Reflexões sobre a História da Salvação



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Reflexões sobre a História da Salvação

Com efeito, Ele enviou Seu Filho, o Verbo eterno que ilumina todos os homens, para que habitasse entre os homens e lhes expusesse os segredos de Deus”. (Dei Verbum – Nº 4).

Um dos hinos da liturgia das horas1 nos diz que devemos dar “glória a Deus, fonte e raiz de todo ser”. Ora, não é estranho a nós, cristãos, sabermos que há um Criador para tudo o que existe ao nosso redor – inclusive nós mesmos. Não podemos esquecer as primeiras palavras com que se inicia o livro de Gênesis: “No princípio, Deus criou (...)”. (Gn. 1, 1).

A Trindade, na Sua suprema bondade e sabedoria, quis compartilhar o seu amor. Para que ocorresse tal feito grandioso, Ele cria o universo, dá vida às plantas e aos animais e faz à Sua imagem e semelhança o gênero humano, a fim de que este último colaborasse na Sua obra. Aqui já poderíamos nos indagar se vemos a natureza como obra divina ou puro surgimento do acaso? Respeitamos a natureza?

Os primeiros pais da humanidade: Adão e Eva. Nomes conhecidos tanto por receberem o sopro divino, quanto pela desobediência que levou toda a humanidade à queda. Sabemos que a serpente engana Eva e por último Adão, através de sua esposa. Muitas pessoas ainda se perguntam: Se a serpente falou com Eva, por que hoje elas não falam? O fruto do pecado era uma maçã? Como afirmei: sabemos da história; porém, o seu significado “passa” distante de nossos olhos.

A serpente indica a astúcia do homem; o desejo de poder e de querer estar no lugar de Deus é o fruto do pecado. A humanidade passa de colaboradora a “senhora da criação”. Desde o início, os seres humanos se desviam dos projetos de Deus e almejam implantar os seus, conquistando assim a expulsão do paraíso. Ser expulso do paraíso é estar longe da presença de Deus.

Ainda hoje queremos estar no lugar do Criador e não colaborar no seu projeto de amor: quantos casais ainda persistem no aborto? Quantos abandonam seus filhos? Quantos morrem de fome ou violência, para que seja mantido um poder econômico ou político que enfraquece as estruturas entre Deus e o homem? Este último deixa de ter um diálogo com o Divino para persistir no monólogo, fechando-se em si mesmo e esquecendo aos irmãos.

Caído em sua própria “esperteza” o homem não pode retornar à sua felicidade perdida: a criatura necessita do Criador. Este último, pleno de amor, alenta o homem a esperar a salvação. “Amor omnia vincit” (O amor tudo vence), já dizia um pequeno provérbio latino. Ora, Deus que é Amor vai concretizando ao longo dos séculos a redenção do gênero humano.

Escolhe homens de fé para que, através destes, eduque o seu povo, a fim de que se preparem para a vinda do Salvador prometido. Sendo assim, falou por meio de Abraão, para fazer dele um povo numeroso; utilizou-se de Moisés para libertá-lo das mãos dos egípcios; falou pelos profetas com a finalidade de ensinar a reconhecê-lo como único Deus e esperar o Salvador (cf. Dei Verbum – Nº 3).

Tendo chegado o tempo oportuno, Deus “(...) enviou seu Filho, o Verbo eterno que ilumina todos os homens, para que habitasse entre os homens e lhes expusesse os segredos de Deus”. (Cf. Dei Verbum – Nº 4). Ele prepara Maria, que fiel à escuta dos projetos de Dele diz o seu “sim” generoso (Cf. Lc. 1, 26-38).

O Filho de Deus se torna homem para resgatar todo o gênero humano. Ele vem ao encontro da humanidade que sofre. Seu amor é tão imenso que foi capaz de entregar sua vida na cruz.

Santo Agostinho afirma que Deus se fez homem para que o homem fosse feito Deus. Ora, Cristo ao encarnar eleva toda a humanidade decaída, para dialogar com os homens. Este diálogo não exclui, não cria divisões, mas partilha, inclui e eleva o homem a dignidade de filhos de Deus. O papa Leão no diz que:

A fraqueza é assumida pela força, a humildade pela majestade; para que, conforme era necessário para nossa cura, um e o mesmo mediador entre Deus e os homens pudesse morrer como homem e ressurgir como Deus. Se não fosse verdadeiro Deus não poderia trazer-nos o remédio; se não fosse verdadeiro homem não nos daria o exemplo”.

O Cristo é o cume da Revelação de Deus na história humana, salva a humanidade e quer restabelecer o diálogo entre os homens e o Pai. Esta salvação, contrária aos sistemas políticos que geram morte, quer dar vida, Deus “(...) vem ao encontro de cada ser humano e da humanidade em geral”2. Sendo assim, não podemos falar de uma história salvífica distante de nossas realidades. Ele não está inerente aos anseios e angústias humanas, pois:

(...) o Filho de Deus uniu-se de algum modo a todo ser humano. Trabalhou com mãos humanas, pensou com inteligência humana, agiu com vontade humana, amou com coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado”. (Gaudium Et Spes 22).

Com a ressurreição de Cristo (Cf. Mt. 28, 1-8; Mc. 16, 1-8; Lc. 24, 1-8; Jo 20, 1-18), os Apóstolos são enviados a anunciar a Boa Nova do Reino para que todos sejam salvos (Cf. Mc 16, 15). Inicia-se aqui a missão da Igreja, que, por conseguinte torna-se a tarefa de todo batizado: Anunciar a mensagem do Reino.

A história da salvação tem o seu cume na revelação do Cristo, Filho de Deus. É necessário que a Igreja anuncie tal Boa Nova a todas as nações para que todo aquele que crer seja salvo (Cf. Mc 16, 16). O cristão exercendo sua vocação é aquele que no seu cotidiano não leva outra mensagem que não seja a do Evangelho (Cf. At 3, 6). É, portanto, necessário termos a fé de que a história salvífica também se torna presente na minha vida, pois Deus quer salvá-la.

Esta salvação não veio somente para a casa de Israel, mas para todos. Deus não está longe da realidade humana, Ele vem ao encontro da humanidade, quer resgatá-la e restituir a dignidade perdida de filhos e filhas do Pai. Não podemos esquecer que “todos os homens são chamados a pertencer ao novo Povo de Deus” (Lumen Gentium – Nº 13).



Reflexões:

  1. As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (Gaudium et Spes –Nº 1). A partir de tal pensamento, discuta como é possível um casal, ser discípulo de Cristo e dar continuidade ao anúncio do Evangelho.

  2. Como você entende a ação de Deus no seu casamento? Eu, (com minhas ações e palavras) indico a minha esposa (o), aos filhos, netos e todos aqueles que convivem comigo, os mesmo gestos e palavras de Cristo?

  3. Temos a noção de que um “sim” generoso e verdadeiro na vocação matrimonial é contribuir na história salvífica, bem como Maria assim o fez?

1 Liturgia das Horas é a oração pública e comunitária da Igreja Católica. A pedido do Cristo em orar sem cessar, a Igreja reza e louva a Deus por suas grandes maravilhas. Tal liturgia das horas consiste em salmos e leituras que dividas ao longo de quatro semanas (que se chama saltério), perfazem durante sete horas do dia uma prece contínua de profunda intimidade com Deus.

2 FELLER, Vitor G. O Sentido da salvação: Jesus e as religiões. São Paulo: Paulinas, 2005. p. 56.


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