Resgatando a importância da Literatura



Baixar 56.51 Kb.
Encontro01.08.2016
Tamanho56.51 Kb.

Resgatando a importância da Literatura


Erica de Assis Pereira Hoki *



MSc.Rute de Souza Josgrinberg**

RESUMO: Este artigo em forma de pesquisa, foi escrito no sentido de resgatar a importância da literatura. Sabemos que a sociedade é leitora, pois nossas atividades diárias dependem da leitura, mas a questão é o que se lê. Nesse sentido, foi realizado uma pesquisa com alunos do primeiro ano do ensino médio a fim de constatar o porque os livros da literatura clássica não são tão procurados e desejados por eles como os Best Sellers, por exemplo. Assim, faz-se necessário algumas ações para que esta leitura (clássica) tão importante, continue fazendo parte do convívio das crianças e dos jovens, para que tornem-se leitores maduros e competentes.

ABSTRACT: This article in the form of research, was written in order to rescue the importance of literature. We know that society is the reader, because our daily activities rely on reading, but the question is what is read. Accordingly, a survey was conducted with first year students of high school to see why the books of classical literature are not as popular and desired by them as the Best Sellers, for example. Thus, it is necessary for some actions that reading (classical) so important to continue being part of socializing children and youth to become competent and mature readers.



PALAVRAS-CHAVE: Leitura, Literatura, leitor.

KEYWORDS: Reading, Literature, Reader



INTRODUÇÃO
É de conhecimento de todo docente, a importância que a literatura tem na formação do indivíduo. Mas, o que temos presenciado nas salas de aula é uma total aversão por parte dos alunos de todas as séries em relação à literatura, para eles, ler um livro literário não passa de uma obrigação, um ato mecanizado que não provoca nenhum prazer.
Sendo assim, a proposta desta pesquisa surgiu durante os estágios supervisionados e de regência do curso de Letras. Foi muito intrigante e notório que durante as aulas de leitura (a biblioteca da escola contava com livros infanto-juvenil do programa PNBE) os alunos permaneciam totalmente alheios aos livros que eram levados para a sala de aula. Esse fato levantou alguns questionamentos inevitáveis: Porque, mesmo com grande quantidade de bons livros, os alunos apenas os folheavam sem maiores interesses? Que atitude o mediador da leitura (professor) deveria tomar nessa situação? Será que apenas uma aula semanal de leitura seria suficiente para que os alunos tivessem um contato satisfatório com o livro? Não seria o caso de deixar os alunos conviverem com o livro em casa, para que o enredo não sofresse uma interrupção brusca causando o desinteresse em continuá-lo novamente?
Nesse sentido, o que se busca, é o encontro de métodos que nos oriente a forma correta de trabalhar literatura com os jovens e crianças, de uma forma agradável e prazerosa, buscando a formação de bons leitores e contribuindo com sua formação como pessoa crítica, um leitor em potencial, capaz de ler, compreender profundamente e apreciar até os consagrados clássicos de nossa literatura.
O objetivo maior é conquistar pelo prazer e não pela obrigação, pois notamos que esse é o erro mais comum cometido pelas escolas. Sabemos que essa é uma prática que deve começar cedo, mesmo quando a criança ainda não consegue ler, pois, por meio das histórias, ajudamos a criança a se constituir na vida, Segundo Paulo Freire, a leitura do mundo nos ajuda na leitura das letras. Mais tarde, quando a criança já for letrada, ela deve participar ativamente das leituras, pois, isso é uma prática social, é direito de todos saborear esse alimento tão nutritivo que é o ato de ler.
Sabemos que a leitura dos clássicos, exige um esforço maior por parte do leitor, por ser uma leitura mais complexa, sendo assim, é evidente que o professor deve preparar o leitor, todo tipo de leitura deve ser oportunizado, nesse sentido, até mesmo para conquistar o leitor, os Best Sellers e a literatura conhecida como "minorias" podem ser usadas inicialmente, pois é fato que não se cativa um leitor apresentando a ele de cara teorias literárias.
Nesse aspecto, essa pesquisa se volta para a importância da formação do leitor literário, sabendo que o prazer nos impulsiona, pensamos em dar voz aos alunos, e trabalhar os gêneros por eles escolhidos para depois ampliar o horizonte até chegarmos ao tão consagrado clássicos da literatura.
I - BASE TEÓRICA
Vivemos em uma sociedade, onde as letras predominam por toda a parte e isto nos leva a compreender a importância da leitura na vida das pessoas. A todo momento estamos cercados de revistas, outdoors, cardápios, anúncios, nome de ruas, precisamos ler o tempo todo para realizar as atividades diárias. No presente artigo, no entanto, abordamos a leitura de textos literários, em que ler é bem mais do que decifrar códigos. Para os amantes da leitura (literária), é indiscutível que ela pode e muito contribuir na vida de uma pessoa, de acordo com Tzvetan Todorov (2010), filósofo búlgaro, que em suas palavras, afirma que entre as funções de um professor, cabe também ensinar o aluno a amar os livros:
Os livros acumulam a sabedoria que os povos de toda a terra adquiriram ao longo dos séculos. É improvável que a minha vida individual, em tão poucos anos, possa ter tanta riqueza quanto a soma de vidas representada pelos livros. Não se trata de substituir a experiência pela literatura, mas multiplicar uma pela outra. Não lemos para nos tornar especialistas em teoria literária, mas para aprender mais sobre a existência humana. Quando lemos, nos tornamos antes de qualquer coisa especialistas em vida. Adquirimos uma riqueza que não está apenas no acesso ás idéias, mas também no conhecimento do ser humano em toda a sua diversidade (TODOROV, Tzvetan. Literatura não é teoria, é paixão. Revista BRAVO! ano 12, n. 150, p. 38-39, fev – 2010).
