Resgatar a vida1: proposições e agenciamentos dos usos de medicamentos antidepressivos Patrick Arley



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Resgatar a vida1: proposições e agenciamentos dos usos de medicamentos antidepressivos

Patrick Arley
Pode-se afirmar, sem exageros, que a ‘depressão’ está na “ordem do dia”. Milhares de livros e artigos (sejam acadêmicos ou veiculados na mass media) abordam o tema, sob as óticas de áreas de saber as mais diversas (que vão desde a psiquiatria à auto-ajuda), com suas respectivas proposições de ‘cura’. O presente artigo é decorrente de uma pesquisa em andamento, que pretende acompanhar etnograficamente os usos de uma das mais populares e controversas dessas proposições, a saber, aquela promovida pelos (e, num certo sentido, promotora dos) saberes médicos: os remédios antidepressivos.
Essa opção não se fez por acaso. O Brasil encontra-se, atualmente, entre os dez maiores consumidores de medicamentos no mundo e, acompanhando uma tendência geral, registra-se aqui um aumento crescente na venda de medicamentos antidepressivos: de 2000 a 2003, um aumento de 11% (16,8 milhões de comprimidos consumidos), período em que as vendas de outros medicamentos, como aqueles utilizados no tratamento de hipertensão, parasitas e doenças reumáticas, por exemplo, caíram2. Segundo projeção da Organização Mundial de Saúde (OMS), até 2020 a depressão se tornará a segunda principal doença em escala mundial, e já é a principal causa de incapacidade para o trabalho de pessoas na meia-idade e de mulheres de todas as idades. Mas, dizer simplesmente que um número cada vez maior de pessoas sofre de depressão não é dizer muita coisa sobre essas pessoas; e não é, principalmente, dizer que sofrem da mesma maneira.
A depressão é uma doença recente. Tratada por alguns especialistas como a “epidemia dos nossos tempos”, o termo (tomado de empréstimo das áreas geográfica e econômica) passa a designar também, a partir da segunda década do século passado, uma variedade de transtornos comportamentais relacionados a déficits de humor, não associados, até

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1 - “Resgatar a Vida” é um dos slogans/promessas do Prozac®, um dos medicamentos antidepressivos mais consumidos do mundo, fabricado pelos laboratórios Lilly.

2 - Dados do Instituto Brasileiro de Defesa do Usuário de Medicamentos

3 – Para a história e desenvolvimento da doença depressiva ver: BOLGUESE (2004); Healy (1997);

HORWITZ e WAKEFIELD (2007) .

então, a qualquer patologia específica. A aparente homogeneização (e popularização) desses transtornos em torno do conceito de depressão, ou seja, sua propagação bem sucedida enquanto categoria privilegiada para designar os sofrimentos do homem contemporâneo, deve-se principalmente ao desenvolvimento, pela indústria farmacológica, dos medicamentos antidepressivos. Gabriel Tarde, já no século XIX, ao analisar diversas inovações bem sucedidas introduzidas pela ciência que, segundo o autor, “tende a pulverizar o universo, a multiplicar indefinidamente os seres”, observa que “também a doença, outra entidade, tratada como uma pessoa pelos antigos médicos, pulveriza-se em desordens infinitesimais de elementos histológicos”(Tarde, 2007), antecipando uma concepção de doença que tornar-se-ia dominante a partir da segunda metade do século XX, com o desenvolvimento de novas técnicas de diagnóstico e tratamentos. O sociólogo francês ressalta, no entanto, que


“nenhuma necessidade social pôde ser anterior à invenção que permitiu conceber a mercadoria, o artigo, o serviço próprio para a satisfazer” (Tarde, 109)

Parecendo seguir o prognóstico tardeano, e acompanhando a constatação de Phillipe Pignarre sobre o “poder que tem o medicamento de redefinir as patologias” (1999: 109). A criação da depressão enquanto doença psíquica se deu posteriormente ao desenvolvimento de substâncias capazes de afetar determinadas áreas do cérebro relacionadas às variações humorais e, conseqüentemente, a aptidão performática daqueles que delas fazem uso. Não seria exagero, portanto, dizer que, se a depressão tornou-se mesmo uma epidemia, como pretendem alguns, os medicamentos antidepressivos são seus principais vetores.


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4 – 4.1 ao dizer que a depressão foi “criada” pela psiquiatria não quero dizer que não seja uma doença real, mas apenas ressaltar como alguns estados de vida anteriormente considerados dimensões da existência, do viver, passam em certo momento a ser rotulados e descritos como doenças, ou estados passíveis de intervenção por um corpo técnico especializado e aparatado para isso.

4.2 uma chave profícua para entender a criação e estabilização de certas invenções científicas é a abordagem de Latour (1999: 84) a respeito de suas “ontologias de geometria variável”, tema que não desenvolverei no presente artigo.

Pois, foi partindo para o estudo e aperfeiçoamento dos efeitos infinitesimais provocados por tais substâncias quando em associação aos organismos, que a psiquiatria moderna pôde inscrevê-las nos corpos - e, portanto, no meio social - enquanto agentes aptos a corrigir determinados distúrbios de comportamento e humor que teriam origem biológica, em alterações químicas ocorridas no cérebro. A emergência dos antidepressivos legitimou à psiquiatria tratar como sintomáticos conjuntos de comportamentos, sensações e estados de humor (ansiedade, falta de disposição, pensamentos negativos, tristeza, angústia, variações no sono e no apetite, etc.) que, a priori, podem estar relacionados a causas as mais diversas, não necessariamente patológicas5 esta dupla inovação - a saber, uma transformação nas percepções coletivas acerca do mal estar e sofrimento, de estados de ânimo comuns (ainda que indesejáveis) em estados patológicos, circunscritos naquilo que se passou a denominar “distúrbios depressivos”; bem como a invenção de agentes não-humanos aparentemente capazes de tratar tais distúrbios adequadamente (se não eliminando, ao menos reduzindo drasticamente seus sintomas comportamentais, num período de tempo mais curto que aquele esperado em outros tratamentos psicoterápicos), fez com que os medicamentos antidepressivos alcançassem enorme sucesso mercadológico, a despeito dos eventuais efeitos adversos6 que viessem a provocar.


Seria precipitado, no entanto, atribuir a grande popularidade e diversidade de usos dos antidepressivos apenas à sua eficácia bioquímica, ou aos efeitos bem articulados das estratégias comerciais de laboratórios farmacêuticos aliadas a certa bio-psiquiatria. Argumentações deste tipo7, embora partam de diferentes marcos teóricos, tendem a aparecer sob a forma de denúncias daquilo que denominam ora um “dispositivo ideológico da depressão”, ora uma “produção farmacológica de si”, responsabilizando apenas alguns agentes sociais isolados (particularmente os laboratórios e a psiquiatria) pelo aumento do consumos dessas substâncias.

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5 – Para problematização dos critérios diagnósticos da depressão ver: HORWITZ e WAKEFIELD (2007)

6 – Para descrição detalhada de efeitos adversos ver: LAPORTE, TOGNONI e ROZENFELD (1989); para problematização dos critérios que estabelecem efeitos adversos ver VARGAS (2003, 17)

7- Para um exemplo de denúncia antropológica dos medicamentos ver LE BRETON (2003); para exemplos psicanalíticos ver BOLGUESE (2004) e ROUDINESCO (2000). Não é o objetivo deste artigo discutir detalhadamente os pontos específicos de cada uma dessas críticas. Ainda que levantem questões de relevancia inconteste, a abordagem dos usos de antidepressivos aqui desenvolvida é de outra ordem.

Tais argumentações falham em vários aspectos: em primeiro lugar, ao reduzir a relações de causalidade (a chave da relação do usuário com o mundo residiria no consumo de determinado medicamento; ou, a manipulação ideológica em torno da depressão disseminaria o consumo de remédios, etc) toda uma complexa rede de agenciamentos, intra e intercorporais, na qual estão vinculados medicamentos, médicos, indústrias farmacêuticas, Estado e consumidores/pacientes. Além disso, baseiam-se em partilhas epsitemológicas/morais não problematizadas, na tentativa de diferenciar supostos estados de humor “naturais” daqueles “artificiais” em decorrência do consumo de antidepressivos”; ou ainda, as “verdadeiras causas” do mal estar na sociedade contemporânea, das outras explicações que seriam, na melhor das hipóteses, ingênuas e na pior, mal intencionadas (ambas corroborando com a “dominação ideológica” da qual os laboratórios farmacêuticos seriam cúmplices). Por fim, ainda que tendam a superestimar as consequências sociais do consumo de antidepressivos, tais denúncias costumam negar, de antemão, quaisquer possibilidades reais de agência, tanto para os medicamentos (reduzidos nestes argumentos a meros aparatos ideológicos) quanto para os consumidores/pacientes (tomados como vítimas e/ou alienados, ora de uma sociedade opressora que criaria as condições de sofrimento dos individuos, ora do medicamento que teria por efeito não-declarado encarcerar os sujeitos no mesmo círculo vicioso do qual tentam, em vão, libertar-se).


O efeito perverso de tais abordagens é, dentre outros, perder de vista aquilo que ambos, remédios e pessoas, são capazes de fazer quando postos em relação. Dito em outros termos, o que o medicamento antidepressivo realmente faz é aquilo que se faz (quando) com ele. Acompanhar etnograficamente os usos destes medicamentos exige, portanto, que se leve em consideração, além dos dados técnicos e históricos fornecidos por bulas, artigos e livros dedicados ao tema, toda uma série de categorias simbólicas e socialmente compartilhadas de que estão investidos, como bens de consumo com caracteristicas muito particulares. E exige, principalmente, que se leve a sério tanto os medicamentos e suas proposições, quanto os consumidores/pacientes, naquilo que colocam em jogo quando optam por este tratamento.

Diagnóstico e Prescrição8
Tendo em vista que a circulação de medicamentos cuja venda necessita de uma prescrição médica9 está irremediavelmente ligada aos diagnósticos dos males e sintomas a se combater, é fundamental, para compreendermos os usos atuais de antidepressivos, atentar para duas grandes inovações convergentes, ocorridas na década de 1980, e que se tornariam decisivas para o aumento sem precedentes de prescrições e consumos dessas substâncias: a primeira, o desenvolvimento fármacológico dos chamados ISRS (inibidores seletivos de recaptação da serotonina), que demonstravam a mesma eficácia dos antidepressivos tricíclicos consumidos até então, mas com um número muito reduzido de reações adversas. A segunda, a publicação, pela Associação Americana de Psiquiatria, do DSM III (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) que revolucionou a psiquiatria ao introduzir novos parâmetros de diagnóstico. Segundo Charles Rosenberg,
“Diagnosis is central to the definition and management of the social phenomenon that we call disease. It constitutes an indispensable point of articulation between the general and the particular, between agreed-upon knowledge and its application. (..). Diagnosis labels, defines, and predicts and, in doing so, helps constitute and legitimate that reality that it discerns “(p.240)
Chamadas por alguns como a “bíblia da psiquiatria”, o objetivo do DSM III era estandartizar os diagnósticos através de listas de sintomas concernetes a cada um dos distúrbios mentais. O esforço para tal padronização buscava uma resposta às críticas sofridas no que tange à legitimidade dos diagnósticos psiquiatricos (diferentes médicos não diagnosticavam pessoas com os mesmos sintomas da mesma maneira). A partir de então, como já acontecera com outras especialidades, a psiquiatria assumiria o paradigma de uma medicina baseada na evidência (evidence based medicine). Como observa o sociólogo francês Alain Ehrenberg, em entrevista a Michel Botbol,

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8 – ver anexo.

9 - (assim como os analgésicos, os antidepressivos são vendidos em qualquer fármacia, mas apenas sob condição da apresentação e retenção de receita numerada e devidamente identificada com o nome, especialidade e registro do médico)

“com a DSMII, a depressão passou do estatuto de sintoma ou síndrome nas neuroses e psicoses para o estatuto de entidade clínica autônoma sobre a qual se deve agir de forma direta – principalmente porque se tem os meios para agir. A síndrome se tornou uma entidade clínica”10
E, mais do que apenas uma entidade clínica ou conceitual, a depressão tornou-se uma entidade social relativamente autônoma, como se a doença pudesse ser entendida como existindo fora dos corpos, independente do conjunto de suas manifestações particulares. (Pignarre, 1999: 109). Ainda segundo Rosenberg,
“disease entities are social realities, actors in complex and multidimensional negotiations that configure and reconfigure the lives of real men and women. (…) Contemporary medicine and bureaucracy have constructed disease entities as socially real actors through labopratory tests, pathology-defining thresholds, statistically derived risk factors, and others artifacts of a seemingly value-free biomedical scientific enterprise” (p.250)
Os novos padrões estabelecidos pela psiquiatria para o diagnóstico dos distúrbios depressivos através do DSM III parecem ter resolvido em grande parte o problema que se colocava até então, o de diagnosticar como diferentes doenças mentais os mesmos grupos de desordens comportamentais. Mas o conjunto de sintomas a partir dos quais se passou a circunscrever os distúrbios depressivos desde então são tão amplos, vagos e subjetivos que, curiosamente, a psiquiatria tem de lidar atualmente com o problema inverso, o de diagnosticar - e medicar - da mesma maneira, problemas psíquicos diferentes; ou ainda, o de diagnosticar como depressão aquilo que não passa de tristeza ou desconforto diante de certas situações cotidianas indesejáveis.
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10-disponível em http://www.scielo.br/scieloOrg/php/articleXML.php?pid=S151614982004000100009&lang=en



Há, sem dúvida, um esforço por parte dos psiquiatras na tentativa de não banalizar a doença, de delimitar fronteiras menos tênues entre o que seria um sofrimento “normal”, aquele que vem em resposta a determinada situação estressante - como a perda de uma pessoa próxima, de um emprego ou o fim de um relacionamento, por exemplo - de um outro tipo de sofrimento, “patológico”, aquele sem causa aparente. Mas os critérios estandardizados pelo DSM não parecem contribuir de maneira substancial para o sucesso desta tentativa. Tudo se passa, no diagnóstico, como um processo de eliminação, no qual as eventuais causas para o mal-estar do paciente são confrontadas com um grupo de sintomas previamente estabelecidos. Na falta de estímulos exteriores identificáveis, que justifiquem tais desconfortos, presume-se a existência de um distúrbio mental que justifique a intervenção medicamentosa. Não por acaso utilizam-se termos como “distúrbio” ou “desordem” para caracterizar a depressão. Estas expressões, convenientemente vagas, são incapazes de descrever ou informar por si mesmas o que, ou por que exatamente o paciente sofre, tampouco o fator responsável pelo desencadeamento de sua doença. Dizem respeito, no máximo, a um funcionamento atípico ou indesejado, que deve ser corrigido. Apenas quando postas em conjunto com um outro termo, que indique um lugar no corpo – no caso, a mente, indicando o cérebro como o órgão a ser tratado – é que adquirem um sentido real, a saber, aquele onde o medicamento deverá agir. Neste caso, o adjetivo “mental” substancializa o distúrbio, inscrevendo potencialmente tanto a doença quanto seu tratamento nos corpos. Como observa Pignarre,
“Entra-se no consultório com um estatuto social particular, sai-se dele redefinido: pertence-se a seguir, por um tempo limitado ou ilimitado, a uma nova categoria” (1999: 111)
É fato que o funcionamento das áreas cerebrais relacionadas à regulação do humor nunca foi tão acessível às ciências médicas quanto o é hoje – o que a emergência dos ISRS parece atestar. Curiosamente, é fato também que os parâmetros fixados pelo DSM III prescindem de quaisquer intervenções/verificações bioquímicas nos corpos durante o processo de diagnóstico. Ao contrário de outras doenças surgidas ao longo do século XX, cujo diagnóstico depende em boa parte de exames intra e/ou extra corporais, realizados através de aparatos técnicos para extrair dos sujeitos (transformados em “casos clínicos”) os indícios de sua realidade enquanto patologia “encarnada”, os diagnósticos de depressão são realizados, basicamente, a partir de sintomas relatados pelos pacientes. Não pretendo sugerir que a ausência de “provas” ou parâmetros técnicos invalide tais diagnósticos, ou que os mesmos se resumam à simples aplicação de questionários - seria o equivalente a ignorar o conhecimento e experiência dos médicos e reduzir toda prática da medicina alopática a um conjunto de testes laboratoriais – mas apenas que, em se tratando da prescrição de antidepressivos, o momento do diagnóstico reproduz e ratifica, no consultório médico, os resultados dos testes previamente realizados nos laboratórios do estudo contra-placebo, responsáveis pela transformação e legitimação de um agente biológico em medicamento e por um grupo de sintomas em doença11. Não cabe ao médico, portanto, procurar pela doença onde ela ainda não existe, dentro dos corpos. Ao contrário, de certa forma são os pacientes (casos clínicos em potencial), aqueles que chegam aos consultórios sem uma resposta, que têm de procurá-la, fazer com que a narrativa de seus próprios desconfortos existenciais possa confundir-se de alguma maneira com os sintomas pré-estabelecidos que delimitam a doença. A relação médico-paciente corre o risco de desdobrar-se aqui numa nova configuração, na qual o primeiro desempenhará (mesmo que a contragosto) o papel de simples mediador entre o segundo e o medicamento, através da prescrição deste último (pignarre, 1999). Ainda que todos os psiquiatras entrevistados até o presente momento no decorrer desta pesquisa tenham ressaltado que a prescrição de antidepressivos deve ser feita com “muito cuidado”, para evitar certos “abusos”; e que conciliam, na maior parte dos casos, tais medicamentos à psicoterapia, muitos, no entanto, demonstraram certo desconforto com a procura excessiva por antidepressivos. Foram recorrentes relatos do tipo:
“Alguns pacientes acham que o médico é bobo, ingênuo... Tem gente que chega no consultório só para conseguir uma receita, gente que não tem nenhum problema sério de saúde, mas que quer sair de todo jeito com um remédio... alguns vêm com o discurso todo ensaiado, os sintomas todos na ponta da língua (...) às vezes, nesses casos, eu até dou umas amostras de placebo, e ‘despacho’ a pessoa.” (psiquiatra, atende por convênio e consultas particulares)

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11 – para uma discussão detalhada sobre o desenvolvimento dos laboratórios de estudo contra-placebo ver: Pignarre (1999)
Ou
“já passei por situações em que a paciente marca a consulta só para tentar comprar uma receita. Não quer nem ser escutada, já chega e vai pedindo: ‘ah, o senhor podia me arrumar...’ - O sujeito acha que está pagando pela receita, e não pela consulta. É como se o papel do médico fosse vender remédio... Mas a gente sabe, tem uns que vendem receita mesmo, então a pessoa tenta” (psiquiatra, atende por convênio médico e consultas particulares)
O ponto a ser destacado é que os critérios definidos pelo DSM III, ao contrário do que se poderia esperar, longe de deslegitimar a realidade do distúrbio depressivo através de uma quase indistinção entre o conjunto de sintomas que o definem e uma série de estados de humor ou mudanças de comportamentos que não caracterizam, por si só, nenhuma anomalia, teve por efeito (ainda que não intencional) aumentar drasticamente os diagnósticos da doença12 e torna-la cada vez mais real, ao estender a rede de sua circulação social para muito além dos limites da psiquiatria13 e mesmo da medicina; a ponto do termo “depressão” ser hoje utilizado quase que indistintamente fora dos círculos médicos, para caracterizar qualquer tipo de sofrimento ou incômodo emocional. Não é incomum ouvir de pessoas que jamais consultaram um psiquiatra ou fizeram uso de antidepressivos relatos do tipo “hoje estou meio deprimido”, ou “fiquei deprimido quando meu time perdeu”, ou ainda “curei minha depressão com Jesus”, etc. Afirmações como essas, longe de enfraquecer ou banalizar a realidade da doença psíquica, tal como a medicina a postula, nos fornecem indícios de como a depressão veio a tornar-se nas últimas décadas, mais que uma doença, uma espécie de categoria “nativa” muito abrangente, para a qual convergem narrativas diversas, de ordem técnica, científica, simbólica, mercadológica, moral, corpórea e ética. Como observa Rosenberg,
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12 - 300% entre 1987 e 1997, nos EUA. HORWITZ e WAKEFIELD (2007: 5)

13 – no início dos anos 2000, pelo menos metade dos distúrbios mentais era tratada, nos EUA, por áreas outras que não a psiquiatria. (Ibdem, 186)

“A legitimate disease had both a characteristic clinical course and a mechanism, in other words, a natural history that – from both the physician’s and the patient’s perspective – formed a narrative. The act of diagnosis inevitably placed the patient at a point on the trajectory of that ineluctable narrative” (p243)


Da mesma maneira - seria necessário acrescentar - se o diagnóstico da depressão tem por efeito inscrever os sujeitos na história da doença, também inscreve enquanto doença, ou ao menos enquanto estado passível de intervenção medicamentosa, o sofrimento na história e narrativa dos sujeitos/pacientes. É preciso aqui abrir um parêntese, e desconfiar de qualquer relação de causalidade instantânea entre aquilo que se considera “doença” e o hábito de consumir medicamentos. Boa parte dos consumidores/pacientes com quem tive contato no decorrer da presente pesquisa não justifica sua opção pelo uso de antidepressivos em termos de estados patológicos, particularmente aqueles que não recorrem à psiquiatria para obter acesso aos remédios. Depoimentos do tipo
“eu não acho que tenho nenhuma doença, tenho TPM, que é normal, isso todo mundo tem, toda mulher tem... o Prozac® me deixa menos instável, me deixa mais tranqüila, então acho que é bom para mim... e para o meu marido também. (risos)“ (mulher, 34 anos, consumidora de fluoxetina, do grupo dos ISRS, prescrita por ginecologista, convênio médico)

ou,


“tomo remédio para emagrecer há três anos, e como o remédio é à base de anfetamina, qua causa ansiedade, meu médico me receitou também a fluoxetina, para prevenir essa ansiedade. Eu não tenho depressão”. (mulher, 21 anos, consumidora de fluoxetina prescrita por nutrólogo, convênio médico)

Ou ainda,



“eu ficava muito nervoso, cansado, não dormia direito, muito estressado com trabalho, faculdade, essas coisas normais, do dia a dia, que às vezes a gente não dá conta direito, né? Aí eu conversei com meu chefe e fui no médico, ele me passou esse remédio (tira da pasta um caixa de Pondera® e me mostra). Já tem uns quatro meses que eu estou tomando, não sei... o stress continua, né, mas acho que eu é que estou mais tranqüilo, aprendendo a lidar melhor com ele, a não ficar nervoso demais, ‘estourado’ demais... não sei se é só por causa do remédio, mas acho que o remédio ajuda sim, a gente fica melhor, pensa melhor antes de fazer alguma bobagem, de ‘estourar’. Só pedi para ele me receitar um que não ‘broxasse’, né, porque aí já viu, né, aí é que o sujeito ‘estressa’ mesmo... (risos) Acho que vou continuar tomando enquanto precisar, não vejo problema.” (homem, 32 anos, consumidor de cloridrato de paroxetina, ISRS, prescrito por clínico geral, convênio médico)
foram mais comuns do que eu imaginava encontrar quando do início da pesquisa. Sugerem não apenas que o programa de ação dos medicamentos antidepressivos é potencialmente mais amplo do que aquele inicialmente previsto no conceito psiquiátrico da depressão (voltarei a este ponto mais tarde) e sujeito a modificações de acordo com os agenciamentos aos quais estes medicamentos são reportados; mas também que, para muitas pessoas, a idéia de comprar e consumir remédios para lidar com situações percebidas como “normais, do dia a dia” ou não patológicas, é perfeitamente aceitável. Sem carregar a expressão com nenhum juízo de valor, podemos perceber essas práticas de consumo como “sintomáticas” (no sentido de que são capazes de nos fornecer indícios) de uma maneira socialmente legitimada de intervir nos corpos e nos comportamentos, e, num sentido mais amplo, de lidar com a dor. É preciso, pois, como sugere Chaves, “pensar como o consumo de medicamentos pode fazer emergir certas categorias sociais que dão as condições de possibilidade desses usos.” (2006: 2); Tal legitimação se deu, em boa medida, a partir da emergência do que Vargas (2003) chamou de “dispositivo das drogas”, mecanismo que circunscreve a prática do consumo de substâncias numa partilha moral que condena o uso de algumas (drogas ilícitas) enquanto prescreve e dissemina o uso de outras (remédios). Segundo Vargas,
“os saberes e as práticas médicas foram historicamente investidos, entre nós, na posição de principais instrumentos de legitimação da partilha moral entre drogas de uso lícito e drogas de uso ilícito por fornecerem, para a sociedade em geral e com a força da autoridade científica que costumamos emprestar-lhes, os critérios para tal partilha.” (ibdem, p.10)
Esta partilha moral inscreve-se, sem dúvida, em princípios cosmológicos mais amplos, que dizem respeito à própria concepção do “humano” tal como é hegemonicamente compartilhada e experimentada entre nós: primeiro a de que “a condição plena do sujeito humano derivaria da autonomia individual e do controle das condutas” (ibdem, p.8). Relação otimizada entre livre-arbítrio e controle de si (ou controle sobre o próprio corpo), esta plenitude desejada é sempre relativa, sempre precária e constantemente ameaçada, condicionada que está às noções anteriores de imperfeição da natureza humana e inevitabilidade do sofrimento, intimamente relacionadas a determinados dogmas judaico-cristãos que remetem à queda de Adão. Ainda que tais noções tenham sofrido, ao longo da sua história, várias re-significações14, nunca conseguimos de fato reconquistar o “paraíso” perdido. Se, como observa Sahlins, com o advento da economia capitalista “a eterna e inelutável atenção de cada homem para com seus próprios desejos se tornou, (...) condição da própria liberdade”, na medida em que, “o bem geral só poderia advir da preocupação de cada pessoa consigo mesma” (2003: 119-120), as promessas do bem-estar através da satisfação de todas as necessidades que convergiram nas idéias de “progresso” nunca chegaram a efetivar-se, já que
tudo o que dizia respeito à sociedade e ao comportamento humano passou a ser percebido, tanto popular quanto filosoficamente, por meio do tropo dominante dos prazeres e dores individuais. Novamente como no Leviathan, tudo se reduziu à simples e triste idéia da vida como um movimento em direção às coisas que nos fazem sentir bem e para longe das coisas que nos causam mal (Ibidem: 165).
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14 - Para uma história da felicidade ver Mchamon (2007). Para uma história do mal ver Neiman (2003)

É neste triste movimento que se insere o consumo de substâncias capazes de alterar estados mentais e/ou comportamentais. Mas não nos termos colocados pela partilha moral, que demoniza substâncias ilícitas (pela ameaça que representam seus usos à suposta autonomia dos sujeitos) ao mesmo tempo em que legitima os medicamentos, (pelo suposto efeito de restituir os déficits nesta mesma autonomia). Assumir o paradigma da partilha para explicar os usos diversos de antidepressivos seria incorrer num determinismo biológico já descartado anteriormente. O que a intervenção medicamentosa dos chamados distúrbios mentais (que se refletem em mudanças no comportamento) coloca em jogo não passa por deficiências na ou no aumento da autonomia dos sujeitos. Tampouco os diversos usos que se faz atualmente de tais substâncias devem ser explicados exclusivamente num sentido negativo, que atribuiria seu consumo à existência anterior de uma patologia. O que se coloca em jogo na relação entre consumidores e antidepressivos são associações entre corpos e mediadores sócio-técnicos (Latour, 2001, cap.6) operadas no sentido de produzir mudanças qualitativas na capacidade de agência, e que não estão sujeitas apenas a uma terapêutica, no sentido de combater determinada doença. Seria inadequado, portanto, perguntar se os antidepressivos realmente funcionam, no sentido comum que se costuma atribuir aos medicamentos, o de curar. Mais profícuo seria tentar entender como funcionam, e como funcionam as pessoas com eles, no “perigoso e dificilmente previsível encontro entre um corpo humano e um corpo químico” (pignarre, 1999: 121)

Modos de usar, modos de ousar
é útil ao homem aquilo que dispõe o seu corpo a poder se afetado de muitas maneiras, ou que o torna capaz de afetar de muitas maneiras os corpos exteriores

(Spinoza)


Foi sugerido anteriormente que a venda controlada de determinados medicamentos, como é o caso dos antidepressivos, faz com que o momento do diagnóstico seja de fundamental importância, não apenas para aquisição do produto por parte dos pacientes, mas para circunscrever seus usos nos corpos a partir de um distúrbio específico, identificado como passível de medicação. Foi sugerido também que, os novos parâmetros introduzidos nos diagnósticos psiquiátricos, a partir da publicação do DSM III, tiveram por efeito aumentar drasticamente os diagnóstico de depressão e, consequentemente, as prescrições dos chamados ISRS, não apenas entre os médicos psiquiatras, mas também dentre aqueles de outras especialidades, que vão da ginecologia à clínica geral. O ponto a ser destacado é que, quando prescritas por profissionais de diferentes áreas (ou seja, a partir de diferentes critérios), as mesmas substâncias podem ter diferentes impactos e significados na vida dos pacientes. Pode-se dizer que o remédio, ao “escapar” da área onde estava inicalmente circunscrito, adquire novas eficácias, ampliando sua rede de agenciamentos, intra e intercorporais. Vejamos dois depoimentos de usuários de ISRS, prescritos por profissionais de diferentes especialidades, psiquiatria e ginecologia:
“eu comecei a sofrer crises de pânico constantes, a ponto de não conseguir fazer mais nada, trabalhar, sair de casa... eu tremia, sentia nauseas, vertigens, isso sem nenhum motivo aparente. Era horrível. (...) por mais que algumas pessoas digam que essas coisas não são doenças, são ‘frescura’, que foram criadas pela medicina e tal... o remédio realmente funciona (...) muda a sinapse, e em pouco tempo você pára de sentir os efeitos colaterais (...). hoje, posso te dizer isso com certeza, eu vivo bem melhor.” (homem, 38 anos, consumidor de cloridrato de paroxetina, ISRS, prescrito por psiquiatra, convênio médico)
“(...) ah, é como se eu ligasse o botão do fôda-se, entende? Não é que a fluoxetina me afaste da realidade, que eu não perceba o que está acontecendo, ou que as coisas não me afetem... continuam me afetando, claro, mas é diferente... é como se agora eu conseguisse lidar mais fácil com essas coisas que, antes, me aborreciam demais...” (mulher, 40 anos, consumidora de fluoxetina, ISRS, prescrita por ginecologista, convênio médico)
Certamente, eles não dizem as mesmas coisas. Ainda que se possa inferir de ambos, que o consumo de remédios tenha provocado mudanças qualitativas na forma de agir ou reagir a situações adversas, o “lidar mais facilmente” num caso e o “viver bem melhor” em outro, dizem respeito a “diferentes esquemas de avaliação e modos de experimentação da vida, os quais estão intimamente relacionados com diferentes processos de subjetivação e de encorporação”. (Vargas, 2003:19). A própria escolha, por parte dos futuros pacientes, entre uma ou outra especialidade médica é condicionada a tais processos de subjetivação. Se, como postula Pignarre (1999), os pacientes saem diferentes, re-definidos dos consultórios, é preciso acompanhar como, uma vez em associação aos organismos humanos, os medicamentos ajudam a produzir tais diferenças. Para tanto, adotaremos aqui o paradigma de Bruno Latour, e trataremos os antidepressivos como mediadores sócio-técnicos associados aos corpos humanos, e não como intermediários entre um estado patológico inicial e um estado posterior, de saúde restituída. Para Latour,
“O termo mediação, em contraste com intermediário, significa um evento ou um ator que não podem ser exatamente definidos pelo (...) que produzem. Se um intermediário é plenamente definido por aquilo que o provoca, uma mediação sempre ultrapassa sua condição” (2001: 350)
Ainda segundo Latour,
“An actor is what is made to act by many others. (…) action is dislocal, it does not pertain to any specific site, it is distributed, variegated, multiple, dislocated end remains a puzzle for the analysts as well as for the actors” (2005:46-60)
Neste sentido é que podemos tratar os antidepressivos como seres dotados de agência, na medida em que seu programa de ação é, em termos mais amplos, provocar diferenças nas performances daqueles com os quais se associam. É nessas associações que substâncias e pessoas “são levadas a partilhar o mesmo destino e a criar, assim, um novo atuante” (Latour, 2001: 220). É preciso ressaltar que não tratamos aqui apenas de substâncias capazes de agir num organismo, sem que estas ações lhe modifiquem, em contrapartida. Corpos e medicamentos, quando em associação, afetam-se uns aos outros. Os antidepressivos não seriam tão eficazes, ao menos tão populares entre nós, se não pudessem adaptar-se às demandas diversas dos corpos. A cada novo paciente, a cada dose consumida, atualizam virtualidades15 de usos. Apenas sob esta perspectiva podemos levar igualmente a sério que o Prozac® seja capaz de, ao mesmo tempo, regular “os neurotransmissores monoaminérgicos pelo receptor 5HT2” 16 e “resgatar a vida”17
Resta ainda levantar uma questão: Se a ação dos remédios nos corpos é, de certa forma, constitutiva de sujeitos (tomados aqui não como indivíduos, mas como resultado de associações entre humanos e não-humanos, seres “dividuais”, na feliz expressão de Marilyn Strathern18) é preciso acompanhar em que termos tais sujeitos experimentam eticamente seu engajamento com o mundo. Seria ingênuo, como faz Le Breton (2003), dizer que “a chave da relação com o mundo reside na vontade que decide sobre a molécula apropriada para retificar um corpo mal ajustado, modificando o humor” (p.57). Penso ser possível associar os diversos agenciamentos aos quais os usos de medicamentos antidepressivos são reportados para além (ou melhor, aquém) apenas dos preceitos negativos judaicos-cristãos referidos anteriormente, inscrevendo-os na atualização de alguns princípios éticos que, segundo Foucault (2004) caracterizariam uma noção bastante difundida no período helenístico, a de “cuidado de si” (epiméleia heautoû). Para o filósofo francês, o cuidado de si seria,
“primeiramente, o tema de uma atitude geral, um certo modo de encarar as coisas, de estar no mundo, de praticar ações, de ter relações com o outro (...) em segundo lugar, é também uma certa forma de atenção para si mesmo (...), uma certa maneira de estar atento ao que se pensa e ao que se passa no pensamento. (...) em terceiro lugar, designa sempre algumas ações (..), que são exercidas de si para consigo, ações pelas quais nos assumimos, nos modificamos, nos purificamos, nos transformamos e nos transfiguramos (...).” (Ibdem, 2004 :14-15)
_______________________________

15 – ver François Zourabichvili, (2004)

16 – vide bula

17 – www.prozac.com.br

18 – Embora Strathern aplique este conceito ao contexto melanésio, parece-me que se aplica bem nestes casos de associação entre humanos e mediadores.

Obviamente, esta noção não seria vivida atualmente como o era na antiguidade. A própria possibilidade de intervenção técnica nos corpos, legitimiada pelos saberes médicos, abre possibilidades outras, para que este “cuidado de si” e seu consequente desdobramento, o bem-viver, seja buscado e experimentado com o auxílio do consumo de substâncias que modificam o humor e o comportamento.


Longe de tentar esgotar o tema, o presente trabalho é uma tentativa no sentido de contribuir para as reflexões que levem em consideração os vários agentes sociais envolvidos no consumo de antidepressivos. Os pontos aqui destacados são os resultados prévios de uma pesquisa ainda em andamento, não tendo, portanto, caráter definitivo.

Anexo 1: Critérios para o Diagnóstico da Depressão (segundo o DSM)

Para caracterizar o diagnóstico de depressão, foi criada a tabela abaixo. Nela, cinco ou mais dos sintomas relacionados devem estar presentes. Dentre eles, um é obrigatório: estado deprimido ou falta de motivação para as tarefas diária, há pelo menos duas semanas.


  • Estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo;

  • Anedônia: interesse diminuído ou perda de prazer para realizar as atividades de rotina;

  • Sensação de inutilidade ou culpa excessiva;

  • Dificuldades de concentração: habilidade frequentemente diminuída para pensar e concentrar-se;

  • Fadiga ou perda de energia;

  • Distúrbios do sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias;

  • Problemas psicomotores: agitação ou retardo psicomotor; perda ou ganho excessivo de peso, na ausência de regime alimentar;

  • Idéias recorrentes de morte e suicídio.

De acordo com o numero de itens respondidos afirmativamente, o estado depressivo pode ser classificado em três grupos:




  1. Depressão menor: dois a quatro sintomas por duas ou mais semanas, incluindo estado deprimido ou anedônia;

  2. Distimia: três ou quatro sintomas, incluindo estado deprimido, durante dios anos, no mínimo;

  3. Depressão maior: cinco ou mais sintomas por duas semanas ou mais, incluindo estado deprimido ou anedônia.


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