Reis fº, Daniel Aarão et alii. Versões e ficções: o sequestro da história



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REIS Fº, Daniel Aarão et. alii. Versões e ficções: o sequestro da história. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 1997.

RESUMO:

Este livro se refere a uma reunião de pequenos textos de uma variedade de autores brasileiros – historiadores, sociólogos, jornalistas etc. – que se aglutina em torno de um eixo comum geral, qual seja, pensar a participação da esquerda brasileira durante os anos da ditadura militar, suas ações políticas, de guerrilha, seu auge e derrocada, além da construção da memória brasileira acerca dessa esquerda. No entanto, esse eixo geral apresenta uma particularidade essencial, que se apresenta como motivadora da organização do livro: pensar todos esses aspectos da resistência nos anos 1960 e 1970 em contraposição à visão construída do período pelo filme O que é isso companheiro?, então recém rodado. 

Não se trata, no entanto de uma compilação de artigos encomendados especialmente para o livro; são texto escritos em épocas diferentes, com objetivos de publicação diferentes, por pessoas que viveram ou não a época que o referido filme retrata, mas que graçam, pois, sobre o mesmo enfoque e, por ocasião da estreia do filme, são reunidos a partir da demanda criada por este de responder e uma representação. No volume, apenas os texto de abertura (“Que história é essa?”, de Marcelo Ridenti) e fechamento do livro (“À maneira de um balanço: epílogo ou prólogo?” de Daniel Aarão Reis Filho), além do de Celso Horta (“Jonas, um brasileiro”) forma escritos especialmente para esta obra, mas que mantém também as mesma linhas interpretativas dos outros textos e as mesmas preocupações que moveram a organização da publicação, qual seja, a de responder a uma versão dos acontecimentos da ditadura, presente no filme de Bruno Barreto, que “ficou em débito com a história”.

Em suma, essa variedade de autores presente no livro, o fato de não terem sido os texto escritos, na sua maioria, com o propósito de serem compilados, além de surgirem em tempos algo diversos, mostra ao leitor, em primeiro lugar e acima de tudo, que a versão dos acontecimentos trazida no filme não se coaduna com a “verdade histórica” ressaltada pelos autores do presente livro e “legitimada” pelo fato de muitos deles terem protagonizado o momento mesmo de que trata o filme. No entanto, essas mesmas características demonstram que a resposta pretendida pelos autores do livro parte de um pressuposto minimamente discutível, qual, a própria “verdade histórica” defendida em Versões e ficções, que compromete a crítica feita ao filme se considerar este último do ponto de vista de uma representação, um mecanismo de construção de um discurso determinado e que deve ser analisado em seus próprios termos e contexto. 

A idéia do livro é trazer aos leitores que não viveram a época da ditadura a visão contrária à dos “caçadores”, em que “os terroristas convertem-se em guerrilheiros, os justiceiros, em assassinos, e o jornal, de caçador, transmuda-se em defensor dos caçados e cassados” conforme Daniel Aarão Reis Filho, em um de seus capítulos do livro. Essa é uma versão dos acontecimentos; a que os autores propõe para o livro é outra, bem como a presente em O que é isso Companheiro?. Nenhuma delas está isenta de pressupostos, discursos e tampouco de serem analisadas e criticada, dentro de seus próprios termos.


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