Resumo final cp geração 70



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Resumo final CP

Geração 70

- o espírito e atitude inovadoras dos jovens de Coimbra face ao conservadorismo ultra-romântico protagonizado por António Feliciano de Castilho despoleta a “Questão Coimbrã”;

- a atitude de rebeldia, inconformismo, irreverência dos jovens de Coimbra continua em Lisboa, tendo a sua visibilidade pública com as Conferências do Casino, em que se pretende impulsionar a concretização dos ideais surgidos com a “Questão Coimbrã” querela literária que opõe o Grupo Ultra-Romantico ao Grupo de Coimbra;

A Geração de 70 desacreditou as normas vigentes ao apontar o marasmo económico, social, intelectual e politico em que Portugal se encontrava e estabeleceu uma contestação organizada no intuito de transformar a mentalidade do país.

Foi desta forma que surgiram as Conferências de Casino para chamar a atenção da opinião pública de temas vigentes da cultura moderna europeia e «estudar as condições da transformação política, económica e religiosa da sociedade portuguesa».

Os temas tratados nas conferências democráticas assinalaram a educação como base de desenvolvimento essencial do indivíduo e do país; o sufoco do catolicismo como originador do poder absoluto da monarquia, do condicionamento da liberdade individual e bloqueio da burguesia; o enaltecimento, incremento e progresso das artes no processo educativo; o realismo como nova corrente literária; a renovação do ensino em Portugal; e separação do estado com a igreja.

Tratava-se de uma verdadeira elite intelectual, representativa do novo espírito científico europeu, que defendia a missão social da literatura e preconizava uma renovação literária e artística que passava pela crítica aos “excessos lírico-sentimentais glosados pela estética ultra-romântica” dos seguidores de Castilho.

Em síntese, as principais características que definem a geração de 70 são:

- a capacidade crítica face ao funcionamento político e social do país;

- a coragem na denúncia da tacanhez cultural e mental nacional;

- a criação de propostas de intervenção activa e reformista.
As razões pelas quais a Regeneração, contexto histórico-político que coube à geração de 70, constituiu um marco relevante da nossa história;

- progresso industrial e técnico acentuou diferenças sociais;

- intensificação do contacto com o exterior evidencia a diferença de mentalidades;

- o desfasamento causado pela importância dada a um crescimento predominantemente material, em prejuízo de um simultâneo e complementar desenvolvimento orgânico da sociedade em todos os seus vectores determinantes, em especial nos planos cultural e mental.



Geração Orpheu

As motivações e estratégias da Geração do “Orpheu”, na questão da universalidade, tão explícita na gesta pessoana, e que transcende o conceito de europeização, apesar de a Europa continuar a ser o espaço privilegiado do progresso, da ciência e, consequentemente, da evolução, ou seja, do “futuro”. Enquanto membro da Geração de “Orpheu” e para além da partilha deste ideário, Pessoa defende uma nova concepção da Arte que se reflete numa nova forma de encarar o mundo (cosmovisão).

No ideário órfico, pressupõe a rutura com o passado como forma de progredir e de construir o futuro. Este futuro será possível de conquistar, com base em valores como os da universalidade, da inovação e capacidade criativa e ainda da energia como motor empreendedor da expressividade artística.

“Entre outras coisas, o modernismo português – e em particular o representado por Fernando Pessoa – desejou ser não apenas invenção e recriação de uma nova sensibilidade e visão da realidade (aquela que o chamado mundo moderno estava pedindo), mas igualmente uma metamorfose total da imagem, ser e destino de Portugal.”

(“Da Literatura como Interpretação de Portugal”, in O Labirinto da Saudade, Lisboa, Gradiva, 2005.)

• Em estreita articulação com a criação desta nova estética está a afirmação de Eduardo Lourenço (transcrita no grupo II) que sublinha o alcance da ação de Fernando Pessoa neste contexto histórico-cultural: não só enquanto principal teorizador dos ‘ismos’ modernistas, contribuindo para a construção de uma “nova sensibilidade” em termos estético-literários, como também orientando o espírito de inovação modernista para a busca de uma renovação radical do modo de ser-português que, por sua vez, viabilizasse a criação de uma imagem plenamente afirmativa e europeia de Portugal. É nesta dupla dimensão que o excerto apresentado deve ser entendido: o ideário modernista pressupõe uma nova concepção da Arte mas está imbuído de uma consciência aguda da necessidade de levar a sociedade a acompanhar essa nova visão artística. Daí se compreende a necessidade de divulgação dessa nova forma de Arte concretizada na publicação da revista Orpheu.



Interpelação a Portugal (o que os aproxima e o que os distingue)

A esfera de actuação das duas gerações é diferente:

A Geração de 70 aspira a renovar, regenerar a sociedade da época nas suas diferentes vertentes: económica, política, social e também artística.

A Geração de “Orpheu” sustenta a sua atuação na necessária renovação nas Artes e na Filosofia, operando alterações na cosmovisão portuguesa. As diferenças entre ambas evidenciam ainda as diferenças sociais e económicas entre as duas gerações: os contextos, as épocas e a cosmovisão do mundo são diferentes e marcam consideravelmente a forma de encarar a questão e a necessidade que sentem de regenerar Portugal. A consciência da necessidade dessa regeneração é um dos elos que as liga entre si e que determina o seu papel na história da Cultura Portuguesa.



As afinidades que os ligam;

- agitação e reforma de mentalidades, através de estratégias como a mistificação e a blague e do uso da ironia;

- espírito de subversão e de provocação concretizado na criação e divulgação do poeta fictício Carlos Fradique Mendes e através do lançamento da revista Orpheu;

- desejo de europeização, como forma de reacção à mediocridade do meio cultural nacional;

- intenção de modernidade.

As divergências existentes entre ambos;

- a Geração de 70 revela preocupações cívicas e políticas (veja-se os textos de combate intelectual, ideológico e político das Conferências do Casino) que os homens de “Orpheu” não têm; - os órficos defendem a originalidade individual e a absoluta novidade estética, preconizando e assumindo uma ruptura completa com o passado;

- a europeização é encarada de forma diferente: para a Geração de 70 ela é essencial para o desenvolvimento do país, enquanto para os poetas de Orpheu existe um desejo de universalidade que é transnacional;

- a acção de “Orpheu” foi mais destemida, arrojada e radical (o que está relacionado também com a conjuntura artística) do que a dos criadores da Geração de 70, mais tarde “Vencidos da Vida”.

A Geração de 70 tencionava criar um movimento que restituísse a Portugal o fulgor de uma grandeza outrora sua, mas tão apagada devido à sofrível realidade politica, económica, social e cultural.

A Geração de Orpheu baseava-se na inovação com o intuito de perturbar o país, imbuída de uma nova estética que renovasse completamente a nação de forma revolucionária e ajudasse a conceber uma mentalidade definitivamente portuguesa e europeia.

O Fradiquismo espelhava uma atitude cívica dedicada e reformista, a que o Modernismo respondia com indiferença aos vários quadrantes de opinião crítica, afirmando uma originalidade e qualidade impar, muito aquém dos companheiros de Eça que carregavam um complexo de inferioridade em relação ao que se fazia no estrangeiro.

A vanguarda de Orpheu transcendia-se para fora do país, exagerada e hostil; cortava com o passado na busca de uma nova essência artística; e retomava o conceito de pátria associado à consciência cosmopolita tão genética da necessidade portuguesa.



A interpelação a Portugal - Geração de 70 e Geração de Orpheu

As batalhas literárias, intensamente críticas e inventivas protagonizadas pela «geração de 70» e pela «geração de Orpheu», ainda que ocorridas em diferentes espaços temporais, tentaram agir sobre a mentalidade nacional. Ambos os movimentos se manifestam através de uma certa ironia e mistificação. “Subversivos” querem reformular, revolucionar a mentalidade portuguesa, caracterizada em ambas as épocas por uma estagnação de valores que emergiam das próprias condições socioeconómicas vigentes. Contestatários, procuram cortar com os ideais da altura. Orpheu de forma mais radical e vanguardista, procura novas expressões artísticas, novos caminhos estéticos.

Este espírito contestatário, comum a ambos, projecta-se em finalidades e características diferentes. A geração de 70 procura a consciência de ser português, restituindo a Portugal a sua grandeza sem abdicar da sensibilidade do desenvolvimento intelectual e cultural da Europa. Por outro lado, o movimento Orpheu consubstancia um patriotismo que se distancia do passado projectando-se universalmente, sem esquecer a vertente messiânica[1] que Pessoa advoga. Através de uma expressão pura, procura desenvolver uma consciência Universal – uma equação literária inovadora e europeia, única e totalmente revolucionária, como refere Pessoa “ criar uma arte cosmopolita no tempo e no espaço (…) acumular dentro de si todas as partes do mundo. (...) resultará uma arte-todas-as-artes, uma inspiração espontaneamente complexa”.

O movimento modernista considera-se autónomo à opinião pública, à política, à opinião literária, aos avanços científicos, em resumo à visão social da época que integra, não deseja agir civicamente ou politicamente. A sua devoção à Arte e aos novos caminhos que projectam, traduzem-se numa qualidade literária da revista que subjuga o Fradiquismo. Pessoa deseja agir sobre o psiquismo português.

Os protagonistas da geração de 70 propõem-se agir dentro da sociedade, com um espírito e sentido ético que se estende à reforma pedagógica e à política.

Apesar dos esforços de ambos os movimentos, a sociedade permaneceu alheia à mudança de mentalidade e muitas das suas acções inovadoras foram incompreendidas. Interpelam pela audácia e se aproximam pela ilusão do sonho, no desejo do “ser-português”.



Antero de Quental (Resumo das Causas da decadência)

- questionamento sobre a existência actual da pátria e a necessidade de integrar a Europa civilizada;


- “Gememos sob o peso dos erros históricos. A nossa fatalidade é a nossa história.”


- “Que é pois necessário para readquirirmos o nosso lugar na civilização? Para entrarmos outra vez na comunhão da Europa culta? É necessário um esforço viril, um esforço supremo: quebrar resolutamente com o passado.”
- “Somos uma raça decaída por ter rejeitado o espírito moderno: regenerar-nos-emos abraçando francamente esse espírito.”

- questionamento sobre as causas da decadência da península nos últimos 3 séculos;

- a revolução que se operou no séc. XVI na península foi contrária à que aconteceu no resto da Europa civilizada e condicionou os séculos vindouros;

- “Tais temos sido nos últimos três séculos: sem vida, sem liberdade, sem riqueza, sem ciência, sem invenção, sem costumes.”

- “Quais as causas dessa decadência, tão visível, tão universal, e geralmente tão pouco explicada?”

- “Ora esses fenómenos capitais são três e de três espécies: um moral, outro político, outro económico.”. O primeiro é a transformação do Catolicismo pelo Concílio de Trento; o segundo, o estabelecimento do Absolutismo, pela ruína das liberdades locais e o terceiro o desenvolvimento das Conquistas longínquas.

Estes fenómenos relacionam-se com três grandes aspetos da vida social: o pensamento, a política e o trabalho.

. O período aponta para a tentativa de quebrar com os erros do passado, apelando ao espírito da “Revolução”:

- afirmar o progresso, a consciência e o pensamento livres (atrofiados pelo catolicismo);

- instituir a democracia republicana, por oposição à monarquia centralizada;

- defender a iniciativa do trabalho do povo e a indústria.

- defender o desenvolvimento da indústria e do comércio, substituindo o trabalho à força.

- o diagnóstico da existência da pátria que definha sob os erros do passado, através da definição das causas da decadência;

- as causas da decadência (moral, política, económica) têm raízes no séc. XVI, por oposição à restante Europa;

- o apelo à mudança de mentalidade, através da indicação das 3 causas da decadência (religiosas, políticas e económicas);

- a proposta de 3 soluções alternativas para a mudança social.


Na pessoa de Antero de Quental, o caminho por que Portugal devia enveredar para “readquirir o [seu] lugar na civilização”. Era:
- quebrar com os erros do passado, apelando ao espírito da “Revolução”;

- afirmar o progresso, a consciência e o pensamento livres (atrofiados pelo catolicismo);

- instituir a democracia republicana, por oposição à monarquia centralizada;

- defender a iniciativa do trabalho do povo, por oposição à inércia industrial.

O seu nome é Revolução: revolução não quer dizer guerra, mas sim paz: não quer dizer licença, mas sim ordem, ordem verdadeira pela verdadeira liberdade.” As razões que conduzem a esta “Revolução” ímpar.
- O conceito de “Revolução” é o de uma acção pacífica: "o Cristianismo foi a Revolução do mundo antigo: a Revolução não é mais do que o Cristianismo do mundo moderno.”

- o apelo à revolução - - A “Revolução” pacífica tem a ver com um ‘utopismo’ de cariz socialista que caracterizava o pensamento do autor, significando que as inquietações do seu espírito se orientavam mais em função de uma ordem filosófica ou religiosa do que de preocupações sociais ou políticas.

- o diagnóstico da existência da pátria que definha sob os erros do passado;

- o propósito de Portugal readquirir o seu lugar na civilização da Europa culta;

- o apelo à mudança de mentalidade, através da indicação das 3 causas da decadência (religiosas, políticas e económicas);

Eça de Queiróz (Uma campanha alegre)

O autor traça um panorama crítico da sociedade, da vida política, da religião, da opinião pública, do jornalismo e da literatura do seu tempo - temas tratados com humor e ironia, que atravessam a sua obra de romancista voltada para o inquérito à vida social, sobretudo os romances da fase dita realista-naturalista.


Dos vários artigos, saliente-se, no "Estudo social de Portugal em 1871", o panorama geral da época contemporânea deveras desanimador: "O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. (...) Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida..."). Atente-se, igualmente, pela recorrência do tema na obra de ficção do autor, nos artigos "As meninas da geração nova em Lisboa e a educação contemporânea" e "O problema do adultério", que se debruçam sobre o problema do adultério e das suas causas sociais e morais, quase sempre relacionadas com uma educação mal orientada. Os artigos abordam, contudo, variadíssimas questões, desde reflexões sobre a religião e sobre a educação religiosa, até considerações acerca do exercício do poder político.

No domínio da literatura, Eça critica sobretudo o lirismo convencional e hipócrita do Romantismo tardio, bem como o romance passional, que considera ter consequências negativas na educação feminina.

descrição crítica do estado calamitoso do país, em vários planos, na época do autor;

- opinião pessoal – paralelismo entre as características de Portugal descritas no texto e o de hoje.



Eduardo Lourenço (Da literatura como interpelação de Portugal)

O sentimento de fragilidade ôntica relativo à existência pátria” que atravessou o século XIX, tendo em atenção o ponto de vista do autor expresso no texto.

- efeitos nas grandes obras literárias do século;

- reacção histórico-patriótica ao ultimatum que consagrava a nossa nulidade política;

- oscilação entre a acusação-regeneradora do que somos ou fomos e o alegorismo-compensatório que as obras de Eça de Queirós e Oliveira Martins sobejamente ilustram.



Resumo do texto de Eduardo Lourenço

- o questionamento sobre a existência e o valor da pátria; (- “[…] que ser é o meu, se a pátria a que pertenço não está segura de possuir e ter o seu?[…]”; - “[…] Este sentimento de fragilidade ôntica relativo à existência pátria durante todo o século XIX, a consciência de uma permanente ameaça […]”; - […] a da generalizada consciência, entre a intelligentsia lusitana, de uma desvalia trágica, insuportável, da realidade nacional sob todos os planos.”)

- o seu reflexo nas principais obras literárias do século XIX, especialmente na sua segunda metade;

- a importância da reacção histórico-patriótica ao ultimatum como indício da nossa nulidade política;

- a intensa consciência, entre os intelectuais portugueses, de uma desvalia da realidade nacional sob todos os planos;

- o propósito de reerguer Portugal através da criação de um movimento ou obra que transfigurasse/superasse a mediocridade generalizada, como efeito compensatório das circunstâncias negativas da realidade nacional.



Em que consistiu a “obsessão temática capital do século XIX“ referida no texto, assim como o tipo de reacções que suscitou entre os intelectuais portugueses

- repor Portugal na sua grandeza ideal tão negada pelas circunstâncias concretas da sua medíocre realidade política, económica, social e cultural;

- em termos de literatura, a obsessão de criar um movimento ou uma obra em que essa regeneração simbólica se cumprisse, transfigurando a miséria deprimente do «Portugal contemporâneo»;

António Sérgio “O Reino Cadaveroso”

- o problema mais grave da sociedade portuguesa é o da cultura, da mentalidade;
- a defesa da época dos Descobrimentos que deverá ser o modelo para a actualidade, valorizando a importância da investigação científica e do subsequente espírito crítico;
- a inexistência de reflexão, aliada à falta de articulação entre os conhecimentos, é um mal de que ainda hoje enferma a sociedade moderna;
- Do Reino da Inteligência, passa-se para o reino da Estupidez no séc. XVII, sendo os séculos subsequentes tentativas vãs de regressarmos à época áurea;

- o problema mais grave da sociedade portuguesa é o da cultura, da mentalidade;

- a explicação do atraso cultural do país deve-se, em parte, à falta de treino metódico, à ausência de investigação, à inexistência de trabalho do espírito sobre si mesmo;

- o discurso sergiano reflecte a vontade de mudar mentalidades e incentivar a formação de um novo espírito, crítico, livre de dogmas e tradições, liberto de censura e pré-conceitos;

- a definição de três momentos decisivos de avanço na cultura europeia: a Antiguidade, com a escola ateniense; o Renascimento, com o contributo dos italianos e dos portugueses e, finalmente, a contribuição da França no século do Iluminismo, por oposição ao espírito dogmático a autoritário da Idade Média;

- a defesa da época dos Descobrimentos que deverá ser o modelo para a actualidade, valorizando a importância do método experimental e do subsequente espírito crítico e a aplicação da Matemática à Física.

-a inexistência de reflexão, aliada à falta de articulação entre os conhecimentos, é um mal de que ainda hoje enferma a sociedade moderna;

- a defesa de que a cultura deve ser apanágio de todos;

- a apresentação de propostas que podem reformar o presente estado «cadaveroso» da cultura: o treino contínuo e sistemático, a ênfase no ensino prático, o convívio com o estrangeiro e a formação de uma elite verdadeiramente culta e humanista.

- a História é, para António Sérgio, importante não pelo carácter sucessivo dos seus acontecimentos, mas porque serve para problematizar e compreender o presente e, principalmente, para preparar o futuro.



Manuel Antunes – Repensar Portugal

- a mudança da ditadura para a democracia: a passagem repentina da repressão e do terror, bem como do isolamento internacional para a abertura ao exterior e para a liberdade;

- a equiparação deste momento da história a outros momentos de revoluções, tendo como demoninador comum a vontade de restaurar/encontrar a identidade pátria;

- a noção de Portugal como um país “de excepção”: na sua localização geográfica, na sua vontade de descobrir o mundo, na criação de um império como o Brasil, na criação literária, na manutenção do último império colonial do mundo moderno e na forma de fazer revoluções políticas;

-a dificuldade dos portugueses em construir a sua própria identidade, não só por não haver uma auto-reflexão séria sobre essa identidade, mas também por teimarem em copiar modelos estrangeiros;

- a necessidade de uma reflexão crítica séria de forma a construir o nosso próprio modelo que vá ao encontro dos problemas reais do país.

Manuel Antunes, em Repensar Portugal fala da Revolução de Abril e da forma pacífica como esta se deu, sem derramamento de sangue, sem violência extrema, seguindo o lirismo sempre patente na nossa cultura, até a revolução foi feita com cravos. Reconhece que foi instaurada a liberdade tão almejada por um Estado Novo. O povo é finalmente livre, as palavras correm soltas, é possível reivindicar, as portas estão abertas para os exilados. O Espírito Patriótico estava novamente no seu auge, o povo unido. Estavam todos os caminhos abertos, Portugal podia por fim encontrar o seu caminho, decidir o seu destino, fazer parte integrante da almejada Europa. Chegara o momento de olhara para o futuro, sem nos prendermos ao passado, embora aprendendo com o mesmo, tirando partido das lições que obtivemos ao termos tido um império e a razão essencial de o termos perdido, o facto de não sermos estruturados, de sermos ambiciosos, mas não sermos coordenados. Chegou o momento de deixarmos de nos sentir diminuídos pelo que fomos, tivemos e perdemos, mas sim de arregaçar mangas e criarmos um novo Portugal, era altura de arrumar a casa, de nos organizarmos, havia que reflectir e delinear uma estratégia que se coadunasse com a nossa realidade. Havia sim, que aprender com os outros, mas sobretudo havia que olhar para os nossos problemas, enfrentar nas nossas fraquezas aos níveis socioeconómico, cultural, político, o atraso científico e industrial. Consciencializarmo-nos das nossas falhas e criar ferramentas para construir e modernizar as coisas essenciais, que facilmente havíamos trocado por acessórios, era imprescindível cultivar a consciência da cidadania. Facultar à sociedade um sentido critico assertivo, pois sem crítica também não há crescimento, consciencializarmo-nos dos problemas colectivos, tomar consciência dos verdadeiros valores do nosso património cultural e espiritual.

Era o momento de criar o Estado de todos, fortalecer a democracia, lutar por ideal comum, e não deixar, mais uma vez, passar a hora de nos reerguermos, de encontrar o caminho comum, global e cumprir o destino da Universalidade.



Eduardo Lourenço - Psicanálise Mítica do Destino Português

O português em uma imagem de si mesmo completamente ilusória. Encontra-se desde os seus alicerces até à capacidade de o conhecermos, afectada.

Faremos uma autêntica psicanálise do seu comportamento.

Os mitos historiográficos do nascimento de Portugal assentam em:

- Sacrilégios maternos e palavra quebrada;

- Mistura de fanfarronice e humildade, imprevidência moura e confiança sebastianista, inconsciência alegre e negro presságio.

Constituem o fundo do carácter português, ligado ao seu nascimento.

Este acto surge da explicação de uma obra divina. Isto mostra a fragilidade desse carácter. Um complexo de inferioridade e superioridade.

Um pequeno país que se viu como grande, para se refugiar da sua realidade frágil, não dimensão geográfica, mas sim de mentalidade. Os Lusíadas são uma ficção do imaginário trágico da grandeza que fomos, definida como a histórica dificuldade de subsistir com plenitude política.

A estrela da sorte do divino que durante tanto tempo foi a explicação do nascimento português, veio durante o domínio filipino a tornar a existência irrealista do nosso ser num sebastianismo que denotou a fraqueza nacional e a carência real pela utopia do passado.

Quando nos relegávamos à Europa, eis que surge o reverso. A geração de 70 põe o dedo na ferida. Afastados estávamos da civilização, da cultura. O sofrimento volta, não de um Estado, nem das desventuras políticas, mas da própria existência diminuída.

Imperialisticamente voltados para África após perda do Brasil, confiscaremos o irreal trauma da fragilidade, mascarado de patriotismo, sublinhado como sempre pela insuficiência política que inspirava a organização do país.

A República irá chamar a si o patriotismo como base no que a monarquia não conseguira fazer – a desforra do Ultimatum. Este ideal republicano mostrará a demagogia parlamentarista.

Salazar conhecia o povo a ancestral condição humilde, a inata ou histórica paciência diante da adversidade, a infinita resignação, a inexpugnável credulidade, realidades sociológicas do mundo rural que manipulou durante meio século.

Foi a imagem ideológica do povo português como idílico, passivo, amorfo, humilde, e respeitador da ordem estabelecida, que o 25 de Abril encontrou.

A revolução trouxe ao povo uma imagem positiva de si. Restituiu-lhe os direitos cívicos próprios das democracias, operou mudança nas relações entre os governantes e os governados.

Falta concretizar a última viagem, aquela a que nos dirigimos a nós mesmos, isto é, rumo ao nosso desconhecido e dar-lhe imaginação posteriormente.

Eduardo Lourenço – Repensar Portugal

- a falta de espírito crítico sobre a existência nacional, que foi tão tratada pelos intelectuais do séc. XIX;

- a ideia de que o português se deixa seduzir pelo que vem do estrangeiro;

- a existência de uma visão idílica e conservadora da realidade portuguesa que nos foi imposta;

-a existência de uma autognose pátria que é realizada principalmente em função das imagens e contra-imagens da nossa herança cultural, especialmente de origem “estético-literária”;

- a necessidade de rever e renovar as imagens e os mitos, realizada pelo povo e não pelas classes com poder;

- a urgência de uma reflexão sobre o presente concreto e que combata a “descentragem permanente dos Portugueses da sua própria realidade”;

- a existência de um desnível cultural entre o povo e uma minoria cultivada é responsável pela imagem que os portugueses têm de si e tem continuidade no pós 25 de Abril – é necessário um “olhar sujeito”.



A missão cultural de cultural de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa acreditava que o mito podia levar Portugal para a frente, era um Sebastianista racional.

Uma vez que Portugal tinha perdido a identidade e os feitos históricos se haviam perdido com o passar dos tempos, ficando apenas memórias, era imperativo recuperar a nação das cinzas, pelo que utilizando o saudosismo patente nos Portugueses poderia através da exaltação dos nossos feitos levar Portugal e os Portugueses a bom porto, motivando e recuperando a imagem passada poderíamos reencontrar a identidade perdida.

Via Portugal como um País messiânico, tal como D. Sebastião era visto nos Lusíadas por enviado de Deus. Havia que sonhar para se cumprir Portugal.

Fernando Pessoa – Inventar e recriar uma nova sensibilidade e visão da realidade de Portugal. Assumia-se como sensacionalista – Decadentes, descendentes dos movimentos decadentistas e simbolistas. Futurista – acreditavam na violência como forma de superar a tradição, radical, exaltação da beleza bélica, inventar uma nova sintaxe.

Álvaro de Campos – sentir tudo de todas as maneiras

Álvaro de Campos teve 3 fases

1 - Influencia do simbolismo

2 – Mecanicista, onde a sua escrita ficou muito próxima à prosa

3 – Descontente com a vida

O movimento surrealista português, fez a tentativa mais forte de alterar a imagem cultural numa vontade de “libertação Cultural”.

Decadentismo – o artista evade-se para o imaginário.

Estrutura do P-fólio

Os temas abordados no p-fólio decorrerão preferencialmente da leitura e do estudo dos textos de autores da Geração de 70 e da Geração de “Orpheu”, que têm Portugal como referente, bem como a leitura da cultura portuguesa feita por outros autores de referência, designadamente Eduardo Lourenço e António Sérgio.

A estrutura do p-fólio assemelha-se à estrutura da Actividade Formativa 5, sendo constituída por duas partes:

1. Leitura e análise de texto, com perguntas de interpretação e elaboração de um resumo.

Notem que quando fazemos um resumo devemos evitar usar expressões do texto que estamos a resumir e, pelo contrário, usar palavras nossas, mostrando assim que percebemos as ideias do texto.



Um bom método para não nos esquecermos de apontar o que é essencial, é sublinhar as ideias principais e depois, seguindo a ordem do texto, fazer o resumo sem ajuizar nem opinar, mas limitando-nos a apontar as principais ideias do texto a resumir.

2. Leitura de texto e produção de um comentário crítico.

No caso do comentário crítico devemos, como o próprio nome indica, emitir as nossas opiniões de forma tão rigorosa e fundamentada quanto possível e, até, estabelecer paralelismos e relações, se tal for solicitado. No entanto, não devemos esquecer os textos que são dados para comentar, partindo deles para expormos as ideias dos autores e/ou as nossas próprias, articulando-as.


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