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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

CTC – INE – SISTEMAS DE INFORMAÇÃO

PROJETOS 1

RESUMO DE ARTIGO:



INTERVENÇÃO NO CÉREBRO – A NEUROÉTICA EM DISCUSSÃO

Robert Lent

Publicado em Ciência Hoje 203, abril de 2004-06-11

Mario Gonsales Ishikawa

Matrícula 0023829-5

O artigo inicia citando um caso hipotético onde no ano de 2024 um sujeito de pseudônimo Zeca se prepara para um exame de seleção de funcionários de uma grande empresa, para trabalhar como operador mental de robôs. Seu pai compra com muito sacrifício dois comprimidos de Memorix para que sua memória seja estimulada para estudar para a prova. Caso consiga passar no exame, terá que passar pela implantação de 10 chips no cérebro, exigência contratual, para então poder atuar como operador mental de uma linha de robôs de uma das unidades da empresa.


Pode parecer um exemplo de extrema ficção, mas em 2003 um estudo comandado por Miguel Nicolelis conseguiu com sucesso com que um braço mecânico, robótico fosse comandado por um macaco através de impulsos elétricos oriundos diretamente do cérebro do animal. Muitas revistas científicas tem publicado experiências do gênero. Têm-se observado impressionantes e promissores resultados de trabalhos de cientistas no desenvolvimento de interfaces entre o cérebro e a máquina, ou seja, dispositivos capazes de detectar a atividade dos milhões de neurônios que coordenam as operações responsáveis por atividades complexas.
Fica evidente de que muitas inovações surgirão na área nos próximos anos, podendo trazer expressivas melhorias na qualidade de vida de pessoas com perda de movimento causados por lesões na medula espinhal. Além disso, pesquisas em mecanismos moleculares de memória poderão restaurar a capacidade de memória de pessoas afetadas por doenças como o mal de Alzheimer.
Tais aplicações muito possivelmente serão bem vindas, porém uma grande questão ética se apresenta no caso do personagem Zeca da hipotética história apresentada inicialmente. Como permitir que tais avanços tecnológicos sejam empregados não em pessoas afetadas por algum distúrbio ou doença, mas sim em pessoas normais para aumentar a capacidade cerebral em determinados aspectos? Se paraplégicos podem movimentar máquinas a distância pessoas normais também poderiam ter o mesmo direito. Mas seria isso aceito moralmente?
Esse dilema é o ponto central da neuroética: tratamento versus aprimoramento. Seria lícito as empresas exigirem em contrato tais alterações por parte de seus funcionários? Haveriam riscos envolvidos? Seria aceito legalmente e eticamente que um indivíduo fizesse uso de estimulantes ao participar de exames de seleção intelectuais?
É óbvio que tais avanços ainda apresentariam uma outra polêmica. Ainda que aceitos, não seriam gratuitos. Ficariam então disponíveis a quem possui poder de compra, criando então mais um novo tipo de desigualdade social.
Por um lado os que discordam do uso de tais tecnologias alegam que o aprimoramento individual promove o artificialismo, resultando que as pessoas não seriam mais naturais, mas sim seres alterados e artificiais. Por outro lado, os defensores citam exemplos como o uso de um comprimido para amplificar a memória para participar de um teste como sendo algo tão normal como usar um tranqüilizante para falar melhor em público.

São inúmeros os argumentos apresentados de ambos os lados, por membros de comunidades científicas distintas. Fica evidente que a população em geral deve começar a pensar também em tais assuntos e que mais discussões sejam promovidas, bem como a criação de comissões de éticas nas diversas sub-áreas de estudo que vem surgindo sobre o assunto apresentado.


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