Ao nos depararmos com essas palavras, somos instigados a levantarmos alguns questionamentos: porque mesmo sendo do conhecimento de todos educadores o peso da leitura na vida do estudante, o incentivo e os métodos utilizados, muitas vezes, parecem não funcionar. Até onde vai o papel da escola e dos pais na formação de leitores? Por que tantas pessoas encaram a leitura literária como uma atividade penosa? Porque os livros clássicos não são desejados pelos jovens como os computadores e eletrônicos? São questionamentos que nos levam a buscar o entendimento do porque no Brasil se lê tão pouco, sim, sabemos que aqui se lê o tempo todo, mas como dissemos anteriormente, estamos nos referindo às obras literárias, e não aos best sellers (tão procurado pelos jovens), revistas ou placas.
Segundo Fane Abramovich (1997), é fato que o incentivo deveria começar em casa, com os pais lendo para seus filhos, ao mostrar as imagens contribuindo para o despertar da curiosidade literária, apresentar o livro à criança em um clima descontraído e alegre é um bom começo, contar histórias antes da criança dormir, provocar seus sonhos e imaginação é uma tática válida, afinal, quem gostar de ouvir histórias, certamente vibrará com a ideia de poder ler sozinha aqueles livros e histórias.
É necessário ressaltar que esse processo em formar leitores literários, deve ser continuo, em casa, como dito anteriormente. O papel é da família, e nas séries iniciais da escola, porém, nem sempre isto acontece, às vezes com a pressa em alfabetizar os pequenos, os professores acabam por priorizar o abecedário deixando as leituras de lado. Em uma pesquisa realizada e disponível em um artigo científico na internet, Denise Escobar, Silvana Caxias e Anézio Bernardes alunos (as) da universidade do Vale da Paraíba/ Instituto Superior de educação, constatou-se que nas séries iniciais do ensino fundamental, os professores raramente contavam uma história ou levavam o livro para as salas de aula, a preocupação era exclusivamente fazer a criança aprender a ler. Mas será que esses professores não esqueceram o principal: despertar primeiro o gosto pela leitura? Fragmentos de textos estão longe de serem interessantes, "servem" apenas para ensinar gramática no método tradicional. Se rompemos tão brutalmente com as leituras literárias, como querer que posteriormente, na adolescência, eles retomem o gosto pela leitura? Como recuperar o prazer em se debruçar em textos na integra e não vê-los lendo resumos da internet com o intuito de apenas passar nos vestibulares?
Fora das universidades, pesquisas também apontam falhas quanto à formação do leitor. A revista Época (Época, edição 12-2010, p.132, 133,134) dedicou algumas páginas para apresentar uma pesquisa feita com alunos de 15 anos de diversos países, afim de comparar suas habilidade em algumas áreas, na habilidade de leitura são analisadas até que ponto eles conseguem compreender um texto, localizar informações e associá-las. O resultado dessas pesquisas tem sido assustadores, em 2000 o Brasil ficou em último lugar, nos anos posteriores foram feitos alguns avanços, mas não tão significativos se compararmos com nossas possibilidades. Mais uma vez, nessa pesquisa, os pesquisadores mencionam que a importância da família é fundamental, se apenas a escola assumir esse papel, os avanços serão lentos, visto que a tarefa em tornar a leitura interessante se torna extra, por falta de estímulos em casa, e até mesmo na sociedade. O governo também deve investir em livros e bibliotecas, pois segundo a revista este é um dos principais desafios: "O Brasil tem uma biblioteca pública para cada 33 mil habitantes (quase 70% das escolas públicas nem sequer tem uma). O brasileiro lê em média, 4,7 livros por ano. Nos Estados Unidos e na França são dez" (Época, Dez.2010, p. 132).
Assim, nota-se que é um desafio diário manter os livros como parte do cotidiano do leitor em formação. Nesse sentido, vemos que pesquisadores preocupados com isso, tem investido em pesquisas e organização de materiais qualitativos que venham a contribuir com os professores nessa questão: Marta Moraes da Costa, em seu livro Metodologia do ensino da literatura infantil (2007) auxilia professores a formar leitores competentes por meio da literatura. É uma obra rica em detalhes e dicas de como trabalhar a literatura na sala de aula, tratando-a não como matéria aprisionada, mas, como expressão criadora, tornando as atividades estimulantes e criativas. Ao fim de cada capítulo a autora faz uma síntese do mesmo, indicações culturais e atividades de auto-avaliação, ao auxiliar o professor a enriquecer suas aulas, e apresenta as contribuições dos textos literários que se difere dos demais textos.
O texto literário se diferencia dos demais gêneros textuais por suas características de ficção e de trabalho artístico com a linguagem. Sob esse enfoque é que a escola deveria tratar a literatura infantil e sua importância nessa instituição, bem como seu reflexo sobre as funções que essa literatura cumpre no ambiente escolar. essas funções acabam por determinar os objetivos do ensino da literatura infantil, envolvendo o trabalho para que este se desenvolva a contento (COSTA, 2007, p.148).
Dialogando com Costa, encontramos no livro Literatura infantil gostosuras e bobices de Fanny Abramovich (1997) em que a autora aponta várias formas de abordar a literatura infantil dentro da sala de aula, e orienta sobre como trabalhar temas complexos e distintos, enfatizando que a forma como a leitura é apresentada aos alunos faz toda diferença. Afirma a autora:
Tudo bem... A literatura infanto-juvenil foi incorporada à escola e, assim, imagina-se que -por decreto- todas as crianças passaram a ler...Até poderia ser verdade, se essa leitura não viesse acompanhada da noção de dever, de tarefa a ser cumprida, mas sim de prazer, de deleite, de descoberta, de encantamento...( ABRAMOVICH,1997, p. 140).
Existem mil e uma maneiras de fazer com que o jovem e a criança se aproximem de forma descompromissada da literatura, mas os erros estão se repetindo ano após ano, tais como: a adoção de autores que não falam a mesma língua do leitor, contação de histórias ultrapassadas que não condizem mais com a realidade, fatos desinteressantes, problemas que não causam sensibilização ou emoção. Como se interessar por uma leitura dessas? Assim nos perguntamos: não seria a hora de propor uma interação, ouvir a escolha de cada aluno? O fato é que isso requer tempo e disposição, e alguns professores não estão dispostos nem abertos às inovações que se fazem tão necessárias. Fanny Abramovich (1997, p. 163) enfatiza essa idéia “há tantos jeitos de a criança ler, de conviver com a literatura de modo próximo, sem achar que é algo do outro mundo, remoto, enfadonho ou chato... é uma questão de aproximá-la dos livros de modo aberto".
Para trabalhar com a literatura infantil, faz-se necessário conhecer sua história, sua trajetória e a maneira pela qual se apresenta a literatura contemporânea. Para isso recorremos à obra da autora Regina Zilberman Como e porque ler a literatura infantil brasileira, que nos auxilia neste contexto histórico. Os primeiros livros no Brasil escritos para crianças apareceram no final do século XIX, ao longo de todos esses anos ela veio se transformando, adquirindo características próprias, tornou-se rica e ampla.
Ainda segundo Regina Zilberman, Monteiro Lobato tornou-se peça fundamental para a literatura infantil no Brasil, pois antes dele, pode-se dizer que a maioria das obras destinada às crianças vinham de fora, foi ele o pioneiro nesse aspecto, encorajando mais tarde outros escritores a se dedicarem na área infantil. Em suas obras, Lobato faz uso da onomatopéia, dando ao texto um caráter engraçado e diferente, também trata de assuntos sérios e problemas sociais, contribuindo com o despertar do senso crítico nas crianças. Zilberman em sua obra comenta sobre algumas obras infantis que podem ser aproveitada nas salas de aula.
Segundo Nelly Novaes Coelho (2002), para que obtenhamos sucesso no processo de leitura das crianças, nós professores, devemos respeitar cada faixa-etária e os estágios psicológicos e cronológicos das crianças. Para cada idade existe um estágio diferente, que pode ser dividido em 5 fases:
1- Pré-leitor: abrange duas fases- primeira infância (dos 15/17 meses aos 3 anos) e segunda infância (a partir dos 2/3 anos);

2- O leitor Iniciante: a partir dos 6/7 anos;

3- O leitor em processo: a partir dos 8/9 anos;

4- O leitor Fluente: a partir dos 10/11 anos;

5- O leitor crítico: a partir dos 12/13 anos.
Pautada em Nelly Coelho (2002), percebemos que existem materiais específicos para cada fase da criança, são livros, textos e imagens diferentes. Trabalhar com o material inadequado pode comprometer o processo de leitura da criança, causando danos e afastando a criança do hábito de ler. O contrário também exerce fator negativo: trabalhar com jovens com materiais destinados às crianças certamente acarretará os mesmo problemas. É importante, pois, aprender a lidar com as diferenças, mas é necessário ressaltar, ainda, que isso não deve ser encarado com regra única e infalível, pois a leitura literária não tem idade e nem formato, são possibilidades que podem orientar educadores enquanto mediadores de leitura.
II - METODOLOGIA
Em primeiro momento a metodologia optou pela fundamentação de dados teóricos, para o conhecimento mais amplo e profundo do tema que norteia essa pesquisa. “A principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente” (GIL, 1996, p.50).
Em um segundo momento, a pesquisa de campo tornou-se necessária, a fim de colher dados reais sobre a investigação presente, sendo assim foram distribuídos 40 questionários sobre a prática e a importância da leitura aos alunos do primeiro ano do ensino médio de uma Escola Estadual localizada na Cidade de Dourados- MS.
A fim de contribuir com a pesquisa, também foi observado uma roda de leitura com crianças de várias faixas- etárias, com o objetivo de constatar a importância de projetos de incentivo à leitura.
O estudo bibliográfico e a pesquisa de campo, resultou em um relatório descritivo, onde se prioriza a discussão dos resultados obtidos através dos questionários e as constatações feita pelos teóricos.
III - ANÁLISE DOS RESULTADOS DA PESQUISA
Com o intuito de corroborar com nossa proposta de trabalho, segue no decorrer do texto, resultados obtidos por meio de um questionário realizado com 40 alunos do 1º ano do ensino médio de uma Escola Estadual, localizada na cidade de Dourados-MS, os questionários foram divididos entre 4 salas, sendo 10 questionário para cada uma delas, em que os alunos deveriam responder no total de oito perguntas relacionadas à leitura.
O resultado foi impressionante e mostrou a necessidade urgente para um olhar mais atento por parte das escolas, dos professores e da sociedade, quanto à formação de leitores. Dos 40 alunos, 9 (22,5%) deles afirmaram não se interessarem por nenhum tipo de leitura, e ainda ressaltaram que não lêem nenhum livro por ano. Apenas 2 afirmaram ler, no máximo, 2 livros, sendo eles obrigatórios. Disseram, também, não terem tido ou que não gostavam das aulas de leituras no ensino fundamental. Um desses alunos ainda respondeu que o único incentivo á leitura seria a escola pagar por cada livro lido.
Dos 40 alunos que responderam as questões, apenas 17 (42,5%) deles afirmaram que os pais liam para eles quando criança, e na maioria dos casos, esses foram os que demonstraram maior interesse e gosto pela leitura, afirmando que ela é de muita importância. A maioria desses, são os alunos que apresentam o maior número de leituras realizadas por ano, sendo, na maioria das vezes espontâneas. Um número bem maior afirmou gostar de ouvir histórias quando crianças, 26 alunos (65%), mas, como dito anteriormente somente 17 ouviam histórias contadas pela família, o que nos leva a entender que houve uma perda de interesse e de motivação por falta de estímulos.
Quando questionados sobre o tipo de leitura que os atraem, diferentes gêneros foram citados: romance, ficção, aventura, policial, suspense, e leituras especificas como livros de carros e medicinas, sendo o romance e a ficção os mais admirados entre eles em mais de 50% dos casos.
Ao dar voz aos alunos, na pergunta: em sua opinião, o que poderia ser feito, para melhorar o estímulo á leitura na escola? Constatou-se que, 95% dos alunos gostariam de mais livros e mais tempo com eles, trabalhos dinâmicos, mais variedades, rodas de leituras com debates, um dia dedicado somente á leitura em toda a escola, leitura livre e não obrigatória, propagação dos livros, mais livros populares em vez de somente os clássicos e filmes que retratam os livros.
Ainda, quando questionados sobre quais livros eles gostariam de ler, os Best Sellers, ou a literatura de mercado foram os mais citados, 70% dos alunos afirmaram que leram ou gostariam de ler: Crepúsculo, Código da Vince, Harry Potter, Anjos e Demônios, A menina que roubava livros, entre outros. Porém, alguns alunos, somente 8%, citaram os Clássicos: Helena, Dom Casmurro, O conde de Monte Cristo e Chapeuzinho Vermelho. Houve também parte dos alunos que responderam não saber ou que não querem ler nada. A maioria dos alunos, 80% afirmaram que o último livro que leram foi: Alice no País das Maravilhas, porém, vale ressaltar que este livro era a leitura obrigatória do mês.
Fica evidente que, quando não se incentiva a leitura desde crianças, ou quando esse incentivo é rompido no processo da alfabetização, e a falta de estímulos que os alunos consideram agradáveis, torna-se difícil, depois, retomar o processo quanto a formação do leitor. Outro fator importante a ser levado em conta são as preferências dos alunos, que podem sim, formar leitores, e levá-los a se interessar por outros livros, inclusive os clássicos da literatura. Analisando as questões, a leitura obrigatória e a falta de dinâmica na hora de trabalhar os livros em nada cooperam com a formação dos leitores, apenas reforça a imagem entediante (que inúmeras vezes) eles têm dos livros.
Assim, com o intuito de perceber a aplicação da teoria na prática, buscamos ver a inserção da leitura literária perante um grupo de aproximadamente vinte crianças que estiveram presentes em uma roda de leitura, que aconteceu no dia 30 de abril de 2011, às 16h, no espaço da livraria Canto das Letras, localizada também na cidade de Dourados, com crianças de diferentes faixa etária. Experiência que comprova a possibilidade das crianças, desde pequenas, amarem ler e sentirem necessidade de conviverem em meio a livros e leituras.
A responsável pela mediação da leitura foi Andréia de Oliveira Alencar Iguma, graduada em Letras pela UFGD, e mestranda em Literatura e Práticas Culturais, que, por conhecer nosso objeto de estudo, nos estendeu o convite em poder participar deste projeto, na função de observadora, a fim de colher dados que nos auxiliem na busca de respostas quanto à temática proposta.
O grupo de crianças ficou em círculo. Elas estavam sentadas sobre um tapete, o ambiente era descontraído, com muitos livros, duas obras foram contadas: Flicts de Ziraldo e A menina bonita do laço de fita, de Ana Maria Machado. As crianças foram convidadas pela Tereza, proprietária da livraria, e foram levadas, em sua maioria, pelos seus pais, que também assistiram à contação de história, e incentivavam seus filhos a participarem dos comentários. A contadora fazia perguntas e brincadeiras ao longo das histórias, em todos os sentidos provocava a participação das crianças ao longo do enredo.
Ela também entregou bandeirinhas coloridas que representavam os personagens do Flicts. No fim da contação, todas as crianças presentes afirmaram que gostaram muito, e pediam que ela contasse mais histórias. Apenas confirmando o que vários pesquisadores como Marisa Lajolo, Fanny Abramovich, entre tantos outros apontam: o incentivo e o envolvimento da sociedade e da família é um método excelente na formação dos leitores.
A TÍTULO DE CONCLUSÃO
Frente ao exposto, nestas linhas traçadas em forma de artigo, nota-se a importância da leitura em nossas vidas, o quanto ela enriquece nossos conhecimentos e nos apresenta novos horizontes, até então desconhecidos.
Sabendo desta importância, faz-se necessário, manter os livros sempre por perto, para que nos tornamos amantes da literatura. Sabemos que isso é um desafio constante, pois atualmente na era digital, os jovens estão cada vez mais longe dos livros literários.
Sendo assim, é importante que a sociedade em um todo, esteja sempre envolvida em pesquisas, projetos e formas que aproximem a leitura da crianças e do jovem, para que estes tornem-se leitores maduros e competentes.
Vários caminhos foram apontados pelos teóricos estudados, a principal delas é que o livro deve ser apresentado para a crianças antes mesmo de serem alfabetizadas, a contação de histórias contribui muito na formação do leitor. A pesquisa também apontou que o gosto dos jovens devem ser levado em conta, porque através dos Best Sellers, por exemplo, que atualmente são os livros mais procurados por eles, pode-se adquirir o hábito e o prazer da leitura, e assim posteriormente novos horizontes se abrem até chegarmos aos clássicos da literatura.
Somente com a leitura conseguimos alçar vôos inimagináveis, ela nos abre caminhos em qualquer área de atuação, pois, ela torna o estudante mais apto e crítico, suas possibilidades são inquestionáveis, por isso o que se lê é tão importante quanto a realização da leitura, neste sentido, estudos como esses que as vezes parecem persistentes e repetidos se tornam tão necessários. Realmente o que esperamos dele, é que não sejam apenas objetos de estudos das universidades, mas, que saiam do papel para uma ação maior.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: Gostosuras e bobices. Leitura e seleção de livros para o embasamento teórico: São Paulo: Scipione, 1997.
COSTA, Marta Moraes da. Metodologia do ensino da literatura infantil: Curitiba: Ibpex, 2007.
EVANGELISTA, Aracy A. M. A escolarização da leitura literária: Belo Horizonte: Autentica, 1999.
Freire, Paulo.  A Importância do Ato de Ler: em três artigos que se completam.  22 ed.  São Paulo: Cortez, 1988. 80 p
OLIVEIRA, Lilia Odete Nantes de; PEDROSO JÚNIOR, Neurivaldo Campos. Tópicos Especiais de Literatura I. Unigran, 2010/2 (Referência sobre Monteiro Lobato e Nelly Coelho Novaes retiradas desta apostila).
TODOROV, Tzvetan. Literatura não é teoria, é paixão. Revista BRAVO! ano 12, n. 150, p. 38-39, fev – 2010.
ZILBERMAN, Regina. Como e porque ler a literatura infantil: Rio de Janeiro: Objetiva, 2005.
REVISTA NOVA ESCOLA, Agosto-setembro- 2010
REVISTA NOVA ESCOLA Nº 234
REVISTA ÉPOCA, DEZEMBRO DE 2010.
http://www.sitedeliteratura.com/Noticias/2003/vitm.htm acessado em 01-01-2011

http://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2006/inic/inic/05/INIC0001060ok.pdf

acessado em 04-04-2011

______________________________



*Graduada em Letras pela UNIGRAN - Centro Universitário da Grande Dourados e aluna especial do programa de pós graduação Mestrado em Literatura e Práticas Culturais pela Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD.

**Professora orientadora do Trabalho de Conclusão de Curso e coordenadora do curso de letras da UNIGRAN.


Compartilhe com seus amigos:


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal