Relação entre o microrganismo e o hospedeiro



Baixar 104.78 Kb.
Encontro18.07.2016
Tamanho104.78 Kb.

Interacções entre o hospedeiro e o microrganismo

Relação entre o microrganismo e o hospedeiro




Infecção


implica a colonização, multiplicação, invasão ou a persistência dos microrganismos patogénicos no hospedeiro


Doença


ocorre quando se verifique uma alteração do estado normal do organismo


Infecção pode existir sem doença detectável


Patologia ou patogénese


modo como se originam e desenvolvem as doenças

Patogenecidade


é a habilidade com que um microrganismo causa infecção, através dos seus mecanismos estruturais ou bioquímicos

Virulência


é o grau de patogenecidade de um microrganismo


Flora normal ou comensal


microrganismos que permanecem no organismo sem produzirem doença e vivem em simbiose com o hospedeiro, ou seja, obtêm vantagens sem prejuízo para o hospedeiro.

Bactérias estritamente patogénicas


estão sempre associadas à doença

Bactérias potencialmente patogénicas


podem estar ao não associadas à doença

Bactérias oportunistas


bactérias que normalmente não causam doença, excepto em situações que podem favorecer a sua proliferação


Portadores sãos


indivíduos em que na sua flora normal existem bactérias patogénicas

Ocorrência da doença




O conhecimento da incidência e da prevalência de uma determinada doença permite aos epidemiologistas estimar a periodicidade da doença e a tendência de ser mais comum num ou noutro grupo da população


Incidência de uma doença


é a fracção de uma população que a contrai durante um determinado período de tempo


Prevalência de uma doença


é a fracção de uma população que tem a doença num tempo específico


Esporádica


quando ocorre ocasionalmente

Endémica


quando está presente constantemente

Epidémica


quando atinge uma população num curto espaço de tempo

Pandémica


uma doença epidémica que ocorre em vários locais do mundo

Tipos de infecção

As infecções podem ser classificadas de acordo com as

zonas do organismo que são afectadas


Severidade da doença

Doença aguda


desenvolve-se rapidamente durante um curto espaço de tempo

Doença crónica


desenvolve-se lentamente, a reacção do organismo pode ser menos severa e pode ser um tipo de doença recorrente por períodos longos


Infecção local


os microrganismos invadem uma zona limitada e relativamente pequena do organismo

Infecção sistémica ou generalizada


os microrganismos ou os seus produtos invadem o organismo por via sanguínea ou linfática

Bacteriémia


passagem transitória e benigna de uma bactéria pelo sangue, em geral pouco abundante em circulação

Septicémia


bacteriémia acompanhada de um estado infeccioso grave, condicionada por descargas contínuas de bactérias no sangue

Toxémia


presença de toxinas no sangue

Infecção primária


a que causa inicialmente a doença

Infecção secundária


está em causa um bactéria oportunista em que aproveita a debilidade imunológica do hospedeiro, após uma infecção primária

Infecção inaparente ou subclínica


microrganismo está presente, embora o hospedeiro não apresente sintomatologia característica

Infecção hospitalar ou nosocomial


a infecção contraída no hospital provocada pela flora endógena (infecções iatrogénicas) ou pela flora exógena proveniente do meio ambiente, pessoal e material

Transmissão dos microrganismos



Homem


portador são de determinados microrganismos e pode transmitir directa ou indirectamente a outros

Animais


zoonoses doenças que ocorrem primeiramente no mundo animal e que podem ser transmitidas ao homem

Reservatórios inertes


solo, água e alimentos


Transmissão da doença

As doenças infecto contagiosas podem-se transmitir de um hospedeiro para outro de um modo directo ou indirecto e podem ser comunicáveis ou incomunicáveis



Contacto directo


transmissão directa do agente por contacto físico entre a fonte e o hospedeiro ou por aerossol

Contacto indirecto


quando a transmissão do agente da doença ao hospedeiro é feita por intermédio de um objecto inerte

Veículos de transmissão


  • água e alimentos

  • ar

  • vectores: artrópodes



Mecanismos de defesa do hospedeiro




É importante conhecer como o corpo humano se defende das bactérias patogénicas e como as bactérias se evadem a essas defesas


Defesas constitutivas


Mecanismos de defesa referidos como naturais do hospedeiro saudável e inerentes a um hospedeiro específico

  • susceptibilidade para alguns agentes patogénicos

  • barreiras anatómicas

  • antagonismo microbiano

  • actividade bactericida de alguns tecidos

  • inflamação

  • fagocitose

Defesas induzidas


Os mecanismos de defesa são induzidos pelo agente patogénico e envolvem a resposta imunitária


  • a bactéria pode ser rapidamente eliminada pela imunidade não específica (polimorfonucleares e macrófagos) ou pela imunidade específica pré existente

  • pode multiplicar-se e eventualmente ser a fonte de uma infecção, mas ser eliminada sob influência da imunidade específica

  • pode persistir dentro de algumas células resistindo parcialmente às reacções imunitárias


Defesas constitutivas



Susceptibilidade para alguns agentes patogénicos




Resistência natural entre indivíduos da mesma espécie


  • ausência de receptores celulares para bactérias e/ou seus produtos toxinas

  • temperatura do hospedeiro

  • ausência de nutrientes específicos necessários ao crescimento bacteriano



Resistência individual entre indivíduos da mesma espécie


  • idade e sexo

  • cansaço

  • má nutrição, deficiência em vitaminas e proteínas

  • associação com outras doenças e a terapêutica associada

Barreiras anatómicas




Pele


A superfície da pele quando intacta constitui uma barreira física à entrada dos microrganismos

Mucosas


As mucosas são essencialmente constituídas por células epiteliais que segregam muco, o que impede a secura e a invasão por alguns microrganismos

Aparelho respiratório


Pelos do nariz e as células ciliadas da mucosa

Epiglote - cartilagem que cobre a laringe

Tosse

Aparelho digestivo


Saliva ajuda a prevenir uma colonização exagerada de microrganismos

Movimentos peristálticos



Aparelho genito-urinário


Secreções vaginais - pH ácido

Fluxo urinário e a acidez da urina



Lágrima


Tem uma acção mecânica de lubrificação e de arrastamento dos microrganismos para o aparelho digestivo, através do canal nasal

Antagonismo microbiano

A flora normal protege as superfícies que coloniza



  • por competição

  • antagonismo específico - bacteriocinas

  • antagonismo não específico - ácidos gordos e peróxidos


Actividade bactericida de alguns tecidos




Lisozima


Encontra-se nas lágrimas, saliva, secreções nasais e suor

Produção de ácidos


Suco gástrico, suor, glândulas sebáceas

Transferrina, lactoferrina, ferritina


Glicoproteínas que se ligam ao ferro, reduzindo o ferro livre necessário ao crescimento bacteriano

Interleuquina 1 - IL-1


Existe nos vacúolos dos macrófagos e linfócitos, está na origem da febre e da activação da resposta imunitária

Interferão


Proteínas solúveis IFN ; INF ; IFN  produzidas por células T activadas

Proteína C reactiva


Proteína produzida no fígado e que aparece nos estados agudos liga-se aos lipopolissacáridos da parede bacteriana e promove a opsonização e activação do complemento

Complemento


  • como defesa constitutiva dado que tem um papel importante na inflamação e fagocitose

  • como defesa induzida pela actividade antimicrobiana induzida após a ligação antigénio-anticorpo

Mecanismos de patogénese






Entrada dos microrganismos no hospedeiro


Alguns microrganismos têm preferência pela porta de entrada

  • mucosas: respiratória, gastrointestinal, genito-urinária e conjuntiva

  • pele

  • via parental


Quantidade do inóculo


A quantidade de inóculo requerida para estabelecer a doença pode depender do hospedeiro

Factores que contribuem para o microrganismo penetrar no hospedeiro




Cápsula


a natureza hidrofílica da cápsula inibe a fagocitose

pode mascarar o LPS que activa a via alternativa do complemento




Componentes da parede celular


proteína M do Streptococcus pyogenes permite a aderência às células epiteliais e inibe a fagocitose


Enzimas


  • Hialuronidase, Colagenase, Lecitinases, Proteases

enzimas que danificam as células e as matrizes intracelulares dos tecidos

  • Hemolisinas

lisam os glóbulos vermelhos

  • Coagulases

transformam o fibrinogénio em fibrina, protegendo a bactéria da fagocitose


Plasmídeos e Bacteriófagos


Transportam informação genética que confere patogenecidade a uma bactéria

  • plasmídeos que codificam para a síntese de toxinas, adesinas, cápsulas

  • bacteriófagos, por conversão lisogénica, permitem a expressão de novas características, como toxinas



Mecanismos de aquisição do ferro - Sideróferos




A aquisição do ferro é particularmente importante

quer para o hospedeiro quer para a bactéria

Sideróferos


proteínas de baixo peso molecular (catecois e hidroxamatos), produzidas pelas bactérias, com grande afinidade para o ião férrico.
No corpo humano, as glicoproteínas transferrina, lactoferrina, ferritina e hemina transportam o ferro e reduzem o ferro livre a ião férrico, que é utilizado como cofactor de reacções enzimáticas.
A aquisição do ião férrico pelas bactérias faz-se por:

  • ligação directa às glicoproteínas

  • excreção de redutases que removem o catião das glicoproteínas

  • produção de hemolisinas o que permite a bactéria adquirir directamente o ferro da hemoglobina livre

Os sideróferos são excretados para o meio e o complexo ferro-siderófero entra na bactéria por um receptor específico. Algumas bactérias têm receptores capazes de reconhecer sideróferos produzidos por outras bactérias.


Os sideróferos não são específicos das bactérias patogénicas e a sua contribuição na virulência das estirpes é variável.
Algumas bactérias utilizam o ferro como activador de outros factores de virulência: toxinas, adesinas e invasinas
A expressão dos sideróferos é regulada por genes cromossomais ou plasmídicos. A mesma estirpe pode ter os dois mecanismos. A heterogeneidade dos determinantes genéticos tem sido objecto de numerosos estudos.

A produção dos sideróferos por estirpes não patogénicas pode ser benéfico para o hospedeiro por competição com as estirpes patogénicas na aquisição do ferro


Adesinas




Adesinas


glicoproteínas ou lipoproteínas componentes do glicocalix ou de estruturas da parede bacteriana que se ligam especificamente aos receptores da célula eucariota.

Receptor nas células eucariotas


carbohidratos específicos ou resíduos peptídicos

Adesinas e receptores ligam-se de um modo específico e complementar


Mecanismos específicos de adesão

A interacção da bactéria com a célula eucariota pode levar a uma activação da célula directamente pelos componentes bacterianos ou por estimulação de factores activadores do hospedeiro como as citoquinas na resposta inflamatória. Esta activação altera a superfície da célula permitindo a aderência da bactéria.


As cargas electrostáticas e a hidrofobicidade são factores inerentes às superfícies celulares que afectam a adesão. Tanto a parede bacteriana como as células epiteliais contêm polissacáridos aniónicos que conferem carga negativa, as estruturas fibrilares permitem fazer a ligação entre estas duas estruturas, assim como os iões Ca2+, Mn2+ e Fe3+ podem formar uma ponte iónica.

As bactérias podem possuir vários tipos de adesinas:

adesinas fimbriais e não fimbriais



Adesinas fimbriais




Fimbria ou “pilus”


é uma estrutura cilíndrica helicoidal constituída por subunidades proteicas idênticas fimbrina, com pesos moleculares entre 15 e 26 kDa e podem estar associadas a carbohidratos, fosfolípidos e fosfatos.
A formação da fimbria é um processo complexo e requer a participação de proteínas auxiliares “chaperones” que fazem o transporte das subunidades da membrana citoplasmática para a “outer” membrana.
A organização genética do operon pilus é uma estrutura conservada e têm sido encontradas sequências homólogas nos outros genes fimbriais e em genes responsáveis pela síntese do LPS e da cápsula.
As características adesivas dependem de uma proteína minor que pode estar localizada na extremidade ou ao longo da fimbria. A variação genética desta proteína confere à bactéria a capacidade para aderir a vários receptores.
Uma estirpe bacteriana é capaz de expressar vários tipos de fímbrias codificadas por regiões distintas no cromossoma ou em plasmídeos, permitindo à bactéria adaptar-se às diferentes superfícies da célula eucariota


Fímbrias do tipo I

flexíveis e reconhecem a D-manose



Escherichia coli

Fímbrias do tipo P


rígidas e ligam-se ao glicolípido Gal -(1-4)- Gal.

Escherichia coli

Fímbrias do tipo IV


contêm um aminoácido terminal fenilalanina metilada

Pseudomonas, Vibrio, Moraxella e Neisseria




Adesinas não fimbriais

Proteínas existentes na outer membrana ou proteínas excretadas mas associadas à superfície da parede bacteriana que permitem a aderência da bactéria às células




Ácidos lipoteicóicos


Nas bactérias de Gram positivo existem os ácidos lipoteicóicos constituídos pelo poli álcool ácido teicóico ligado aos lipídos na membrana citoplasmática e projectados para fora da parede.


Proteína M

promove a ligação à fibronectina, proteína encontrada em muitas células em especial das mucosas, presente no género Streptococcus



Clumping factor


componente da parede celular dos Staphylococcus aureus que permite a ligação ao fibrinogénio e formar agregados que dificultam a fagocitose.


Adesinas FHA


hemaglutinina filamentosa e de peso molecular elevado 220 kDa, homóloga a outras adesinas não fimbriais encontradas noutras estirpes bacterianas e capaz de reconhecer vários receptores na célula eucariota. As células alvo destas proteínas são as células ciliadas e os macrófagos. A interacção entre estas proteínas e a célula é complexa e envolve ligações proteína-carbohidrato e proteína-proteína.

Presente na espécie Bordetella pertussis estirpe patogénica da mucosa respiratória que possui também adesinas fimbriais que não estão directamente relacionadas com a sua patogenecidade.



Toxinas




Exotoxinas



Proteínas solúveis excretadas pelas bactérias, de Gram negativo e de Gram positivo, durante a fase exponencial de crescimento
Tem uma actividade semelhante às enzimas

  • podem ser desnaturadas pelo calor, ácidos e enzimas proteolíticos

  • têm uma actividade biológica elevada

  • têm especificidade de acção



Nomenclatura


Na mesma espécie várias estirpes produzem a mesma toxina, noutras só algumas estirpes produzem uma determinada toxina. As exotoxinas variam entre si pela actividade e pelo local de acção

Pelo local de acção


O local de acção pode ser um componente das células dos tecidos, orgãos, ou fluidos. A designação de enterotoxinas, neurotoxinas, hepatotoxina, cardiotoxina, leucocidinas ou hemolisinas indica o local de acção de algumas toxinas bem definidas

Pelo nome da espécie bacteriana que a produz


Cholera toxina, Shiga toxina

Pela sua actividade


Lecitinase

Podem ter mais que um nome


Shiga like E. coli também conhecida como Verotoxina

Estrutura


Toxina A-B

Citotoxinas (hemolisinas e fosforilases)

Superantigénios

Toxina A-B

A toxina é produzida e excretada em 2 subunidades proteicas separadas:



  • A fracção B liga-se ao receptor da célula

  • A fracção A com actividade enzimática

As fracções A e B são separadas por acção proteolítica embora possam ficar ligadas por pontes de disulfureto. Esta ligação rompe-se quando a fracção A entra no citoplasma.


A fracção B liga-se especificamente aos receptores celulares, à porção carbohidrato das glicoproteínas ou dos glicolípidos, embora se possa ligar a proteínas.
A fracção A pode entrar na célula directamente ou por endocitose associada à fracção B.
A fracção B confere a especificidade da actividade toxinogénica
Estas exotoxinas catalisam de um modo geral o mesmo tipo de reacção:

removem o grupo ADP-ribosil do NAD e ligam-no covalentemente a uma proteína da célula o que a torna inactiva ou anormal para a célula, provocando uma paragem da síntese proteica.


A toxina da cólera o grupo ADP-ribosil liga-se à proteína que controla o AMP cíclico o que leva a uma saída de electrólitos da célula




Citotoxinas

Não se diferenciam como as anteriores em A-B e actuam por desorganização da membrana celular


Este tipo de exotoxinas não têm uma actividade enzimática, o efeito tóxico dá-se por inserção na membrana celular provocando a sua ruptura

  • proteínas, cujo receptor é o colesterol e não um carbohidrato, que levam à formação de poros na membrana citoplasmática, permitindo uma entrada de água na célula

  • fosfolipases hidrolizam os fosfolípidos da camada fosfolipídica da membrana citoplasmática

As enzimas hialuronidases, proteases não são consideradas exotoxinas, porque apesar de degradarem os componentes extracelulares danificando os tecidos, normalmente não levam à lise celular. No entanto estas enzimas podem estar associadas ao mecanismo de acção das exotoxinas.




Superantigénios

Proteínas que estimulam as células T a produzir citoquinas


Os superantigénios não são processados por digestão proteolítica dentro das células apresentadoras de antigénios (APC), mas ligam-se directamente ao complexo MHC da classe II à superfície das APC e às células T Helper.

Este processo é feito indiscriminadamente tanto para as células APC como para as Helper o que provoca um aumento da Il-2 e de outras citoquinas originando uma patologia característica choque tóxico



A produção de exotoxinas pode ser uma maneira da bactéria se adaptar ao meio,

mas não é essencial para a sua viabilidade


O papel das exotoxinas na doença




Intoxicação alimentar


A toxina é produzida no alimento e os sintomas devem-se à toxina e não ao desenvolvimento bacteriano no aparelho digestivo

Toxi-infecções


A bactéria coloniza a mucosa, não invade, mas produz a exotoxina que vai actuar localmente ou entra em circulação e vai atingir tecidos ou orgãos susceptíveis

Infecções invasivas


A bactéria utiliza a toxina para danificar os tecidos ou destruir as células fagocitárias o que lhe permite multiplicar e invadir as células

Endotoxinas

A actividade biológica das endotoxinas está associada ao lipopolissacárido LPS da outer membrana das bactérias de Gram negativo


O lípido A é fracção tóxica da molécula

O antigénio O e o core responsáveis pelas propriedades imunogénicas
A toxicidade do lípido A está relacionada com habilidade de activar o complemento pela via alternativa e de estimular a actividade das citoquinas. Estas proteínas induzem a resposta imunitária do hospedeiro, no entanto tornam-se tóxicas quando produzidas em grande quantidade.


Propriedades biológicas do LPS


Tanto o lípido A como os polissacáridos do core e do antigénio O actuam como factores de virulência das bactérias de Gram negativo.
Mutantes produtores de moléculas de LPS incompleto confirmam estes dados:

  • ausência do antigénio O torna as estirpes mais susceptíveis à fagocitose e às reacções bactericidas do soro e impede as estirpes de aderir às células epiteliais.

  • ausência de partes próximas do core torna as estirpes sensíveis a uma gama de compostos hidrofóbicos como: antibióticos, sais biliares.

A biosíntese do LPS é sequencial, os açúcares do core são adicionados ao lípido A sucessivamente e o antigénio O é adicionada por último numa subunidade pré-formada.


As bactérias libertam pequenas quantidades de endotoxinas na fase exponencial de crescimento, que permanecem associadas à parede celular e são libertadas após autolise da célula mediada por acção do complemento e digestão fagocitária.


Características das endotoxinas


As endotoxinas comparadas com as exotoxinas são:

  • menos potentes e com menor especificidade de acção

  • não têm actividade enzimática

  • termoestáveis

  • degradam-se por acção de agentes oxidantes: peróxido, hipoclorito

  • fortemente antigénicos



Todas as endotoxinas produzem os mesmos efeitos biológicos no hospedeiro

qualquer que seja a bactéria produtora


Colonização




O destino da bactéria é determinado pela capacidade de explorar um

habitat próprio e pelas adequadas defesas do hospedeiro

A colonização das mucosas requer que a bactéria :

  • Estabeleça uma proximidade com a superfície

  • Evite o seu arrastamento

  • Adquira nutrientes para crescer e multiplicar

  • Resista às defesas locais


Na bactéria os genes cromossomais ou plasmídicos determinam:

  • as moléculas de superfície necessárias para interagirem com os tecidos do hospedeiro

  • as enzimas necessárias para a utilização dos substractos

  • a excreção de outros produtos bacterianos


As bactérias potencialmente patogénicas estão expostas:

  • a uma pressão selectiva das defesas específicas e não específicas do hospedeiro

  • à competição com a flora comensal

  • produtos antimicrobianos endógenos ou exógenos

Invasão



capacidade das bactérias de penetrar e multiplicar-se nos tecidos sãos

Invasinas


proteínas extracelulares que actuam localmente danificando as células e facilitando o crescimento da bactéria.


Mecanismo invasivo


Alterações na actina

As invasinas promovem, alterações na actina, proteína do citoesqueleto da célula, o que leva à formação de estruturas semelhantes aos pseudópodos, que envolvem as bactérias.

Após ingestão pela célula, as bactérias saem da vesícula por degradação da membrana lipídica ou formação de poros e ficam livres no citoplasma. Além de terem abundância em nutrientes, estão protegidas dos anticorpos, complemento e de alguns antibióticos.

Entrada directamente na célula


As bactérias intestinais têm invasinas que se ligam às integrinas proteínas das células (mucosas e fagocitárias) o que permite à bactéria entrar directamente na célula sem passar pelo fagossoma.


Mecanismos de evasão às defesas fagocitárias



As bactérias são capazes de desenvolver estratégias para inibir a fagocitose.

Impedir o contacto com as células fagocitárias

Por sintetizar estruturas idênticas às do hospedeiro



Streptococcus do Grupo A - a cápsula é constituida por acido hialurónico

Staphylococcus aureus - produz coagulase que cobre a parede bacteriana com fibrina


Inibição da ingestão pelas células fagocitárias


A resistência à ingestão é normalmente inibida por componentes da parede bacteriana:

  • polissacáridos capsulares

  • proteína M do Streptococcus do Grupo A

  • slime produzido pela Pseudomonas aeruginosa

  • antigénio O associado ao LPS e antigénio K na Escherichia coli

  • antigénio Vi na Salmonella typhi

  • proteína A no Staphylococcus aureus bloqueia a ligação ao anticorpo por competição com a região Fc das IgG


Lise das células fagocitárias


Agressinas proteínas extracelulares produzidas pelas bactérias que promovem a lise das células fagocitárias antes ou após ingestão.

Lise antes da ingestão


  • Leucocidinas, estreptolisina ou hemolisinas de um modo geral produzidas pelas bactérias piogénicas de Gram positivo

  • Exotoxina A da Pseudomonas aeruginosa

  • Toxinas A-B Bordetella pertussis e Bacillus anthracis



Lise após a ingestão


Parasitas intracelulares dos macrófagos que podem crescer no fagossoma ou no fagolissosoma e que libertam substâncias tóxicas promovendo a lise dos macrófagos e passar a outras células.

Multiplicação nas células fagocitárias


Os mecanismos que as bactérias se servem para invadir as células fagocitárias são normalmente factores de virulência não tóxicos como as invasinas e noutros casos utilizam as proteínas C3b do complemento para servirem de ligação à superfície dos macrófagos.

Inibição da formação do fagolissosoma


Inibem a formação do fagolissosoma por modificação da membrana lissosomal ou da membrana do fagossoma

Salmonella, Mycobacterium, Legionella e Chlamydia

Resistência aos constituintes lissosomais


Há a formação do fagolissosoma, mas a bactéria é capaz de resistir à actividade bactericida dos lissosomas devido às características dos constituintes hidrofóbicos da parede celular ou componentes capsulares ácidos micólicos no Mycobacterium, e do LPS na Brucella

As bactérias extracelulares podem por intermédio da cápsula e da membrana externa Salmonella, E. coli, Bacillus anthracis ou pela produção de sideróferos Salmonella, E. coli sobreviverem no interior do fagolissosoma.



Libertação do fagossoma


Por acção enzimática, algumas bactérias libertam-se do fagossoma e multiplicam-se no citoplasma, fosfolipases A da Rickettsia e a fosfolipases C e a listeriolisina O da Listeria monocytogenes.

Depois de passar a barreira epitelial as bactérias têm ultrapassar

as respostas imunitárias humoral e celular

Tolerância imunológica

Verifica-se uma redução da resposta imunitária a um determinado antigénio em determinadas circunstâncias:



  • exposição fetal ao antigénio

  • doses elevadas de antigénios bacterianos em circulação

  • antigénios bacterianos relacionados quimicamente com estruturas do hospedeiro



Antigénio disfarçado


As bactérias podem revestir-se de estruturas semelhantes à do hospedeiro ou com anticorpos.

Variação antigénica


A variabilidade antigénica é um mecanismo importante que as bactérias patogénicas utilizam para evitar a actividade neutralizante dos anticorpos.


  • variação dos antigénios fimbriais Neisseria gonorrhoeae

  • variação dos antigénios ao longo da infecção Borrelia recurrentis

  • variação dos antigénios entre as diferente estirpes de uma espécie bacteriana Staphylococcus aureus, Escherichia coli, Salmonella.



Aida Duarte



FFUL


Compartilhe com seus amigos:


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal