Reforço da influência das mulheres



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Encontro31.07.2016
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Reforço da Influência das Mulheres. No mundo das ONGs, o termo “reforço da influência das mulheres” tornou-se num lugar-comum um klugare para descrever praticamente qualquer projecto que se destine a melhorar as vidas de mulheres ou raparigas. Tal como qualquer lugar-comum, torna-se fácil adicionar o reforço da influência das mulheres ao vocabulário sem perceber o seu verdadeiro significado nem a noção de poder que lhe está na base. O Estudo de Impacto Estratégico (EIE) sobre o reforço da influência das mulheres abordou várias definições que, todas juntas, atribuem um significado completo ao termo.

O EIE, com a duração de três anos, contou com a participação de milhares de mulheres em dezenas de locais de investigação que ajudaram a construir uma história genuína de reforço da influência das mulheres. O EIE verificou que um reforço da influência das mulheres duradouro para qualquer mulher depende de uma combinação de alterações nas suas aspirações e conquistas (agência), nas normas e costumes sociais que determinam as suas possibilidades de vida (estrutura) e na natureza dos relacionamentos que estão presentes na sua vida (relações). O presente documento analisa as conclusões do EIE sobre:



  • A razão pela qual o reforço da influência das mulheres é fundamental para o trabalho e visão da CARE;

  • Poder: as várias formas do poder e como pode favorecer ou contrariar o nosso trabalho;

  • {0> What is the framework that we use to define and view women’s empowerment?<}0{>O quadro que usamos para definir e entender o reforço da influência das mulheres;

  • {0> And how can CARE more effectively promote women’s empowerment?<}0{>A forma mais eficaz de a CARE promover o reforço da influência das mulheres<0}



Por que é o Reforço da Influência das Mulheres Fundamental para o Trabalho e Visão da CARE?

María está impaciente, à medida que a reunião aborda os diferentes temas. Ela não tem tempo para isto. Passou as últimas 10 horas a procurar cartão nas lixeiras, a empilhá-lo e a entregá-lo aos compradores. Antes de o dia acabar, ainda tem de voltar para casa, fazer o jantar, lavar a roupa e ir para a cama porque amanhã tem de começar o dia cedo.

Desde que se juntou à Associação de Recicladores em Cuenca, no Equador, um grupo apoiado pela CARE composto por mulheres e homens que se dedicam à recolha e venda de cartão em lixeiras, María sente-se ao mesmo tempo mais orgulhosa e mais fatigada.

Q


Cumprir o Nosso Objectivo: O Objectivo da CARE não é simplesmente aliviar a pobreza e a injustiça social, mas sim acabar com elas – algo que não é possível sem a equidade entre géneros e o reforço da influência das mulheres. As valiosas contribuições prestadas pelos nossos projectos às condições de vida das mulheres - as vantagens em termos de saúde, segurança, económicas e políticas que permitimos que as mulheres alcancem – podem ser eliminadas se não forem conseguidas mudanças mais profundas nas normas e nas relações de poder que definem a forma como a nossa sociedade distribui recursos pelos cidadãos. A CARE deve aproveitar a oportunidade de transformar vantagens valiosas de curto prazo em mudanças de longo prazo auxiliando as comunidades a criar estruturas e relacionamentos mais equitativos.

uando María deixou a sua comunidade rural para ir para Cuenca, não conseguiu arranjar trabalho. Começou a trabalhar na lixeira, na recolha de materiais recicláveis para vender e de outros objectos que lhe podiam servir a si própria. No início, era desprezada pelo que fazia. Mas agora é diferente. Sente-se orgulhosa pelo facto de a sua participação na Associação de Recicladores ter dado dignidade à imagem dos recicladores em Cuenca e melhorado a sua capacidade de ganhar salários mais justos de modo a alimentar e educar os seus dois filhos. No entanto, os seus dias agora estão mais longos - e estendem-se para além das 16 horas. Depois do trabalho e das responsabilidades associativas, ela regressa a casa e recomeça todas as responsabilidades que sempre teve. O seu relacionamento com o seu marido tornou-se mais distante e às vezes ele bate-lhe.



A María ganhou reforço de influência? De acordo com alguns parâmetros de avaliação, sim. Obteve uma maior segurança financeira, maior poder de decisão, capacidades de negociação e confiança. Mas, por outro lado, ela é a única responsável por todas as actividades da cozinha, da limpeza e do cuidado dos filhos. Quase não fala com o seu marido e continua a sofrer violência

doméstica por parte do marido, mas já não depende dele como dependia.

María está contente por ter começado a participar na Associação de Recicladores e satisfeita com o aumento dos rendimentos que isso permitiu. Porém, apesar de a associação ter questionado a opinião pública sobre os recicladores, nunca desafiou María a questionar as estruturas e relacionamentos injustos que permanecem no seu lar. Por que é que só ela é que é responsável por todo o trabalho do lar? Ou como pode María comunicar com o seu marido de uma forma mais aberta de forma a colaborar efectivamente, criar confiança e acabar com a violência? De que forma pode a Associação de Recicladores promover um maior sentimento de pertença e apoio entre os membros e o que é que estes poder alcançar juntos? AAAo preparar María para se relacionar de uma forma diferente com o seu marido e ao ajudar os membros da associação a construir relacionamentos mais fortes, a CARE terá reforçado o processo de reforço da influência das mulheres no sentido de um impacto mas sólido e sustentável.

As histórias do Equador e de 23 outros países durante os três anos do estudo de impacto sobre o trabalho da CARE são claras: as mudanças duradouras só são possíveis com melhorias nas próprias capacidades das mulheres, assim como no ambiente que as rodeia e condiciona as suas escolhas; e nas relações de poder que têm de negociar no seu dia-a-dia.



Poder: Quais são as Suas Várias Formas e Como Pode Favorecer ou Contrariar o Nosso Trabalho?

Imagine que a CARE lhe pede que planeie um programa para Cuenca. Durante a sua pesquisa, depara-se com a história de María, no EIE. O que pode concluir sobre a questão do poder na vida de María?



Os estudos sobre o poder destacam cinco características do poder: 1

  1. María, como todos nós, tem vários papéis e relacionamentos. Em cada um deles, o seu nível de poder varia. María é uma recicladora, uma esposa, uma mãe, é membro de uma associação e uma habitante de Cuenca. Em todos os momentos, as suas escolhas podem ser determinadas pela forma como é vista pelos outros ou pela forma como equilibra estes aspectos da sua identidade. Enquanto recicladora, usa o seu poder para fazer valer os seus direitos; o mesmo não acontece enquanto esposa, em que continua a sofrer maus-tratos.

  2. O poder pode ser económico, político, social, cultural e simbólico. As pessoas raramente são poderosas (ou vulneráveis) de todas as formas. María é economicamente pobre. Enquanto membro de uma associação, porém, conquistou poder político.

  3. O Poder não é uma conta de somar. Quando María ganha poder, isso não significa que outros o percam em igual proporção.

  4. O poder é socialmente construído. O poder depende do sítio onde se está, de quem se é e da cultura de onde se provém. A relevância do poder não é a mesma em Cuenca e em Timbuktu.

  5. A experiência de poder de uma pessoa pode depender do seu sexo, raça, classe, idade, etc. María é uma mulher numa sociedade dominada pelos homens. É migrante, sem escolaridade e está entre os mais pobres da cidade. Como é que estes factores influenciam a sua experiência com o poder?

Juntamente com estas cinco características, existem também vários tipos de poder. Diversos estudos classificaram-nos de diferentes formas. Na CARE, entendemos o poder de acordo com duas grandes categroias:2

  • Poder Pessoal: que é composto por Poder Interior, Poder Para; e

  • Poder Interpessoal: que inclui Poder Com, Poder Sobre (Visível, Oculto e Invisível)

Estas características são facilmente observáveis na vida de María e nas nossas próprias vidas.


Embora a história de María ofereça pistas sobre o que devemos procurar quando analisamos o poder, ela só por si não chega. Na verdade, uma análise de género e poder exige mais do que a mera análise de algumas histórias. Para compreender as dinâmicas do género e do poder nas zonas rurais do Bangladesh, por exemplo, o EIE abordou:

  1. Os Papéis e o Reforço da Influência das Mulheres: O pessoal entrevistou mulheres de várias estratos económicos de forma a criar um padrão para cada mulher examinar relacionamentos sociais e padrões de mobilidade. Além disso, as equipas entrevistaram homens e mulheres para analisar a forma como os habitantes de diferentes estratos socio-económicos viam o reforço da influência das mulheres.

  2. Governos Locais: A CARE estudou os sistemas de administração de
    justiça local, práticas eleitorais e o nível participação das mulheres em cargos eleitos nos governos locais e no alívio da pobreza. O pessoal detectou a infra-estrutura e os actores principais a nível local, com a ajuda dos membros eleitos e dos participantes no projecto. Questionaram um conjunto de habitantes sobre os comportamentos das elites e as relações entre as elites e os seus eleitores.

Reflexões: O EIE verificou que a familiaridade do pessoal com as elites e as formas de respeito que as elites esperam eram úteis na criação de relações. Durante o estudo, o pessoal reprimiu os seus próprios preconceitos em relação às elites, uma vez que alguns resultados contradiziam as suas opiniões.

  1. Dinâmicas Sociais ao Nível da Comunidade: Através de grupos especializados, a equipa analisou as relações entre a riqueza, as relações de parentesco, associação em ONGs e os recursos em cada comunidade. A CARE examinou então os resultados para perceber a forma como as classes se relacionavam com a resolução de conflitos e o modo como a riqueza se relacionava com a mobilidade/redes sociais das mulheres.
    Reflexões: Os participantes referiram que estes exercícios lhes permitiam analisar as relações sociais sistematicamente de uma forma que nunca antes fora possível. A partir deste trabalho, o pessoal ficou a saber em que lares e a partir de que classes económicas as mulheres vendiam o poder do trabalho. A compreensão da relação entre caciques e classes permitiu às equipas identificar as mulheres com menos probabilidade de ganhar dinheiro ou participar em reuniões.

  2. Género e Socialização: A equipa analisou a forma como os pais tratavam e consideravam os filhos, em comparação com as filhas.

Reflexões: O pessoal da CARE ficou a saber como as ideias de género e poder estão enraizadas nos comportamentos dos pais através deste exercício.

  1. Tomada de Decisões e Controlo de Recursos: Através da análise da literatura e de entrevistas, a CARE examinou o controlo de recursos por parte de homens e mulheres, os processos de tomada de decisões e estratégias que influenciam as decisões. A equipa recorreu a eventos pessoais essenciais nas vidas das mulheres e tomou-os como base para o debate sobre o processo de tomada de decisões e a interpretação e utilização do poder pelas mulheres .

ReflexõeReflexões: O pessoal concluiu que esta abordagem é útil, uma vez que tinham já detectado a dificuldade de saber como lidar com as questões de género. As inquiridas tiveram uma opinião positiva sobre a experiência da entrevista e optaram pelo anonimato. Como preparação, o pessoal realizou investigação e debateu a hipótese de as questões serem colocadas por pessoas que as mulheres não conheciam. A equipa considerou que o debate sobre os resultados eram essencial para aumentar a confiança e a aprendizagem.

  1. Conflitos Domésticos: Na análise do poder, dos conflitos e da violência, a CARE envolveu as mulheres numa dramatização para debater as situações que provocam violência no lar e as estratégias das mulheres para combater a violência.

  2. Reflexões: As dramatizações despersonalizaram os problemas da violência, embora as mulheres tenham partilhado as suas próprias experiências à medida que as actividades decorriam, reflectindo quer relações de confiança com os investigadores, quer a prevalência da violência nas suas vidas. Os




Poder Pessoal – Poder Interior, Poder Para: Algumas formas de poder assentam inteiramente nas suas próprias capacidades e auto-estima. Enquanto recicladora, María tem a capacidade de ganhar dinheiro e de cuidar dos filhos. Ganhou auto-confiança e sentido de valor próprio.

Poder Interpessoal 1 – Poder Com: Ao associarem-se, as mulheres como María criaram novas formas de poder que não teriam podido ter alcançado sozinhas – através da solidariedade e do apoio mútuos, e através do recurso à sua voz colectiva para negociar serviços, o acesso ao mercado e o reconhecimento da comunidade e do governo pelos seus contributos enquanto recicladoras.

Poder Interpessoal 2 – Poder Sobre:

  • Visível: As normas públicas, os recursos e os relacionamentos que fazem com que certas pessoas se sobreponham a outras, e onde os interesses de certos grupos são excluídos.3 As normas, leis e associativismo estatais e das associações determinam o que María deve, pode ou não pode fazer.

  • {0>Hidden:<}0{>Oculto:<0} {0>The ability and<}0{>A capacidade e <0}{0>influence to set the rules, to determine who<}0{>influência para estabelecer as normas, determinar quem <0}{0>participates, to define the nature and timeframes of the decision-making<}0{>participa, definir a natureza e periodização dos processos de tomada de decisões<0}{0>processes.<}0{>.<0}{0>4 Before the<}0{>4 Antes de s formar a associação,<0}{0>association formed, kinship and corruption ensured that the most valuable<}0{>os caciques os caciques e a corrupção certificavam-se de que os materiais<0} {0>recyclable material went
    straight to one family,<}0{>recicláveis mais valiosos iam para uma família, <0}{0>leaving María and other
    women to fight over the
    dregs.<}0{>tendo María e as outras mulheres que lutar pelos restos.<0} {0>Women “like María”<}0{>As mulheres “como María” <0}{0>were labeled as a public
    nuisance by local media<}0{>eram rotuladas como publicamente indesejáveis pelos meios de comunicação locais <0}«<0}{0>and municipal leaders, and excluded from policy forums that affected them.<}0{>e pelos líderes municipais, sendo excluídas dos fóruns de discussão que as afectavam.<0}

  • Invisível: A capacidade de definir significado, sentido do Eu e o que é normal.5 É mais difícil de identificar com actores individuais e inclui convicções e ideologias que determinam as próprias ideias e aspirações de María. Estão de tal modo entranhadas no “dia-a-dia” que talvez nunca se venha a aperceber de que existem. Incluem atitudes classistas sobre os pobres das zonas rurais, convicções políticas sobre as virtudes do sucesso e da auto-ajuda, ideologias culturais e religiosas sexistas que definem e reforçam o que é ser uma boa mulheres e mãe: assumir a responsabilidade por todas as tarefas do lar, supervisionar a educação dos filhos e dedicar os seus rendimentos à família.

O Que Significa o Poder Para Si?

O poder não afecta apenas as mulheres com quem trabalhamos, mas também os homens e as mulheres que integram a CARE. As dinâmicas de poder afectam os nossos comportamentos e as decisões que tomamos no trabalho, em casa e nas nossas comunidades.

N

o trabalho, somos colegas, chefes e gestores. Em casa, temos outros papéis enquanto pais, filhos, irmãos e cônjuges. Nas nossas comunidades somos cidadãos, vizinhos e amigos. Em cada relacionamento e contexto, o nosso nível de poder pode ser diferente.



C Com a ajuda da figura, qual é o poder que acha que tem em cada uma das respectivas situações?

  • Com os serviços de saúde

  • Na sua comunidade

  • No Estado

  • No Mercado de trabalho

  • Na sua família

  • Numa comunidade religiosa

  • Entre activistas ou num movimento

Como é que a raça, a etnia, o sexo, a sexualidade ou a religião influenciam o seu sentimento de poder em cada uma destas situações?

Como é que o Poder Interage com o Trabalho da CARE?

Compreender as dinâmicas de poder é essencial para a CARE funcionar eficazmente enquanto organização.



O poder desempenha um papel importante no trabalho da CARE em vários níveis. Nas comunidades com que trabalhamos, o poder afecta a capacidade das mulheres de lutar pelo seu reforço da influência. Influencia o resultado das nossas intervenções. As próprias estruturas de poder da CARE podem capacitar ou limitar o pessoal e determinar as suas acções, decisões e prioridades. A um nível mais vasto, as dinâmicas de poder dentro da indústria do desenvolvimento – com patrocinadores, decisores políticos e outras ONGs – podem também influenciar a forma como a CARE funciona com as políticas, subvenções e parcerias.






Poder Interior, Poder Para

Poder Com

Poder Sobre

Nas Comunidades


  • Direito de voto

  • Possibilidade de aceder a recursos

  • Liberdade de mobilidade




  • A relação com detentores do poder locais

  • Associações ou grupos entre os membros da comunidade

  • Controlo sobre o governo local por um grupo<0}

  • Influência das elites locais nas vidas dos pobres

  • A forma como as elites acumulam recursos

  • Aqueles cuja voz é ouvida e que<0} estabelecem prioridades

Locais Parceiros e dos nossos no âmbito da CARE


  • Abertura de comunicação com colegas, gestores e equipa executiva

  • Poder do pessoal para influenciar direcções estratégicas e agenda da CARE a diversos níveis

  • Colaboração e partilha de conhecimentos entre colegas para potenciar o nosso poder com ou outros para promover a missão da CARE

  • As políticas, estruturas e procedimentos seguidos pela CARE

  • Quem é incluído/excluído nos processos de tomada de decisões

  • Quem estabelece a agenda da CARE

  • Aqueles cuja voz é ouvida




Com Patrocinadores, Governos e outras Instituições de Desenvolvimento

  • A capacidade da CARE de influenciar a agenda de decisores políticos e patrocinadores

  • Parcerias estratégicas em que a CARE participa <0}para potenciar poder

  • As relações que os diferentes detentores mantêm entre si

  • Como os patrocinadores e os governos influenciam as políticas e as oportunidades de <0} financiamento que afectam a CARE

  • As preocupações e prioridades de {0>donors and governments that<}0{>patrocinadores e governos que<0} {0>influence CARE’s development and<}0{>influenciam o trabalho de desenvolvimento, políticas e <0}{0>policy work and strategies<}0{>estratégias da CARE<0} {0>through funding opportunities<}0{>através de oportunidades de financiamento <0}{0>and policy<}0{>e políticas<0}

{0>holders have with one<}0{><0}{0>influence policies and funding<}0{>{0>opportunities that affect CARE
 The concerns and priorities of<}0{>{0>Power dynamics within each of these setting are interconnected and cut across one another.<}0{>As dinâmicas de poder em cada um destes sectores estão interligadas e entrecruzam-se.<0}

{0>Rigid expectations from the donor about what gets measured and what gets rewarded as
success may get “passed down” to frontline staff in ways that limit their responsiveness to local contexts.<}0{>As expectativas rígidas dos patrocinadores sobre o que há que analisar e o que há que recompensar pode “descer” até à linha da frente o pessoal de formas que limitam a sua capacidade de resposta em contextos locais.<0} {0>On the other hand, staff encountering power relations and realities that challenge
their own worldviews or feelings of competence may consciously or unconsciously avoid these tough realities.<}0{>Por outro lado, o facto de o pessoal se deparara com relações e realidades de poder que desafiam as suas próprias concepções gerais ou sentimentos de competência podem, consciente ou inconscientemente, evitar estas duras realidades. <0} {0>For example, elite patronage networks in communities ensure that certain
groups are supported while others are hidden (i.e. women’s rights in marriage; dowry practices; the status of sex workers in society).<}0{>Por exemplo, as redes de patrões nas comunidades fazem com que certos grupos sejam apoiados e outros ocultados (como os direitos das mulheres no casamento; as práticas de dote; o estatuto das profissionais do sexo na sociedade).<0} {0>If our staff come from and carry these practices themselves, how can the organization as a whole support them to challenge biases, shift the trajectory of our work and implement thoughtful, innovative programs?<}0{>Se o nosso pessoal for oriundo destas práticas se ele próprio as apoiar, como pode a organização, como um todo, ajudá-los a alterar preconceitos, mudar a trajectória do nosso trabalho e implementar programas sensatos e inovadores?<0}

Quadro de Acção da CARE para o Reforço da Influência das Mulheres: Como Definimos e Entendemos o Reforço da Influência das Mulheres

Compreender as questões relacionadas com o poder e o género em qualquer contexto é o primeiro passo para compreender o reforço da influência das mulheres. Com vista a ajudar as equipas a avaliarem o reforço da influência das mulheres, o EIE da CARE desenvolveu um quadro de acção para o reforço da influência das mulheres que inclui aspectos de poder para, com e sobre. Embora o reforço da influência das mulheres varie de contexto para contexto, o EIE entende o reforço da influência das mulheres como um conjunto de mudanças necessárias para que a mulher faça valer todos os seus direitos humanos, o que exige uma conjugação de mudanças em:



  • A

    gência: as próprias aspirações e capacidades de uma mulher



  • Estrutura: o ambiente que rodeia e condiciona as suas escolhas

  • Relações: as relações de poder com que tem de negociar no seu caminho

Qualquer indicador de progresso só pode ser convenientemente avaliado e valorizado em

termos da forma como contribui para o progresso geral.

M
[Uma mulher com reforço da influência] é um mulher com um objectivo na vida. Realiza uma actividade geradora de rendimentos, por exemplo gere um salão de chá, vende peixe ou a cerveja local ou tem algum trabalho pago, em que é reconhecida e com o qual tem um certo rendimento. É um acréscimo à agricultura, que lhe proporciona voas colheitas. Tem acesso ao mercado de trabalho pelas suas actividades geradoras de rendimentos.

Tem escolaridade, é boa trabalhadora e tem uma família saudável com filhos de diferentes idades. Com os seus rendimentos, pode tomar conta da família, educar os filhos como considera adequado e proporcionar-lhe educação escolar. Os seus filhos reconhecem e valorizam o que ela fez por eles enquanto mãe e, quando for velha, os filhos tomam conta dela.

Tem uma casa feita de alvenaria/tijolos com telhado revestido a ferro que lhe dá mais segurança do que as casas de argila e colmo. Se a casa tiver muitos quartos, ela pode alugar alguns. Tem acesso às suas necessidades básicas e possui bens produtivos, como terra, árvores, galinhas, caras e gado. Seria óptimo se pudesse possuir muito gado, porque é um símbolo de riqueza na sua comunidade.

A sua melhor situação económica não afecta as relações entre ela e o seu marido "porque se amam um ao outro". A sua família pode consumir o produto dos seus bens ou vendê-lo em troca de dinheiro. Por exemplo, as árvores podem ser vendidas como carvão; o leite que o gado dá pode ser vendido por dinheiro. Ela tem uma palavra a dizer sobre a forma como estes rendimentos são usados. Tem boa conduta e respeita os outros. Dá conselhos sábios, influência e ajuda os outros. Mantém boas relações com a sua família e não há “problemas com a família”. É confiante. Tem sucesso. É feliz.”

as o que significam estas categorias gerais, em concreto? Esta descrição, da Tanzânia, mostra bem o grau de dimensões de conflito do poder apontadas pelas mulheres:

Numa abordagem semelhante, a CARE seleccionou 23 sub-dimensões do reforço da influência das mulheres a partir da literatura existente e confirmou a sua relevância na nossa pesquisa. Estas sub-dimensões oferecem um ponto de partida para explorar a agência, a estrutura e as relações em diversos contextos. Mesmo que cada uma delas possa ou não ser relevante para todos os contextos, o quadro de acção solicita aos investigadores e ao pessoal que, pelo menos, as tenham em conta e à sua relevância nas realidades das mulheres:



Sub-Dimensões do Reforço da Influência

Agência

Estrutura

Relações

  1. Imagem própria; auto-estima

  2. Conhecimento da legalidade e dos direitos

  3. Informação e aptidões

  4. Habilitações literárias

  5. Emprego e controlo do próprio trabalho

  6. Mobilidade em espaço público

  7. Influência nas decisões do lar

  8. Participação em grupos e activismo

  9. Bens materiais possuídos

  10. Saúde e integridade físicas

  1. Normas, regras e processos de casamento e parentesco.

  2. Leis e práticas de cidadania.

  3. Informação e acesso a serviços

  4. Acesso à justiça. capacidade de fazer valer os direitos

  5. Acessibilidade ao mercado de trabalho

  6. Representação política

  7. Práticas de orçamento público

  8. Representação na sociedade civil




  1. Consciência da interdependênciaprópria e dos outros

  2. Negociação, compromisso

  3. Hábitos de aliança e coligação

  4. Promoção da responsabilização

  5. Novas forma sociais: relações e comportamentos alterados




A definição de reforço da influência desta mulher da Tanzânia destaca alguns pontos-chave do EIE:

  • Natureza interligada da Agência, Estruturas e Relações: Os estudos revelaram que qualquer progresso no reforço da influência implica mudanças nas três dimensões do reforço da influência. Um aumento dos rendimentos da mulher tem implicações em todas as dimensões do reforço da influência - exige que ela tenha acesso ao mercado de trabalho de modo a obter rendimentos (estruturas), que tenha as capacidades e a confiança para gerir o seu próprio negócio (agência) e que o seu marido apoie e respeite estas mudanças (relações). A definição da mulher confirma esta percepção.

  • Importância das Relações: Ao longo da sua resposta, a mulher destacou a importância de manter relacionamentos de apoio. Um marido que a ame, filhos que a valorizem e uma comunidade que a respeite não são apenas “coisas agradáveis” – elas estão na base da visibilidade das suas exigências de aceitação e apoio social. Nos vários estudos, as mulheres definiram o reforço da influência das mulheres como a capacidade de ajudar e obter o respeito dos outros. Essas aspirações foram discutidas em particular por mulheres socialmente marginalizadas que descreveram o seu reforço da influência em termos de superação de estigmas sociais. Nos estudos sobre o reforço da influência das mulheres e o VIH, a CARE verificou que as mulheres – quer as operárias têxteis nas fábricas do Lesoto, quer as de zonas rurais no Burundi, quer as profissionais do sexo no Bangladesh, na Índia e no Peru – tomavam decisões de vida ou morte com base na sai necessidade de se sentirem amadas e dignas de confiança por parte dos seus parceiros, sendo que os preservativos representavam desconfiança e infidelidade.

  • {0> Invisibility of Structures:<}0{>Invisibilidade das Estruturas:<0} {0>Throughout her description, the woman did not explicitly<}0{>Ao longo da sua descrição, a mulher nunca discutiu explicitamente<0} {0>discuss structural dimensions of empowerment.<}0{>às dimensões estruturais do reforço da influência.<0} {0>On the contrary, the woman affirmed<}0{>Pelo contrário, a mulher confirmou<0} {0>gendered structures by defining her own empowerment by fulfilling traditional gender roles
    and responsibilities as a loving wife and caring mother.<}0{>estruturas baseadas no género ao definir o seu próprio reforço da influência como o desempenho de papéis e responsabilidades de género, enquanto esposa que ama e mãe que cuida.<0} {0>In Afar, Ethiopia, women discussed
    empowerment as being married, obeying one’s husband and being circumcised.<}0{>Em Afar, na Etiópia, as mulheres discutiram o reforço da influência enquanto relacionado com facto de serem casadas, obedecerem ao marido e serem circuncisadas.<0} {0>It is clear
    that women struggle to define empowerment in ways that challenge dominant ideologies -
    but just as clear are the stories and examples they celebrate where women are creating new
    spaces to grow and influence, while fulfilling traditional roles.<}0{>É claro que as mulheres tentam definir o reforço da influência de formas que desafiam as ideologias dominantes – mas também são claras as histórias e exemplos que celebram, em que as mulheres estão a criar novos espaços de crescimento e reforço da influência, ao mesmo tempo que desempenham os papéis tradicionais. <0} {0>As CARE works with women
    and empowerment, we must continue to support women to redefine their own views of<}0{>Ao longo do trabalho da CARE com as mulheres e o seu reforço da influência, é preciso continuarmos a ajudar as mulheres a redefinirem as suas perspectivas sobre<0} {0>empowerment and support those who are already challenging traditional roles.<}0{>o reforço da influência e ajudar as que já estão desafiar os papéis tradicionais.

Nova Percepção do Reforço da Influência das Mulheres Como pode a CARE promover mais efectivamente o reforço da influência das mulheres?

  • O reforço da influência das mulheres significa transformação social. A iniquidade entre géneros, o poder e a resistência são aspectos centrais no trabalho de reforço da influência das mulheres. As intervenções para o desenvolvimento são extremamente úteis quando adoptam uma perspectiva política holística, de múltiplos níveis e vasta sobre o reforço da influência das mulheres. Isto inclui não apenas o trabalho com as mulheres no sentido de criar novas competências, mas um trabalho sobre os relacionamentos da mulheres e as estruturas que definem as vidas das mulheres através de acções de promoção e alianças profundas de impacto nos movimentos das mulheres aos níveis local e nacional. As mudanças que melhoram as vidas das mulheres ocorrem após vários pequenos passos; é a inter-relação e a multiplicação desses passos através de estratégias institucionais e de organização em rede apropriadas o que facilita formas mais sustentáveis e justas de transformação social mais vasta.

  • A CARE deve trabalhar com as mulheres enquanto seres humanos, diversas e multi-dimensionais. Cada mulher tem noções únicas sobre o reforço da influência e múltiplos papéis. As escolhas que faz para proteger e fazer valer os seus interesses num domínio podem ser prejudicadas pelas que faz noutro – pode adquirir conhecimentos sobre a prevenção do VIH, mas optar por não usar o preservativo com os seus parceiros. A CARE deve tentar descobrir a lógica que existe por detrás destas contradições aparentes, considerar a possibilidade de as suas escolhas serem respostas muito reais e racionais às estruturas com que se depara e disposta a apresentar-se como um parceiro para atenuar e ajudar a suportar as consequências da mudança.

  • Os programas para o reforço da influência das mulheres exigem menos fórmulas e um maior empenho na compreensão da forma como as relações de poder de género mudam consoante o contexto e ao longo do tempo. Uma vez que entendemos o reforço da influência das mulheres como uma mudança social, e não apenas como uma mudança individual, é necessário criar programas com calendarizações mais prolongadas, promover acções em comunidades e fora delas, criar fortes parecerias e apoiar outros actores sociais e a agilidade que nos vem da consciência de que não podemos prever nem controlar os percursos que a transformação social tomará. É preciso questionar a ideia de que podemos provocar impactos significativos nos sistemas sociais apenas com base em intervenções de projectos a curto prazo, intermitentes, dependentes dos resultados – e, pelo contrário, procurar uma colaboração sólida através de uma abordagem programática. É isto que é necessário para introduzir sementes de mudança nas ideias e instituições que determinam a sociedade.

<0}

Para além dos Programas: o que é que isto significa para a CARE?

Para nos mantermos fiéis aos nossos compromissos em relação ao reforço da influência das mulheres, o EIE concluiu que a CARE deve empenhar-se no reforço da influência das mulheres e na equidade entre géneros em toda a organização.

Trabalhar em Parceria com as Mulheres e os Movimentos para a Transformação Social

Ao trabalhar em prol da transformação social, a CARE deve fomentar o nosso poder com outras organizações através de parcerias estratégicas de modo a que os nossos programas sejam mais sólidos, possam ter um impacto mais forte e possam influenciar as políticas e procedimentos que orientam o nosso trabalho de desenvolvimento. Com as parcerias, a CARE pode envolver os patrocinadores e os governos que têm poder sobre políticas internacionais e a definição das agendas de forma a influenciar as suas opiniões e prioridades.



Compromisso Estratégico com o Reforço da Influência das Mulheres

O compromisso efectivo ao nível da organização para com a equidade entre géneros e o reforço da influência das mulheres começa na liderança da CARE. Este compromisso deve continuar a ser reflectido nos planos estratégicos, comunicações, políticas orçamentais e incentivos/reconhecimento do pessoal da CARE a todos os níveis. A avaliação do desempenho do pessoal e as descrições das tarefas que fazem com que o pessoal seja sensível às questões de género e esteja consciente relativamente à promoção do reforço da influência das mulheres é importante para o sucesso do nosso trabalho.

Durante o recrutamento, os Recursos Humanos podem procurar candidatos que demonstrem um empenho em relação aos direitos e ao reforço da influência das mulheres. Na preparação do novo pessoal e do pessoal existente com as capacidades de trabalhar eficazmente na promoção do reforço da influência das mulheres, a formação é um factor essencial para gerar sensibilidade e compreensão relativamente às questões de género e poder. Por outro lado, no sentido de reter os valiosos ensinamentos sobre as dinâmicas de poder nas comunidades em que a CARE trabalha, a nova abordagem programática da CARE permite que o pessoal seja mantido de projecto para projecto, de forma a que os conhecimentos que ele adquire e a sua familiaridade com as comunidades em que trabalhamos possam ser preservadas.

Outras Fontes

B Bode (Novembro de 2007). Power Analysis in the Context of Rights-Based Programming. Dhaka: CARE Bangladesh.

E Martinez, (2003). Gender Equity Building Blocks. Atlanta: CARE EUA.

E Martinez, (2007). Basic Concepts of Power. Atlanta: Program Impact Knowledge and Learning Unit, CARE EUA.

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1 E Martinez (2003)

2 V. Miller, L. VeneKlasen, M. Reilly e C. Clark (2006).

3 E Sprenger (2006).

4 Ibid.

5 Ibid.

Estudo de Impacto Estratégico da CARE International sobre o Reforço da Influência das Mulheres: Compreender o Reforço da Influência {0>Empowerment<}0{>das Mulheres



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