RelaçÃo escola-família: dando voz ao professor da educaçÃo de jovens e adultos



Baixar 15.53 Kb.
Encontro19.07.2016
Tamanho15.53 Kb.
RELAÇÃO ESCOLA-FAMÍLIA: DANDO VOZ AO PROFESSOR DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
Formação de Professores para a Educação de Pessoas Jovens e Adultas

Autoras: Anete Charnet Golçalves da Silva – UESB-BA



Sheila Cristina Furtado Sales – UESB-BA

Viviane Beatriz Fernandes Andreossi – SEE - SP
Co-autoras: Profª Drª Aline M. de M. Rodrigues Reali – UFSCar-SP

Profª Drª Regina M. S. Puccinelli Tancredi – UFSCar-SP
O fracasso escolar é uma problemática que há muito vem sendo estudada por pesquisadores que buscam compreender o sistema educacional. Como exigência de uma disciplina cursada no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de São Carlos/UFSCar, 1º semestre de 2004, tivemos a oportunidade de discutir e analisar diferentes políticas voltadas à superação do fracasso escolar, atendo-nos a compreender, com maior acuidade, como a política de aproximação escola-família se da no interior das Unidades Escolares de Jovens e Adultos. A proposta de trabalho teve por objetivo geral identificar e analisar, sob a perspectiva de professores da Suplência, quais as contribuições dos familiares no processo de escolarização dos alunos jovens e adultos da Escola Estadual Conde de Pinhal mantida pelo Governo do Estado de São Paulo.

A Suplência, segunda a Secretaria de Estado de Educação, coordenadoria de Ensino do Interior de São Paulo, é uma forma de ensino que se destina a oferecer oportunidade de estudos para aquelas pessoas que não tiveram acesso ao ensino fundamental e médio na idade regular.

Como objetivos específicos buscamos caracterizar e analisar que tipo de relação escola – pais – família existe na unidade escolar investigada sob a ótica do professor e as condições oferecidas para tal (espaço, tempo, procedimentos, instâncias). Procuramos descrever e analisar a contribuição dos familiares para o processo de escolarização dos educandos. Buscamos ainda, também sob a ótica do professor de pessoas jovens e adultas, identificar e analisar as expectativas desses sobre a contribuição dos familiares no processo escolar e descrever e analisar as condições que a escola deve oferecer para atender as expectativas dos professores sobre a interação escola-família e contribuição da família para o processo de escolarização.

Ao discutirmos a pesquisa, bem como o caminho metodológico a ser percorrido, encontramos na abordagem qualitativa a maneira adequada para desenvolver a investigação. Como o tempo destinado à pesquisa revela-se restrito, optamos por utilizar apenas a entrevista como instrumento básico para a coleta de dados, com perguntas semi-estruturadas. A entrevista permitiu conhecermos a opinião que os professores têm sobre o seu próprio trabalho, ou seja, ela “dá voz aos professores”. Após definir o instrumento de coleta de dados, o passo seguinte foi organizar o roteiro de entrevista, que foi dividido em cinco pontos principais sendo eles: dados de identificação docente, características da clientela da escola investigada, contribuições, expectativas e condições de contribuições e intervenções da relação pais/familiares e alunos da Educação de Jovens e Adultos da escola estudada.

Em relação ao perfil dos sujeitos participantes, nossa amostra foi composta por seis professores e um coordenador selecionados de um universo de trinta professores, portanto trabalhos com uma amostra de 20% de docentes excluindo o coordenador. Todos lecionam na EJA, sendo contemplados em suas áreas de formação inicial, em turmas do Ensino Supletivo do Ensino Médio, em escola pública do Estado de São Paulo, localizada no município de São Carlos. Os sujeitos tinham entre 38 e 54 anos de idade, todas com formação em nível de terceiro grau, sendo dois formado em Geografia, um em Letras e História, um em Química e o coordenador em Ciências Sociais.Desses, apenas um cursou especialização na área de Geografia. Suas experiências no magistério variam de 2 a 12 anos de atuação nesta escola onde a pesquisa foi realizada, tendo uma carga horária total variando entre 32 a 54 horas/aula/semanal, distribuídas de 9 a 23 turmas e com os professores tendo de 300 a até 1000 alunos. Todos os professores trabalham em outro expediente, em sala de aula, geralmente ensinando a alunos do ensino fundamental maior, ou ensino médio regular. Apenas um dos docentes possui carga horária total na escola onde a pesquisa foi realizada.

Quando questionados sobre sua escolha profissional tivemos diversas respostas dentre elas um professor disse ter feito essa escolha “Por adorar a geografia e poder transmitir (...) conhecimentos.”. Já outro docente diz ter sido por idealismo enquanto uma docente afirma ser por “Espelho familiar. Minha mãe era professora de Geografia.”. Já outra docente se diz arrependida por sua escolha uma vez que era bancária quando se casou e o banco a absorvia demais e por isso se demitiu e decidiu atuar naquilo que havia se qualificado e afirma o seguinte: “Porque achei que fosse melhor...”

No decorrer das entrevistas, da observação do espaço escolar e dos documentos gentilmente cedidos pela escola e analisados por nós, foi possível perceber o compromisso que os professores que atuam com o ensino supletivo na escola em estudo têm em relação aos alunos da EJA. Pudemos notar que há uma enorme sensibilidade por parte dos entrevistados para abordar questões críticas que percorrem este universo de ensino. Os aspectos sócio-políticos, econômicos e culturais são refletidos em colocações de diferentes ordens feitas pelos entrevistados.

Desse modo percebemos os entrevistados como intelectuais transformadores (Giroux, 1997), visto que, em seus discursos indicam caminhos em busca da construção de uma prática pedagógica com vistas a possibilidade de emancipação dos sujeitos.

Observamos que, apesar dos professores serem submetidos a processos de formação diferentes, todos se mostraram afinados com o reconhecimento da importância da família dos alunos da EJA participarem de dentro do processo de formação de cada aluno.

Um fator importante observado que favorece ao compromisso do docente entrevistado com o aluno jovem e adulto é o fato de a maioria ter escolhido a carreira de docente por vocação pessoal, mesmo que em alguns casos essa tenha sido influenciada por pais ou outras pessoas próximas.

Quanto às contribuições dos familiares para o processo de escolarização dos alunos sob a perspectiva dos professores de EJA, inicialmente eles pouco reconhecem essa relação, mas no desenrolar das entrevistas reconhecem essa relação de uma forma diferente da que se dá no interior da escola quando não diz respeito a alunos jovens e adultos, ou seja, a relação família escola, em se tratando de EJA, já se encontra no interior da escola onde pais e filhos, marido e esposa, tio e sobrinho, namorados amigos íntimos, vizinhos e outras formas de relação representam essa vida familiar.

Quanto o tipo de relação escola-família existente na Unidade Escolar investigada, sob a ótica dos professores ela é praticamente inexistente, pois a maioria dos alunos são portadores de maior idade e respondem por si mesmo. Apenas no caso de alunos que ainda não completaram dezoito anos e que apresentam algum problema de comportamento ou de aprendizagem, a escola procura os familiares para comunicá-los, mas no caso dos demais alunos a conversa é feita formalmente ou não com o próprio aluno no desenrolar das atividades acadêmicas.

Quanto às condições oferecidas (espaço, tempo, procedimentos, instâncias) para a existência da relação escola-família na Unidade Escolar, cotidianamente não é muito comum, mas foi apontado que mais recentemente existe um programa desenvolvido pelo Governo do Estado de São Paulo, com apoio dos docentes e dirigentes da Unidade Escolar, assim como por membros da comunidade em ampliar esse espaço escolar para a vida familiar da comunidade na qual o estabelecimento esta inserido.

Quanto à contribuição e expectativa dos familiares ara o processo de escolarização dos alunos os docentes entrevistados deixam clara a importância que o incentivo dado por esses é fundamental para a melhor aprendizagem e maior desenvolvimento do educando. Inclusive citam que muitas vezes a esposa é responsável por trazer o marido para escola, o filho é responsável por trazer o pais para a escola, os vizinhos influenciam a permanecia dos pares do ambiente escolar e isso é muito positivo para a presença assim como para a permanecia (com sucesso) do aluno de EJA.

Vimos que as professoras reconheciam a importância quanto às condições que a escola deve oferecer para atender a interação escola-família, mas acabavam reduzindo-a a maior apoio no campo social, como merenda por exemplo, para garantir essa interação. Parece que essa questão não está clara na cabeça dos docentes entrevistados.

Nas entrevistas foi posto que para intensificar essa realidade é necessário que a escola se aproxime mais do aluno, oferecendo a ele aquilo que ele tem dificuldades de obter em casa.


Referências Bibliográficas:

CUNHA, M. V. A escola contra a família. In: FARIA FILHO, L. M.; LOPES, E.M. T.; VEIGA, C.G. (orgs.). 500 anos de educação no Brasil. Belo Horizonte: Autentica, 2000.



GIROUX, H. Os Professores Como Intelectuais: Rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem. Trad. Daniel Bueno, Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

SELTIZ, C.; JOHODA, M.; DEUTSCH,M. & STUART, C. Nas Relações Sociais. São Paulo: EPU,1974.
Catálogo: ~crepa -> Textos CREPA -> trabalhos apresentados por eixo tematico -> Formacao de prof para eja -> comunicacao oral
trabalhos apresentados por eixo tematico -> Orientando alfabetizadores sobre o processo de envelhecimento: uma contribuiçÃo da ufscar para os programas de alfabetizaçÃo de idosos
~crepa -> Histórico da educaçÃo não-formal
comunicacao oral -> A formaçÃo de docentes no combate ao racismo e a discriminaçÕES: educar-se por toda a vida
trabalhos apresentados por eixo tematico -> Os assentamentos rurais de reforma agrária: novos espaços educativos no campo brasileiro
trabalhos apresentados por eixo tematico -> Educação como sinônimo de mudança: pessoal, social e histórica
Textos CREPA -> Maria Waldenez de Oliveira2
trabalhos apresentados por eixo tematico -> TÍtulo: testagem de um material de matemática: uma experiência em aprendizagem dialógica


Compartilhe com seus amigos:


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal