidos. Na verdade, desfrutei do fato de ter conhecido tantas pessoas através de minhas breves narrações. Compreendi que algo de minha história deve ter valor para outras pessoas. Assim sendo, ao narrar esta historia , pode ser que contribua para a situação de alguém.

Inicio este trabalho em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso, e peço que Ele me ajude a fazer deste trabalho algo valioso ; que traga benefício a outras pessoas.
Diana (Massuma) Beatty
Nota: Ao longo deste texto “swt” aparecerá como abreviatura de (Subhanahu wa ta’ála), que significa “Glorificado e Elevado seja”. Esta abreviatura será utilizada cada vez que aparecerá o nome de Deus. Também, “A.S” ou “S.A.” será utilizada como abreviatura de (sal-lal-lahu-alaihi ua álihi) que significa a paz seja sobre ele e sua purificada família, toda vez que se mencionar o Profeta do Islã (Muhamad) ou outro Profeta, como abreviação de “a paz esteja com ele/ ela/ eles/ elas”. Isto pode parecer estranho para um leitor não muçulmano, mas não é algo místico. Faz parte da ética Islâmica, e muitas pessoas acreditam que esta é uma obrigação. Além disso, eu utilizo ambas as palavras Deus e Alláh para referir-me ao Único Deus. Este nome é utilizado por Muçulmanos, Judeus e Cristãos de língua Árabe.

Para as traduções de passagens do Sagrado Alcorão foram utilizadas as obras de Pickthall e de Yusef Ali. A versão da Bíblia utilizada aqui é NIV.

Humildemente dedico o bom desta obra ao Imam Az-Zaman (o Imam Al-Mahdi) (A.S), que Allah (swt) aprece sua aparição.

Primeira Parte

 

Como poderiam estar errados todos os meus conhecimentos?

 

       Por ser uma menina que cresceu nos Estados Unidos da América, minha informação sobre a religião Islâmica era muito pobre. Apenas uma ou duas vezes fui apresentada ao Islamismo rapidamente por meio de um livro de história no colégio. Pelo que me recordo daquelas leituras é que os muçulmanos tinham um Deus chamado Allah, um profeta guerreiro chamado Muhamad; que oravam, se vestiam estranhamente e, por último, que o Islã era uma religião Árabe.



       Suponho que o resto da minha educação a respeito do Islã chegou através dos meios de comunicação. O Islã aparecia como exótico, retrógrado e nocivo. Os muçulmanos eram qualificados como mal educados, guiados por governantes tiranos, e eram cruéis. Alguns deles pensavam que era bom explodir meninos nos aviões e bater nas mulheres e tratá-las como objetos.

Não entendia que há relação entre o Islamismo, o Cristianismo e o Judaísmo. Até onde eu sabia, o Cristianismo e o Judaísmo eram as únicas religiões que tinham um Único Deus, o Deus de Moisés e Abraão (A.S.). O Islamismo era agrupado a todas as outras religiões como, por exemplo, o Budismo e o Hinduismo.
       Não havia muitos que me animariam a aprender sobre o Islamismo. Estava segura de que o Cristianismo estava com a verdade, e não sentia obrigação de observar e conhecer outras religiões e muito menos uma, que , pelo que me foi passado era tão prejudicial,. Naquela época, na verdade, podia chegar a acreditar que uma nação inteira , com todas as suas pessoas era de coração mau, e nós (da América Ocidental) éramos os bons exemplos. Além de tudo, como poderiam estar equivocados todos os meus conhecimentos?

       Uma pergunta obvia, finalmente, me fez voltar os olhos para Islamismo. Para responder a isso com justiça, é necessário primeiramente explicar rapidamente minha vida religiosa antes disso da conversão.



Talvez todos os que eu conhecia acreditavam em Deus e que Jesus (A.S.) havia morrido pelos nossos pecados. Geralmente, não passava disso. As pessoas que conhecia tinham crenças religiosas e tentavam ser pessoas com moral, mas não se associavam a uma igreja em particular e não faziam nada de excêntrico em suas vidas que as enquadrasse como religiosas. A espiritualidade e a religião não eram temas de nossas conversas. Não se falava de Deus em nossas casas e tão pouco na escola. A religião era algo privado entre os indivíduos e Deus.

       Quando era menina, me mandavam a algumas escolas Dominicais para adquirir conhecimento básico da religião. Meus pais muito esporadicamente iam à igreja, mas eles nos mandavam (eu e meu irmão) às escolas Dominicais e nos tiraram logo ao finalizar nossos estudos. Nesta época eu estava no segundo ou terceiro grau e já havia terminado nossa educação religiosa.

       Isso foi suficiente para mim até eu chegar ao bacharelado. Talvez então começasse a compreender que o mundo não era um lugar justo pelas muitas perguntas que surgiram ao meu redor. Passei por períodos de decepção e baixa auto-estima. Durante este tempo, comecei a procurar a religião.

Onde estava a prova científica da existência de Deus? Se existia, Por que se escondia de nós? Por que permitia que coisas más acontecessem? Por que havia coisas boas e coisas más? O universo e a vida na terra apreciavam o azar? Por que existo?

       Por um momento talvez me convencesse de que Deus não existia, e ainda mais: que Ele era uma fantasia criada pelos seres humanos. Não era o suficiente! Quando cheguei ao bacharelado comecei buscar Deus de novo. Interessava-me seriamente pelo Cristianismo. Uni-me à campanha de Atletas cristãos e lia a bíblia regularmente. Encontrei uma revista chamada Verdade Plena, anunciada em um programa religioso de televisão e publicado pela Igreja do Deus Mundial. Interessei-me por esta igreja em particular.



       Este grupo estudava a Bíblia literalmente. Não celebravam o Natal por que não constava na Bíblia. Não celebravam os aniversários, não comiam carne de porco, e observavam as mesmas festividades que segundo a Bíblia, Jesus havia celebrado. Guardavam o sábado como estava escrito na Bíblia. Eu me sentia fortemente atraída por este grupo porque seguiam Deus seriamente e tratavam a Bíblia seriamente. Não tinham a religião somente como algo para se sentir bem, como muitos outros grupos fazem. Pareciam mais lógicos que os outros grupos, e faziam da religião uma parte diária de suas vidas, ao invés de ser algo ocasional. A idéia da religião é algo que me atrai. Eu sabia que Deus tinha algo em mente quando nos criou, e sabia que deveria haver um caminho melhor, ou uma forma mais correta de fazer tudo. Assim que eu encontrei esta igreja, imediatamente me atraiu. Ainda que nunca tivesse assistido suas reuniões, porque pensava que minha família não aprovaria o meu relacionamento com um grupo radical. Mais tarde, quando fiquei informada, foi considerado como culto, especialmente enquanto cursava meu bacharelado.

Coloquei em minha mente uma idéia: quando ficasse um pouco maior, investigaria sobre este grupo mais de perto. Em meu primeiro ano de Universidade me uni a um grupo de estudos Bíblicos patrocinada pela Cruzada Universitária por Cristo. E, finalmente, fui à Igreja de Deus depois de conhecer alguém na Universidade que pertencia a esta igreja. Eram pessoas muito agradáveis e muito atraentes. Porém, logo na primeira visita percebi que não era esta a igreja que eu estava procurando. Meu anfitrião me contava que a igreja se encontrava em estado de caos devido a uma grande divisão entre seus líderes nacionais. Estava dividindo-se em duas igrejas; um grupo se afastava porque sabia que a igreja original havia se corrompido. Um homem e sua família estavam em um conflito decidindo em que lado deveriam ficar. Quais das duas partes falava a verdade?                  

Após escutá-los, me decepcionei. Senti que este grupo estava mais perto do que eu procurava, mas provavelmente nenhuma das duas facções o sabia claramente.

Além de tudo, eram seres humanos que não estavam dotados de juízo perfeito. Eu queria aceitar algo que houvesse sido enviado por Deus e que não tivesse sido alterado pelos homens, mesmo pelos homens de boas intenções. E assim nunca mais retornei.

Havia me resignado a ser uma das muitas pessoas religiosas sem uma igreja, porque estava convencida de que todas as igrejas tinham defeitos.

Com freqüência me sentia incomodada no meu grupo de estudo Bíblico. Os outros membros pereciam estar muito mais felizes com sua Fé. Quando estudávamos um versículo da Bíblia, tinham muitas interpretações diferentes e pareciam que sempre viam os versículos de uma maneira diferente da minha. Perguntava-me qual era o mal que eu estava fazendo e por que não encontrava o sentido das coisas como conseguiam as outras pessoas mas, mesmo assim seguia sendo muito devota.

Meus amigos falavam em convidar Jesus para viver em seus corações, e quando o faziam, Jesus (A.S.) entrava, e suas vidas mudariam para sempre. Eu havia feito este convite muitas vezes, mas nunca minha vida mudara para sempre. Havia feito quando ia às igrejas com meus amigos, havia feito quando via os pastores pregarem na televisão, havia feito em meu próprio momento (em minhas orações). Ao que se referiam quando diziam que Jesus vivia em nossos corações? Realmente haveriam mudado tanto com essa experiência, e se foi assim, por que eu não havia conseguido? Ao menos sei que não era falta de sinceridade.

Ao pensar nestas perguntas, minha vida começou a mudar. Nesse ano conheci um muçulmano. Quando o conheci, não sabia que ele era muçulmano ou que era Árabe. Com o tempo me dei conta que ele era muçulmano. Realmente não sabia o que significava isso, porém fiquei inquieta com relação a ele porque me havia sido ensinado que ao acreditar que Jesus não morreu pelos nossos pecados, iria para o inferno. Ao menos era isso que todos me diziam quando me dedicava aos estudos Bíblicos. Poderia ser verdade que esta pessoa iria para o inferno simplesmente por não crer que Jesus (A.S.) morreu pelos nossos pecados sendo mais piedoso e humilde perante Deus que qualquer outra pessoa que eu já havia conhecido? Isso não me parecia correto. Ele sabia dos meus temores e se preocupou mais comigo do que com ele mesmo. Inclusive disse que iria em uma das Cruzadas da Universidade comigo. Hoje isso me surpreende mais do que quando aconteceu, porque agora penso no nome do grupo – Cruzada Universitária - e compreendo quão ofensivo era este nome. Sem dúvida, as reuniões não eram tão ruins, cantávamos e escutávamos música religiosa, tínhamos sido convidados a falar, e conheci meu líder de estudos Bíblicos.

Esperava salvar meu amigo, e às vezes queria que o líder dos estudos Bíblicos o conhecesse porque, realmente, necessitava de ajuda para acalmar minhas incertezas. Tinha muitas perguntas depois de ler uma tradução do Alcorão e estava surpresa com o que eu havia lido. Falava do mesmo Deus da Bíblia, o Único, que tinha a Verdade que eu estava buscando. Falava dos profetas (A.S.)) que eu já conhecia, mas não os descrevia como adúlteros e como seres que haviam cometido incesto e atos de luxúria como os descrevia a Bíblia.

Cremos em Deus (O Único e Verdadeiro Deus) que veio revelado a nós, que revelou para Abraão, Ismael, Isaac, e Jacob e suas tribos; que revelou para Moisés e Jesus, e os que receberam os profetas da parte do seu Senhor. Não fazemos distinção entre nenhum deles” (Alcorão 2: 136).



A única coisa que me incomodou no Alcorão foi o que dizia sobre Jesus (A.S.). Mas por quê? Como eu sabia o que eu sabia sobre ele? “Que Jesus era a terceira parte de uma Divindade e que havia morrido pelos nossos pecados?” Fui novamente buscar na Bíblia essas crenças tão importantes para o Cristianismo. Sabia que havia lido centenas de vezes; então seria fácil encontrá-las, mas não as encontrei. Pude achar versículos que pareciam dizer essas coisas, mas não eram muito claras. Encontrei outros versículos que pareciam dizer o contrário. Perguntei-me: se a crença que Jesus é Deus e morreu pelos nossos pecados , então, “Por que, se esse é o elemento principal em que eu deveria crer, não está claro na Bíblia?”.

Perguntei a meus amigos de estudos Bíblicos, “Onde diz isso?”. Mostraram-me os versículos, eu os li e falei que na maioria das vezes não dizia claramente o que eu havia perguntado, mas estava aberto a interpretações. Em Marcos 10:18 diz: “Por que me chamas bom?”. Jesus respondeu, “Ninguém é bom exceto Deus”. Esse versículo parecia indicar claramente que Jesus não era Deus. Outros versículos interpretados por meus amigos diziam que ele era Deus, no entanto, ele mesmo nunca disse, “Eu sou Deus”.

Alguns cristãos diriam que enquanto Jesus permaneceu na terra, viveu como um homem, mas mesmo assim seguia sendo Deus; parte ou forma de Deus. Ao transforma-se em carne, tornou-se completamente humano, enfrentando todas as adversidades e tentações que se apresentaram à vida humana. Não pude entendê-lo. Melhor que isso, nunca havia entendido antes, mas queria a verdade de qualquer maneira. Mas não podia explicar para mim mesma e ninguém mais poderia me explicar. Como Deus podia ser um Deus individual e ter três partes e formas independentes? Não podia entender, por que era necessária a morte de alguém infalível para o perdão de nossos pecados? Por acaso Deus não é O Todo Poderoso?

Muitos cristãos dizem que Deus está além de nossa compreensão. Não tem que ser entendido. Finalmente, decidi que não podia aceitar isso, pois desta forma a religião se converte em um assunto puramente de fé, sem nenhum espaço para a razão. Um livro que diz ser a Palavra de Deus pode dizer absolutamente qualquer coisa Dele (Deus), não importa quão absurdo seja; não podemos rechaçá-lo, posto que não entendemos Deus. Compreendi que não, para que sejamos capazes de separar a senda correta da falsa, Deus deve ter um sentido em termos de razão humana.
Dirigi-me até o meu guia de estudos Bíblico para falar-lhe sobre minhas inquietações. Fiquei sabendo que ele havia trabalhado como Missionário para os muçulmanos na Argélia. Pensei, então, que ele seria capaz de ajudar-me a entender o Alcorão, a Bíblia e o destino do meu amigo muçulmano. Quando eu o questionei, me disse prontamente que meu amigo iria para o inferno. Disse-me que o Alcorão era similar à Bíblia. Que era uma manipulação de Satanás. E algo que se assemelha à Bíblia era a melhor artimanha. Então, tratei de fazer uma pergunta mais específica sobre o que dizia o Alcorão a respeito de Jesus (A.S) e ele me disse que nunca tinha lido o Alcorão por que quando ele teve a intenção de lê-lo, estava doente. Quando ele me disse esta última palavra, fiquei atordoada, não pude conter minha lagrimas; me retirei do salão assim que pude.

Como ele podia sentar-se ali e me dizer que o Alcorão era uma artimanha do Satanás quando ele mesmo nem sequer havia lido? Que tipo de pessoa fazia este trabalho de missionário para os muçulmanos e não tinha o interesse de ler o livro em que crêem os muçulmanos? Uma voz em minha cabeça gritava. “Este homem não sabe nada, não podem confiar nele!”. Imagino que Deus não enganaria aqueles que lêem o livro de outra religião somente por estar em busca da verdade. Porém este homem pensava de uma maneira diferente. Meu líder de estudos Bíblicos apenas repetia o que lhe haviam dito. Ofendi-me muito com todos os líderes da igreja que haviam falado do Islã como se fosse algo demoníaco, que os muçulmanos eram pessoas mais ignorantes com respeito ao Islã que uma menina de bacharelado que havia conseguido uma cópia da tradução do Alcorão em uma livraria da esquina.

Agora encontrava-me atemorizada até a morte. Temia porque não podia confiar nesta pessoa. Era minha decisão, só minha; decidir se eu havia encontrado a verdade ou era tudo falsidade. Ninguém podia me ajudar. Sentia um peso tremendo sobre meus ombros. Eu estava aterrorizada por não saber se tivera feito uma escolha equivocada e como conseqüência passaria a eternidade da minha vida no inferno. Eu supliquei a Deus, que fora existe um Deus que não descaminhará aquele que busca a verdade, um Deus que perdoaria aquele que tem dúvidas e que observa ao redor buscando respostas, um Deus que possa me proteger para não tomar uma má decisão.

Não sabia por onde começar em função do impasse entre a Bíblia e o Alcorão, ou com os livros do início da história cristã. Aprendi muito lendo esses livros da história dos cristãos mais antigos e me perturbava porque não havia ouvido falar destes livros antes. No começo da religião estavam unificados e claros. Alguns dos primeiros cristãos crêem que Jesus (A.S.) era Deus, enquanto outros não pensavam dessa maneira. Suas práticas e crenças variavam muito mais que as crenças dos cristãos da atualidade. O Novo Testamento não foi escrito senão no mínimo uma geração depois da suposta morte de Jesus (A.S), e foi escrito por muita gente. Suas histórias, em geral, estavam em conflito umas com as outras e havia centenas de evangelhos à mão. Foi no Concílio de Nicéia, mais de trezentos anos depois de Cristo, que o Novo Testamento começou a tomar a forma que conhecemos hoje. O Concílio tomou quatro das centenas de evangelhos que coincidiam com as crenças do Imperador Romano e os converteram na crença oficial. Os outros foram queimados e destruídos e as pessoas que tinham em sua posse alguns evangelhos eram assassinados. Desde então, a maioria dos evangelhos modificou-se sutilmente de época em época. Algumas versões dos evangelhos contêm livros inteiros que outros não têm. Não existe uma Bíblia “original” para verificar se houve mudanças. Há manuscritos antigos, mas não há uma Bíblia “original” definitiva.

Para algumas pessoas isto não é problema, mas para minha rápida conversão (em um ano), é. Parecia-me que a Crença cristã Moderna continha algo da mensagem de Deus, mas há muitas conjunturas e interpretações de frases que não são totalmente claras. Parecia que essas partes conjunturais é que determinavam se eu ia ou não para o Inferno. Aonde disse Jesus, claramente, que ele morreu pelos nossos pecados e crer nisto era uma obrigação? É uma mera interpretação da frase “É o Filho de Deus”, frase que foi utilizada geralmente na Bíblia quando a Divindade se referia a Jesus (A.S.). De fato, as pessoas que viveram no tempo de Jesus (A. S.) não lhes davam este significado. Segundo os historiadores Bíblicos, a frase “Ele é Filho de Deus”, não significava algo divino para os escritores da Bíblia que conheceram Jesus (A.S.). Indicava apenas um ser humano completo e geralmente usavam esta expressão como título para os homens judeus santos.

Ao Rei David refere-se como um Filho de Deus em Samuel 7:14

 

Eu (Deus) serei seu pai e ele (Davi) será meu filho”.



 

Job 1:6 na versão NIV da Bíblia, menciona os anjos, no rodapé de uma página explica que a palavra Hebréia traduzida como anjos, significa “Filhos de Deus”.

 

Vieram uns dias os filhos de Deus apresentar-se diante de Jeová , e veio entre eles Satanás”.



 
Em Hosea 11:1, Deus chama a Israel Seu Filho:
 “Quando Israel era um menino, Eu o amei, e fora do Egito o chamei meu filho”.

 

O uso das letras maiúsculas quando se atribui a Jesus (A.S.) este título foi uma opção dos tradutores e não está citado nem no Grego nem no Hebraico original.



Também é conjectura dizer que Jesus (A.S.) foi o único Messias, o título de Messias tinha algo a ver com um retorno ao final dos tempos e era o status do salvador.

Messias e Cristo significam o mesmo, “O Ungido”. Os ungidos eram os líderes de Israel, ungidos em uma versão antiga na cerimônia de inauguração. Em Samuel 10:1 diz: “Então Samuel tomou o frasco de azeite e o beijou, dizendo”. “Não há ungido o Senhor vosso Líder sobre a sua Herança?”.

A raiz da palavra “ungida” (na literatura Hebraica) é a mesma que a tradução de Cristo e Messias no Novo Testamento.

Na realidade, Jesus nunca pediu ou ordenou as pessoas que o adorassem, mas as pessoas o adoravam em suas orações. Disse às pessoas para que orassem a Deus e o adorassem. Contudo, quantos cristãos hoje rezam e adoram a Deus? É mais comum que suas orações comecem com “Querido Jesus” que “Querido Deus”. Um cristão sincero faria bem em obedecer a Jesus (A.S) e dirigir suas orações a “Deus”, e não a “Jesus”.

Algumas coisas que são comuns na crença cristã e praticadas ainda hoje, na realidade, não têm suas origens nos ensinamentos de Jesus (A.S), mas foram estipuladas pelas autoridades eclesiásticas ou por um decreto Papal; incluindo a celebração do Natal e da Semana Santa, bem como a definição da Trindade e a permissão de orar pela Mãe de Jesus, Maria (A.S).

A palavra Trindade não existe na Bíblia e, no entanto, é uma crença essencial dos cristãos. O conceito de Trindade foi inventado pelos líderes da igreja para explicar suas crenças; e ainda hoje estes líderes têm votos e decretos sobre as naturezas e funções das diferentes partes de sua Divindade. Os cristãos fiéis confiam que seus líderes são inspirados por Deus e que os autores da Bíblia também o foram.

A maioria dos fiéis crêem que se a Bíblia é pouco clara, é porque os seres humanos possuem um entendimento limitado. Deus, dizem eles novamente, não necessita ter sentido. Se foi encontrada uma contradição evidente na Bíblia, é porque não são os detalhes que lhes interessam, exceto a mensagem no geral do que está escrito. Existem milhares de exemplos de contradições claras dentro da Bíblia. Muitas desta implicam em registros de quantas pessoas se encontravam num lugar ou quem exatamente estava lá. Só o relato de um sucesso disse que havia cem homens ali, e outro disse que havia mil, os cristãos fieis dizem que isto não modifica o significado global da passagem. Pode até ser que seja verdade, mas por que não concordam as passagens? Seguramente, Deus sabe o que acontece, então por que não pode condizer corretamente na Bíblia se é Seu livro? Talvez quando um padre ou sacerdote transcrevia a Bíblia cometeu um erro que ficou para sempre. E talvez estivesse pensava que estava corrigindo um erro que havia cometido um escriba anterior. Ou talvez pensou em um numero maior (3) proporcionava uma melhor versão da historia.

Catálogo: conteudo -> artigos
artigos -> EducaçÃO À distância: uma contribuição na formação pessoal e profissional dos usuários
artigos -> The view of science in proposta curricular de santa catarina
artigos -> Os Desafios da Divulgação Científica sob o Olhar Epistemológico de Gaston Bachelard The challenges of science communication under a epistemic view of Gaston Bachelard
artigos -> Reflections about the sustainability and the environmental education
artigos -> A mudança teórica, a mudança conceitual e o papel do professor: perspectivas de um debate. Carlos Alberto Rufatto
artigos -> Fundamentos teóricos subjacentes às práticas pedagógicas: Subsídios para o ensino de ciências
artigos -> Utilizando situações-problema para acessar a tomada de consciência do perfil conceitual: um estudo com a ontodefinição de vida. Using problematic situation to assess awareness of conceptual profiles
artigos -> Utilização de textos de divulgação científica sobre a teoria do caos na educação Using science communication texts about chaos theory in education Paulo Celso Ferrari
artigos -> Ensino da genética contemporânea: contribuiçÕes da epistemologia de fleck contemporary genetics teaching: contributions of fleck´s epistemology neusa Maria John Scheid1 Nadir Ferrari2, Demétrio Delizoicov3
artigos -> Abordagem de Tópicos de Educação Ambiental Utilizando um Livro Paradidático no Ensino Fundamental Environmental education Approach using a paradidactic book at basic education Mauro Sérgio Teixeira de Araújo1 Cristina do Carmo dos Santos2


Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6   7


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal