Resumo — tema específico consumo problemático de anfetaminas e metanfetaminas na Europa Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência



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RESUMO — TEMA ESPECÍFICO



Consumo problemático de anfetaminas e metanfetaminas na Europa
Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência

Relatório anual 2010: a evolução do fenómeno da droga na Europa

Sob embargo até às 10h00 UTC — 10.11.2010

Introdução

Centrando-se nos países europeus em que o consumo de anfetaminas ou metanfetaminas constitui uma parte importante do problema relacionado com a droga, este tema específico aborda a situação actual à luz do desenvolvimento histórico do uso de anfetaminas (1) desde que estas foram introduzidas como medicamentos na década de 1930. A história do consumo de anfetaminas resulta do efeito recíproco de fenómenos globais como a expansão do consumo das drogas recreativas na década de 1960 e o aparecimento da heroína no mercado de droga europeu na década de 1970, bem como a acontecimentos de âmbito local, como o aumento da produção em pequena escala de pervitin (metanfetaminas) na antiga Checoslováquia. Consequentemente, o problema actual do consumo de anfetaminas na Europa é marcado por fortes características nacionais, provavelmente de forma mais evidente do que em relação a quaisquer outra das principais drogas ilícitas.



Anfetaminas e metanfetaminas

  • As anfetaminas e metanfetaminas são duas substâncias sintéticas intimamente ligadas que actuam como estimulantes do sistema nervoso central. Podem ser ingeridas, inaladas ou injectadas; as metanfetaminas, particularmente na sua forma cristalina, podem ser fumadas.

  • As duas substâncias podem ser tão semelhantes nos seus efeitos e aparência que, frequentemente, o utilizador não consegue distingui-las.

  • Os efeitos desejados incluem euforia; a sensação de bem estar; aumento de energia, estado de vigília, concentração, acuidade mental, e aumento da actividade motora e verbal; melhoria no desempenho de tarefas físicas e mentais; redução da fadiga; e redução das inibições sociais ou sexuais.

  • Os seus efeitos nocivos incluem a psicose, problemas cardiovasculares e cerebrovasculares, dependência, problemas psicológicos e psiquiátricos, doenças infecciosas – quando injectadas – e morte.

Produção e disponibilidade das drogas

  • A produção global de anfetaminas encontra-se concentrada na Europa, representando 80 % de todos os laboratórios de anfetaminas apreendidos em 2008. Na Europa, a produção de anfetaminas parece localizar-se principalmente nos Países Baixos, na Polónia e na Bélgica, e em menor grau na Estónia, Lituânia e Alemanha.

  • O fornecimento ilegal de metanfetaminas na Europa varia entre pequenos laboratórios artesanais locais e o tráfico internacional limitado – de acordo com os padrões globais –,centrado em duas regiões: Europa Central (em especial na República Checa) e Mar Báltico.

  • Apesar de as metanfetaminas cristalinas e metanfetaminas fumadas terem cada vez maior prevalência em muitas partes do mundo, na Europa as metanfetaminas encontram-se disponíveis quase exclusivamente na forma de pó, sendo por isso praticamente indistinguíveis das anfetaminas na sua aparência e efeito.

  • Dados recentes de países do Norte da Europa demonstram que as anfetaminas poderão ser cada vez mais substituídas pelas metanfetaminas nos mercados de alguns países escandinavos e bálticos.

Utilização de anfetaminas na população geral

  • Inquéritos na população geral e em meio escolar estudantes evidenciam uma prevalência de consumo de anfetaminas relativamente baixa na maioria dos países europeus. No entanto, em pelo menos cinco países, estima-se que mais de 2 % dos jovens (15–34) consumiram a droga no último ano: República Checa (3,2 %), Dinamarca (3,1 %), Estónia (2,5 %), Reino Unido (Inglaterra e País de Gales) (2,3 %) e Bulgária (2,1 %).

  • Muito do consumo problemático de anfetaminas ocorre em contextos recreativos, em particular em eventos relacionados com música de dança, em que o consumo de drogas parece estar mais fortemente associado a determinados tipos de música.

  • O consumo de anfetaminas alguma vez ao longo da vida entre jovens neste tipo de contexto, varia consideravelmente, existindo registos de níveis de 30–70 % nalguns estudos na República Checa, Hungria, Eslováquia e Reino Unido.

  • A longo prazo, existem sinais de que, pelo menos nalguns países, as anfetaminas têm vindo a perder terreno para a cocaína e o ecstasy, ou para novas substâncias como a mefedrona nos locais de diversão nocturna;.

Análise regional do consumo problemático de anfetaminas e metanfetaminas

  • Nos países da Europa Ocidental e do Sul, o consumo problemático de anfetaminas é raro, mas pode alcançar algum relevo em certos países e entre populações específicas de consumidores problemáticos.

  • Em muitos países da Europa de Leste, Central e do Norte, os consumidores de anfetaminas, que frequentemente se injectam, constituem uma proporção apreciável da população de consumidores problemáticos de drogas.

  • Nesta ampla área geográfica, emergem vários subpadrões distintos. Os padrões mais óbvios são o problema persistente do consumo de anfetaminas na Finlândia'>Suécia e na Finlândia, bem como o problema histórico das metanfetaminas na República Checa, que também está a afectar a Eslováquia.

  • Os 16 296 (12 000–22 000) consumidores problemáticos de anfetaminas estimados na Finlândia (em 2005) representam cerca de três quartos da população geral de consumidores problemáticos de drogas. Estimativas recentes de consumidores problemáticos de metanfetaminas estão disponíveis na República Checa, nomeadamente 21 200 (20 700–21 800) em 2008, e na Eslováquia, 8 083 (5 783 15 742) em 2007. Nestes três países, o número de consumidores problemáticos de anfetaminas por 1000 habitantes com idades compreendidas entre 15–64 anos, tal como determinado por estimativas centrais, é de 4,7 (Finlândia), 2,9 (República Checa) e 2,1 (Eslováquia).

  • Outros países destas regiões são também afectados, incluindo a Estónia, Lituânia, Letónia e Noruega, nos quais as anfetaminas são frequentemente injectadas, e a Dinamarca onde a droga parece ser principalmente inalada.

Respostas ao consumo problemático de anfetaminas

  • Abstinência do consumo de anfetaminas não é considerada potencialmente mortal, sendo possível a desintoxicação bem sucedida.

  • Na Europa, as opções de tratamento disponíveis para os consumidores de anfetaminas reflectem, frequentemente, os padrões e a história do consumo de anfetaminas a nível nacional.

  • Nos países da Europa Ocidental e do Sul, os sistemas de tratamento têm-se especializado principalmente em dar resposta às necessidades dos consumidores de opiáceos, em especial através dos tratamentos de substituição de opiáceos.

  • Nos países da Europa Central e do Norte, com um longo histórico de tratamento do consumo de anfetaminas, alguns programas são direccionados para as necessidades dos consumidores de anfetaminas.

  • Em alguns países da Europa Central e de Leste, o consumo problemático de anfetaminas é mais recente. Desta forma, os sistemas de tratamento desses países desenvolveram principalmente serviços para os consumidores problemáticos de opiáceos e parecem apresentar dificuldades e insuficiências na resposta às necessidades dos consumidores de anfetaminas.

1() As anfetaminas e as metanfetaminas são referidas, em conjunto, como anfetaminas.



PT — SOB EMBARGO ATÉ 10.11.2010 — 10h00 UTC/hora de Lisboa



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