Relatório de Pesquisa Versão Preliminar



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Relatório de Pesquisa

Versão Preliminar


Gestão do Processo de Desenvolvimento de Produto na Indústria de Alimentos: análise, propostas para melhoria da capacitação e modelo de referência



Equipe: Prof. José Carlos de Toledo (coordenador)

Prof. Dário Henrique Alliprandini

Doutorando Luiz Fernando Soares Zuin

Mestranda Mirela Guedes Bosi

Alunos de Iniciação Científica:

Marcos Renato Ferrata

Tiago Simões Cardoso de Oliveira


GEPEQ – Grupo de Estudo e Pesquisa em Qualidade

Departamento de Engenhria de Produção

Universidade Federal de São Carlos


Projeto RECOPE – Rede de Cooperação de Pesquisas: Produtos e Processos Agroindustriais

Financiamento: FINEP


Dezembro de 2003

INTRODUÇÃO


A indústria de alimentos é um elo do sistema agroalimentar que tem passado por transformações como: a tendência de concentração das empresas em grandes conglomerados, buscando a liderança do mercado por meio da diminuição dos custos via economia de escala; a segmentação do mercado por meio da diferenciação dos produtos, como formas de captar consumidores com menor elasticidade de preço e de renda, características que permitem maiores margens no preço dos produtos (Neves et al., 2000).

No processamento de alimentos também é possível agregar valor ao produto final. A agregação de valor está relacionada com a maior praticidade ao consumidor. Segundo Byrne (1998), o consumidor, que está passando menos tempo na cozinha, está cada vez mais interessado em conveniência.

Além de praticidade e conveniência, outra tendência observada é a produção de alimentos enriquecidos a fim de aumentar o seu valor nutricional. O mercado europeu para alimentos saudáveis está crescendo visivelmente. No Japão, quase todo produto lançado possui um ou mais ingredientes alegando ser benéfico à saúde.

Na última década as empresas alimentícias descobriram a importância de agregar valor ao produto por meio de conveniência, fatores nutricionais, variedade, economia e qualidade. Ao mesmo tempo, os consumidores apresentam cada vez maior capacidade de discernimento quanto à qualidade, valor, aparência e funcionalidade dos produtos que adquirem (Mcllveen, 1994).

O objetivo de agregar valor por meio de operações de processamento requer melhor estruturação dos processos nas empresas, passando pelo desenvolvimento de produtos e processos de produção. Desenvolver produtos mais rapidamente, com eficiência, menores custos e adequados às necessidades de clientes confere à organização vantagens competitivas importantes. Segundo Best (1991), apud Polignano, Drumond e Cheng (2000), novos produtos são o sangue da vida das empresas, em especial para o setor de alimentos.

O processo de desenvolvimento de produto (PDP), de acordo com Mcllveen (1994), visa possibilitar uma alta taxa de retorno à empresa através da produção e lançamento de produtos novos e competitivos. Um PDP eficaz deve permitir que as empresas percebam rapidamente as tendências ditadas pelos consumidores, obtenham flexibilidade em tempos de crise, evitem a entrada de seus concorrentes em novos mercados, e explorem oportunidades de novos mercados. No entanto, o processo de desenvolvimento tende a apresentar falhas, levando a baixas taxas de sucesso. Rudder, Ainsworth e Holgate (2001) citam que é esperado que a taxa de sucesso para o PDP seja inferior a 12%. Portanto, de acordo com os autores, é necessário entender, analisar e adaptar de alguma forma o processo de desenvolvimento de novos produtos a fim de obter uma taxa de sucesso maior.

Todas essas características também valem para o Brasil, pois no país está ocorrendo um movimento no sentido de reestruturação e de amadurecimento das empresas do setor. Assim, há a tendência de serem desenvolvidos mais produtos, com aumento da variedade ofertada de produtos, que devem ser renovados com maior frequência, em um contexto voltado para a inovação contínua. Isso requer das empresas uma melhor capacitação para isso. Particularmente, uma melhor compreensão do papel estratégico do processo de desenvolvimento de produto, uma visão mais ampla deste processo(que vai da definição das estrégias de produto e da gestão de portifólio até as etapas de retirada do produto do mercado), e capacitação para desenvolver produtos, de forma eficiente e eficaz, que atendam as expectativas dos clientes e consumidores finais(“capacidade de ouvir e incorporar a voz do mercado”), que sejam viáveis de serem produzidos e que tenham manufaturabilidade(“capacidade de ouvir e incorporar a voz da fábrica/processo”), e que estejam alinhados com as estratégias competitivas da empresa.

Além de analisar e caracterizar a gestão de desenvolvimento de produto (GDP) de empresas da indústria de alimentos, este trabalho tem como objetivo apresentar sugestões de melhoria e propor um modelo para GDP na indústria de alimentos.



CARACTERIZAÇÃO DA INDÚSTRIA DE ALIMENTOS

Evolução


A indústria de alimentos teve sua origem na necessidade humana de aumentar o tempo de conservação dos alimentos. Evangelista (1992) explica que com a sua fixação à terra, o homem dedicou-se à lavoura e à pecuária. À medida que os grupos humanos se multiplicavam e a produção de seus alimentos se expandia, desafiantes problemas se originaram. Entre estes, o dos produtos excedentes, tornando obrigatória a troca de alimentos animais e vegetais, que não eram geralmente similares e, que variavam, de acordo com as possibilidades de sua produção, pelos diferentes grupos.

Na atividade de todos aqueles que plantavam e criavam, apareciam então os primeiros empecilhos para que os produtos, sem se deteriorar, pudessem esperar mais tempo, para serem consumidos. Meios incipientes e empíricos de conservação de alimentos foram aos poucos introduzidos, possibilitando o avanço da produção agropastoril. Com o crescimento populacional, aumentou-se a necessidade de consumir e para isso de produzir. Esta situação inspirou a criação e o progresso da indústria de alimentos.

Existe pouca bibliografia referente à evolução histórica desse setor e um dos mais completos livros é o organizado por Pinazza e Alimandro (1999). Dentre as observações dos autores sobre o setor, seguem algumas abaixo:

- Nas décadas de 60 e 70, a indústria de alimentos cresceu a taxas médias de 4,5% ao ano. Nos anos 80, essas taxas situaram-se em patamares próximos dos do crescimento vegetativo da população, em torno de 1,9% ao ano. Mesmo com índices relativamente modestos de evolução, o setor continua tendo expressiva participação no cenário econômico nacional, contribuindo significativamente para a pauta de exportações e na geração de empregos. Com 38 mil empresas que colocam no mercado mais de 820 tipos de produtos, este é o setor da indústria de transformação que detém o maior número de estabelecimentos. Nesse universo, 90% refere-se a unidades de pequeno porte (até 20 empregados), representadas por padarias, confeitarias, beneficiadores de cereais, moinhos, produtores de rações, aguardentes e refrescos. É a segunda indústria em valor de produção e valor agregado, perdendo apenas para o complexo petroquímico.

- As exportações de alimentos aumentaram 71% entre 1990 e 1996. Tal crescimento deveu-se às iniciativas de conquista de novos mercados e de expansão da exportação, empreendidas para contrabalançar o impacto da recessão no mercado interno. Face à competitividade e nível de sofisticação do mercado internacional, sobressaíram-se apenas as empresas mais estruturadas, com capacidade de investimento em modernização de equipamentos e que possuíam ou desenvolveram a capacidade gerencial necessária à exportação de sua produção. Sem possibilidade de acesso ao mercado externo que, em geral, exige produção em grandes volumes, as pequenas e médias empresas sofreram um forte ajuste recessivo. Como conseqüência, muitas empresas familiares faliram ou foram compradas por empresas maiores.

- Um fator que contribuiu para agravar a falta de rentabilidade e a má saúde financeira das empresas foi o controle de preços existente até 1991, que promovia o aumento dos custos das empresas, sem atingir o objetivo de controlar a inflação. Além disso, a alavancagem do setor é também tolhida pela elevada carga tributária, uma das mais altas quando comparada com qualquer outro segmento da indústria brasileira. No total, incidem sobre os alimentos industrializados alíquotas de 44 diferentes tributos, que geram um ônus de 34,7% sobre o preço ao consumidor. Ou seja, antes de saírem das fábricas, esses alimentos são onerados em 53% de carga tributária.

-A liberação dos preços ocorrida com o Plano Real, associada ao processo de globalização da economia brasileira e à formação de grandes blocos econômicos (Mercosul, NAFTA, CEE), levou as empresas brasileiras a ampliarem sua capacitação para enfrentar a competitividade externa.

-Apesar de investirem pouco em P&D nos últimos anos, as empresas mais estruturadas do setor canalizaram a maioria dos seus esforços para incrementar seus produtos e processos produtivos visando melhor atender os consumidores.



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