Resumo da Tese para participação do gt de Lexicologia, Lexicografia e terminologia da anpoll



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Leandro Zanetti Lara

Resumo da Tese para participação do GT de Lexicologia, Lexicografia e terminologia da ANPOLL



A Representação Semântico-Lexical no Modelo da Gramática Discursivo-Funcional.

RESUMO
Este trabalho insere-se nos estudos de semântica lexical, no sentido de que visa a investigar a representação semântico-lexical no âmbito da teoria da Gramática Discursivo-Funcional1 (HENGEVELD, 2000, 2004a, 2006; HENGEVELD e MACKENZIE, 2006; 2008), tomando como crivo para este estudo dados do português brasileiro (doravante, também abreviado como PB), sobretudo no que tange à relação conteúdo semântico / comportamento sintático dos adjetivos. O modelo teórico objeto da presente investigação foi idealizado numa perspectiva em que se dá primazia, na sua descrição gramatical, ao nível pragmático e ao semântico, relegando a morfossintaxe e a fonologia a uma posição de dependência em relação à pragmática e à semântica. A representação linguística proposta pela Gramática Discursivo-Funcional concebe a estruturação gramatical a partir do uso discursivo e da semântica composicional da sentença (que não corresponde aqui, necessariamente à oração (verbal) clássica, podendo, antes, ir desde uma minissentença até um período composto) ou de um conjunto de sentenças, equivalendo aproximadamente ao turno de conversação. Assim, trata-se de modelo teórico que põe em primeiro plano uma pragmática e uma semântica de elementos mais próximos ao frasal e ao textual do que ao lexical propriamente dito, donde nosso interesse em observar de que forma se dá e quanto há de contribuição da semântica dos itens lexicais para a descrição gramatical na Gramática Discursivo-Funcional.


O argumento subjacente à escolha deste formato de modelo radica no fato de que as configurações morfossintáticas e fonológicas são uma consequência da intenção (pragmática) e do sentido (semântica) – ponto de vista perseguido pelo Funcionalismo e expresso na adequação pragmática proposta por Dik (1977a, b) e que remonta às concepções originais do funcionalismo, a ser encontradas na noção última de função (uso) dos estudos do Círculo Linguístico de Praga e nas funções bühlerianas. Neste sentido, devemos observar que há, também, muitos fenômenos, citados na literatura em semântica lexical, que redundam na afetação do nível morfossintático e que partem não das semânticas frasal ou textual, mas do conteúdo semântico dos próprios itens lexicais. Assim sendo, buscaremos aqui demonstrar a tese de que a contribuição do léxico e de sua semântica para a representação gramatical como um todo não foi inteiramente contemplada na Gramática Discursivo-Funcional, mas que, no entanto, é importante para um modelo que se pauta por um critério que estipula que somente aqueles fenômenos semântico-pragmáticos que, de alguma forma, influenciam o nível gramatical devem ser incorporados à sua descrição linguística.
Holmes (2005, p. 11) cita que a posição lexicalista – de que as propriedades combinatórias (no sentido de sintáticas) das palavras são determinadas pelas suas representações lexicais – não é incontroversa, mas que muitos teóricos aderem àquela, como Chomsky (1981, p. 29), para quem “em cada nível sintático (LF e Estruturas-D e –S), as representações são projetadas do léxico, a fim de que sejam observadas as propriedades de subcategorização dos itens lexicais”2. O autor acrescenta uma lista considerável de estudos que tomam como base a posição lexicalista, entre estes: Croft (1998, 2001), Cruse (1986), Faber e Usón (1999), Fillmore (1982), Geeraerts (1994), Goldberg (1995, 1998, 2002), Jackendoff (1987, 1990, 1991), Lakoff (1987), Langacker (1987), Lemmens (1998), Levin (1993), Perlmutter (1978), Pustejovsky (1991), Rappaport e Levin (1988), Wierzbicka (1972, 1966, 1998). Poderíamos acrescentar ainda os trabalhos de Döllig e Zybatow (2007), Bierwisch e Schreuder (1992), Blutner (2002), Horn (2009), Goy (2000), entre outros que serão citados nesta tese. Ainda, cabe mencionarmos a extensa produção sobre a relação semântica lexical / sintaxe no português brasileiro levada a efeito pelo Núcleo de Pesquisa em Semântica Lexical, liderado por Márcia Cançado (ver, entre outros, Cançado (1995)).
Como indicamos, tomaremos como ponto de análise a semântica lexical dos adjetivos do português brasileiro, a fim de verificar se as diferentes questões envolvidas na descrição da semântica dessa classe lexical encontra na Gramática Discursivo-Funcional uma representação teórica eficaz. A opção pelos adjetivos é devida ao fato de que devíamos selecionar um tema de análise dentre as diversas classes léxicas, ressaltando-se a relevância, para a GDF, dos estudos semântico-lexicais dos nomes, verbos e outras classes que sejam de interesse do ponto de vista lexical. Citemos um importante trabalho acerca da semântica das preposições (ou adposições, na terminologia da GDF) do inglês levado a efeito por Keizer (2008). Assim, estaremos visando, nesta tese, ao seguinte objetivo: contribuir, tomando como base a análise dos dados (dos adjetivos) do português brasileiro, com subsídios para a validação (ou aperfeiçoamento, se os dados assim indicarem) da modelização da representação semântico-lexical na teoria da Gramática Discursivo-Funcional.
Para a consecução da análise, recorreremos a uma revisão da literatura linguística centrada em dois pontos: numa visão geral do modelo da Gramática Discursivo-Funcional, que compreenderá um aprofundamento específico no que tange ao papel da representação semântico-lexical nesta teoria; e no estudo dos adjetivos do português brasileiro, sobretudo no que diga respeito a aspectos relevantes para uma representação semântica desta classe lexical.
- bloco de atividades 4) relatos de pesquisas
concluídas (mestrado e doutorado, apresentação oral) de membros do GT;
- tema: 10. Estudos do léxico em interfaces: diálogos entre outras áreas do conhecimento e os estudos linguísticos.

Concluí doutorado em léxico recentemente junto ao PPG/UFRGS, sob a supervisão da Profa. Dra. Sabrina Pereira de Abreu / UFRGS.


Envio anexo o resumo, com 799 palavras.



1

Adota-se esta designação, em vez de Gramática Funcional do Discurso, seguindo o argumento de Souza (2008): “Em Gasparini-Bastos (2004), Penhavel (2005) e Souza (2007), a tradução de Functional Discourse Grammar adotada inicialmente para o português foi “Gramática Funcional do Discurso”, no entanto, em razão de algumas discussões dos próprios mentores da teoria em congressos dentro e fora do Brasil, chegou-se à conclusão de que a melhor tradução, até mesmo por conta da natureza das proposições do modelo teórico, seria “Gramática Discursivo-Funcional”, uma vez que o que se analisa de fato é a gramática da língua que sofre influência do discurso, e não o discurso como um todo.”




2

Tradução nossa do original inglês: “Representations at each syntactic level (LF, and D- and S-structure) are projected from the lexicon, in that they observe the subcategorisaton properties of lexical items.”





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