ReintegraçÃo cósmica. (Integral dos três livros juntos )



Baixar 1.88 Mb.
Página18/29
Encontro29.07.2016
Tamanho1.88 Mb.
1   ...   14   15   16   17   18   19   20   21   ...   29

II. PROBLEMAS EM CAPELA

CAPÍTULO CINCO
Ausência de Discernimento.

Nos mundos de Capela e nos outros sistemas, logo após a saída dos seres complicados energeticamente, a angústia era a tônica dos sentimentos de todos.


Por não ter sido aquela a primeira ocorrência do gênero no universo, alguns assessores do Mestre — juntamente com alguns Membros da chamada Hierarquia Divina — se reuniram em outros recantos do cosmos estudando o problema ocorrido.
O Mestre, imperturbável na certeza íntima de saber que iria abraçar cada uma das ovelhas desgarradas do seu pastoreio amoroso, concitava a todos a buscarem o equilíbrio íntimo para a fortificação da própria condição energética de cada um. Assim, dizia Ele, o mais rapidamente possível poderiam todos os que não seguiram a Lúcifer congregar esforços para resgatar os entes queridos.
Muitos ficaram tão perturbados por tudo o que estava ocorrendo e, em especial, pela perda da convivência com seres tão amados que, durante algum tempo cósmico, contraíram uma espécie de doença vibratória que, na psicologia terrena, seria algo próximo ao fato de que muitas vezes necessitamos de razões que realmente nos motivem o íntimo para que nos permitam optar e justificar os esforços e sacrifícios de urna continuidade existencial.
Talvez as palavras não sirvam para significar corretamente o problema vibratório de muitos dos seres que continuaram a viver nos seus mundos após a rebelião de Lúcifer mas, de maneira simplificada, os sentimentos que mais poderiam caracterizar a situação daqueles tempos eram os de perplexidade e angústia.
Somente o tempo cósmico ajudaria a sarar tantas feridas e a recompor tantos sonhos evolutivos de grupos afins que terminaram por se separar.
O Mestre visitou todos os mundos habitados da Sua jurisdição esclarecendo e estimulando a todos com vistas ao porvir.

Enquanto isso, a família Val — após tomada a decisão — decidira também partir para o planeta Alt'Lam, no sistema de Antares, onde já se encontravam Lúcifer e os mais extremados dos seus seguidores.


Essa espécie de quartel-general localizada em Alt'Lam acompanhava a movimentação dos diversos grupos de rebelados enquanto estes se deslocavam para os mundos cujos túneis de deslocamento ou estradas siderais estavam livres.
Por esse tempo, os mundos que permaneceram ao lado do Mestre — para se protegerem das emanações magnéticas deletérias dos seres doentes que, quando congregados em grande número, tornavam a vibração conjunta difícil de ser suportada — fecharam os seus circuitos de deslocamento para evitar o contágio de drásticas conseqüências.
Foi um momento difícil pois é doloroso fechar as portas para quem muito se ama. E todos os seres que permaneceram nos mundos ligados ao Mestre amavam — como ainda amam — profundamente os irmãos e irmãs que adoeceram. Mas, não havia outra alternativa.
Entretanto, quando esse fato foi percebido pelo quartel-general de Lúcifer, os rebeldes se encheram de profunda revolta pois, quais loucos que não atinavam com a própria loucura, acharam que aquilo era uma grande injustiça que estava sendo cometida contra eles.
Len Mion,Yel Liam e mais alguns outros tornaram-se os grandes porta-vozes dos sentimentos rebeldes a partir desse momento. Baixaram de vez o já perturbado senso existencial e começaram a dar uma proporção à rebelião que jamais passara pelo espírito de Lúcifer: o conceito de guerra entre os poderosos e eles, os oprimidos.
O que havia começado como uma simples discordância filosófica quanto a certos conceitos da vida cósmica, por. esse tempo já se tornara uma espécie de guerra unilateral, com a preocupação de traçar estratégias e de vencer a outrem, coisa que, até então, jamais germinara no íntimo de qualquer um dos rebelados.
Lúcifer deixou se envolver completamente pelos fatos e, a partir de então, tornou-se, realmente, uma espécie de comandante de uma falange de mais de duzentos bilhões de seres completamente diversos entre si.
Havia de tudo entre os rebelados. Na sua grande maioria eram seres trabalhadores dos diversos departamentos da vida cósmica, com adiantado currículo existencial e que jamais sonharam, sequer, em praticar qualquer tipo de violência. Seres de polaridade masculina e feminina ainda envolvidos com vidas transitórias só que em mundos bem mais evoluídos que a Terra, como a conhecemos atualmente.
De outra parte, havia também alguns seres que, em relação aos citados anteriormente, apresentavam um marco evolutivo um pouco aquém daqueles e que facilmente se deixaram levar pela onda problemática.
A grande maioria desses seres era proveniente dos mundos do sistema de Antares. Foi essa parcela a que mais bani-lho fez quando percebeu que certos circuitos de deslocamento cósmico haviam sofrido interferências promovidas pelas hostes do Mestre.
Além desses, havia ainda diversos grupos de origens planetárias diferentes e que apresentavam marcos evolutivos de toda ordem. Alguns ficaram retidos nos próprios planetas onde viviam e que terminaram por se transformar em mundos rebeldes.
Chegando em Alt'Lam com suas três grandes naves, a família Val foi logo procurada por membros da família Yel.
Havia uma profunda afinidade entre os membros de ambas até porque foram realizados muitos trabalhos comuns no passado.
Na verdade, devemos explicar que somente de dois planetas de Capela, Zian e Dan, mais de quatro mil e setecentas famílias se envolveram com a questão.
Devido à complexidade do assunto e conforme a orientação dos mentores, foram escolhidas apenas essas duas para servirem de ilustração dos fatos.
O relacionamento entre todas essas famílias situava-se — nos tempos a que estamos nos referindo — em nível fraterno de altíssima vibração, como assim ainda é para as que lá permaneceram.
Yel Luzbel e Yel Liam, acompanhados de Len Mion e outros seres, foram ter com o grupo Val. Lúcifer, percebendo de pronto que havia entre os membros daquela família alguns que estavam vibrando diferente dos demais, aventou a possibilidade de não haver espiões ou qualquer coisa semelhante entre o grupo.
Com toda nobreza possível — se é que ainda havia alguma naquela altura dos acontecimentos — um dos quarenta e dois que ainda não estavam de todo contaminados pela energia que já caracterizava os rebeldes, explicou, em nome dos demais, a decisão tomada pela família.

Muito a contragosto alguns dos que ali estavam aceitaram a permanência do grupo Val com a presença daqueles quarenta e dois.


Len Mion passou a defender que toda a família fosse para um outro mundo de Antares ou mesmo para o seu planeta Gron Mion, no sistema de Tau Ceti, onde ainda se encontravam muitos indecisos.
Aventou-se ainda o retorno dos quarenta e dois seres —a partir dali considerados problemáticos — para Capela mas, devido à interrupção do fluxo dos deslocamentos siderais que estava em vias de consumação, já não era mais possível.

Com muito pesar e após decorrido um certo tempo daquele mundo, a familia Val — mesmo com a discordância de Lúcifer que desejava que a mesma permanecesse junto a si por afinidades do passado — deslocou-se para um outro planeta rebelado vizinho do sistema de Antares.


Alguns membros da família Yel começaram a discordar dos rumos que o movimento estava tomando. Mas, por aquele tempo, não havia condições para qualquer reflexão razoável àquela altura dos fatos. A grande loucura estava consumada e não era mais possível evitar o problema vibratório criado. Tudo o que se podia fazer era administrá-lo para que, no menor espaço de tempo possível, tudo fosse equacionado e superado.
A cada movimentação, em todas as discussões e em qualquer reunião que se fizesse, tudo piorava porque o discernimento, seja individual ou coletivo, como que sumira daquelas frontes que até bem pouco tempo eram radiantes de inteligência e fraternidade.
Os que discordavam de Yel Liam e Len Mion terminaram também por se dirigir para outros mundos rebelados de Antares e, em especial, para aquele onde já se encontrava a família Val.
O sistema de Antares é formado por dezenas e dezenas de mundos. É, talvez, o maior de todos os que existem nesta parte da nossa galáxia que é formada por centenas de bilhões de sistemas planetários.
Entretanto, o sucesso do movimento rebelde não foi o esperado entre os planetas do sistema de Antares. Logo que o quartel-general de Lúcifer percebeu que somente catorze deles — eles esperavam muito mais pois, em média, os habitantes dos diversos mundos daquele sistema são menos desenvolvidos que os de Capela e de outros sistemas — haviam se assumido como fiéis aos ideais luciferianos, concluíram que, fatalmente, a equipe do Mestre iria formar bases de apoio logístico nos demais planetas para sufocar a rebelião. E eles não estavam de todo enganados.
Não com o objetivo de sufocar ou impedir qualquer coisa, mas com o intuito de acompanhar e dar apoio a quem o solicitasse naqueles primeiros instantes da rebelião, muitos trabalhadores ligados ao Mestre se deslocaram para os mundos de Antares que estavam livres da influência dos rebeldes para, de lá, promoverem o que possível fosse em termos de ajuda para todos.
Tanto assim foi que os primeiros mundos a serem reintegrados à convivência cósmica foram exatamente alguns dos rebelados de Antares.
Logo que o problema foi percebido, Lúcifer e seu quartel-general resolveram se deslocar para um outro mundo de um sistema próximo a Antares mas não obtiveram sucesso pois foram impedidos pelas hostes celestiais. Com isso e mais revoltados ainda, se dirigiram para Gron Mion — planeta natal de Len Mion no sistema de Tau Ceti
Gron Mion passou a ser a nova sede do quartel-general da rebelião durante algum tempo. Só que, ao perceber as hostes do Mestre se concentrando nos mundos de Antares que estavam livres da influência psíquica dos rebeldes, Lúcifer imediatamente retornou para Alt'Lam estabelecendo, definitivamente, naquele mundo a sede do governo rebelde.
Em tempos terrestres, tudo o que ocorreu desde a saída de Lúcifer dos ambientes de Capela até o estabelecimento definitivo do seu quertel-general em Alt'Lam, durou aproximadamente trinta mil anos.
Enquanto isso, percebendo o problema, a família Val, seguida de outros grupos de exilados que se encontravam em Antares, pensou até em se deslocar para o planeta azul onde estava em missão quando eclodiu o problema luciferino.
Com toda essa confusão ocorrendo, um mundo pertencente a um sistema planetário relativamente próximo ao nosso sistema, que era, inclusive, administrado por outra hierarquia cósmica — sem ser a que é coordenada pelo nosso Mestre — e que tinha como principal característica o fato de possuir um governo bastante centralizado, resolve apoiar a rebelião de Lúcifer.
Algumas de suas naves representativas daquele governoCarma e Compromisso

dirigem-se para alguns pontos do sistema solar para construir bases de apoio.


Imediatamente o "pastor desse outro rebanho cósmico" que é, inclusive, bem mais numeroso e evoluído — na sua média geral — do que este a que pertencemos, sem mais delongas, decide dirigir-se pessoalmente com toda a sua corte celeste ao mundo problemático e lá estabelece o seu governo temporário até que tudo volte ao normal, o que ocorre algum tempo depois.
Quanto àqueles que se dirigiram para o sistema Solar — aproximadamente oito mil e duzentos seres — terminaram por se misturar às confusões conseqüentes à rebelião e, até os dias atuais, a grande maioria deles permanece no contexto terreno, reencarnando como todo o resto que aqui se encontra.
Essa questão terminou por impedir a vinda da família Val e de outros rebelados para a Terra naquela altura dos acontecimentos.
O grande problema é que, em nenhum recanto do cosmos existe remédio para o orgulho e a fascinação do que se pensa saber. Quando os processos sutis vibratórios conseqüentes a essas posturas íntimas começam a irromper na vida da individualidade cósmica, ou ela mesmo se trata ou solicita ajuda esclarecedora e termina por se internar em algum hospital cósmico ou coisa do gênero.
Quando esse ser, entretanto, leva adiante teimosamente a sua postura íntima, extravasando através de atos e palavras o que pensa e sente, o problema está criado. Quando bilhões de seres começam a proceder dessa forma não há nenhuma outra solução a não ser o isolamento temporário de todos.
Não há como evitar o peso vibratório no nosso próprio espírito de tudo o que pensamos e sentimos. E não há óculos ou remédio para os estágios iniciais da cegueira espiritual que enquadra tudo o que vê dentro dos padrões de sua própria fascinação.
Decorridos cerca de quarenta mil anos terrestres após o início do problema luciferiano, a ausência de discernimento era, agora, a principal característica das mentes espirituais daqueles seres. A luz da iluminação pessoal se acabara. A escuridão aterrorizante era o estado natural da vida íntima de todos. Alguns chegavam mesmo a expressar esse desconforto. Outros calavam-se porque não haviam ainda sequer equacionado o caos interior.
Os lideres do movimento, entretanto, não se davam tempo para perceber as próprias mazelas íntimas. Como que querendo enganar a si mesmos, a todo momento e em toda oportunidade, aumentavam mais ainda o barulho de um discurso cuja platéia pouco a pouco passava da surdez à indiferença diante dos acontecimentos, pelo simples fato de não haver mais jeito.
A rebelião de Lúcifer sempre teve no seu grande quartel-general o foco propagador e mantenedor de todo o movimento. O resto passou a servir como massa de manobra.
Foi assim por muito tempo até que esse núcleo de comando foi desfeito com a encarnação do Mestre nos ambientes terrenos, quando Lúcifer, por fim, se rendeu às evidências e ao amor de Jesus.

III. EXÍLIO
"Do equívoco, apareceu o problema: onde levar aqueles que não podiam mais' viver nos céus?

Criar outra região ou transformar parte do céu em inferno para dar guarida aos que sofriam?

O que fazer diante do aparente caos?"
Das Crônicas de Orbum.

III. Exílio

CAPÍTULO UM
Novas Necessidades.

Era uma situação que jamais havia ocorrido na longa vida cósmica daqueles seres.


Eles, que há muito estavam acostumados ao padrão de vida dos mundos razoavelmente evoluídos, com seus níveis, regras e valores de referência existencial claramente definidos, estavam agora desprovidos de qualquer raciocínio lógico quanto ao porvir.
Não tinham a menor idéia de como estariam dali a algum tempo.
Sentindo-se como presos, embora com liberdade para agir dentro dos limites do ambiente em que estavam inseridos ou do que pudesse ser alcançado pela capacidade de deslocamento de sua tecnologia disponível, aqueles seres começavam a sentir a angústia suprema das situações em que certos pontos são ultrapassados e de onde não se pode mais retornar.
Sem o intercâmbio comum na vida sideral eles sabiam que a decadência inapelavelmente abraçaria os mundos rebeldes. A nível cósmico, o conceito de isolamento — situação vivida por motivos diversos por muitos planetas em todo o cosmos — já foi bastante analisado e era do conhecimento de todos as conseqüências acarretadas por aquele processo.
Ainda assim, mesmo conhecendo esses postulados básicos de qualquer matéria da ciência da vida cósmica, aqueles seres insistiam na manutenção da postura rebelde.
Pouco a pouco foram percebendo a amplitude da rebelião nos seus muitos aspectos, a saber: a quantidade de seres rebelados, quais os mundos que foram considerados como rebeldes, a tecnologia disponível para deslocamentos entre os sistemas e para a produção de outros bens necessários ao tipo de vida que lhes era característico e outros fatores estratégicos.
Passaram a ter grande preocupação com os processos tecnológicos, pois — alguns já estavam percebendo enquanto que outros apenas desconfiavam — as potencialidades perceptivas e a situação vibratória dos seus corpos já começavam a apresentar problemas de diversas ordens.
Aqueles seres que, em situações normais de vibração, como simples reflexo de suas vontades e da elevação dos seus padrões vibratórios a níveis energéticos que lhes eram afins, podiam concentrar a sua atenção em certos níveis existenciais ou em certas situações e instantaneamente interagir com a pessoa, objeto eu situação pretendida, começavam a sequer poder controlar as próprias emoções.
Também, por vontade e concentração próprias, podiam deslocar a componente espiritual de suas formas existenciais e visitar — através de desdobramentos — outros ambientes e indivíduos. Tudo isso eles podiam fazer. Estavam, agora, entretanto, relegados à condição de párias e mal conseguiam um momento de paz íntima para refletirem com serenidade a respeito de qualquer coisa.
Era de todo lamentável a situação.
Mas, ocorrida a causa, os efeitos são inexoráveis. Podemos apenas tentar diminuir o seu peso, porém não nos é dado evitá-los.
Por ser uma situação ímpar, nunca vivida pelos seres rebeldes, não sabiam como proceder ou o que fazer para por um fim no problema criado. Ao contrário, se complicavam cada vez mais.
A queda do padrão existencial a que estavam acostumados era flagrante. Mesmo ainda congregados em mundos de razoável porte evolutivo — se comparados com a atual situação terrena poderíamos dizer que eram muito evoluídos — percebiam que a vida já não era mais a mesma, fosse pela inquietação constante nos seus espíritos ou mesmo pelo fato de não ter a quem recorrer para ajudar na resolução de certos problemas.
Todos estavam dentro de uma mesma situação existencial complicada e, por conseguinte, sofrendo as mesmas dores e enfrentando os mesmos problemas. Quem poderia ajudar quem? Como um bêbado pode ajudar outro?
No início, a preocupação dos principais mundos rebeldes foi com o esmero nos processos diversos da tecnologia disponível, pois não havia outra coisa a ser feita. Enganando-se aqui e ali, seguiam os rebelados na luta contra eles mesmos porém pensando que estavam lutando contra as hostes do Mestre e da Deidade, se é que existia, como diziam alguns rebelados.
Se naquele tempo o Mestre fosse se referir à situação existencial daqueles seres, dos seus mundos e sociedades, de suas construções, veículos de deslocamento e organizações estratégicas, poderia dizer o mesmo que viria a afirmar quando de Sua passagem pela Terra pois, desde aquela ocasião, já podiam ser considerados como verdadeiros sepulcros caiados: belos por fora mas, por dentro, em estado lamentável.
Talvez, desde essa época, por força dos hábitos contraídos, estejamos investidos da preocupação inconcebível com aspectos exteriores enquanto que, interiormente, vivemos em estado inferior aos cães, leões e outros animais da natureza terrestre que ao menos só matam por puro instinto de defesa e sobrevivência.
Apostamos e investimos no disfarce dos aspectos exteriores esquecendo-nos de regar o próprio íntimo, sede da consciência cósmica de cada um, de onde tudo emana e por onde tudo passa.
Desde essa época já confundíamos o acessório com o essencial. De lá para cá, somente conseguimos aumentar mais ainda a distorção do nosso modo de proceder. E ainda nos orgulhamos disso tudo.
Orgulho era o que não faltava entre os rebelados.
Mesmo com a sensação de decadência a rondar-lhes a existência, perseguiam como fanáticos a desnecessária tirania do convencimento recíproco de que estavam todos sendo vítimas das altas sociedades do cosmos.
Esquecidos de que todo novo instante é momento que propicia renovação dos destinos dos seres cósmicos, persistiam como loucos nas tentativas estéreis de provar a eles mesmos que o que estavam fazendo era correto, iludindo-se completamente na análise da relação inteligente entre causa e efeito.
A atitude do corpo será sempre manifestação de um simples efeito, pois quando o mais íntimo do ser — Espírito ou Alma — deseja algo, a sua forma energética que liga o Eu mais profundo ao corpo transitório comanda a ação em busca da que se deseja, e o corpo simplesmente age conforme a ordem que lhe vem do íntimo. Na linguagem terrena diríamos que o espírito quer, o perispírito comanda e o corpo faz.
Diante das realidades existenciais daqueles mundos foi só uma questão de tempo o surgimento de novas necessidades. Estas se exteriorizavam pela simples atitude íntima da vontade pessoal. As vibrações decorrentes provocavam sérios problemas nas constituições corporais daqueles seres, independente de agirem ou não conforme as novas tendências interiores que, sem maiores avisos, afloravam devido à nova situação.
Começaram a surgir movimentos desordenados o que preocupou Lúcifer e seus principais seguidores.
Ora, se na atualidade terrena conseguimos perceber com clareza que certos agrupamentos que se caracterizam por possuírem grandes lacunas sociais raramente conseguem ter algum tipo de coesão, imaginemos aquelas sociedades planetárias cheias de diferenças vibratórias.

Os seres que ainda conseguiam vibrar de forma razoável tinham que nivelar as suas emanações fluídicas às que lhes eram inferiores, para poder conviver com os demais, já que o inverso não era possível.


O que se devia esperar, portanto, de uma comunidade planetária onde os melhores têm que piorar a si mesmos para tornar suportável a convivência com os seus pares?
Eram patentes as fragilidades de sustentação do movimento rebelde. Situações nunca antes vividas estavam agora afligindo a todos. Entretanto, ninguém queria ou conseguia perceber coisa alguma nesse sentido.
Ninguém progride sem renovar-se. No entanto, queriam evoluir mesmo empedernidos em posturas tão equivocadas. E por não evoluírem, creditavam à perseguição do Mestre —assim passaram a crer depois de certo tempo evidenciando os sintomas de uma espécie de loucura — o fato de não poderem evoluir, segundo os seus próprios critérios.
Imaginemos um bando de doentes vivendo como se assim não estivessem, sem aceitar procurar a cura para a própria doença, em mundos que ainda ostentavam características de elevado padrão de existência, movimentando-se em naves de possibilidades de deslocamentos inimagináveis para o atual padrão do conhecimento terreno: era esse, enfim, o quadro algo tragicômico da vida dos seres rebela- dos.
Se os fatores que contam para o conceito do que é a realidade forem a matéria, a energia, o psiquismo, a consciência e a percepção, podemos deduzir que dos três últimos nascem todas as possibilidades que a individualidade cósmica tem de perceber o ambiente que a rodeia. Se assim é, como estavam aqueles seres que, com o nível de percepção em flagrante processo de decadência, com o psiquismo abalado e a consciência em frangalhos, tentavam a todo custo se enquadrar na nova situação?
E como estamos nós, terráqueos, nos dias atuais, se acreditamos piamente que todo o conhecimento só é possível chegar às nossas mentes por intermédio apenas dos cinco sentidos do corpo terrestre? Ou seja, o que puder se encaixar na nossa percepção corporal é real, o que não for possível de assim ser inserido, paciência, não pode ou não deve existir.
Com tal nível de conclusão perceptiva o nosso psiquismo se reduz ao tamanho daquilo que conseguimos perceber, empobrecendo, dessa forma, a postura psíquica do ser terrestre diante do cosmos. Com isso, qual será a consciência que temos de nós próprios, se não sabemos ao certo quem somos, de onde viemos e para que existimos? Podemos nada disso saber mas, que temos o sentimento de orgulho —sabe-se lá o porquê — a caracterizar as nossas feições é fato público e notório que a muitos intriga pelo cosmos afora.
Os rebelados tentavam, portanto, a todo custo, encontrar uma saída para o impasse que se avizinhava: os seus corpos não agüentariam muito mais tempo aquela situação.
Diversas possibilidades científicas no campo da medicina cósmica foram tentadas pelos cientistas que seguiram Lúcifer. Nada, entretanto, surtia o efeito pretendido.
Para que não ocorresse o chamado vazio existencial no íntimo daqueles seres, os lideres propagavam cada vez mais a "injustiça que contra eles estava sendo praticada" pelas altas hostes da Hierarquia. Precisavam criar uma bandeira, um substrato psíquico, que os mantivesse de pé, com vontade de lutar, nem que fosse contra os fantasmas por eles mesmos criados.
Muito tempo se passou até que, com receio da desagregação, o quartel-general da rebelião ordenasse a nomeação de orientadores para cada grupo de famílias e governantes para cada um dos mundos rebelados. Na visão dos lideres era essa a única forma de não haver defecções ou mesmo indecisões que pudessem propiciar a interferência dos que permaneceram fiéis ao Mestre.
Nascia aí, acobertado pela necessidade de sobrevivência de um movimento de seres doentes, o germe do comportamento tirânico que traz consigo a insuportável forma de convivência tão comum à educação terrena: o patrulhamento. Essas características comportamentais passariam a caracterizar a rebelião, a partir desse fato. Criou-se, para esse fim, uma grande hierarquia que passou a ser conhecida como os fiéis a Lúcifer.
No início foi muito difícil pois quase todos eram seres de semelhantes possibilidades espirituais, o que dificultava a aceitação de subserviência a alguém do seu mesmo nível. Muitos problemas ocorreram e, somente a muito custo, Lúcifer conseguiu manter a coesão do movimento rebelde naqueles instantes.
Mas, com o aparecimento da hierarquia luciferina, veio, para muitos, a temida sensação de vazio existencial. E quando isso ocorre, somente o desabrochar de uma característica íntima que é comum aos mundos que apresentam um baixo padrão evolutivo poderia dar suporte aos que assim se sentiam: a necessidade da fé.
Se tudo era desilusão consciente quanto ao presente e ao futuro, algum tipo de alimento íntimo deveria urgentemente ser produzido por cada um dos rebelados, para tornar possível a sobrevivência naqueles dias.
No princípio desse problema — e foram muitos desse tipo, verdadeiras doenças íntimas que nos marcam até hoje, que surgiram ao longo do desenvolvimento da rebelião —quase ninguém em Alt'Lam e nos planetas rebeldes vizinhos referia-se abertamente ao novo e desconhecido sentimento que começava a brotar do interior daqueles seres.
Por mais estranho que nos possa parecer, a característica íntima recém-surgida criou todo tipo de problema em Alt'Lam e adjacências. Logo a notícia desse vírus desconhecido espalhou-se por todos os outros planetas rebeldes.
Muitos foram internados — os primeiros que resolveram expressar as suas angústias — e, se me permitem os amigos e amigas leitores uma leve brincadeira diante de tanta tragédia, na opinião do autor terreno foi nessa ocasião que surgiu a dependência ante os psicólogos e psiquiatras que, inevitavelmente, começaram a surgir para dar conta da aflição reinante. Realmente, alguma coisa tinha de ser feita para evitar o caos, pois a rebelião estava prestes a sucumbir diante das diversas espécies de câncer vibratório que a todo momento surgiam e ameaçavam atacar o conjunto dos rebelados.
Diante do inusitado da situação muitas foram as tentativas criadas em Alt'Lam para sufocar o problema. Com o passar dos tempos daquele mundo, os que não tinham mais jeito — na avaliação dos fiéis a Lúcifer — eram congregados numa espécie de prisão-hospital, o que complicou mais ainda o clima reinante.
Lúcifer e sua assessoria mais imediata começaram a visitar os outros mundos rebelados, tentando manter acesa a chama do movimento. Mas, os problemas de ordem vibratória começavam a se alastrar como uma febre que ninguém e nenhum tipo de remédio podia curar.
Normalmente, quando estamos diante de uma situação desesperadora causada por nosso próprios atos sem que disso nos apercebamos, costumamos procurar culpados fora da nossa própria jurisdição espiritual, e fácil e irresponsavelmente os encontramos. Não é à toa que a humanidade terrena herda essa infeliz característica até o presente: herança espiritual dos nossos próprios atos praticados naquele tempo.
Como não se podia remediar a situação, a alternativa era achar culpados. Não deu outra: sobrou para a famíliaVal que, por possuir alguns poucos membros ainda não atingidos de todo pelo problema vibratório, foram inapelavelmente apontados como semeadores daqueles vírus desconhecidos que começaram a surgir.
Era muita coincidência para não ser verdade, pensavam alguns. Na hipótese mais generosa, a propagação de tais venenos vibratórios estava sendo feita de forma inconsciente, ou seja, sem nenhum objetivo de atrapalhar a rebelião. Ainda assim, na opinião geral que começava a se formar, aqueles seres deveriam ser afastados do sistema de Antares, que era a sede governamental do movimento rebelde. Na versão mais cruel, os espiões do Mestre estavam propositadamente semeando aqueles problemas com vistas ao naufrágio dos rebelados.
Se é dito popular que, em terra de cego quem tem um olho é rei, como tal aqueles seres foram tomados, e somente não se começou uma espécie de revolução naqueles dias com as características das que comumente viriam a ocorrer na história terrena, porque Lúcifer retornou urgente e acalmou os mais exaltados.
Foi promovida uma reunião entre todos os membros da família Val e o quartel-general de Lúcifer, além dele próprio.
Postulados científicos diversos sobre as chamadas doenças vibratórias, intrigas, disputas e incompreensão foram a tônica daquele encontro.
Os rebelados e, em especial, os membros da assessoria luciferina, não queriam ou não podiam mesmo perceber que os problemas vibratórios eram decorrentes da postura íntima causada pela rebelião. Era, realmente, impossível o diagnóstico correto para o problema.
Os membros mais doentes da família Val se exaltaram de vez e surgiu o primeiro grande impasse interno da rebelião. Val Elliah,Val Ellieh eVal Ellam, dentre outros, criaram um outro movimento rebelde dentro da própria rebelião. Surgiram, então, confusões e conflitos por todos os lados.
Lúcifer tentou de todas as formas contemporizar. Mas por não atentar com a verdadeira causa do problema, estava convencido de que, não por má fé, mas devido ao nível vibratório de pequena parte dos membros da família Val é que os terríveis problemas tinham sido gerados. Por conseguinte, Lúcifer propôs a internação dos que assim se encontravam, ou que os mesmos fossem levados para um certo satélite de um outro planeta rebelado no sistema de Anta-res. A família Val não concordou e as acusações começaram a surgir de ambas as partes.
Lúcifer e os demais se sentiram traídos. Da mesma forma se sentiu a outra parte da questão, pois o grupo tinha absoluta certeza da improcedência das afirmativas caluniosas quanto à parte de seus membros.

O impasse estava estabelecido. Alguns começaram a defender a prisão de todo o grupo, sugestão com a qual o próprio Lúcifer não concordou. Entretanto, não era mais possível a convivência do grupo Val com o quartel-general da rebelião.


Lúcifer resolve deixar a critério da família a atitude a ser tomada pelos seus membros.
A partir desse fato a família Val passou a revoltar-se contra os fiéis a Lúcifer — como assim passaram a ser chamados os membros do quartel-general da rebelião e da grande hierarquia que foi montada naqueles dias para dar suporte organizacional ao movimento.
Rebelados contra o Mestre e revoltados com o tratamento que lhes foi dado pelos fiéis a Lúcifer, os membros da família se encontravam numa encruzilhada existencial: o que fazer e para onde ir?
Entregues à própria sorte e impossibilitados de maiores deslocamentos fora da jurisdição da rebelião, resolveram —numa espécie de orgulho íntimo — se dirigir para o mundo rebelado menos complicado do movimento e que, àquela altura dos fatos, não tinha ainda maiores focos populacionais: o longínquo planeta azul que já conheciam de missões anteriores e para o qual já tinham pensado antes se dirigir.
Lúcifer e os seus seguidores concordaram até porque jamais conseguiram imaginar que no futuro estariam todos congregados naquele distante e pouco importante planeta, em termos das atuais estratégias que caracterizavam o movimento à época dos fatos em questão.
Em termos de fuso horário cósmico, na Terra haviam decorridos agora, setenta mil anos desde a deflagração da rebelião nos mundos de Capela.
As grandes equipes de assessoramento do Mestre, por esse tempo, estavam terminando de tomar as providências de isolamento cósmico dos mundos rebelados, dentre outras. E foi com certa surpresa que perceberam três grandes naves se deslocando para o longínquo e menos importante dos planetas rebelados.

Há cerca de seiscentos e vinte mil anos terrestres, portanto, a família Val chegou à Terra, revoltada contra tudo e contra todos.


Espalhou-se pelos mundos rebelados que a primeira defecção na rebelião havia sido, na verdade, uma traição a Lúcifer. A partir de então, os membros dessa família foram considerados pelos demais como traidores.
Até bem pouco tempo, os membros Val, mesmo reencarnados na Terra, eram referidos dessa forma por certos espíritos necessitados que davam suas presenças em algumas reuniões espíritas. O importante é que, quando isso ocorria, eram finalmente ajudados, pondo fim a milênios e milênios de sofrimentos inenarráveis de uma história que começou nos ambientes paradisíacos dos mundos de Capela e ainda está por terminar, nos ambientes não menos belos do planeta azul, que terminou por se transformar em verdadeiro inferno.
O céu e o inferno assim se confundem na postura dos seus habitantes.

^

1   ...   14   15   16   17   18   19   20   21   ...   29


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal